PRÊMIO ABRACCINE – ELLE E AQUARIUS, OS MELHORES DE 2016

Os 100 críticos que compõem a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, após duas rodadas de votações, elegem Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, o francês Elle, do holandês Paul Verhoeven, como o melhor filme estrangeiro, e o curta Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares, como os melhores filmes exibidos em 2016

Sônia Braga em AQUARIUS (2016); Isabele Huppert (2016) e ESTADO ITINERANTE (2006): os melhores de 2016

Sônia Braga em AQUARIUS (2016); Isabele Huppert em ELLE (2016), e Lira Ribas em ESTADO ITINERANTE (2006): os melhores de 2016

Pela sexta vez consecutiva a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, elege os melhores filmes do ano, no caso, 2016. Nas duas principais categorias, filme nacional e filme estrangeiro, concorrem os 400 títulos que estrearam nas salas comerciais dos diversos circuitos no período entre 17 de dezembro de 2015 e 29 de dezembro de 2016, enquanto que o curta nacional teve escolha entre as dezenas de produções da categoria exibidos nos festivais e nas mostras de cinema espalhadas pelo País.

Elle (2016), produção francesa do holandês Paul Verhoeven, que em Fortaleza e em outras 8 capitais foi lançada pelo Cinema de Arte, projeto cearense que, adotado pela operadora Cinépolis, está em processo de inclusão em seu circuito nacional para abrigar os filmes de arte, foi o escolhido, derrotando A Chegada (Arrival, 2016), de Dennis Villeneuve.

A obra de Verhoeven é um marco na História do Cinema por trafegar livremente na amoralidade e expor uma sociedade humana tomada pelo consumismo, os interesses pessoais, o uso do sexo como um instrumento de manipulação e a uma total ausência de espiritualidade. Sua personagem central, Michelle Leblanc (Isabelle Huppert), CEO de uma empresa de videogame, trafega no prazer de quebrar o que é “politicamente correto”, não tendo o escrúpulo que ser amante de maridos de companheiras de trabalho e nem em usar a sua inteligência para manipular quem quer que seja, incluindo o homem que a estupra, extraindo e instituindo com ele um jogo de prazer com uma frieza que expressa a ausência de sentimentos. O desfecho, no qual a mulher traída, sua melhor amiga e também sua colega de trabalho, indo morar com ela, escancara todos os propósitos de amoralidade que é o cerne do filme em sua concepção e indo de encontro ao contexto atual de que cada pessoas têm direito às escolhas quanto a assumir à sexualidade – e que ninguém tem nada nada a ver com isso.

Veja o trailer de Elle.

Aquarius, de Kleber Mendonça Fiho, estigmatizado como “um filme de esquerda” por ter seu diretor e elenco subido ao palco do Festival de Cannes, em maio passado, para denunciar “um golpe” com a cassação da então presidenta Dilma Roussef, não é nada disso. Ao contrário: Aquarius faz uma exposição simétrica e pontuada de como um governo corrupto e aliado a empreiteiras corruptoras instalou um cupinzeiro no País, ou seja, no Edifício que dá nome ao filme. Basta ver a situação econômica e social da nação para ser constatar como Aquarius não poderia ter sido mais preciso com a realidade brasileira. Portanto, jogue-se fora esse estigma da produção pernambucana ser “um filme de esquerda”. É um retrato de um pedaço de um momento crucial do Brasil

Veja o trailer de Aquarius.

Por sua vez, o curta Estado Itinerante conta, ao longo de 20 minutos, a história de uma mulher solitária e que tem medo de entrar na sua casa. Sem dar pistas do “por que?” e apenas insinuar o motivo em alguns rápidos momentos, sua realizadora, a mineira Ana Carolina Soares, fez uma obra de grande reflexão sobre a condição da mulher,  e o seu foco central e a violência doméstica e a consequente coragem pela libertação. E, ainda, flutua em várias outras temáticas. Aplausos.

Prêmio Abraccine-2016

MELHOR LONGA METRAGEM BRASILEIRO:
Aquarius (PE, 2016), de Kleber Mendonça Filho.

MELHOR LONGA METRAGEM ESTRANGEIRO:
Elle (França, 2016), de Paul Verhoeven.

MELHOR CURTA METRAGEM:
Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares.

Fundada em julho de 2011 e hoje contando com exatos 100 críticos de cinema de quase todos os estados brasileiros, a Abraccine tem a missão é promover as formas de pensamento crítico, a reflexão e o debate sobre o Cinema.

 

 

 

ELLE – O MELHOR FILME DE 2016 PELA ACCRJ

Elle, o filme francês do cineasta holandês Paul Verhoeven e que tem no elenco Isabelle Huppert no papel de uma mulher violentada que decide se defender à sua maneira, está em cartaz há 4 semanas em circuito reduzido no País. No Cinema de Arte, projeto da operadora Cinépolis para inserir os filmes de arte em seu circuito nacional e presente em 9 cidades do País, está há 3 e vai adentrar mais uma – ou mais. A película francesa acaba de ser eleita o Melhor Filme de 2016 pelos integrantes da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro-ACCRJ

Isabelle Huppert em ELLE (2016), de Paul Verhoeven: Melhor Filme de 2016 pela ACCRJ

Isabelle Huppert em ELLE (2016), de Paul Verhoeven: Melhor Filme de 2016 pela ACCRJ

A lista dos melhores do ano é uma tradição de décadas levadas a efeito pelos críticos de cinema de todas as partes do Mundo e tem por base uma votação de 10 títulos. No Brasil, o anúncio dessa leva de obras de qualidade desdobra-se entre dezembro e janeiro. Em janeiro, por exemplo, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, e a Associação Cearense dos Críticos de Cinema-ACECCINE, elegerão os seus melhores.

Neste ano, por critérios de empate, os críticos da associação carioca a elegeram 12 títulos. O melhor do filme do ano estrangeiro e o melhor brasileiro. O estrangeiro, Elle, tem uma temática tanto difícil quanto atual: a violência contra a mulher. No caso, Isabelle Huppert, a marqueteira de uma empresa de videogame que, estuprada em sua própria casa, decide jogar o jogo com o seu opressor. Um jogo de quem mais poder de manipulação. As mulheres saem satisfeitas do Cinema e o tema ganha uma abordagem totalmente original e desconcertante.

Aquarius é uma exposição dilacerante de um governo recente do País, destruído econômica e moralmente por um cupinzeiro de um partido político. Um grande e corajoso filme de Kleber Mendonça Filho.

Tem também homenagens a profissionais que dedicaram a sua vida ao Cinema e completaram a sua passagem espiritual de missão pela Terra. Sem delongas, vamos a eles: os filmes e os homenageados.
Melhor Filme
Elle (França), de Paul Verhoeven

Melhor Filme Brasileiro
Aquarius (Brasil-França), de Kleber Mendonça Filho

10 Melhores (ordem alfabética)
Anomalisa (EUA, 2016), de Charlie Kauffman
A Bruxa (EUA, 2016), de Robert Eggers
Café Society (EUA, 2016), de Woody Allen
Carol (EUA, 2015), de Todd Haynes
O Cavalo de Turim (Hungria, 2015), de Bela Tarr
Certo Agora, Errado Antes (Coréia do Sul, 2016), de Sang-Soo Hong
Filho de Saul (Hungria, 2015), de Laszlo Nemes
As Montanhas se Separam (China-França-Japão, 2015), de Jia Zang-ke
Os Oito Odiados (EUA, 2015), de Quentin Tarantino
Táxi Teerã (Irã-França, 2016), de Abbas Kiarostami

Reconhecimento por Iniciativa Cinematográfica
Cavi Borges – produtor e diretor de filmes e empresário de cinema

Homenageados
Hector Babenco (1946-2016) – cineasta
Abbas Kiarostami (1940-2016) – cineasta
José Carlos Avellar (1936-2016) – crítico de cinema

Veja o trailer de Certo Agora, Errado Antes.

PREMIO ABRACCINE – OS VENCEDORES DE 2014

Fundada há 4 anos, em julho de 2011, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, acompanhando uma tradição de todas as associações mundiais da categoria, passou a eleger os melhores filmes do ano. Assim, a cada temporada, através de votação democrática, cada membro elege o melhor curta e o longa-metragem brasileiro, além da a melhor produção estrangeira. Em 2014, O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra, foi escolhido o nacional do ano. Mas, há ainda outros premiados

Leandra Leal e Milhem Cortaz em O LOBO ATRÁS DA PORTA (2014), DE Fernando Coimbra

Leandra Leal e Milhem Cortaz em O LOBO ATRÁS DA PORTA (2014), DE Fernando Coimbra

A votação em dois turnos apontou, ainda a produção estadunidense Boyhood: da Infância à Juventude (Boyhood, 2014), de Richard Linklatter, como a melhor realização estrangeira exibida nos cinemas brasileiros. O curta-metragem nacional escolhido foi La Llamada, de Gustavo Vinagre. Nesta categoria, concorrem apenas produções nacionais.

O Lobo Atrás da Porta é a obra de estreia de Fernando Coimbra, também autor do roteiro, aborda um interrogatório envolvendo 3 pessoas – um homem (Milhem Cortaz), a mulher (Fabíula Nascimento) e a amante dele (Leandra Leal) – suspeitas do sequestro de uma criança. Um detetive (Juliano Cazarré) comanda as investigações e, através dos depoimentos, vai compondo um painel de mentiras, obsessões, carências e perversidades. Ganhou o prêmio Horizontes Latinos no Festivald e San Sebastian, na Espanha, e Leandra o de melhor atriz no Festival do Rio.

Ellar Coltrane, Richard Linklatter e Lorelei Linklatter em BOYHOOD - DA INFÂNCIA Á JUVENTUDE (2014), de Richard Linklatter

Ellar Coltrane, Richard Linklatter e Lorelei Linklatter em BOYHOOD – DA INFÂNCIA Á JUVENTUDE (2014), de Richard Linklatter

Boyhood é um drama de baixíssimo custo de produção, apenas 4 milhões de dólares e levou 12 anos para ser feito. É o registro da vida de um garoto dos 6 aos 18 anos, em companhia da irmã e dos pais (Ethan Hawke e Patricia Arquette) divorciados. Lançado mundialmente pela Fox Filmes, já faturou 43,3 milhões de dólares em todo mundo (US$ 242 nos EUA e US$ 19,3 milhões no exterior).

 Alexei (Pacolo) Hernández em LA LLAMADA (2014), de Gustavo Vinagre

Alexei (Pacolo) Hernández em LA LLAMADA (2014), de Gustavo Vinagre

La Llamada (A Chamada, SP, 2014), de Gustavo Vinagre, drama com fundo político, tem como personagem um cubano revolucionário exilado no Brasil que, vivendo em um pequeno povoado, aguarda a instalação do primeiro telefone em sua casa. Mas, o problema: para quem ele fará a primeira ligação? Tem 19 anos é em em preto e branco.

Veja o trailer de O Lobo Atrás da Porta, disponível nas locadoras.

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