FESTIVAL DE HAVANA-2016 – DESERTO, O VENCEDOR

Deserto, drama político com toques de thriller de ação dirigido por Jonás Cuaron, filho de Alfonso Cuaron, o realizador de Gravidade (2014), conquistou o Prêmio Coral de Melhor Filme do Festival internacional do Novo Cinema Latinoamericano de Havana. O Festival, encerrado na última sexta-feira, 16, foi marcado pela proibição do filme Santa y Andrés, de Carlos Lechuga, que conta a vida do poeta Delfin Prats, 71, e de outros intelectuais homossexuais do País

Gael Garcia Bernal em DESERTO (2016), de Jonás Cuaron: vencedor de Havana-2016

Gael Garcia Bernal em DESERTO (2016), de Jonás Cuaron: vencedor de Havana-2016

A premiação de Deserto (2016), segundo as parcas notícias que chegam do controlado por uma ditadura de esquerda, foi surpreendente. A obra de Cuaron conta a saga de um mexicano chamado Moisés (Gael Garcia Bernal) que tenta cruzar a fronteira e entrar nos EUA é de perseguido implacavelmente pelo policial Sam (Jeffrey Dean Morgan). O filme ganhou também o Coral de Música Original. Outra produção mexicana foi premiada, Últimos Dias em Havana (2016),  do veterano Fernando Pérez, recebeu o Prêmio Especial do Júri.

Obra de ficção com base em personagens reais e tratando da intolerância da ditadura para com os artistas gays, com o principal enfocado, o marginalizado poeta Delfin Prats, 71, e Virgilio Piñera (1912-79), que foram impedidos de ter as suas obras encenadas em teatros e publicadas via editoras, além de terem sido impedidos de lecionar.

Mas, nada surpreendeu mais do que a proibição do longa Santa y Andrés (2016), segundo trabalho de Lechuga, uma produção sob os apuspícios do programa multinacional Ibermedia, além de capital do próprio diretor. A Ibermedia é cofinanciadora de projetos de cunho independente, sem o dinheiro estatal e está se tornando forte, a ponto de ter sido solicitada ao ditador Raul Castro, há 3 anos, a legalização do programa. O Instituto de Cinema de Cuba (ICAIC), através de seu presidente, Roberto Smith, alegou que a proibição deu por “questões de princípio”. E a explica: “O filme apresenta uma imagem da revolução que a reduz a uma expressão de intolerância e violência contra a cultura, faz um uso irresponsável de nossos símbolos pátrios e referências inaceitáveis ao companheiro Fidel” (Castro), postou Smith em comunicado à imprensa.

Deserto será lançado no Brasil pela Fênix Filmes, ainda sem data.

Confira o trailer de Deserto