RANKING EUA – ROGUE ONE mantém liderança

Rogue One: Uma História Star Wars terminou o fim de semana novamente com folga na primeira colocação do ranking americano e uma arrecadação de quase o dobro da obtida por Sing: Quem Canta Seus Males Espanta, que ficou em segundo lugar. Passageiros entrou em cartaz após as pré-estreias e conseguiu uma renda razoável, que lhe garantiu a terceira colocação do ranking. Enquanto isso, Tinha Que Ser Ele? também entrou em cartaz e terminou o período logo atrás, na quarta posição. Mal recebido pela crítica durante as pré-estreias, Assassin’s Creed não foi muito longe em seu primeiro fim de semana, ficando com a quinta colocação.

Diego Luna e Felicity Jones em cena de ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS.

Diego Luna e Felicity Jones em cena de ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS.

Novamente na primeira colocação do ranking, Rogue One: Uma História Star Wars conseguiu manter uma boa arrecadação na sua segunda semana em cartaz nos Estados Unidos. A aventura distribuída pela Disney somou cerca de US$ 64,4 milhões no período e não deu chances para os outros filmes em cartaz na disputa pelo primeiro lugar do ranking. Ao término do fim de semana, a renda acumulada nas bilheterias do país era de aproximadamente US$ 286 milhões.

Cena de SING: QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA.

Cena de SING: QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA.

Sing: Quem Canta Seus Males Espanta ficou na segunda colocação do ranking americano ao arrecadar cerca de US$ 35,3 milhões em seu primeiro fim de semana em cartaz no país. Mesmo com uma recepção razoável da crítica local, a animação conseguiu duas nomeações ao Globo de Ouro, nas categorias filme de animação e canção original. Somando a renda obtida aos valores acumulados nas pré-estreias, Sing terminou o fim de semana com cerca de US$ 55,9 milhões em receita.

Jennifer Lawrence e Chris Pratt em cena de PASSAGEIROS.

Jennifer Lawrence e Chris Pratt em cena de PASSAGEIROS.

Estrelado por Jennifer Lawrence e Chris Pratt, Passageiros entrou em cartaz no mercado americano e conseguiu uma renda razoável. Também mal recebido pela crítica americana, o novo drama do diretor Morten Tyldum, que ficou famoso ao ser nomeado ao Oscar na categoria de melhor direção por O Jogo da Imitação, arrecadou apenas US$ 14,9 milhões em seu primeiro fim de semana, mas conseguiu ficar com a terceira colocação do ranking americano. Com a arrecadação nas pré-estreias, a receita do filme era de cerca de US$ 22,2 milhões ao término do fim de semana. A estreia do filme no Brasil está marcada para o dia 5 de janeiro, próxima quinta-feira.

Zoey Deutch e James Franco em cena de TINHA QUE SER ELE?.

Zoey Deutch e James Franco em cena de TINHA QUE SER ELE?.

Tinha Que Ser Ele? estreou também com dificuldades, somando cerca de US$ 11 milhões em seu primeiro fim de semana em cartaz no país. Mal recebido pela crítica, o filme obteve uma nota 38 de 100 no Metacritic.com. Esta é a quarta comédia do diretor John Hamburg, mas das quatro, apenas Eu Te Amo, Cara, de 2009, obteve uma recepção razoável. A estreia do filme no Brasil está prevista apenas para o dia 16 de março do próximo ano, após a cerimônia do Oscar, marcada para o dia 26 de fevereiro.

Michael Fassbender em cena de ASSASSIN'S CREED.

Michael Fassbender em cena de ASSASSIN’S CREED.

Assassin’s Creed foi outro estreante mal recebido pela crítica americana que terminou seu primeiro fim de semana em cartaz no país com uma arrecadação não muito atraente, cerca de US$ 10,3 milhões. A grande produção estrelada por Michael Fassbender, Marion Cottillard e Jeremy Irons, e dirigida pelo aclamado Justin Kurzel, premiado no Festival de Cannes com o filme Snowtown, de 2011, não conseguiu mais que 40 de 100 no Metacritic.com, segundo avaliação de diversos críticos do país de jornais, revistas e etc. No entanto, devido a fama do jogo Assassin’s Creed, no qual o filme se baseia, a espera pelo filme não deixa de ser grande. No Brasil, a estreia está prevista para o dia 12 de janeiro do próximo ano. Com as arrecadações obtidas nas pré-estreias, a receita do filme nas bilheterias do país era de US$ 17,7 milhões ao término do fim de semana.

Confira abaixo a tabela do ranking com os dez melhores.

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Veja o trailer de Assassin’s Creed.

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Aquarius: vi e gostei – mas não muito

Sônia Braga em AQUARIUS (BRA/FRA, 2016), de Kleber Mendonça Filho: a persistência da memória contra a pressão da grana

Sônia Braga em AQUARIUS (BRA/FRA, 2016), de Kleber Mendonça Filho: a persistência da memória contra a pressão da grana

Noite de quinta-feira, sessão quase vazia. Foi assim que finalmente consegui assistir Aquarius (BRA/FRA, 2016), o já histórico filme dirigido por Kleber Mendonça Filho. As expectativas, claro, eram grandes. Pelo menos desde o corajoso protesto de Kleber e das estrelas do longa durante a sua exibição no Festival em Cannes, semanas após a aprovação do questionável impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. A atitude do diretor de O Som ao Redor (BRA, 2013) despertou não apenas um justificável interesse pelo seu novo trabalho, mas agregou ao seu redor aqueles que não engoliram o processo de ruptura democrática aberto e conduzido por um réu denunciado ao Supremo Tribunal Federal. Some-se a isso declarações infelizes como a do articulista da Veja, Reinaldo Azevedo (“Assim que Aquarius estrear no Brasil é dever das pessoas de bem é boicotá-lo”.) e fica fácil entender como a assistência à segunda película de Kleber Mendonça revestiu-se de um gesto de resistência política. Especialmente porque Aquarius estreou comercialmente logo após a confirmação, pelo Senado, do impedimento da ex-presidenta Dilma.

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A TERRA E A SOMBRA – Expõe a realidade de quem convive com as queimadas

Destaque no Festival de Cannes 2015, A Terra e a Sombra (La Tierra y la Sombra, 2015), de César Acevedo, venceu o prêmio Câmera de Ouro, dedicado ao Melhor Filme de um Diretor Estreante, e o Grande Prêmio da mostra Semana da Crítica, apresentando imagens chocantes de pessoas que convivem com as queimadas na Colômbia e tantos outros lugares do mundo

Cena de A TERRA E A SOMBRA (La Tierra y la Sombra, 2015) de César Acevedo

Cena de A TERRA E A SOMBRA (2015), de César Acevedo

O longa-metragem acompanha uma família humilde, que vive em uma casa remota, próxima à plantação de cana de açúcar. É lá que Gerardo (Edison Raigosa), um homem com sérios problemas de saúde, mal consegue sair do quarto, tamanha sua fraqueza. Alfonso (Haimer Leal), um velho fazendeiro, volta para casa após 17 anos de ausência, devido à doença que seu filho sofre. A situação tem mobilizado toda a família, com a esposa dele e sua mãe trabalhando na plantação de cana de açúcar para conseguir o sustento financeiro necessário.

Mesmo com Gerardo praticamente trancafiado em casa, para que os problemas respiratórios não piorem ainda mais, permanece acamado, com todas as janelas da casa sempre fechadas para que não entre poeira, o que dá ao ambiente a sensação de claustrofobia e muita sombra. Ainda assim, ele não apresenta melhora no estado de saúde. Diante da situação, a família busca algum meio de interná-lo.

Elenco de A TERRA E A SOMBRA (La Tierra y la Sombra, 2015) de César Acevedo

Elenco de A TERRA E A SOMBRA

Chama atenção o fato do longa ter levado oito anos para ficar pronto. O filme apresenta uma cena de queimada, que é impactada pelo gigantismo alcançado, que inclusive foi bastante ensaiada, pois o orçamento só permitia um take. O filme mostra o infortúnio e a precariedade da vida de parte da população colombiana, que trabalha nos canaviais, vivendo em condições precárias. O filme serve de denúncia contra os abusos sofridos pelos trabalhadores, no entanto este jamais é o foco da projeção, que tem maior interesse na ambientação do lugar, fazendo bom uso do posicionamento de câmeras, para mostrar autenticidade. O grande problema está no ritmo, um tanto quanto lento e enfadonho, tornando a projeção cansativa.

Poster de A TERRA E A SOMBRA (La Tierra y la Sombra, 2015) de César Acevedo

Pôster de A TERRA E A SOMBRA (La Tierra y la Sombra, 2015), de César Acevedo

Título: A Terra e a Sombra (La Tierra y la Sombra)

Estreia: 17/12/2015

Gênero: Drama

Duração: 97 min.

Origem: Colômbia, França, Holanda, Chile, Brasil

Direção: César Acevedo

Roteiro: César Acevedo

Distribuidor: Pandora Filmes

Classificação: 12 anos

Ano: 2015

 

 

Segue o trailer de A Terra e a Sombra:

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CHRONIC – Desfecho moralista

Dentro da Perspectiva Internacional da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem Chronic, do mexicano Michel Franco, acompanha a complexa rotina de um enfermeiro que cuida de pacientes terminais

Michael Cristofer e Tim Roth em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Michael Cristofer e Tim Roth em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

A narrativa de Chronic (2015) parece bastante sedutora ao espectador: o filme procura desvelar aos poucos a rotina de David (Tim Roth), um enfermeiro que cuida de pacientes terminais. Sem jogar informações claras e imediatas acerca das intenções do protagonista, a estrutura do filme se serve de elipses, de silêncios, de diálogos que nem tudo explicam. A primeira impressão é de que o longa-metragem do mexicano Michel Franco (o mesmo de Depois de Lucia, 2012) foi construído de modo a fazer com o que o espectador complete por si só a história (tal estratégia inclusive levou o júri do 68º Festival de Cannes a premiar o filme na categoria de melhor roteiro).

Até certo ponto, o procedimento converge para um olhar generoso para o ofício do enfermeiro – não me recordo agora de nenhum outro filme que se dedicou de forma tão profunda a explicitar o quanto é complexa (física e emocionalmente) a profissão de alguém que cuida diariamente de pacientes à beira da morte. Entram em questão não só o cuidado do enfermeiro, mas também a ausência de afeto dos familiares, a solidão de quem não tem mais esperança em viver, a decisão sobre a vida ou a morte (a eutanásia é um dos pontos centrais).

Tim Roth e Rachel Pickup em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Tim Roth e Rachel Pickup em cena de CHRONIC

Ao ter uma convivência intensa com os pacientes, David parece anular sua própria personalidade pelo seu caráter dúbio e frágil que, em muitos momentos, se confunde com as trajetórias de vida das pessoas que cuida: ele mente, seja para se aproximar daquilo que parece distante, seja por ser mais conveniente para a situação. De um modo ou de outro, há uma opacidade psicológica do protagonista, aliada à estrutura lacunar da narrativa.

No entanto, o desfecho do filme abdica de tudo aquilo que era incerto, duvidoso em torno do universo do personagem. Afeito à saída fácil, Michel Franco decide aplicar um deux ex machina – expressão conhecida na tragédia grega para designar uma solução inesperada para o final –, que faz com que seu próprio filme desmorone. Ou seja, se até então o diretor não tinha tomado uma posição clara sobre seu personagem, ao final ele se torna um tremendo moralista.

Pôster de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Pôster de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Título: Chronic

Gênero: Drama

Direção: Michel Franco

Elenco: Tim Roth, Sarah Sutherland, Robin Bartlett, Rachel Pickup, Michael Cristofer

Duração: 92 min.

Origem: México, França

Ano: 2015

Classificação: Livre.

 

 

 

Veja o trailer de Chronic:

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O ABRAÇO DA SERPENTE – De índios e brancos

Representante da Colômbia para disputar uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro, O Abraço da Serpente é inspirado nas expedições de dois pesquisadores brancos na selva amazônica. O filme está na Perspectiva Internacional da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Antonio Bolívar em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Antonio Bolívar em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Inspirada nos cadernos de viagem do etnólogo alemão Theodor Koch-Grunberg (1872-1924) e do botânico norte-americano Richard Evans Schultes (1915-2001), a produção colombiana O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra, não se limita a ser mais um filme antropológico. Ao intercalar a expedição dos dois pesquisadores em tempos distintos, o longa-metragem busca não só uma reflexão sobre as diferenças culturais entre brancos e índios, como também se posicionar acerca das consequências do cruzamento entre as duas culturas.

O Abraço da Serpente inicia na Amazônia de 1909, quando o alemão Theodor Von Martius (Jan Bijvoet) – nome no filme dado ao personagem que representa Koch-Grunberg – e seu amigo índio Manduka (Yauenkü Miguee) procuram o xamã Karamakate (Nilbio Torres). O etnólogo pesquisador dos costumes dos nativos amazônicos chega doente e pede ao xamã para acompanhá-lo em uma viagem pela selva em busca de uma planta rara, a Yakruna, que tem poderes medicinais sagrados de cura.

Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE

Décadas depois, o norte-americano Evans (Brionne Davis) – nome no filme dado ao personagem de Richard Evans Schultes – também chega à mesma região amazônica à procura do xamã Karamakate já mais velho (Antonio Bolívar), guiado pelo livro de Theodor sobre a expedição. Evans também deseja encontrar a Yakruna, para outros fins: não para sua própria cura, mas para servir de objeto de pesquisas farmacêuticas no mundo ocidental.

Ao narrar com habilidade e de forma paralela as duas expedições, O Abraço da Serpente pontua as distinções entre os pontos de vista de Karamakate e os dois pesquisadores. Para o xamã indígena, o conhecimento pertence a todos os homens e não deveria ser usado para criar distinções. Ao passo que os pesquisadores, tanto insistem de forma equivocada em deixar intocada a cultura indígena – como é o caso de Theodor, que se incomoda com o sumiço de seu compasso – quanto a exploram de maneira indiscriminada com fins lucrativos – como é o caso de Evans, que até oferece dinheiro para o xamã.

Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet e Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet e Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE

O detalhe mais impressionante da interferência entre as culturas diz respeito à missão jesuítica. Na época de Theodor, os brancos ali chegaram em meio à selva para catequizar crianças indígenas, com o argumento de livrá-las do poder do demônio, do canibalismo e da ignorância – é notável a crítica ao presidente da Colômbia, Rafael Reyes, citado em uma placa na missão, datada de 1907, em que ele declara seu esforço de trazer os índios de “volta à civilização”. Na época de Evans, a mesma missão havia evoluído para o “pior dos dois mundos”, segundo as palavras de Karamakate. Um homem branco, que se advoga de Messias, lidera a tribo de índios, cegos pelo fanatismo e pela autoflagelação – talvez a sequência que deixa isto de forma mais clara seja a da missa.

Por todos estes detalhes, O Abraço da Serpente já pode ser considerado um dos grandes filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme foi destaque no 68º Festival de Cinema de Cannes, conquistando o prêmio da CICAE (Confédération Internationale des Cinémas d’Art et d’Essai) na Quinzena dos Realizadores.

Pôster de O ABRAÇO DA SERPENTE (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra

Pôster de O ABRAÇO DA SERPENTE (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra

Título: O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente)

Gênero: Aventura/Drama

Direção: Ciro Guerra

Elenco: Nilbio Torres, Antonio Bolívar, Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet, Brionne Davis

Duração: 125 min.

Origem: Colômbia

Ano: 2015

Classificação: 16 anos

 

 

 

 

Veja o trailer de O Abraço da Serpente:

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SON OF SAUL – Estetização do intolerável

Destaque da competitiva da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem húngaro Son of Saul amplifica a claustrofobia de uma experiência individual em um campo de concentração

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Son of Saul (Saul Fia, 2015) é um filme em torno de uma vontade individual dentro de uma experiência coletiva. Imerso na experiência do holocausto como prisioneiro judeu húngaro e forçado a trabalhar a favor dos nazistas nos crematórios do campo de extermínio de Aushwitz-Birkenau, o protagonista Saul (Géza Röhrig) deseja apenas dar um enterro digno ao seu filho, em um contexto de absoluta degradação da vida. Saul não tem como mudar o curso da história, mas está ali para reivindicar o mínimo de dignidade, que já não é possível em um estado de exceção.

Para enfatizar o gesto individual de Saul, a estratégia da direção de Lázsló Nemes faz uso de um dispositivo: buscar restringir o enquadramento do filme ao rosto ou às costas do protagonista, compondo uma espécie de portrait. Em alguns momentos, ele abandona o dispositivo para auxiliar no andamento da narrativa – e talvez isto enfraqueça o procedimento principal do filme. No entanto, o dispositivo parece estar lá não só com o objetivo de sublinhar a experiência individual de Saul, como também para tornar claustrofóbica a sensação de estar naquele lugar. Mais do que narrar a história, o filme quer o espectador se engaje nesta posição.

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL

Neste sentido, Son of Saul usa a técnica a serviço de uma moral. Quando falamos da representação do horror de uma situação limite, não há como deixar de lado o velho debate em torno da célebre frase “a moral é uma questão de travelling”, que tanto preocupou críticos do cinema, como Luc Moullet, Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, acerca da representação de imagens dos campos de extermínio. A qualquer realizador, não deveria ser fácil tratar de tal tema (o holocausto), sem minimamente refletir sobre as implicações do uso da forma como se aproxima da questão em jogo.

No caso de Son of Saul, deixar fora de campo os indícios da abjeção não garante em nada que o filme não esteja colaborando para uma estetização do intolerável. A sofisticação da forma do filme é tão espetacular e voyeurística quanto se decidisse expor tudo. Quero dizer que não ameniza o problema apenas optar pelo desfoque dos corpos dos judeus empilhados nos crematórios e arrastados de um canto a outro ou pelo extracampo que amplifica barulho de tiros e de gritos de prisioneiros rumo a uma vala. A atitude em relação ao que se filma é meramente desprezível, seja pela preguiça de insistir no realismo mais ultrajante, seja pela retórica da claustrofobia, sendo fatalmente exibicionista mesmo sem querer mostrar. É uma pena os festivais internacionais – e toda uma articulação de júris, críticos e público – ainda se deixarem seduzir por filmes assim.

Pôster de SON OF SAUL (Saul Fia, 2015), de Lázsló Nemes

Pôster de SON OF SAUL (Saul Fia, 2015), de Lázsló Nemes

Título: Son of Saul (Saul Fia)

Gênero: Drama

Direção: Lázsló Nemes

Elenco: Géza Röhrig, Levente Molnar, Urs Rechn, Todd Charmont, Marcin Czarnik

Duração: 107 min.

Origem: Hungria

Ano: 2015

Classificação: 16 anos

 

 

 

Veja o trailer de Son of Saul:
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PARA O OUTRO LADO – Mortos e vivos

Em cartaz a partir de quinta, 10, no Cinema de Arte (Cinépolis RioMar), o longa-metragem Para o Outro Lado borra as fronteiras entre mortos e vivos, a partir dos procedimentos cinematográficos criados pelo cineasta japonês Kiyoshi Kurosawa, que ganhou o prêmio de direção no Festival de Cannes

Tadanobu Asano e Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Tadanobu Asano e Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Entre os cineastas contemporâneos, o japonês Kiyoshi Kurosawa demonstra talento inquestionável como orquestrador de encenações. Seu mais recente longa-metragem, Para o Outro Lado (Kishibe No Tabi) – exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – inclusive ganhou o prêmio de direção da mostra Um Certo Olhar do 68º Festival de Cinema de Cannes. O belo esforço de operação das formas cinematográficas já se sedimentava em outros longas do diretor, que inventam mundos onde o sobrenatural e os fantasmas são elementos-chave, como Pulse (2001), Bright Future (2003), Retribution (2006) e Sonata de Tóquio (2008), para citar alguns exemplos mais emblemáticos.

Em Para o Outro Lado, a protagonista Mizuki (Eri Fukatsu) elabora o luto da perda do marido Yusuke (Tadanobu Asano), que morreu afogado no mar há três anos. Depois deste intervalo de ausência, ele faz uma aparição a ela, convidando-a para uma jornada inesperada: visitar amigos importantes na vida dele que também foram atravessados pela dor da morte.

Eri Fukatsu e Tadanobu Asano em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Eri Fukatsu e Tadanobu Asano em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Com as breves visitas às famílias, Mizuki passa a compreender melhor o passado do marido e suas relações afetivas com os outros. Atenta às experiências de cada pessoa, ela também partilha sua própria dor. Como uma história de fantasmas, Para o Outro Lado poderia ser um simples filme de terror ou romance sobrenatural. Mas ele produz uma sofisticação: borrar as fronteiras entre o mundo dos mortos e dos vivos. Os fantasmas são figuras concretas na cena. Tal estratégia fílmica já está anunciada em uma das falas de Yusuke: “Não estou me referindo a outros mundos, mas a lugares reais”.

Apesar dos mortos serem presenças fantasmagóricas tão concretas quanto os vivos, o filme é constituído de uma proliferação de figuras do invisível, que compõem uma atmosfera sobrenatural: as janelas abertas, com vidros foscos ou cortinas balançando ao vento; o barulho das árvores agitadas por ventanias; nuvens que pairam em alguns espaços; a iluminação – há inclusive uma reflexão sofisticada sobre a luz – que oscila entre o claro e o escuro.

Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Dispondo da força cinematográfica de tais figuras, há cenas notáveis: o mural de flores iluminado onde repousa o fantasma do sr. Shimakage (Masao Komatsu), seguido da longa sequência de planos da casa em ruínas; o aparecimento do fantasma do pai de Mizuki, em meio a uma ventania em uma floresta; o espírito atormentado que ainda não abandonou a mulher e aparece em meio a misteriosas nuvens.

Além do notável rigor de encenação, Para o Outro Lado trata de despedidas, de arrependimentos e perdões, de memória, de aceitação da perda, das responsabilidades que assumimos na relação afetiva com os outros. Um belo filme em torno da morte e da vida.

Pôster de PARA O OUTRO LADO (Kishibe No Tabi, 2015), de Kiyoshi Kurosawa

Pôster de PARA O OUTRO LADO (Kishibe No Tabi, 2015), de Kiyoshi Kurosawa

Título: Para o Outro Lado (Kishibe No Tabi)

Gênero: Drama

Direção: Kiyoshi Kurosawa

Elenco: Eri Fukatsu, Tadanobu Asano, Masao Komatsu, Yu Aoi, Akira Emoto

Duração: 128 min.

França: Japão, França

Ano: 2015

Classificação: 18 anos

 

 

 

 

Veja o trailer de Para o Outro Lado:

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O PEQUENO PRÍNCIPE – Belo e comovente

Versão repaginada do clássico de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince, 2015) mistura diferentes técnicas de animação em uma trama que critica o conhecimento instrumental e a vida moderna corrida da produtividade

Cena de O PEQUENO PRÍNCIPE (2015), de Mark Osborne

O pequeno príncipe e a raposa em cena de O PEQUENO PRÍNCIPE (2015), de Mark Osborne

Clássico da literatura mundial, O Pequeno Príncipe (1943), de Antoine de Saint-Exupéry, é um livro que faz parte do imaginário não só de crianças, mas também de adultos – feito que o permite atravessar gerações e ainda hoje ser considerado por muitos como indispensável item de cabeceira. Na década de 70, a obra ganhou uma adaptação para o cinema, em formato musical e live action, com direção de Stanley Donen. Agora outra versão surge, com produção francesa e repaginada como animação pelas mãos do norte-americano Mark Osborne (diretor de Kung Fu Panda e Bob Esponja – O Filme). Apresentado no encerramento do último Festival de Cannes e exibido no Anima Mundi 2015, O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince, 2015) estreia nos cinemas do Brasil.

O notável desta nova adaptação é que, no lugar de se manter presa à história original, ela toma a liberdade de inventar outra narrativa, que serve de ponto de partida para que o espectador de hoje tenha contato com a essência do clássico de Exupéry. Isto implica dizer que só vamos conhecer a história do garoto de cabelos dourados que vive no asteroide B612, a partir do olhar de outra criança: uma menina estudiosa e aplicada, que acaba de se mudar com a mãe para um novo bairro, onde mora um vizinho excêntrico e idoso aviador – que, na história original, não é apenas o narrador, como o alter-ego do próprio Exupéry.

Cena de O PEQUENO PRÍNCIPE (2015), de Mark Osborne

A menina e a raposa em cena de O PEQUENO PRÍNCIPE

Enquanto se prepara arduamente para ingressar em uma escola tradicional sob a supervisão da mãe, a menina se aproxima por acaso do vizinho e se encanta com as aventuras do pequeno príncipe, que aos poucos são reveladas pelo velhinho. É interessante como o filme consegue contrapor bem os dois universos: o mundo adulto, imposto pela mãe, que exige da filha a dedicação rigorosa a um plano de vida, com cronogramas, metas e responsabilidades; e o mundo infantil da fantasia, guiado pelo aviador velhinho, que conduz a garota ao lúdico, à aventura, à curiosidade.

Se por um lado, a garota aprende com o aviador outros ensinamentos que extrapolam o conhecimento instrumental e produtivo, ela também vai ensinar o velhinho a ter esperança e ainda ver bem com o coração. Afinal, o “essencial é invisível aos olhos”, como diz a famosa frase da raposa, que é mantida no filme. E, por falar em frases, não há nada mais comovente que a solução, em uma das cenas mais belas do filme, de deixar para a menina a célebre frase de Exupéry: “a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar”.

O velho aviador em cena de O PEQUENO PRÍNCIPE (2015), de Mark Osborne

O velho aviador em cena de O PEQUENO PRÍNCIPE

Outro mérito do filme é incorporar diferentes técnicas de animação ao longo da narrativa, revelando o cuidado primoroso com a direção de arte: a história principal da menina, da mãe e do velhinho segue o moderno 3D em computação gráfica, enquanto a do pequeno príncipe é em stop-motion, com moldes em papel machê, bem próximo dos traços originais de Exupéry. Por todas estas qualidades, O Pequeno Príncipe pode já ser a melhor animação do ano, talvez superando Divertida Mente (Inside Out, 2015), da Pixar.

Poster de O PEQUENO PRÍNCIPE (2015), de Mark Osborne

Pôster de O PEQUENO PRÍNCIPE (Le Petit Prince, 2015), de Mark Osborne

Título: O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince)

Estreia: 20/08/2015

Gênero: Animação

Duração: 110 min.

Origem: França / Estados Unidos

Direção: Mark Osborne

Distribuidor: Paris Filmes

Classificação: Livre

Ano: 2015

 

 

 

Veja o trailer de O Pequeno Príncipe:

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ARTES CÊNICAS – VARIEDADE NA PROGRAMAÇÃO DE MAIO

No mês de maio, a programação teatral se destaca pela variedade oferecida, que vai desde espetáculos de dança, passando por musicais, às peças tradicionais. Destaque para Stomp, Piaf! O Show e God Save The Queen: The Show Must Go On – Tributo ao Queen, comprovando que ao menos pela programação, o Teatro do RioMar Shopping veio pra ficar. Agende-se e confira a programação

Banner de DOIDAS E SANTAS

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Doidas e Santas

Com montagem de Regiana Antonini e livremente inspirado no livro homônimo de Martha Medeiros. No palco, acompanhamos a trajetória de Beatriz (Cissa Guimarães), uma psicanalista em crise no casamento. Seu marido (Oscar Magrini), é turrão e machista, e não tolera a ideia da separação. Fechando o elenco, temos “as mulheres da vida” de Beatriz: irmã, mãe e filha, vividas pela atriz Josie Antello. Dirigido por Ernesto Piccolo, o público vivencia alegrias, desilusões, neuroses da vida urbana, o prazer que se esconde no dia a dia, as relações amorosas e o poder transformador da coragem e do afeto.

SERVIÇO: Quando: 01 e 02/05 às 03/05 às 20h. Onde: Teatro do Via Sul Shopping. Ingressos: a partir de R$ 20,00. Mais informações: 3052.8027

Alessandra Maestrini no espetáculo DRAMA 'N JAZZ

Alessandra Maestrini no espetáculo DRAMA ‘N JAZZ

Drama ‘n Jazz

Show de Alessandra Maestrini, atriz, cantora, compositora e versionista, que estreou nos palcos em 1997 no espetáculo As Malvadas, de Charles Möeller e Cláudio Botelho, e que naquele ano ganhou o Prêmio Sharp de melhor musical. Desde então, Maestrini vem trilhando sua carreira como atriz e cantora, destacando-se em musicais de sucesso, papeis de comédia na televisão e shows autorais que misturam MPB, rock e jazz. Com um repertório composto por standards do jazz e temas de musicais, ela se apresenta acompanhada pelo pianista João Carlos Coutinho.

SERVIÇO: Quando: 01 às 20h, 02/05 às 18h e 20h e 03/05 às 19h Onde: Teatro da Caixa Cultural. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Serviço de manobrista gratuito. Mais informações: 3453.2770

Banner do espetáculo STOMP

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Stomp

O grupo percursivo começou a carreira nas ruas da Inglaterra e se tornou mundialmente conhecido pelos ritmos fortes, criados com objetos do dia-a-dia. Já passaram por mais de 350 cidades de 36 países, além de participações na Broadway, na London West End, Festival de Cannes e no Oscar. Imperdível.

SERVIÇO: Quando: 02/05 às 21h00 e 03/05 às 14h00. Onde: Teatro do RioMar Shopping. Ingressos: R$ 50,00 (plateia alta), R$ 150,00 (plateia baixa B), R$ 180,00 (plateia baixa A). Mais informações: 3066.2000

Trecho do espetáculo de dança PINDORAMA

Trecho do espetáculo de dança PINDORAMA

Pindorama

 

Montagem que completa a trilogia iniciada com Pororoca, de 2009, e Piracema, de 2010. Todos os nomes são de origem indígena: enquanto os dois primeiros designam, respectivamente, grandes ondas formadas a partir do encontro do mar com o rio e o movimento migratório de peixes no sentido das nascentes, Pindorama foi o primeiro nome do Brasil (em tupi-guarani, “terra das palmeiras”), usado pelos índios antes de Pedro Álvares Cabral aportar aqui. As três propostas são ligadas por aspectos que perpassam o tema do encontro, do coletivo e das complexas relações entre aqueles que o integram.

 

Quando: 07 e 08/05 às 19h Onde: Centro Cultural Banco do Nordeste (R. Conde D’Eu, 560, Centro) Ingressos: Gratuito (lotação 120 pessoas). Classificação etária: 16 anos Mais informações: 3464.3108

 

Trecho de AQUILO DE QUE SOMOS FEITOS

Trecho de AQUILO DE QUE SOMOS FEITOS

Aquilo de que somos feitos

 

Não revela somente os corpos nus em composições instigantes (quase esculturas humanas), mas como ideias críticas presentes no imaginário coletivo. Premiado como Melhor coreografia e Melhor Trilha Sonora no Rio Dança 2000, e com o Herald Angel pelo Fringe Festival 2002, em Edimburgo, é apresentado regularmente em diversos países, além do Brasil.

 

Quando: 09/05 às 18h e 20h Onde: Centro Cultural Banco do Nordeste (R. Conde D’Eu, 560, Centro) Ingressos: Gratuito (lotação 120 pessoas). Classificação etária: 16 anos Mais informações: 3464.3108

Ithamara Koorax no espetáculo ELIZETHEANDO

Ithamara Koorax no espetáculo ELIZETHEANDO

Elizetheando: Ithamara Koorax revisita Elizeth Cardoso

Cantora homenageia uma das maiores intérpretes da música brasileira com o show. Ithamara irá interpretar canções como Carta ao Tom (Toquinho e Vinicius de Moraes) , Canção de Amor (Chocolate e Elano de Paula), Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria), Canção da Manhã Feliz (Luís Reis e Haroldo Barbosa), Consolação (Baden Powell e Vinícius de Moraes), Deixa (Baden Powell e Vinícius de Moraes), entre outras.

SERVIÇO: Quando: 08 às 20h, 09/05 às 18h e 20h e 10/05 às 19h. Onde: Teatro da Caixa Cultural. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Serviço de manobrista gratuito. Mais informações: 3453.2770

Banner de INIMIGAS DE INFÂNCIA

Banner de INIMIGAS DE INFÂNCIA

Inimigas de Infância

Comédia inédita com o casal da novela Império, Josie Pessoa e Daniel Rocha, conta a história de Victória e Marcela, inimigas declaradas na época de colégio. Marcela era a popular e Victória a nerd. Após muitos acontecimentos na vida de cada uma, elas se reencontram 22 anos depois. Por ironia do destino, Victória está namorando Fernando, filho de Marcela. A situação demorou a se acertar, mas, elas descobriram uma enorme amizade entre as duas e a “inimizade” que nasceu na adolescência aos poucos vai se transformando numa grande cumplicidade e porque não dizer irmandade.

SERVIÇO: Quando: 09 e 10/05. Onde: Teatro do Via Sul Shopping. Ingressos: 60,00 (inteira) e 30,00 (meia). Mais informações: 3052.8026 e 3052.8027

Marcelo Nova e o baixista Robério Santana do CAMISA DE VÊNUS

Marcelo Nova e o baixista Robério Santana do CAMISA DE VÊNUS

Camisa de Vênus

Para comemorar os 35 anos de história da banda, o seu mentor e vocalista Marcelo Nova e o baixista Robério Santana trazem todos os seus sucessos de volta aos palcos. O setlist da turnê terá ao menos uma canção de cada álbum, sem deixar de contar com todos os seus maiores hits, como Eu Não Matei Joana D’arc, Só o Fim, Bete Morreu, Hoje, Simca Chambord, Deus Me Dê Grana e Silvia.

SERVIÇO: Quando: 15/05 às 21h00. Onde: Teatro do RioMar Shopping. Ingressos: R$ 120,00 (plateia alta), R$ 150,00 (plateia baixa B), R$ 170,00 (plateia baixa A). Mais informações: 3066.2000

Trecho do espetáculo CAMÉLIA

Trecho do espetáculo CAMÉLIA

Camélia

 

Camélia trás em seu desenho cênico um desdobramento do cenário criado pela consagrada artista plástica Beatriz Milhazes para a obra coreográfica Tempo de Verão. Cinco lustres cromáticos tridimensionais em que projetam uma complexa função. Uma dança do olhar, sem acomodações, através de múltiplos detalhes de formas geométricas articuladas e sobrepostas. O denso campo cromático cria um itinerário de sensações vertiginosas, promovendo um encontro de imagens em movimento.

 

SERVIÇO:

Quando: 15 e 16/05 às 21h e 17/05 às 19h Onde: Teatro Celina Queiroz (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz) Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) Mais informações: 3477.3033

Banner do musical PIAF! O SHOW

Banner do musical PIAF! O SHOW

Piaf! O Show

Inspirado no filme vencedor do prêmio La Môme e grande sucesso em todo o mundo, Piaf! O Show conta a incrível história de vida e da carreira da inesquecível diva da música Edith Piaf através de todas as suas canções de sucesso, interpretadas pela voz incrível de Anne Carrere. O público é levado a uma viagem pelas ruas de Montmartre e Olympia Salão ambientada na Paris de 1950 e no melhor clima “La Vie en Rose” (o maior sucesso da diva). Fotos e imagens inéditas de Edith Piaf, bem como a tradução em Inglês das letras para melodias contando as histórias de Edith, serão compartilhadas através de um audiovisual inovador. O show faz parte da comemoração oficial do 100º aniversário do nascimento de Edith Piaf, cujo evento será realizado em dezembro de 2015 em Paris.

SERVIÇO: Quando: 16/05 às 21h00 e 17/05 às 19h00. Onde: Teatro do RioMar Shopping. Ingressos: R$ 240,00 (preço único). Mais informações: 3066.2000

Pablo Padin em GOD SAVE THE QUEEN

Pablo Padin em GOD SAVE THE QUEEN

God Save The Queen: The Show Must Go On – Tributo ao Queen

Considerado o melhor e mais consagrado tributo ao Queen, a banda foi formada em 1998 pelos argentinos Pablo Padin (vocal, na foto acima), Francisco Calgaro (guitarra), Ezeguiel Tibaldo (baixo) e Matias Albornoz (bateria). Na apresentação do espetáculo, reuniu-se os melhores clássicos do Queen num show eletrizante para sua turnê mundial 2015, passeando por clássicos como Bohemian Rhapsody, Radio Gaga, We Will Rock You, We Are The Champions, entre outros. A banda apresenta músicas de todas as épocas, sem qualquer recurso de play back, respeitando minuciosamente os arranjos originais.

SERVIÇO: Quando: 22/05 às 21h00. Onde: Teatro do RioMar Shopping. Ingressos: R$ 110,00 (plateia alta), R$ 130,00 (plateia baixa B), R$ 150,00 (plateia baixa A). Mais informações: 3066.2000

Segue vídeo promocional de God Save The Queen:

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O SAL DA TERRA – FOTÓGRAFO SEBASTIÃO SALGADO REVELADO

Documentário O Sal da Terra (The Salt of Earth, 2014), de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, expõe de modo sutil e delicado a vida e a obra de Sebastião Salgado, que se dedica ao ofício artístico da fotografia desde os anos 1970. Concorreu ao Oscar 2015 de Melhor Documentário

A Serra Pelada fotografada por Sebastião Salgado em O Sal da Terra (The Salt of Earth, 2014) de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

A Serra Pelada fotografada por Sebastião Salgado em O SAL DA TERRA (2014), de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

No documentário, vemos onde Sebastião Salgado nasceu, seu encontro com sua esposa, Lélia Salgado, em Vitória, a ida do casal para São Paulo, a proximidade com a militância à esquerda, a decisão de se mudar para a Europa após o recrudescimento da ditadura, o abandono da carreira de economista em benefício da fotografia, o nascimento dos filhos (incluindo a surpresa da descoberta de que o segundo é portador da Síndrome de Down), o impacto crescente de suas fotos e o reconhecimento internacional.

Ver O Sal da Terra funciona como estar admirando um álbum fotográfico com os comentários em áudio do fotógrafo. Em alguns trechos, vemos exatamente isso em tela, quando a foto e a narração de misturam. Sempre fotografando em preto e branco, Sebastião Salgado expõe a desigualdade social presente no mundo que vivemos, até o período em que ele decidiu registrar a beleza e a degradação da natureza. O documentário mostra também o trabalho de Sebastião Salgado no Instituto Terra, criado por ele e sua esposa, que é dedicado à plantação de espécies da Mata Atlântica.

O co-diretor Juliano Ribeiro Salgado é filho de Sebastião Salgado, então é possível sentir uma atmosfera familiar no registro. No entanto, predomina a visão de Wim Wenders, que é um admirador das diversas formas de artes e teve seu primeiro contato com o trabalho do fotógrafo no final dos anos 1980, quando viu uma foto de uma mulher cega feita para o projeto Trabalhadores. O fotógrafo social Sebastião Salgado também é autor das séries Sahel: The End of the Road, Êxodos e Gênesis. As filmagens começaram em 2009 e o processo teve 15 mil horas de captação. A edição levou mais um ano e meio para finalizar o filme.

No campo das premiações, O Sal da Terra venceu um prêmio especial do júri da Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, além do prêmio do Júri Ecumênico, dedicada a produções sobre valores humanos. O documentário também venceu o César 2015, principal prêmio do cinema francês, de Melhor Documentário.

Poster de O Sal da Terra (The Salt of Earth, 2014) de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

Poster de O Sal da Terra (The Salt of Earth, 2014), de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

FICHA TÉCNICA

O Sal da Terra (The Salt of Earth)

Estreia: 26/03/2015

Gênero: Documentário, Biografia

Duração: 110 min.

Origem: Brasil, França, Itália

Direção: Juliano Ribeiro Salgado, Wim Wenders

Roteiro: David Rosier, Juliano Ribeiro Salgado, Wim Wenders

Distribuidor: Imovision

Classificação: 10 Anos

Ano: 2014

 

Contemple o trailer de O Sal da Terra:

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