MERCADO DE CINEMA – Salas brasileiras desconhecem a crise econômica (I)

O mercado de cinema no Brasil está indo muito bem, apesar da crise econômica gerada pelo próprio governo. Segundo o jornal Valor Econômico, os cinemas estão faturando alto com números ainda mais expressivos do que os obtidos em 2013 e 2014. O Informe Filme B, de Paulo Sérgio Almeida, o melhor veículo de informação do setor, corrobora. Mas, se o mercado que depende do público vai bem, como está a situação dos filmes brasileiros? É o que veremos nessa matéria que estou dividindo em duas partes

Os cinemas do Brasil desconhece a crise com as salas lotadas: chegará aos R$ 2 bilhões em faturamento?

Os cinemas do Brasil desconhece a crise com as salas lotadas: chegará aos R$ 2 bilhões em faturamento?

Esta primeira parte é dedicada ao mercado exibidor de cinema e aos filmes estrangeiros. E quando se fala em filmes estrangeiros, você já sabe a origem: Hollywood. A segunda tratará do cinema brasileiro.

BRASIL: O MERCADO INTERNO

A despeito de um cenário de desaceleração do setor de serviços no país, as bilheterias dos cinemas brasileiros crescem a dois dígitos e devem manter o ritmo de expansão neste ano”, revela o diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel, ao repórter André Ramalho, autor da matéria “Salas de Cinema Passam ao Largo da Crise”, publicada no último dia 2 pelo jornal Valor Econômico. A informação é confirmada pelo Filme B, em matéria assinada por Thiago Stivaletti.

Vamos esmiuçar. O mercado exibidor nacional vem obtendo crescimento desde 2013. Em 2014, o crescimento foi de 11% a mais em relação a 2013; e agora, em 2015, até setembro, cresceu 18% em relação a 2014, cujo faturamento foi de R$ 1,95 bilhão. 2015 registra, até setembro, um faturamento de R$ 1,8 bilhão.

O MERCADO COM OS ESTRANGEIROS

Esse número potencial do mercado brasileiro o coloca entre os mais fortes do planeta. Está entre os 5 Mais no Ranking dos 10 mais poderosos mercados exibidores do mundo.

Grande parte desse sucesso de bilheteria do mercado exibidor nacional se deve, principalmente, as qualidades das salas de cinema. A Cinépolis, primeiro circuito a digitalizar todas as salas, é um exemplo de qualidade. como as salas DX e Macro XE. . A Cinemark, que não tem salas em Fortaleza, primeiro maior parque exibidor, não fica atrás. Aliás, todas as salas de cinema de Fortaleza estão 100% digitalizadas. A última fora as 12 salas do Kinoplex Iguatemi, uma delas IMAX.

Sala 4 DX da Cinépolis: exemplo de qualidade e de conforto

Sala DX da Cinépolis: exemplo de qualidade e conforto

Com isso, os filmes podem ser apreciados com as suas reais qualidades. Ficaram para trás duas questões: a acusação da ruim qualidade de som das salas de cinema brasileiras; e que o som dos filmes nacionais também era uma desgraça. Será que era? Não seria das salas de cinema? Bem, isso hoje não interessa.

O cinema estrangeiro, neste ano, está mais bem qualificado, seja em termos de “blockbuster” quanto a filmes de arte. E esses dois ramos da indústria e do mercado exibidor serão fundamentais para que o mercado de cinema no Brasil esteja ainda mais fortalecido ao final deste 2015. Os filmes de arte, sejam brasileiros ou estrangeiros, estão beneficiados porque a Cinépolis trouxe para si o Cinema de Arte e o transformou em um projeto nacional, o qual está inserindo essas obras desconhecidas do grande público em seus complexos de shopping. Depois de Fortaleza, Natal, Recife, João Pessoa, Salvador e Manaus, abriu agora em São Paulo, no Cinépolis Iguatemi Alphaville. E a expansão continuará neste segundo semestre.

Com essa projeção, o ritmo de expansão deve continuar e os números de 2014 facilmente batidos. Quem aposta em 2 bilhões em arrecadação? Quem aposta em mais de 2 bilhões em faturamento? Está em dúvida? Então, atente para o que o Cinema vai colocar à sua disposição até o final de dezembro.

Joseph Gordon-Levitt em A TRAVESSIA (2015), de Robert Zemeckis: candidato a sucesso de público

Joseph Gordon-Levitt em A TRAVESSIA (2015), de Robert Zemeckis: candidato a sucesso de público

AS OFERTAS ESTRANGEIRAS

2015 terá o seu 1,95 bilhão de reais ultrapassado pelo conjunto “blockbusters” e comédias brasileiras. Disputa com um objetivo. Os “blockbusters” tiveram forte participação no período de férias e continuam liderando o Ranking Brasil de Bilheteria do Filme B neste segundo semestre.

Neste segundo semestre, a cartela de Hollywood está forte – e não apenas com os “blockbusters”. Já em cartaz, Perdido em Marte, baseado em um romance scifi de sucesso mais difícil de ser lido sem se passar várias páginas que tratam de aspectos técnicos (e os quais adoro) é um exemplo. E os que irão estrear neste mês de outubro não ficam para a trás.

Nesta próxima 5ª feira, dia 8, entram em circuito duas produções fortes: Peter Pan,(2015), de Joe Wright, e A Travessia, de Robert Zemeckis. O terror A Colina Escarlate, de Guillermo Del Toro, o thriller de espionagem Ponte dos Espiões, de Steven Spielberg, o thriller policial sobre traficantes de drogas Sicário – Terra de Ninguém, de Dennis Villeneuve, e a comédia de terror Goosebumps – Monstros e Arrepios, de Rob Letterman, estreiam, no dia 22, Encerram o mês, o drama Os 33, de Patricia Riggen, a aventura O Último Caçador de Bruxas, de Breck Eisner, no dia 29.

NO CORAÇÃO DO MAR (20150, de Ron Howard: atração em dezembro

NO CORAÇÃO DO MAR (2015), de Ron Howard: atração em dezembro

Em novembro: 007 Contra Spectre, de Sam Mendes, lançamento isolado, dia 4. Seguem-se: Como Sobreviver a um Ataque Zumbi, de Christopher Landon (dia 12); Jogos Vorazes – o Final, de Francis Lawrence (dia 18); e Viktor Frankenstein, de Paul McGuigan (dia 19).

E em dezembro, No Coração do Mar, de Ron Howard (dia 3); Christmas Movie, de Jonathan Levine (dia 11); Star Wars – Episódio VIII – o Despertar da Força, de JJ Abrams, e A Vingança Está na Moda, de Jocelyn Moorhouse (dia 17); Land Ho!, de Aaron Katz e Martha Stephens, e Alvin e os Esquilos 4, de Wall Becker (dia 24), entre outros.

Pela cartela de filmes atrativamente fortes, você duvida que a arrecadação não deve bater os 2 bilhões de reais?

Confira, abaixo, o Ranking Brasil-2015, do Filme B, com os filmes de maior bilheteria até agora. E observe que tem apenas uma produção nacional cercada de ‘pesos pesados”. Este solitário Loucas Para  Casar resistirá ao ataque dos “blocbusters” ou terá a presença de outros brasileiros ao  final do ano?

RANKING BRASIL-2015 do FILME B

RANKING BRASIL-2015 do FILME B

 

 

PARA SEMPRE ALICE – PARA REFLETIR E DEBATER SOBRE O MAL DE ALZHEIMER

A retomada do Cinema de Arte, com 52 anos de história, na noite desta terça-feira histórica de 03 de março de 2015, se deu em alto estilo, com uma coletiva de imprensa e a exibição do drama inédito em Fortaleza Para Sempre Alice (Still Alice, 2014) de Richard Glatzer e Wash Westmoreland, que dirigem e assinam o roteiro adaptado do romance de Lisa Genova, lançado no Brasil pela Ediouro

Alec Baldwin e Julianne Moore em PARA SEMPRE ALICE (2014), de Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Alec Baldwin e Julianne Moore em PARA SEMPRE ALICE (2014), de Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Podemos afirmar que o filme é baseado em fatos reais, pois os diretores, que são gays e casados, queriam expor na tela um problema que estão enfrentando, pois Glatzer foi diagnosticado com a doença, que está com uma evolução rápida. Para Sempre Alice, vale mencionar, estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto 2014, onde Julianne Moore se tornou de cara uma das favoritas ao Oscar de Melhor Atriz.

O longa então expõe de maneira visceral a destruição mental provocada pelo mal de Alzheimer na vida da Dra. Alice Howland (Moore), curiosamente uma renomada professora de linguística que é atingida por uma doença que aos poucos desfaz sua capacidade de “alcançar” as palavras em sua mente. O filme mostra de maneira singela, os primeiros sinais da doença, quando ela começa a esquecer de certas palavras e se perder pelas ruas de Manhattan.

Ela então procura ajuda médica de um neurologista e é diagnosticada com Alzheimer. A partir de então, Alice precisa receber o apoio da família, mas por se tratar de uma doença transmitida geneticamente, ela precisa repassar essa informação aos três filhos, para que eles façam exames e descubram se terão ou não a doença. A cena em que Alice se reúne com a família para tratar da situação é comovente. Um detalhe, é que a câmera sempre perto do rosto da personagem principal, aos poucos vai se afastando dela com a evolução do quadro da doença.

A relação de Alice com o marido, John (Alec Baldwin), se torna frágil, mas ela é sólida o bastante para permanecer firme. Anna Howland-Jones (Kate Bosworth), parecidíssima com Moore, está tentando engravidar através de inseminação artificial, descobre que possui o gene da doença e consegue impedir que ele fosse repassado aos gêmeos que ela vêm a conceber. Sua outra filha, Lydia (Kristen Stewart), que no início do longa está distante da mãe em função do seu trabalho de atriz, vai se aproximando e termina o longa como a principal companhia da mãe, que devido a doença, só consegue viver o momento. Aliás a beleza e atuação de Stewart nesse drama estão surpreendentes.

Este filme merecidamente coroou Julianne Moore como Melhor Atriz recentemente no Oscar 2015, além de ter ganhado o Globo de Ouro, o SAG Awards e o BAFTA, as principais premiações da temporada. Ela entrega uma atuação primorosa, muito verdadeira e corajosa. Os coadjuvantes também estão muito bem, fazendo com o público possa se identificar com suas personalidades tão diversificadas, que comprovam que cada ser humano é único. Deve ser visto por médicos, pacientes e especialmente familiares que tem que conviver com um paciente diagnosticado com Alzheimer.

Poster de PARA SEMPRE ALICE (Still Alice, 2014) de Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Poster de PARA SEMPRE ALICE (Still Alice, 2014) de Richard Glatzer e Wash Westmoreland

FICHA TÉCNICA

Para Sempre Alice (Still Alice)

Lançamento: 12/03/2015

Gênero: Drama

Duração: 101 min

Origem: Estados Unidos

Direção: Richard Glatzer, Wash Westmoreland

Roteiro: Richard Glatzer, Wash Westmoreland

Elenco: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Hunter Parrish, Kate Bosworth

Distribuidor: Diamond Films Brasil

Classificação: 14 anos

O filme será exibido novamente em Fortaleza nesta quinta-feira, 05/03 no Cinépolis do Shopping RioMar Fortaleza, às 19h30m. Posteriormente deve estrear no circuito em 12/03.

Confira o trailer de Para Sempre Alice:

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SEMANA 48 – NOVOS FILMES EM CARTAZ NESTA QUINTA-FEIRA

Depois do efeito bombástico da estreia de Jogos Vorazes: a Esperança – Parte 1, que ocupou cerca de 50% das salas de todo o país na semana passada, o circuito começa a respirar um pouco mais. Embora essa não seja uma boa safra, é sempre possível que boas surpresas surjam de onde menos se espera. A semana é marcada pela presença curiosa de filmes gays ou com personagens gays, já que de 28.11 a 04.12 o Cinema do Dragão sedia o 8º For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, com a exibição de longas e curtas metragens abordando o tema por diferentes perspectivas. Veja a programação no site oficial. Quanto ao circuito, três filmes trazem personagens homossexuais: os brasileiros Trinta (2014), de Paulo Machiline, e O Casamento de Gorete (2013), de Paulo Vespúcio, e, em pré-estreia, Saint Laurent (2014), de Bertrand Bonello. A semana também é marcada por histórias de amor, como as contadas em Boa Sorte (2014), de Carolina Jabor, Elsa & Fred (2014), de Michael Radford, e Uma Nova Chance para Amar (2013), de Arie Posin. Correndo por fora, o thriller de ação De Volta ao Jogo (2014), de Chad Stahelski e David Leitch, e a comédia Quero Matar Meu Chefe 2 (2014), de Sean Anders, este em sessões de pré-estreia. Como se vê, não faltam filmes nos cinemas para os cinéfilos em Fortaleza

Matheus Nachtergaele em TRINTA, de Paulo Machline

Matheus Nachtergaele em TRINTA (2014), de Paulo Machline

Já estamos perdendo a conta da quantidade de cinebiografias que foram produzidas nos últimos anos só no Brasil. Só este ano tivemos filmes sobre Getúlio Vargas, Paulo Coelho, Tim Maia e Irmã Dulce. Junta-se ao coro esta história do mestre do carnaval carioca Joãozinho Trinta, chamada apenas Trinta. Matheus Nachtergaele incorpora o carnavalesco numa performance bastante elogiada pela crítica. O enredo acompanha a trajetória de Joãozinho desde a partida de sua cidade natal (São Luís-MA) em busca de sucesso no Rio de Janeiro, onde começou como bailarino. Depois ele seria convidado para produzir o seu primeiro desfile carnavalesco, na Acadêmicos do Salgueiro, há 40 anos. O elenco de apoio do filme é também digno de nota.

TRINTA (Brasil, 2014), de Paulo Machile. Com Matheus Nachtergaele, Paulo Tiefenthaler, Paolla Oliveira, Milhem Cortaz, Fabrício Boliveira, Mariana Nunes, Ernani Moraes, Vinicius de Oliveira, Marco Ricca. 96 min. Fox. 12 anos.

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Keanu Reeves em DE VOLTA AO JOGO (2014), de Chad Stahelski e David Leitch

Keanu Reeves em DE VOLTA AO JOGO (2014), de Chad Stahelski e David Leitch

Um estranho no ninho entre as estreias, mas ao mesmo tempo o mais atraente dos filmes, De Volta ao Jogo é mais uma história de um assassino de aluguel aposentado que tem que voltar ao trabalho por causa de algo que perturba sua paz. Já vimos algo parecido em O Protetor, com Denzel Washington, mas ao que parece existe apenas este ponto em comum. A intenção dos diretores do filme é emular tanto animes e filmes de ação de Hong Kong, quanto westerns spaghetti. Com tanta homenagem boa e um sempre simpático Keanu Reeves à frente do elenco, De Volta ao Jogo parece animador.

DE VOLTA AO JOGO (John Wick, EUA/Canadá/China, 2014), de Chad Stahelski e David Leitch. Com Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe, Dean Winters, Adrianne Palicki. 101 min. Imagem Filmes. 18 anos.

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João Pedro Zappa e Deborah Secco em BOA SORTE (2014), de Carolina Jabor

João Pedro Zappa e Deborah Secco em BOA SORTE (2014), de Carolina Jabor

Depois de uma semana de pré-estreia com poucas sessões, Boa Sorte promete alcançar um público maior agora que entra em cartaz pra valer. Deborah Secco emagreceu 11 quilos para viver uma jovem soropositiva em estado grave em uma clínica psiquiátrica. Judite, sua personagem, foi internada por causa dos delírios e alucinações. O que ela não esperava é que, dentro da instituição psiquiátrica, encontraria um grande amor, na figura do jovem João (João Pedro Zappa). Adaptação de um conto de Jorge Furtado, Boa Sorte é a estreia na direção de Carolina Jabor, filha do cineasta, cronista e comentarista político Arnaldo Jabor. Na trama, como ela não tem muito tempo de vida, o máximo que eles podem fazer é aproveitar a oportunidade de ficarem juntos, nem que seja entre os muros da clínica.

BOA SORTE (Brasil, 2014), de Carolina Jabor. Com Deborah Secco, João Carlos Zappa, Gisele Froés, Felipe Camargo, Cássia Kis Magro, Edmilson Barros, Pablo Sanábio, Fernanda Montenegro. 89 min. Imagem Filmes. 16 anos.

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Shirley MacLaine e Christopher Plummer em ELSA & FRED (2014), de Michael Radford

Shirley MacLaine e Christopher Plummer em ELSA & FRED (2014), de Michael Radford

Refilmagem do argentino Elsa e Fred (2005), de Marcos Carnevale, a versão americana traz um casal que já fez muito pelo cinema hollywoodiano no papel do casal de idosos que descobrem que ainda não é tarde para se apaixonar e voltar a estar de bem com a vida. Na história, os dois passam a ficar amigos e a partir da amizade surge o amor. É um tipo de enredo que depende muito de diálogos bem construídos e de boas interpretações, além de bom pulso do diretor. Aqui, temos Michael Radford, que conta com alguns ótimos e bem distintos filmes no currículo, como 1984 (1984) e O Carteiro e o Poeta (1994).

ELSA & FRED (EUA, 2014), de Michael Radford. Com Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Marcia Gay Harden, Scott Bakula, Chris Noth, George Segal, James Brolin. 94 min. Diamond. 14 anos.

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Annette Bening e Ed Harris em UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (2013), de Arie Posin

Annette Bening e Ed Harris em UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (2013), de Arie Posin

Um outro filme sobre uma outra história de amor entre pessoas mais maduras é o cartaz do Cinema de Arte, Uma Nova Chance para Amar, cujo enredo é bem interessante. Na trama, Annette Bening é uma viúva que sofre durante muitos anos com a perda do marido, que morreu afogado no mar. Sua vida vira de pernas para o ar quando ela descobre um homem idêntico a ele (Ed Harris) e passa a persegui-lo, a fim de iniciar um novo romance. O filme equilibra bem o lado romântico com o clima misterioso, com passagens que remetem ao clássico do suspense de Alfred Hitchcock Um Corpo Que Cai.

UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (The Face of Love, EUA, 2013), de Arie Posin. Com Annette Bening, Ed Harris, Robin Williams, Jess Weixler, Linda Park, Jeffrey Vincent Parise, Amy Brenneman. 92 min. California. 12 anos.

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Leticia Spiller em O CASAMENTO DE GORETE (2012), de Paulo Vespúcio

Leticia Spiller em O CASAMENTO DE GORETE (2012), de Paulo Vespúcio

Ao que parece, pelo jeito que se vende no trailer, O Casamento de Gorete é uma dessas produções que remetem muito ao humor televisivo decadente estilo Zorra Total, com exageros no trato com os personagens homossexuais, em geral mostrados de maneira estereotipada e histriônica. Há críticos que já viram o filme em festival que dizem que se trata de uma obra até mesmo preconceituosa com o público gay, mas é preciso ver para confirmar se isso não é uma acusação infundada. Na trama, pai rejeita o filho por ele ser homossexual. Passados vários anos, quando o pai está à beira da morte e o filho já é uma mulher chamada Gorete (Rodrigo Sant’Anna), ela descobre que para receber a herança é preciso casar. Começa a corrida para encontrar um marido para Gorete. Letícia Spiller aparece no papel de uma drag queen.

O CASAMENTO DE GORETE (Brasil, 2013), de Paulo Vespúcio. Com Rodrigo Sant’Anna, Tadeu Mello, Ataíde Arcoverde, Antônio Firmino,  Carlos Bonow, José Victor Amorim, Leila Viany, Letícia Spiller, Maria Cristina Gatti, Nando Rodrigues, Pedro Novaes, Ricardo Blat, Tonico Pereira, Virginia Rodrigues. 93 min. Europa. 12 anos.

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Pré-estreias

Gaspard Ulliel em SAINT LAURENT (2014), de Bertrand Bonello

Gaspard Ulliel em SAINT LAURENT (2014), de Bertrand Bonello

Ao que parece, a onda das cinebiografias não está acontecendo só no Brasil, já que, no mesmo ano, o estilista Yves Saint Laurent ganhou dois filmes sobre sua vida. O primeiro, Yves Saint Laurent, de Jalil Lespert, foi lançado no Brasil em outubro. O segundo, Saint Laurent, do celebrado cineasta Bertrand Bonello, de filmes como O Pornógrafo (2001), Tirésia (2003) e L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância (2011), parece ter tudo para ser bem melhor, tendo em vista o respeitável histórico do diretor. O filme acompanha a vida do estilista de 1967 a 1976, quando estava no auge da carreira.

SAINT LAURENT (França/Bélgica, 2014), de Bertrand Bonello. Com Gaspar Ulliel, Jérémie Renier, Louis Garrel, Léa Seydoux, Amira Casar, Aymeline Valade, Helmut Berger, Valeria Bruni Tedeschi. 150 min. Imovision. 12 anos.

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Jason Sudeikis, Jason Bateman, Charlie Day e Jennifer Aniston em QUERO MATAR MEU CHEFE 2 (2014), de Sean Anders

Jason Sudeikis, Jason Bateman, Charlie Day e Jennifer Aniston em QUERO MATAR MEU CHEFE 2 (2014), de Sean Anders

Depois do divertido Quero Matar Meu Chefe (2011), de Seth Gordon, a gangue do elenco principal novamente se reúne para novas presepadas. Mudou o diretor. Se Seth Gordon tinha um bom currículo de comédias, Sean Anders não fica atrás, tendo como trabalhos de destaque a direção de Sex Drive – Rumo ao Sexo (2008) e o roteiro de Família do Bagulho (2013). É esperar que em Quero Matar Meu Chefe 2 as piadas não estejam requentadas e que a criatividade impere. Tudo em prol da arte de fazer rir. Jennifer Aniston, pelo que dizem, volta tão tarada quanto no primeiro filme. Bom para o espectador.

QUERO MATAR MEU CHEFE 2 (Horrible Bosses 2, EUA, 2014), de Sean Anders. Com Jason Sudeikis, Jason Bateman, Charlie Day, Jennifer Aniston, Kevin Spacey, Jamie Foxx, Chris Pine, Christoph Waltz, Jonathan Banks. 108 min. Warner. 14 anos.

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Saem de cartaz

O Melhor de Mim
Questão de Escolha

Estreias nacionais desta quinta-feira, 27, que não entram em cartaz em Fortaleza

Os Amigos, de Lina Chamie
Sétimo, de Patxi Amezcua

Veja o trailer de Os Amigos

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PERFIL – PEDRO MARTINS FREIRE

PEDRO MARTINS FREIRE

PEDRO 2014-2Cearense, nascido em 1951, descobri cedo a paixão pelo Cinema e o privilégio de passar a estudá-lo quando, em 1965, Wilson Baltazar me levou para assistir a Vampiros de Almas (Invasion of a Body Snatchers, 1956), de Donald Siegel, no Clube de Cinema de Fortaleza, então presidido por seu criador, Darcy Costa. Dois anos depois convidado por Darcy, passei a escrever para a Gazeta de Notícias, e, poucos meses depois, no Unitário, por Lustosa da Costa, meu pai de jornalismo. Depois, para o caderno de cultura do Correio do Ceará, onde criei o Conselho de Cinema (cotação dos filmes em cartaz), através do qual consegui unir os críticos da terra.

Em 1971, Darcy e Cosme Alves Neto me deram uma bolsa para estudar na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de onde sai com um canudinho. Retornando no ano seguinte, assumi definitivamente o exercício da crítica cinematográfica. A grande decepção: ter dirigido o documentário/super 8 Homens Trabalhando, no qual registrei Chico da Silva (1910-85) pintando (e assinando) o mural da Casa de Cultura Raimundo Cela, produzido por um conhecido artista plástico da terra que se assumiu como o seu único realizador.

Dez anos depois, assumi a programação do Cinema de Arte, projeto de exibição de filmes criado por Darcy Costa e Luiz Severiano Ribeiro em 1963 e atualmente expandido para as cidades de Recife e Maceió. Naquele mesmo ano, 1981, escrevi um dos artigos do Número Zero do Diário do Nordeste, veículo ao qual fiquei vinculado até abril de 2014. Ali, além da crítica de cinema, participei da TV DN (estreias de Cinema), dos programas multimídias e editei o Blog de Cinema, cujo modelo visual acabou se tornando padrão. Trabalhar no Diário do Nordeste foi uma das grandes paixões da minha vida.

Em 1981 percebi que o Cinema de Arte, projeto criado por Darcy Costa e Luiz Severiano Ribeiro para trazer os filmes de qualidade artística que não chegavam comercialmente à Fortaleza, estava desativado, após ter guarida nos cinemas Diogo, Samburá (depois rebatizado de Fortaleza) e São Luiz. Abrigado no Cine Haway, no Shopping Center Um, o primeiro da cidade, o CA ficou ali até 1993, quando o cinema fechou e, no ano seguinte, retomou as atividades nas 3 salas do Grupo Severiano Ribeiro no Iguatemi, depois passou para o Multiplex UCI Ribeiro (agora rebatizado UCI Kinoplex). O Cinema de Arte é um circuitinho nordestino nas cidade de Fortaleza, Recife e Maceió. A luta agora é por uma sala que resgate a programação posta em estudo no extinto Studio Beira Mar (1995-98), a primeira sala especializada em filmes de arte do Norte/Nordeste.

Ao mesmo tempo em que o Cinema de Arte cumpria a sua função, dividi as minhas atividades entre o Diário do Nordeste e a retomada da cadeira de estudante de Filosofia, cujo desfecho foi a minha graduação pela Universidade Estadual do Ceará-UECE – e essa é uma das maiores alegrias deste filho de pais carvoeiros. Carlos Dalia, Expedito Passos, Emmanuel Rocha Fragoso, Eliane, foram alguns dos meus grandes e inesquecíveis professores.

Mas, é bom olhar para trás. Para chegar a tal condição de “fazer as coisas”, reconheço, contei, além dos já citados, com a generosa e fundamental presença de Tarcísio Tavares, meu inesquecível pai-amigo, além de João Ramos, Miguel Dias, Afrânio Peixoto, Guilherme Neto, Edilmar Norões, entre outros, dos quais não esqueço pelas oportunidades concedidas em seus respectivos veículos de comunicação. Olhando para trás, sinto que não os decepcionei.

E agora, com Cinema e Artes, mais um iluminado desafio, ao lado de uma equipe jovem, extraordinária e leal, formatada ao tempo do Blog de Cinema, surge um novo passo, outro desafio de continuar “fazendo as coisas”.

O exercício do trabalho na cultura e na educação é a minha retribuição à sociedade a qual integro.

 

LITERATURA & CINEMA – das páginas para as telas

A relação Literatura e Cinema tem gerado, através dos tempos, uma inquietante e velha perguntinha: o livro é melhor do que o filme? E a maioria, geralmente, diz que sim. Os defensores do cinema, por sua vez, argumentam: livro e filme são linguagens diferentes e, por isso, não podem ser comparados. Bem, essa discussão jamais obterá uma unanimidade, mas independente disso você pode – e deve – conferir alguns livros que estão, também, nos cinemas, na televisão e nas locadoras. E todos em versões cinematográficas fascinantes, Confira a minha sugestão na base do leia o livro, veja o filme

Audrey Rautou e FRançois Damiens em A DELICADEZA DO AMOR (2011), de Vid Foenkinos: o romantismo e o amor

Audrey Tautou e François Damiens em A DELICADEZA DO AMOR (2011), de David Foenkinos: o romantismo e o amor

 Selecionei 3 títulos cujas adaptações foram bem recebidas pelos críticos de ambas as artes. Pela ordem alfabética, A Delicadeza, de David Foenkinos; A 25ª Hora, de Virgil Gheorghiu, e Garota Exemplar, de Gillian Flynn.

A DELICADEZA
O título original (La Delicatesse, 2011) expressa justamente isso: o amor vivido com a delicadeza que deve ser partilhada entre os apaixonados, seja dentro ou fora do casamento. E, quanto a isso, é altamente recomendável para os românticos. Seu autor, o parisiense David Foenkinos, 40, estudou letras na Sorbonne, se formou em jazz e é professor de violão. Ele conta a história de Nathalie, uma jovem que conhece o homem de sua vida, François, em uma livraria. Após alguns anos vivendo aquilo que ela dizia ser o casamento perfeito – a ponto de suspeitar que as pessoas tinham inveja de sua felicidade -, François morre em um acidente de trânsito. O mundo dela desaba, torna-se uma pessoa solitária e evita os amigos, incluindo o seu chefe, que a assedia. Um dia, espontaneamente, beija um colega, Markus, tão solitário quanto ela… E aí, nasce uma fantástica história de aceitação do amor.

O FILME
Lançada no Brasil com o título de A Delicadeza do Amor (2011), a adaptação tem a direção do próprio Foenkinos, que além de ter seguido rigidamente o enredo de seu romance, também caprichou na trilha sonora. Audrey Tautou, a eterna Amelie Poulain, interpreta Nathalie, e François Damiens, Markus. Exibido em Fortaleza pelo Cinema de Arte em 2012, já é encontrado nas locadoras.

Anthony Quinn em A 25ª HORA (1967), de Henri Verneuil: o ridículo da guerra por Virgil Georgehiu

Anthony Quinn em A 25ª HORA (1967), de Henri Verneuil: o ridículo da guerra por Virgil Georgehiu

A 25ª HORA
Escrito em 1948 e publicado no ano seguinte, A 25ª Hora (Ora 25/La Vingt-Cinquième Heure, no título francês), é tido com a obra maior do romeno Constantin Virgil Gheorgiu (1916-1992), autor de outros 24 romances, nenhum deles editado no Brasil. Secretário da embaixada do Ministério dos Negócios Estrangeiros do ditador Ion Antonescu (1882-1946), ele preferiu o exílio em 1944 quando os russos ocuparam o seu país, mas acabou aprisionado pelas tropas americanas no ano seguinte e, em 1948, foi morar na França, onde escreveu o romance. A primeira edição do livro foi lançada no Brasil há 49 anos e, agora, é relançada em nova tradução pela Editora Intrínseca.

O LIVRO
Compondo a sua história de prisioneiro de guerra com a de um fictício camponês romeno, Iohann Moritz, acusado de ser judeu por um soldado que deseja a sua mulher, Suzanna, cai nas mãos dos nazistas e ao longo de 13 anos passa por dezenas de campos de concentração e torturas, e até mesmo, como ironia à ideologia dos homens, é utilizado em propaganda como exemplo da linhagem ariana. Georghiu cria um enredo instigante, histórico e reflexivo sobre a 2ª Guerra Mundial e a exploração do homem via ideologia – ele vai de um falso judeu ao já citado tipo racial ariano exemplar, simbolizando o ridículo das guerras, do racismo e da discriminação.

O AUTOR
VGGeorghiu estudou teologia e filosofia e o seu romance trafega nas reflexões geradas, nesses campos do pensamento, quanto à condição humana em tempos de guerra. Uma obra notável, independente do fato de que, em 1952, ele foi declarado racista ao ser descoberto que era o autor de um romance escrito em 1941, antes dele sair da Romênia, intitulado Ard Malurile Nistrului, que atacava os judeus e elogiava os nazistas. Foi um escândalo que quase acabou com a sua credibilidade, pois ele nunca, publicamente, reconheceu o seu preconceito. Isso viria a ficar registrado no seu livro de memória lançado em 1986, em cujo prefácio assumia que tenho vergonha de mim mesmo ao sentir-se como um criminoso da Guarda de Ferro – grupo ultranacionalista, anticomunista e anti-semita que promovia a fé cristã e foi responsável por massacres e extermínios  em períodos de guerra. Georghiu terminou a sua existência terrena como um premiado sacerdote da Igreja ortodoxa romena.

O FILME
Carlo Ponti (1912-2007), renomado produtor italiano (Giordano Bruno/1973, Um Dia Muito Especial/1977), marido de Sofia Loren, 80, de 1957 até a sua morte, lançou-o em 1967 (uma coprodução França, Itália e Iugoslávia) sob a direção do francês Henri Verneuil (1920-2002), com Anthony Quinn e Virna Lisi no papel do casal. O filme expressa bem as ideias de Georghiu e exibe a crueza das torturas e da inacreditável história de Iohann, levando o espectador a uma baita reflexão sobre o nazismo e as ideologias políticas. O filme, por sua vez, lançado à época nos cinemas, fez um grande sucesso comercial. Mais tarde, chegou às locadoras em VHS pela extinta New Line Home Vídeo e, mais recentemente nas bancas jornais e revistas pela Cine Digital. É mais fácil encontrá-lo nos sites de vendas.

Ben Affleck em GAROTA EXEMPLAR (2014), de David Fincher: a visão de um casamento por Gillian Flynn

Ben Affleck em GAROTA EXEMPLAR (2014), de David Fincher: a visão de um casamento por Gillian Flynn

GAROTA EXEMPLAR
Considerado um dos maiores lançamentos do ano nos EUA, onde mais de dois milhões de exemplares foram adquiridos, Garota Exemplar vendeu, de fevereiro para cá no Brasil, mais de 75 mil exemplares. O lançamento é da Editora Intrínseca. Em termos mundiais, já são mais de 6 milhões de cópias vendidas, e deve continuar a escalada numérica agora que a sua adaptação literária já está nos cinemas.

Eleito pelos jornais The New York Times, Chicago Tribune, The New Yorker e People Magazine, entre outros, como o melhor livro editado nos EUA em 2012, ano em que foi lançado, Garota Exemplar conta a história de um marido (Ben Affleck) ue denuncia o desaparecimento de sua esposa (Rosamund Pike) e tanto a comunidade quanto a polícia se empenham em localizá-la, mas, ao correr das investigações surge a suspeita de que ele a tenha matado. É uma trama eletrizante e que mantém o leitor em constante dubiedade em relação aos personagens e com a sua narrativa não linear. Flynn disse queria tratar do casamento, e a abordagem da aparente felicidade de um casal é feita de forma exemplar, mesclando humor e suspense.

Confira uma entrevista de Gyllian Flynn, aqui.

O FILME
Recém lançado nos cinemas, Garota Exemplar tem a adaptação cinematográfica pela própria autora, o que é uma garantia de fidelidade ao romance. Mas, a linguagem cinematográfica deve prevalecer porque o diretor se chama David Fincher, 52, o realizador de Seven – os 7 Crimes Capitais (1995), Clube de Luta (1997), O Curioso Caso de Benjamin Button (2002), A Rede Social (2011) e Millenium – os Homens que não Amavam as Mulheres, criações que comprovam o seu respeito às obras literárias e seus autores. Pode ser um dos grandes sucessos do ano.

Leia os livros e, se possível, veja os filmes e decida: os filmes são melhores do que os livros? Os livros são melhores do que os filmes? Ou deu empate?

FICHAS TÉCNICAS

OS LIVROS

LAA DELICADEZA
La Delicatesse
Autor > David Foenkinos
Editora > Rocco
Tradução > Bernardo Ajzenberg
Páginas > 191
Preço > De R$ 20,70 a R$ 34,50

25LA 25ª HORA
La Vingt-Cinquième Heure
Autor > Virgil Georghiu
Editora > Intrínseca
Tradução > André Telles
Páginas – 352
Preço – R$ 34,90

GEGAROTA EXEMPLAR
Gone Girl
Autor > Gillian Flynn
Editora > Intrínseca
Tradução > Alexandre Martins
Páginas > 446
Preço > 39,90

OS FILMES

A DELICADEZA DO AMOR
La Delicatesse
Itália, 2011
Direção – David Foenkinos
Elenco – Audrey Tautou, François Damiens, Bruno Todeschini, Mèlinie Bernier e Pio Marmai
Comédia Romântica
108 minutos
Califórnia Filmes

A 25ª HORA
La Vingt-Cinquième Heure
Itália-França-Iugoslávia, 1967
Diretor – Henri Verneuil
Elenco – Anthony Quinn, Virna Lisi, Gregoire Aslan, Michael Redgrave e Marcel Dalio
Drama de guerra
130 minutos

GAROA EXEMPLAR
Gone Girl
Diretor – David Fincher
Elenco – Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris, Tyler Perry e Carrie Coon
Suspense
149 minutos
14 anos
Warner

Confira o trailer de A Delicadeza do Amor.

Imagem de Amostra do You Tube