SEMANA 47 – AS ESTREIAS DESTA QUINTA-FEIRA EM FORTALEZA

A semana se destaca, principalmente, pela invasão intensa no circuito da aventura Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (2015), de Francis Lawrence, deixando pouco espaço para outros filmes de peso comercial. Ainda assim, há ótimas e/ou interessantes opções alternativas em nosso circuito, a começar pelos dramas A Hora e a Vez de Augusto Matraga (2011), de Vinícius Coimbra, Pasolini (2014), de Abel Ferrara, e Viver É Fácil com os Olhos Fechados (2013), de David Trueba. Destaque também para a comédia (ou drama) Ninguém Ama Ninguém…Por Mais de Dois Anos (2015), de Clovis Mello. Correndo por fora, o documentário Terra de Maria (2013), de Juan Manuel Cotelo. Em pré-estréia, a comédia dramática Mistress America (2015), de Noah Baumbach, e em sessões especiais, o clássico moderno Mamma Roma (1962), de Pier Paolo Pasolini

João Miguel em A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA (2011), de Vinícius Coimbra

João Miguel em A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA (2011), de Vinícius Coimbra

Depois de muita espera e até de um filme novo dirigido por Vinícius Coimbra (A Floresta Que Se Move, 2015), finalmente entra em cartaz em Fortaleza, com um atraso de poucas semanas em relação a São Paulo, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, a nova versão do cultuado conto de Guimarães Rosa presente no livro Sagarana. Só o fato de fazerem uma nova versão quando já se considera definitiva a primeira (1965, de Roberto Santos) já é pelo menos louvável, pela coragem de adaptar obra tão bela e poética. Sorte que o elenco é notável e conta, inclusive, com dois cearenses saudoso que já partiram para outro plano: José Wilker e Chico Anysio, em papéis bem importantes. Na trama, Augusto Matraga é um homem que perde a mulher (para outro homem), é espancado por seus inimigos e dado como morto. A partir de então ele começa a tarefa de reconstruir sua vida. Em cartaz no Cinema de Arte (Cinépolis).

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A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA (Brasil, 2011), de Vinícius Coimbra. Com João Miguel, José Wilker, Júlio Andrade, José Dumont, Chico Anysio, Ivan de Almeida, Vanessa Gerbelli, Tay Lopez, Gorete Milagres, Irandhir Santos. 110 min. Nossa Distribuidora. 14 anos.

Jennifer Lawrence em JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA - O FINAL (2015), de Francis Lawrence

Jennifer Lawrence em JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL (2015), de Francis Lawrence

Dentre as franquias direcionadas ao público juvenil dos últimos dez anos, Jogos Vorazes talvez seja a mais feliz em conseguir agradar a um amplo público, mesmo os mais exigentes. Sem falar que conta com o carisma e a beleza de Jennifer Lawrence e um elenco de apoio de cair o queixo. Se o filme anterior representou uma leve queda na trajetória da série, Jogos Vorazes: A Esperança – O Final parece finalmente deixar feliz todos aqueles apaixonados ou simpatizantes por Katniss Everdeen e cia. A jovem, depois de ter sobrevivido dois jogos mortais e sádicos, agora lidera um grupo que enfrenta sem medo o criador daquele mundo distópico, o Presidente Snow (Donald Sutherland). A expectativa é positiva. Torçamos por um filme que dignifique as duas primeiras partes. Pena que a maioria das cópias é em 3D convertido, quando o filme funciona tão melhor em 2D. Além do mais, a Paris Filmes errou feio em não trazer o filme em IMAX para o Brasil. Em cartaz em grande circuito, já iniciando nesta quarta-feira, 18, em caráter de pré-lançamento.

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JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL (The Hunger Games: Mockingjay – Part 2, EUA, 2015), de Francis Lawrence. Com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Donald Sutherland, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Woody Harrelson, Jena Malone, Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman. 137 min. Paris. 12 anos.

Willem Dafoe em PASOLINI (2014), de Abel Ferrara

Willem Dafoe em PASOLINI (2014), de Abel Ferrara

Um dos mais recentes filmes de Abel Ferrara, Pasolini homenageia um dos mais importantes cineastas italianos de todos os tempos, Pier Paolo Pasolini, nos apresentando ao que seria o seu último dia de vida. E como sabemos que o diretor italiano foi brutalmente assassinado, é de se esperar que o final apresente alguma cena chocante ou algo do tipo, embora as escolhas do diretor americano tenham sido as mais respeitosas. Pasolini foi lançado no mesmo ano de Bem-vindo a Nova York (2014), que também trata de uma pessoa real, e procura reconstituir, pelo menos em parte, o trabalho que Pasolini deixou por fazer, Porno-Teo-Kolossal, que lida tanto com aspectos religiosos quanto com profanos. Em cartaz no Cinema do Dragão.

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PASOLINI (França/Bélgica/Itália, 2014), de Abel Ferrara. Com Willem Dafoe, Riccardo Scamarcio, Maria de Medeiros, Ninetto Davoli, Tatiana Luter, Giada Colagrande, Valerio Mastrandrea, Adriana Asti, Luca Lionello, Andrea Bosca. 84 min. Imovision. 18 anos.

Cena de VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (2013), de David Trueba

Cena de VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (2013), de David Trueba

Filmes com os Beatles como pano de fundo sempre despertam interesse. Neste mesmo ano, por exemplo, pudemos ver o belo Não Olhe para Trás, com Al Pacino, sobre uma carta de John Lennon a um músico. Viver É Fácil com os Olhos Fechados, cujo título remete explicitamente à letra da canção “Strawberry fields forever”, se passa na Espanha e se apropria de uma história verídica, de quando Lennon foi à Espanha fazer um filme chamado Como Eu Ganhei a Guerra em plena ditadura de Franco. O protagonista é o Professor Antonio (Javier Cámara), que tem o hábito de ensinar inglês aos alunos usando canções dos Beatles. Quando descobre que seu ídolo está por perto, parte de Madri para Almería, disposto a encontrá-lo. No meio do caminho encontra dois jovens. O filme também lida com o modo como o personagem vê a vida e o momento delicado em que a Espanha estava vivendo. Em cartaz no Cinema de Arte (Cinépolis Rio-Mar).

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VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (Vivir Es Fácil con los Ojos Cerrados, Espanha, 2013), de David Trueba. Com Javier Cámara, Natalia de Molina, Francesc Colomer, Ramon Fontserè, Rogelio Fernández, Jorge Sanz, Ariadna Gil, Violeta Rodríguez, Léo Rodríguez, Tristán Rodríguez. 108 min. California. 12 anos.

Gabriela Duarte em NINGUÉM AMA NINGUÉM... POR MAIS DE DOIS ANOS (2015), de Clovis Mello

Gabriela Duarte em NINGUÉM AMA NINGUÉM… POR MAIS DE DOIS ANOS (2015), de Clovis Mello

Engraçado (e triste) como a grande maioria de nossas produções não recebem um tratamento minimamente parecido com o das produções americanas (ou daquelas que participam de grandes festivais), no que se refere a sabermos até mesmo de sua existência. Baseado em cinco contos de Nelson Rodrigues, Ninguém Ama Ninguém…Por Mais de Dois Anos é o tipo de filme que a gente só sabe que existe porque está entrando em cartaz. Ao mesmo tempo, não deixa de ser pelo menos animador saber que o filme tem certo apelo comercial, como a questão da infidelidade e cenas de nudez, e que estará presente em cinemas de shopping. O ruim disso é que esse filme não terá a menor chance entrando em cartaz no mesmo dia do episódio final de Jogos Vorazes. O filme acompanha a história de cinco casais em fins dos anos 1950 e início dos 60 em uma trama que lida com infidelidade e intimidade. Em cartaz no UCI Parangaba e no UCI Iguatemi.

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NINGUÉM AMA NINGUÉM… POR MAIS DE DOIS ANOS (Brasil, 2015), de Clovis Mello. Com Gabriela Duarte, Ernani Moraes, Marcelo Faria, Michel Melamed, Luana Piovani, Julia Lund, Thelmo Fernandes. 87 min. Europa. 16 anos.

Cena de TERRA DE MARIA (2013), de Juan Manuel Cotelo

Cena de TERRA DE MARIA (2013), de Juan Manuel Cotelo

E depois da enxurrada de filmes espíritas e depois de filmes evangélicos, chega a vez agora de um filme católico, Terra de Maria, que é vendido como sendo o documentário campeão de bilheteria de seu país, a Espanha, embora seja um misto de documentário com ficção. A sinopse do filme é a seguinte: um advogado que trabalha para o diabo é enviado à Terra com a missão de saber o que passa na cabeça dos seres humanos. Em especial daqueles que acreditam em Deus e na Igreja. A partir das descobertas dele, o futuro da raça humana será definido. Pelo que o trailer vende, trata-se de um filme que valoriza bastante a figura da Virgem Maria, o que não poderia ser diferente, levando-se em consideração a fonte e as intenções evangelizadoras. Em cartaz no UCI Iguatemi.

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TERRA DE MARIA (Tierra de María/Mary’s Land, Espanha, 2013), de Juan Manuel Cotelo. Com Juan Manuel Cotelo, Carmen Losa, Luis Roig, Clara Cotelo, Elena Sánchez Gallardo, Lucía Ros, Emilio Ruiz, Rubén Fraile. 116 min. Infinito Más Uno. 12 anos.

Pré-estreia

Cena de MISTRESS AMERICA (2015), de Noah Baumbach

Cena de MISTRESS AMERICA (2015), de Noah Baumbach

O diretor Noah Baumbach e a encantadora Greta Gerwig (esposa do diretor) fizeram um imenso sucesso no circuito comercial com o lindão Frances Ha (2012). Agora eles estão de volta com Mistress America, ao que parece, com a mesma vibe alegre do anterior. Na trama, Tracy (Lola Kirke), recém-ingressa na faculdade, é uma moça solitária que mora em Nova York. Sua vida muda quando ela conhece Brooke (Greta Gerwig), uma jovem descolada e filha de seu futuro padrasto que tem a intenção de resgatar a nova amiga (e futura meia-irmã) de sua clausura  e levá-la para situações inusitadas, que muito têm a ver com as alterações de humor de Brooke, que de uma hora para a outra dá atenção toda especial à pessoa para, logo em seguida, ignorá-la completamente. Em cartaz em sessões de pré-estreia nas noites de sábado e domingo, no Cinema do Dragão.

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MISTRESS AMERICA (EUA, 2015), de Noah Baumbach. Com Greta Gerwig, Lola Kirke, Seth Barrish, Juliet Brett, Andrea Chen, Michael Chernus, Cindy Cheung, Clare Foley, Charlie Gillete, Gail Golden. 84 min. Vitrine. Classificação a definir.

Especial

Cena de MAMMA ROMA (1962), de Pier Paolo Pasolini

Cena de MAMMA ROMA (1962), de Pier Paolo Pasolini

Fazendo uma dobradinha com o retrato de Pasolini por Abel Ferrara, o Cinema do Dragão traz Mamma Roma, o segundo longa-metragem de um dos grandes mestres da cinematografia italiana, servindo, inclusive, como contraponto para o atual e fraco momento do cinema italiano.  O filme apresenta a grande Anna Magnani como a personagem-título, uma prostituta de meia idade que deseja mudar de vida para dar mais atenção a seu filho adolescente. O filho, porém, ao descobrir a profissão da mãe, cai na criminalidade, frustrando os sonhos de Mamma Roma. Pasolini compõe uma visão dramática, com teor irônico, da cidade de Roma, com referências às artes e à religião católica. Na première em Roma do filme, Pasolini foi atacado por um grupo de fascistas que protestaram contra o seu trabalho.

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MAMMA ROMA (Itália, 1962), de Pier Paolo Pasolini. Com Anna Magnani, Ettore Garofolo, Franco Citti, Silvana Corsini, Luisa Loiano, Paolo Volponi, Luciano Gonini, Vittorio La Paglia, Piero Morgia, Franco Ceccarelli. 95 min. Zeta Filmes. 14 anos.

Saem de cartaz

A Colina Escarlate
Amy
Beira-mar
Depois de Tudo
Goosebumps – Monstros e Arrepios
Homem-Formiga
Linda de Morrer
Meu Verão na Provença
Peter Pan
Quarteto Fantástico
Ruth & Alex

Top Girl ou a Deformação Profissional

As estreias nacionais desta quinta-feira, 19, que não entram em cartaz em Fortaleza

A Ilha do Milharal
As Memórias de Marnie
Awake – A Vida de Yogananda
Chatô – O Rei do Brasil
Malala
Papéis ao Vento
Pauê – O Passo de um Vencedor
Piadeiros
Taxi Teerã
Três Lembranças da Minha Juventude

Veja o trailer de As Memórias de Marnie

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