PEDRO MARTINS FREIRE

PERFIL PEDRO MARTINS FREIRE

PERFIL – PEDRO MARTINS FREIRE

Cearense, nascido em 1951, descobri cedo a paixão pelo Cinema e o privilégio de passar a estudá-lo quando, em 1965, Wilson Baltazar me levou para assistir a Vampiros de Almas (Invasion of a Body Snatchers, 1956), de Donald Siegel, no Clube de Cinema de Fortaleza, então presidido por seu criador, Darcy Costa. Dois anos depois convidado por Darcy, passei a escrever para a Gazeta de Notícias, e, poucos meses depois, no Unitário, por Lustosa da Costa, meu pai de jornalismo. Depois, para o caderno de cultura do Correio do Ceará, onde criei o Conselho de Cinema (cotação dos filmes em cartaz), através do qual consegui unir os críticos da terra.

Em 1971, Darcy e Cosme Alves Neto me deram uma bolsa para estudar na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de onde sai com um canudinho. Retornando no ano seguinte, assumi definitivamente o exercício da crítica cinematográfica. A grande decepção: ter dirigido o documentário/super 8 Homens Trabalhando, no qual registrei Chico da Silva (1910-85) pintando (e assinando) o mural da Casa de Cultura Raimundo Cela, produzido por um conhecido artista plástico da terra que se assumiu como o seu único realizador.

Dez anos depois, assumi a programação do Cinema de Arte, projeto de exibição de filmes criado por Darcy Costa e Luiz Severiano Ribeiro em 1963 e atualmente expandido para as cidades de Recife e Maceió. Naquele mesmo ano, 1981, escrevi um dos artigos do Número Zero do Diário do Nordeste, veículo ao qual fiquei vinculado até abril de 2014. Ali, além da crítica de cinema, participei da TV DN (estreias de Cinema), dos programas multimídias e editei o Blog de Cinema, cujo modelo visual acabou se tornando padrão. Trabalhar no Diário do Nordeste foi uma das grandes paixões da minha vida.

Em 1981 percebi que o Cinema de Arte, projeto criado por Darcy Costa e Luiz Severiano Ribeiro para trazer os filmes de qualidade artística que não chegavam comercialmente à Fortaleza, estava desativado, após ter guarida nos cinemas Diogo, Samburá (depois rebatizado de Fortaleza) e São Luiz. Abrigado no Cine Haway, no Shopping Center Um, o primeiro da cidade, o CA ficou ali até 1993, quando o cinema fechou e, no ano seguinte, retomou as atividades nas 3 salas do Grupo Severiano Ribeiro no Iguatemi, depois passou para o Multiplex UCI Ribeiro (agora rebatizado UCI Kinoplex). O Cinema de Arte é um circuitinho nordestino nas cidade de Fortaleza, Recife e Maceió. A luta agora é por uma sala que resgate a programação posta em estudo no extinto Studio Beira Mar (1995-98), a primeira sala especializada em filmes de arte do Norte/Nordeste.

Ao mesmo tempo em que o Cinema de Arte cumpria a sua função, dividi as minhas atividades entre o Diário do Nordeste e a retomada da cadeira de estudante de Filosofia, cujo desfecho foi a minha graduação pela Universidade Estadual do Ceará-UECE – e essa é uma das maiores alegrias deste filho de pais carvoeiros. Carlos Dalia, Expedito Passos, Emmanuel Rocha Fragoso, Eliane, foram alguns dos meus grandes e inesquecíveis professores.

Mas, é bom olhar para trás. Para chegar a tal condição de “fazer as coisas”, reconheço, contei, além dos já citados, com a generosa e fundamental presença de Tarcísio Tavares, meu inesquecível pai-amigo, além de João Ramos, Miguel Dias, Afrânio Peixoto, Guilherme Neto, Edilmar Norões, entre outros, dos quais não esqueço pelas oportunidades concedidas em seus respectivos veículos de comunicação. Olhando para trás, sinto que não os decepcionei.

E agora, com Cinema e Artes, mais um iluminado desafio, ao lado de uma equipe jovem, extraordinária e leal, formatada ao tempo do Blog de Cinema, surge um novo passo, outro desafio de continuar “fazendo as coisas”.

O exercício do trabalho na cultura e na educação é a minha retribuição à sociedade a qual integro.

 

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