GLOBO DE OURO-2017 – OS INDICADOS E BRASIL DE FORA

Não tem jeito. O Brasil faz bons filmes, ganham destaque internacional, mas não conseguem ascensão nas importantíssimas premiações do cinema dos EUA. O qual, a bem da verdade, neste ano, deslanchou mais uma vez com o cinema independente, com ótimas surpresas, muitas delas presentes nas indicações às estatuetas do Globo de Ouro. E bota surpresas nisso. Enquanto o musical La La Land – Cantando Estações e o drama racial Moonlight dominam as indicações, há ausências nas principais categorias, de filmes que a imprensa estadunidense estabelece como incompreensíveis, como as de Silêncio, de Martin Scorsese, A Chegada, de Denis Villeneuve, e Sully – o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood (produções de grandes estúdios); e Loving, de Jeff Nichols. Agora é acompanhar os que estão chegando aos cinemas brasileiros

Os indicados a categoria de Melhor Filme em 2016

Os indicados a categoria de Melhor Filme em 2016

O Globo de Ouro é o prêmio da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood. Para uns, é mais importante do que o Oscar da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, que é o prêmio da indústria e nas últimas duas décadas tem se tornado a festa do cinema independente. Nesta 74ª edição não será diferente. A premiação se concentra, em quase 100%, as suas indicações aos filmes produzidos pelos estúdios e médios, aqueles que propduzem com pequenos orçamentos e envergadura de obras de arte.

La La land – cantando Estações, ganhador de prêmios em Veneza e Toronto, além dos da crítica, indicado para melhor musical ou comédia, realizado com estimados US$ 30 milhões, está presente em 7 categorias, entre elas, melhor filme, diretor, roteiro, ator, Ryan Gosling, e atriz, Emma Stone. A história aborda o relacionamento entre um pianista de jazz (Gosling) e uma atriz iniciante (Stone) que têm de lidar com a paixão e equilibrar as dificuldades da luta pela ascensão profissional.

Em seguida, com 6 indicações, surge Moonlight, escrito e dirigido por Barry Jenkins, um drama racial que conquistou 31 prêmios, o British Independent Awards, o Hollywood Film Awards, o National Film Board e os festivais de Toronto, Nova York e de Mar Del Plata, na Argentina. No Globo de Ouro, compete nas categorias de filme dramático, diretor, roteiro e ator (Mahershala Ali) e atriz coadjuvantes (Naomie Harris). No enredo, o despertar da homossexualidade em um jovem negro.

Em 5º lugar aparece o aclamado Manchester à Beira-Mar, que tem pelo menos uma cartada certa: Casey Affleck, vencedor de quase todos os prêmios da categoria de ator, no ano. Outras boas surpresas, as indicações de Viola Davis e Denzel Washington por Fences, obra de estreia de Denzel na direção, que aborda o processo de humanização de um violento chefe de família negro. Aliás, este foi o ano em que o Cinema estadunidense entrou nas telças para retratara discriminação e a violência contra os negros em 3 filmes notáveis: Moonlight, Fences e Loving.

Ryan Gosling e Emma Stone em LA LA LAND 0 CANTANDO ESTAÇÕES (2016)): favorito ao Globo de Ouro

Ryan Gosling e Emma Stone em LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (2016)): favorito ao Globo de Ouro

OS ESNOBADOS DE LÁ

A relação dos indicados trouxe surpresas nas ausências de filmes como Silêncio, a obra religiosa de Martin Scorsese; A Chegada, a celebrada ficção científica de Denis Villeneuve, além de produções elogiadas como Miss Sloane, de John Madden, e The Edge of Seventeen, de Kelly Fremon Craig, entre outros. Mas, o maior perdedor foi mesmo o drama real Sully – o Heróis do Rio Hudson, de Clint Eastwood, cuja atuação brilhante de Tom Hanks era dada como indicação certa. Quanto a Loving, de Jeff Nichols, que conta a história real de um homem branco perseguido na sociedade da década de 30 por se casar com uma mulher negra, foi engolido pela maior exposição de Moonlight.

OS ESNOBADOS DE CÁ

Inicialmente com 3 representantes, o oficial Pequeno Segredo, de David Schurmann, o polêmico Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e o intruso Chatô – o Rei do Brasil, de Guilherme Fontes, nenhum ficou na seleção final para a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que tem como destaque a França com 3 títulos: Divines, de Houda Benyamina, que conta a história de uma jovem negra de um bairro pobre e religioso de Paris que empreende uma subida na vida a qualquer custo; Elle, a polêmica obra que trata da violência sexual contra as mulheres e que tem na atuação de Isabelle Huppert um de seus esteios; e O Apartamento, a coprodução com o Irã dirigida por Asghar Farhady. Surpreende, ainda a presença de Neruda, a decantada obra do chileno Pablo Larrain. O mais aguardado está lá: o alemão Toni Erdman, de Karen Ade, inegavelmente, o favorito.

Nas categorias menores, há justas menções a obras pequenas e ganhadoras de prêmios e elogios da crítica como o australiano Lion – uma Jornada Para Casa (Lion, 2016), de Garth Davis, que deu indicações para os seus atores centrais, o indiano Dev Patel e a australiana Nicole Kidman; o independente Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, 2016), elogiadíssimo drama de guerra com cunho religioso que trouxe Mel Gibson à tona e lhe trouxe uma indicação a Melhor Diretor e a Melhor Ator, Andrew Garfield, o ex-homem-Aranha.

Veja o trailer de Leion – uma Jornada Para Casa.

ESTREIAS NO BRASIL

Confira as datas de estreias dos indicados ao Globo de Ouro:

Já lançados
Cães de Guerra
Deadpool
Florence – quem é esta Mulher?
Kubo e as Cordas Mágicas
Sing – quem Canta Seus Males Espanta

Em Cartaz
A Chegada
Elle
Moana
Neruda
Sully – o Herói do Rio

Em lançamento

24 de dezembro
Capitão Fantástico

29 de dezembro
Animais Noturnos (EUA), de Tom Ford

05 de Janeiro
A Qualquer Custo (EUA), de David Mackenzie
O Apartamento (França/Irã), de Asghar Farhady
12 de Janeiro
Até o Último Homem (EUA), de Mel Gibson
Manchester à Beira-Mar (EUA), de Kenneth Lonnergan

19 de janeiro
La La Land – cantando Estações (EUA), de Damien Chazelle
Estrelas Além do Tempo (EUA), de Theodore Melfi

02 de fevereiro
Miss Sloane
The Edge of Seventeen

09 de fevereiro
Lion – uma Jornada Para Casa

23 de fevereiro
Ouro e Cobiça

02 de Março
Jackie

Confira o trailer de Jackie.

Sem data
20th Century Women
Divines
Fences
Loving
O Lagosta
Rules Don’tApply
Singer Street
Toni Erdman

A ENTREGA

No dia 8 de janeiro, o hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, será o palco para a entrega do Globo de Ouro, edição 74, com apresentação de Jimmy Fallon. Meryl Streep, que já tem 8 prêmios somente nos EUA, receberá o prêmio Cecil B. DeMille, homenagem para aqueles que dedicaram o seu talento para a indústria de Cinema dos EUA.
Confira a lista completos dos indicados : Cinema e Tewlevisão.

CINEMA

Filme – drama
A Qualquer Custo (Hell or High Water, EUA, 2016), de David MacKenzie
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, EUA, 2016), de Mel Gibson
Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion, Austrália, 20156), de Garth Davis
Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea, EUA,  2016), de Kenneth Lonnergan
Moonlight (Moonlight, EUA, 2016), de Barry Jenkins

Veja o trailer de A Qualquer Custo.

Filme – comédia ou musical
20th Century Women (2016), de Mike Mills
Deadpool (2016), de Tim Miller
Florence: quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenklins, 2016), de Stephen Frears
La La Land – Cantando Estações (La La Land, 2016), de Damien Chazelle
Sing Street (2016), de John Carney

Melhor Diretor
Damien Chazelle, La La Land – Cantando Estações
Tom Ford, Animais Noturnos
Mel Gibson, Até o Último Homem
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar

Atriz – drama
Amy Adams, A Chegada
Jessica Chastain, Miss Sloane – Armas na Mesa
Isabelle Huppert, Elle
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie

Veja o trailer de Miss Sloane – Armas na Mesa.

Ator – drama
Casey Affleck, Manchester À Beira-Mar
Joel Edgerton, Loving
Andrew Garfield, Até o Último Homem
Ryan Gosling, La La Land – Cantando Estações
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico
Denzel Washington, Fences

Atriz – comédia ou musical
Annette Bening, 20th Century Women
Lily Collins, Rules Don’t Apply
Hailee Steinfeld, The Edge of Seventeen
Emma Stone, La La Land – cantando Estações
Meryl Streep, Florence: quem é essa mulher?

Ator – comédia e musical
Colin Farrell, O Lagosta
Ryan Gosling, La La Land: Cantando Estações
Hugh Grant, Florence: quem é Essa Mulher?
Jonah Hill, Cães de Guerra
Ryan Reynolds, Deadpool

Atriz coadjuvante
Viola Davis, Fences
Naomie Harris, Moonlight
Nicole Kidman, Lion – Uma Jornada Para Casa
Octavia Spencer, Hidden Figures
Michelle Williams, Manchester à Beira-Mar

Veja o trailer de Estrelas Além do Tempo.

Ator coadjuvante
Mahershala Ali, Moonlight
Jeff Bridges, A Qualquer Custo
Simon Helberg, Florence: quem é Essa Mulher?
Dev Patel, Lion: Uma Jornada Para Casa
Aaron Taylor-Johnson, Animais Noturnos

Filme estrangeiro
Divines (França), de Uda Bediamina
Elle (França), de Paul Verhoeven
Neruda (França), de Pablo Larrain
O Apartamento (Irâ/França), de Asghar Farhady
Toni Erdmann (Alemanha), de Maren Ade

Animação
Kubo e as Cordas Mágicas (EUA, 2016), de Travis Knight
Moana – um Mar de Aventuras (EUA, 2016), de John Musker e Ron Clements
Ma Vie de Courgette (França, 2016), de Claude Barras
Sing – quem Canta os Seus Males Espanta (EUA, 2016), de Garth Jennings e Christophe Lourdelet
Zootopia (EUA, 2016), de Byron Howard e Rish Moore

Roteiro
Damien Chazelle, La La Land – Cantando Estações
Tom Ford, Animais Noturnos
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonnergan, Manchester à Beira-Mar
Taylor Sheridan, A Qualquer Custo

Canção Original
“Can’t Stop This Feeling”, Trolls
“City of Stars”, La La Land
“Faith”, Sing – quem canta os seus Males Espanta
“Gold”, Ouro e Cobiça
“How Far I’ll Go”, Moana

Conheça o trailer de Ouro e Cobiça.

Trilha original
Hans Zimmer, Pharrell Williams, Benjamin Wallfisch, Estrelas Além do Tempo
Nicholas Britell, Moonlight
Justin Hurwitz, La La Land – Cantando Estações
Johann Johannsson, A Chegada
Dustin O’Halloran, Hauschka, Lion – uma Jornada Para Casa

CATEGORIAS DE TELEVISÃO

Série de drama
Stranger Things
The Crown
Game of Thrones
Westworld
This Is Us

Série de comédia ou musical
Atlanta
Blackish
Mozart in the Jungle
Transparent
Veep

Minissérie ou filme feito para a TV
American Crime
The Dresser
The Night Manager
The Night Of
People v. O J: Simpson: the american crime story

Ator em série dramática
Rami Malek, Mr. Robot
Bob Odenkirk, Better Call Saul
Matthew Rhys, The Americans
Liev Schreiber, Ray Donovan
Billy Bob Thornton, Goliat

Veja o trailer de Mr. Robot.

Melhor ator em comédia
Anthony Anderson, Black-ish”
Gael Garcia Bernal, Mozart in the Jungle
Donald Glover, Atlanta
Nick Nolte, Graves
Jeffrey Tambor, Transparent

Atriz de série dramática
Caitriona Balfe, Outlander
Claire Foy, The Crown
Kerry Russell, The Americans
Winona Ryder, Stranger Things
Evan Rachel Wood, Westworld”

Ator em minissérie ou filme feito para a TV
Riz Ahmed, The Night of
Bryan Cranston, All the Way
Tom Hiddleston, The Night Manager
John Turturro, The Night of
Courtney B. Vance, The People v. O.J. Simpson: American Crime Story

Veja o trailer de The People v. O.J. Simpson: American Crime Story

Atriz em série de comédia ou musical
Rachel Bloom, Crazy Ex-Girlfriend
Julia Louis Dreyfus, Veep
Sarah Jessica Parker, Divorce
Issa Era, Insecure
Gina Rodriguez, Jane the Virgin
Tracee Ellis Ross, Black-ish

Ator em minissérie ou filme feito para a TV
Riz Ahmed, The Night Of
Bryan Cranston, All the Way
John Turturro, The Night Of
Tom Hiddleston, Night Manager
Courtney B. Vance, People v. O.J. Simpson: American Crime Story

Ator em série dramática
Rami Malek, Mr. Robot
Bob Odenkirk, Better Call Saul
Matthew Rhys, The Americans
Liev Schreiber, Ray Donovan
Billy Bob Thornton, Goliath

Atriz em minissérie ou filme feito para a TV
Felicity Huffman, American Crime
Riley Keough, The Girlfriend Experience
Sarah Paulson, People v. O.J. Simpson: American Crime Story
Charlotte Rampling, London Spy
Kerry Washington, Confirmation

Conheça o trailer de London Spy.

Melhor atriz coadjuvante de TV
Olivia Colman, The Night Manager
Lena Headey, Game of Thrones
Chrissy Metz, This Is Us
Mandy Moore, This Is Us
Thandie Newton, Westworld

Melhor ator coadjuvante de TV
Sterling K. Brown, The People v. O.J.: American Crime Story
Hugh Laurie, The Night Manager
John Lithgow, The Crown
Christian Slater, Mr. Robot
John Travolta, The People v. O.J.: American Crime Story

Melhor ator de comédia e musical
Anthony Anderson, Black-ish
Gael Garcia Bernal, Mozart in the Jungle
Donald Glover, Atlanta
Nick Nolte, Graves
Jeffrey Tambor, Transparent

Conheça o trailer de Até o Último Homem.

 

 

SPIRIT-2017 – UMA ANÁLISE DOS INDICADOS

Satellite, Gotham, Spirit formam as mais importantes premiações do cinema independente dos EUA. Enquanto o Gotham já premiou os seus indicados, o Spirit e o Satellite anunciam os seus destaques. Os selecionados pelo Spirit já são conhecidos e aqui faremos uma análise dessas indicações, comparando-as aos nomeados pelo Gotham. Os nomeados pelo Satelllite cvocê já pode conferir através do banner na home. A surpresa do Spirit reside, para nós brasileiros, na lista de candidatos ao prêmio de filme estrangeiro, pois Aquarius, o polêmico trabalho de Kleber Mendonça Filho, está entre os 5 selecionados. Loving, Manchester à Beira-Mar, Moonlight e  Docinho Americano terão, entre outros, um grande embate pelas principais categorias

DOCINHO AMERICANO (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a busca da liberdade da juentude por Andrea Arnold

LOVING (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a juventude a liberdade por Andrea Arnold

A festa do Spirit Awards, originalmente conhecidos como FINDIE (Friends of Independent), reúne os melhores talentos de Hollywood e os mais importantes da cena independente e é realizada desde 1974 pela Film Independent, uma organização sem fins lucrativos dedicada aos filmes e cineastas do cinema produzido pelos estúdios pequenos e médios. A cerimônia. São concedidos prêmios como Melhor Filme, Melhor Primeiro Filme e Mel e Jackieor Filme feito com menos de 500 mil dólares (o Prêmio John Cassavetes), entre outros.

Diferentemente da última edição, quando houve vazamento dos indicados cuja relação apareceu antecipadamente na internet, tudo correu normalmente. Outro fato notável é que, nos últimos 3 anos, o Spirit tem se mostrado o mais certeiro dos termômetros do Oscar, com filmes como Birdman (2014) e Spotlight – Segredos Revelados (2015), ganhadores da estatueta de Melhor Filme nos anos anteriores.

Neste, os preferidos são American Honey, de Andrea Arnold, aqui aqui recebeu o título de Docinho Americano, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 6 indicações, seguido de Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan, com 4, Jackie, do chileno Pablo Larrain, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 3 cada. Manchester à Beira-Mar, Capitão Fantástico e Jackie já têm lançamento confirmados no Brasil. E neste ano o Spirit só não vai antecipar uma lista ampliada de indicados à premiação da Academia porque só pode selecionar produções com orçamento, o “budget”, limitados a até US$ 20 milhões.

Confira o trailer de Capitão Fantástico.

Em função disso, títulos importantes como La La Land – cantando Estações, de Damian Chazelle (custo não fornecido), Animais Noturnos, de Tom Ford (orçamento de 22,5 milhões de dólares), 7 Minutos Depois da Meia-Noite, de Juan Antonio Bayona (US$ 43 milhões), afora outros credenciados que não tiveram os seus custos revelados pelas respectivas produtoras: Pastoral Americana (American Pastoral), a estreia de Ewan McGregor na direção; Senhora Sloane (Miss Sloane), de John Madden, Vincent N Roxxy, de Gary Michael Schultz; Away, de David Blair; Ouro e Cobiça (Gold), de Stephen Gaghan, e Demolition, de Jean Marc-Vallee, entre outros.

Vale destacar outra dezena de filmes independentes e elogiados pela crítica, que sequer foram lembrados. Ei-los: A Família Hollar (The Hollars, US$ 3,8 milhões, de John Krasinsky, Quando te Conheci (Equals, US$ 16 milhões), O Nascimento de uma Nação (A Birth of a Nation, US$ 8,6 milhões), de Nate Parker; The Edge of Seventeen (US$ 9 milhões), de Kelly Fremon Craig; e Bonjour Anne (US$ 5 milhões), de Eleanor Coppola, a senhora Francis Ford Coppola, entre outros.

OS NOMEADOS

A seleção de apenas filmes alguns é injusta, como se pode perceber nos tópicos acima. O cinema estadunidense, digamos Hollywood, produz mais 200 filmes por ano, se contarmos as coproduções com outros países. Essa produção independente já alcançou respeitabilidade e hoje ocupa os grandes circuitos e os de arte dos EUA. E, há pelo menos duas décadas é o destaque nas premiações do Globo de Ouro e do Oscar. A produção independente modificou o mercado estadunidense e está encontrando ressonância em outros países.

BRASIL EM DESTAQUE

Mas, deixando o mercado de lado, considera fundamental que o internauta do cinema e artes tenha mais informações dos concorrentes aos prêmios Gotham e Spirit, lembrando que o Brasil está expressivamente privilegiado nas indicações ao Spirit. Como assim? Aquarius compete entre os finalistas a melhor filme em língua estrangeira; o roteirista Mauricio Zacharias está lembrado com o filme Melhores Amigos; além do produtor Rodrigo Teixeira, que tem o seu A Bruxa (The Witch), indicado em duas categorias.

Confira os indicados em cada categoria e, em seguida, mais informações sobre os mais importantes, informando que a cerimônia de entrega dos Spirit Awards-2017 será transmitida, ao vivo pelo A&E Mundo, com tradução simultânea em Espanhol e Português. O evento será realizado, como em todos os anos, em uma tenda na praia, em frente ao famoso caís de Santa Mônica, em Los Angeles, Califórnia.

Data da Premiação – 25 de fevereiro, véspera do Oscar.

OS INDICADOS

MELHOR FILME

A seleção do cinema independente traz polêmicas e revelações.

DOCINHO DA AMÉRICA
American Honey, EUA, 2016
Direção: Andrea Arnold
Elenco: Shia LeBeouf, Sasha Lane e Riley Keough. Drama. 142 minutos.

Uma adolescente de espírito livre foge de casa, integra-se a uma equipe de vendas itinerante que percorre o centro-oeste e mergulha em um turbilhão de eventos em festas, drogas, sexo e crimes.

Primeiro trabalho em Hollywood da consagrada cineasta inglesa Andrea Arnold, de Marcas da Vida (2006), À Deriva (209) e O Morro dos Ventos Uivantes (2011). Vaiado após a exibição em Cannes, onde ganhou a fama de “o pior do festival”, o crítico Rodrigo Fosenca, “é no mínimo espantoso que uma produção tão rasa, de 2h42m de puro tédio, com roteiro rocambolesco e vazio, com esboços de personagens e rascunhos de atuações, possa ter alcançado tamanho prestígio”. Mas, lá mesmo em Cannes, levou o Prêmio do Júri e a Menção Especial do Júri, e no Festival de Estocolmo-2016, recebeu o Prêmio Fipresci, da crítica internacional. Jacobs Matthew, do Huffington Post, o classifica como “mais mais do que um filme sobre jovens desajustados e sem esperança”.

Veja o trailer de American Honey, legendado em espanhol.

CHRONIC
Chronic, EUA, 2016
Direção: Michel Franco
Elenco: Tim Roth e Bitsie Tulloch. Drama. 93 minutos.

David, enfermeiro que fornece assistência em domicílio a pacientes em fase termina, vai além do que seu emprego exige, tornando-se um grande companheiro nos momentos mais difíceis das vidas dessas pessoas. Por outro lado, é um solitário que tenta, à sua maneira, restabelecer contato com Nádia, a sua filha.

Michel Franco, 36, é conhecido no Brasil pelo drama Depois de Lúcia (2012). Premiado nos Festivais de New Hamphire e Cartagena como Melhor Filme; e no Festival de Cannes-2016 com o Melhor Roteiro, Chronic foi, segundo o seu diretor, inspirado pela situação vivida pela sua avó que, doente, ficou vários meses preso à cama de falecer. “Isto me levou a pensar como é a vida de uma pessoa que trabalha nesta área. É o resultado do sentimento que tive por uma enfermeira, Beatriz, que cuidou da minha avó e compareceu ao enterro para ver os familiares. Perguntei há quanto tempo estava neste trabalho e ela respondeu 20 anos. Decidi fazer um filme sobre o tema“. “Chronic consegue evitar o excesso de drama e sentimentalismo ao abordar com sutileza situações complicadas, como por exemplo a passagem de tempo particular de pessoas que não esperam mais nada, em um clima de tédio infinito”, avalia o France Press, um dos principais veículos da imprensa da Europa.

Confira o trailer de Chronic.

JACKIE
EUA/Chile, 2016
Direção: Pablo Larrain
Com Nathalie Portman, Peter Skarsgaard e Greta Gerwig. Drama. 100 minutos.

Dallas, Texas, 22 de novembro de 1963. O presidente John Fitzgerald Kennedy, enquanto participa de uma carreata, é alvejado por um atirador, deixando a primeira-dama, Jacqueline Kennedy, em desespero, e a nação perplexa. Para ela, é o início de dias de aflição, angústias e decisões que ficaram distantes do público e que agora são reveladas.

Baseado em argumento de Noah Oppenheimer, o roteirista da séries Maze Runner: Correr ou Morrer e Divergente: Convergente (2016), seria dirigido por Darren Arenovsky e teria a sua mulher, Raquel Weisz, como Jaqueline, mas ele desistiu, ficando apenas como produtor. Com isso, ele passou a direção para o chileno Pablo Larrain, que faz a sua estreia em Hollywood, e o papel de Jacqueline foi para Nathalie Portman, com quem Darren já tinha trabalhado em Cisne Negro (2010).

Confira o trailer de Jackie.

MANCHESTER À BEIRA-MAR
Manchester by he Sea, EUA, 2016
Direção: Kenneth Lonnergan
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Matthew Broderick, Gretchen Mol, Tate Donovan e Kara Hayward. Drama. 135 minutos. 12 anos.

North Shore, Massachussets, EUA. Após a súbita morte de Joe, seu irmão mais novo, Lee Chandler retorna à sua natal aldeia de pescadores. Obrigado a ficar ali porque o irmão o designou como único tutor de seu filho, Patrick, de 16 anos. Lidar com a morte do irmão, educar o sobrinho e enfrentar os tormentos que o levaram a se separar da mulher, Randi, e encarar a comunidade, o fazem reviver, ainda, trágicas memórias.

Terceiro longa de Kenneth Lonnergan, 54, vencedor do Hollywood Film Awards-2016 de Roteirista do Ano e que recebeu do Gotham o prêmio de Melhor Ator, paraCasey. Realizador de Conta Comigo (2000) e Margareth (2011), Lonnergan herdou o enredo escrito pelo ator Matt Damon – e seria a sua estreia como diretor. Orçado em US$ 8 milhões e alvo de disputa, em Sundance por vários estúdios, ficou com a Sony por US$10 milhões.

MOONLIGHT
Moonlight, EUA, 2016
Direção: Barry Jenkins
Elenco: Ashton Sanders, Trevante Rhodes Naomie Harris, Andre Holland, Jharrel Jerome, Mahershala Ali, Janelle Monae e. Drama racial.

As três fases da existência de Chiron, da infância e a adolescência até a vida adulta, em todas lidando com duas questões básicas: ser negro e gay. Envolvendo-o, a busca pela sobrevivência num dos bairros barra-pesada de Mimai e a luta desesperada para encontrar o seu lugar no mundo.

Produzida pelo estúdio Plan B, de Brad Pitt, é o segundo trabalho do diretor Barry Jenkins, 36. Vencedor do Gotham de Melhor Filme, Roteiro e do Prêmio Especial do Júri, é o grande favorito para levar os demais prêmios do cinema independente, e que, sem dúvida, estará entre os apontados às principais categorias do Globo de Ouro e do Oscar.

MELHOR DIRETOR
Andrea Arnold, Docinho Americano
Pablo Larraín, Jackie
Jeff Nichols, Loving
Kelly Reichardt, Certas Mulheres
Barry Jenkins, Moonlight

MELHOR ATRIZ
Annette Bening, 20th Century Women
Isabelle Huppert, Elle
Sasha Lane, Docinho Americano
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie

MELHOR ATOR
Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
David Harewood, Free In Deed
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico
Jesse Plemons, Other People
Tim Roth, Chronic

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Edwina Findley, Free In Deed
Paulina Garcia, Melhores Amigos (Best Friends)
Lily Gladstone, Certas Mulheres
Riley Keough, Docinho Americano
Molly Shannon, Other People

Veja o trailer do neo-zelandês Free in Deed.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ralph Fiennes, A Bigger Splash
Ben Foster, A Qualquer Custo (Hell or High Water)
Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
Shia LaBeouf, Docinho Americano
Craig Robinson, Morris from America

MELHOR ROTEIRO
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
Mike Mills, 20th Century Women
Ira Sachs & Mauricio Zacharias, Melhores Amigos
Taylor Sheridan, A Qualquer Custo

MELHOR PRIMEIRO FILME
The Childhood of a Leader, de Brad Corbett (5 premios)
The Fits, de Anne Rose Holmer (ganhador de 8 prêmios)
Other People, de Chris Kelly
Swiss Army Man, de Dan Kwan e Daniel Scheinert (5 premios)
A Bruxa, de Robertr Eggers (7 prêmios)

Conheça o trailer de 20th Century Women.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Todos os indicados merecem considerações. Confira-as.

AQUARIUS
BRASIL, 2016
Direção: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Sonia Braga, Jeff Rosick, Irandhir Santos e Maeve Jinkings. Drama social. 140 minutos. 16 anos. Vitrine Filmes.

Recife, tempos atuais. Clara, 65 anos, jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos, mora em um apartamento localizado na Avenida Boa Viagem, onde criou os filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

Terceiro longa-metragem do pernambucano Kléber Mendonça Filho, de Crí-tico (2008) e O Som ao Redor (2012), disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016, ganhou elogios da crítica internacional e uma polêmica pela manifestação política da equipe denunciando “um golpe político” com a destituição, pelo Congresso e STJ, da então presidenta Dilma Roussef. Se por um lado atendeu aos anseios da esquerda, ensejou o repúdio da direita do País. E acabou, com isso, perdendo a chance de representar o Brasil no Oscar-2017 de Filme Estrangeiro ao ser defenestrado pela Comissão de Seleção do Ministério da Cultura.

CHEVALIER
Chevalier, Grécia, 2015
Direção: Athina Rachel Tsangari
Elenco: Panos Koronis, Vangelis Mourikis e Makis Papadimitriou. Comédia. 105 minutos.

Grécia. Durante o inverno, 6 amigos voltam de uma viagem de pesca e barco tem um problema mecânico no iate e eles à deriva no mar Egeu. Para passar o tempo, eles desenvolvem um jogo divertido e altamente competitivo chamado Chevalier. Durante este jogo, as coisas serão comparadas. As coisas serão medidas. Músicas vão ser massacradas, e sangue será testado. Amigos se tornará rivais e rivais se tornarão agressivos. Nenhum deles tem a intenção de sair do iate sem ser coroado o vencedor.

Lançado no Festival de Toronto-2015, é o terceiro trabalho da cineasta grega Athina Rachel Tsangari, ganhadora de 12 prêmios e mais 12 nomeações. Ganhador do prêmio de Melhor Filme do Festival de Londres-2016 por ser “uma comédia hilariante e uma declaração profundamente perturbador sobre a condição da humanidade ocidental”, é o representante grego ao Oscar-2017 de Filme Estrangeiro. Obteve receptividade positiva na Alemanha, o site Rotten Tomatoes dá-lhe 82% de críticas positivas e o MetaCritic 74%.

Conheçam o trailer de Chevalier.

TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE
Trois Souvenirs de ma Jeunesse, França, 2015
Direção: Arnaud Desplechin
Elenco: Dinara Drukarova, Lou Roy-Lecollinet, Mathieu Amalric e Olivier Rabourdin
Drama. 123 minutos. Mares Filmes
Estreia: 26/11/2015

Paul Dédalus, um antropologista, prepara-se para deixar Paris e ir morar no Tajiquistão. Enquanto se organiza para a viagem, passa a recordar as vivências na infância, na juventude e, em especial, o romance fervoroso com Esther.

Drama romântico, conquistou o César de Melhor Diretor-2015 e prêmios nos festivais de Cannes, Chicago, Cinephile Society Awards e o Lumière Awards, é o 9º longa do francês Arnaud Desplechin, 56, realizador de Reis e Rainha (2004) e Um Conto de Natal (2008). Já lançado no Brasil no ano passado, é uma “prequela” de Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual), de 1996.

Veja o trailer de 3 Lembranças de Minha Juventude.

TONI ERDMANN
Toni Edermann, Alemanha-Áustria-Romênia, 2016
Direção: Karen Ade
Elenco: Elenco: Peter Simonischek, Sandra Hüller E Michael Wittenbor. Drama. 162 minutos.

Levando a vida com com bom humor, o extrovertido Winfried é, por isso, um senhor que sofre com o afastamento de sua filha Inês, sisuda e extremamente dedicada ao trabalho e que mora em Budapeste. A fim de reparar a situação, decide visita-la e a iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos, o que o faz retornar para casa. Tempos depois, ele ressurge na vida de Ines agora sob o alter-ego de Toni Erdmann, um especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece.

Terceiro longa da Alemã Karen Ade, ganhadora de 17 prêmios internacionais e conhecida no Brasil pelo drama Todos os Outros (2009). A mais celebrada realização europeia deste ano, conquistou 9 prêmios e outras 10 nomeações, é o favorito para levar o Spirit.

Conheça o trailer de Toni Edermann.

SOB A SOMBRA
Under the Shadow, Reino Unido, Jordânia, Qatar, 2016
Direção: Babak Anvari
Elenco: Narges Rashidi, Avin Manshadi, Bobby Naderi, Ray Haratian e Arash Marandi. Terror. 84 minutos. 16 anos.

Teerã, anos 1980. Durante a guerra Irã-Iraque, mãe e filha tentam sobreviver em meio a explosões de bombas e mísseis. Com o passar do tempo, o conflito é intensificado e mãe se torna obcecada pela ideia de que sua filha está possuída por espíritos malignos chamados Djinn.

Vencedor de 7 prêmios internacionais e outras 8 nomeações, é um dos mais surpreendentes filmes do ano, diz em uníssono a crítica internacional. Exibido com imenso sucesso no Festival de Sundance e na recente Mostra Internacional de SP, marca a estreia do iraquiano Babak Anvari no longa-metragem.

PRÊMIO ROBERT ALTMAN DE MELHOR ELENCO
Moonlight
Melhor Elenco: Mahershala Ali, Patrick Decile, Naomie Harris, Alex Hibbert, André Holland, Jharrel Jerome, Janelle Monáe, Jaden Piner, Trevante Thodes e Ashton Sanders

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A 13ª Emenda (13th, EUA, 2016), de Ava Duvernay
Cameraperson (EUA, 2016), de Kirsten Johnson
I Am Not Your Negro (EUA, 2016), de Raoul Peck
O. J.: Made in America (EUA, 2016), deEzra Edelmann
Sonita, uma Rapper Afegã (Sonita, Alemanha-Suiça-Irã, 2016), de Rokhsareh Ghaemmaghami
Sob o Sol (Under the Sun/V luchakh solnca, República Tcheca-Rússia-Alemanha-Latvia-Coreia do Norte, 2015), de Vitaly Manskly

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
Melhor filme feito com menos de US$ 500 mil
Free In Deed (EUA-Nova Zelândia, 2015), de Jake Muhaffy
Hunter Gatherer (EUA, 2016), de Joshua Locy
Lovesong (2016), de So Yong Kim
Nakom (Ghana-EUA, 2016), de Kelly Daniels Norris e T. W. Pitmann
SPA Night (EUA, 2016), de Andrew Ahn

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
Robert Eggers, A Bruxa
Chris Kelly, Other People
Adam Mansbach, Barry
Stella Meghie, Jean of the Joneses
Craig Shilowich, Christine

MELHOR EDIÇÃO
Matthew Hannam, Swiss Army Man
Jennifer Lame, Manchester à Beira-Mar
Joi McMillon e Nat Sanders, Moonlight
Jake Roberts, A Qualquer Custo
Sebastián Sepúlveda. Jackie

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Ava Berkofsky, Free In Deed
Lol Crawley, The Childhood of a Leader
Zach Kuperstein, The Eyes of My Mother
James Laxton, Moonlight
Robbie Ryan, Docinho Americano

OUTROS FIMES

CERTAS MULHERES
Certain Women, EUA, 2016
Diretor: Kelly Reichardt
Elenco: Michelle Williams, Kristen Stewart , Laura Dern e James Le Gros. Drama.
As vidas de três mulheres se cruzam em uma pequena cidade América, onde cada um vai imperfeitamente abrindo caminho em nome da liberdade feminina. Drama. 107 minutos.

Confira o trailer de Certas Mulheres.

JACKIE
Jackie, EUA, 2016 – 100 minutos
Direção: Pablo Larrain
Elenco: Nathalie Portmann, Peter Sarsgaard e Greta Gerwig.
A vida Jacqueline Kennedy nos dias e meses seguintes ao assassinato do marido, John Fitzgerald Kennedy, em Dallas. A dor da perda, o trauma interno e o lidar com os filhos e a família, a imprensa, e outras atribulações no seio familiar.

Veja o trailer de Jackie.

LOVING
Loving, EUA, 2016 – 123 minutos
Direção: Jeff Nichols
Elenco: Ruth Negga , Joel Edgerton , Will Dalton , Dean Mumford.
Richard e Mildred Loving, um casal interracial, são condenados à prisão na Virgínia em 1958 para se casar.

Conheça o trailer de Loving.

OTHER PEOPLE
Other People, EUA, 2016 –
Direção: Chris Kelly
Elenco: Jesse Plemons, Bradley Whitford e Molly Shannon
Uma escritora, após o término com seu namorado, se muda para Sacramento a fim de ajudar sua mãe que está doente. Vivendo com o seu conservador pai e as irmãs mais novas, David se sente como um estranho no lugar onde cresceu. Ao longo dos dias, quando sua mãe vai piorando de saúde, ele tenta convercer a todos, e até a si mesmo, de que está fazendo tudo certo.

Conheça o trailer de Other People.

THE CHILDHOOD OF A LEADER
The Childhood of a Leader, EUA, 2016
Em 1918, um garoto americano passa a morar na França, já que seu pai foi convidado pelo governo americano a trabalhar na criação do Tratado de Versalhes. O que este jovem descobre é o nascimento de uma ideia assustadora, que se transformaria na ideologia fascista.

Conheça o trailer de The Childhood of a Leader.

THE FITS
The Fits, EUA, 2016
Direção: Anna Rose Holmer
Elenco: Royalty Hightower, Alexis Neblett e Da’Sean Minor

Toni, uma menina de onze aos de idade, que está participando de em uma equipe de dança em Cincinnati, quando um surto misterioso de desmaios atinge a equipe e seu desejo de aceitação é torcido. Drama. 72 minutos.

Confira o trailer de The Fits.

SWISS ARMY MEN
Swiss Army Men, EUA, 2016
Direção: Daniel Kwan e Daniel Scheinert
Elenco: Paul Dano, Daniel Radcliffe, Mary Elizabeth Winstead
Hank (Paul Dano), um homem perdido no deserto, e sem esperanças, encontra um corpo no meio do caminho. Decidido em ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver. Drama social. 97 minutos.

Confira o trailer de Swiss Army Men.

A 13ª EMENDA
The 13th, EUA, 2016 –
Direção: Ava DuVernay
Documentário que discute a décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos – “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado” – e seu terrível impacto na vida dos afro-americanos. Documentário. 100 minutos.

Conheça o trailer de A 13ª Emenda.

21º SATÉLITE DE OURO – INDICADOS ENTRE NOVIDADES E SURPRESAS

Neste ano, o IPA, International Press Academy, formado por jornalistas internacionais da área de Cinema, claro, anunciou muitas novidades e, também, algumas surpresas, quanto aos indicados ao 21º Golden Satellite Awards. Perceba como as coproduções estão fazendo efeito e cada vez mais promovendo a liberdade de temas pelo efeito da globalização, a unificação do planeta em suas diferenças. Esse processo está em risco caso o governo de Donald Trump cumpra a sua promessa de fechar o País à comunidade internacional. Tema para análise, em 2017, mas, por enquanto confiram a lista de indicações e os traillers. O Satelllite será entregue em 19 de fevereiro

LION - UMA JORNADA PARA CASA (Lion, Austrália, 2016), de Garth Davis

LION – UMA JORNADA PARA CASA (Lion, Austrália, 2016), de Garth Davis

Vamos ser sucintos, pois ainda há muitas indicações a serem anunciadas de outras premiações, assim também como as listas dos melhores da crítica estadunidense, europeia e brasileira. Para falar das surpresas, as ausências de filmes como A Chegada (The Arrival, 2016), de Dennis Villeneve, e Silêncio (Silence, 2016), a obra de caráter religioso de Martin Scorsese. As surpresas começam o número recorde de indicados à Melhor Filme: 12 títulos. Há ainda as presenças de Fences (Fences, 2016), estreia de Denzel Washington na direção; o emocionante road movie Lion – uma Jornada Para Casa (Lion, EUA-Austrália-Reino Unido, 2016),  assinada por Garth Davis; o novo trabalho de Mel Gibson, Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, 2016), um drama que oscila entre a religiosidade e a violência; além do drama feminista Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016)de Theodore Melfi; e o eletrizante e reflexivo thriller policial À Qualquer Custo (Hell or High Water, 2016), de David MacKenzie, entre outros.

Nas categorias de interpretação, para ator, novamente Casey Affleck, com Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea, 2016) posta-se à frente de concorrentes como Joseph Gordon-Levitt, o Snowden; Andrew Garfield, o Sully, o Herói do Rio Hudson (Sully, 2016); Viggo Mortensen, o chefe da família diferente, o Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 20156)e Joel Edgerton, o homem que desposa corajosamente uma negra no lindíssimo Loving. No time das atrizes indicadas, a parada será mais difícil. Annette Bening, uma das 20th Century Women, Emma Stone, a apaixonada em La La Land – Cantando Estações; Nathalie Portman, a Jackie (2016); Isabelle Huppert, em atuação indescritível em Elle (Elle, 2016),  e Amy Adams, por Animais Noturnos (Nocturnal Animals, 2016), mas poderia ter sido por A Chegada.

Veja o trailer de Loving.

Observe bem os indicados para Melhor Filme Estrangeiro. Pela primeira vez aparece o eletrizante A Criada (Ah-ga-ssi/The Handmaiden, 2016), o novo e celebradíssimo Chan Wook Park, competindo com o grande favorito, o alemão Toni Ederman (2016), de Maren Ade, o recordista do ano em premiações. Mas, figura, também, o drama O Apartamento (Forushande, 2016), do iraniano Asghar Farhadi, e o francês Elle, do holandês Paul Verhoeven. Faça as suas apostas.

Há homenagens, também: Edward James Olmos vai apresentar o prêmio Mary Pickford, e o prêmio Tesla para John Toll, o fotógrafo de Coração Valente.
Confira todos os concorrentes.

MELHOR FILME
La La Land – cantando Estações (La La Land, EUA, 2016), de Damian Chazelle
Moonlight (EUA, 2016), de Barry Jenkins
Manchester À Beira-Mar (Manchester by the Sea, 2016), de Kenneth Lonnergan
Lion – uma Jornada Para Casa (Lion, Austrália), de Garth Davis
Jackie (EUA, 2016), de Pablo Larrain
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, EUA, 2016), de Mel Gibson
Loving (EUA, 2016), de Jeff Nichols
À Qualquer Custo (Hell or High Water), de David MacKenzie
Animais Noturnos (Nocturnal Animals), de Tom Ford
Capitão Fantástico (Captain Fantastic), de Matt Ross
Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), de Theodore Melfi
Fences (EUA, 2016), de Denzel Washington

MELHOR DIRETOR
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
Mel Gibson, Até o Último Homem
Damien Chazelle, La La Land
Tom Ford, Animais Noturnos
Pablo Larrain, Jackie
Denzel Washington, Fences

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Barry Jenkins, Moonlight
Damian Chavelle, La La Land
Kenneth Lonnergan, Manchester à Beira-Mar
Taylor Sheridan, À Qualquer Custo
Matt Ross, Capitão Fantástico
Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou, The Lobster

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Robert Schenkkan e Andrew Knight, Até o Ultimo Homem, do romance “Hero at Hacksaw Ridge”, de Booton Herndon
Luke Davis, por Lion – uma Jornada de Esperança, do romance A Long Way Home, de Saroo Brierley
Kieran Fitzgerald e Oliver Stone, Snowden, dos livros de Anatoly Kucherena e Luke Harding
Justin Marks, Mogli o Menino-Lobo, do Rudyard Kipling
Allison Schroeder e Theodore Melfi, Estrelas Além do Tempo, do romance de Margot Lee Shetterly
Todd Komarnicki, Chesley Sullenberger, Sully – o Herói do Rio Hudson, do romance de Jeffrey Zaslow

Veja o trailer de Lion – uma Jornada Para Casa.

MELHOR ATRIZ
Annette Bening, 20th Century Women
Emma Stone, La La Land – cantando Estações
Natalie Portman, Jackie
Ruth Negga, Loving
Taraji P. Henson, Estrelas Além do Tempo
Meryl Streep, Florence
Isabelle Huppert, Elle
Amy Adams, Animais Noturnos

MELHOR ATOR
Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
Ryan Gosling, La La Land
Joseph Gordon-Levitt, Snowden
Viggo Mortensen, Captão Fantastico
Joel Edgerton, Loving
Andrew Garfield, Até o Último Homem
Tom Hanks, Sully, o Herói do Rio Hudson
Denzel Washington, Fences

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Helen Mirren, Eye in the Sky
Michelle Williams, Manchester à Beira-Mar
Nicole Kidman, Lion – uma Jornada Para Casa
Octavia Spencer, Estrelas Além do Tempo
Naomi Harris, Moonlight
Viola Davis, Fences

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jeff Bridges, À Qualquer Custo
Mahershala Ali, Moonlight
Dev Patel, Lion – uma Jornada Para Casa
Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
Eddie Murphy, Mr. Church
Hugh Grant, Florence

Veja o trailer de Fences.

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Gleason (EUA, 2016), de Clay Tweel
Life, Animated (EUA, 2016), de Roger Ross Williams
O. J.: Made in America (EUA, 2016), de Ezra Edelmann
A 13ª Emenda (13th, EUA, 2016), de Spencer Averick e Ava Duvernay
The Ivory Game (Áustria, 2016), de Kief Davidson e Richard Ladkani
The Eagle Huntress (Reino Unido-Mongolia-EUA, 2016), de Otto Bell
Tower (EUA, 2016), de Keith Maitland
Fogo no Mar (Fuocoammare/Fire at Sea, Itália-França), de Gianfranco Rosi
Zero Days (EUA), de Alex Gibney
The Beatles: Eight Days a Week (EUA, 2016), de Ron Howard

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Happiest Day in the Life of Olli Maki (Hymyilevä Mies, Suécia-Finlândia-Alemanha), de Juho Kuosmanen
Toni Erdmann (Alemanha-Áustria-Romênia), de Maren Ade
Julieta (Espanha-Argentina), de Pedro Almodóvar
A Man Called Ove (Em Man som Heter Ove, Suécia), de Hannes Holm
O Apartamento (Forushande/The Salesman, Irã-França), de Asghar Farhadi
The Ardennes (Les Ardennes, Bélgica), de Robbin Pront
Ma’ Rosa (Filipinas), de Brillante Mendoza
A Criada (Ah-ga-ssi/The Handmaiden, 2016), de Chan Wook Park
Elle (França-Alemanha-Bélgica), de Paul Verhoeven
Pan (Ray/Paradise, Rússia-Alemanha), de Andrei Konchalovsky

Conheça o trailer de A Criada.

MELHOR ANIMAÇÃO
Zootopia – essa Cidade é um Bicho, de Byron Howard e Rich Moore
Kubo e as Cordas Mágicas (EUA, 2016), de Travis Knight
Moana – um Mar de Aventuras (EUA, 2016), de Ron Clements e John Hall
Procurando Dory (EUA, 2016), de Andrew Stanton
Ma Vie de Courgette (My Life as a Zucchini, Suiça França), de Claude Barras
Mougli – o Menino Lobo (The Jungle Book, de Jon Favreau
La Tortue Rouge (The Red Turtle, França-Bélgica), de Michael Dudok de Wit
Sarusuberí: Miss Hokusai (Miss Hokusai, Japão, 2015), de Kiichi Hara
Trolls (EUA, 2016), de Mike Mitchell
Kimi No No Va (Your Name, Japão, 2016), de Makoto Shinkai

TRILHA SONORA
Até o Último Homem
La La Land – cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
O Bom Gigante Amigo
Mougli – o Menino-Lobo
Estrelas Além do Tempo

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Audition, de La La Land
City of Stars fromm, de La La Land
Dancing with Your Shadow, de Po
Can’t Stop the Feeling, de Trolls
I’m Still Here, de Miss Sharon Jones
Running, Estrelas Além do Tempo

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
A Longa Caminhada de Billy Lynn
La La Land
Moonlight
Até o Último Homem
The Happiest Day in the Life of Olli Maki
Mougli – o Menino-Lobo

Veja o trailer de A Longa Caminhada de Billy Lynn.

MELHOR EFEITOS VISUAIS
Mougli – o Menino-Lobo
A Longa Caminhada de Billy Lynn
Doutor Estranho
O Bom Gigante Amigo
Sully, o Herói do Rio Hudson
Deadpool

MELHOR MONTAGEM/EDIÇÃO
La La Land
Moonlight
A Longa Caminhada de Billy Lynn
Lion – uma Jornada Para Casa
Até o Último Homem
O Nascimento de uma Nação

MELHOR EDIÇÃO DE SOM E MIXAGEM
La La Land
Billy Lynn’s Long Halftime Walk
Até o ùltimo Homem
Mougli – o Menino-Lobo
Aliados
13 Horas: os Soldados Secretos de Benghazi

Veja o trailer de Até o Último Homem.

MELHOR DESENHO DE PRODUÇÃO E ARTES
La La Land
Até o Último Homem
Jackie
Mogli – o Menino-Lobo
Aliados
Alice no País dos Espelhos

MELHOR FIGURINO
Alice no País dos Espelhos
Amor & Amizade
Capitão Fantástico
Jackie
La La Land
Doutor Estranho

Veja o trailer de Capitão Fantástico.

 

LIVROS INTRÍNSECOS – A ALIANÇA DO CRIME E O SENHOR SHERLOCK HOLMES

A Editora Intrínseca efetua o lançamento de mais duas obras literárias que ganharam adaptações para o Cinema: Aliança do Crime, de Dick Lehr e Gerard O’Neill; e Sr. Holmes, de Mitch Cullin. O primeiro, revela uma estarrecedora história real sobre aliança criminosa entre um agente do FBI e um gangster, por 10 anos refutada pelo governo norte-americano; e o segundo, traz de volta um icônico personagem da literatura inglesa, o detetive Sherlock Holmes, em uma história comovente.  Para ler antes ou depois de vê-los na tela grande

Ian McKellen em SENHOR HOLMES (2015), filme de Bill Condon; e Johnny Deep em ALIANÇA DO CRIME (2015), de Scott Cooper: livros de sucesso

Ian McKellen em SENHOR HOLMES (2015), filme de Bill Condon; e Johnny Deep em ALIANÇA DO CRIME (2015), de Scott Cooper: livros de sucesso

A Intrínseca tem se destacado, pelo lançamento de obras, entre outras primorosas criações literárias, que ganharam adaptações pelos estúdios de Hollywood. E duas dessas transposições conquistaram elogios da crítica especializada e a atenção do grande público. No caso, Aliança do Crime, dos jornalistas investigativos Dick Lehr e Gerard O’Neill, e Sr. Holmes, de Mitch Cullin. O primeiro enfoca um caso de corrupção denunciado  pelos jornalistas. O segundo se apropria do personagem de Sir Arthur Conan Doyle para compor a vida de Sherlock Holmes aos 93 anos e em sua última aventura.

Como faço sempre, vou apenas “acender” a curiosidade dos caros leitores e internautas, para os 2 livros em destaque. Ambos, aliás, são lançados em momento extremamente oportuno. Aliança do Crime nos serve como reflexão sobre a estreita linha que separa o direito do ilegal, como às escondidas os conchavos levam décadas para serem descobertas. Mas, a reverência maior à obra literária, está no trabalho primoroso executado pelos jornalistas, o que nos leva a colocar em pauta uma velha questão: a liberdade de imprensa. A imprensa tem sido o grande instrumento de conhecimento da sociedade sobre o que nela acontece. E é com esse dever de levar ao conhecimento da sociedade os acontecimentos que transgridem essa linha imaginária que torna a imprensa fundamental nos estados democráticos. Esse atual governo petista tentou nos tirar isso, como fizeram seus parceiros ideológicos Kirchner e Maduro. Daí, defender a imprensa e manter-lhe a liberdade de investigação  deve ser mantida a qualquer custo. Já Sr. Holmes trata da velhice de um personagem fictício, um dos mais famosos do mundo, cuja existência e ação sempre estiveram ao lado da Lei. E, finalmente,  esses 2 livros chegam às livrarias quando as suas respectivas transposições para a tela grande, simultaneamente, chegam aos cinemas.

James "Whitey" Bulger em fotos de 1953 e 2011; e John Connolly, em foto de 2002, em Boston

James “Whitey” Bulger em fotos de 1953 e 2011; e John Connolly, em foto de 2002, em Boston

Aliança do Crime

Aliança do Crime é uma impressionante história real de corrupção que não fica devendo a nada aos enredos dos mais mirabolantes roteiristas de Hollywood. A realidade mais poderosa do que a ficção. E lógico, a própria Hollywood tratou de leva-la para a tela em uma elogiada produção dirigida por Scott Cooper e estrelada por um Johnny Deep praticamente irreconhecível, e que traz ainda Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon e Dakota Johnson no elenco. O filme já passou pelas salas comerciais do País.

John Dillinger (1903-34, ladrão de bancos, idolatrado por roubá-los com exclusividade), Alphonse Gabrirl “Al” Capone (1889-47, contrabandista e vendedor de bebidas, considerado o maior gangster da história policial dos EUA), Francis Georges Barnes Jr (1895-54), o Machine Gun Kelly, vendedor de bebidas, o que era proibido na época da Lei Seca); John Gotti (1940-2002), mafioso da família Gambini, executor de sequestros, agiotagem, jogos de azar, extorsão, entre outras atividades). O que esses famosos gangsteres estadunidenses têm a ver com James “Whitey” Bulger? Tudo, além do fato de ter sido o criminoso mais procurado pelo FBI – só perdendo o posto para Osama Bin Laden, que era um procurado no exterior.

Essa história impressionante começa na década de 1970 e só se desfecha em 2011 e não é particular a apenas a Bulger, mas a outro personagem inusitado. Ambos formaram uma aliança do crime, cada um de um ocupando lados opostos da sociedade: a criminalidade e a polícia. Esse outro personagem é John Connolly, um agente do FBI, renomado e admirado por perseguir implacavelmente e destroçar nada menos do que a Máfia Italiana.

Dick Lehr e Gerard O'Neill: investigadores do escandaloso caso de corrupção

Dick Lehr e Gerard O’Neill: investigadores do escandaloso caso de corrupção

Em 1988, uma reportagem dos jornalistas investigativos Dick Lehr e Grard O’Neill, do jornal Boston Globe, desnudou a relação entre Bulger e Connolly, revelando a “aliança” que os unia. Durante dez anos a reportagem foi contestada e desmentida pelo FBI e o governo estadunidense. Fizeram de tudo para desacreditá-la. Afinal, como acusar um homem da lei que desmontara a Máfia italiana e era visto como um herói pela sociedade? Desacreditar a imprensa ficaria mais fácil, desmentir e deixar o tempo passar e a reportagem cair no esquecimento foi a ação governamental.Mas, como a sempre prevalece, 10 anos depois, tudo veio à tona. E com a dimensão de um escândalo inacreditável.

Eis um resumo breve: Bulger, irmão de William, o presidente do Senador Estadual de Massachusetts, aterrorizou a cidade de Boston praticamente sem ser importunado. E quando todos pensavam que ele agia à sombra do irmão, na verdade, seu protetor era outro, John Connolly, o homem da lei. Por qual razão? Bulger era informante de Connolly. Mas, o extraordinário e estarrecedor da história é que, na verdade, fora Bulger que tirara a Cosa Nostra da sociedade para ocupar o seu lugar. Apenas fornecera as informações privilegiadas para que Connolly, através da lei, a eliminasse totalmente em um processo de décadas. Assim, com a Máfia fora de circulação, Bulger assumiu o posto de “Rei do Crime” por quase 3 décadas. Durante esse tempo, cometeu 19 assassinatos, estupros, roubos, extorsões e tráfico de drogas…  Tudo com a conivência do FBI. Esse monumental escândalo, repercute até hoje na imprensa dos EUA.

A Opinião da Crítica

Uma das melhores leituras do ano. Dick Lehr e Gerard O’Neil escrevem como romancistas experientes, emendando uma cena chocante em outra numa tapeçaria com o pior da corrupção nos EUA
The New York Post

ALIANÇA DO CRIME livro

ALIANÇA DO CRIME
Black Mass: Whitey Bulher, the FBI and the Devil’s Deal, 2000
Autor: Dick Lehr e Gerard O’Neill
Editora: Intrínseca, 2015
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Revisão: Milena Vargas
Arte de Capa: Márcia Quintella
Páginas: 424
Preços:
Edição Impressa: R$ 39,90
E-book: R$ 24,90

Para Saber Mais

Para aumentar a sua curiosidade em obter mais informações que reforcem a aquisição do livro, leia:

Artigo de Kathleen Gomes – clique aqui

Para saber sobre Dick e O’Neil – clique aqui

Entrevista com Dick Lehr e Gerard O’Neil – clique aqui

Bem, com todas essas informações, você já pode adquirir Aliança do Crime sem dúvidas ou sustos.  A leitura, prazerosa, surpreende com essa espetacular história real cujo desfecho só ocorreu recentemente, em 2011.

 SENHOR HOLMES

Mitch Cuillin e o seu romance que virou filme: SR. HOLMES (2015)

Mitch Cuillin e o seu romance que virou filme: SR. HOLMES (2015)

Lançado nas livrarias estadunidenses em 2005, Senhor Holmes imediatamente conquistou a crítica e o público. Seu autor, Mitch Cullin, estadunidense, 48, é um dos mais prolíficos do país.  Tideland, uma das de suas criações mais conhecidas, ganhou adaptação para o Cinema em 2005 em uma fracassada produção canadense dirigida por Terry Gilliam. Tomando para si o icônico personagem criado pelo inglês Sir Conan Doyle (1859-1930), Cullin o atualiza em um enredo sagaz e que prende o leitor em uma leitura fascinante, marcada, principalmente pelo detalhismo e a minúcia com as quais enfoca determinadas coisas – documentos antigos, a apicultura, entre outros.

O ano é 1947. Holmes, com 93 anos, mora em uma fazenda em Sussex, condado histórico da Inglaterra, onde passa o tempo como criador de abelhas. Roger, o filho da empregada, ajuda-o. E, para exercitar a memória, passa o tempo relembrando alguns de seus casos mais famosos, entre eles casos de amor, traição, crimes misteriosos, os quais registra em um diário que perpassa um tempo ao longo de 50 anos. E, de repente, depara-se com um manuscrito inacabado, o único o qual não conseguiu solucionar. Incomodado pelo insucesso do caso, decide investigá-lo novamente, tendo como ingredientes uma mulher bonita, um marido raivoso, um jardim misterioso e um crime (assassinato? Suicídio? Sequestro?). Em todo o desenrolar da Holmes está sempre brigando com a sua memória.

Ian McKellen em SR. HOLMES (2005), filme de Bill Condon baseado no romance de Mitch Cullin

Ian McKellen em SR. HOLMES (2005), filme de Bill Condon baseado no romance de Mitch Cullin

O livro oferece uma visão humanística desse grande personagem da literatura universal e foi exatamente essa exposição de um Sherlock Holmes velho, mas ainda sagaz e astuto, brigando com o corpo frágil e uma mente que não lhe repassa todas as memórias que exige, que interessou ao cineasta Bill Condon (de Deuses e Monstros e A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 e Parte 2) para leva-lo ao cinema. O filme, igualmente intitulado Senhor Holmes, recebeu altos elogios da crítica. Esteve para ser lançado no Brasil em outubro passado, mas a Sony o cancelou, não tendo informado se ainda o colocará em cartaz. Provavelmente, não. Então, desfrute do livro.

Opinião da Crítica

Um belo livro sobre Sherlock Holmes. Exatamente como um romance deve ser
THE WASHINGTON POST

Maravilhosamente escrito e comovente
SAN FRANCISCO CHRONICLE

Extraordinário. O eterno herói nunca foi tão heroico. Ou tão humano.breno barreto
THE VILAGE VOICE

Para saber mais sobre Sherlock Holmes, clique aqui

Para saber mais sobre Sir Arthur Conan Doyle, clique aqui

SENHOR HOLMES livro

SR. HOLMES
A Slight Trick of the Mind
, 2005
Autor: Mitch Cullin
Editora: Intrínseca, 2015
Tradução: Alexandre Raposo
Revisão: Breno Barreto
Capa: Júlia Moreira
Páginas: 240
Preço:
Edição Impressa: R$ 39,90
E-book: R$ 24,90

 

 

Confira o trailer de Sr. Holmes.

Imagem de Amostra do You Tube

 

Semana 32 – Missão: Impossível – Nação Secreta

Para o pesadelo dos executivos da Fox, o reboot de Quarteto Fantástico registrou uma abertura vergonhosa no mercado norte-americano, situação que fez com que o novo Missão: Impossível sustentasse o primeiro lugar no ranking das bilheterias. Quanto às outras novidades, o thriller The Gift iniciou com o pé direito a trajetória do estúdio STX Entertainment, ao passo que a dramédia Ricki and the Flash teve um desempenho dentro do esperado

Tom Cruise e Rebecca Ferguson em cena de MISSÃO: IMPOSSÍVEL - NAÇÃO SECRETA

Tom Cruise e Rebecca Ferguson em cena de MISSÃO: IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA

Principal estreia na semana na América do Norte, o reboot de Quarteto Fantástico (Fantastic Four) ficou longe de alcançar o sucesso inicialmente projetado pelos analistas e com isso o caminho ficou livre para que a aventura Missão: Impossível – Nação Secreta liderasse o ranking dos mais rentáveis pela segunda vez consecutiva. Ao todo, o quinto filme do espião Ethan Hunt faturou US$ 29,40 milhões de sexta a domingo, quantia que representa uma perda de apenas 47% em relação à sua abertura. Em dez dias, Nação Secreta acumula uma renda de elogiáveis US$ 108,65 milhões, o que leva os especialistas a acreditarem que a produção deverá chegar a uma arrecadação total de US$ 170 milhões.

Banner internacional de QUARTETO FANTÁSTICO (2015), de Josh Trank

Banner internacional de QUARTETO FANTÁSTICO (2015), de Josh Trank

Em segundo lugar temos Quarteto Fantástico que, após ter sido execrado pela crítica (o índice de aprovação do RottenTomatoes foi de pífios 9%), acabou sendo também rejeitado pelo público, o que culminou com a produção se tornando um fiasco comercial. Presente em 3.995 salas de cinema, Quarteto Fantástico (que por aí já está sendo chamado de Fracasso Fantástico) rendeu somente US$ 26,20 milhões nos seus três primeiros dias em cartaz, resultado que se torna vergonhoso frente às projeções iniciais de arrecadação (que apontavam para US$ 45 milhões) e ao orçamento do longa, estimado em US$ 120 milhões.

E para completar ainda mais o quadro negativo da situação, além de representar uma das piores aberturas de um filme baseado em personagens da Marvel, o faturamento do novo Quarteto equivale a menos da metade do valor obtido durante a estreia dos outros dois filmes protagonizados pela família de heróis, que foram lançados em 2005 (US$ 56,06 milhões) e 2007 (US$ 58,05 milhões). Foi uma combinação de o filme ter sido massacrado pela crítica com a velocidade que o boca-a-boca tem hoje em dia com as mídias sociais. Nós estamos decepcionados, mas não vamos nos esconder da resposta negativa ao filme, disse ao The Wrap o chefe de distribuição da Fox, Chris Aronson. Quarteto Fantástico está em exibição nos cinemas brasileiros.

Banner internacional de THE GIFT (2015), de Joel Edgerton

Banner internacional de THE GIFT (2015), de Joel Edgerton

Estreia na direção do ator Joel Edgerton (Guerreiro) e primeiro filme lançado pelo recém-criado estúdio STX Entertainment, o thriller The Gift apresentou um bom desempenho e conquistou a medalha de bronze com US$ 12 milhões, performance que supera bastante as expectativas de mercado de US$ 8 milhões e já cobre os custos de produção do longa, que somaram US$ 5 milhões. Nós estamos na Lua, declarou animado o chefe de distribuição da STX, Kevin Grayson, ao Hollywood Reporter. Por enquanto, The Gift não possui data de estreia definida no Brasil.

Na esquerda, cena de FÉRIAS FRUSTRADAS e na direita cena de HOMEM-FORMIGA

Na esquerda, cena de FÉRIAS FRUSTRADAS e na direita cena de HOMEM-FORMIGA

Completando a lista dos cinco mais rentáveis estão a comédia Férias Frustradas e a aventura Homem-Formiga, que tiveram quedas na casa dos 30% e arrecadaram respectivamente US$ 9,14 milhões e US$ 7,82 milhões. No total de doze dias, Férias Frustadas soma uma bilheteria de US$ 37,32 milhões, enquanto que Homem-Formiga contabiliza US$ 147,43 milhões em quatro semanas.

Banner internacional de RICKI AND THE FLASH (2015), de Jonathan Demme

Banner internacional de RICKI AND THE FLASH (2015), de Jonathan Demme

Um pouco mais abaixo, na sétima posição, aparece a dramédia Ricki and the Flash: De Volta Pra Casa (Ricki and the Flash) que encerrou seu primeiro final de semana com uma renda de US$ 7 milhões, valor que não chega a ser muito empolgante, mas que ficou dentro das expectativas dos executivos da TriStar, que optaram por lançar o filme em um número mais reduzido de salas (1.603). Estrelado por Meryl Streep (A Dama de Ferro), Ricki and the Flash chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de setembro.

Confira abaixo o ranking completo com as dez maiores bilheterias deste final de semana na América do Norte:

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Assista ao trailer de Quarteto Fantástico:

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CELEBRIDADE – a rebelde GolshiFteh Farahani

Um dia depois de Jennifer Lawrence ter fotos publicadas pela revista estadunidense Vanity Fair e defender o direito sobre o seu corpo, a atriz iraniania Golshifteh Farahani fez o mesmo posando sem roupa para a revista francesa L’egoiste, e igualmente assumindo esse direito. Expulsa de seu país, Farahani coleciona uma série de premiações e pode ser vista em Exodu – deuses e Reis, de Ridley Scott, ainda em cartaz

Golsfiteh Farahani em capa da revista francesa L'egoiste e no facebook: direito ao seu corpo

Golsfiteh Farahani em capa da revista francesa L’egoiste e no facebook: direito ao seu corpo

“Eu quero ser feliz. E no mínimo educada quando você ainda está viva, certo?”. Com essa frase, a atriz decanta o direito sobre a sua existência. E louva a nova terra na qual vive, a França: “Paris é o único lugar do mundo onde as mulheres não se sentem culpadas. No Oriente você é assim o tempo todo assim que você sente os primeiros impulsos sexuais. A França me faz livre”.

Quem é Golshifteh Farahani? Como eu escrevi no início do texto, ela pode ser vista na produção hollywoodiana Exodo – deuses e Reis (Exodus: gods and Kings, 2014), de Ridley Scott, no papel de Nefertari, a mulher de Ramsés II (Joel Edgerton). Ela começou a interpretar aos 9 anos e se tornou famosa ao criar uma carreira profissional a partir de 1998. Mas, a sua história é uma mescla de rebeldia e heroísmo. Primeiro, porque estudou línguas – fala fluentemente o inglês e o francês –, se formou em música – toca piano e canta – e tem até uma banda na França. Rebeldia por ter enfrentado o preconceito e o machismo que controla e tira a liberdade da mulher oriental, mais particularmente no Irã, a sua terra natal, onde passou a sofrer tenaz perseguição não por atuação em Rede de Mentiras (Body of Lies, 2008), também de Scott – onde atua ao lado de Leonardo Di Caprio interpretando uma enfermeira iraniana-jordiana em Amam -, mas sim porque, na sessão de pré-estreia, apareceu sem o véu.

A atitude fez o governo iraniano perseguir a sua família, confiscar o seu passaporte e proibi-la de atuar no País, o que a fez exilar-se na França. Ela se tornou, também, a primeira atriz iraniana a aparecer em um filme de Hollywood desde a revolução de 1979 e passou a trabalhar com o compatriota Asgar Farhadi, em À Procura de Elly (2009) e mais recentemente atuou em Frango com Ameixas (Poulet aux Prunes, 2011), de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi; A Pedra da Paciência (2012), de Atiq Rahimi, Simplesmente uma Mulher (Just Like a Woman, 2013), de Rachid Bouchareb, o inédito My Sweet Paper Land (2013), de Hiner Saleem, e 118 Dias (Rosewater, 2014), de Jon Stewart, que estreia no Brasil no próximo mês.

Golsditeh Farahani em 118 DIAS (2014), de Jon Stewart

Golshifteh Farahani em 118 DIAS (2014), de Jon Stewart

Mas, o problema maior foi ter mostrado um dos seios em um vídeo do Prêmio César, no qual os atores e atrizes concorrentes ao prêmio de revelação tiraram a roupa reivindicando o direito sobre os seus corpos e combatendo a intolerância. A sua participação foi uma surpresa e chocou a sociedade iraniana, principalmente porque o vídeo está no youtube. Tida como uma afronta ao Islã, a sua aparição no vídeo foi do “lamentável” ao “lado negro de um filme repugnante”, indignando a República Islâmica. Isso aconteceu em 2012 e você pode conferir o vídeo, abaixo.

No mesmo ano, em outro comercial com o mesmo objetivo, ela aparece ao lado de uma frase em que clama pelo direito da mulher sobre não apenas o corpo, mas a própria vida. E, pior ainda, dirige-se diretamente a religião islâmica e a nação iraniana. Mais uma vez, o alvo é a tirania sobre a mulher.

“O corpo dela pertence a ela e a ela somente. Não pertence ao Islã ou ao povo iraniano. Ela não é sua propriedade para odiar ou para concordar ou discordar. Ela não é sua escrava. Ela tem uma mente própria e não precisa da aprovação do povo iraniano para viver a sua vida” (tradução de Caio José Pinto Freire)

“O corpo dela pertence a ela e a ela somente. Não pertence ao Islã ou ao povo iraniano. Ela não é sua propriedade para odiar ou para concordar ou discordar. Ela não é sua escrava. Ela tem uma mente própria e não precisa da aprovação do povo iraniano para viver a sua vida” (tradução de Caio José Pinto Freire)

A França está mantendo os seus ideais de liberdade e igualdade. Há um mês o jornal satírico Charlie Hebdo sofreu um atentado no qual 12 pessoas foram mortas por ação da Al Qaeda, que a reivindicou, mas o efeito foi contrário, pois logo em seguida saiu uma edição com novas charges satíricas à intolerância de grupos islâmicos. Ao pousar despida para a L’egoiste (o crédito do trabalho é do fotógrafo Paolo Roversi), certamente Golshifteh não provocará reação igual, mas o ódio à nação francesa deve ser reforçado.

Golshifteh Farahani vai aparecer ainda em mais 4 filmes: Eden (2014, França), de Mia Hansen-Love, Les Deux Amis (2015, França, em finalização), de Louis Garrel; Altamira (2015, Espanha-França, em finalização), de Hugh Hudson; Mon Souffle (2015, França), de Jihane Chouaib, e filma Les Maulheurs de Sophie (França), de Christophe Honoré, a ser lançado em 2016.

Veja o trailer de 118 dias.

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RANKING BRASIL – QUANDO OS BLOCKBUSTERS BOMBAM

Nesta análise do Ranking de Bilheteria e Público dos filmes em exibição nas 2.800 salas de cinema do Brasil, chamo a sua atenção porque, no grande circuitão, os blockbusters de Hollywood estão bombando, mesmo os fracassados de público nos cinemas dos EUA. É para que você avalie o sistema do mercado de exibidor brasileiro e veja a situação do cinema brasileiro, não por culpa dos donos dos complexos, mas, pela ineficiência das produções brasileiras, limitadíssimas em termos de poder de atração sobre o grande público. No Ranking dos 10 Mais, apenas 2 filmes, Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel e A Noite da Virada, se fazem presente, enquanto no Ranking dos 20, outros 2 (Irmã Dulce e As Aventuras do Avião Vermelho) aparecem timidamente. Dá para comemorar 4 filmes nacionais em um Ranking de 20 em uma época de predomínio total e absoluto dos blockbusters? Para alguns mais conformados, sim. Deixo a caso para vocês refletirem. Por enquanto, vamos dar uma analisada, em termos de números, dos filmes que estão em cartaz. O Hobbit – A Batalha dos 5 Exércitos, de Peter Jackson, perdeu a liderança para Êxodo – Deuses e Reis, de Ridley Scott, a animação Operação Big Hero, foi para o terceiro lugar e Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, em sexto lugar, continua na liderança em termos de público com quase 5 milhões de espectadores

Christian Bale e  Joel Edgerton em EXODO – DEUSES E REIS (2014), de Ridley Scott

Christian Bale e Joel Edgerton em EXODO – DEUSES E REIS (2014), de Ridley Scott

Considerado um fracasso nos EUA (confira no Ranking EUA) e apedrejado por críticos e religiosos por suas inconsistências bíblicas e históricas, Êxodo – Deuses e Reis (Exodus – Gods and Kings, 2014), promove uma virada nas bilheterias internacionais, sendo um Brasil um dos fortes mercados a apontar a tendência. Em apenas 4 dias foi conferido por 999.951 mil espectadores, que deixaram R$ 17,9 milhões nas bilheterias. Acumulando ao público das pré-estreias, sobe para 1 milhão e 154 ingressos vendidos, o que dá a Fox o segundo lugar na lista das maiores aberturas da distribuidora no Brasil. A produção custou US$ 140 milhões e para sair no lucro tem que obter uma renda mundial superior a 420 milhões de dólares. Por enquanto, está em US$ 152 milhões.

OPERAÇÃO BIG HERO (2014), de Hall e Chris

OPERAÇÃO BIG HERO (2014), de  Don Hall e Chris Williams

Em segundo lugar o destaque vai para Operação Big Hero (Big Hero 6, 2014), de Don Hall e Chris Williams, um sucesso da Buena Vista (Disney) ao preço de US$ 165 milhões, que em todo o mundo já está na casa dos 325 milhões – e porá ser rentável precisa chegar aos US$ 500 milhões. No Brasil, a animação estreou bem, levando aos cinemas 496 mil e 548 pessoas, uma média 50% menor em termos de público em relação ao líder, mas ainda assim, com uma nada desprezível renda de R$ 11,18 milhões.

Marcos Melhem e Leandro Hassum em OS CARAS DE PAU E O MISTERIOSO ROUBO DO ANEL (2014), de Felipe Joffily

Marcos Melhem e Leandro Hassum em OS CARAS DE PAU E O MISTERIOSO ROUBO DO ANEL (2014), de Felipe Joffily

Grande surpresa, em terceiro está o brasileiro Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel (Imagem Filmes), de Felipe Joffily, comédia sobre dois seguranças (Leandro Hassum e Marcos Melhem) acusados de ter roubado uma joia durante a sua exposição em um museu e que para reavê-la enfrentam ninjas e mafiosos. Ajudado pela exibição em 526 salas, foi visto por 432 mil e 112 espectadores, obtendo uma arrecadação inicial de R$ 5,6 milhões. Agora é ver se o público, através do boca-a-boca, vai mantê-lo com uma boa média e dar-lhe um lugar os 10 de melhor bilheteria e frequência do ano. Outra produção nacional, A Noite da Virada (Paris Filmes), de Fábio Mendonça, não está indo bem, talvez pela alta classificação etária em 16 anos. Nesta final de semana atraiu apenas 66 mil espectadores e agora tem o público acumulado em 273,4 mil, o que provavelmente o deixará com menos de 500 mil ingressos vendidos. A comédia com requintes de drama tem no elenco Luana Piovani e Marcos Palmeira e está em 5º no Ranking. E embora estejam há mais tempo em cartaz, O Hobbit – A Batalha dos 5 Exércitos, de Peter Jackson, em 4º lugar, continua faturando alto. Mesmo com uma queda de 45% em frequência de público, a sua arrecadação bateu os R$ 42,2 milhões. O público acumulado já chega a 3 milhões, mas isso não é sinônimo de liderança, pois Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, de Francis Lawrence, tem melhores números (no momento, ocupa o 8º lugar no Ranking Brasil de Bilheteria-2014). Neste final de semana, 56 mil e 106 pessoas foram conferi-lo (no acumulado, são 4 milhões e 779 mil espectadores), o que o fez ultrapassar mais 2 concorrentes, Transformers – A Era da Extinção e Capitão América- O Soldado Invernal e está a poucos milhões do horroroso bíblico Noé, estacionado em 4 milhões e 887 espectadores.

Jake Gyllenhall e René Russo em O ABUTRE (2014), de Dan Gilroy

Jake Gyllenhall e René Russo em O ABUTRE (2014), de Dan Gilroy

Por fim, vale mencionar que 2 filmes de arte resistem bravamente: O Abutre (Nightcrawler, 2014), de Dan Gilroy, que tem um público acumulado de 45 mil e 524 pessoas (renda total de R$ 707.931), e o argentino Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, 2014), de Damian Szifrón, com 304 mil e 245 espectadores e renda de R$ 4,50 milhões.

Confira o quadro com as 10 Maiores Bilheterias e Público da última semana de 2014, de 25 a 31 de dezembro.

Veja o trailer de Os Caras de Pau e O Misterioso Roubo do Anel.

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Semana 51: Êxodo – Deuses e Reis

Releitura épica da história bíblica de Moisés, o filme Êxodo: Deuses e Reis liderou as bilheterias norte-americanas e iniciou bem a temporada de Natal. Contudo, a prova de fogo da produção se dará nas próximas semanas. Segunda maior estreia, a comédia Top Five teve uma abertura decente, enquanto que a comédia policial Vício Inerente fez o maior sucesso no circuito restrito

Banner internacional de ÊXODO: DEUSES E REIS (2014), de Ridley Scott

Banner internacional de ÊXODO: DEUSES E REIS (2014), de Ridley Scott

De longe um dos filmes mais esperados de 2014, O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies) já estreou em boa parte do mundo e, é claro, está roubando toda a atenção dos cinéfilos para si, no entanto, no mercado norte-americano o aguardado lançamento da terceira parte da aventura de Bilbo Bolseiro só acontecerá na próxima quarta-feira, 17, e por conta disso o ranking dos mais rentáveis deste fim de semana por lá acabou sendo encabeçado pelo o épico estreante Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods and Kings), que conseguiu pegar carona no clima religioso do Natal e tranquilamente se tornou o favorito do público.

Ao todo, foram US$ 24,50 milhões arrecadados por Êxodo de sexta a domingo, quantia sólida que alcançou tanto as expectativas de mercado quanto as expectativas dos executivos da Fox. Nós estamos em uma boa situação. Temos espaço para crescer junto ao público mais jovem e acreditamos que a plateia de filmes religiosos continuarão indo aos cinemas à medida que nos aproximarmos do Natal, declarou ao The Wrap o vice-presidente de distribuição da Fox, Spencer Klein. Contudo, é interessante destacar que, mesmo tendo obtido bons números em sua abertura, a verdadeira batalha de Êxodo será pela sustentação, pois com um orçamento inchado de US$ 140 milhões e concorrentes de peso à caminho (O Hobbit, Caminhos da Floresta e Uma Noite no Museu 3 são só alguns exemplos), a produção terá que registrar quedas pouco expressivas nas próximas semanas para evitar um grande fracasso financeiro…

Assista ao trailer de Êxodo: Deuses e Reis.

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Com estreia no Brasil agendada para o dia 25 de dezembro, Êxodo: Deuses e Reis reconta a história bíblica do profeta Moisés (Christian Bale), que, guiado por Deus, conseguiu libertar os hebreus da opressão que viviam no Egito. Joel Edgerton (Guerreiro), Sigourney Weaver (Avatar), Ben Kingsley (A Invenção de Hugo Cabret) e John Turturro (Amante a Domicílio) também estão no elenco. A direção fica por conta de Ridley Scott (Gladiador).

Na esquerda, cena de A ESPERANÇA - PARTE 1 e na direita cena de OS PINGUINS DE MADAGASCAR

Na esquerda, cena de A ESPERANÇA – PARTE 1 e na direita cena de OS PINGUINS DE MADAGASCAR

Na sequência do ranking aparecem os campeões da semana passada, a aventura Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 e a animação Os Pinguins de Madagascar, que perderam uma posição cada e encerraram o fim de semana respectivamente com US$ 13,20 milhões e US$ 7,30 milhões. No total, A Esperança – Parte 1 já rendeu excelentes US$ 277,39 milhões, resultado que por sinal ajudou a Lionsgate a ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais pelo terceiro ano consecutivo. Por sua vez, Os Pinguins de Madagascar acumula um faturamento pouco empolgante de US$ 58,83 milhões.

Chris Rock e Rosario Dawson em cena de TOP FIVE (2014), de Chris Rock

Chris Rock e Rosario Dawson em cena de TOP FIVE (2014), de Chris Rock

O quarto lugar da lista dos mais rentáveis coube à segunda novidade da semana, a comédia Top Five, que se saiu bem ao registrar uma abertura de US$ 7,21 milhões, desempenho que também ficou dentro das expectativas de mercado. Nós tivemos a abertura que queríamos e a reação do público que esperávamos. Acreditamos que o boca-a-boca continuará ajudando à medida expandirmos o filme, disse à revista Variety o vice-presidente da Paramount, Rob Moore, sobre a performance de Top Five, que, vale mencionar, foi lançado de forma modesta em 979 salas de cinema, com previsão de expansão para as próximas semanas.

Veja o trailer de Top Five:

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Escrita, dirigida e estrelada por Chris Rock (O Céu Pode Esperar), a comédia acompanha a história de um comediante que não se acha mais engraçado e, por conta disso, decide se aventurar na carreira dramática, um objetivo que ele tentará alcançar com a ajuda que uma jornalista (Rosario Dawson) que promete mudar a sua imagem. Gabrielle Union (Pense Como Eles), J.B. Smoove (Uma Noite Fora de Série) e Romany Malco (Última Viagem a Vegas) também estão no elenco de Top Five, que por enquanto não possui data de estreia definida no Brasil.

Cena de OPERAÇÃO BIG HERO

Cena de OPERAÇÃO BIG HERO

Escorregando da terceira para a quinta posição está a animação Operação Big Hero, que registrou uma arrecadação de US$ 6,14 milhões. No acumulado, o longa animado da Disney já rendeu US$ 185,32 milhões em bilheteria no mercado norte-americano.

Cena de LIVRE

Cena de LIVRE

Dentre os demais presentes na lista dos dez primeiros colocados, cabe destacar o desempenho do drama Livre, que passou a ser exibido em 166 salas e garantiu a décima posição do ranking ao faturar US$ 1,55 milhão, o que representa um crescimento de 155% em relação à semana passada. No total de duas semanas, Livre detém uma bilheteria de US$ 2,42 milhões.

Banner internacional de VÍCIO INERENTE (2014), de Paul Thomas Anderson

Banner internacional de VÍCIO INERENTE (2014), de Paul Thomas Anderson

Em circuito restrito, o destaque da semana foi a comédia policial Vício Inerente (Inherent Vice), que foi lançado em 5 salas de cinema e durante o final de semana faturou US$ 330 mil, resultado que se traduz em um forte média de arrecadação por sala de US$ 66 mil. Com direção de Paul Thomas Anderson (O Mestre), o filme tem sua trama centrada em um detetive particular viciado em drogas (Joaquin Phoenix) que é contratado para investigar o sequestro de um bilionário latifundiário. Josh Brolin (Caça aos Gângsteres), Owen Wilson (Penetras Bom de Bico), Benicio Del Toro (Sin City) e Reese Witherspoon (Johnny & June) também estão no elenco de Vício Inerente, que chegará às telonas nacionais no dia 19 de fevereiro.

Confira abaixo o ranking completo com as dez maiores bilheterias deste final de semana na América do Norte:

ranking

Assista ao trailer de Vício Inerente:

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