SPIRIT-2017 – UMA ANÁLISE DOS INDICADOS

Satellite, Gotham, Spirit formam as mais importantes premiações do cinema independente dos EUA. Enquanto o Gotham já premiou os seus indicados, o Spirit e o Satellite anunciam os seus destaques. Os selecionados pelo Spirit já são conhecidos e aqui faremos uma análise dessas indicações, comparando-as aos nomeados pelo Gotham. Os nomeados pelo Satelllite cvocê já pode conferir através do banner na home. A surpresa do Spirit reside, para nós brasileiros, na lista de candidatos ao prêmio de filme estrangeiro, pois Aquarius, o polêmico trabalho de Kleber Mendonça Filho, está entre os 5 selecionados. Loving, Manchester à Beira-Mar, Moonlight e  Docinho Americano terão, entre outros, um grande embate pelas principais categorias

DOCINHO AMERICANO (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a busca da liberdade da juentude por Andrea Arnold

LOVING (2016): o racismo e o preconceito por Jeff Nichols; DOCINHO AMERICANO (2016): a juventude a liberdade por Andrea Arnold

A festa do Spirit Awards, originalmente conhecidos como FINDIE (Friends of Independent), reúne os melhores talentos de Hollywood e os mais importantes da cena independente e é realizada desde 1974 pela Film Independent, uma organização sem fins lucrativos dedicada aos filmes e cineastas do cinema produzido pelos estúdios pequenos e médios. A cerimônia. São concedidos prêmios como Melhor Filme, Melhor Primeiro Filme e Mel e Jackieor Filme feito com menos de 500 mil dólares (o Prêmio John Cassavetes), entre outros.

Diferentemente da última edição, quando houve vazamento dos indicados cuja relação apareceu antecipadamente na internet, tudo correu normalmente. Outro fato notável é que, nos últimos 3 anos, o Spirit tem se mostrado o mais certeiro dos termômetros do Oscar, com filmes como Birdman (2014) e Spotlight – Segredos Revelados (2015), ganhadores da estatueta de Melhor Filme nos anos anteriores.

Neste, os preferidos são American Honey, de Andrea Arnold, aqui aqui recebeu o título de Docinho Americano, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 6 indicações, seguido de Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan, com 4, Jackie, do chileno Pablo Larrain, e Moonlight, de Barry Jenkins, com 3 cada. Manchester à Beira-Mar, Capitão Fantástico e Jackie já têm lançamento confirmados no Brasil. E neste ano o Spirit só não vai antecipar uma lista ampliada de indicados à premiação da Academia porque só pode selecionar produções com orçamento, o “budget”, limitados a até US$ 20 milhões.

Confira o trailer de Capitão Fantástico.

Em função disso, títulos importantes como La La Land – cantando Estações, de Damian Chazelle (custo não fornecido), Animais Noturnos, de Tom Ford (orçamento de 22,5 milhões de dólares), 7 Minutos Depois da Meia-Noite, de Juan Antonio Bayona (US$ 43 milhões), afora outros credenciados que não tiveram os seus custos revelados pelas respectivas produtoras: Pastoral Americana (American Pastoral), a estreia de Ewan McGregor na direção; Senhora Sloane (Miss Sloane), de John Madden, Vincent N Roxxy, de Gary Michael Schultz; Away, de David Blair; Ouro e Cobiça (Gold), de Stephen Gaghan, e Demolition, de Jean Marc-Vallee, entre outros.

Vale destacar outra dezena de filmes independentes e elogiados pela crítica, que sequer foram lembrados. Ei-los: A Família Hollar (The Hollars, US$ 3,8 milhões, de John Krasinsky, Quando te Conheci (Equals, US$ 16 milhões), O Nascimento de uma Nação (A Birth of a Nation, US$ 8,6 milhões), de Nate Parker; The Edge of Seventeen (US$ 9 milhões), de Kelly Fremon Craig; e Bonjour Anne (US$ 5 milhões), de Eleanor Coppola, a senhora Francis Ford Coppola, entre outros.

OS NOMEADOS

A seleção de apenas filmes alguns é injusta, como se pode perceber nos tópicos acima. O cinema estadunidense, digamos Hollywood, produz mais 200 filmes por ano, se contarmos as coproduções com outros países. Essa produção independente já alcançou respeitabilidade e hoje ocupa os grandes circuitos e os de arte dos EUA. E, há pelo menos duas décadas é o destaque nas premiações do Globo de Ouro e do Oscar. A produção independente modificou o mercado estadunidense e está encontrando ressonância em outros países.

BRASIL EM DESTAQUE

Mas, deixando o mercado de lado, considera fundamental que o internauta do cinema e artes tenha mais informações dos concorrentes aos prêmios Gotham e Spirit, lembrando que o Brasil está expressivamente privilegiado nas indicações ao Spirit. Como assim? Aquarius compete entre os finalistas a melhor filme em língua estrangeira; o roteirista Mauricio Zacharias está lembrado com o filme Melhores Amigos; além do produtor Rodrigo Teixeira, que tem o seu A Bruxa (The Witch), indicado em duas categorias.

Confira os indicados em cada categoria e, em seguida, mais informações sobre os mais importantes, informando que a cerimônia de entrega dos Spirit Awards-2017 será transmitida, ao vivo pelo A&E Mundo, com tradução simultânea em Espanhol e Português. O evento será realizado, como em todos os anos, em uma tenda na praia, em frente ao famoso caís de Santa Mônica, em Los Angeles, Califórnia.

Data da Premiação – 25 de fevereiro, véspera do Oscar.

OS INDICADOS

MELHOR FILME

A seleção do cinema independente traz polêmicas e revelações.

DOCINHO DA AMÉRICA
American Honey, EUA, 2016
Direção: Andrea Arnold
Elenco: Shia LeBeouf, Sasha Lane e Riley Keough. Drama. 142 minutos.

Uma adolescente de espírito livre foge de casa, integra-se a uma equipe de vendas itinerante que percorre o centro-oeste e mergulha em um turbilhão de eventos em festas, drogas, sexo e crimes.

Primeiro trabalho em Hollywood da consagrada cineasta inglesa Andrea Arnold, de Marcas da Vida (2006), À Deriva (209) e O Morro dos Ventos Uivantes (2011). Vaiado após a exibição em Cannes, onde ganhou a fama de “o pior do festival”, o crítico Rodrigo Fosenca, “é no mínimo espantoso que uma produção tão rasa, de 2h42m de puro tédio, com roteiro rocambolesco e vazio, com esboços de personagens e rascunhos de atuações, possa ter alcançado tamanho prestígio”. Mas, lá mesmo em Cannes, levou o Prêmio do Júri e a Menção Especial do Júri, e no Festival de Estocolmo-2016, recebeu o Prêmio Fipresci, da crítica internacional. Jacobs Matthew, do Huffington Post, o classifica como “mais mais do que um filme sobre jovens desajustados e sem esperança”.

Veja o trailer de American Honey, legendado em espanhol.

CHRONIC
Chronic, EUA, 2016
Direção: Michel Franco
Elenco: Tim Roth e Bitsie Tulloch. Drama. 93 minutos.

David, enfermeiro que fornece assistência em domicílio a pacientes em fase termina, vai além do que seu emprego exige, tornando-se um grande companheiro nos momentos mais difíceis das vidas dessas pessoas. Por outro lado, é um solitário que tenta, à sua maneira, restabelecer contato com Nádia, a sua filha.

Michel Franco, 36, é conhecido no Brasil pelo drama Depois de Lúcia (2012). Premiado nos Festivais de New Hamphire e Cartagena como Melhor Filme; e no Festival de Cannes-2016 com o Melhor Roteiro, Chronic foi, segundo o seu diretor, inspirado pela situação vivida pela sua avó que, doente, ficou vários meses preso à cama de falecer. “Isto me levou a pensar como é a vida de uma pessoa que trabalha nesta área. É o resultado do sentimento que tive por uma enfermeira, Beatriz, que cuidou da minha avó e compareceu ao enterro para ver os familiares. Perguntei há quanto tempo estava neste trabalho e ela respondeu 20 anos. Decidi fazer um filme sobre o tema“. “Chronic consegue evitar o excesso de drama e sentimentalismo ao abordar com sutileza situações complicadas, como por exemplo a passagem de tempo particular de pessoas que não esperam mais nada, em um clima de tédio infinito”, avalia o France Press, um dos principais veículos da imprensa da Europa.

Confira o trailer de Chronic.

JACKIE
EUA/Chile, 2016
Direção: Pablo Larrain
Com Nathalie Portman, Peter Skarsgaard e Greta Gerwig. Drama. 100 minutos.

Dallas, Texas, 22 de novembro de 1963. O presidente John Fitzgerald Kennedy, enquanto participa de uma carreata, é alvejado por um atirador, deixando a primeira-dama, Jacqueline Kennedy, em desespero, e a nação perplexa. Para ela, é o início de dias de aflição, angústias e decisões que ficaram distantes do público e que agora são reveladas.

Baseado em argumento de Noah Oppenheimer, o roteirista da séries Maze Runner: Correr ou Morrer e Divergente: Convergente (2016), seria dirigido por Darren Arenovsky e teria a sua mulher, Raquel Weisz, como Jaqueline, mas ele desistiu, ficando apenas como produtor. Com isso, ele passou a direção para o chileno Pablo Larrain, que faz a sua estreia em Hollywood, e o papel de Jacqueline foi para Nathalie Portman, com quem Darren já tinha trabalhado em Cisne Negro (2010).

Confira o trailer de Jackie.

MANCHESTER À BEIRA-MAR
Manchester by he Sea, EUA, 2016
Direção: Kenneth Lonnergan
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Matthew Broderick, Gretchen Mol, Tate Donovan e Kara Hayward. Drama. 135 minutos. 12 anos.

North Shore, Massachussets, EUA. Após a súbita morte de Joe, seu irmão mais novo, Lee Chandler retorna à sua natal aldeia de pescadores. Obrigado a ficar ali porque o irmão o designou como único tutor de seu filho, Patrick, de 16 anos. Lidar com a morte do irmão, educar o sobrinho e enfrentar os tormentos que o levaram a se separar da mulher, Randi, e encarar a comunidade, o fazem reviver, ainda, trágicas memórias.

Terceiro longa de Kenneth Lonnergan, 54, vencedor do Hollywood Film Awards-2016 de Roteirista do Ano e que recebeu do Gotham o prêmio de Melhor Ator, paraCasey. Realizador de Conta Comigo (2000) e Margareth (2011), Lonnergan herdou o enredo escrito pelo ator Matt Damon – e seria a sua estreia como diretor. Orçado em US$ 8 milhões e alvo de disputa, em Sundance por vários estúdios, ficou com a Sony por US$10 milhões.

MOONLIGHT
Moonlight, EUA, 2016
Direção: Barry Jenkins
Elenco: Ashton Sanders, Trevante Rhodes Naomie Harris, Andre Holland, Jharrel Jerome, Mahershala Ali, Janelle Monae e. Drama racial.

As três fases da existência de Chiron, da infância e a adolescência até a vida adulta, em todas lidando com duas questões básicas: ser negro e gay. Envolvendo-o, a busca pela sobrevivência num dos bairros barra-pesada de Mimai e a luta desesperada para encontrar o seu lugar no mundo.

Produzida pelo estúdio Plan B, de Brad Pitt, é o segundo trabalho do diretor Barry Jenkins, 36. Vencedor do Gotham de Melhor Filme, Roteiro e do Prêmio Especial do Júri, é o grande favorito para levar os demais prêmios do cinema independente, e que, sem dúvida, estará entre os apontados às principais categorias do Globo de Ouro e do Oscar.

MELHOR DIRETOR
Andrea Arnold, Docinho Americano
Pablo Larraín, Jackie
Jeff Nichols, Loving
Kelly Reichardt, Certas Mulheres
Barry Jenkins, Moonlight

MELHOR ATRIZ
Annette Bening, 20th Century Women
Isabelle Huppert, Elle
Sasha Lane, Docinho Americano
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie

MELHOR ATOR
Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar
David Harewood, Free In Deed
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico
Jesse Plemons, Other People
Tim Roth, Chronic

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Edwina Findley, Free In Deed
Paulina Garcia, Melhores Amigos (Best Friends)
Lily Gladstone, Certas Mulheres
Riley Keough, Docinho Americano
Molly Shannon, Other People

Veja o trailer do neo-zelandês Free in Deed.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ralph Fiennes, A Bigger Splash
Ben Foster, A Qualquer Custo (Hell or High Water)
Lucas Hedges, Manchester à Beira-Mar
Shia LaBeouf, Docinho Americano
Craig Robinson, Morris from America

MELHOR ROTEIRO
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar
Mike Mills, 20th Century Women
Ira Sachs & Mauricio Zacharias, Melhores Amigos
Taylor Sheridan, A Qualquer Custo

MELHOR PRIMEIRO FILME
The Childhood of a Leader, de Brad Corbett (5 premios)
The Fits, de Anne Rose Holmer (ganhador de 8 prêmios)
Other People, de Chris Kelly
Swiss Army Man, de Dan Kwan e Daniel Scheinert (5 premios)
A Bruxa, de Robertr Eggers (7 prêmios)

Conheça o trailer de 20th Century Women.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Todos os indicados merecem considerações. Confira-as.

AQUARIUS
BRASIL, 2016
Direção: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Sonia Braga, Jeff Rosick, Irandhir Santos e Maeve Jinkings. Drama social. 140 minutos. 16 anos. Vitrine Filmes.

Recife, tempos atuais. Clara, 65 anos, jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos, mora em um apartamento localizado na Avenida Boa Viagem, onde criou os filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.

Terceiro longa-metragem do pernambucano Kléber Mendonça Filho, de Crí-tico (2008) e O Som ao Redor (2012), disputou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016, ganhou elogios da crítica internacional e uma polêmica pela manifestação política da equipe denunciando “um golpe político” com a destituição, pelo Congresso e STJ, da então presidenta Dilma Roussef. Se por um lado atendeu aos anseios da esquerda, ensejou o repúdio da direita do País. E acabou, com isso, perdendo a chance de representar o Brasil no Oscar-2017 de Filme Estrangeiro ao ser defenestrado pela Comissão de Seleção do Ministério da Cultura.

CHEVALIER
Chevalier, Grécia, 2015
Direção: Athina Rachel Tsangari
Elenco: Panos Koronis, Vangelis Mourikis e Makis Papadimitriou. Comédia. 105 minutos.

Grécia. Durante o inverno, 6 amigos voltam de uma viagem de pesca e barco tem um problema mecânico no iate e eles à deriva no mar Egeu. Para passar o tempo, eles desenvolvem um jogo divertido e altamente competitivo chamado Chevalier. Durante este jogo, as coisas serão comparadas. As coisas serão medidas. Músicas vão ser massacradas, e sangue será testado. Amigos se tornará rivais e rivais se tornarão agressivos. Nenhum deles tem a intenção de sair do iate sem ser coroado o vencedor.

Lançado no Festival de Toronto-2015, é o terceiro trabalho da cineasta grega Athina Rachel Tsangari, ganhadora de 12 prêmios e mais 12 nomeações. Ganhador do prêmio de Melhor Filme do Festival de Londres-2016 por ser “uma comédia hilariante e uma declaração profundamente perturbador sobre a condição da humanidade ocidental”, é o representante grego ao Oscar-2017 de Filme Estrangeiro. Obteve receptividade positiva na Alemanha, o site Rotten Tomatoes dá-lhe 82% de críticas positivas e o MetaCritic 74%.

Conheçam o trailer de Chevalier.

TRÊS LEMBRANÇAS DA MINHA JUVENTUDE
Trois Souvenirs de ma Jeunesse, França, 2015
Direção: Arnaud Desplechin
Elenco: Dinara Drukarova, Lou Roy-Lecollinet, Mathieu Amalric e Olivier Rabourdin
Drama. 123 minutos. Mares Filmes
Estreia: 26/11/2015

Paul Dédalus, um antropologista, prepara-se para deixar Paris e ir morar no Tajiquistão. Enquanto se organiza para a viagem, passa a recordar as vivências na infância, na juventude e, em especial, o romance fervoroso com Esther.

Drama romântico, conquistou o César de Melhor Diretor-2015 e prêmios nos festivais de Cannes, Chicago, Cinephile Society Awards e o Lumière Awards, é o 9º longa do francês Arnaud Desplechin, 56, realizador de Reis e Rainha (2004) e Um Conto de Natal (2008). Já lançado no Brasil no ano passado, é uma “prequela” de Como Eu Briguei (Por Minha Vida Sexual), de 1996.

Veja o trailer de 3 Lembranças de Minha Juventude.

TONI ERDMANN
Toni Edermann, Alemanha-Áustria-Romênia, 2016
Direção: Karen Ade
Elenco: Elenco: Peter Simonischek, Sandra Hüller E Michael Wittenbor. Drama. 162 minutos.

Levando a vida com com bom humor, o extrovertido Winfried é, por isso, um senhor que sofre com o afastamento de sua filha Inês, sisuda e extremamente dedicada ao trabalho e que mora em Budapeste. A fim de reparar a situação, decide visita-la e a iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos, o que o faz retornar para casa. Tempos depois, ele ressurge na vida de Ines agora sob o alter-ego de Toni Erdmann, um especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece.

Terceiro longa da Alemã Karen Ade, ganhadora de 17 prêmios internacionais e conhecida no Brasil pelo drama Todos os Outros (2009). A mais celebrada realização europeia deste ano, conquistou 9 prêmios e outras 10 nomeações, é o favorito para levar o Spirit.

Conheça o trailer de Toni Edermann.

SOB A SOMBRA
Under the Shadow, Reino Unido, Jordânia, Qatar, 2016
Direção: Babak Anvari
Elenco: Narges Rashidi, Avin Manshadi, Bobby Naderi, Ray Haratian e Arash Marandi. Terror. 84 minutos. 16 anos.

Teerã, anos 1980. Durante a guerra Irã-Iraque, mãe e filha tentam sobreviver em meio a explosões de bombas e mísseis. Com o passar do tempo, o conflito é intensificado e mãe se torna obcecada pela ideia de que sua filha está possuída por espíritos malignos chamados Djinn.

Vencedor de 7 prêmios internacionais e outras 8 nomeações, é um dos mais surpreendentes filmes do ano, diz em uníssono a crítica internacional. Exibido com imenso sucesso no Festival de Sundance e na recente Mostra Internacional de SP, marca a estreia do iraquiano Babak Anvari no longa-metragem.

PRÊMIO ROBERT ALTMAN DE MELHOR ELENCO
Moonlight
Melhor Elenco: Mahershala Ali, Patrick Decile, Naomie Harris, Alex Hibbert, André Holland, Jharrel Jerome, Janelle Monáe, Jaden Piner, Trevante Thodes e Ashton Sanders

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A 13ª Emenda (13th, EUA, 2016), de Ava Duvernay
Cameraperson (EUA, 2016), de Kirsten Johnson
I Am Not Your Negro (EUA, 2016), de Raoul Peck
O. J.: Made in America (EUA, 2016), deEzra Edelmann
Sonita, uma Rapper Afegã (Sonita, Alemanha-Suiça-Irã, 2016), de Rokhsareh Ghaemmaghami
Sob o Sol (Under the Sun/V luchakh solnca, República Tcheca-Rússia-Alemanha-Latvia-Coreia do Norte, 2015), de Vitaly Manskly

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
Melhor filme feito com menos de US$ 500 mil
Free In Deed (EUA-Nova Zelândia, 2015), de Jake Muhaffy
Hunter Gatherer (EUA, 2016), de Joshua Locy
Lovesong (2016), de So Yong Kim
Nakom (Ghana-EUA, 2016), de Kelly Daniels Norris e T. W. Pitmann
SPA Night (EUA, 2016), de Andrew Ahn

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
Robert Eggers, A Bruxa
Chris Kelly, Other People
Adam Mansbach, Barry
Stella Meghie, Jean of the Joneses
Craig Shilowich, Christine

MELHOR EDIÇÃO
Matthew Hannam, Swiss Army Man
Jennifer Lame, Manchester à Beira-Mar
Joi McMillon e Nat Sanders, Moonlight
Jake Roberts, A Qualquer Custo
Sebastián Sepúlveda. Jackie

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Ava Berkofsky, Free In Deed
Lol Crawley, The Childhood of a Leader
Zach Kuperstein, The Eyes of My Mother
James Laxton, Moonlight
Robbie Ryan, Docinho Americano

OUTROS FIMES

CERTAS MULHERES
Certain Women, EUA, 2016
Diretor: Kelly Reichardt
Elenco: Michelle Williams, Kristen Stewart , Laura Dern e James Le Gros. Drama.
As vidas de três mulheres se cruzam em uma pequena cidade América, onde cada um vai imperfeitamente abrindo caminho em nome da liberdade feminina. Drama. 107 minutos.

Confira o trailer de Certas Mulheres.

JACKIE
Jackie, EUA, 2016 – 100 minutos
Direção: Pablo Larrain
Elenco: Nathalie Portmann, Peter Sarsgaard e Greta Gerwig.
A vida Jacqueline Kennedy nos dias e meses seguintes ao assassinato do marido, John Fitzgerald Kennedy, em Dallas. A dor da perda, o trauma interno e o lidar com os filhos e a família, a imprensa, e outras atribulações no seio familiar.

Veja o trailer de Jackie.

LOVING
Loving, EUA, 2016 – 123 minutos
Direção: Jeff Nichols
Elenco: Ruth Negga , Joel Edgerton , Will Dalton , Dean Mumford.
Richard e Mildred Loving, um casal interracial, são condenados à prisão na Virgínia em 1958 para se casar.

Conheça o trailer de Loving.

OTHER PEOPLE
Other People, EUA, 2016 –
Direção: Chris Kelly
Elenco: Jesse Plemons, Bradley Whitford e Molly Shannon
Uma escritora, após o término com seu namorado, se muda para Sacramento a fim de ajudar sua mãe que está doente. Vivendo com o seu conservador pai e as irmãs mais novas, David se sente como um estranho no lugar onde cresceu. Ao longo dos dias, quando sua mãe vai piorando de saúde, ele tenta convercer a todos, e até a si mesmo, de que está fazendo tudo certo.

Conheça o trailer de Other People.

THE CHILDHOOD OF A LEADER
The Childhood of a Leader, EUA, 2016
Em 1918, um garoto americano passa a morar na França, já que seu pai foi convidado pelo governo americano a trabalhar na criação do Tratado de Versalhes. O que este jovem descobre é o nascimento de uma ideia assustadora, que se transformaria na ideologia fascista.

Conheça o trailer de The Childhood of a Leader.

THE FITS
The Fits, EUA, 2016
Direção: Anna Rose Holmer
Elenco: Royalty Hightower, Alexis Neblett e Da’Sean Minor

Toni, uma menina de onze aos de idade, que está participando de em uma equipe de dança em Cincinnati, quando um surto misterioso de desmaios atinge a equipe e seu desejo de aceitação é torcido. Drama. 72 minutos.

Confira o trailer de The Fits.

SWISS ARMY MEN
Swiss Army Men, EUA, 2016
Direção: Daniel Kwan e Daniel Scheinert
Elenco: Paul Dano, Daniel Radcliffe, Mary Elizabeth Winstead
Hank (Paul Dano), um homem perdido no deserto, e sem esperanças, encontra um corpo no meio do caminho. Decidido em ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver. Drama social. 97 minutos.

Confira o trailer de Swiss Army Men.

A 13ª EMENDA
The 13th, EUA, 2016 –
Direção: Ava DuVernay
Documentário que discute a décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos – “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado” – e seu terrível impacto na vida dos afro-americanos. Documentário. 100 minutos.

Conheça o trailer de A 13ª Emenda.

FESTIVAL DE VENEZA-2015 – Latinos, os donos da festa

A edição número 72 do Festival Internacional de Cinema de Veneza, concluído, neste sábado, 12, premiou a produção venezuelana Desde Allá, obra de esreia de Lorenzo Vigas, com o Leão de Ouro – primeira premiação da cinematografia no festival europeu. O anúncio, feito pelo cineasta mexicano Alfonso Cuaron, foi recebido sob estrepitosa vaia da imprensa estrangeira. Outra surpresa: a animação estadunidense Anomalia, de Charlie Kauffman e Duke Johnson recebeu o Grande Prêmio do Júri, segunda maior honraria do Festival, enquanto Argentina e Brasil ampliaram a supremacia latino-americana ao arrebatarem, respectivamente, os prêmios de melhor diretor, para Pablo Trapero por El Clan, o Prêmio Especial do Júri da Mostra Horizontes para Boi Neon, de Gabrielle Mascaro, e o Bisato de Ouro para o elenco feminino de Mate-me, Por Favor

Por Desde Allá, Lorenzo Vigas, venezuelano, recebeu o Leão de Ouro em Veneza-2015 Foto: Stefano Rellandini

Por DESDE ALLÁ, Lorenzo Vigas, venezuelano, recebeu o Leão de Ouro em Veneza-2015 Foto: Stefano Rellandini

Em um festival de cinema, que é a expressão máxima da diversidade cinematográfica, geralmente o grande vencedor, ou especificando, o eleito a melhor filme, fica com as honras. Os prêmios subsequentes – os prêmios do júri, melhor diretor, atores, entre outros – em importância, destacam outras produções que mereceram igual destaque. O júri – ou os júris -, porque em Veneza há premiação para as Mostras Paralelas, é soberano. E os júris de festivais, sempre acertam? É claro que não. No ano passado, por exemplo, no mesmo Festival de Veneza, Birdman (2014) saiu de mãos abanando.

Já participei de muitos festivais pelo Brasil, grandes, como Gramado, Brasília e o Cine Ceará, como jornalista e nem sempre acertei as previsões. E sempre acompanhei, à distância, através dos colegas de imprensa, os festivais internacionais, mesmo porque agora, não mais como crítico de cinema, mas programador de um circuito alternativo em uma rede nacioal, continuo com essa obrigação. E a notícia de que Desde Allá, a obra de estreia do venezuelano Lorenzo Vigas, foi recebido sob vaias da imprensa estrangeira me deixa com uma dúvida: a vaia é por injustiça ou discriminação. Especificando: há filmes melhores do que o latino ou o filme do filme ser latino é a questão?

Alfredo Castro e Luis Silva em  DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Alfredo Castro e Luis Silva em DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Faço essa reflexão porque, na coletiva de imprensa, após a entrega da premiação, alguns jornalistas insinuaram que a origem latina de Alfonso Cuaron, o presidente do Festival (você o conhece por ter realizado o excelente Gravidade, com Sandra Bullock),  tenha influenciado na decisão de premiar a obra venezuelana. Na resposta, Cuaron irônizou: “Eu tenho tanto influência como o rei ou a rainha da Suécia. Meu papel é mais representativo do que qualquer outra coisa. Mesmo se eu quisesse (para apoiar a América Latina), teria sido uma conspiração maior e eu teria que dividir o dinheiro“. Apropriadamente, ouviram-se antando algumas gargalhadas. E, finalizando, desfechou: “Esta decisão (de premiar Desde Allá) não é uma verdade universal. É apenas a decisão desse grupo de pessoas. Você sabe que se você colocar os mesmos filmes com um grupo diferente de pessoas, você teria um resultado diferente. Um prêmio não prova muito. A única coisa que prova algo é relativo ao tempo e a história“. Sim, e muita gente não pensa na História, não é mesmo?.

O Júri da 72ª edição do Festival de Veneza (esquerda para direita) - O francês Emmanuel Carrère (roteirista), os cineastas Hou Hsiao Hsien (China), Lynne Ramsay (Escócia), Alfonso Cuarón (México), Nuri Bilge Ceylan (Turquia), a atriz Elizabeth Banks (EUA), o diretor Francesco Munzi Itália), a atriz Diane Kruger (Alemanha) e o cineasta Pawel Pawlikowski (Polônia). Joel Ryan/Invision/AP

O Júri da 72ª edição do Festival de Veneza (esquerda para direita) – O francês Emmanuel Carrère (roteirista), os cineastas Hou Hsiao Hsien (China), Lynne Ramsay (Escócia), Alfonso Cuarón (México), Nuri Bilge Ceylan (Turquia), a atriz Elizabeth Banks (EUA), o diretor Francesco Munzi Itália), a atriz Diane Kruger (Alemanha) e o cineasta Pawel Pawlikowski (Polônia). Joel Ryan/Invision/AP

Tem cabimento uma pergunta dessas? Na resposta de Cuaron, de que ele não era o único do júri, destrói essa provocação racista e preconceituosa – na minha visão. E o diretor artístico do Festival, Alberto Barbera, em seguida, em entrevista à Folha de SP, deu um depoimento que chama a atenção: “neste momento, o cinema latino americano é o mais interessante do mundo”. Há tempos, diz ele, “observamos a cinematografia da região e que agora é que estamos vendo a qualidade dos filmes”.

E essa é uma cinematografia sofrida, que produz seus filmes com sacrifício e sequer consegue efetuar uma troca de filmes consistentes entre países do continente. Não estaria na hora dos cinéfilos também entrar na observação e direcionar um olhar mais atento para os filmes produzidos nos países latinos das Américas? Houve tentativas, distribuidoras foram formadas, mas o público não os quer ver. E perde-se a chance de se formar uma cultura cinematográfica e de conhecimento do que os países do nosso continente estão fazendo sobre si mesmos – e todos nós, irmãos em espiritualidade. É uma Fica a reflexão, torcendo para que pelo menos os filmes premiados em Veneza aqui cheguem. De minha parte, o Cinema de Arte estará atento a isso.

O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro, vendedor da Mostra Horizontes, e o seu Prêmio Especial do Júri por Boi Neon, diretor do filme pernambucano Boi Neon Foto: Associated Press

O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro, vendedor da Mostra Horizontes, e o seu Prêmio Especial do Júri por BOI NEON (2015), com Juliano Cazarré

Os premiados

Numa síntese do que li dos colegas presentes ao Festival Internacional de Veneza, Desde Allá (From Afar, título internacional em inglês) acompanha a trajetória de Armando (Alfredo Castro), proprietário de conceituado laboratório de próteses dentárias, que costuma andar pela cidade à procura de jovens rapazes que possam dar-lhe sexo em troca de dinheiro, e ai conhecer um rapaz de 18 anos, o problemático Elder (Luis Silva), embarca em uma paixão arrebatadora. Só que o rapaz é o chefe uma violenta gangue. Apesar do tema central ser a homossexualidade, a película, apontam os analistas, tem um viés totalmente político e social. Nenhuma surpresa em se saber que o autor do enredo é ninguém menos do que Guillermo Arriaga, autor de 21 Gramas.

Pablo Trapero exobe o seu prêmio por EL CLAN (2014),

Pablo Trapero exobe o seu prêmio por EL CLAN (2014),

A animação Anomalia, ganhador do Grande Prêmio do Júri, foi toda feita em stop-motion – massinha por massinha -, e está também presente no Festival de Toronto, onde obteve uma longa salva de palmas, tanto da imprensa quanto da plateia. O argentino El Clan, de Pablo Trapero, eleito o melhor diretor, conta a história real de uma família dos anos 80 que promoveu sequestros e assassinatos em um bairro de Buenos Aires. O brasileiro Boi Neon, de Gabriel Mascaro, trata de um vagueiro (Juliano Cazarré) do interior nordestino que sonha em ser estilista feminino – ganhou o prêmio da Mostra Horizontes.

Julia Roliz, Mariana Oliveira, a diretora Anita Rocha da Silveira, Dora Freind e Valentina Herszage, premiadas por MATE-ME POR FAVOR (2015). Foto:  Tiziana Fabi

Julia Roliz, Mariana Oliveira, a diretora Anita Rocha da Silveira, Dora Freind e Valentina Herszage, premiadas por MATE-ME POR FAVOR (2015). Foto: Tiziana Fabi

Também na Mostra, as atrizes brasileiras Valentina Herszage, Mari Oliveira, Júlia Roliz e Dora Freind dividiram o prêmio especial Bisato de Ouro por Mate-me Por Favor, da carioca Anita Rocha da Silveira. Ambientado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, enfoca alguns dos problemas vividos pela juventude atual. A rotina de Bia, de 15 anos, e seu irmão João, de 25 anos, é quebrada quando uma série de assassinatos sombrios afetam a comunidade. As duas produções nacionais serão atrações especiais no Festival do Rio-2015.

Abraham Attah, Melhor Novo Ator, e Valeria Golino, Melhor Atriz

Valeria Golino, Melhor Atriz, e Abraham Attah, Melhor Ator

Outros vencedores foram Beats of no Nation, de Cary Joji Fukunaga, produzido pela Netflix (que investiu apenas US$ 6 milhões e aos poucos está se tornando um grande estúdio independente), sobre uma criança (Abraham Attah) que é recrutada para uma guerra na África. No elenco, Idris Elba. Outra cinematografia que parece ter reencontrado o seu caminho, a italiana (de lá, daqui a duas semana veremos o excelente O Vinho Perfeito/2014), levou prêmios por dois filmes: L’Hermine, de Christian Vincent, os prêmios de ator (para Fabrice Luchini) e Roteiro (de autoria do diretor); e Por Amor Vostro, de Giuseppe M. Gaudino, de melhor atriz para Valeria Golino, que uma mulher em luta contra a depressão. E Brady Corbert, por Childhood of a Leader (2015, Reino Unido/Hungria), levou o prêmio de Melhor Primeiro Filme da Mostra Horizontes, que deu o Prêmio de Melhor Filme para Free in Dead (2015), do estadunidense Jake Mahaffy.

Os Prêmios em Veneza-2015

Leão de Ouro
Desde Allá (Venezuelam 2015), Lorenzo Vigas

Grande rémio do Júri

Valeria golino
per amore
Anomalisa (EUA), de Charlie Kaufman e Duke Johnson

Leão de Prata/Melhor Realizador
Pablo Trapero, por El Clan (Argentina)

Prêmio Coppa Volpi/Melhor Ator
Fabrice Luchini, em L’hermine (Itália)

Prêmio Coppa Volpi para Melhor Atriz
Valeria Golino, em Per amor Vostro (Itália)

Prêmio Marcelo Mastroianni (Melhor Novo Ator ou Atriz)
Abraham Attah, em Beasts of No Nation (EUA)

Prêmio Melhor Argumento
Christian Vincent, por L’hermine (Itália)

Prêmio Especial do Júri
Frenzy (Turquiam 2015), Emin Alper

Leão do Futuro/Melhor Primeira Obra
The Childhood of a Leader (Reino Unido/Hungria, 2015), de Brady Corbet

MOSTRA ORIZZONTI

Melhor Filme
Free in Deed (EUA), de Jake Mahaffy

Melhor Realizador
Brady Corbet, por The Childhood of a Leader

Prêmio Especial do Júri
Boi Neon (Brasil, 2015), de Gabriele Mascaro

Melhor Intérprete
Dominique Leborne, em Tempête (França, 2015)

Melhor Curta-Metragem
Belladonna, Dubravka Toric

Conheça o trailer, belíssimo, de Per Amor Costro.

 

PREMIAÇÃO EUA – AS ESCOLHAS DE CRÍTICA E PÚBLICO

Um dos temas mais discutidos, em termos de cinema, é a diferenciação entre os gostos dos críticos e do grande público. Critics x People. Os blockbusters estão em queda em termos de frequência de público, ano a ano, especialmente no seu mercado seu mercado interno, os EUA. A lista dos fracassados aumenta ano a ano e cada vez mais estão na dependência do público estrangeiro. Mas nem só de blockbuster Hollywood vive e o interesse do público jovem pelos filmes de ação, geralmente desprezados pelos críticos, aumenta a distância entre os gostos analistas e simples fãs de cinema. Há lições a se tirar, como reflexão, das recentes premiações do Critics Choise e do People’s Choise. Antagônicas em tudo…

People's Choise Awards e Critic's Choise Awards: divergentes até nas logomarcas

People’s Choise Awards e Critic’s Choise Awards: divergentes até nas logomarcas

Enquanto Chris Evans, Robert Downey Jr., Adam Sandler, Jennifer Lawrence e a fantasia Malévola (Maleficent, 2014), de Robert Stromberg, eram alguns dos eleitos os melhores de 2014 pelo People, o prêmio do público, cuja eleição se dá pela internet, os críticos norte-americanos e canadenses elegiam Michael Keaton, Patrícia Arquette, J. K. Simmons e o drama Boyhood – da Infância à juventude (Boyhood, 2014), de Richard Linklatter. Não há concordância mesmo sequer entre os filmes mais populares, como os de ação e comédia. Enquanto um elegeu, respectivamente, a ficção científica Divergente (Divergent, 2014), de Neil Burger, e Anjos da Lei 2 (22 Jump Street, 2014), de Phil Lord e Christopher Miller, o outro preferiu Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014), de James Gunn, e O Grande Hotel Budapeste (The Great Budapest Hotel, 2014), de Wes Anderson. Na ficção científica, no entanto, os críticos elegeram o grande filme hollywoodiano do ano, o cerebral Interestellar, de Chris Nolan. Confira, nas listas, que outros desprezados nas atuais premaiações de Hollywood, como o romântico A Culpa é das Estrelas (The Fault in our Stars, 2014), de John Boore, Garota Exemplar (Gone Girl, 2014), de David Fincher, e Sniper Americano (American Sniper, 2014), de Clint Eastwood, foram lembrados. Os críticos ta,bém não se esqueceram de seu grande colega, um dos ícone das análises fílmicas, Roger Ebert, premiando o documentário a ele dedicado, Life Itself – a Vida de Roger Ebert, que tem exibição garantida no Brasil, em DVD.

A divergência de gostos e preferências culturais faz parte da sociedade e, levado ao âmbito do respeito, gera reflexões. O People’s Choise Awards foi criado em 1957 pelo produtor de televisão Bob Silvers, da rede CBS, e atualmente é realizada pela empresa de higiene Procter & Gamble, sendo a votação via internet. A premiação, transmitida com ampla audiência pela CBS, é o ponta pé inicial na entrega dos prêmios das diversas entidades sindicais dos profissionais de Hollywood.

O atual presidente da entidade, Fred O. Nelson, em entrevista ao site Adoro Cinema, explica que a premiação é, em tudo, baseada na popularidade de astros, filmes, série, etc.  “Tudo é baseado na popularidade. Começamos fazendo uma pesquisa para ver os índices de audiência e conhecer as séries mais populares. Olhamos as vendas das músicas e as bilheterias dos filmes. Também assinamos um serviço chamado E-Score Celebrity, que mede a popularidade de celebridades diante dos fãs. Pegamos todos estes dados e definimos os candidatos elegíveis para cada categoria. Neste momento, temos 12 indicados para cada categoria, de cinema, música e TV. Jogamos as listas na internet e o público escolhe os cinco favoritos”, diz Fred.

O público estadunidense também foi conferir a entrega da premiação no Nokia Theatre, em Los Angeles. E eles elegeram os super-heróis como os seus preferidos e, no conjunto, os respectivos atores. Capitão América, Homem de Ferro , Batman e Os Vingadores. Assim sendo o Capitão América Chris Evans recebeu o prêmio de ator favorito em filmes de ação; o Homem de Ferro Robert Downey Jr., o de ator favorito, pelo 4º ano consecutivo, também o ator dramático favorito.

O público elegeu também Malévola foi eleito o melhor filme, derrotando os filmes dos super-heróis e até o favorito Guardiões da Galáxia.

A premiação mais diferenciada do People’s Choise foi para o ator, produtor e diretor Ben Affleck, que recebeu o Prêmio Humanitário. Poucos sabem, mas assim como o falecido Paul Walker, Affleck fundou uma entidade e através dela comanda políticas de auxílio às populações governamentalmente desprotegidas no leste do Congo. O ator, escolhido para ser o novo Batman, agradeceu numa boa: “Já fui chamado de um monte de coisas na minha vida, mas não tenho certeza se humanitário é uma delas”, disse. “A única maneira de combater as coisas tristes que vemos, as coisas terríveis que vemos, é trazer um pouco de bondade para o mundo”. O prêmio foi entregue por Amy Adams, sua companheira de elenco em Batman e Superman: alvorecer da Justiça, a ser lançado no próximo ano.

Ben Affleck: Prêmio Humanitário para o trabalho executado no leste do Congo

Ben Affleck: Prêmio Humanitário para o trabalho executado no leste do Congo

Critic’s Choise Awards

Veja só a diferença em relação aos atores e filmes premiados pelo Critic’s Choise, intitulado Broadcast Film Critics Association (BFCA), como maior entidade de colegiado dos analistas de cinema por reunir críticos dos EUA e do Canadá, é tida como a terceira mais importante premiação dos EUA, só perdendo para o Oscar e o Globo de Ouro.

Como já ocorrera em outras premiações, o drama familiar Boyhood – da Infância a Juventude saiu o galardão de melhor filme do ano – somente uma zebra monumental pode tirar-lhe o Oscar principal -, e com as categorias de atriz coadjuvante para Patricia Arquette e ator revelação para Ellar Coltrane.

Birdman (Birdman, 2014), a comédia de humor negro do mexicano Alejandro González Iñarritu levou 7 estatuetas – entre elas, melhor roteiro original, melhor elenco, ator (Michael Keaton) e fotografia.
Julianne Moore a melhor atriz pelo drama Para Sempre Alice (Still Alice, 2014), de Richard Glatzer e Wash Westmoreland, e, finalizando, a comédia O Grande Hotel Budapeste levou o prêmio de melhor no gênero, além de figurinos e direção de arte.

Michael Keaton em BIRDMAN (2014), de Alejandro González Iñarritu: melhor ator e mais 6 prêmios dos críticos

Michael Keaton em BIRDMAN (2014), de Alejandro González Iñarritu: melhor ator e mais 6 prêmios dos críticos

Confira, nas listas das premiações, as divergências entre público e críticos.

PREMIAÇÕES

PEOPLE’S CHOISE AWARDS

Prêmio Humanitário
Ben Affleck

Filme Favorito
Malévola

Filme de Ação Favorito
Divergente

Filme Dramático Favorito
A Culpa é das Estrelas

Ator Favorito
Robert Downey Jr.

Atriz Favorita
Jennifer Lawrence

Casal de Filme Favorito
Shailene Woodley & Theo James, em Divergente

Ator de Ação Favorito
Chris Evans

Atriz de Ação Favorita
Jennifer Lawrence

Comédia Favorita
Anjos da Lei 2

Ator de Comédia Favorito
Adam Sandler

Atriz Favorita de Comédia
Melissa McCarthy

Ator Favorito de Drama
Robert Downey Jr.

Atriz Favorita de Drama
Chloé Grace Moretz

Filme de Família Favorito
Malévola

Filme de Terror Favorito
Garota Exemplar (Gone Girl, 2014), de David Fincher

CRITICS CHOISE AWARDS

Melhor Filme
Birdman

Melhor Diretor
Richard Linklatter, Boyhood – da Infância à Juventude

Melhor Ator
Michael Keaton, Birdman

Melhor Atriz
Julianne Moore, Para Sempre Alice

Ator Coadjuvante
J. K. Simmons, Whiplesh – em Busca da Perfeição

Atriz Coadjuvante
Patricia Arquette, Boyhood

Revelação
Ellar Coltrane, Boyhood

Melhor Elenco
Birdman

Roteiro Original
Alejandro Inarritu, Nicolas Gabon, Armando Bo, Alexander Dinelaris, Birdman

Melhor Roteiro Adaptado
Gillian Flynn, Garota Exemplar

Melhor Fotografia
Emmanuel Lubezki, Birdman

Melhor Direção de Arte
Adam Stockhausen e  Anna Pinnock, O Grande hotel Budapeste

Melhor Edição
Douglas Crise, Stephen Mirrione, Birdman

Melhor Figurino
O Grande Hotel Budapeste

Melhor Cabelo e Maquiagem
Guardiões da Galáxia

Melhores Efeitos Especiais
O Planeta dos Macacos: o Confronto

Melhor Animação
Uma Aventura Lego

Melhor Filme de Ação
Guardiões da Galáxia

Melhor Ator em Filme de Ação
Bradley Cooper, Sniper Americano

Melhor Atriz de Filme de Ação
Emily Blunt, No Limite do Amanhã

Melhor Comédia
O Grande Hotel Budapeste

Melhor Ator de Comedia
Michael Keaton, Birdman

Melhor Atriz de Comédia
Jenny Slate, Oblivious Child

Melhor Ficção Científica
Interestelar, de Christopher Nolan

Melhor Filme Estrangeiro
Força Maior (Force Merjeure, Suécia), de Ruben Ostlund

Melhor Documentário
Life Itself – a Vida de Roger Ebert (Life Itself – the life of Roger Ebert, EUA), de Steve James

Melhor Canção
Glory, Common/John Legend, Selma

Melhor Trilha Sonora
Antonio Sanchez, Birdman

Confira o trailer de Life Itself – a Vida de Roger Ebert.

Imagem de Amostra do You Tube

 

LINK RELACIONADO: http://www.cinemaeartes.com.br/premios-da-critica-boyhood-e-unanimidade/

HOLLYWOOD – OS GANHADORES DO GOTHAM-2015

Enquanto o Independente Spirit Awards e o Satelitte Awards apenas anunciaram os seus indicados aos prêmios, outra importantíssima premiação do cinema independente, o Gotham Independent Film Awards efetuou a entrega de seus prêmios aos melhores filmes de 2014. Boyhood – da Infância à Juventude, de Richard Linkaltter, e Birdman, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, que foi o grande vencedor

Michael Keaton em BIRDMAN (2014), de Aleandro Gonzalez Iñarritu: ambos vencedores

Michael Keaton em BIRDMAN (2014), de Aleandro Gonzalez Iñarritu: ambos vencedores

No cinema estadunidense, os independentes têm várias honrarias através da premiação promovidas por 3 entidades: o Gotham Independent Film Awards, o Independent Spirit Awards e o Satellite Awards. Todos, pelo menos para mim, de igual importância, mas com uma diferença em relação ao Gotham: é uma premiação contra a corrente. Tem sido assim ao longo dos anos, mas, neste, está premiando realmente os favoritos do mercado de apostas.

Na semana que se passou, de 28 de novembro a 4 de dezembro, teve início a temporada de premiação (para conferi-las, vá no ícone Cinema e clique em Cinema/Premiação), tanto nos EUA quanto na Europa. A importância do registro dessas premiações se reveste como fundamental para o cinéfilo brasileiro porque é o primeiro contato com as obras que se destacaram durante o ano, e, em segundo, porque se tornam obras obrigatórias ao chegarem aos cinemas nacionais. Para facilitar a sua agenda, confira, ao final da postagem, as datas de estreias dos filmes no Brasil.

A Associação de Críticos de Nova York destacou Boyhood – da Infância à Juventude (Boyhood, 2014), de Richard Linklatter, que estreou recentemente no Brasil e está em cartaz na cidade -, como o melhor do ano, mas é com a premiação do Gotham que a temporada de premiação começa. E novamente Boyhood foi destaque ao conquistar o Prêmio do Público, ao lado de uma outra badalada produção de baixo custo, Birdman, do mexicano Alejandro González Iñarritu, que levou as premiações de melhor filme e diretor, entre outros. E já tem data marcada para estrear por aqui.

Mas, o cinéfilo deve ficar atento, também, ao fato de que essas são produções independentes, cujo custos não ultrapassam US$ 20 milhões. Birdman chegou perto desse teto. Custou US$ 18 milhões. Nos EUA, já faturou US$ 17,7 milhões, e, no mercado internacional perto de um milhão de dólares. Mas, explica-se porque só será lançado em larga escala a partir de janeiro, dentro das janelas de exposição para o Oscar-2015.

Boyhood, por ter sido lançado há mais de um mês, e quase simultaneamente no exterior, contabiliza US$ 25 milhões nos EUA e mais US$ 19,8 milhões no mercado externo, totalizando, parcialmente, US$ 44 milhões.

Sem mais delongas, confira os vencedores do 24º Gotham Independent Awards, edição 2015.

MELHOR FILME
Birdman, de Alajandro González Iñarritu

MELHOR DOCUMENTÁRIO
CITIZENFOUR (Alemanha-EUA), de Laura Poitras

PRÊMIO DO PÚBLICO
Boyhood – da infância à Adolescência, de Richard Linklatter

CINEASTA REVELAÇÃO
Ana Lily Amirpour, A Girl Walks Home at Night

Veja o trailer legendado de A Girl Walks Home at Night, legendado por Ávila Souza, do Cinemaeartes.

MELHOR ATRIZ
Julianne Moore, Still Alice

MELHOR ATOR
Michael Keaton, Birdman

ATOR/ATRIZ REVELAÇÃO
Tessa Thompson, Dear White People

HOMENAGEADOS
Tilda Swinton – atriz
Steve Carell, Mark Ruffalo e Channing Tatum pelo conjunto das performances e o diretor Bennett Miller por Foxcather – uma História que Chocou o Mundo
NETFLIX – tributo da indústria cinematográfica

DATAS DE ESTREIAS
22 de Janeiro
Birdman
Demais Filmes sem informação de lançamento.

Confira o trailer de Dear White People.

 

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