Nirvana Smells like Teen Spirits – ainda

Há 25 anos o grupo liderado por Kurt Cobain lançava o álbum que consagraria a banda formada em 1987 e extinta em 1994, após o suicídio de Kurt.

O disco histórico da banda estadunidense completa 25 anos neste sábado. Foto: reprodução

O disco histórico da banda estadunidense completa 25 anos neste sábado. Foto: reprodução

Se reduzíssemos o Nirvana a uma análise estritamente musical, não falaríamos sobre música pop. Muito menos aquela produzida nos anos 1990 (conhecida como a “década do pop“), com breguissimas boys e girls bands, “princesinhas” (um saco, convenhamos) pop calientes latinos cujo som era feito sob medida para que todos bailassem até a morte, numa doce e alienada manifestação de alegria padronizada.

Leia Mais

Imagine Dragons: Smoke + Mirrors Live

Na noite de 2 de março de 2016 foi exibido em vários cinema do mundo o show da banda  americana de indie rock Imagine Dragons, realizado em Toronto, Canadá, e que revela os hits do último CD da banda, Smoke + Mirrors, incluindo o single I bet my life, com grande repercussão nas paradas musicais

Dan Reynolds no show Imagine Dragons: Smoke + Mirrors Live

Dan Reynolds no show IMAGINE DRAGONS: SMOKE + MIRRORS LIVE

Com os fãs ansiosos do Imagine Dragons na plateia, foi lançado nos cinemas de todo o mundo, de forma simultânea, o show gravado em 4 de julho de 2015 em Toronto (Canadá), show este que fez parte da turnê de ‘Smoke + Mirrors’, segundo álbum da banda formada pelo esforçado vocalista Dan Reynolds, pelo talentoso guitarrista Wayne Sermon, pelo baixista Ben McKee e pelo baterista Daniel Platzman. Entre as músicas selecionadas que foram apresentadas no show estão: Demons, I Bet My Life, Shots, Gold, Radioactive e Thief, esta última, tocada pela primeira vez ao vivo.

Conforme o site vadecultura.com.br, sobre o show, os integrantes da banca declararam que: Colocamos mais sangue, suor e lasers no planejamento do Smoke + Mirrors do que em qualquer outra performance que já fizemos até o momento, e é algo que lembraremos para sempre. Este filme captura a energia do ao vivo de uma forma incrivelmente envolvente. Nós estamos ansiosos para mostrar para os nossos fãs de todo o mundo que querem voltar a viver essa experiência juntos ou vê-la pela primeira vez.

Com poucas falas em inglês, as exibições não foram legendadas, mas apesar disso, foi possível adentrar na atmosfera proposta pela banda. Destaque para a iluminação que destaca a performance dos músicos e a reação do público. Um dos pontos altos do show é quando a banda apresenta o cover de Forever Young, de Bob Dylan, que está na setlist.

Pster de Imagine Dragons: Smoke + Mirrors Live (2016) de Dick Carruthers

Pôster de IMAGINE DRAGONS: SMOKE + MIRRORS LIVE (2016), de Dick Carruthers

Título: Imagine Dragons: Smoke + Mirrors Live

Estreia: 02/03/2016

Gênero: Musical, Conteúdo alternativo

Duração: 95 min.

Origem: Estados Unidos, Canadá

Direção: Dick Carruthers

Classificação: 10 Anos

Ano: 2016

 

 

 

 

 

 

Segue trailer:

Imagem de Amostra do You Tube

Pato Fu reafirma vigor com o novo álbum “Não Pare pra Pensar”

A banda mineira Pato Fu retorna aos estúdios e lança um dos discos mais inspirados da carreira depois de um hiato de sete anos de composições inéditas. Não Pare pra Pensar se destaca como um dos melhores álbuns brasileiros de 2014, com canções de peso como a faixa título, Um dia do seu sol e You have to outgrow rock’n’roll

Da esquerda para a direita: Lulu Camargo, Ricardo Koctus, John Ulhoa e Glauco Mendes. No sofá, Fernanda Takai

Da esquerda para a direita: Lulu Camargo, Ricardo Koctus, John Ulhoa e Glauco Mendes. No sofá, Fernanda Takai

2014 foi um ano bastante generoso no que se refere a lançamentos do pop rock nacional. Um dos últimos e mais importantes deles foi o retorno do Pato Fu a um álbum de inéditas desde 2007, quando saiu Daqui pro Futuro. Entre um e outro disco houve a experimentação com instrumentos de brinquedo e a voz de duas crianças nos discos Música de Brinquedo (2010) e o registro ao vivo de sua turnê, Música de Brinquedo ao Vivo (2011), direcionado também ao público infantil.

Boa parte da culpa dessa demora em lançarem um disco novo da banda foi o sucesso do trabalho solo de Fernanda Takai, que, desde o seu primeiro disco solo, Onde Brilhem os Olhos Seus (2007), não parou mais. Veio em seguida o registro ao vivo da turnê, Luz Negra (2009), que até trazia uma canção em parceria com John e que poderia muito bem integrar um álbum do Pato Fu; um trabalho com o ex-guitarrista do The Police Andy Summers, Fundamental (2012), e o novo e eclético Na Medida do Impossível (2014).

Não Pare pra Pensar (2014) dá seguimento ao clima de Daqui pro Futuro, embora seja um disco bem mais inspirado. As canções dialogam com o anterior e com a obra-prima Toda Cura para Todo Mal (2005). A primeira canção, por exemplo, Cego para as Cores, com uma guitarra que se destaca, celebra a alegria terrena, assim como Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!, do disco de 2005. E por alegria terrena também quer dizer lidar com o que há de desagradável na vida.

A segunda canção, Crédito ou débito, já é mais venenosa, na tradição de Like a rolling stone, de Bob Dylan. Você vai se arrepender, espere só o seu fim, canta em tom ameaçador Fernanda Takai, em sua voz doce.

Takai talvez não tenha se sentido à vontade para cantar a canção seguinte, Ninguém mexe com o diabo, ficando a cargo do marido John Ulhoa. Não chega a ser uma canção diabólica ou algo assim, mas não deixa de ser um tanto incômoda. Fala da falta de amor no mundo. Destaque para os teclados de Lulu Camargo.

A faixa título Não pare pra pensar é muito gostosa de ouvir, com uma sonoridade bem eletrônica, festiva e dançante, embora a letra, mais uma vez, seja agridoce, ao lidar com a incapacidade de mudar a si próprio.

Eu era feliz começa lembrando os acordes iniciais de Why can’t I be you?, do The Cure, e também equilibra a alegria da música com a tristeza da letra. O refrão diz: Arrisquei palavras frias que ferem/ Queimam e podem matar/Dói no peito o amor que de mim aos poucos se desfaz.

Mas nada nos prepara para a beleza e a melancolia de Um dia do seu sol, uma das mais belas canções do ano. A canção, mais lenta, começa apenas com a guitarra para depois os outros instrumentos entrarem. A letra já começa devastadora: Às vezes você pensa/ Será que essa chuva nunca vai passar/nunca vai parar de me molhar/Mas pode ser que o mundo esteja te implorando um dia de sol/ Me dê um dia do seu sol. A balada é enriquecida com um solo de guitarra de John tão lindo que dói.

John Ulhoa com seu skate no videoclipe de You have to outgrow rock'n'roll

John Ulhoa com seu skate no videoclipe de You have to outgrow rock’n’roll

A faixa seguinte, You have to outgrow rock’n’roll, trata de espantar um pouco a tristeza da canção anterior com um rock próximo do punk e do skate rock na voz de John. É uma das melhores e mais vibrantes faixas do disco e é cantada em inglês. Foi destaque na internet. No clipe, John mostra um grupo de cinquentões (ou quase) não deixando de lado o seu vício pelo skate, algo tão relacionado à juventude. E a canção trata justamente disso, da necessidade de amadurecer, casar, ter filhos, ser parte da paisagem. Ainda assim, é uma mensagem que pode ser encarada com um grau de ironia. De todo modo, é dessas canções que nos fazem sonhar em um show ao vivo da banda e que certamente faria um enorme sucesso mundo afora se fosse de uma banda americana ou inglesa.

Siga mesmo no escuro é uma volta às baladas e às canções tristes, embora a letra seja otimista. O refrão diz: Você vai enxergar quando seus olhos se acostumarem. Muito provavelmente é uma faixa dedicada a pessoas com depressão e que precisam de uma voz de esperança. A guitarra lembra um pouco o U2 tardio.

O cantor Ritchie, que fez tanto sucesso nos anos 1980, faz um duo com Fernanda em Pra qualquer bicho, que não é das canções mais inspiradas do disco, mas a música tem uma textura agradável, com uma cozinha de baixo e bateria bastante atuante.

Talvez a canção que poderia ter ficado de fora do álbum seja Mesmo que seja eu, de autoria de Roberto e Erasmo Carlos, que já teve o seu cover definitivo na voz de Marina Lima. Até pela sua orientação sexual, a letra faz todo o sentido na voz de Marina, que ainda modificou bastante o arranjo e a estrutura, destacando inclusive a solidão. Embora o Pato Fu tenha alguns covers ótimos, este não é dos melhores. Poderia estar no disco solo da Fernanda Takai. Ainda assim, a canção é tão boa que não dá pra reclamar, até pelas guitarras de John ao final.

Fechando o álbum, destaca-se outra verve irônica de John em Eu ando tendo sorte, em que se destaca o piano de Lulu Camargo. John já havia tratado dessa questão da sorte e da má sorte explicitamente em uma faixa do álbum Toda Cura para Todo Mal. Mais uma amostra de que o Pato Fu chegou a um estágio de sua carreira em que pode se dar ao luxo de fazer autorreferências.

E com Não Pare pra Pensar, Pato Fu segue se firmando como uma das melhores bandas de rock do país, com uma carreira que veio de discos engraçadinhos, fruto de certa tendência dos anos 1990, além de beber muito da influência dos Mutantes, para depois entrar de cabeça em canções mais melancólicas e profundas e chegar à maturidade com o vigor que poucas bandas de mais de 20 anos têm.

Veja o clipe de You have to outgrow rock’n’roll

Imagem de Amostra do You Tube

JERSEY BOYS – CLINT EASTWOOD E O SEU MUSICAL COM CANÇÕES MARCANTES

Adaptando o musical da Broadway Jersey Boys – Em Busca da Música (Jersey Boys, 2014), de Clint Eastwood, apresenta a história de Frankie Valli e da banda The Four Seasons, que gravou músicas marcantes ao longo de sua trajetória

Banner de JERSEY BOYS - EM BUSCA DA MÚSICA (Jersey Boys, 2014) de Clint Eastwood

Banner de JERSEY BOYS – EM BUSCA DA MÚSICA (2014), de Clint Eastwood

Jersey Boys: Original Broadway Cast Recording, o álbum, ganhou o Grammy além de quatro prêmios Tony 2006: Melhor Musical, Melhor Ator (John Lloyd Young) , Melhor Ator Destaque (Christian Hoff ) e Melhor Iluminação (Howell Binkley) . Algumas canções são marcantes, como Cry For Me, de Daniel Reichard.

Ouçam a versão original na voz de Frankie Valli.

Imagem de Amostra do You Tube

Sherry, de Bob Gaudio, que levou cerca de 15 minutos para escrevê-la e originalmente foi chamada de Jackie Baby, em homenagem a então primeira-dama Jacqueline Kennedy. No estúdio, o nome foi mudado para Terri Baby, e por fim Sherry. Foi o primeiro single da banda The Four Seasons que atingiu o topo da Billboard Hot 100 em 15 de setembro de 1962, onde permaneceu por cinco semanas consecutivas. Esta canção aparece na trilha sonora do filme Histórias Cruzadas (The Help, 2011) de Tate Taylor.

Ouçam a canção Sherry.

Imagem de Amostra do You Tube

Single Big Girls Don't Cry do The Four Seasons

Single Big Girls Don’t Cry do The Four Seasons

Big Girls Don’t Cry, de Bob Crewe e Bob Gaudio estourou nas paradas musicais e passou cinco semanas na primeira posição. Conta-se que Gaudio , estava cochilando, vendo o filme A Audácia é a minha lei (Tennessee’s Partner, 1955), de Allan Dwan, quando ouviu o personagem de John Payne dar um tapa na cara da personagem de Rhonda Fleming, que dá a seguinte resposta: “Big girls do not cry”. Gaudio escreveu a frase num pedaço de papel, adormeceu, e escreveu a canção na manhã seguinte. A canção que é interpretada principalmente no característico falsete de Frankie Valli, é ouvida em vários episódios da série de TV Happy Days (1974-1984) e também apareceu na trilha sonora do musical Ritmo Quente (Dirty Dancing, 1987), de Emile Ardolino.

Walk Like a Man, de Bob Crewe e Bob Gaudio, apresenta o contraponto da voz de baixo de Nick Massi com o falsete de Frankie Valli. Foi o terceiro hit do The Four Seasons, atingindo inicialmente o topo da Billboard Hot 100 em 2 de março de 1963, permanecendo lá por três semanas. Durante as sessões de gravação da música, o Corpo de Bombeiros recebeu uma chamada de emergência do Abadia Victoria Hotel (edifício que abrigava os estúdios). Dizem que Bob Crewe insistia na gravação perfeita, quando fumaça e água começou a invadir o estúdio, pois o quarto acima do estúdio estava em chamas. Conta-se que Crewe ainda bloqueou a porta do estúdio de gravação até que alguns bombeiros forçaram a entrada e puxaram Crewe para fora. Versões da canção foram gravadas por outros músicos, como os Mary Jane Girls (1986), Divine (1985), Dreamhouse e Jan & Dean (1963). Plastic Bertrand fez uma versão cover em francês, intitulado C’est Le Rock’ n’ Roll (1978) e banda húngara Bon Bon também cobriu a canção com o título Sexepilem (1999). A canção Walk Like a Man faz parte da lista de 500 músicas da categoria Rock and Roll do The Rock and Roll Hall of Fame.

Ouçam através do video abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

Single December, 1963 do The Four Seasons

Single December, 1963 do The Four Seasons

December, 1963 (Oh, What a Night) é o único hit do The Four Seasons, escrito por Bob Gaudio e sua futura esposa Judy Parker, que foi incluído no álbum de 1975 do grupo, Who Loves You. A canção apresenta o baterista Gerry Polci nos vocais, com vantagem de costume Frankie Valli cantando os elementos de pontes e backing vocal e baixista Don Ciccone (ex- vocalista do The Critters) cantando uma parte em falsete. A canção foi originalmente sobre a revogação de uma espécie de Lei Seca e tinha o título de 05 de dezembro de 1933, mas as letras foram alteradas devido as insistências de Frankie Valli e do letrista Parker. Assim, a canção se tornou uma lembrança nostálgica de primeiro caso de um jovem com uma mulher.

My Eyes Adored You, de Bob Crewe e Kenny Nolan, é outra música popular, cujo título original era Blue Eyes in Georgia, foi originalmente gravada pelo The Four Seasons, no início de 1974. Após a gravadora ter desistido de lançá-la, a canção foi vendida para o cantor Frankie Valli. O single, primeiro hit de Valli como artista solo, foi lançado nos EUA em novembro de 1974 e ficou no topo da Billboard Hot 100 em março de 1975. O sucesso de My Eyes Adored You provocou um renascimento do interesse em gravações de Frankie Valli e o The Four Seasons. Andy Williams lançou uma versão em 1975 em seu álbum, The Other Side of Me. A canção foi gravada em 1976 por Fred Astaire com a Pete Moore Orchestra e em 2008 pela cantora australiana Alfio, para o seu álbum clássico Recua, que presta homenagem a Frankie Valli e 14 outros cantores ítalo-americanos populares. John Barrowman fez um cover da canção em 2010, em seu terceiro álbum de estúdio, autointitulado John Barrowman.

Ouça My Eyes Adored You:

Imagem de Amostra do You Tube

Single Beggin do The Four Season

Single Beggin do The Four Season

Dawn (Go Away), de Bob Gaudio e Sandy Linzer, gravada pelo The Four Seasons, em novembro de 1963, período turbulento para o grupo, envolvido em disputas de direitos autorais. Originalmente escrito como uma canção popular, o arranjador Charles Calello acelerou a canção por sugestão de Valli e adicionou uma guitarra com um ritmo galopante emprestado de versão da canção More, de Kai Windings.

Beggin’, de Bob Gaudio e Peggy Farina foi popularizada pelo The Four Seasons, em 1967. Em 2007, a canção recebeu nova popularidade quando foi remixado pelo DJ francês Pilooski e então coberto pela banda de hip-hop norueguês Madcon. Desde então tem sido usado como o principal tema de uma grande campanha de publicidade da Adidas.

Vejam a versão original de Beggin’:

Imagem de Amostra do You Tube

C’mon Marianne, composta por L. Russell Brown e Raymond Bloodworth, foi popularizada pelo The Four Seasons, em 1967. A canção ostentava um riff que os The Doors também se apropriaram em sua canção Touch Me, em 1968. Em 1976, Donny Osmond gravou C’mon Marianne em seu álbum Disco TrainWorking My Way Back to You, de Sandy Linzer e Denny Randell , fala sobre um homem que traiu sua namorada e abusou dela emocionalmente. Quando ela vai embora, percebe que a amava e está muito arrependido de suas ações passadas. Então, ele promete conquistar o amor dela de volta.

Single Who Loves You do The Four Seasons

Single Who Loves You do The Four Seasons

Rag Doll, de Bob Crewe e Bob Gaudio, foi gravada pelo The Four Seasons e lançada em 1964. A gravação foi inspirada por uma menina de cara suja que limpou o para-brisa do automóvel de Gaudio. Quando ele pegou a carteira , tudo que tinha eram notas altas, então, deu à menina uma nota de US$ 20,00. A canção foi hit número um no Canadá, e chegou a número dois no Reino Unido e número quatro na Irlanda.

Who Loves You, de Bob Gaudio e Judy Parker, onde o falsete de Valli, marca registrada do The Four Seasons está presente. Big Man in Town é outra canção popular do grupo.

No entanto, o maior sucesso de Valli e do grupo veio com Can’t Take My Eyes Off You, que vendeu milhões de cópias, foi disco de ouro e até hoje é cantada através dos anos, tendo um grande impacto cultural, com centenas de versões covers em diferentes países. A canção é um marco da televisão e do cinema trilhas sonoras, fazendo parte do enredo de alguns filmes, e até mesmo sendo interpretada por alguns personagens principais. Em O Franco Atirador (The Deer Hunter, 1978), de Michael Cimino, alguns personagens da trama começam a cantar junto com a jukebox em um bar e durante a recepção de um casamento, inclusive quando o filme recebeu uma premiação no Oscar, ​​parte da música foi tocada. No filme Teoria da Conspiração (Conspiracy Theory, 1997), de Richard Donner, Julia Roberts canta trecho da música, enquanto está sendo observada pelos binóculos de Mel Gibson, que também está entoando a canção. Posteriormente eles cantam a música novamente… Heath Ledger também cantou em 10 Coisas que Eu Odeio em Você (10 Things I Hate About You, 1999), de Gil Junger, sendo considerada a Melhor Sequência Musical no MTV 2000 Movie Awards. A canção é ouvida em O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones’s Diary, 2001), de Sharon Maguire. Em 2002, foi destaque em uma cena deletada de Scooby Doo (Scooby Doo, 2002) de Raja Gosnell, cantada por Linda Cardellini, que viveu a personagem Velma. Na série da HBO Entourage, Vincent Chase (interpretado por Adrian Grenier) e seu irmão Johnny Drama (Kevin Dillon), a cantam no episódio Sweet Sixteen, da 5ª temporada. A versão Valli também foi usado pela NASA como uma canção de despertar para uma missão de um ônibus espacial, no aniversário do astronauta Christopher Ferguson, além de estar presente no jogo Just Dance 4.

Curtam  Can’t Take My Eyes Off You:

Imagem de Amostra do You Tube

Você pode adquirir pelo iTunes clicando aqui, ou pela Amazon clicando aqui.

FICHA TÉCNICA

Jersey Boys – Em Busca da Música
Jersey Boys
EUA, 2014
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Marshall Brickman e Rick Elice
Elenco: John Lloyd Young (Frankie Valli), Vincent Piazza (Tommy DeVito), Christopher Walken (Angelo “Gyp” DeCarlo), Erich Bergen (Bob Gaudio) e Michael Lomenda (Nick Massi)
Biografia Musical
134 minutos
Warner Bros

 Veja o trailer de Jersey Boys – em Busca da Música.

Imagem de Amostra do You Tube

O HOMEM DO MUNDO – Memorial Tom Jobim

8 de Dezembro de 1994. Há exatos vinte anos o mundo perdia um dos maiores gênios da música popular de todos os tempos. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o nosso Tom Jobim, não foi um homem extraordinário apenas porque dominou com expertise a arte à qual dedicou toda a sua vida, mas porque soube, como poucos músicos com seu nível, traduzir em melodias cantáveis e harmonias sofisticadas, toda a beleza da música popular, fazendo escola no Brasil e no mundo

Homem do mundo, Tom Jobim soube como poucos traduzir em harmonias elaboradas o sentido essencial da música popular. Foto: reprodução

Homem do mundo, Tom Jobim soube como poucos traduzir em harmonias elaboradas o sentido essencial da música popular

Quando uma árvore é cortada, ela renasce em outro lugar.
Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz

Em francês, a expressão hours concours significa, literalmente, fora de competição. Entretanto, sabe-mo-lo, as coisas nem sempre são o que parecem ser. Tom Jobim é hours concours em qualquer lugar do planeta onde haja um mínimo de sensibilidade musical. Fora de competição? Nem pensar. Houve tempo em que standards como Garota de Ipanema só perderam em número de execuções para canções de um certo quarteto de Liverpool que tinha a vantagem de fazer música para a garotada – e em língua inglesa. Mas Tom não gostava de competição, nem de rock, muito menos de grandes audiências. Estava mesmo fora de competição. Não por sua timidez crônica e sim porque não precisava. Ele encarnou a nova acepção que a expressão gaulesa ganhou mundo afora, consagrada como uma modalidade de exibição num dos mais famosos e importantes festivais de cinema do mundo. Tom era (é), sim, brilhante, extraordinário: hours concours. 

Porém, mesmo pessoas desse naipe um dia nos deixam. Há vinte anos, nas dependências do Mount Sinai, em Nova York, Tom Jobim foi acometido por uma embolia pulmonar subsequente a uma cirurgia para extirpar dois tumores malignos na bexiga. Tinha 67 anos (completaria 68 no mês seguinte), um apartamento em frente ao Metropolitan Museum, uma ampla casa no Rio de Janeiro e uma fortuna em composições que são a nata do cancioneiro popular brasileiro moderno. Mais carioca do que nunca, ainda era acusado de americanizado por quem encarava com má vontade a beleza da sua música e sua consagração mundial. Fora tema da Mangueira e desfilara no carro alegórico da escola no carnaval de 1992, retribuindo a homenagem (que o emocionou, deveras) com um sambinha em Antônio Brasileiro, seu último disco – e o primeiro desde Passarim, de 1987, lançado no ano da sua passagem. Assumidamente provinciano, Jobim não fazia a menor questão de viajar e só a muito custo aceitava convites para apresentações em outros países. Seu mundo era o de um garoto da zona sul fluminense do seu tempo, amante do mar, do chope e das (belas) mulheres.

Tom Jobim era muito mais simples do que seus detratores queriam e querem dar a entender. Não se deslumbrava com o sucesso. Falava um inglês escolar quando foi localizado por Mr. Blue Eyes, Frank Sinatra, tomando umas no Bar Veloso – atual Bar Garota de Ipanema, em 1967; fez a primeira viagem de avião (e ao exterior) com mais de 30 anos; e – pasmem os senhores! – costumava permanecer nos quartos dos hotéis nas cidades onde se hospedava quando realizava concertos internacionais, raramente se aventurando a conhecer algo do entorno. Tom não gostava de aparecer. Mas aparecia. Porque era gênio. E estes não são como as criaturas dos contos infantis que precisam que alguém lhes chute e lhes esfregue o nariz para surgirem.

Tom nasceu num Rio de Janeiro bucólico, que ainda ostentava a condição de capital federal, mas não conseguia garantir o abastecimento regular de água e luz a população fluminense, sobretudo (claro!) àquela que povoava os morros que o maestro cantaria em versos com Vinícius de Moraes. Um Rio que já não existia mais em dezembro de 1993, quando o cantor, compositor, arranjador, maestro, regente, pianista e violonista deu uma longa entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura. O tempo era um dos seus inimigos. Queixava-se do excesso de compromissos e do esquema industrial das gravadoras. Lamentava que a cidade maravilhosa que ele conhecera dos tempos de menino tivesse se transformado numa metrópole descaracterizada, num canteiro de condomínios de luxo e num palco de conflitos sociais.

Praia de Ipanema, no início do século XX: Tom cantava um Rio de Janeiro que já não existe mais

Praia de Ipanema, no início do século XX: Tom cantava um Rio de Janeiro que já não existe mais. Foto: reprodução

Os tempos eram outros, mas a essência daquele Brasil brejeiro que ensaiava os primeiros passos no rumo do desenvolvimento (do capitalismo) a todo custo (concentração de renda e disparidades sociais inclusos) se cristalizou num movimento que transcendeu a arte musical. A bossa nova, juntamente com o chamado Cinema Novo e outras manifestações artísticas avant garde, funcionou como uma espécie de fiadora de um país que, na segunda metade do século XX, precisava desesperadamente atrair capitais externos, o que requeria a venda de uma imagem de modernidade – que, no dialeto capitalista, é sinônimo de inovação e lucro – a qual foi associada (também) à música gestada em amplos apartamentos do pequena burguesia fluminense, mas que nunca serviu de pecha para Jobim. Numa das suas entrevistas, ele declarou que a maior parte do seu repertório não tinha nada a ver com bossa nova.

Tom estava certíssimo, como também estava quando se defendia em relação a quem o acusava de americanização (agente do imperialismo, segundo o vocabulário do marxismo de orelha de livro) pelo fato da sua música soar como jazz, em certos aspectos. O moço que aprendeu piano com Hanz-Joachin Koellreuter e com a severíssima Lúcia Branco – professora, entre outros, do estrelar Nelson Freire, ex-colega de Jobim – era tributário de compositores europeus como Chopin e Claude Debussy, o francês que provou que as dissonâncias não são um “erro” harmônico. Óbvio, Tom ouvia muita música estadunidense, como boa parte dos jovens da sua geração, mas não era um simples reprodutor de melodias estrangeiras. Essa discussão, banal, no final das contas, refletia o estado de ânimo – emburrecedor – de parte da intelligentsia tupiniquim (chamada por Tom de Burritsia), que confundia crítica musical com patrulhamento ideológico. Basta perceber que a acusação de “influência do jazz” era genérica. Afinal, a qual vertente do jazz se fazia referência? Por outro lado, é impossível a existência de ascetismo musical num mundo permeado pelas comunicações de massa – nem o próprio jazz escapou disso. Mas, claro, isso não era levado em consideração.Tom Jobim era um homem que fazia música por necessidades essenciais (econômicas e estéticas) e não para “conscientizar o povo”. Na contramão do populismo de alguns colegas de geração que usavam a música como meio de “educação ideológica”, cantava a beleza da vida e do amor. Nem por isso deixou de passar constrangimentos com os militares durante o regime de exceção no Brasil, como contou em várias ocasiões, mas militantes políticos costumam ter olhos e ouvidos seletivos.

A música de Jobim se caracteriza fundamentalmente pela elaboração harmônica sobre um tema melódico relativamente simples. A harmonia está na base da sua música, como ele próprio declarou em entrevista: “minha música é essencialmente harmônica. Sempre procurei a harmonia. Parece que eu tentei harmonizar o mundo”. Entretanto, segundo estudiosos da música de Tom, como Ricardo Dourado Freire, da Universidade de Brasília (ler entrevista abaixo), sua música pode ser compreendida como uma simbiose entre melodia, letra e harmonia. Entendeu? Não importa. Não é preciso entender a beleza para senti-la, embora seja forçoso admitir que a relativa complexidade da música de Jobim  – aliada à falta de educação musical nas escolas brasileiras e do domínio dos “fenômenos pop” nos meios de comunicação -tendeu a afastá-lo do grande público.   

Talvez popular não seja o termo exato para se definir a obra de Tom – nem mesmo a maior parte do cancioneiro que foi agrupado sob a sigla MPB. Um dos raros músicos brasileiros de sólida formação teórica, ex-aluno de mestres como Guerra Peixe e Koellreuter, Jobim também se tornou conhecido nos quatro cantos do planeta como um dos pais da Bossa Nova, movimento musical que concedeu nova dignidade à música brasileira em âmbito internacional. Se levarmos em conta, porém, que a música de Jobim sempre está presente nos meios de comunicação de massa, nem que seja como música de BG para ilustrar a falsa sofisticação de um Leblon dominado pela visão de Manoel Carlos, boa parte dos brasileiros e dos estrangeiros já teve algum tipo de contato com os standards desse filho do mundo, que até o final da vida se queixava das críticas acerbas que sofria em seu país. Fazer o quê? No fundo, o importante é o que fica. E ninguém se lembra de textos ressentidos na praia, em meio a uma tarde de verão. Mas, no inconsciente coletivo, esse é o cenário perfeito para ver o barquinho deslizar no macio azul do mar.

Retrato de um artista enquanto jovem: Tom foi um dos poucos músicos brasileiros da sua geração a apresentar sólida formação

Retrato de um artista enquanto jovem: Tom foi um dos poucos músicos brasileiros da sua geração a apresentar sólida formação

TOM JOBIM DO MUNDO

É lugar-comum imaginar que a Bossa Nova foi um divisor de águas entre a representação do Brasil república de bananas e o país “moderno” que corria atrás do crescimento econômico desenfreado. Isso faz supor que não se fazia nada musicalmente relevante antes da turma (não exclusivamente) carioca que conquistou o mundo. Tal ideia não só é preconceituosa como trai grande ignorância acerca da história da música popular brasileira. Nem mesmo Tom Jobim foi o primeiro músico popular brasileiro famoso alhures. Tom Jobim “catava milho” no piano aos 13 anos, em 1940, quando Carmem Miranda fazia sua estreia em Hollywood; quatro anos depois, quando tom pegava jacaré no litoral fluminense, Ary Barroso era convidado por ninguém menos que Walt Disney para assumir a direção musical do seu estúdio, oferta recusada por Ary por um motivo trivial: ele não conseguiria acompanhar as partidas do flamengo, seu time do coração.

Encontro histórico: Tom Jobim e Frank Sinatra, em gravação de 1967

Encontro histórico: Tom Jobim e Frank Sinatra, em gravação de 1967. Foto: reprodução

Havia certa intenção política na promoção da bossa nova no estrangeiro, claro, mas, justiça seja feita, a fama de Jobim mundo afora advém, em sua maior parte, de mérito próprio. Aliás, quando o reconhecimento do músico ficou grande demais, não demorou para surgirem críticas em seu próprio país. Certa vez Tom se queixou dessa velada campanha de desmoralização declarando que no Brasil o sucesso individual parece ser uma ofensa pessoal a outrem. Idiossincrasias sociológicas à parte, o cancioneiro de Jobim foi acrescentado ao repertório de centenas de artistas, de Ella Fitzgerald a Charlie Bird e Stan Getz, os quais, gravaram, em 1962, o clássico Jazz Samba, álbum que ficou diversas semanas na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos e popularizou de vez a Bossa Nova e Tom alhures. Essa popularidade seria consagrada de vez quando o já veterano e genial  Frank Sinatra resolveu gravar um long play com canções de Tom Jobim nos Estados Unidos, no final da década de 1960.

Imagem de Amostra do You Tube

A história dessa parceria – depois amizade – tem um quê de lendária: Jobim tomava umas no então Bar Veloso quando recebeu uma chamada telefônica – no Brasil desse tempo, uma precariedade. Do outro lado da linha, estava nada menos que Sinatra. Se virando com seu parco inglês, Tom conseguiu entender que o gringo gostara de suas canções e queria gravar um disco com elas. No final, nem todas as músicas de Antonio Carlos Jobim & Francis Albert Sinatra, lançado em 1967, faziam parte do repertório de Tom, que dividia espaço com azes da música popular mundial como Irving Berlin e Cole Porter. O álbum foi um estouro de vendas e crítica, mas perdeu o Grammy de 1968 para (adivinhem só?) Sargent Peper’s Lonely Hearts Club, o reputado álbum revolucionário dos Beatles.

A partir de então, Tom alternaria constantemente períodos entre o Brasil e os Estados Unidos, onde foi registrada a maior parte da sua obra. Não obstante fosse um homem do mundo, ele sempre teve os dois pés bem fincados no Brasil. Certa vez definiu a universalidade como a universalização da particularidade. Sua música, embora eivada de elementos alóctones, carecia de brasilidade para se enriquecer, o que não corresponde a exotismos para agradar turistas. Tom era muito consciente acerca da riqueza da música brasileira e do seu potencial produzir uma obra bela e significativa. Era cosmopolita sem precisar se travestir de gringo e brasileiro sem precisar de bananas e balangandãs para se afirmar como tal. Tudo o que nacionalistas reacendendo novecentismo e a elite burguesa que adotava o internacionalismo como um valor em si mais odiavam. Tom representava uma salutar superação desses antagonismos. Sua vida e sua obra eram como dominantes enfim encontrando o repouso de uma tônica.

TOM JOBIM E O CINEMA

A sétima arte esteve ligada à carreira de Tom Jobim desde o começo. Já em 1958, no filme Pista de Grama, de Haroldo Costa, uma das composições da dupla Tom Jobim/Vinícius de Morais, Eu não existo sem você, é cantada por Elizeth Cardoso (1920-1990). Segundo o biógrafo Sérgio Cabral, autor de Antônio Carlos Jobim: uma biografia, numa das sequências do longa a cantora  é acompanhada por João Gilberto e Tom Jobim. Entretanto, devido à problemas na gravação, não é possível ver Tom em cena. Antes ainda, em 1959, ele assinara a trilha musical de Orfeu Negro (Orphée NoirFrança-Itália-Brasil), de Marcel Camus, inspirado na peça original de 1956, e que ganhou o Oscar de filme estrangeiro no ano seguinte.

Tom Jobim receberia boas propostas para compor trilhas musicais na terra do cinema. Segundo Sérgio Cabral, entre as ofertas estavam A Pantera Cor de Rosa (The Pink Phanter, EUA, 1963) e O Exorcista (The Exorcist, EUA, 1973) – absolutamente desinteressantes para o músico. Em terras estrangeiras aceitou musicar apenas o modesto The Adventurers (Idem, EUA, 1970), dirigido pelo inglês Lewis Gilbert (Alfie, 1966), cujo tema Children’s Games foi transformada na canção Chovendo na Roseira, além de um documentário, Men at Play (Idem, 1984), dirigido pelo dinamarquês Jorgen Leth e patrocinado pela Lego. Se Tom não foi muito feliz em suas escolhas na indústria cinematográfica no exterior, no Brasil participaria frequentemente de trilhas para telenovelas, seriados e filmes, como A Casa Assassinada (1971), de Paulo Cesar Saraceni, passando pelo antológico seriado global Anos Dourados (1986) e filmes como Eu Te Amo (1981), de Arnaldo Jabor.

Além dessa grande participação “nos bastidores” do mundo do cinema, Tom também foi personagem de documentários, como A Música Segundo Tom Jobim  (2012) e A Luz do Tom (2013), ambos dirigidos por Nelson Pereira dos Santos e que nada acrescentam ao conhecimento do músico. A vida e a obra de Tom, tão bem retratados em outros meios, ainda espera uma representação digna no cinema.

ENTREVISTA – RICARDO DOURADO FREIRE

Doutor pela Michigan State University e professor associado da Universidade de Brasília, Ricardo Dourado Freire publicou estudos sobre a obra de Tom Jobim. Por e-mail, conversamos sobre aspectos da obra jobiniana. A entrevista na íntegra segue abaixo:

CINEMA E ARTES: A primeira pergunta seria a menos simples, mas mais pertinente: como você caracterizaria a música de Tom Jobim, em termos gerais?

RICARDO FREIRE: A música de Tom Jobim apresenta um alto grau de cuidado na elaboração tanto da melodia quanto da harmonia. Além disso, existe uma adequação da música ao contexto da letra. Existe uma simbiose entre música e letra na qual uma não existe sem a outra. Mesmo os instrumentistas precisam saber a letra para poder tocar bem as músicas de Tom Jobim.

CINEMA E ARTES: Numa antiga entrevista – aliás, uma das últimas – de Jobim ao Programa Roda viva, o maestro Julio Medaglia dizia que uma das características da música de Jobim era justamente a elaboração harmônica sobre melodias simples. Como essa elaboração se caracterizava?

RICARDO FREIRE: Vamos a um exemplo: no samba de uma nota só Jobim explora a sonoridade de uma mesma nota sobre uma sequencia elaborada de acordes na primeira parte, na segunda parte ele utiliza duas escalas menores de tonalidades que apresentam um contraste musical muito grande entre a primeira e a segunda parte. A letra também explora este contraste. Jobim enriquece o ambiente harmônico ao escolher com muita propriedade o acorde certo para cada parte de melodia.

CINEMA E ARTES: Então, a essência musical de Tom Jobim seria a harmonia…

RICARDO FREIRE: Eu considero que a essência está no equilíbrio entre melodia, harmonia e letra. O conjunto cria uma sinergia musical única, são três sabores maravilhosos que aproveitamos em cada audição.

CINEMA E ARTES: Em que tradição musical o senhor consegue visualizar a gênese musical de Tom Jobim?

RICARDO FREIRE: Jobim aproveitou a tradição do piano erudito, muito comum na sua época, e ele teve excelentes professores de piano.

CINEMA E ARTES: Muitos acusaram Tom de ser excessivamente influenciado pelo jazz. Em que medida essas colocações têm sentido? Até que ponto a música de Jobim seria influenciada pelo jazz?

RICARDO FREIRE: O Jobim aproveitou todas as informações musicais disponíveis: Villa-Lobos, Debussy, Chopin, Beethoven, Garoto, Jazz. No entanto, o uso de acordes de empréstimo modal é uma característica que já existia em Pixinguinha e outros compositores brasileiros que Jobim amplia e usa com qualidade singular. Ele usou as exceções de outros como a base de um estilo de composição.

DISCOGRAFIA SOLO

The Composer of Desafinado, Plays (Verve, 1964)

Antônio Carlos Jobim (Elenco, 1964), reedição brasileira do álbum acima, com capa e título diferentes.

The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim (Warner, 1964)

A Certain Mr. Jobim (Warner, 1965)

Wave (A&M/CTI, 1967)

Stone Flower (CTI, 1970)

Tide (A&M/CTI, 1970)

Matita Perê (Philips, 1973)

Jobim (MCA, 1973), reedição estadunidense do álbum acima, com capa e título diferentes. A diferença é que contém uma faixa a mais: “Waters of March”.

Urubu (Warner, 1975)

Terra Brasilis (Warner, 1980)

Passarim (PolyGram, 1987)

Antônio Brasileiro (Columbia, 1994)

FILMOGRAFIA – POR ORDEM CRONOLÓGICA

Pista de Grama (BRA, 1958). Direção: Haroldo Costa. Tom participa com a canção Eu não Existo sem Você

Orfeu da Conceição (BRA/FRA/ITA, 1959). Direção: Marcel Camus. Tom participa do filme com as canções A Felicidade, Nosso Amor e Frevo

Pluft, Fantasminha: o Filme (BRA, 1961). Direção: Romain Lesage. Tom participa compondo Canção dos Piratas

Porto das Caixas (BRA, 1961). Direção: Paulo Cesar Saraceni. Tom participa com Derradeira Primavera e Valsa do Porto das Caixas

Copacabana Palace (BRA, 1962). Direção: Steno (Stefano Vanzina). Tom participa desse filme com Água de Beber

Garota de Ipanema (BRA, 1967). Direção: Leon Hirszman. Tom aparece com as canções Garota de Ipanema, A Queda, Lamento no Morro, Surfboard e Ela é Carioca

The Adventurers (EUA, 1969). Direção: Lewis Gilbert (Alfie). As composições mais conhecidas de Tom nessa obra são “Amparo (Olha Maria)” e “Crildren’s Games (Chovendo na Roseira)”

A Casa Assassinada (BRA, 1971). Direção: Paulo Cesar Saraceni. A música de Tom se faz presente nas canções Chora Coração e Crônica da Casa Assassinada

Sagarana: o duelo (BRA, 1973). Direção: Paulo Thiago. Tom compôs Matita Perê para o filme

Eu te Amo (BRA, 1981). Direção: Arnaldo Jabor. Tom compôs a belíssima canção homônima para a trilha Sonora.

Gabriela (BRA, 1983). Direção: Bruno Barreto. O tema mais famoso é o mesmo que intitula a película

Para Viver um Grande Amor (BRA, 1983). Nesse filme, Tom também assina a direção musical

Fonte da Saudade (BRA, 1984). Direção: Marco Altberg. Tom compôs Saudades do Brasil e Bangzália

Men at Play (DIN, 1984). direção: Jorgen Leth. Samba do Avião e Pato Preto aparecem na trilha musical do documentário

Brasa Adormecida (BRA, 1986). Direção: Djalma Limonge Batista. Tom contribui com várias canções para a trilha musical desta comédia, incluindo sua participação como cantor na canção Bebel

A Menina do Lado (BRA, 1987). Direção: Alberto Salvá. Tom gravou As Praias Desertas ao piano.

Fonte: www.tomjobim.com.br

A música é o silêncio que exise entre as notas
Tom Jobim (1927-1994)

Veja um vídeo com Andy Williams e Tom Jobim cantando Garota de Ipanema, muito legal e curtinho.

Imagem de Amostra do You Tube

O frescor do disco de estreia da Banda do Mar

Os órfãos do Los Hermanos têm motivo para comemorar. O projeto de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães se mostrou um dos álbuns mais deliciosos de 2014. A união com a esposa (e com o baterista português Fred Ferreira) para fazer canções mais simples fez muito bem a Camelo, que estava enveredando por um caminho muito perigoso, de canções extremamente lentas e com excesso de barroquismos. Mas o principal problema talvez fosse pouca inspiração. E isso tem de sobra no primeiro disco homônimo da Banda do Mar, que não deixa de ter a cara de seus dois compositores

Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Fred Ferreira

Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Fred Ferreira

Banda do Mar. O nome da banda tem tudo a ver, já que “mar” é uma palavra que tem sido constantemente repetida em várias composições de Camelo (e até de uma ou outra de Mallu também). O mar possui um simbolismo que remete à alta sentimentalidade e que combina muito bem com as canções de amor do álbum. A faixa de abertura, Cidade Nova já usa o mar no verso. “Eu só trago o mar de algum lugar comigo”. Em outra das faixas de Camelo, ele fala da amada saindo do mar como algo mágico. “Eu vi você sair do mar / E todo o sentimento que rodeia”.

Mas a faixa que ganha imediatamente o ouvinte e que tem cara de hit é mesmo a deliciosa Mais Ninguém, composição de Mallu com uma batida contagiante com uma pitada de surf music. É o tipo de canção que tem conquistado até quem não tem muita simpatia pelo trabalho da jovem cantora, de tão irresistível que é.

A faixa seguinte do álbum, Hey Nana, de Camelo, também tem cara de lado A, fácil de gostar nas primeiras audições, assim como o rock juvenil Muitos chocolates, de Mallu, e a mais lenta, Pode ser, de Camelo. Esta última, inclusive, é uma das mais belas dentre as várias declarações de amor mútuas que aparecem no disco. E Camelo remete à natureza e às características físicas de sua musa para falar do mistério do amor e o desejo de mais paz entre os dois.

Apesar de estar bem clara a felicidade dos dois, a melancolia que era tão presente no Los Hermanos ainda está presente na musicalidade de Camelo. Já Mallu empresta muita alegria em suas cinco composições, especialmente em Me sinto ótima, que traduz um estado de espírito bem alto astral.

Camelo e Mallu em show da Banda do Mar no Rio de Janeiro

Camelo e Mallu em show da Banda do Mar no Rio de Janeiro

Mallu, no entanto, faz uma comovente declaração de amor em uma das últimas faixas, Seja como for, cantando “Meu bem, você pra mim é privilégio / Sorte grande de uma vez na vida / Minha melhor chance de alegria”.

Em meio a declarações de amor mútuas, há espaço também para uma canção dedicada à gata da cantora (Mia, que conta com uma guitarra com um toque de baião), e outra típica canção de Camelo, dedicada a um irmão ou amigo (Solar) que o ajudou a se sentir mais forte.

Pra completar, o disco encerra com outro acerto de Camelo, Vamo embora, mais uma vez citando o mar em ar de poesia: “Não demora, não / Que eu tenho o meu encontro feito com o mar de pérola”, para mais adiante dizer para sua musa: “Vai ver é teu o mar/ E as coisas da civilização”. Coisa de quem está apaixonado.

O resultado positivo da Banda do Mar mostra que 2014 tem sido um ano bastante positivo para o rock brasileiro, tendo em vista também os retornos em alto estilo de Titãs e Pitty. Além do mais, em novembro sai disco novo do Pato Fu. Um conforto para os nossos corações em tempos tão difíceis.

Veja o clipe de Mais ninguém.

Imagem de Amostra do You Tube