VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS – Road Movie de fã dos Beatles

Baseado numa reportagem do jornal El País, exibida logo no início do filme, o  drama espanhol Viver é Fácil Com os Olhos Fechados (Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados, Espanha, 2013), de David Trueba, explora com uma sensibilidade fora do comum a saga de um fã dos Beatles ao encontro de John Lennon

Elenco de VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados, Espanha, 2013)

Elenco de VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (2013), de David Trueba

O fã em questão é professor Antonio (Javier Cámara), um sujeito comum que usa as músicas dos Beatles para ensinar inglês aos seus alunos na Espanha em 1966, em plena ditadura de Franco. Quando ele descobre que o líder da banda, John Lennon, vai visitar a província da Almería para as filmagens de Como Eu Ganhei a Guerra (How I won the war, 1967), de Richard Lester, Antonio fica animado para conhecê-lo.

O professor decide então partir numa viagem para realização de um sonho e no meio do caminho ele dá carona para dois jovens em fuga, que estão procurando um novo sentido na vida: Juanjo (Francesc Colomer), menino mais velho de uma família com seis irmãos, filho de policial, que é ameaçado pelo pai por não querer cortar o cabelo, e Belén (Natalia de Molina), uma garota que engravidou e foi mandada pela família para um convento que abriga jovens durante a gravidez e depois as devolve às famílias, ficando com os bebês, como se nada tivesse acontecido.

Embora as trajetórias de Juanjo e Belém sejam bem interessantes, elas não são aprofundadas, pois o viés é a realização do sonho de Antonio e a ajuda que ele oferece aos dois jovens numa fase crucial de suas vidas. Também não é um filme sobre John Lennon, mas de sua influência nas pessoas.

Título do longa é baseado no trecho da canção Strawberry Fields Forever, dos Beatles. A produção venceu os pêmios de Melhor Filme, Roteiro Original, Diretor, Ator (Javier Cámara) e Atriz (Natalia de Molina) no Goya Awards 2014, o “Oscar” do cinema espanhol e foi o candidato da Espanha ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro.

Poster de VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados, Espanha, 2013)

Pôster de VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados, 2013), de David Trueba

Título: Viver é Fácil Com os Olhos Fechados (Vivir es Fácil con los Ojos Cerrados)

Estreia: 08/10/2015

Gênero: Comédia, Drama

Duração: 108 min.

Origem: Espanha

Direção: David Trueba

Roteiro: David Trueba

Distribuidor: Califórnia Filmes

Classificação: 12 anos

Ano: 2013

 

 

Segue o trailer de Viver é Fácil Com os Olhos Fechados:

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OSCAR-2015 – OS 9 QUE SERÃO 5

Como era previsível, o Brasil, mais uma vez, está fora com Oscar. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou, ontem, sexta-feira, 19, os 9 filmes pré-selecionados da lista de 83 aceitos como representantes de seus respectivos países ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. E não foi apenas Hoje eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro que ficou fora da competição. Obras aclamadas como o canadense Mommy, o francês St Laurent, o italiano Il Capitale Umano, o alemão Duas Irmãs e uma Paixão, o austríaco O Vale das Sombras e, surpresa!, o belga Dois Dias, uma Noite, entre outros. Na lista dos que ficaram está o provável vencedor, o polonês Ida, além do russo Leviatã, o sueco Força Maior, o turco Winter Sleep e o argentino Relatos Selvagens. Mas há boas surpresas… e os 5 finalistas serão anunciados em janeiro e a festa de premiação, em fevereiro

O turco WINTER SLEEP (2014), de Nuri Bilge Ceilan: um dos 9 na pré seleção

O turco WINTER SLEEP (2014), de Nuri Bilge Ceilan: um dos 9 na pré seleção

Nesta semana começarei a assistir os 9 filmes selecionados para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro-2015. Quase unanimidade da crítica internacional, conforme os sites que visito com frequência, o polonês Ida, de Pawel Pawlikowski, me parece ser o grande favorite ao Oscar, bafejado, também pelos troféus conquistados ao longo do ano. Conta a história de uma garota de 18 anos, órfã e educada em orfanato cristão, que antes de ser ordenada freire vai conhecer uma tia, que a leva numa jornada de autodescoberta.

Não vou comentar os filmes que ficaram de fora dos 9 pré selecionados. Uma boa parte deles já foi comprada para exibição no Brasil, como o uruguaio Mr. Kaplan, de Álvaro Brechner, pela Pandora, o espanhol Viver é Fácil com os Olhos Fechados, de David Trueba, o finlandês Noite Decisiva, de Pirjo Honkasalo, o australiano O País de Charlie ,de Rolf de Heer, o austríaco O Vale das Sombras, de Andreas Prochaska, e o belga, Dois Dias, uma Noite, dos conceituados irmãos Dardenne.

Além dos já citados integrantes da lista, há agradáveis surpresas entre pré-selecionados. A primeira delas é o estônico Mandariinid (2013, Tangarines, em inglês), de Zaza Urushadze, que está já na lista do Globo de Ouro. O enredo recorda a Guerra da Abcácia, em 1992, quando a região queria ficar independente da Geórgia e desenvolve a história de um fazendeiro que se recusa a sair de lá até colher a plantação de tangerinas, mas é surpreendido quando um soldado georgiano ferido é deixado para trás e ele o leva para dentro de sua casa. É um drama anti-belicista.

Veja o trailer de Mandariniid.

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Curiosamente, o segundo é uma produção da Geórgia, A Ilha dos Milharais (Simindis kundzuli, 2014, Corn Island, em inglês), de Giorgi Ovashvili, já comprado para exibição no Brasil, ganhador do Prêmio de Melhor Estrangeiro da recente Mostra Internacional de São Paulo e de mais 13 prêmios ao longo do ano. O enredo trata, também, da Guerra na Abcássia e aqui os personagens são um velho homem e sua neta que cultivam milho nas ilhotas que formam no rio que divide as duas regiões, e, por isso, estão constantemente ameaçados.

Veja o trailer de A Ilha dos Milharais.

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O terceiro foi a sensação do Festival de Cannes, o mauritanês Timbuktu (2014), de Abderrahmane Sissako, conta a invasão da cidade por militantes islâmicos que implantaram a intolerância, a censura e a sua religião. Ganhador de 2 prêmios em Cannes – para o diretor e o Prêmio do Júri -, compõe o time de azarões, dos quais estou comentando.

Conheça o trailer de Timbuktu.

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A 4ª surpresa é o venezuelano Libertador (2014, The Libertador, em inglês), de Alberto Arvelo, que conta a história do revolucionário Simon Bolívar, a partir de sua estadia na Europa, onde teve o despertar da consciência social de que deveria voltar para o seu país e defender os direitos do povo sul-americano do jugo espanhol, incluindo indígenas e os escravos através de campanhas militares audaciosas. É a mais cara produção do continente sul-americano: US$ 50 milhões (US$ 30 milhões oriundos da Europa, especialmente da Alemanha), que envolveu Venezuela, Espanha, Alemanha e EUA.

Conheça o trailer de Libertador.

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A última surpresa é o holandês Lucia de B (Accused, em inglês, 2014), de Paola van der Oest, um thriller psicológico baseado na história real de Lúcia, uma enfermeira condenada à prisão perpétua sob a acusação de ter assassinado pelo menos 7 bebês e idosos, considerado o mais polêmico caso judicial do país.

Confira o trailer de Lucia de B.

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Confira os 9 pré selecionados.

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, Argentina, 2014), de Damian Szifrón

Mandariinid (Tangerines, Estônia, 2013), de Zaza Urushadze

A Ilha dos Milharais (Simindis kundzuli/Corn Island, 2014), de Giorgi Ovashvili

Timbuktu (Mauritânia, 2014), de Abderrahmane Sissako

Lucia de B (Accused, Holanda, 2014), de Paola van der Oest

Ida (Ida, Polônia), de Pawel Pawlikowski

Leviatã (Leviathan, Rússia, 2014), de Andrey Zvyagintsev

Força Maior (Force Mejeure, Suécia, 2014), de Ruben Östlund

Libertador (The Libertador, Venezuela, 2014), de Alberto Arvelo

Sistema de Escolha

Para a seleção dos filmes que comporão a lista final de concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro-2015, foram criadas duas comissões.

A primeira, integrada por uma dezena de membros da Academia, em Los Angeles, de outubro a 15 de dezembro, assistiu a todos os filmes e selecionou 6 títulos. Os outros 3 foram escolhidos por uma Comissão Executiva da categoria de Filme Estrangeiro, a qual, também viu todos os filmes – pelo menos é o que diz a Academia. Essa seleção de 9 títulos a Academia intitula de shortlist.

A peneirada final, ou seja, a seleção dos 5 finalistas, será feita por 3 comissões especialmente formadas por especialistas. Uma fica em Nova York, outra em Los Angeles, e, a Terceira, em Londres. Os ingleses participam da seleção pela primeira vez.

Essas comissões, de 9 a 11 de janeiro, assistirão a 3 filmes por dia, formarão os seus escolhidos e cruzarão as listas. Os mais votados são os escolhidos. Não dará nenhum empate?

A Academia de Hollywood anunciará em 15 de janeiro, uma 5ª feira, as listas dos indicados em cada categoria, no Samuel Goldwyn Theatre, que pertence a instituição. Já a festa ocorrerá em 22 de fevereiro, um domingo, no Dolby Theatre, com transmissão, lá, pela rede ABC, direto para 225 países. No Brasil, a transmissão será efetuada pelo canal fechado TNT e a aberto pela Rede Globo (TV Verdes Mares, em Fortaleza).

Datas de estreia/Brasil

Leviatã e Força Maior estreiam em Janeiro

Veja o trailer de Leviatã.

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