PRÊMIO ABRACCINE – ELLE E AQUARIUS, OS MELHORES DE 2016

Os 100 críticos que compõem a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, após duas rodadas de votações, elegem Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, o francês Elle, do holandês Paul Verhoeven, como o melhor filme estrangeiro, e o curta Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares, como os melhores filmes exibidos em 2016

Sônia Braga em AQUARIUS (2016); Isabele Huppert (2016) e ESTADO ITINERANTE (2006): os melhores de 2016

Sônia Braga em AQUARIUS (2016); Isabele Huppert em ELLE (2016), e Lira Ribas em ESTADO ITINERANTE (2006): os melhores de 2016

Pela sexta vez consecutiva a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, elege os melhores filmes do ano, no caso, 2016. Nas duas principais categorias, filme nacional e filme estrangeiro, concorrem os 400 títulos que estrearam nas salas comerciais dos diversos circuitos no período entre 17 de dezembro de 2015 e 29 de dezembro de 2016, enquanto que o curta nacional teve escolha entre as dezenas de produções da categoria exibidos nos festivais e nas mostras de cinema espalhadas pelo País.

Elle (2016), produção francesa do holandês Paul Verhoeven, que em Fortaleza e em outras 8 capitais foi lançada pelo Cinema de Arte, projeto cearense que, adotado pela operadora Cinépolis, está em processo de inclusão em seu circuito nacional para abrigar os filmes de arte, foi o escolhido, derrotando A Chegada (Arrival, 2016), de Dennis Villeneuve.

A obra de Verhoeven é um marco na História do Cinema por trafegar livremente na amoralidade e expor uma sociedade humana tomada pelo consumismo, os interesses pessoais, o uso do sexo como um instrumento de manipulação e a uma total ausência de espiritualidade. Sua personagem central, Michelle Leblanc (Isabelle Huppert), CEO de uma empresa de videogame, trafega no prazer de quebrar o que é “politicamente correto”, não tendo o escrúpulo que ser amante de maridos de companheiras de trabalho e nem em usar a sua inteligência para manipular quem quer que seja, incluindo o homem que a estupra, extraindo e instituindo com ele um jogo de prazer com uma frieza que expressa a ausência de sentimentos. O desfecho, no qual a mulher traída, sua melhor amiga e também sua colega de trabalho, indo morar com ela, escancara todos os propósitos de amoralidade que é o cerne do filme em sua concepção e indo de encontro ao contexto atual de que cada pessoas têm direito às escolhas quanto a assumir à sexualidade – e que ninguém tem nada nada a ver com isso.

Veja o trailer de Elle.

Aquarius, de Kleber Mendonça Fiho, estigmatizado como “um filme de esquerda” por ter seu diretor e elenco subido ao palco do Festival de Cannes, em maio passado, para denunciar “um golpe” com a cassação da então presidenta Dilma Roussef, não é nada disso. Ao contrário: Aquarius faz uma exposição simétrica e pontuada de como um governo corrupto e aliado a empreiteiras corruptoras instalou um cupinzeiro no País, ou seja, no Edifício que dá nome ao filme. Basta ver a situação econômica e social da nação para ser constatar como Aquarius não poderia ter sido mais preciso com a realidade brasileira. Portanto, jogue-se fora esse estigma da produção pernambucana ser “um filme de esquerda”. É um retrato de um pedaço de um momento crucial do Brasil

Veja o trailer de Aquarius.

Por sua vez, o curta Estado Itinerante conta, ao longo de 20 minutos, a história de uma mulher solitária e que tem medo de entrar na sua casa. Sem dar pistas do “por que?” e apenas insinuar o motivo em alguns rápidos momentos, sua realizadora, a mineira Ana Carolina Soares, fez uma obra de grande reflexão sobre a condição da mulher,  e o seu foco central e a violência doméstica e a consequente coragem pela libertação. E, ainda, flutua em várias outras temáticas. Aplausos.

Prêmio Abraccine-2016

MELHOR LONGA METRAGEM BRASILEIRO:
Aquarius (PE, 2016), de Kleber Mendonça Filho.

MELHOR LONGA METRAGEM ESTRANGEIRO:
Elle (França, 2016), de Paul Verhoeven.

MELHOR CURTA METRAGEM:
Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares.

Fundada em julho de 2011 e hoje contando com exatos 100 críticos de cinema de quase todos os estados brasileiros, a Abraccine tem a missão é promover as formas de pensamento crítico, a reflexão e o debate sobre o Cinema.

 

 

 

GLOBO DE OURO-2017 – OS INDICADOS E BRASIL DE FORA

Não tem jeito. O Brasil faz bons filmes, ganham destaque internacional, mas não conseguem ascensão nas importantíssimas premiações do cinema dos EUA. O qual, a bem da verdade, neste ano, deslanchou mais uma vez com o cinema independente, com ótimas surpresas, muitas delas presentes nas indicações às estatuetas do Globo de Ouro. E bota surpresas nisso. Enquanto o musical La La Land – Cantando Estações e o drama racial Moonlight dominam as indicações, há ausências nas principais categorias, de filmes que a imprensa estadunidense estabelece como incompreensíveis, como as de Silêncio, de Martin Scorsese, A Chegada, de Denis Villeneuve, e Sully – o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood (produções de grandes estúdios); e Loving, de Jeff Nichols. Agora é acompanhar os que estão chegando aos cinemas brasileiros

Os indicados a categoria de Melhor Filme em 2016

Os indicados a categoria de Melhor Filme em 2016

O Globo de Ouro é o prêmio da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood. Para uns, é mais importante do que o Oscar da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, que é o prêmio da indústria e nas últimas duas décadas tem se tornado a festa do cinema independente. Nesta 74ª edição não será diferente. A premiação se concentra, em quase 100%, as suas indicações aos filmes produzidos pelos estúdios e médios, aqueles que propduzem com pequenos orçamentos e envergadura de obras de arte.

La La land – cantando Estações, ganhador de prêmios em Veneza e Toronto, além dos da crítica, indicado para melhor musical ou comédia, realizado com estimados US$ 30 milhões, está presente em 7 categorias, entre elas, melhor filme, diretor, roteiro, ator, Ryan Gosling, e atriz, Emma Stone. A história aborda o relacionamento entre um pianista de jazz (Gosling) e uma atriz iniciante (Stone) que têm de lidar com a paixão e equilibrar as dificuldades da luta pela ascensão profissional.

Em seguida, com 6 indicações, surge Moonlight, escrito e dirigido por Barry Jenkins, um drama racial que conquistou 31 prêmios, o British Independent Awards, o Hollywood Film Awards, o National Film Board e os festivais de Toronto, Nova York e de Mar Del Plata, na Argentina. No Globo de Ouro, compete nas categorias de filme dramático, diretor, roteiro e ator (Mahershala Ali) e atriz coadjuvantes (Naomie Harris). No enredo, o despertar da homossexualidade em um jovem negro.

Em 5º lugar aparece o aclamado Manchester à Beira-Mar, que tem pelo menos uma cartada certa: Casey Affleck, vencedor de quase todos os prêmios da categoria de ator, no ano. Outras boas surpresas, as indicações de Viola Davis e Denzel Washington por Fences, obra de estreia de Denzel na direção, que aborda o processo de humanização de um violento chefe de família negro. Aliás, este foi o ano em que o Cinema estadunidense entrou nas telças para retratara discriminação e a violência contra os negros em 3 filmes notáveis: Moonlight, Fences e Loving.

Ryan Gosling e Emma Stone em LA LA LAND 0 CANTANDO ESTAÇÕES (2016)): favorito ao Globo de Ouro

Ryan Gosling e Emma Stone em LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (2016)): favorito ao Globo de Ouro

OS ESNOBADOS DE LÁ

A relação dos indicados trouxe surpresas nas ausências de filmes como Silêncio, a obra religiosa de Martin Scorsese; A Chegada, a celebrada ficção científica de Denis Villeneuve, além de produções elogiadas como Miss Sloane, de John Madden, e The Edge of Seventeen, de Kelly Fremon Craig, entre outros. Mas, o maior perdedor foi mesmo o drama real Sully – o Heróis do Rio Hudson, de Clint Eastwood, cuja atuação brilhante de Tom Hanks era dada como indicação certa. Quanto a Loving, de Jeff Nichols, que conta a história real de um homem branco perseguido na sociedade da década de 30 por se casar com uma mulher negra, foi engolido pela maior exposição de Moonlight.

OS ESNOBADOS DE CÁ

Inicialmente com 3 representantes, o oficial Pequeno Segredo, de David Schurmann, o polêmico Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e o intruso Chatô – o Rei do Brasil, de Guilherme Fontes, nenhum ficou na seleção final para a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que tem como destaque a França com 3 títulos: Divines, de Houda Benyamina, que conta a história de uma jovem negra de um bairro pobre e religioso de Paris que empreende uma subida na vida a qualquer custo; Elle, a polêmica obra que trata da violência sexual contra as mulheres e que tem na atuação de Isabelle Huppert um de seus esteios; e O Apartamento, a coprodução com o Irã dirigida por Asghar Farhady. Surpreende, ainda a presença de Neruda, a decantada obra do chileno Pablo Larrain. O mais aguardado está lá: o alemão Toni Erdman, de Karen Ade, inegavelmente, o favorito.

Nas categorias menores, há justas menções a obras pequenas e ganhadoras de prêmios e elogios da crítica como o australiano Lion – uma Jornada Para Casa (Lion, 2016), de Garth Davis, que deu indicações para os seus atores centrais, o indiano Dev Patel e a australiana Nicole Kidman; o independente Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, 2016), elogiadíssimo drama de guerra com cunho religioso que trouxe Mel Gibson à tona e lhe trouxe uma indicação a Melhor Diretor e a Melhor Ator, Andrew Garfield, o ex-homem-Aranha.

Veja o trailer de Leion – uma Jornada Para Casa.

ESTREIAS NO BRASIL

Confira as datas de estreias dos indicados ao Globo de Ouro:

Já lançados
Cães de Guerra
Deadpool
Florence – quem é esta Mulher?
Kubo e as Cordas Mágicas
Sing – quem Canta Seus Males Espanta

Em Cartaz
A Chegada
Elle
Moana
Neruda
Sully – o Herói do Rio

Em lançamento

24 de dezembro
Capitão Fantástico

29 de dezembro
Animais Noturnos (EUA), de Tom Ford

05 de Janeiro
A Qualquer Custo (EUA), de David Mackenzie
O Apartamento (França/Irã), de Asghar Farhady
12 de Janeiro
Até o Último Homem (EUA), de Mel Gibson
Manchester à Beira-Mar (EUA), de Kenneth Lonnergan

19 de janeiro
La La Land – cantando Estações (EUA), de Damien Chazelle
Estrelas Além do Tempo (EUA), de Theodore Melfi

02 de fevereiro
Miss Sloane
The Edge of Seventeen

09 de fevereiro
Lion – uma Jornada Para Casa

23 de fevereiro
Ouro e Cobiça

02 de Março
Jackie

Confira o trailer de Jackie.

Sem data
20th Century Women
Divines
Fences
Loving
O Lagosta
Rules Don’tApply
Singer Street
Toni Erdman

A ENTREGA

No dia 8 de janeiro, o hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, será o palco para a entrega do Globo de Ouro, edição 74, com apresentação de Jimmy Fallon. Meryl Streep, que já tem 8 prêmios somente nos EUA, receberá o prêmio Cecil B. DeMille, homenagem para aqueles que dedicaram o seu talento para a indústria de Cinema dos EUA.
Confira a lista completos dos indicados : Cinema e Tewlevisão.

CINEMA

Filme – drama
A Qualquer Custo (Hell or High Water, EUA, 2016), de David MacKenzie
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, EUA, 2016), de Mel Gibson
Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion, Austrália, 20156), de Garth Davis
Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea, EUA,  2016), de Kenneth Lonnergan
Moonlight (Moonlight, EUA, 2016), de Barry Jenkins

Veja o trailer de A Qualquer Custo.

Filme – comédia ou musical
20th Century Women (2016), de Mike Mills
Deadpool (2016), de Tim Miller
Florence: quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenklins, 2016), de Stephen Frears
La La Land – Cantando Estações (La La Land, 2016), de Damien Chazelle
Sing Street (2016), de John Carney

Melhor Diretor
Damien Chazelle, La La Land – Cantando Estações
Tom Ford, Animais Noturnos
Mel Gibson, Até o Último Homem
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar

Atriz – drama
Amy Adams, A Chegada
Jessica Chastain, Miss Sloane – Armas na Mesa
Isabelle Huppert, Elle
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie

Veja o trailer de Miss Sloane – Armas na Mesa.

Ator – drama
Casey Affleck, Manchester À Beira-Mar
Joel Edgerton, Loving
Andrew Garfield, Até o Último Homem
Ryan Gosling, La La Land – Cantando Estações
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico
Denzel Washington, Fences

Atriz – comédia ou musical
Annette Bening, 20th Century Women
Lily Collins, Rules Don’t Apply
Hailee Steinfeld, The Edge of Seventeen
Emma Stone, La La Land – cantando Estações
Meryl Streep, Florence: quem é essa mulher?

Ator – comédia e musical
Colin Farrell, O Lagosta
Ryan Gosling, La La Land: Cantando Estações
Hugh Grant, Florence: quem é Essa Mulher?
Jonah Hill, Cães de Guerra
Ryan Reynolds, Deadpool

Atriz coadjuvante
Viola Davis, Fences
Naomie Harris, Moonlight
Nicole Kidman, Lion – Uma Jornada Para Casa
Octavia Spencer, Hidden Figures
Michelle Williams, Manchester à Beira-Mar

Veja o trailer de Estrelas Além do Tempo.

Ator coadjuvante
Mahershala Ali, Moonlight
Jeff Bridges, A Qualquer Custo
Simon Helberg, Florence: quem é Essa Mulher?
Dev Patel, Lion: Uma Jornada Para Casa
Aaron Taylor-Johnson, Animais Noturnos

Filme estrangeiro
Divines (França), de Uda Bediamina
Elle (França), de Paul Verhoeven
Neruda (França), de Pablo Larrain
O Apartamento (Irâ/França), de Asghar Farhady
Toni Erdmann (Alemanha), de Maren Ade

Animação
Kubo e as Cordas Mágicas (EUA, 2016), de Travis Knight
Moana – um Mar de Aventuras (EUA, 2016), de John Musker e Ron Clements
Ma Vie de Courgette (França, 2016), de Claude Barras
Sing – quem Canta os Seus Males Espanta (EUA, 2016), de Garth Jennings e Christophe Lourdelet
Zootopia (EUA, 2016), de Byron Howard e Rish Moore

Roteiro
Damien Chazelle, La La Land – Cantando Estações
Tom Ford, Animais Noturnos
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonnergan, Manchester à Beira-Mar
Taylor Sheridan, A Qualquer Custo

Canção Original
“Can’t Stop This Feeling”, Trolls
“City of Stars”, La La Land
“Faith”, Sing – quem canta os seus Males Espanta
“Gold”, Ouro e Cobiça
“How Far I’ll Go”, Moana

Conheça o trailer de Ouro e Cobiça.

Trilha original
Hans Zimmer, Pharrell Williams, Benjamin Wallfisch, Estrelas Além do Tempo
Nicholas Britell, Moonlight
Justin Hurwitz, La La Land – Cantando Estações
Johann Johannsson, A Chegada
Dustin O’Halloran, Hauschka, Lion – uma Jornada Para Casa

CATEGORIAS DE TELEVISÃO

Série de drama
Stranger Things
The Crown
Game of Thrones
Westworld
This Is Us

Série de comédia ou musical
Atlanta
Blackish
Mozart in the Jungle
Transparent
Veep

Minissérie ou filme feito para a TV
American Crime
The Dresser
The Night Manager
The Night Of
People v. O J: Simpson: the american crime story

Ator em série dramática
Rami Malek, Mr. Robot
Bob Odenkirk, Better Call Saul
Matthew Rhys, The Americans
Liev Schreiber, Ray Donovan
Billy Bob Thornton, Goliat

Veja o trailer de Mr. Robot.

Melhor ator em comédia
Anthony Anderson, Black-ish”
Gael Garcia Bernal, Mozart in the Jungle
Donald Glover, Atlanta
Nick Nolte, Graves
Jeffrey Tambor, Transparent

Atriz de série dramática
Caitriona Balfe, Outlander
Claire Foy, The Crown
Kerry Russell, The Americans
Winona Ryder, Stranger Things
Evan Rachel Wood, Westworld”

Ator em minissérie ou filme feito para a TV
Riz Ahmed, The Night of
Bryan Cranston, All the Way
Tom Hiddleston, The Night Manager
John Turturro, The Night of
Courtney B. Vance, The People v. O.J. Simpson: American Crime Story

Veja o trailer de The People v. O.J. Simpson: American Crime Story

Atriz em série de comédia ou musical
Rachel Bloom, Crazy Ex-Girlfriend
Julia Louis Dreyfus, Veep
Sarah Jessica Parker, Divorce
Issa Era, Insecure
Gina Rodriguez, Jane the Virgin
Tracee Ellis Ross, Black-ish

Ator em minissérie ou filme feito para a TV
Riz Ahmed, The Night Of
Bryan Cranston, All the Way
John Turturro, The Night Of
Tom Hiddleston, Night Manager
Courtney B. Vance, People v. O.J. Simpson: American Crime Story

Ator em série dramática
Rami Malek, Mr. Robot
Bob Odenkirk, Better Call Saul
Matthew Rhys, The Americans
Liev Schreiber, Ray Donovan
Billy Bob Thornton, Goliath

Atriz em minissérie ou filme feito para a TV
Felicity Huffman, American Crime
Riley Keough, The Girlfriend Experience
Sarah Paulson, People v. O.J. Simpson: American Crime Story
Charlotte Rampling, London Spy
Kerry Washington, Confirmation

Conheça o trailer de London Spy.

Melhor atriz coadjuvante de TV
Olivia Colman, The Night Manager
Lena Headey, Game of Thrones
Chrissy Metz, This Is Us
Mandy Moore, This Is Us
Thandie Newton, Westworld

Melhor ator coadjuvante de TV
Sterling K. Brown, The People v. O.J.: American Crime Story
Hugh Laurie, The Night Manager
John Lithgow, The Crown
Christian Slater, Mr. Robot
John Travolta, The People v. O.J.: American Crime Story

Melhor ator de comédia e musical
Anthony Anderson, Black-ish
Gael Garcia Bernal, Mozart in the Jungle
Donald Glover, Atlanta
Nick Nolte, Graves
Jeffrey Tambor, Transparent

Conheça o trailer de Até o Último Homem.

 

 

ELLE – O MELHOR FILME DE 2016 PELA ACCRJ

Elle, o filme francês do cineasta holandês Paul Verhoeven e que tem no elenco Isabelle Huppert no papel de uma mulher violentada que decide se defender à sua maneira, está em cartaz há 4 semanas em circuito reduzido no País. No Cinema de Arte, projeto da operadora Cinépolis para inserir os filmes de arte em seu circuito nacional e presente em 9 cidades do País, está há 3 e vai adentrar mais uma – ou mais. A película francesa acaba de ser eleita o Melhor Filme de 2016 pelos integrantes da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro-ACCRJ

Isabelle Huppert em ELLE (2016), de Paul Verhoeven: Melhor Filme de 2016 pela ACCRJ

Isabelle Huppert em ELLE (2016), de Paul Verhoeven: Melhor Filme de 2016 pela ACCRJ

A lista dos melhores do ano é uma tradição de décadas levadas a efeito pelos críticos de cinema de todas as partes do Mundo e tem por base uma votação de 10 títulos. No Brasil, o anúncio dessa leva de obras de qualidade desdobra-se entre dezembro e janeiro. Em janeiro, por exemplo, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, e a Associação Cearense dos Críticos de Cinema-ACECCINE, elegerão os seus melhores.

Neste ano, por critérios de empate, os críticos da associação carioca a elegeram 12 títulos. O melhor do filme do ano estrangeiro e o melhor brasileiro. O estrangeiro, Elle, tem uma temática tanto difícil quanto atual: a violência contra a mulher. No caso, Isabelle Huppert, a marqueteira de uma empresa de videogame que, estuprada em sua própria casa, decide jogar o jogo com o seu opressor. Um jogo de quem mais poder de manipulação. As mulheres saem satisfeitas do Cinema e o tema ganha uma abordagem totalmente original e desconcertante.

Aquarius é uma exposição dilacerante de um governo recente do País, destruído econômica e moralmente por um cupinzeiro de um partido político. Um grande e corajoso filme de Kleber Mendonça Filho.

Tem também homenagens a profissionais que dedicaram a sua vida ao Cinema e completaram a sua passagem espiritual de missão pela Terra. Sem delongas, vamos a eles: os filmes e os homenageados.
Melhor Filme
Elle (França), de Paul Verhoeven

Melhor Filme Brasileiro
Aquarius (Brasil-França), de Kleber Mendonça Filho

10 Melhores (ordem alfabética)
Anomalisa (EUA, 2016), de Charlie Kauffman
A Bruxa (EUA, 2016), de Robert Eggers
Café Society (EUA, 2016), de Woody Allen
Carol (EUA, 2015), de Todd Haynes
O Cavalo de Turim (Hungria, 2015), de Bela Tarr
Certo Agora, Errado Antes (Coréia do Sul, 2016), de Sang-Soo Hong
Filho de Saul (Hungria, 2015), de Laszlo Nemes
As Montanhas se Separam (China-França-Japão, 2015), de Jia Zang-ke
Os Oito Odiados (EUA, 2015), de Quentin Tarantino
Táxi Teerã (Irã-França, 2016), de Abbas Kiarostami

Reconhecimento por Iniciativa Cinematográfica
Cavi Borges – produtor e diretor de filmes e empresário de cinema

Homenageados
Hector Babenco (1946-2016) – cineasta
Abbas Kiarostami (1940-2016) – cineasta
José Carlos Avellar (1936-2016) – crítico de cinema

Veja o trailer de Certo Agora, Errado Antes.

GLOBO DE OURO-2017 – 3 BRASILEIROS EM DISPUTA

O Pequeno Segredo, de David Schurman, Chatô – o Rei do Brasil, de Guilherme Fontes, e Aquarius, de Kleber Mendonça, competem ao Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira. É a primeira que o cinema brasileiro consegue exposição tão positiva nas premiações internacionais

CHATÔ - O REI DO BRASIL (2015), AQUARIUS (201) e PEQUENO SEGREDO (2016): disputa ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro

CHATÔ – O REI DO BRASIL (2015), AQUARIUS (201) e PEQUENO SEGREDO (2016): disputa ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro

Três filmes diferentes. O oficial, o preferido e o intruso. Enquanto Aquarius expõe como um governo corrupto destrói um País como um cupinzeiro, outro trata do drama de uma família aventureira em uma jornada pela vida da filha adotiva, o terceiro revela a trajetória de um dos homens mais poderosos do Brasil. Respectivamente, Aquarius, o filme político, o preferido da crítica, uma metáfora sobre um governo recente do Brasil, O Pequeno Segredo, o representante oficial do País no Oscar, e Chatô – o Rei do Brasil, o intruso, uma controversa biografia do então poderoso empresário Assis Chateaubriant.

Por que 3 filmes brasileiros competem ao Globo de Ouro? Por causa das suas regras distintas das demais, em que mais um filme de uma nacionalidade pode ser indicado às mesmas categorias. A escolha é dos membros da Associação e vários países aparecem com mais de representante, afora as coproduções que ensejam uma verdadeira expressão da globalização que hoje é imprescindível para o Cinema. Bom para o cinema brasileiro, mas vamos ver se vai restar algum para comemorar a festa.

Conheça os títulos dos representantes dos 52 países que competem ao Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A lista com os 5 finalistas será divulgada no próximo dia 12, segunda-feira. A entrega dos prêmios, que terá o apresentador Jimmy Fallon, acontece em 8 de janeiro.

OS FILMES

3000 Nights (Palestina-Jordânia-França), de Mai Masri
Afterimage (Polônia), de Andrzej Wajda
Agnus Dei (França-Polônia, de Anne Fontaine
O Apartamento (Irã-França), de Asghar Farhadi
The Age of Shadows (Coréia do Sul), de Jee-woon
Alias Maria (Colombia), de José Luis Rugeles
Amanat (Casquistão), de Satybaldy Narymbetov
Apprentice (Singapura), de Junfeng Boo
Aquarius (Brasil-França), de Kleber Mendonça Filho
Ardennes (Bélgica-Holanda), de Robin Pront
Bajirao Mastani (Índia), de Sanjay Leela Bhansali
Barakah com Barakah (Arabia Saudita), de Mahmoud Sabbagh

Veja o trailer de Barakah Meets Barakah.

Beautiful Pain (Malásia), de Tunku Mona Riza
Call Me Thief (África do Sul), de Daryne Joshua
Chatô – O Rei do Brasil (Brasil), de Guilherme Fontes
Chevalier (Grécia), de Athina Rachel Tsangari
O Cidadão Ilustre (Argentina-Espanha), de Mariano Cohn e Gastón Duprat
Clash (Egito), de Mohamed Diab
Cold of Kalandar (Turquia), de Mustafa Kara
A Criada (Coréia do Sul), de Chan-wook Park
The Companion (Cuba), de Pavel Giroud
Dawn (Letônia), de Laila Pakalnina
De Longe Te Observo (Venezuela-México), de Lorenzo Vigas
Os Demônios (Les Demóns, Canadá), de Philippe Lesage

Conheça o trailer  de Os Demônios.

Desierto (Desierto), de Jonás Cuarón
O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki (Finlândia-Alemanha-Suécia), de Juho Kuosmanen
Divines (França), de Houda Benyamina
The Duelist (Rússia), de Alexey Mizgirev
É Apenas o Fim do Mundo (Canadá-França), de Xavier Dolan
Earthquake (Armênia-Russia), de Sarik Andreasyan
Elle (França), de Paul Verhoeven
O Estudante (Rússia), de Kirill Serebrennikov
Father (Índia), de Samuthirakani
A Father’s Will (Quirguistão), de Bakyt Mukul e Dustan Zhapar Uulu
The Flower Of Aleppo (Tunísia), de Ridha Behi
Um Grande Plano (Very Bog Shot, Líbano-Alemanha), de Mir-Jean Bou Chaaya

Confira o trailer de Um Grande Plano.

Halal Love (Líbano-Alemanha), de Assad Fouladkar
Home Guards (Hungria), de Krisztina Goda
Hot Country (Armênia), Cold Winter, de David Safarian
House of Others (Geórgia), de Rusudan Glurjidze
I Am Not Madame Bovary (China), de Xiaogang Feng
O Ídolo (Palestina-Holanda), de Hany Abu-Assad
Indivisíveis (Itália), de Edoardo de Angelis
Interrogation (Índia), de Vetri Maaran
Julieta (Espanha), de Pedro Almodóvar
Kills on Wheels (Hungria), de Attila Till

Veja o trailer de Kills on Wheels.

The King’s Choice (Noruega), de Erik Poppe
The Last Inhabitant (Armênia), de Jivan Avetisyan
Little Wing (Finlândia-Dinamarca), de Slma Maria Vilhunen
Lord of Shanghai (China), de Sherwood Hu
Ma Ma (Espanha-França), de Julio Medem
Ma’Rosa (Filipinas), de Brillante Mendoza
A Man Called Ove (Suécia), de Hannes Holm
Meu Nome é Jeeg Robot (Itália), de Gabriele Mainetti
Migas de Pan (Uruguai-Espanha), de Manane Rodrigues
Mirzya (Índia), de Rakish Omprakash Mehra

Conheça o belíssimo trailer de Mirzya.

Mother (Estônia), de Kari Kõusaar
A Mulher Que Se Foi (Filipinas), de Lav Diaz
Mundos Opostos (Grécia), de Christopher Papakaliatis
My Murderer (Iacútia-Rússia), de Kostas Marsan
Neruda (Chile), de Pablo Larrain
On the Other Side (Croácia-Sérvia), de Zrinko Ogresta
Operation Chromite (Coréia do Sul), de John H. Lee
Paraíso (Rússia), de Andrei Konchalovsky
Parched (Índia-Reino Unido-EUA), de Leena Yadav
Pequeno Segredo (Brasil), de David Schurmann
The People vs Fritz Bauer (Alemanha), de Lars Kraume

Confira o trailer de The People vs Fritz Bauer.

The Ploy (Itália-França), de David Grieco
The Road to Mother (Cazaquistão), de Akan Satayev
Tempestade de Areia (Israel), de Elite Zexer
Sieranevada (Romênia), de Christi Puiu
Sometimes (Índia), de Priyadarshan Soman Nair
Song of the Phoenix (China), de TianMing Wu
Stefan Zweig – Farewell to Europe (Áustria-Alemanha-França), de Maria Schrader
Tanna (Vanuatu-Austrália), de Bentley Dean e Martin Butler
Terra de Minas (Dinamarca), de Martin Zandvliet
Toni Erdmann (Alemanha), de Maren Ade
Tonio (Holanda), de Paula van der Oest
Três Histórias de Amor (Japão), de Ryosuke Hashiguchi

Veja o trailer de 3 Histórias de Amor.

Un + Une (França), de Claude Lelouch
Sob as Sombras (Irã-Reino Unido), de Babak Anvari
Viva a França! (França), de Christian Carion
When the Woods Bloom (Índia), de Bijukumar Damodaran
You’re Killing Me Susanna (México), de Roberto Sneider

Atenção para este filme: The Flower of Aleppo, deRidha Behi, da Tunísia. Atualíssimo, passa a ser favorito se ficar entre os 5.

Veja o trailer.

 

 

SPIRIT-2017 – UMA ANÁLISE DOS INDICADOS

Satellite, Gotham, Spirit formam as mais importantes premiações do cinema independente dos EUA. Enquanto o Gotham já premiou os seus indicados, o Spirit e o Satellite anunciam os seus destaques. Os selecionados pelo Spirit já são conhecidos e aqui faremos uma análise dessas indicações, comparando-as aos nomeados pelo Gotham. Os nomeados pelo Satelllite cvocê já pode conferir através do banner na home. A surpresa do Spirit reside, para nós brasileiros, na lista de candidatos ao prêmio de filme estrangeiro, pois Aquarius, o polêmico trabalho de Kleber Mendonça Filho, está entre os 5 selecionados. Loving, Manchester à Beira-Mar, Moonlight e  Docinho Americano terão, entre outros, um grande embate pelas principais categorias

DOCINHO AMERICANO (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a busca da liberdade da juentude por Andrea Arnold

LOVING (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a juventude a liberdade por Andrea Arnold

A festa do Spirit Awards, originalmente conhecidos como FINDIE (Friends of Independent), reúne os melhores talentos de Hollywood e os mais importantes da cena independente e é realizada desde 1974 pela Film Independent, uma organização sem fins lucrativos dedicada aos filmes e cineastas do cinema produzido pelos estúdios pequenos e médios. A cerimônia. São concedidos prêmios como Melhor Filme, Melhor Primeiro Filme e Mel e Jackieor Filme feito com menos de 500 mil dólares (o Prêmio John Cassavetes), entre outros.

Diferentemente da última edição, quando houve vazamento dos indicados cuja relação apareceu antecipadamente na internet, tudo correu normalmente. Outro fato notável é que, nos últimos 3 anos, o Spirit tem se mostrado o mais certeiro dos termômetros do Oscar, com filmes como Birdman (2014) e Spotlight – Segredos Revelados (2015), ganhadores da estatueta de Melhor Filme nos anos anteriores.

Neste, os preferidos são American Honey, de Andrea Arnold, aqui aqui recebeu o título de Docinho Americano, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 6 indicações, seguido de Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan, com 4, Jackie, do chileno Pablo Larrain, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 3 cada. Manchester à Beira-Mar, Capitão Fantástico e Jackie já têm lançamento confirmados no Brasil. E neste ano o Spirit só não vai antecipar uma lista ampliada de indicados à premiação da Academia porque só pode selecionar produções com orçamento, o “budget”, limitados a até US$ 20 milhões.

Confira o trailer de Capitão Fantástico.

Em função disso, títulos importantes como La La Land – cantando Estações, de Damian Chazelle (custo não fornecido), Animais Noturnos, de Tom Ford (orçamento de 22,5 milhões de dólares), 7 Minutos Depois da Meia-Noite, de Juan Antonio Bayona (US$ 43 milhões), afora outros credenciados que não tiveram os seus custos revelados pelas respectivas produtoras: Pastoral Americana (American Pastoral), a estreia de Ewan McGregor na direção; Senhora Sloane (Miss Sloane), de John Madden, Vincent N Roxxy, de Gary Michael Schultz; Away, de David Blair; Ouro e Cobiça (Gold), de Stephen Gaghan, e Demolition, de Jean Marc-Vallee, entre outros.

Vale destacar outra dezena de filmes independentes e elogiados pela crítica, que sequer foram lembrados. Ei-los: A Família Hollar (The Hollars, US$ 3,8 milhões, de John Krasinsky, Quando te Conheci (Equals, US$ 16 milhões), O Nascimento de uma Nação (A Birth of a Nation, US$ 8,6 milhões), de Nate Parker; The Edge of Seventeen (US$ 9 milhões), de Kelly Fremon Craig; e Bonjour Anne (US$ 5 milhões), de Eleanor Coppola, a senhora Francis Ford Coppola, entre outros.

OS NOMEADOS

A seleção de apenas filmes alguns é injusta, como se pode perceber nos tópicos acima. O cinema estadunidense, digamos Hollywood, produz mais 200 filmes por ano, se contarmos as coproduções com outros países. Essa produção independente já alcançou respeitabilidade e hoje ocupa os grandes circuitos e os de arte dos EUA. E, há pelo menos duas décadas é o destaque nas premiações do Globo de Ouro e do Oscar. A produção independente modificou o mercado estadunidense e está encontrando ressonância em outros países.

BRASIL EM DESTAQUE

Mas, deixando o mercado de lado, considera fundamental que o internauta do cinema e artes tenha mais informações dos concorrentes aos prêmios Gotham e Spirit, lembrando que o Brasil está expressivamente privilegiado nas indicações ao Spirit. Como assim? Aquarius compete entre os finalistas a melhor filme em língua estrangeira; o roteirista Mauricio Zacharias está lembrado com o filme Melhores Amigos; além do produtor Rodrigo Teixeira, que tem o seu A Bruxa (The Witch), indicado em duas categorias.

Confira os indicados em cada categoria e, em seguida, mais informações sobre os mais importantes, informando que a cerimônia de entrega dos Spirit Awards-2017 será transmitida, ao vivo pelo A&E Mundo, com tradução simultânea em Espanhol e Português. O evento será realizado, como em todos os anos, em uma tenda na praia, em frente ao famoso caís de Santa Mônica, em Los Angeles, Califórnia.

Data da Premiação – 25 de fevereiro, véspera do Oscar.

OS INDICADOS

MELHOR FILME

A seleção do cinema independente traz polêmicas e revelações.

DOCINHO DA AMÉRICA
American Honey, EUA, 2016
Direção: Andrea Arnold
Elenco: Shia LeBeouf, Sasha Lane e Riley Keough. Drama. 142 minutos.

Uma adolescente de espírito livre foge de casa, integra-se a uma equipe de vendas itinerante que percorre o centro-oeste e mergulha em um turbilhão de eventos em festas, drogas, sexo e crimes.

Primeiro trabalho em Hollywood da consagrada cineasta inglesa Andrea Arnold, de Marcas da Vida (2006), À Deriva (209) e O Morro dos Ventos Uivantes (2011). Vaiado após a exibição em Cannes, onde ganhou a fama de “o pior do festival”, o crítico Rodrigo Fosenca, “é no mínimo espantoso que uma produção tão rasa, de 2h42m de puro tédio, com roteiro rocambolesco e vazio, com esboços de personagens e rascunhos de atuações, possa ter alcançado tamanho prestígio”. Mas, lá mesmo em Cannes, levou o Prêmio do Júri e a Menção Especial do Júri, e no Festival de Estocolmo-2016, recebeu o Prêmio Fipresci, da crítica internacional. Jacobs Matthew, do Huffington Post, o classifica como “mais mais do que um filme sobre jovens desajustados e sem esperança”.

Veja o trailer de American Honey, legendado em espanhol.

CHRONIC
Chronic, EUA, 2016
Direção: Michel Franco
Elenco: Tim Roth e Bitsie Tulloch. Drama. 93 minutos.

David, enfermeiro que fornece assistência em domicílio a pacientes em fase termina, vai além do que seu emprego exige, tornando-se um grande companheiro nos momentos mais difíceis das vidas dessas pessoas. Por outro lado, é um solitário que tenta, à sua maneira, restabelecer contato com Nádia, a sua filha.

Michel Franco, 36, é conhecido no Brasil pelo drama Depois de Lúcia (2012). Premiado nos Festivais de New Hamphire e Cartagena como Melhor Filme; e no Festival de Cannes-2016 com o Melhor Roteiro, Chronic foi, segundo o seu diretor, inspirado pela situação vivida pela sua avó que, doente, ficou vários meses preso à cama de falecer. “Isto me levou a pensar como é a vida de uma pessoa que trabalha nesta área. É o resultado do sentimento que tive por uma enfermeira, Beatriz, que cuidou da minha avó e compareceu ao enterro para ver os familiares. Perguntei há quanto tempo estava neste trabalho e ela respondeu 20 anos. Decidi fazer um filme sobre o tema“. “Chronic consegue evitar o excesso de drama e sentimentalismo ao abordar com sutileza situações complicadas, como por exemplo a passagem de tempo particular de pessoas que não esperam mais nada, em um clima de tédio infinito”, avalia o France Press, um dos principais veículos da imprensa da Europa.

Confira o trailer de Chronic.

JACKIE
EUA/Chile, 2016
Direção: Pablo Larrain
Com Nathalie Portman, Peter Skarsgaard e Greta Gerwig. Drama. 100 minutos.

Dallas, Texas, 22 de novembro de 1963. O presidente John Fitzgerald Kennedy, enquanto participa de uma carreata, é alvejado por um atirador, deixando a primeira-dama, Jacqueline Kennedy, em desespero, e a nação perplexa. Para ela, é o início de dias de aflição, angústias e decisões que ficaram distantes do público e que agora são reveladas.

Baseado em argumento de Noah Oppenheimer, o roteirista da séries Maze Runner: Correr ou Morrer e Divergente: Convergente (2016), seria dirigido por Darren Arenovsky e teria a sua mulher, Raquel Weisz, como Jaqueline, mas ele desistiu, ficando apenas como produtor. Com isso, ele passou a direção para o chileno Pablo Larrain, que faz a sua estreia em Hollywood, e o papel de Jacqueline foi para Nathalie Portman, com quem Darren já tinha trabalhado em Cisne Negro (2010).

Confira o trailer de Jackie.

MANCHESTER À BEIRA-MAR
Manchester by he Sea, EUA, 2016
Direção: Kenneth Lonnergan
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Matthew Broderick, Gretchen Mol, Tate Donovan e Kara Hayward. Drama. 135 minutos. 12 anos.

North Shore, Massachussets, EUA. Após a súbita morte de Joe, seu irmão mais novo, Lee Chandler retorna à sua natal aldeia de pescadores. Obrigado a ficar ali porque o irmão o designou como único tutor de seu filho, Patrick, de 16 anos. Lidar com a morte do irmão, educar o sobrinho e enfrentar os tormentos que o levaram a se separar da mulher, Randi, e encarar a comunidade, o fazem reviver, ainda, trágicas memórias.

Terceiro longa de Kenneth Lonnergan, 54, vencedor do Hollywood Film Awards-2016 de Roteirista do Ano e que recebeu do Gotham o prêmio de Melhor Ator, paraCasey. Realizador de Conta Comigo (2000) e Margareth (2011), Lonnergan herdou o enredo escrito pelo ator Matt Damon – e seria a sua estreia como diretor. Orçado em US$ 8 milhões e alvo de disputa, em Sundance por vários estúdios, ficou com a Sony por US$10 milhões.

MOONLIGHT
Moonlight, EUA, 2016
Direção: Barry Jenkins
Elenco: Ashton Sanders, Trevante Rhodes Naomie Harris, Andre Holland, Jharrel Jerome, Mahershala Ali, Janelle Monae e. Drama racial.

As três fases da existência de Chiron, da infância e a adolescência até a vida adulta, em todas lidando com duas questões básicas: ser negro e gay. Envolvendo-o, a busca pela sobrevivência num dos bairros barra-pesada de Mimai e a luta desesperada para encontrar o seu lugar no mundo.

Produzida pelo estúdio Plan B, de Brad Pitt, é o segundo trabalho do diretor Barry Jenkins, 36. Vencedor do Gotham de Melhor Filme, Roteiro e do Prêmio Especial do Júri, é o grande favorito para levar os demais prêmios do cinema independente, e que, sem dúvida, estará entre os apontados às principais categorias do Globo de Ouro e do Oscar.

MELHOR DIRETOR
Andrea Arnold, Docinho Americano
Pablo Larraín, Jackie
Jeff Nichols, Loving
Kelly Reichardt, Certas Mulheres
Barry Jenkins, Moonlight

MELHOR ATRIZ
Annette Bening, 20th Century Women
Isabelle Huppert, Elle
Sasha Lane, Docinho Americano
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie

MELHOR ATOR
Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
David Harewood, Free In Deed
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico
Jesse Plemons, Other People
Tim Roth, Chronic

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Edwina Findley, Free In Deed
Paulina Garcia, Melhores Amigos (Best Friends)
Lily Gladstone, Certas Mulheres
Riley Keough, Docinho Americano
Molly Shannon, Other People

Veja o trailer do neo-zelandês Free in Deed.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ralph Fiennes, A Bigger Splash
Ben Foster, A Qualquer Custo (Hell or High Water)
Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
Shia LaBeouf, Docinho Americano
Craig Robinson, Morris from America

MELHOR ROTEIRO
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
Mike Mills, 20th Century Women
Ira Sachs & Mauricio Zacharias, Melhores Amigos
Taylor Sheridan, A Qualquer Custo

MELHOR PRIMEIRO FILME
The Childhood of a Leader, de Brad Corbett (5 premios)
The Fits, de Anne Rose Holmer (ganhador de 8 prêmios)
Other People, de Chris Kelly
Swiss Army Man, de Dan Kwan e Daniel Scheinert (5 premios)
A Bruxa, de Robertr Eggers (7 prêmios)

Conheça o trailer de 20th Century Women.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Todos os indicados merecem considerações. Confira-as.

AQUARIUS
BRASIL, 2016
Direção: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Sonia Braga, Jeff Rosick, Irandhir Santos e Maeve Jinkings. Drama social. 140 minutos. 16 anos. Vitrine Filmes.

Recife, tempos atuais. Clara, 65 anos, jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos, mora em um apartamento localizado na Avenida Boa Viagem, onde criou os filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

Terceiro longa-metragem do pernambucano Kléber Mendonça Filho, de Crí-tico (2008) e O Som ao Redor (2012), disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016, ganhou elogios da crítica internacional e uma polêmica pela manifestação política da equipe denunciando “um golpe político” com a destituição, pelo Congresso e STJ, da então presidenta Dilma Roussef. Se por um lado atendeu aos anseios da esquerda, ensejou o repúdio da direita do País. E acabou, com isso, perdendo a chance de representar o Brasil no Oscar-2017 de Filme Estrangeiro ao ser defenestrado pela Comissão de Seleção do Ministério da Cultura.

CHEVALIER
Chevalier, Grécia, 2015
Direção: Athina Rachel Tsangari
Elenco: Panos Koronis, Vangelis Mourikis e Makis Papadimitriou. Comédia. 105 minutos.

Grécia. Durante o inverno, 6 amigos voltam de uma viagem de pesca e barco tem um problema mecânico no iate e eles à deriva no mar Egeu. Para passar o tempo, eles desenvolvem um jogo divertido e altamente competitivo chamado Chevalier. Durante este jogo, as coisas serão comparadas. As coisas serão medidas. Músicas vão ser massacradas, e sangue será testado. Amigos se tornará rivais e rivais se tornarão agressivos. Nenhum deles tem a intenção de sair do iate sem ser coroado o vencedor.

Lançado no Festival de Toronto-2015, é o terceiro trabalho da cineasta grega Athina Rachel Tsangari, ganhadora de 12 prêmios e mais 12 nomeações. Ganhador do prêmio de Melhor Filme do Festival de Londres-2016 por ser “uma comédia hilariante e uma declaração profundamente perturbador sobre a condição da humanidade ocidental”, é o representante grego ao Oscar-2017 de Filme Estrangeiro. Obteve receptividade positiva na Alemanha, o site Rotten Tomatoes dá-lhe 82% de críticas positivas e o MetaCritic 74%.

Conheçam o trailer de Chevalier.

TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE
Trois Souvenirs de ma Jeunesse, França, 2015
Direção: Arnaud Desplechin
Elenco: Dinara Drukarova, Lou Roy-Lecollinet, Mathieu Amalric e Olivier Rabourdin
Drama. 123 minutos. Mares Filmes
Estreia: 26/11/2015

Paul Dédalus, um antropologista, prepara-se para deixar Paris e ir morar no Tajiquistão. Enquanto se organiza para a viagem, passa a recordar as vivências na infância, na juventude e, em especial, o romance fervoroso com Esther.

Drama romântico, conquistou o César de Melhor Diretor-2015 e prêmios nos festivais de Cannes, Chicago, Cinephile Society Awards e o Lumière Awards, é o 9º longa do francês Arnaud Desplechin, 56, realizador de Reis e Rainha (2004) e Um Conto de Natal (2008). Já lançado no Brasil no ano passado, é uma “prequela” de Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual), de 1996.

Veja o trailer de 3 Lembranças de Minha Juventude.

TONI ERDMANN
Toni Edermann, Alemanha-Áustria-Romênia, 2016
Direção: Karen Ade
Elenco: Elenco: Peter Simonischek, Sandra Hüller E Michael Wittenbor. Drama. 162 minutos.

Levando a vida com com bom humor, o extrovertido Winfried é, por isso, um senhor que sofre com o afastamento de sua filha Inês, sisuda e extremamente dedicada ao trabalho e que mora em Budapeste. A fim de reparar a situação, decide visita-la e a iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos, o que o faz retornar para casa. Tempos depois, ele ressurge na vida de Ines agora sob o alter-ego de Toni Erdmann, um especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece.

Terceiro longa da Alemã Karen Ade, ganhadora de 17 prêmios internacionais e conhecida no Brasil pelo drama Todos os Outros (2009). A mais celebrada realização europeia deste ano, conquistou 9 prêmios e outras 10 nomeações, é o favorito para levar o Spirit.

Conheça o trailer de Toni Edermann.

SOB A SOMBRA
Under the Shadow, Reino Unido, Jordânia, Qatar, 2016
Direção: Babak Anvari
Elenco: Narges Rashidi, Avin Manshadi, Bobby Naderi, Ray Haratian e Arash Marandi. Terror. 84 minutos. 16 anos.

Teerã, anos 1980. Durante a guerra Irã-Iraque, mãe e filha tentam sobreviver em meio a explosões de bombas e mísseis. Com o passar do tempo, o conflito é intensificado e mãe se torna obcecada pela ideia de que sua filha está possuída por espíritos malignos chamados Djinn.

Vencedor de 7 prêmios internacionais e outras 8 nomeações, é um dos mais surpreendentes filmes do ano, diz em uníssono a crítica internacional. Exibido com imenso sucesso no Festival de Sundance e na recente Mostra Internacional de SP, marca a estreia do iraquiano Babak Anvari no longa-metragem.

PRÊMIO ROBERT ALTMAN DE MELHOR ELENCO
Moonlight
Melhor Elenco: Mahershala Ali, Patrick Decile, Naomie Harris, Alex Hibbert, André Holland, Jharrel Jerome, Janelle Monáe, Jaden Piner, Trevante Thodes e Ashton Sanders

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A 13ª Emenda (13th, EUA, 2016), de Ava Duvernay
Cameraperson (EUA, 2016), de Kirsten Johnson
I Am Not Your Negro (EUA, 2016), de Raoul Peck
O. J.: Made in America (EUA, 2016), deEzra Edelmann
Sonita, uma Rapper Afegã (Sonita, Alemanha-Suiça-Irã, 2016), de Rokhsareh Ghaemmaghami
Sob o Sol (Under the Sun/V luchakh solnca, República Tcheca-Rússia-Alemanha-Latvia-Coreia do Norte, 2015), de Vitaly Manskly

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
Melhor filme feito com menos de US$ 500 mil
Free In Deed (EUA-Nova Zelândia, 2015), de Jake Muhaffy
Hunter Gatherer (EUA, 2016), de Joshua Locy
Lovesong (2016), de So Yong Kim
Nakom (Ghana-EUA, 2016), de Kelly Daniels Norris e T. W. Pitmann
SPA Night (EUA, 2016), de Andrew Ahn

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
Robert Eggers, A Bruxa
Chris Kelly, Other People
Adam Mansbach, Barry
Stella Meghie, Jean of the Joneses
Craig Shilowich, Christine

MELHOR EDIÇÃO
Matthew Hannam, Swiss Army Man
Jennifer Lame, Manchester à Beira-Mar
Joi McMillon e Nat Sanders, Moonlight
Jake Roberts, A Qualquer Custo
Sebastián Sepúlveda. Jackie

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Ava Berkofsky, Free In Deed
Lol Crawley, The Childhood of a Leader
Zach Kuperstein, The Eyes of My Mother
James Laxton, Moonlight
Robbie Ryan, Docinho Americano

OUTROS FIMES

CERTAS MULHERES
Certain Women, EUA, 2016
Diretor: Kelly Reichardt
Elenco: Michelle Williams, Kristen Stewart , Laura Dern e James Le Gros. Drama.
As vidas de três mulheres se cruzam em uma pequena cidade América, onde cada um vai imperfeitamente abrindo caminho em nome da liberdade feminina. Drama. 107 minutos.

Confira o trailer de Certas Mulheres.

JACKIE
Jackie, EUA, 2016 – 100 minutos
Direção: Pablo Larrain
Elenco: Nathalie Portmann, Peter Sarsgaard e Greta Gerwig.
A vida Jacqueline Kennedy nos dias e meses seguintes ao assassinato do marido, John Fitzgerald Kennedy, em Dallas. A dor da perda, o trauma interno e o lidar com os filhos e a família, a imprensa, e outras atribulações no seio familiar.

Veja o trailer de Jackie.

LOVING
Loving, EUA, 2016 – 123 minutos
Direção: Jeff Nichols
Elenco: Ruth Negga , Joel Edgerton , Will Dalton , Dean Mumford.
Richard e Mildred Loving, um casal interracial, são condenados à prisão na Virgínia em 1958 para se casar.

Conheça o trailer de Loving.

OTHER PEOPLE
Other People, EUA, 2016 –
Direção: Chris Kelly
Elenco: Jesse Plemons, Bradley Whitford e Molly Shannon
Uma escritora, após o término com seu namorado, se muda para Sacramento a fim de ajudar sua mãe que está doente. Vivendo com o seu conservador pai e as irmãs mais novas, David se sente como um estranho no lugar onde cresceu. Ao longo dos dias, quando sua mãe vai piorando de saúde, ele tenta convercer a todos, e até a si mesmo, de que está fazendo tudo certo.

Conheça o trailer de Other People.

THE CHILDHOOD OF A LEADER
The Childhood of a Leader, EUA, 2016
Em 1918, um garoto americano passa a morar na França, já que seu pai foi convidado pelo governo americano a trabalhar na criação do Tratado de Versalhes. O que este jovem descobre é o nascimento de uma ideia assustadora, que se transformaria na ideologia fascista.

Conheça o trailer de The Childhood of a Leader.

THE FITS
The Fits, EUA, 2016
Direção: Anna Rose Holmer
Elenco: Royalty Hightower, Alexis Neblett e Da’Sean Minor

Toni, uma menina de onze aos de idade, que está participando de em uma equipe de dança em Cincinnati, quando um surto misterioso de desmaios atinge a equipe e seu desejo de aceitação é torcido. Drama. 72 minutos.

Confira o trailer de The Fits.

SWISS ARMY MEN
Swiss Army Men, EUA, 2016
Direção: Daniel Kwan e Daniel Scheinert
Elenco: Paul Dano, Daniel Radcliffe, Mary Elizabeth Winstead
Hank (Paul Dano), um homem perdido no deserto, e sem esperanças, encontra um corpo no meio do caminho. Decidido em ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver. Drama social. 97 minutos.

Confira o trailer de Swiss Army Men.

A 13ª EMENDA
The 13th, EUA, 2016 –
Direção: Ava DuVernay
Documentário que discute a décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos – “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado” – e seu terrível impacto na vida dos afro-americanos. Documentário. 100 minutos.

Conheça o trailer de A 13ª Emenda.

Aquarius: vi e gostei – mas não muito

Sônia Braga em AQUARIUS (BRA/FRA, 2016), de Kleber Mendonça Filho: a persistência da memória contra a pressão da grana

Sônia Braga em AQUARIUS (BRA/FRA, 2016), de Kleber Mendonça Filho: a persistência da memória contra a pressão da grana

Noite de quinta-feira, sessão quase vazia. Foi assim que finalmente consegui assistir Aquarius (BRA/FRA, 2016), o já histórico filme dirigido por Kleber Mendonça Filho. As expectativas, claro, eram grandes. Pelo menos desde o corajoso protesto de Kleber e das estrelas do longa durante a sua exibição no Festival em Cannes, semanas após a aprovação do questionável impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. A atitude do diretor de O Som ao Redor (BRA, 2013) despertou não apenas um justificável interesse pelo seu novo trabalho, mas agregou ao seu redor aqueles que não engoliram o processo de ruptura democrática aberto e conduzido por um réu denunciado ao Supremo Tribunal Federal. Some-se a isso declarações infelizes como a do articulista da Veja, Reinaldo Azevedo (“Assim que Aquarius estrear no Brasil é dever das pessoas de bem é boicotá-lo”.) e fica fácil entender como a assistência à segunda película de Kleber Mendonça revestiu-se de um gesto de resistência política. Especialmente porque Aquarius estreou comercialmente logo após a confirmação, pelo Senado, do impedimento da ex-presidenta Dilma.

Leia Mais

BRASIL NO OSCAR-2017 – PEQUENO SEGREDO E AQUARIUS, HISTÓRIA DE PERDEDORES

O Pequeno Segredo, de David Schurmann, é o representante brasileiro na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, em fevereiro do próximo ano.  Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, perdeu a disputa interna, mas pode ganhar um lugar na competição por fora.  Para isso, basta ser indicado pela própria Academia em outras categorias, como já aconteceu com Central do Brasil e Cidade de Deus. Mas, na disputa interna, ambos fracassaram perante o interesse do público. Fica o registro histórico de uma disputa sem vencedor

Julia Lemmertz e Mariana Goulart em PEQUENO SEGREDO (2016), de David Schurmann: representante do Brasil no Oscar-2017

Julia Lemmertz e Mariana Goulart em PEQUENO SEGREDO (2016), de David Schurmann: representante do Brasil no Oscar-2017

Acabou a polemica sobre Aquarius representar o Brasil no Oscar? Sim e não. Sim, porque o representante oficial do cinema brasileiro é O Pequeno Segredo, de David Schurmann. Não, porque nas áreas de comentários da imprensa e nas redes sociais os militantes e admiradores do filme de Kleber Mendonça Filho tratam a decisão como “um novo golpe”. Na verdade, houve uma disputa inócua entre dois perdedores porque nenhum deles vai ganhar prêmio nenhum.

Mesmo com toda a polêmica polêmica, Aquarius, que já saiu de cartaz, foi visto por merrecos 451 mil e 489 espectadores. Quem apostava em mais de 500 mil vai ficar devendo à banca. Boicotado pela crítica de esquerda e com um tema que trata de tristeza e morte, apesar da beleza plástica e da sensibilidade com a Schurmann conduziu a sua obra, só interessou a apenas 36 mil pessoas. Já está se esmiliquindo do circuito exibidor. Byby queridos.

Mas, os acontecimentos envolvendo os 2 filmes viraram história. E ela está aqui, disponível para pesquisa. Bruno Barreto, presidente da Comissão de eleição, anunciou que a escolha se deu por “um filme que dialogasse mais com os critérios da Academia”. Pode ter sido.

Obrigado a todos os que acreditam nesse filme”, agradeceu David Schurmann, via facebook. “Meu profundo respeito a todos os maravilhosos filmes inscritos. Tenham certeza que faremos de tudo e não economizaremos energias para representar nosso país na premiação do Oscar 2017. Obrigado, Obrigado, obrigado!“. Schurmann é formado em Cinema, mas não no Brasil, e sim, na Nova Zelândia, onde dirigiu diversos programas de televisão.

Para registro da história ou pesquisa por parte de quem precisar, eis os acontecimentos que enolveram os 2 perdedores.

Para saber mais sobre David Schurmann, acesse aqui.

A COMISSÃO

• Adriana Scorzelli Rattes, ex-secretária de estado de cultura do Rio de Janeiro;

• Luiz Alberto Rodrigues, sócio-diretor da Panda Filmes;

• George Torquato Firmeza, Diretor do Departamento Cultural do Itamaraty;

• Marcos Petrucelli, paulista e comentarista de cinema da rádio CBN;

• Paulo de Tarso Basto Menelau, da Moviemax Rosa e Silva e Cine Royal, salas exibidoras de filmes de arte em Recife;

• Silvia Maria Sachs Rabello, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Infra-Estrutura de Indústria Cinematográfica e Audiovisual-ABEICA;

• Sylvia Regina Bahiense Naves, assessora técnica em Acessibilidade do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura;

• Carla Camurati, diretora de Carlota Joaquina, Princesa do Brasil;

• Bruno Barreto, diretor de O que É Isso, Companheiro?, representante brasileiro ao Oscar em 1997.

O anuncio da indicação de Pequeno Segredo partiu de Luiz Alberto Rodrigues. “A gente considerou essa hipótese: que filme teria maior potencial para seduzir o júri da Academia a escolher como concorrente a filme de língua estrangeira?“. Por sua vez, questionada porque a Comissão não selecionou o filme de Kleber Mendonça, Silvia Maria Sachs Rabello revelou não ter sido uma decisão unânime: “Não foi uma decisão fácil. Não foi uma decisão unânime. Foi uma decisão pelo consenso“.

Vencedor da refrega com Kleber, o crítico Marcos Petrucelli disse que “Aquarius ganha essa repercussão nos Estados Unidos porque já foi visto, passou no festival de Cannes”. E, expondo o outro lado, complementou afirmando que, “coincidentemente o nosso filme que foi escolhido não foi visto ainda. Mas isso não significa nada (para a Academia). Tem filme que ganhou Oscar e não ganhou Cannes – e vice-versa“. E desviando-se do centro das atenções por sua posição anti-Kleber, definiu que Pequeno Segredo foi escolhido por conta do “perfil” do júri que seleciona os filmes para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro: “são pessoas geralmente mais velhas, então um pouquinho mais conservadoras. A gente tentou encontrar um filme que tem essas características do cinema ‘da cartilha”.

PEQUENO SEGREDO

Adaptação do livro do livro Pequeno Segredo, escrito por Heloise Schurmann, editado pela Harper Collins em 2012, desenvolve uma história que passa por 3 famílias e, interligadas, conta como a família, durante uma de suas viagens, adotou uma criança neozelandesa de 3 anos, Katherine, que, diagnosticada com Aids, teria apenas poucos meses de vida, viveu mais dez anos, tendo falecido em 2006, mas que durante esse tempo modificou por completo a vida de todos.

As filmagens, que duraram 8 semanas, ocorreram em Santa Catarina, Belém e Nova Zelândia. O elenco é composto por Julia Lemmertz, Marcelo Anthony, Maria Flor, a estreante Mariana Goulart (que vive Kat) e o ator neozelandês Errol Shand. A direção é de David Schurmann, que se formou em Cinema na Nova Zelândia, onde trabalhou na direção de programas de televisão e estreou no longa com o documentário O Mundo em Duas Voltas (2006), que conta as aventuras da família pelos mares, e realizou Desaparecidos (2011), obra menor que passou quase despercebida.

Quando essa história aconteceu, já imaginava algo incrível”, disse David em uma entrevista. “Um neozelandês é enviado para a Amazônia para prospectar gás numa vilazinha, e em um mês se apaixona por uma cabocla. Leva-a para conhecer o mundo, vão até a Nova Zelândia. Nossa família chega nessa comunidade da Nova Zelândia, o primeiro veleiro brasileiro a chegar lá. Forma-se uma amizade, um elo tão forte, que, três anos depois, ele pede para que meus pais adotassem sua filha. Foi uma história tão forte quando aconteceu e meus pais decidiram adotar a Kat; era tão incrível que parecia coisa de filme. Na época, comentei com meus pais que queria fazer um filme a respeito. Só que tinha uma questão – e por isso o título do filme –, a Kat, pequena, tinha HIV e nós não queríamos que as pessoas soubessem para que não houvesse preconceito contra ela. Naquela época, começo dos anos 1990, ainda havia bastante preconceito. Respeitei esse segredo da família, tanto que, em O Mundo em Duas Voltas tem toda a história da Kat, mas não tem o HIV”, finaliza.

AQUARIUS: OSCAR E POSSIBILIDADES

O fato de não ser o representante brasileiro ao Oscar não tira as possibilidades de Aquarius concorrer à estatueta da Academia de Hollywood. Elogiado em Cannes, com presença confirmada em vários festivais ainda neste ano, será lançado nos EUA no próximo dia 9 de outubro, o que o habilita a receber indicações pela Academia de Hollywood, que exige, para essa honraria, que estreie comercialmente até 31 de dezembro do ano corrente em Los Angeles e permaneça em cartaz, com o mínimo de 3 sessões diárias, pelo mínimo de uma semana. Agora, para ser indicado, terá de ser trabalhado pela distribuidora estadunidense junto à Academia. Será que o filme tem cacife para isso? Será que interessará à Academia indicar uma película cujos realizadores e integrantes se insurgem contra uma decisão política de um País democrático acompanhada pelo seu Supremo Tribal Federal? Lembrando que o vice presidente dos EUA, Joe Biden, já declarou que considera o processo de afastamento da senhora Dilma Roussef e seu partido político do poder perfeitamente dentro das leis e do sistema legal. O tempo dirá.

Mas, caso isso ocorra, ou seja, o filme ganhe indicações, não será a primeira produção brasileira a recebê-las. Em 2003, Cidade de Deus, de Fernando Meireles representante oficial do País e eliminado antes da festa, no ano seguinte obteve indicações em categorias de primeira linha, como Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem. Aquele foi o ano de Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis. O mesmo aconteceu com Central do Brasil, de Walter Salles.

Anote: em 24 de janeiro a Academia anuncia todos os filmes em competição nas 24 categorias. O Oscar será entregue em 26 de fevereiro de 2017, no Dolby Teather, em Los Angeles.

HISTÓRIA: O BRASIL NO OSCAR

O Brasil ainda não conquistou nenhum Oscar. Não oficialmente. Em 1960, a França indicou e Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, uma coprodução com o Brasil e a Itália, e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi para a França. As 4 indicações ao Oscar da categoria ocorreram como O Pagador de Promessas (960), de Anselmo Duarte ganhador da Palma de Ouro em Cannes (perdeu para Sempre aos Domingos, de Serge Bouguignon); O Quatrilho (1996), de Fábio Barreto (perdeu para o holandês A Excêntrica Família de Antônia, de Marleen Gorris); O Que é Isso, Companheiro? (1998), de Bruno Barreto (perdeu Caráter, de Mike Van Diem, coprodução Bélgica-Holanda), e Central do Brasil (1999), de Walter Salles, perdeu para o horroroso A Vida é Bela, do italiano Roberto Benigni, e Fernanda Montenegro, indicada pela Academia, perdeu para Gwyneth Paltrow.

A História guarda outros registros: em 1945, a canção Rio de Janeiro, de Ary Barroso, concorreu ao Oscar pelo filme Brazil, de Joseph Santley (perdeu para Swinging on a Star, de James Van Heusen e Johnny Burke, do filme O Bom Pastor); Em 1986, por O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, coprodução Brasil-EUA,  concorrendo por indicação da Academia à Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Ator, William Hurt ganhou o Oscar de Melhor Ator; em 2001, o curta Histórias de Futebol, de Paulo Machline, indicado à categoria em live action, perdeu para Quiero ser, de Florian Gallenberg, coprodução de México e Alemanha; em 2004, duas surpresas: Cidade de Deus, desconhecido como representante brasileiro no ano anterior, recebeu 4 indicações da Academia: Melhor Diretor, Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Fotografia (César Charlone) e Montagem/Edição (Daniel Rezende); e A Aventura Perdida de Scrat, de Carlos Saldanha, concorreu a categoria curta, mas apenas como produção estadunidense; em 2011, o documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelo brasileiro João Jardim e a inglesa Lucy Walker, foi registrado pela Academia como produção inglesa; em 2012, a canção Real in Rio, de Sérgio Mendes e Carlos Brown, ganhou indicação pela animação Rio, de Carlos Saldanha, mas perdeu para Man or Muppet, tema de Os Muppets; ano passado, O Sal da Terra (2015), de Wim Wenders e Juliano Salgado, concorreu ao Oscar de Melhor Documentário de longa-metragem; e neste ano, O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, à de Melhor Animação na mesma categoria.

ÚLTIMOS REPRESENTANTES

Os mais recentes eleitos para representar o Brasil no Oscar estão abaixo. Entre eles está o constrangedor e oportunista Lula, Filho do Brasil, de Fábio Barreto.

Cinema, Aspirinas e Urubus (2007), de Marcelo Gomes (2007);
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2008), de Cao Hamburger, que chegou a pré-final;
Última Parada 174 (2008), de Bruno Barreto;
Salve Geral (2010), de Sérgio Rezende;
Lula, o Filho do Brasil (2011), de Fábio Barreto;
Tropa de Elite 2 (2012), de José Padilha;
O Palhaço (2013), de Selton Mello;
O Som ao Redor (2014), de Kléber Mendonça Filho;
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2015), de Daniel Ribeiro;
Que Horas Ela Volta (2016), de Anna Muylaert.

MAIS RECENTES GANHADORES

Confira os mais recentes ganhadores estrangeiros do Oscar da categoria.

A GRANDE BELEZA (Itália, 2014), de Paolo Sorrentino;
IDA (Polônia, 2015), de Pawel Pawlikowski;
O FILHO DE SAUL (Hungria, 2016), de Laszló Nemes.

Posters de 4 filmes estrangeioros que irao competir com PEQUENO SEGREDO

Posters de 4 filmes estrangeioros que irao competir com PEQUENO SEGREDO

CONCORRENTES-2017 JÁ DEFINIDOS

Até o dia 3 de outubro a Academia de Hollywood estará recebendo inscrições de filmes estrangeiros à categoria do Oscar. Cerca de 30 países já indicaram os seus representantes. Conheça alguns.

Alemanha – TONI ERDMANN, de Maren Ade (aplausos em Cannes);
Austrália – TANNA, de (Ganhador do Prêmio do Público em Veneza);
Bélgica – LES ARDENNES, de Robin Pront;
Bósnia Herzegovina – DEATH IN SARAJEVO, de Danis Tanovic (Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Berlim);
Coreia do Sul – THE AGE OF SHADOWS, de Kin Jee Won;
Egito – CLASH, de Mohamad Diab;
Espanha – JULIETA, de Pedro Almodóvar;
Finlândia – THE HAPPIEST DAY IN LIFE OF OLLI MÄKI, de Juho Kuosmanen (ganhador da Mostra Um Certo Olhar, Cannes);
Holanda – TONIO, de Paula Van Dr Oest
Hungria – KILLS ON WHEELS, de
Líbano – VERY BIG SHOT, de
Luxemburgo – VOICES FROM CHERNOBYL, de Pol Cruchten;
Nepal – KALO POTHI, de Bahadur Bham;
República Dominicana – FLOR DE AZUCAR, de Fernando Baez;
Romênia – SIERANEVADA, de Christi Pulu (muito elogiado em Cannes);
Sérvia – TRAIN DRIVER’S DAY, de Milos Radovic;
Venezuela – DE LONGE TE OBSERVO (Desde Alla), de Lorenzo Vigas Castes;

Veja o trailer de Clash, do egípcio Mohamad Diab.

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BRASIL NO OSCAR-2017 – DECISÃO SAI NA SEGUNDA-FEIRA

Neste ano, uma questão política estrou no cinema nacional e promove uma guerra inesperada pela indicação do filme que vai representar o País na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na Academia de Hollywood. Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, é o olho do furacão de uma disputa cinematográfica que se transformou em questão política

Sonia Braga em AQUARIUS (2016), de Kleber Mendonça Filho: sem garantia de representar o Brasil no Oscar-2017

Sonia Braga em AQUARIUS (2016), de Kleber Mendonça Filho: sem garantia de representar o Brasil no Oscar-2017

Ao subir ao palco do Festival de Cannes na Riviera Francesa, em maio passado, Kleber, a atriz Sônia Braga, e outros membros da equipe de Aquarius, levaram cartazes intitulando de “golpe” o impeachment da então presidenta afastada Dilma Roussef. O efeito foi imediato: o filme ganhou a adesão dos militantes e partidários do petismo, que querem vê-lo como representante do cinema brasileiro na Academia. Afinal, se Kleber se manifestou politicamente em Cannes, por que não o fará novamente nos EUA em transmissão para quase duas centenas de países e territórios?

O problema é que, por ter competido a Palma de Ouro no Festival, Aquarius foi colocado como o natural representante brasileiro na festa da Academia. Mas, cerca de 20 outros filmes eram tidos como disputantes à indicação. E de repente, quando a Secretaria do Audiovisual anunciou os integrantes da Comissão Especial de Seleção do Ministério da Cultura/MINC e entre eles fazia constar o crítico paulista Marcus Petrucelli, que criticara duramente a atitude da equipe de Aquárius, em Cannes, taxando-a de “vergonha”, se iniciou uma polêmica para a indicação de Aquárius e a retirada de Petrucelli da Comissão. O ministro da Cultura, Marcelo Callero, que também criticara o ato político em Cannes, não se vergou à pressão e manteve o crítico.

O nome de Petrucelli passou a rejeição pela esquerda do País, pois o crítico mantém uma antiga desavença com o cineasta por questões políticas. Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual e que tambem pernambucano como Kleber, também não acatou as pressões. O crítico, por sua vez, defendeu-se em artigo publicado pelo jornal Folha de São Paulo.

Para saber mais sobre a posição de Marcus Petrucelli, acesse aqui

O cineasta Kleber Mendonça Filho postou uma carta no facebook de Aquárius, acusando o crítico de ter um “comportamento constrangedor”, o que gerou outras reações de Petrucelli e dois outros fatos que atingiram em cheio a Comissão de Seleção.

Para saber mais sobre a carta de Kleber Mendonça Filho, acesse aqui

Os dois outros fatos que colocaram mais lenha na figueira tiveram a participação de cineastas cujos filmes iriam ser inscritos para a competição e a saída dois integrantes da Comissão. Primeiro, Ana Muylaert , Gabriel Mascaro e Aly Muritiba, não inscreveram na Comissão, respectivamente, os seus filmes, Mãe Só Há Uma, Boi Neon e Para a Minha Amada Morta, em protesto contra a manutenção de Petrucelli.

Em segundo, a atriz gaúcha Ingra Liberato e o cineasta Guilherme Fiúza Azenha saíram da Comissão, tendo sido imediatamente substituídos pelos cineastas Carla Camurati e Bruno Barreto. Os demais integrantes são Adriana Scorzelli Rattes; Luiz Alberto Rodrigues; George Torquato Firmeza; Paulo de Tarso Basto Menelau; Silvia Maria Sachs Rabello e Sylvia Regina Bahiense Naves.

Quanto aos filmes em disputa pela indicação não há favoritos para a escolha, mas há sinais de que Pequeno Segredo, de David Schurmann, e Mais Forte que o Mundo – a História de José Aldo, de Afonso Poyart, são seríssimos candidatos à vaga. A novidade é que o filme sobre a família Schurman, que tem um trailer belíssimo e um elenco de primeira grandeza, essa sendo tratado pela produtora e distribuidora Diamond Filmes como o representante do Brasil no Oscar. Os integrantes da Comissão já o assistiram e é o único nacional inédito nos cinemas – a estreia está programada para 10 de novembro. Jose Aldo surpreende pela ótima envergadura técnica e dramática e teve excelente aceitação pela crítica.

Sinceramente, não aposto em Aquarius como o escolhido pela Comissão.  Minha dica: Pequeno Segredo.

16 LONGAS EM DISPUTA

Além de Aquarius, que está em exibição em 93 salas e obteve na primeira semana um público superior a 55 mil pagantes, outros 15 longas-metragens disputam a vaga para representar o Brasil na maior festa do Cinema.

Confira a lista dos inscritos:

A Bruta Flor do Querer, de Andradina Azevedo e Dida Andrade
A Despedida, de Marcelo Galvão
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
Até que a Casa Caia, de Mauro Giuntini
Campo Grande, de Sandra Kogut
Chatô – o Rei do Brasil, de Guilherme Fontes
Mais Forte que o Mundo – a História de José Aldo, de Afonso Poyart
Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil, de José Belisario Cabo
Nise – o Coração da Loucura, de Roberto Berliner
O Começo da Vida, de Estela Renner
O Outro Lado do Paraíso, de André Ristum
O Roubo da Taça, de Caito Ortiz
Pequeno Segredo, de David Schurmann
Uma Loucura de Mulher, de Marcus Ligocki Júnior
Tudo que Aprendemos Juntos, de Sérgio Machado
Vidas Partidas, de Marcos Schetchman

Há ainda o caso de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra, recusado por ter estreado nos cinemas brasileiros em 24 de setembro de 2015, fora do período estabelecido pela Academia de Hollywood, que é de 1° de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016.

A decisão nesta segunda-feira. E você? Qual é a sua aposta? Aquarius será o representante brasileiro no Oscar-2017?

Confira o trailer de O Pequeno Segredo.

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QUE HORAS ELA VOLTA? – OBRA-PRIMA DO CINEMA BRASILEIRO

Com uma singeleza peculiar, Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert, encanta a plateia ao narrar a história de uma empregada doméstica cativante interpretada com maestria pela surpreendente Regina Casé. Filme fecharia uma trilogia perfeita com O Som ao Redor (2013), de Kleber Mendonça Filho, e Casa Grande (2014), de Fellipe Barbosa.

Cena de QUE HORAS ELA VOLTA (2015) de Anna Muylaert

Cena de QUE HORAS ELA VOLTA? (2015), de Anna Muylaert

O longa mostra como muitas vezes os pais delegam para babás o amor, cuidado e atenção que deveriam dar a seus filhos. Além disso, trata-se de um filme absurdamente político, ao mostrar de forma cristalina como os últimos governos passaram a dar oportunidades ao menos favorecidos, causando o furor da alta sociedade que adora bater em panelas quando não costumam sequer ter o trabalho de lavá-las. A diferença de pensamento existente entre Sudeste e Nordeste, que tanto vemos suscitar furor nas redes sociais é exposta na tela grande. Detalhe: tudo isso é mostrado com um humor suave, mas capaz de arrancar gargalhadas.

Val (Regina Casé) é uma pernambucana que deixou o Nordeste para ganhar a vida em São Paulo, trabalhando como babá e doméstica. Dessa forma, ela fica longe de sua filha Jéssica (Camila Márdila), que passa, então, a ser criada pela avó. Em São Paulo, Val se estabiliza como empregada de uma mansão e babá de Fabinho (Michel Joelsas). Treze anos se passam e Jéssica vai à São Paulo prestar vestibular e reencontrar a mãe. Mas isso não acontece de forma pacífica, pois a menina não se comporta do jeito que os patrões de Val esperam.

O roteiro que levou 18 anos para ficar pronto, tem uma consistência incomum, de modo que não parece que estamos diante de um filme. A inspiração para a história narrada com perfeição por Anna Muylaert veio da babá que ela teve, e pelo fato dela não querer contratar uma babá quando teve seu primeiro filho. O filme aparenta ser pessoal, mas é capaz de ter identificação no mais diverso público.

O filme foi selecionado para o Festival de Berlim 2015, onde venceu o prêmio de Melhor Filme da Mostra Panorama. As atrizes Regina Casé e Camila Márdila dividiram o prêmio de Melhor Atriz Mundial do Festival de Sundance 2015. Agora é esperar a indicação de Que Horas Ela Volta? ao Oscar 2016.

Poster de QUE HORAS ELA VOLTA (2015) de Anna Muylaert

Pôster de QUE HORAS ELA VOLTA? (2015), de Anna Muylaert

Titulo: Que Horas Ela Volta?

Estreia: 27/08/2015

Gênero: Comédia, Drama

Duração: 114 min.

Origem: Brasil

Direção: Anna Muylaert

Roteiro: Anna Muylaert

Distribuidor: Pandora Filmes

Classificação: 12 anos

Ano: 2015

 

 

Confira o trailer de Que Horas Ela Volta?:

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