21º SATÉLITE DE OURO – INDICADOS ENTRE NOVIDADES E SURPRESAS

Neste ano, o IPA, International Press Academy, formado por jornalistas internacionais da área de Cinema, claro, anunciou muitas novidades e, também, algumas surpresas, quanto aos indicados ao 21º Golden Satellite Awards. Perceba como as coproduções estão fazendo efeito e cada vez mais promovendo a liberdade de temas pelo efeito da globalização, a unificação do planeta em suas diferenças. Esse processo está em risco caso o governo de Donald Trump cumpra a sua promessa de fechar o País à comunidade internacional. Tema para análise, em 2017, mas, por enquanto confiram a lista de indicações e os traillers. O Satelllite será entregue em 19 de fevereiro

LION - UMA JORNADA PARA CASA (Lion, Austrália, 2016), de Garth Davis

LION – UMA JORNADA PARA CASA (Lion, Austrália, 2016), de Garth Davis

Vamos ser sucintos, pois ainda há muitas indicações a serem anunciadas de outras premiações, assim também como as listas dos melhores da crítica estadunidense, europeia e brasileira. Para falar das surpresas, as ausências de filmes como A Chegada (The Arrival, 2016), de Dennis Villeneve, e Silêncio (Silence, 2016), a obra de caráter religioso de Martin Scorsese. As surpresas começam o número recorde de indicados à Melhor Filme: 12 títulos. Há ainda as presenças de Fences (Fences, 2016), estreia de Denzel Washington na direção; o emocionante road movie Lion – uma Jornada Para Casa (Lion, EUA-Austrália-Reino Unido, 2016),  assinada por Garth Davis; o novo trabalho de Mel Gibson, Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, 2016), um drama que oscila entre a religiosidade e a violência; além do drama feminista Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016)de Theodore Melfi; e o eletrizante e reflexivo thriller policial À Qualquer Custo (Hell or High Water, 2016), de David MacKenzie, entre outros.

Nas categorias de interpretação, para ator, novamente Casey Affleck, com Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea, 2016) posta-se à frente de concorrentes como Joseph Gordon-Levitt, o Snowden; Andrew Garfield, o Sully, o Herói do Rio Hudson (Sully, 2016); Viggo Mortensen, o chefe da família diferente, o Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 20156)e Joel Edgerton, o homem que desposa corajosamente uma negra no lindíssimo Loving. No time das atrizes indicadas, a parada será mais difícil. Annette Bening, uma das 20th Century Women, Emma Stone, a apaixonada em La La Land – Cantando Estações; Nathalie Portman, a Jackie (2016); Isabelle Huppert, em atuação indescritível em Elle (Elle, 2016),  e Amy Adams, por Animais Noturnos (Nocturnal Animals, 2016), mas poderia ter sido por A Chegada.

Veja o trailer de Loving.

Observe bem os indicados para Melhor Filme Estrangeiro. Pela primeira vez aparece o eletrizante A Criada (Ah-ga-ssi/The Handmaiden, 2016), o novo e celebradíssimo Chan Wook Park, competindo com o grande favorito, o alemão Toni Ederman (2016), de Maren Ade, o recordista do ano em premiações. Mas, figura, também, o drama O Apartamento (Forushande, 2016), do iraniano Asghar Farhadi, e o francês Elle, do holandês Paul Verhoeven. Faça as suas apostas.

Há homenagens, também: Edward James Olmos vai apresentar o prêmio Mary Pickford, e o prêmio Tesla para John Toll, o fotógrafo de Coração Valente.
Confira todos os concorrentes.

MELHOR FILME
La La Land – cantando Estações (La La Land, EUA, 2016), de Damian Chazelle
Moonlight (EUA, 2016), de Barry Jenkins
Manchester À Beira-Mar (Manchester by the Sea, 2016), de Kenneth Lonnergan
Lion – uma Jornada Para Casa (Lion, Austrália), de Garth Davis
Jackie (EUA, 2016), de Pablo Larrain
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, EUA, 2016), de Mel Gibson
Loving (EUA, 2016), de Jeff Nichols
À Qualquer Custo (Hell or High Water), de David MacKenzie
Animais Noturnos (Nocturnal Animals), de Tom Ford
Capitão Fantástico (Captain Fantastic), de Matt Ross
Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), de Theodore Melfi
Fences (EUA, 2016), de Denzel Washington

MELHOR DIRETOR
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
Mel Gibson, Até o Último Homem
Damien Chazelle, La La Land
Tom Ford, Animais Noturnos
Pablo Larrain, Jackie
Denzel Washington, Fences

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Barry Jenkins, Moonlight
Damian Chavelle, La La Land
Kenneth Lonnergan, Manchester à Beira-Mar
Taylor Sheridan, À Qualquer Custo
Matt Ross, Capitão Fantástico
Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou, The Lobster

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Robert Schenkkan e Andrew Knight, Até o Ultimo Homem, do romance “Hero at Hacksaw Ridge”, de Booton Herndon
Luke Davis, por Lion – uma Jornada de Esperança, do romance A Long Way Home, de Saroo Brierley
Kieran Fitzgerald e Oliver Stone, Snowden, dos livros de Anatoly Kucherena e Luke Harding
Justin Marks, Mogli o Menino-Lobo, do Rudyard Kipling
Allison Schroeder e Theodore Melfi, Estrelas Além do Tempo, do romance de Margot Lee Shetterly
Todd Komarnicki, Chesley Sullenberger, Sully – o Herói do Rio Hudson, do romance de Jeffrey Zaslow

Veja o trailer de Lion – uma Jornada Para Casa.

MELHOR ATRIZ
Annette Bening, 20th Century Women
Emma Stone, La La Land – cantando Estações
Natalie Portman, Jackie
Ruth Negga, Loving
Taraji P. Henson, Estrelas Além do Tempo
Meryl Streep, Florence
Isabelle Huppert, Elle
Amy Adams, Animais Noturnos

MELHOR ATOR
Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
Ryan Gosling, La La Land
Joseph Gordon-Levitt, Snowden
Viggo Mortensen, Captão Fantastico
Joel Edgerton, Loving
Andrew Garfield, Até o Último Homem
Tom Hanks, Sully, o Herói do Rio Hudson
Denzel Washington, Fences

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Helen Mirren, Eye in the Sky
Michelle Williams, Manchester à Beira-Mar
Nicole Kidman, Lion – uma Jornada Para Casa
Octavia Spencer, Estrelas Além do Tempo
Naomi Harris, Moonlight
Viola Davis, Fences

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jeff Bridges, À Qualquer Custo
Mahershala Ali, Moonlight
Dev Patel, Lion – uma Jornada Para Casa
Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
Eddie Murphy, Mr. Church
Hugh Grant, Florence

Veja o trailer de Fences.

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Gleason (EUA, 2016), de Clay Tweel
Life, Animated (EUA, 2016), de Roger Ross Williams
O. J.: Made in America (EUA, 2016), de Ezra Edelmann
A 13ª Emenda (13th, EUA, 2016), de Spencer Averick e Ava Duvernay
The Ivory Game (Áustria, 2016), de Kief Davidson e Richard Ladkani
The Eagle Huntress (Reino Unido-Mongolia-EUA, 2016), de Otto Bell
Tower (EUA, 2016), de Keith Maitland
Fogo no Mar (Fuocoammare/Fire at Sea, Itália-França), de Gianfranco Rosi
Zero Days (EUA), de Alex Gibney
The Beatles: Eight Days a Week (EUA, 2016), de Ron Howard

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Happiest Day in the Life of Olli Maki (Hymyilevä Mies, Suécia-Finlândia-Alemanha), de Juho Kuosmanen
Toni Erdmann (Alemanha-Áustria-Romênia), de Maren Ade
Julieta (Espanha-Argentina), de Pedro Almodóvar
A Man Called Ove (Em Man som Heter Ove, Suécia), de Hannes Holm
O Apartamento (Forushande/The Salesman, Irã-França), de Asghar Farhadi
The Ardennes (Les Ardennes, Bélgica), de Robbin Pront
Ma’ Rosa (Filipinas), de Brillante Mendoza
A Criada (Ah-ga-ssi/The Handmaiden, 2016), de Chan Wook Park
Elle (França-Alemanha-Bélgica), de Paul Verhoeven
Pan (Ray/Paradise, Rússia-Alemanha), de Andrei Konchalovsky

Conheça o trailer de A Criada.

MELHOR ANIMAÇÃO
Zootopia – essa Cidade é um Bicho, de Byron Howard e Rich Moore
Kubo e as Cordas Mágicas (EUA, 2016), de Travis Knight
Moana – um Mar de Aventuras (EUA, 2016), de Ron Clements e John Hall
Procurando Dory (EUA, 2016), de Andrew Stanton
Ma Vie de Courgette (My Life as a Zucchini, Suiça França), de Claude Barras
Mougli – o Menino Lobo (The Jungle Book, de Jon Favreau
La Tortue Rouge (The Red Turtle, França-Bélgica), de Michael Dudok de Wit
Sarusuberí: Miss Hokusai (Miss Hokusai, Japão, 2015), de Kiichi Hara
Trolls (EUA, 2016), de Mike Mitchell
Kimi No No Va (Your Name, Japão, 2016), de Makoto Shinkai

TRILHA SONORA
Até o Último Homem
La La Land – cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
O Bom Gigante Amigo
Mougli – o Menino-Lobo
Estrelas Além do Tempo

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Audition, de La La Land
City of Stars fromm, de La La Land
Dancing with Your Shadow, de Po
Can’t Stop the Feeling, de Trolls
I’m Still Here, de Miss Sharon Jones
Running, Estrelas Além do Tempo

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
A Longa Caminhada de Billy Lynn
La La Land
Moonlight
Até o Último Homem
The Happiest Day in the Life of Olli Maki
Mougli – o Menino-Lobo

Veja o trailer de A Longa Caminhada de Billy Lynn.

MELHOR EFEITOS VISUAIS
Mougli – o Menino-Lobo
A Longa Caminhada de Billy Lynn
Doutor Estranho
O Bom Gigante Amigo
Sully, o Herói do Rio Hudson
Deadpool

MELHOR MONTAGEM/EDIÇÃO
La La Land
Moonlight
A Longa Caminhada de Billy Lynn
Lion – uma Jornada Para Casa
Até o Último Homem
O Nascimento de uma Nação

MELHOR EDIÇÃO DE SOM E MIXAGEM
La La Land
Billy Lynn’s Long Halftime Walk
Até o ùltimo Homem
Mougli – o Menino-Lobo
Aliados
13 Horas: os Soldados Secretos de Benghazi

Veja o trailer de Até o Último Homem.

MELHOR DESENHO DE PRODUÇÃO E ARTES
La La Land
Até o Último Homem
Jackie
Mogli – o Menino-Lobo
Aliados
Alice no País dos Espelhos

MELHOR FIGURINO
Alice no País dos Espelhos
Amor & Amizade
Capitão Fantástico
Jackie
La La Land
Doutor Estranho

Veja o trailer de Capitão Fantástico.

 

BRASIL NO OSCAR-2017 – PEQUENO SEGREDO E AQUARIUS, HISTÓRIA DE PERDEDORES

O Pequeno Segredo, de David Schurmann, é o representante brasileiro na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, em fevereiro do próximo ano.  Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, perdeu a disputa interna, mas pode ganhar um lugar na competição por fora.  Para isso, basta ser indicado pela própria Academia em outras categorias, como já aconteceu com Central do Brasil e Cidade de Deus. Mas, na disputa interna, ambos fracassaram perante o interesse do público. Fica o registro histórico de uma disputa sem vencedor

Julia Lemmertz e Mariana Goulart em PEQUENO SEGREDO (2016), de David Schurmann: representante do Brasil no Oscar-2017

Julia Lemmertz e Mariana Goulart em PEQUENO SEGREDO (2016), de David Schurmann: representante do Brasil no Oscar-2017

Acabou a polemica sobre Aquarius representar o Brasil no Oscar? Sim e não. Sim, porque o representante oficial do cinema brasileiro é O Pequeno Segredo, de David Schurmann. Não, porque nas áreas de comentários da imprensa e nas redes sociais os militantes e admiradores do filme de Kleber Mendonça Filho tratam a decisão como “um novo golpe”. Na verdade, houve uma disputa inócua entre dois perdedores porque nenhum deles vai ganhar prêmio nenhum.

Mesmo com toda a polêmica polêmica, Aquarius, que já saiu de cartaz, foi visto por merrecos 451 mil e 489 espectadores. Quem apostava em mais de 500 mil vai ficar devendo à banca. Boicotado pela crítica de esquerda e com um tema que trata de tristeza e morte, apesar da beleza plástica e da sensibilidade com a Schurmann conduziu a sua obra, só interessou a apenas 36 mil pessoas. Já está se esmiliquindo do circuito exibidor. Byby queridos.

Mas, os acontecimentos envolvendo os 2 filmes viraram história. E ela está aqui, disponível para pesquisa. Bruno Barreto, presidente da Comissão de eleição, anunciou que a escolha se deu por “um filme que dialogasse mais com os critérios da Academia”. Pode ter sido.

Obrigado a todos os que acreditam nesse filme”, agradeceu David Schurmann, via facebook. “Meu profundo respeito a todos os maravilhosos filmes inscritos. Tenham certeza que faremos de tudo e não economizaremos energias para representar nosso país na premiação do Oscar 2017. Obrigado, Obrigado, obrigado!“. Schurmann é formado em Cinema, mas não no Brasil, e sim, na Nova Zelândia, onde dirigiu diversos programas de televisão.

Para registro da história ou pesquisa por parte de quem precisar, eis os acontecimentos que enolveram os 2 perdedores.

Para saber mais sobre David Schurmann, acesse aqui.

A COMISSÃO

• Adriana Scorzelli Rattes, ex-secretária de estado de cultura do Rio de Janeiro;

• Luiz Alberto Rodrigues, sócio-diretor da Panda Filmes;

• George Torquato Firmeza, Diretor do Departamento Cultural do Itamaraty;

• Marcos Petrucelli, paulista e comentarista de cinema da rádio CBN;

• Paulo de Tarso Basto Menelau, da Moviemax Rosa e Silva e Cine Royal, salas exibidoras de filmes de arte em Recife;

• Silvia Maria Sachs Rabello, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Infra-Estrutura de Indústria Cinematográfica e Audiovisual-ABEICA;

• Sylvia Regina Bahiense Naves, assessora técnica em Acessibilidade do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura;

• Carla Camurati, diretora de Carlota Joaquina, Princesa do Brasil;

• Bruno Barreto, diretor de O que É Isso, Companheiro?, representante brasileiro ao Oscar em 1997.

O anuncio da indicação de Pequeno Segredo partiu de Luiz Alberto Rodrigues. “A gente considerou essa hipótese: que filme teria maior potencial para seduzir o júri da Academia a escolher como concorrente a filme de língua estrangeira?“. Por sua vez, questionada porque a Comissão não selecionou o filme de Kleber Mendonça, Silvia Maria Sachs Rabello revelou não ter sido uma decisão unânime: “Não foi uma decisão fácil. Não foi uma decisão unânime. Foi uma decisão pelo consenso“.

Vencedor da refrega com Kleber, o crítico Marcos Petrucelli disse que “Aquarius ganha essa repercussão nos Estados Unidos porque já foi visto, passou no festival de Cannes”. E, expondo o outro lado, complementou afirmando que, “coincidentemente o nosso filme que foi escolhido não foi visto ainda. Mas isso não significa nada (para a Academia). Tem filme que ganhou Oscar e não ganhou Cannes – e vice-versa“. E desviando-se do centro das atenções por sua posição anti-Kleber, definiu que Pequeno Segredo foi escolhido por conta do “perfil” do júri que seleciona os filmes para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro: “são pessoas geralmente mais velhas, então um pouquinho mais conservadoras. A gente tentou encontrar um filme que tem essas características do cinema ‘da cartilha”.

PEQUENO SEGREDO

Adaptação do livro do livro Pequeno Segredo, escrito por Heloise Schurmann, editado pela Harper Collins em 2012, desenvolve uma história que passa por 3 famílias e, interligadas, conta como a família, durante uma de suas viagens, adotou uma criança neozelandesa de 3 anos, Katherine, que, diagnosticada com Aids, teria apenas poucos meses de vida, viveu mais dez anos, tendo falecido em 2006, mas que durante esse tempo modificou por completo a vida de todos.

As filmagens, que duraram 8 semanas, ocorreram em Santa Catarina, Belém e Nova Zelândia. O elenco é composto por Julia Lemmertz, Marcelo Anthony, Maria Flor, a estreante Mariana Goulart (que vive Kat) e o ator neozelandês Errol Shand. A direção é de David Schurmann, que se formou em Cinema na Nova Zelândia, onde trabalhou na direção de programas de televisão e estreou no longa com o documentário O Mundo em Duas Voltas (2006), que conta as aventuras da família pelos mares, e realizou Desaparecidos (2011), obra menor que passou quase despercebida.

Quando essa história aconteceu, já imaginava algo incrível”, disse David em uma entrevista. “Um neozelandês é enviado para a Amazônia para prospectar gás numa vilazinha, e em um mês se apaixona por uma cabocla. Leva-a para conhecer o mundo, vão até a Nova Zelândia. Nossa família chega nessa comunidade da Nova Zelândia, o primeiro veleiro brasileiro a chegar lá. Forma-se uma amizade, um elo tão forte, que, três anos depois, ele pede para que meus pais adotassem sua filha. Foi uma história tão forte quando aconteceu e meus pais decidiram adotar a Kat; era tão incrível que parecia coisa de filme. Na época, comentei com meus pais que queria fazer um filme a respeito. Só que tinha uma questão – e por isso o título do filme –, a Kat, pequena, tinha HIV e nós não queríamos que as pessoas soubessem para que não houvesse preconceito contra ela. Naquela época, começo dos anos 1990, ainda havia bastante preconceito. Respeitei esse segredo da família, tanto que, em O Mundo em Duas Voltas tem toda a história da Kat, mas não tem o HIV”, finaliza.

AQUARIUS: OSCAR E POSSIBILIDADES

O fato de não ser o representante brasileiro ao Oscar não tira as possibilidades de Aquarius concorrer à estatueta da Academia de Hollywood. Elogiado em Cannes, com presença confirmada em vários festivais ainda neste ano, será lançado nos EUA no próximo dia 9 de outubro, o que o habilita a receber indicações pela Academia de Hollywood, que exige, para essa honraria, que estreie comercialmente até 31 de dezembro do ano corrente em Los Angeles e permaneça em cartaz, com o mínimo de 3 sessões diárias, pelo mínimo de uma semana. Agora, para ser indicado, terá de ser trabalhado pela distribuidora estadunidense junto à Academia. Será que o filme tem cacife para isso? Será que interessará à Academia indicar uma película cujos realizadores e integrantes se insurgem contra uma decisão política de um País democrático acompanhada pelo seu Supremo Tribal Federal? Lembrando que o vice presidente dos EUA, Joe Biden, já declarou que considera o processo de afastamento da senhora Dilma Roussef e seu partido político do poder perfeitamente dentro das leis e do sistema legal. O tempo dirá.

Mas, caso isso ocorra, ou seja, o filme ganhe indicações, não será a primeira produção brasileira a recebê-las. Em 2003, Cidade de Deus, de Fernando Meireles representante oficial do País e eliminado antes da festa, no ano seguinte obteve indicações em categorias de primeira linha, como Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem. Aquele foi o ano de Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis. O mesmo aconteceu com Central do Brasil, de Walter Salles.

Anote: em 24 de janeiro a Academia anuncia todos os filmes em competição nas 24 categorias. O Oscar será entregue em 26 de fevereiro de 2017, no Dolby Teather, em Los Angeles.

HISTÓRIA: O BRASIL NO OSCAR

O Brasil ainda não conquistou nenhum Oscar. Não oficialmente. Em 1960, a França indicou e Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, uma coprodução com o Brasil e a Itália, e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi para a França. As 4 indicações ao Oscar da categoria ocorreram como O Pagador de Promessas (960), de Anselmo Duarte ganhador da Palma de Ouro em Cannes (perdeu para Sempre aos Domingos, de Serge Bouguignon); O Quatrilho (1996), de Fábio Barreto (perdeu para o holandês A Excêntrica Família de Antônia, de Marleen Gorris); O Que é Isso, Companheiro? (1998), de Bruno Barreto (perdeu Caráter, de Mike Van Diem, coprodução Bélgica-Holanda), e Central do Brasil (1999), de Walter Salles, perdeu para o horroroso A Vida é Bela, do italiano Roberto Benigni, e Fernanda Montenegro, indicada pela Academia, perdeu para Gwyneth Paltrow.

A História guarda outros registros: em 1945, a canção Rio de Janeiro, de Ary Barroso, concorreu ao Oscar pelo filme Brazil, de Joseph Santley (perdeu para Swinging on a Star, de James Van Heusen e Johnny Burke, do filme O Bom Pastor); Em 1986, por O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, coprodução Brasil-EUA,  concorrendo por indicação da Academia à Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Ator, William Hurt ganhou o Oscar de Melhor Ator; em 2001, o curta Histórias de Futebol, de Paulo Machline, indicado à categoria em live action, perdeu para Quiero ser, de Florian Gallenberg, coprodução de México e Alemanha; em 2004, duas surpresas: Cidade de Deus, desconhecido como representante brasileiro no ano anterior, recebeu 4 indicações da Academia: Melhor Diretor, Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Fotografia (César Charlone) e Montagem/Edição (Daniel Rezende); e A Aventura Perdida de Scrat, de Carlos Saldanha, concorreu a categoria curta, mas apenas como produção estadunidense; em 2011, o documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelo brasileiro João Jardim e a inglesa Lucy Walker, foi registrado pela Academia como produção inglesa; em 2012, a canção Real in Rio, de Sérgio Mendes e Carlos Brown, ganhou indicação pela animação Rio, de Carlos Saldanha, mas perdeu para Man or Muppet, tema de Os Muppets; ano passado, O Sal da Terra (2015), de Wim Wenders e Juliano Salgado, concorreu ao Oscar de Melhor Documentário de longa-metragem; e neste ano, O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, à de Melhor Animação na mesma categoria.

ÚLTIMOS REPRESENTANTES

Os mais recentes eleitos para representar o Brasil no Oscar estão abaixo. Entre eles está o constrangedor e oportunista Lula, Filho do Brasil, de Fábio Barreto.

Cinema, Aspirinas e Urubus (2007), de Marcelo Gomes (2007);
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2008), de Cao Hamburger, que chegou a pré-final;
Última Parada 174 (2008), de Bruno Barreto;
Salve Geral (2010), de Sérgio Rezende;
Lula, o Filho do Brasil (2011), de Fábio Barreto;
Tropa de Elite 2 (2012), de José Padilha;
O Palhaço (2013), de Selton Mello;
O Som ao Redor (2014), de Kléber Mendonça Filho;
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2015), de Daniel Ribeiro;
Que Horas Ela Volta (2016), de Anna Muylaert.

MAIS RECENTES GANHADORES

Confira os mais recentes ganhadores estrangeiros do Oscar da categoria.

A GRANDE BELEZA (Itália, 2014), de Paolo Sorrentino;
IDA (Polônia, 2015), de Pawel Pawlikowski;
O FILHO DE SAUL (Hungria, 2016), de Laszló Nemes.

Posters de 4 filmes estrangeioros que irao competir com PEQUENO SEGREDO

Posters de 4 filmes estrangeioros que irao competir com PEQUENO SEGREDO

CONCORRENTES-2017 JÁ DEFINIDOS

Até o dia 3 de outubro a Academia de Hollywood estará recebendo inscrições de filmes estrangeiros à categoria do Oscar. Cerca de 30 países já indicaram os seus representantes. Conheça alguns.

Alemanha – TONI ERDMANN, de Maren Ade (aplausos em Cannes);
Austrália – TANNA, de (Ganhador do Prêmio do Público em Veneza);
Bélgica – LES ARDENNES, de Robin Pront;
Bósnia Herzegovina – DEATH IN SARAJEVO, de Danis Tanovic (Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Berlim);
Coreia do Sul – THE AGE OF SHADOWS, de Kin Jee Won;
Egito – CLASH, de Mohamad Diab;
Espanha – JULIETA, de Pedro Almodóvar;
Finlândia – THE HAPPIEST DAY IN LIFE OF OLLI MÄKI, de Juho Kuosmanen (ganhador da Mostra Um Certo Olhar, Cannes);
Holanda – TONIO, de Paula Van Dr Oest
Hungria – KILLS ON WHEELS, de
Líbano – VERY BIG SHOT, de
Luxemburgo – VOICES FROM CHERNOBYL, de Pol Cruchten;
Nepal – KALO POTHI, de Bahadur Bham;
República Dominicana – FLOR DE AZUCAR, de Fernando Baez;
Romênia – SIERANEVADA, de Christi Pulu (muito elogiado em Cannes);
Sérvia – TRAIN DRIVER’S DAY, de Milos Radovic;
Venezuela – DE LONGE TE OBSERVO (Desde Alla), de Lorenzo Vigas Castes;

Veja o trailer de Clash, do egípcio Mohamad Diab.

Imagem de Amostra do You Tube

 

CANNES-2015 – programação sai nesta 5ª feira

Nesta 5ª feira, 16, o diretor do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, ao lado de Pierre Lescure, o substituto de Gilles Jacot na presidência do evento, vai divulgar a programação oficial da edição 2015, que começa daqui a um mês. Já foi informado que o filme de abertura será La Tête Haute, de Emmanuelle Bercot, com Catherine Deneuve

Toda a expectativa e olhos voltados para a Riviera Francesa. Será, em maio, o 68º Festival. Cannes é tido, por muitos, como o mais importante Festival de Cinema do mundo, tendo à sua sombra a Berlinale, o Festival de Berlim. Algumas dúvidas acompanham as expectativas. La Tête Haute também vai estar na competição oficial? A cineasta Emmanuelle Bercot, é conhecida pelos cinéfilos cearenses pelo drama Ela Vai (Elle s’em vá, 2013), também estrelado por Deneuve. Ainda sem título em português, o novo filme de Bercot já tem exibição garantida no Brasil pela Mares Filmes.

Outras expectativas. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller, será exibido fora de competição? A Disney solicitou a exibição da animação da Pixar Divertida Mente (Inside Out, 2015), de Peter Docter e Ronaldo Del Carmen, assim também como Tomorrowland, de Brad Bird – o que garante a presença de George Clooney. Serão aceitos? Os irmãos Ethan e Joel Coen vão presidir o Festival? O Homem Irracional (Irrational Man, 2015), o novo trabalho Woody Allen, que tem gosto pela recusa a prêmios, estará competindo e com Joaquin Phoenix e Emma Stone desfilando no tapete vermelho?

Até a Weinstein Company colocou os filmes em Cannes. A menina dos olhos dos irmãos que comandam o cinema independente em Hollywood, neste ano, se intitula Carol, baseia-se em romance de Patricia Highmitrh, tem a direção de Todd Haynes e no elenco Cate Blanchett, Rooney Mara e Kyle Chandler. Outra produção independente que deve estar em Cannes é Sea of Trees, cujo roteiro foi comprado em Cannes no ano passado e já desperta o interesse dos críticos porque foi dirigido por Gus Van Sant e traz Matthew McConaughey e Naomi Watts no elenco. Em 2003 ele ganhou a Palma de Ouro com Elefante (Elephant, 2013).

Outra figura prestigiada do cinema norte-americano, Sean Penn, deverá se fazer presente em Cannes com The Last Face, filmado na África do Sul e tendo Charlize Theron como a diretora de uma agência de ajuda internacional que conhece e se apaixona por um médico (Javier Bardem) e juntos enfrentam uma série de dificuldades quando eclode uma revolta racial. Ainda no elenco estão Jean Reno e a francesa Adèle Exarchopoulos.

Há, ainda, a expectativa em torno de La Giovenezza, de Paolo Sorretino, produção italiana falada em inglês com Michael Caine, Paul Dano, Rachel Weisz, Jane Fonda e Harvey Keitel. O enredo é sobre um velho músico que não mais nada com a profissão e um jovem escritor que tem muitos objetivos e faz de tudo para que ele volte a comandar às orquestras – ao menos pela última vez. Em 2013, Sorrentino conquistou o Oscar de Filme Estrangeiro com o seu A Grande Beleza (La Grande Belezza, 2013).

Por falar em italianos, Nanni Moretti pode estar de volta ao circuito com Mia Madre, com Marguerita Buy e John Turturro. Mas, há um problema: o filme está sendo lançado nesta 5ª feira, 16, na Itália, o que pode ser um empecilho – mas empecilho não é regra, pois já aconteceu antes com obras de Pedro Almodóvar e outros cineastas. E como o cinema italiano parece estar ressurgindo, o novo trabalho do realizador de Gomorra (2008), Matteo Garrone, Il Rocconto dei Racconti (Tale of Tales, em inglês), é um dos cotados. No elenco estão Salma Hayer, Vincent Cassel e John C. Railly. Por falar em Hayer, ela pode estar em Cannes com outro filme, Septembers Of Shiraz, do australiano Weyne Blair, ao lado de Adrien Brody.

Sem esquecer que há, ainda, outra carrada de recentes produções de várias nacionalidades.

Conheça um trailer dos sets e bastidores de Carol.

Imagem de Amostra do You Tube

 

RELATOS SELVAGENS – a Prova da Vitalidade do Cinema Portenho

Novo filme de Damián Szifrón, Relatos Selvagens é um digno representante do cinema portenho, já distinto no conjunto das cinematografias latino-americanas por sua qualidade. Candidato argentino ao Oscar 2015, o longa traz um elenco de peso – incluso o astro Ricardo Darín – e nomes como o compositor Gustavo Santaolalla, duplamente oscarizado e responsável por uma das maiores atrações desse que já pode ser considerado uma das mais importantes obras da exuberante filmografia  argentina dos últimos anos

Ricardo Darín em RELATOS SENVAGENS

Ricardo Darín em RELATOS SELVAGENS, de Damián Szifrón: rir para não chorar. Foto (reprodução)

Uma coisa que chama imediatamente a atenção de quem se dá o prazer de assistir a Relatos Selvagens (Relatos Salvages, ARG, 2014) é a fineza do seu humor. Numa espécie de prólogo das estórias absurdas que estão por vir, a partir de uma paquera entre um crítico musical e uma modelo, os passageiros de um avião se dão conta de que todos são conhecidos de um músico fracassado que, através de um plano diabólico, conseguiu reunir todas as pessoas que lhe magoaram no mesmo voo.

Damián Szifrón

Damián Szifrón

Não há humor forçado e nem inteligente, daquele que se leva a sério demais. No novo filme de Damián Szifrón, produzido pelos espanhóis irmãos Almodóvar, o absurdo de cunho kafkiano – e me desculpem os leitores a pedância – permeia as seis estórias, quase sempre terminando em violência brutal, que não só prendem o interesse do espectador (o que é natural) como também falam muito sobre a situação da atual Argentina, dominada pelo populismo de Kristina Kirchner e assolada pela crise econômica que faz a festa de turistas brasileiros. Essas são, entretanto, situações de apelo universal.

Afinal, quem não se identifica, por exemplo, com o senhor Fischer, engenheiro especializado em implosões vivido magistralmente por Ricardo Darín? Uma das tantas vítimas da burocracia (ou seria “burrocracia”), essa praga que assola a gestão dos estados modernos em boa parte do mundo, e da indiferença de alguns funcionários públicos com relação às injustiças que sofre, o engenheiro parte para a ignorância, e – nenhuma surpresa – acaba sendo aclamado como uma espécie de herói nacional.

Existe um quê de melancólico nas estórias de Relatos Selvagens, às vezes se expressando de modo comovente. Há sempre um pouco de drama no riso e vice-versa. É notório que nosso vizinho platino passa por um longo processo de crise político-econômica que já teve episódios absurdos como a fuga de presidentes com helicóptero, calote internacional contra especuladores gringos e até o desaparecimento súbito do ex-marido da atual mandatária dos argentinos. Tudo temperado por aquele desejo de chorar tão caro à alma latina. É provável que a maioria que vá assistir a essa pequena joia da expressiva filmografia portenha dos últimos anos não leve essas considerações tão a sério. No problem. Como declarou certa vez o falecido Cazuza, o que nos salva é a banalidade.

PREMIAÇÃO:

OSLO FILMS FROM THE SOURTH FESTIVAL
•    Prêmio do Público

SAN SEBASTIAN FILM FESTIVAL
•    Prêmio do Público

SARAJEVO FILM FESTIVAL
•    Melhor Filme

MOSTRA INTERNACIONAL DE SÃO PAULO
•    Melhor Filme Estrangeiro

BIARRITZ INTERNACIONAL FEST OF LATIN AMERICAN CINEMA
•    Prêmio do Público
•    Melhor Atriz/Erica Rivas

FICHA TÉCNICA

RSTítulo: Relatos Selvagens
Título original: Relatos Salvages
País de origem: Espanha/Argentina
Ano de Produção: 2014
Direção: Damián Szifrón
Elenco: Ricardo Darín, Rita Cortese, Nancy Dupláa, Dario Grandinetti, Oscar Martinez, Osmar Núñez, Maria Onetto e Erica Rivas
Fotografia: Javier Julia
Montagem: Pablo Barbieri Carrera
Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla
Produtora: El Deseo/Agustin e Pedro Almodóvar
Tempo de duração: 122 min
Classificação: 14 anos
Distribuidora: Warner Bros.

Confira o trailer:

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