MONSTERS OF ROCK – NOVA EDIÇÃO EM 2015

O festival Monsters of Rock chega ao Brasil tendo como palco o cidade de São Paulo. Será na Arena Anhembi, em abril. Este surgiu na Inglaterra em 1980, idealizado pelo produtor musical Paul Loasby (que produziu também o Pink Floyd). Rapidamente ganhou dimensão internacional e agora terá a sua 6ª edição brasileira

JOSÉ FERNANDO S. MONTEIRO

Loasby queria um evento diferenciado, unicamente com bandas de hard rock e trash metal e escolheu o autódromo de Donington Park, no condado de Leicestershire, para a realização de uma primeira edição. A mistura entre atrações britânicas e internacionais fez com que o festival fosse um sucesso imediato, mais de 35 mil pessoas compareceram a esse primeiro evento que contou com bandas como Raimbow, Judas Priest, Scorpions, Saxon, entre outras. Esse número chegaria a um total de 107 mil pessoas em 1998, quando devido a morte de duas pessoas (durante a apresentação do Guns n’Roses, fato atribuído a superlotação) o público passou a ser limitado a 75 mil pessoas.

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Imagem da primeira edição do Monsters of Rock, realizada em Donington Park no ano de 1980

Apesar dos problemas, o Monsters of Rock foi realizado, com poucas exceções, até 2006 na Inglaterra e logo se espalhou para outros países: Alemanha (1983-1991), Suécia (1984-1990), Itália (1987-2004), EUA (1988), Holanda (1988-1991), Espanha (1988-2008), França (1988-1990), Hungria (1991), Bélgica (1991), Áustria (1991), Polônia (1991), União Soviética (1991), Chile (1994-2008), Argentina (1995-2005) e Brasil (1994-2015).

Confira momentos da história ro rock – Parte 1

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No Brasil os direitos foram comprados pela produtora Mercury Concerts, que realizou o primeiro Monsters of Rock em 27 de agosto de 1994, no estádio do Pacaembú, onde 45 mil pessoas estavam presentes para ver bandas como Kiss, Black Sabbath, Suicidal Tendencies e Slayer, entre as internacionais, e Dr. Sin, Angra, Viper e Raimundos, entre as nacionais.

Folder da primeira edição do Monsters of Rock Brasil, realizada em 1994

Folder da primeira edição do Monsters of Rock Brasil, realizada em 1994

Em 02 de setembro de 1995, o “Monsters” volta ao Pacaembú, onde compareceram 50 mil pessoas para ver Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Faith no More, Megadeth, Therapy?, Paradise Lost, Virna Lisi e Ratablanca.

No ano seguinte, mais uma edição no dia 26 de agosto, Entre as apresentações a tão esperada Iron Maiden e também Motörhead, Skid Row, Biohazard, Helloween, King Diamond, Mercyful Fate, Ratablanca e Raimundos.

Depois de dois anos, é realizada a quarta edição do Monsters of Rock, desta vez na Pista de Atletismo do Ibirapuera. Estiveram presentes as bandas Slayer, Megadeth, Manowar, Saxon, Dream Theater, Savatage, Glen Hughes e as brasileiras Korzus e Dorsal Atlântica. Esta foi considerada a edição mais pesada do evento no Brasil.

Quinze anos mais tarde, se realiza, nos dias 19 e 20 de outubro, o quinto “Monsters” no Brasil, em novo lugar, na Arena Anhembi. No dia 19 se apresentaram as bandas Slipknot, Korn, Limp Bizkit, Killswitch Engage, Hatebreed, Gojira e Project 46. No segundo dia foi a vez das veteranas Aerosmith, Whitesnake, Ratt, Buckcherry, Quensrÿche, Dokken e Dr. Sin.

Momentos marcantes do rock – Parte 2

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Em 2015 o Brasil ganha mais uma edição do Monsters of Rock, prevista para ocorrer nos dias 25 e 26 de abril, novamente na Arena Anhembi, em São Paulo. Em seu line up vão estar Ozzy Osbourne, Judas Priest, Motörhead, Black Veil Brides, Rival Sons, Coal Chamber e Primal Fear, no primeiro dia, e Kiss, Manowar, Accept, Unisonic, Yngwie Malmsteen e Steel Panther, no segundo.

Momentos marcantes da história do Monsters of Rock – Parte 3

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Foi anunciado que no dia 30 de abril haverá uma extensão do Monsters of Rock na cidade de Porto Alegre, onde irão se apresentar Ozzy Osbourne, Judas Priest e Motörhead, no Estádio Passo D’Areia (também chamado Estádio Zequinha), mas ao que parece trata-se de um evento isolado. Infelizmente, nesse festival, que veio na esteira do Rock in Rio como uma forma de abrir caminho para o rock/metal brasileiro, não se apresenta confirmação, em 2015, de nenhuma banda nacional, o que vem a desfavorecer o evento que surgiu como uma vitrine para o mundo e agora desembarca diversos grupos no Brasil, sem alimentar a produção nacional. Está certo que nas primeiras edições o Raimundos encontrou dificuldades de ser aceito em meio a grupos reconhecidamente mais pesados, e que o Angra encontrou uma inicial dificuldade de reconhecimento, mas bandas como Dr. Sin e Korzus, cada uma a seu modo, sempre estiveram no gosto dos metaleiros e dentre os muitos nomes da atualidade é preciso abrir espaço para bandas nacionais, ainda mais deste gênero com espaço já tão reduzido. Isso talvez justificasse uma iniciativa que já foi proposta por Thiago Bianchi (vocalista do Shaman) de criar em 13 de novembro o Dia do Metal Nacional, onde, na semana comemorativa haveria diversos shows pelo Brasil e um grande evento no dia 13. Seria uma forma de levantar a bandeira do metal brasileiro, importante também seria incluir estes grupos depois em eventos internacionais como o próprio Monsters of Rock.

Para mais informações e ingressos no site do evento, clique aqui.

Fique com a parte final dos momentos da história do Monsters of Rock:

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SCARLETT JOHANSSON LANÇA MÚSICA CANDY

Em seus 30 anos de vida, a atriz, modelo e mãe Scarlett Johansson, que já foi musa de Woody Allen, interpretou com maestria um sistema operacional, e agora mostra sua versatilidade na música, ao lançar o single Candy, com a banda pop feminina The Singles, composta por Scarlett, Holly Miranda, Kendra Morris, Julia Haltigan e Este Haim – baixista da banda Haim

Scarlett Johansson. Foto: Divulgação

Scarlett Johansson. Foto: Divulgação

A atriz explicou que: a ideia era escrever músicas super-pop, escritas e tocadas por garotas. Eu queria que fosse como essas bandas ultra-pop, mas também um pouco irônico. Como influências, Johansson cita as bandas Grimes, The Bangles e Go-Go’s.

Anteriormente, Scarlett já havia ingressado na carreira musical quando lançou um álbum com covers de Tom Waits, e já havia participado de álbum em homenagem a Serge Gainsbourg, entre outras obras musicais.

Lançado em 20 de Fevereiro, o single Candy foi produzido por David Sitek, da banda TV On the Radio, já pode ser ouvida na internet. A canção possui uma pegada eletrônica e letra que revela uma certa doçura ao cantar sobre um rapaz que a faz desejá-lo como se desejam doces.

Confira Candy no vídeo abaixo:

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AS CANÇÕES DE BOYHOOD – A TRILHA SONORA DE UMA VIDA

Ganhador do Globo de Ouro 2015, e com seis indicações ao Oscar 2015, o filme de Richard Linklater possui uma trilha sonora musical interessante, que tal qual o filme, acompanha o garoto da sua infância à juventude

Ellar Coltrane em BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE (2014), de Richard Linklater

Ellar Coltrane em BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE (2014), de Richard Linklater

Muito tem se falado do filme de Richard Linklater, ganhador do prêmio de melhor filme dramático no Globo de Ouro 2015. Apesar da qualidade da longa, pouco se tem falado acerca das músicas que embalam a história. A seleção desenvolvida pelo diretor Richard Linklater conta com canções que marcaram cada um dos 12 anos capturados pelo longa-metragem e, segundo ele estipulou, quase metade dos R$ 9,7 milhões gastos com o filme foi destinada ao pagamento para utilizar as canções no longa que tem conquistado vários prêmios ( SAIBA MAIS e leia a crítica de Ávila Souza aqui ).

Chama a atenção o fato de as músicas de Boyhood passearem pelo período que abrange o longa, mostrando um pouco do que fazia sucesso na época, definindo o tempo em que as cenas foram filmadas e sendo parte essencial na história de Linklater. A trilha sonora oficial do filme tem apenas 16 faixas, mas na trilha completa ouvimos músicas na produção, entre canções que são executadas como parte do filme, ou cantadas pelos personagens, ou emitida de alguma outra forma. Vamos aos comentários por período.

Anos 2000/2001

Logo no início da trama, ouvimos a melancólica Yellow, escrita por Guy Berryman, Jonny Buckland, Will Champion e Chis Martin e interpretada pelo Coldplay. A letra da canção é uma referência ao amor não correspondido. Ouça a seguir:

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Ainda acompanhando a infância de Mason, ouvimos Hate To Say I Told You So, da banda de rock The Hives, grupo sueco de punk de garagem formada em 1994 por cinco adolescentes da cidade industrial de Fagersta. Confira:

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Além das conhecidas Yellow, do Coldplay, e Hate To Say I Told You So, dos Hives, escutamos indiretamente Try again, também dos Hives, e Anthem Part Two, do Blink 182, que representam exatamente o período anterior ao início das filmagens, em maio de 2002. No entanto, o grande destaque é o hit de Britney Spears, Oops!… I did it again, que é cantada por Lorelei Linklater, filha do diretor.

Anos 2002 a 2004

Quando Mason envelhece um pouco, o período é representado por Soak up the sun, da Sheryl Crow. Curiosamente, chama atenção também uma faixa da trilha de Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, de John Williams, dentro da trilha de Boyhood. Ouvimos Could We, canção gravada em 2006 pela cantora e compositora americana Cat Power e a banda de rock alternativo da década de 80, The Flaming Lips, que também está presente na trilha com a canção Do You Realize??. Ouça no clipe da música a seguir:

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Anos 2005/2006

Nesse período, Gnarls Barkley ganharam o mundo com Crazy, uma das melhores canções do setlist. O Gnarls Barkley, grupo formado pelo DJ e produtor Danger Mouse e o rapper Cee Lo Green ganhou o Grammy de melhor música alternativa do ano de 2007 com esta canção. Confira:

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Nesse período, os desconhecidos do Old Crow Medicine Show gravaram a My good gal. No longa ouvimos também o rap Freaks! Freaks!, de Pigeon John. Ainda há espaço para um Bob Dylan contemporâneo que dispensa comentários e está presente na trilha com Beyond The Horizon, num período da vida de Mason em que é possível vislumbrar o futuro de uma vida que está apenas começando.

Anos 2007/2008

Em mais uma fase marcada pela diversidade, temos o rap Crank that, de Soulja Boy. Na trilha há espaço para Let It Die, do Foo Fighters e a banda americana Vampire Weekend surge com One (Blake’s Got A New Face), uma balada bem ritmada e com letra simples. Wilco apresenta Hate It Here e já vemos claramente na letra da canção, a nova fase na vida de Mason Jr., a chegada da adolescência. Ouça Let It Die, do Foo Fighters:

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Ano 2009

O período de balada de Mason é embalado por Good Girls Go Bad, da banda Cobra Starship, grupo de pop punk e synthpop criada pelo vocalista e baixista da extinta banda Midtown, que tem uma pegada pop/eletrônica que nos remete ao auge dos Backstreet Boys. Nesta canção, temos a participação de Leighton Meester, atriz, cantora, compositora e modelo norte-americana, mais conhecida por interpretar Blair Waldorf na série Gossip Girl. Segue vídeo oficial da canção:

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No rádio, ou afins escutamos 1901, do Phoenix, e LoveGame, de Lady Gaga, que também aparece com Telephone, canções que certamente agitaram muitas festas na época. Quando o protagonista já tá lá pelos 15 anos, o pai dele dá de presente para o garoto uma coletânea dos Beatles. O nome da mixtape presente no CD é Black Album e reúne as principais obras dos quatro Beatles após o término da banda. No entanto a coletânea foi produzida de verdade pelo Ethan Hawke, intérprete do pai do protagonista do filme, para sua filha na vida real. Veja matéria completa sobre o Black Album clicando aqui.

Deste álbum, escutamos Sr. Paul McCartney com Band On The Run, da banda de rock Wings, formada em 1971 pelo ex-beatle Paul McCartney, que permaneceu em atividade até 1981. A banda atingiu bastante sucesso, embora tenha mudado constantemente de integrantes. A canção toca quando Mason Sr., Annie, Samantha e Mason Jr. chegam à casa dos pais de Annie. Segue clipe da canção:

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Ano 2010

Os Black Keys estouraram com o álbum Brothers de onde saiu She’s Long Gone, onde vemos que o amor começa a rondar a vida de Mason Jr. A canção tem riffs de guitarra e solos que exalam rebeldia juvenil, muito bem encaixado na trama. O Arcade Fire lançou The suburbs e aparece na trilha com Deep Blue e Suburban War, que toca enquanto Mason dirige com sua namorada rumo a Austin, onde eles iriam passar o fim de semana visitando a irmã dele na faculdade. Há espaço até para a brasileira Luísa Maita, que emplacou Desencabulada e Lero lero no longa. Confira a brasileira no vídeo abaixo:

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Anos 2011/2013

Wouter “Wally” De Backer, conhecido profissionalmente como Gotye, é um compositor e cantor multi-instrumentista belga-australiano que ficou conhecido com a canção Somebody That I Used To Know, que tem a participação da cantora, compositora e instrumentista neozelandesa Kimbra e foi indicada a vários prêmios é outro ponto alto da trilha. Ela expressa bem o sentimento ao final de um relacionamento. Confira:

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Helena Beat, do Foster The People, Trojans, do Atlas Genius, Hero, segundo álbum de estúdio, Loma Vista, da banda norte-americana de indie rock Family of the Year e I’ll Be Around, de Yo La Tengo, retomam a melancolia do início do filme e representam o ano em que as filmagens terminaram. Segue vídeo da canção I’ll Be Around:

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Ano 2014

O longa também trás músicas recentes em seu bojo, caso das três canções do primeiro disco de estúdio de Moreno Veloso: Não acorde o neném, Em todo lugar e Coisa boa e canção de início do filme, quando começamos a acompanhar a trajetória de vida de Mason, ainda nos créditos iniciais com Summer Noon escrita e Interpretada por Tweedy, compositor, músico e líder da banda Wilco. Segue vídeo com clipe animado da canção, que acompanha um balão vermelho durante seu voo:

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Adquira a trilha sonora clicando aqui.

FICHA TÉCNICA

Poster de BOYHOOD - DA INFÂNCIA A JUVENTUDE ( Boyhood, 2014) de Richard Linklater

Poster de BOYHOOD – DA INFÂNCIA À JUVENTUDE (2014) de Richard Linklater

Boyhood – Da Infância à Juventude

Título original: Boyhood / EUA, 2014

Direção/Roteiro: Richard Linklater

Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, Lorelei Linklater, Janet Piersen, Elijah

Smith, Bonnie Cross, Jamie Howard, libbie Villari, Marco Perella, Steven Chester Prince, Sidney Orta e Shane Graham

Orçamento: US$ 4 milhões

Duração: 165 minutos

Censura: 12 anos

Distribuidora: Universal Pictures

Quais músicas marcaram sua vida? Compartilhe.

Segue trailer de Boyhood – Da Infância à Juventude:

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ROCK IN RIO – HAVE YOU EVER BEEN THERE?

Há exatos 30 anos começava a primeira edição do Rock in Rio, que se tornaria um dos mais famosos festivais do gênero no mundo. Ao contrário do que escandalizados pais de família pensavam, porém, o evento não trazia apenas sexo, drogas e rock’n’roll, mas o desejo de libertação de uma geração sufocada por décadas de ditadura, que finalmente caía naquele já remoto 11 de janeiro de 1985, após a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral. Tancredo não chegaria a ser empossado, mas toda uma geração experimentou uma espécie de catarse coletiva naqueles 10 dias de música num descampado no subúrbio carioca. Em artigo retrospectivo, José Fernando Monteiro dá maiores informações sobre o mega festival que terá sua primeira edição nos Estados Unidos

O público delirava na conjunção de música e política do primeiro Rock in Rio. Foto: reprodução

O público delirava na conjunção de música e política do primeiro Rock in Rio. Foto: reprodução

Texto de José Fernando Monteiro, especial para o Cinema e Artes

Hoje, o festival que colocou a América do Sul na rota das grandes tournées mundiais completa 30 anos. Multicultural e bonito por natureza, o balzaquiano Rock in Rio é hoje uma expressão da diversidade presente na sociedade atual, característica que mantém desde sua primeira edição, em 1985, realizada na “Cidade do Rock”, construída em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, especialmente para o evento. Numa década de 80 marcada pela ebulição do rock nacional, o Rock in Rio chamou para o palco desde monstros sagrados como Queen, Iron Maiden, Ozzy Osbourne e AC/DC, até os arretados Alceu Valença e Elba Ramalho, além de Gilberto Gil, da black music de George Benson e Al Jarreau e do pop do B 52’s.

Estrela entre as estrelas, a banda britânica Queen foi a grande atração do primeiro Rock in Rio. Imagem: reprodução

Estrela entre as estrelas, a banda britânica Queen foi a grande atração do primeiro Rock in Rio. Imagem: reprodução

Mas o Rock in Rio não parou por aí – aliás esse era só o começo. Após duas edições (1991 e 2001), o festival alçou voo rumo a terra dos patrícios e aportou em Portugal para a primeira edição do Rock in Rio Lisboa, em 2004. Nessa altura o evento já havia associado a si uma imagem politicamente correta, através da iniciativa do projeto “Por um mundo melhor”, que incitava o debate sobre questões socioambientais e discussões sobre possíveis melhorias no planeta. Essa iniciativa, que acompanha o festival ainda hoje, já arrecadou cerca de 23 milhões de dólares e já investiu por volta de 2 milhões de dólares em causas sociais, recebendo inclusive, em 2009, o Energy Globe Awards, na categoria juventude, prêmio anual concedido pela Energy Globe Fundation para incentivar soluções para os problemas ambientais do planeta.

Ingresso para a primeira edição do Rock in Rio (1985): "Eu fui". Imagem: reprodução

Ingresso para a primeira edição do Rock in Rio (1985): “Eu fui”. Imagem: reprodução

Depois de quatro anos, em 2008, e juntamente com a terceira edição portuguesa, foi a vez dos espanhóis receberem o evento, na primeira edição do Rock in Rio Madri, com sua própria “Ciudad del Rock”, mais um endereço para o festival tupiniquim que agora já se afirmava como um evento legitimamente internacional. Neste contexto ibérico, um novo gênero ganhava mais espaço, a música eletrônica, sendo representada por artistas como David Guetta e Tiësto, além do comum hábito de abrir espaço para artistas locais. O Rock in Rio madrilenho também viria a ser responsável por elevar o festival a novos níveis, em especial através da transmissão ao vivo do evento via Youtube, em 2012, quando foi assistido por milhares de pessoas em todo o mundo.

Ney Matogrosso abrindo o festival, em 11 de janeiro de 1985, com "Desperta, América do Sul". Imagem: reprodução

Ney Matogrosso abrindo o festival, em 11 de janeiro de 1985, com “Desperta, América do Sul”. Imagem: reprodução

Os portugueses não ficaram para trás e também contribuíram em vários aspectos com o festival. O Palco Sunset, criado para juntar artistas diferentes em jam sessions fenomenais, foi iniciativa dos lusos, também foi deles a ideia de juntar ao festival desfiles de moda e mesmo apresentações de dança, através da criação do Palco Street Dance, destinado a apresentações de grupos de danças locais, ideia que seria copiada na edição brasileira de 2013. Em 2011, os brasileiros ainda haviam acrescentado uma novidade ao festival, a Rock Street, uma rua temática na “Cidade do Rock”, que além de abrigar lanchonetes, bares e apresentações artísticas, ainda serve de ponto de encontro para o público do evento. Aliás, neste mesmo ano de 2011 o Rock in Rio Brasil estava de casa nova, sendo que a “Cidade do Rock” havia de mudado de Jacarepaguá para o Parque dos Atletas (ou Parque Olímpico Cidade do Rock), na Barra da Tijuca. A antiga “Cidade do Rock” vai abrigar a Vila Olímpica para os Jogos Olímpicos de 2016, a serem realizados no Rio de Janeiro.

Cartaz da última edição do Rock in Rio Lisboa (2014). Festival de alcance global. Imagem: divulgação

Cartaz da última edição do Rock in Rio Lisboa (2014). Festival de alcance global. Imagem: divulgação

No ano de seu trigésimo aniversário, o Rock in Rio desembarca na terra do Tio Sam para a primeira edição do Rock in Rio USA, a ser realizado em Las Vegas nos dias 08, 09, 15 e 16 de maio. O evento já tem confirmado nomes como No Doubt, Metallica, Bruno Mars, Maná, Linkin Park, Deftones, Sepultura, John Legend, Joss Stone, entre outros. Além dos palcos Main Stage, Sunset Stage e Electronic, o evento contará com uma Rock Street (que aliás foi inspirada na ambientação das ruas de Nova Orleans) dividida em três temas diferentes, Rock Street Brazil, Rock Street USA e Rock Street UK. Será mais uma “Cidade do Rock” (“Rock City”) na terra onde o rock nasceu. O projeto “Por um mundo melhor” (“For a better world”) também acompanhará o evento.

O Rock in Rio também está confirmado para acontecer no Brasil em 2015, comemorando seu aniversário em casa. Já confirmaram presença Katy Perry, A-ha, System of a Down, Queens of Stone Age, System of a Down e John Legend. O evento que ocorrerá nos 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de setembro, já tem seus ingressos antecipados esgotados, estando as vendas programadas para serem retomadas em abril.

O fato é que o Rock in Rio se tornou um gigante: são 7 milhões de pagantes, 1 bilhão de espectadores via TV e/ou internet, mais de 11 milhões de pessoas com acesso ao evento pelas redes sociais e cerca de 150 mil operários trabalhando ao longo das 14 edições do festival. Vale lembrar que o festival já foi homenageado com um musical (“Rock in Rio – O musical”) e um samba-enredo (“Eu Vou de Mocidade com Samba e Rock in Rio”, da Mocidade Independente de Padre Miguel), ambos em 2013. Enfim, deixamos aqui também a nossa homenagem, feliz aniversário a este gigante chamado Rock in Rio!

Para finalizar deixamos alguns momentos marcantes na trajetória do Rock in Rio:

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Mais informações no site oficial do evento: http://rockinrio.com/rio/

TOM DO SERTÃO: será que funciona?

Com Tom do Sertão, Xitãozinho e Xororó, 40 anos de carreira nas costas e milhões de discos vendidos, embarcam na onda tributária para ingressar de vez no Olimpo da música popular brasileira. O disco chega apenas em janeiro às lojas, mas já é possível perceber, pelas faixas liberadas, que a dupla realizou uma mera apropriação do cancioneiro de Tom, adaptando-o ao abecedário do gênero ao qual dedicou a maior parte da sua vida. Eles precisam mesmo disso?

Chitãozinho e Xororó dedicam seu mais recente álbum ao repertório de Tom Jobim em TOM DO SERTÃO

Chitãozinho e Xororó: álbum ao repertório de Tom Jobim em TOM DO SERTÃO, nas lojas em janeiro de 2015

Para os ascetas da música popular brasileira, sertanejo e bossa nova são antípodas inequívocos. De fato, pelo menos em tese, parece difícil encontrar um ponto de interseção entre dois gêneros – industrialmente elaborados – musicais que, presume-se, reproduzem a falsa contradição cidade/campo, associada à antinomia civilização/barbárie. Talvez por isso bossanovistas convictos jamais enfiem a viola no saco – desculpem, não resisti à piada…

Nesse sentido, qual seria o elo entre a música da dupla Xitãozinho e Xororó e a de Tom Jobim? O porquê da pergunta é, em primeiro lugar, o mais recente lançamento dos irmãos que estouraram no início da década de 1980 com a pungente  “Fio de Cabelo“, puxando a vendagem de mais de 1,5 milhão de cópias do disco Somos apaixonados – bons tempos da indústria fonográfica!; o segundo, menos óbvio, é provocar uma breve reflexão sobre as mais recentes estratégias da indústria do disco e de determinados artistas para manter um sistema agonizante em tempos de downloading, procurando ao mesmo tempo reinventar a si próprios e a indústria fonográfica.

Tom do Sertão, o mais recente disco da dupla sertaneja, chega às lojas apenas em janeiro do próximo ano, mas duas faixas e um videoclipe foram liberados on line há alguns dias, quando dos eventos ligados aos 20 anos da morte de Tom Jobim. O lançamento, óbvio, é estratégico. Mas não pelo que se pensa à primeira vista. É notório que o grosso dos artistas mainstream da MPB – a sigla pantagruélica que compreende toda a música não erudita feita no Brasil – perdeu a criatividade há algumas décadas. Daí a abundância de “releituras”, versões e covers de toda ordem. O que se ouve nas canções divulgadas na internet (“Correnteza” e “Águas de Março”) é uma adaptação ao beabá (do que se julga ser) sertanejo, com cara de BG de alguma trilha musical de telenovela. Fora os arranjos, não há grande novidade no que a dupla fez com o cancioneiro de Tom. O timbre rascante dos cantores é o mesmo, e o exagero nas interpretações dá a sensação de que os ensaios para a gravação ocorreram num karaokê. Há apropriação das músicas, deveras, mas apenas isso.

O que ressalta no disco não é o trabalho em si, afinal, competente, mas a necessidade boba que alguns artistas e a indústria do disco têm de tornar fenômenos populares em biscoito fino para o consumo das massas ao longo do tempo. Quase todo cantor, compositor etc. brasileiro que estoura e sobrevive no panorama musical tupiniquim terá fatalmente que prestar tributo a alguma figura consagrada no Olimpo da música popular brasileira. Ivete Sangalo já pagou de bossanovista, num dueto super sem-graça com Rod Stewart – que lançou uma série de álbuns de covers de standards do cancioneiro popular estadunidense; Lulu Santos jogou nas lojas há pouco um disco dedicado à dupla Roberto/Erasmo Carlos… e a lista dos “encontros musicais” de iniciativa duvidosa abundam, quase todos procurando estabelecer qualquer ligação entre o que aparece – apesar da mídia – e o Pantagruel musical do nosso país, a MPB, eivada do princípio tropicalista de apropriação elitista dos fenômenos pop. Chitãozinho e Xororó não escaparam À regra e apenas fazem o que tantos dos seus colegas vêm fazendo em termos musicais ultimamente. Com mais de quatro décadas de estrada, eles não precisam de Tom Jobim para aparecer e vice-versa.

Pena que nossos músicos populares tenham a autoestima tão baixa para embarcar em engodos de executivos e produtores de gravadoras.

Eis a faixa “Águas de Março”, versão Xitãozinho e Xororó:

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