SPIRIT-2017 – UMA ANÁLISE DOS INDICADOS

Satellite, Gotham, Spirit formam as mais importantes premiações do cinema independente dos EUA. Enquanto o Gotham já premiou os seus indicados, o Spirit e o Satellite anunciam os seus destaques. Os selecionados pelo Spirit já são conhecidos e aqui faremos uma análise dessas indicações, comparando-as aos nomeados pelo Gotham. Os nomeados pelo Satelllite cvocê já pode conferir através do banner na home. A surpresa do Spirit reside, para nós brasileiros, na lista de candidatos ao prêmio de filme estrangeiro, pois Aquarius, o polêmico trabalho de Kleber Mendonça Filho, está entre os 5 selecionados. Loving, Manchester à Beira-Mar, Moonlight e  Docinho Americano terão, entre outros, um grande embate pelas principais categorias

DOCINHO AMERICANO (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a busca da liberdade da juentude por Andrea Arnold

LOVING (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a juventude a liberdade por Andrea Arnold

A festa do Spirit Awards, originalmente conhecidos como FINDIE (Friends of Independent), reúne os melhores talentos de Hollywood e os mais importantes da cena independente e é realizada desde 1974 pela Film Independent, uma organização sem fins lucrativos dedicada aos filmes e cineastas do cinema produzido pelos estúdios pequenos e médios. A cerimônia. São concedidos prêmios como Melhor Filme, Melhor Primeiro Filme e Mel e Jackieor Filme feito com menos de 500 mil dólares (o Prêmio John Cassavetes), entre outros.

Diferentemente da última edição, quando houve vazamento dos indicados cuja relação apareceu antecipadamente na internet, tudo correu normalmente. Outro fato notável é que, nos últimos 3 anos, o Spirit tem se mostrado o mais certeiro dos termômetros do Oscar, com filmes como Birdman (2014) e Spotlight – Segredos Revelados (2015), ganhadores da estatueta de Melhor Filme nos anos anteriores.

Neste, os preferidos são American Honey, de Andrea Arnold, aqui aqui recebeu o título de Docinho Americano, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 6 indicações, seguido de Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan, com 4, Jackie, do chileno Pablo Larrain, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 3 cada. Manchester à Beira-Mar, Capitão Fantástico e Jackie já têm lançamento confirmados no Brasil. E neste ano o Spirit só não vai antecipar uma lista ampliada de indicados à premiação da Academia porque só pode selecionar produções com orçamento, o “budget”, limitados a até US$ 20 milhões.

Confira o trailer de Capitão Fantástico.

Em função disso, títulos importantes como La La Land – cantando Estações, de Damian Chazelle (custo não fornecido), Animais Noturnos, de Tom Ford (orçamento de 22,5 milhões de dólares), 7 Minutos Depois da Meia-Noite, de Juan Antonio Bayona (US$ 43 milhões), afora outros credenciados que não tiveram os seus custos revelados pelas respectivas produtoras: Pastoral Americana (American Pastoral), a estreia de Ewan McGregor na direção; Senhora Sloane (Miss Sloane), de John Madden, Vincent N Roxxy, de Gary Michael Schultz; Away, de David Blair; Ouro e Cobiça (Gold), de Stephen Gaghan, e Demolition, de Jean Marc-Vallee, entre outros.

Vale destacar outra dezena de filmes independentes e elogiados pela crítica, que sequer foram lembrados. Ei-los: A Família Hollar (The Hollars, US$ 3,8 milhões, de John Krasinsky, Quando te Conheci (Equals, US$ 16 milhões), O Nascimento de uma Nação (A Birth of a Nation, US$ 8,6 milhões), de Nate Parker; The Edge of Seventeen (US$ 9 milhões), de Kelly Fremon Craig; e Bonjour Anne (US$ 5 milhões), de Eleanor Coppola, a senhora Francis Ford Coppola, entre outros.

OS NOMEADOS

A seleção de apenas filmes alguns é injusta, como se pode perceber nos tópicos acima. O cinema estadunidense, digamos Hollywood, produz mais 200 filmes por ano, se contarmos as coproduções com outros países. Essa produção independente já alcançou respeitabilidade e hoje ocupa os grandes circuitos e os de arte dos EUA. E, há pelo menos duas décadas é o destaque nas premiações do Globo de Ouro e do Oscar. A produção independente modificou o mercado estadunidense e está encontrando ressonância em outros países.

BRASIL EM DESTAQUE

Mas, deixando o mercado de lado, considera fundamental que o internauta do cinema e artes tenha mais informações dos concorrentes aos prêmios Gotham e Spirit, lembrando que o Brasil está expressivamente privilegiado nas indicações ao Spirit. Como assim? Aquarius compete entre os finalistas a melhor filme em língua estrangeira; o roteirista Mauricio Zacharias está lembrado com o filme Melhores Amigos; além do produtor Rodrigo Teixeira, que tem o seu A Bruxa (The Witch), indicado em duas categorias.

Confira os indicados em cada categoria e, em seguida, mais informações sobre os mais importantes, informando que a cerimônia de entrega dos Spirit Awards-2017 será transmitida, ao vivo pelo A&E Mundo, com tradução simultânea em Espanhol e Português. O evento será realizado, como em todos os anos, em uma tenda na praia, em frente ao famoso caís de Santa Mônica, em Los Angeles, Califórnia.

Data da Premiação – 25 de fevereiro, véspera do Oscar.

OS INDICADOS

MELHOR FILME

A seleção do cinema independente traz polêmicas e revelações.

DOCINHO DA AMÉRICA
American Honey, EUA, 2016
Direção: Andrea Arnold
Elenco: Shia LeBeouf, Sasha Lane e Riley Keough. Drama. 142 minutos.

Uma adolescente de espírito livre foge de casa, integra-se a uma equipe de vendas itinerante que percorre o centro-oeste e mergulha em um turbilhão de eventos em festas, drogas, sexo e crimes.

Primeiro trabalho em Hollywood da consagrada cineasta inglesa Andrea Arnold, de Marcas da Vida (2006), À Deriva (209) e O Morro dos Ventos Uivantes (2011). Vaiado após a exibição em Cannes, onde ganhou a fama de “o pior do festival”, o crítico Rodrigo Fosenca, “é no mínimo espantoso que uma produção tão rasa, de 2h42m de puro tédio, com roteiro rocambolesco e vazio, com esboços de personagens e rascunhos de atuações, possa ter alcançado tamanho prestígio”. Mas, lá mesmo em Cannes, levou o Prêmio do Júri e a Menção Especial do Júri, e no Festival de Estocolmo-2016, recebeu o Prêmio Fipresci, da crítica internacional. Jacobs Matthew, do Huffington Post, o classifica como “mais mais do que um filme sobre jovens desajustados e sem esperança”.

Veja o trailer de American Honey, legendado em espanhol.

CHRONIC
Chronic, EUA, 2016
Direção: Michel Franco
Elenco: Tim Roth e Bitsie Tulloch. Drama. 93 minutos.

David, enfermeiro que fornece assistência em domicílio a pacientes em fase termina, vai além do que seu emprego exige, tornando-se um grande companheiro nos momentos mais difíceis das vidas dessas pessoas. Por outro lado, é um solitário que tenta, à sua maneira, restabelecer contato com Nádia, a sua filha.

Michel Franco, 36, é conhecido no Brasil pelo drama Depois de Lúcia (2012). Premiado nos Festivais de New Hamphire e Cartagena como Melhor Filme; e no Festival de Cannes-2016 com o Melhor Roteiro, Chronic foi, segundo o seu diretor, inspirado pela situação vivida pela sua avó que, doente, ficou vários meses preso à cama de falecer. “Isto me levou a pensar como é a vida de uma pessoa que trabalha nesta área. É o resultado do sentimento que tive por uma enfermeira, Beatriz, que cuidou da minha avó e compareceu ao enterro para ver os familiares. Perguntei há quanto tempo estava neste trabalho e ela respondeu 20 anos. Decidi fazer um filme sobre o tema“. “Chronic consegue evitar o excesso de drama e sentimentalismo ao abordar com sutileza situações complicadas, como por exemplo a passagem de tempo particular de pessoas que não esperam mais nada, em um clima de tédio infinito”, avalia o France Press, um dos principais veículos da imprensa da Europa.

Confira o trailer de Chronic.

JACKIE
EUA/Chile, 2016
Direção: Pablo Larrain
Com Nathalie Portman, Peter Skarsgaard e Greta Gerwig. Drama. 100 minutos.

Dallas, Texas, 22 de novembro de 1963. O presidente John Fitzgerald Kennedy, enquanto participa de uma carreata, é alvejado por um atirador, deixando a primeira-dama, Jacqueline Kennedy, em desespero, e a nação perplexa. Para ela, é o início de dias de aflição, angústias e decisões que ficaram distantes do público e que agora são reveladas.

Baseado em argumento de Noah Oppenheimer, o roteirista da séries Maze Runner: Correr ou Morrer e Divergente: Convergente (2016), seria dirigido por Darren Arenovsky e teria a sua mulher, Raquel Weisz, como Jaqueline, mas ele desistiu, ficando apenas como produtor. Com isso, ele passou a direção para o chileno Pablo Larrain, que faz a sua estreia em Hollywood, e o papel de Jacqueline foi para Nathalie Portman, com quem Darren já tinha trabalhado em Cisne Negro (2010).

Confira o trailer de Jackie.

MANCHESTER À BEIRA-MAR
Manchester by he Sea, EUA, 2016
Direção: Kenneth Lonnergan
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Matthew Broderick, Gretchen Mol, Tate Donovan e Kara Hayward. Drama. 135 minutos. 12 anos.

North Shore, Massachussets, EUA. Após a súbita morte de Joe, seu irmão mais novo, Lee Chandler retorna à sua natal aldeia de pescadores. Obrigado a ficar ali porque o irmão o designou como único tutor de seu filho, Patrick, de 16 anos. Lidar com a morte do irmão, educar o sobrinho e enfrentar os tormentos que o levaram a se separar da mulher, Randi, e encarar a comunidade, o fazem reviver, ainda, trágicas memórias.

Terceiro longa de Kenneth Lonnergan, 54, vencedor do Hollywood Film Awards-2016 de Roteirista do Ano e que recebeu do Gotham o prêmio de Melhor Ator, paraCasey. Realizador de Conta Comigo (2000) e Margareth (2011), Lonnergan herdou o enredo escrito pelo ator Matt Damon – e seria a sua estreia como diretor. Orçado em US$ 8 milhões e alvo de disputa, em Sundance por vários estúdios, ficou com a Sony por US$10 milhões.

MOONLIGHT
Moonlight, EUA, 2016
Direção: Barry Jenkins
Elenco: Ashton Sanders, Trevante Rhodes Naomie Harris, Andre Holland, Jharrel Jerome, Mahershala Ali, Janelle Monae e. Drama racial.

As três fases da existência de Chiron, da infância e a adolescência até a vida adulta, em todas lidando com duas questões básicas: ser negro e gay. Envolvendo-o, a busca pela sobrevivência num dos bairros barra-pesada de Mimai e a luta desesperada para encontrar o seu lugar no mundo.

Produzida pelo estúdio Plan B, de Brad Pitt, é o segundo trabalho do diretor Barry Jenkins, 36. Vencedor do Gotham de Melhor Filme, Roteiro e do Prêmio Especial do Júri, é o grande favorito para levar os demais prêmios do cinema independente, e que, sem dúvida, estará entre os apontados às principais categorias do Globo de Ouro e do Oscar.

MELHOR DIRETOR
Andrea Arnold, Docinho Americano
Pablo Larraín, Jackie
Jeff Nichols, Loving
Kelly Reichardt, Certas Mulheres
Barry Jenkins, Moonlight

MELHOR ATRIZ
Annette Bening, 20th Century Women
Isabelle Huppert, Elle
Sasha Lane, Docinho Americano
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie

MELHOR ATOR
Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
David Harewood, Free In Deed
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico
Jesse Plemons, Other People
Tim Roth, Chronic

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Edwina Findley, Free In Deed
Paulina Garcia, Melhores Amigos (Best Friends)
Lily Gladstone, Certas Mulheres
Riley Keough, Docinho Americano
Molly Shannon, Other People

Veja o trailer do neo-zelandês Free in Deed.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ralph Fiennes, A Bigger Splash
Ben Foster, A Qualquer Custo (Hell or High Water)
Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
Shia LaBeouf, Docinho Americano
Craig Robinson, Morris from America

MELHOR ROTEIRO
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
Mike Mills, 20th Century Women
Ira Sachs & Mauricio Zacharias, Melhores Amigos
Taylor Sheridan, A Qualquer Custo

MELHOR PRIMEIRO FILME
The Childhood of a Leader, de Brad Corbett (5 premios)
The Fits, de Anne Rose Holmer (ganhador de 8 prêmios)
Other People, de Chris Kelly
Swiss Army Man, de Dan Kwan e Daniel Scheinert (5 premios)
A Bruxa, de Robertr Eggers (7 prêmios)

Conheça o trailer de 20th Century Women.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Todos os indicados merecem considerações. Confira-as.

AQUARIUS
BRASIL, 2016
Direção: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Sonia Braga, Jeff Rosick, Irandhir Santos e Maeve Jinkings. Drama social. 140 minutos. 16 anos. Vitrine Filmes.

Recife, tempos atuais. Clara, 65 anos, jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos, mora em um apartamento localizado na Avenida Boa Viagem, onde criou os filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

Terceiro longa-metragem do pernambucano Kléber Mendonça Filho, de Crí-tico (2008) e O Som ao Redor (2012), disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016, ganhou elogios da crítica internacional e uma polêmica pela manifestação política da equipe denunciando “um golpe político” com a destituição, pelo Congresso e STJ, da então presidenta Dilma Roussef. Se por um lado atendeu aos anseios da esquerda, ensejou o repúdio da direita do País. E acabou, com isso, perdendo a chance de representar o Brasil no Oscar-2017 de Filme Estrangeiro ao ser defenestrado pela Comissão de Seleção do Ministério da Cultura.

CHEVALIER
Chevalier, Grécia, 2015
Direção: Athina Rachel Tsangari
Elenco: Panos Koronis, Vangelis Mourikis e Makis Papadimitriou. Comédia. 105 minutos.

Grécia. Durante o inverno, 6 amigos voltam de uma viagem de pesca e barco tem um problema mecânico no iate e eles à deriva no mar Egeu. Para passar o tempo, eles desenvolvem um jogo divertido e altamente competitivo chamado Chevalier. Durante este jogo, as coisas serão comparadas. As coisas serão medidas. Músicas vão ser massacradas, e sangue será testado. Amigos se tornará rivais e rivais se tornarão agressivos. Nenhum deles tem a intenção de sair do iate sem ser coroado o vencedor.

Lançado no Festival de Toronto-2015, é o terceiro trabalho da cineasta grega Athina Rachel Tsangari, ganhadora de 12 prêmios e mais 12 nomeações. Ganhador do prêmio de Melhor Filme do Festival de Londres-2016 por ser “uma comédia hilariante e uma declaração profundamente perturbador sobre a condição da humanidade ocidental”, é o representante grego ao Oscar-2017 de Filme Estrangeiro. Obteve receptividade positiva na Alemanha, o site Rotten Tomatoes dá-lhe 82% de críticas positivas e o MetaCritic 74%.

Conheçam o trailer de Chevalier.

TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE
Trois Souvenirs de ma Jeunesse, França, 2015
Direção: Arnaud Desplechin
Elenco: Dinara Drukarova, Lou Roy-Lecollinet, Mathieu Amalric e Olivier Rabourdin
Drama. 123 minutos. Mares Filmes
Estreia: 26/11/2015

Paul Dédalus, um antropologista, prepara-se para deixar Paris e ir morar no Tajiquistão. Enquanto se organiza para a viagem, passa a recordar as vivências na infância, na juventude e, em especial, o romance fervoroso com Esther.

Drama romântico, conquistou o César de Melhor Diretor-2015 e prêmios nos festivais de Cannes, Chicago, Cinephile Society Awards e o Lumière Awards, é o 9º longa do francês Arnaud Desplechin, 56, realizador de Reis e Rainha (2004) e Um Conto de Natal (2008). Já lançado no Brasil no ano passado, é uma “prequela” de Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual), de 1996.

Veja o trailer de 3 Lembranças de Minha Juventude.

TONI ERDMANN
Toni Edermann, Alemanha-Áustria-Romênia, 2016
Direção: Karen Ade
Elenco: Elenco: Peter Simonischek, Sandra Hüller E Michael Wittenbor. Drama. 162 minutos.

Levando a vida com com bom humor, o extrovertido Winfried é, por isso, um senhor que sofre com o afastamento de sua filha Inês, sisuda e extremamente dedicada ao trabalho e que mora em Budapeste. A fim de reparar a situação, decide visita-la e a iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos, o que o faz retornar para casa. Tempos depois, ele ressurge na vida de Ines agora sob o alter-ego de Toni Erdmann, um especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece.

Terceiro longa da Alemã Karen Ade, ganhadora de 17 prêmios internacionais e conhecida no Brasil pelo drama Todos os Outros (2009). A mais celebrada realização europeia deste ano, conquistou 9 prêmios e outras 10 nomeações, é o favorito para levar o Spirit.

Conheça o trailer de Toni Edermann.

SOB A SOMBRA
Under the Shadow, Reino Unido, Jordânia, Qatar, 2016
Direção: Babak Anvari
Elenco: Narges Rashidi, Avin Manshadi, Bobby Naderi, Ray Haratian e Arash Marandi. Terror. 84 minutos. 16 anos.

Teerã, anos 1980. Durante a guerra Irã-Iraque, mãe e filha tentam sobreviver em meio a explosões de bombas e mísseis. Com o passar do tempo, o conflito é intensificado e mãe se torna obcecada pela ideia de que sua filha está possuída por espíritos malignos chamados Djinn.

Vencedor de 7 prêmios internacionais e outras 8 nomeações, é um dos mais surpreendentes filmes do ano, diz em uníssono a crítica internacional. Exibido com imenso sucesso no Festival de Sundance e na recente Mostra Internacional de SP, marca a estreia do iraquiano Babak Anvari no longa-metragem.

PRÊMIO ROBERT ALTMAN DE MELHOR ELENCO
Moonlight
Melhor Elenco: Mahershala Ali, Patrick Decile, Naomie Harris, Alex Hibbert, André Holland, Jharrel Jerome, Janelle Monáe, Jaden Piner, Trevante Thodes e Ashton Sanders

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A 13ª Emenda (13th, EUA, 2016), de Ava Duvernay
Cameraperson (EUA, 2016), de Kirsten Johnson
I Am Not Your Negro (EUA, 2016), de Raoul Peck
O. J.: Made in America (EUA, 2016), deEzra Edelmann
Sonita, uma Rapper Afegã (Sonita, Alemanha-Suiça-Irã, 2016), de Rokhsareh Ghaemmaghami
Sob o Sol (Under the Sun/V luchakh solnca, República Tcheca-Rússia-Alemanha-Latvia-Coreia do Norte, 2015), de Vitaly Manskly

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
Melhor filme feito com menos de US$ 500 mil
Free In Deed (EUA-Nova Zelândia, 2015), de Jake Muhaffy
Hunter Gatherer (EUA, 2016), de Joshua Locy
Lovesong (2016), de So Yong Kim
Nakom (Ghana-EUA, 2016), de Kelly Daniels Norris e T. W. Pitmann
SPA Night (EUA, 2016), de Andrew Ahn

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
Robert Eggers, A Bruxa
Chris Kelly, Other People
Adam Mansbach, Barry
Stella Meghie, Jean of the Joneses
Craig Shilowich, Christine

MELHOR EDIÇÃO
Matthew Hannam, Swiss Army Man
Jennifer Lame, Manchester à Beira-Mar
Joi McMillon e Nat Sanders, Moonlight
Jake Roberts, A Qualquer Custo
Sebastián Sepúlveda. Jackie

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Ava Berkofsky, Free In Deed
Lol Crawley, The Childhood of a Leader
Zach Kuperstein, The Eyes of My Mother
James Laxton, Moonlight
Robbie Ryan, Docinho Americano

OUTROS FIMES

CERTAS MULHERES
Certain Women, EUA, 2016
Diretor: Kelly Reichardt
Elenco: Michelle Williams, Kristen Stewart , Laura Dern e James Le Gros. Drama.
As vidas de três mulheres se cruzam em uma pequena cidade América, onde cada um vai imperfeitamente abrindo caminho em nome da liberdade feminina. Drama. 107 minutos.

Confira o trailer de Certas Mulheres.

JACKIE
Jackie, EUA, 2016 – 100 minutos
Direção: Pablo Larrain
Elenco: Nathalie Portmann, Peter Sarsgaard e Greta Gerwig.
A vida Jacqueline Kennedy nos dias e meses seguintes ao assassinato do marido, John Fitzgerald Kennedy, em Dallas. A dor da perda, o trauma interno e o lidar com os filhos e a família, a imprensa, e outras atribulações no seio familiar.

Veja o trailer de Jackie.

LOVING
Loving, EUA, 2016 – 123 minutos
Direção: Jeff Nichols
Elenco: Ruth Negga , Joel Edgerton , Will Dalton , Dean Mumford.
Richard e Mildred Loving, um casal interracial, são condenados à prisão na Virgínia em 1958 para se casar.

Conheça o trailer de Loving.

OTHER PEOPLE
Other People, EUA, 2016 –
Direção: Chris Kelly
Elenco: Jesse Plemons, Bradley Whitford e Molly Shannon
Uma escritora, após o término com seu namorado, se muda para Sacramento a fim de ajudar sua mãe que está doente. Vivendo com o seu conservador pai e as irmãs mais novas, David se sente como um estranho no lugar onde cresceu. Ao longo dos dias, quando sua mãe vai piorando de saúde, ele tenta convercer a todos, e até a si mesmo, de que está fazendo tudo certo.

Conheça o trailer de Other People.

THE CHILDHOOD OF A LEADER
The Childhood of a Leader, EUA, 2016
Em 1918, um garoto americano passa a morar na França, já que seu pai foi convidado pelo governo americano a trabalhar na criação do Tratado de Versalhes. O que este jovem descobre é o nascimento de uma ideia assustadora, que se transformaria na ideologia fascista.

Conheça o trailer de The Childhood of a Leader.

THE FITS
The Fits, EUA, 2016
Direção: Anna Rose Holmer
Elenco: Royalty Hightower, Alexis Neblett e Da’Sean Minor

Toni, uma menina de onze aos de idade, que está participando de em uma equipe de dança em Cincinnati, quando um surto misterioso de desmaios atinge a equipe e seu desejo de aceitação é torcido. Drama. 72 minutos.

Confira o trailer de The Fits.

SWISS ARMY MEN
Swiss Army Men, EUA, 2016
Direção: Daniel Kwan e Daniel Scheinert
Elenco: Paul Dano, Daniel Radcliffe, Mary Elizabeth Winstead
Hank (Paul Dano), um homem perdido no deserto, e sem esperanças, encontra um corpo no meio do caminho. Decidido em ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver. Drama social. 97 minutos.

Confira o trailer de Swiss Army Men.

A 13ª EMENDA
The 13th, EUA, 2016 –
Direção: Ava DuVernay
Documentário que discute a décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos – “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado” – e seu terrível impacto na vida dos afro-americanos. Documentário. 100 minutos.

Conheça o trailer de A 13ª Emenda.

CHRONIC – Desfecho moralista

Dentro da Perspectiva Internacional da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem Chronic, do mexicano Michel Franco, acompanha a complexa rotina de um enfermeiro que cuida de pacientes terminais

Michael Cristofer e Tim Roth em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Michael Cristofer e Tim Roth em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

A narrativa de Chronic (2015) parece bastante sedutora ao espectador: o filme procura desvelar aos poucos a rotina de David (Tim Roth), um enfermeiro que cuida de pacientes terminais. Sem jogar informações claras e imediatas acerca das intenções do protagonista, a estrutura do filme se serve de elipses, de silêncios, de diálogos que nem tudo explicam. A primeira impressão é de que o longa-metragem do mexicano Michel Franco (o mesmo de Depois de Lucia, 2012) foi construído de modo a fazer com o que o espectador complete por si só a história (tal estratégia inclusive levou o júri do 68º Festival de Cannes a premiar o filme na categoria de melhor roteiro).

Até certo ponto, o procedimento converge para um olhar generoso para o ofício do enfermeiro – não me recordo agora de nenhum outro filme que se dedicou de forma tão profunda a explicitar o quanto é complexa (física e emocionalmente) a profissão de alguém que cuida diariamente de pacientes à beira da morte. Entram em questão não só o cuidado do enfermeiro, mas também a ausência de afeto dos familiares, a solidão de quem não tem mais esperança em viver, a decisão sobre a vida ou a morte (a eutanásia é um dos pontos centrais).

Tim Roth e Rachel Pickup em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Tim Roth e Rachel Pickup em cena de CHRONIC

Ao ter uma convivência intensa com os pacientes, David parece anular sua própria personalidade pelo seu caráter dúbio e frágil que, em muitos momentos, se confunde com as trajetórias de vida das pessoas que cuida: ele mente, seja para se aproximar daquilo que parece distante, seja por ser mais conveniente para a situação. De um modo ou de outro, há uma opacidade psicológica do protagonista, aliada à estrutura lacunar da narrativa.

No entanto, o desfecho do filme abdica de tudo aquilo que era incerto, duvidoso em torno do universo do personagem. Afeito à saída fácil, Michel Franco decide aplicar um deux ex machina – expressão conhecida na tragédia grega para designar uma solução inesperada para o final –, que faz com que seu próprio filme desmorone. Ou seja, se até então o diretor não tinha tomado uma posição clara sobre seu personagem, ao final ele se torna um tremendo moralista.

Pôster de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Pôster de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Título: Chronic

Gênero: Drama

Direção: Michel Franco

Elenco: Tim Roth, Sarah Sutherland, Robin Bartlett, Rachel Pickup, Michael Cristofer

Duração: 92 min.

Origem: México, França

Ano: 2015

Classificação: Livre.

 

 

 

Veja o trailer de Chronic:

Imagem de Amostra do You Tube