JERSEY BOYS – CLINT EASTWOOD E O SEU MUSICAL COM CANÇÕES MARCANTES

Adaptando o musical da Broadway Jersey Boys – Em Busca da Música (Jersey Boys, 2014), de Clint Eastwood, apresenta a história de Frankie Valli e da banda The Four Seasons, que gravou músicas marcantes ao longo de sua trajetória

Banner de JERSEY BOYS - EM BUSCA DA MÚSICA (Jersey Boys, 2014) de Clint Eastwood

Banner de JERSEY BOYS – EM BUSCA DA MÚSICA (2014), de Clint Eastwood

Jersey Boys: Original Broadway Cast Recording, o álbum, ganhou o Grammy além de quatro prêmios Tony 2006: Melhor Musical, Melhor Ator (John Lloyd Young) , Melhor Ator Destaque (Christian Hoff ) e Melhor Iluminação (Howell Binkley) . Algumas canções são marcantes, como Cry For Me, de Daniel Reichard.

Ouçam a versão original na voz de Frankie Valli.

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Sherry, de Bob Gaudio, que levou cerca de 15 minutos para escrevê-la e originalmente foi chamada de Jackie Baby, em homenagem a então primeira-dama Jacqueline Kennedy. No estúdio, o nome foi mudado para Terri Baby, e por fim Sherry. Foi o primeiro single da banda The Four Seasons que atingiu o topo da Billboard Hot 100 em 15 de setembro de 1962, onde permaneceu por cinco semanas consecutivas. Esta canção aparece na trilha sonora do filme Histórias Cruzadas (The Help, 2011) de Tate Taylor.

Ouçam a canção Sherry.

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Single Big Girls Don't Cry do The Four Seasons

Single Big Girls Don’t Cry do The Four Seasons

Big Girls Don’t Cry, de Bob Crewe e Bob Gaudio estourou nas paradas musicais e passou cinco semanas na primeira posição. Conta-se que Gaudio , estava cochilando, vendo o filme A Audácia é a minha lei (Tennessee’s Partner, 1955), de Allan Dwan, quando ouviu o personagem de John Payne dar um tapa na cara da personagem de Rhonda Fleming, que dá a seguinte resposta: “Big girls do not cry”. Gaudio escreveu a frase num pedaço de papel, adormeceu, e escreveu a canção na manhã seguinte. A canção que é interpretada principalmente no característico falsete de Frankie Valli, é ouvida em vários episódios da série de TV Happy Days (1974-1984) e também apareceu na trilha sonora do musical Ritmo Quente (Dirty Dancing, 1987), de Emile Ardolino.

Walk Like a Man, de Bob Crewe e Bob Gaudio, apresenta o contraponto da voz de baixo de Nick Massi com o falsete de Frankie Valli. Foi o terceiro hit do The Four Seasons, atingindo inicialmente o topo da Billboard Hot 100 em 2 de março de 1963, permanecendo lá por três semanas. Durante as sessões de gravação da música, o Corpo de Bombeiros recebeu uma chamada de emergência do Abadia Victoria Hotel (edifício que abrigava os estúdios). Dizem que Bob Crewe insistia na gravação perfeita, quando fumaça e água começou a invadir o estúdio, pois o quarto acima do estúdio estava em chamas. Conta-se que Crewe ainda bloqueou a porta do estúdio de gravação até que alguns bombeiros forçaram a entrada e puxaram Crewe para fora. Versões da canção foram gravadas por outros músicos, como os Mary Jane Girls (1986), Divine (1985), Dreamhouse e Jan & Dean (1963). Plastic Bertrand fez uma versão cover em francês, intitulado C’est Le Rock’ n’ Roll (1978) e banda húngara Bon Bon também cobriu a canção com o título Sexepilem (1999). A canção Walk Like a Man faz parte da lista de 500 músicas da categoria Rock and Roll do The Rock and Roll Hall of Fame.

Ouçam através do video abaixo:

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Single December, 1963 do The Four Seasons

Single December, 1963 do The Four Seasons

December, 1963 (Oh, What a Night) é o único hit do The Four Seasons, escrito por Bob Gaudio e sua futura esposa Judy Parker, que foi incluído no álbum de 1975 do grupo, Who Loves You. A canção apresenta o baterista Gerry Polci nos vocais, com vantagem de costume Frankie Valli cantando os elementos de pontes e backing vocal e baixista Don Ciccone (ex- vocalista do The Critters) cantando uma parte em falsete. A canção foi originalmente sobre a revogação de uma espécie de Lei Seca e tinha o título de 05 de dezembro de 1933, mas as letras foram alteradas devido as insistências de Frankie Valli e do letrista Parker. Assim, a canção se tornou uma lembrança nostálgica de primeiro caso de um jovem com uma mulher.

My Eyes Adored You, de Bob Crewe e Kenny Nolan, é outra música popular, cujo título original era Blue Eyes in Georgia, foi originalmente gravada pelo The Four Seasons, no início de 1974. Após a gravadora ter desistido de lançá-la, a canção foi vendida para o cantor Frankie Valli. O single, primeiro hit de Valli como artista solo, foi lançado nos EUA em novembro de 1974 e ficou no topo da Billboard Hot 100 em março de 1975. O sucesso de My Eyes Adored You provocou um renascimento do interesse em gravações de Frankie Valli e o The Four Seasons. Andy Williams lançou uma versão em 1975 em seu álbum, The Other Side of Me. A canção foi gravada em 1976 por Fred Astaire com a Pete Moore Orchestra e em 2008 pela cantora australiana Alfio, para o seu álbum clássico Recua, que presta homenagem a Frankie Valli e 14 outros cantores ítalo-americanos populares. John Barrowman fez um cover da canção em 2010, em seu terceiro álbum de estúdio, autointitulado John Barrowman.

Ouça My Eyes Adored You:

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Single Beggin do The Four Season

Single Beggin do The Four Season

Dawn (Go Away), de Bob Gaudio e Sandy Linzer, gravada pelo The Four Seasons, em novembro de 1963, período turbulento para o grupo, envolvido em disputas de direitos autorais. Originalmente escrito como uma canção popular, o arranjador Charles Calello acelerou a canção por sugestão de Valli e adicionou uma guitarra com um ritmo galopante emprestado de versão da canção More, de Kai Windings.

Beggin’, de Bob Gaudio e Peggy Farina foi popularizada pelo The Four Seasons, em 1967. Em 2007, a canção recebeu nova popularidade quando foi remixado pelo DJ francês Pilooski e então coberto pela banda de hip-hop norueguês Madcon. Desde então tem sido usado como o principal tema de uma grande campanha de publicidade da Adidas.

Vejam a versão original de Beggin’:

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C’mon Marianne, composta por L. Russell Brown e Raymond Bloodworth, foi popularizada pelo The Four Seasons, em 1967. A canção ostentava um riff que os The Doors também se apropriaram em sua canção Touch Me, em 1968. Em 1976, Donny Osmond gravou C’mon Marianne em seu álbum Disco TrainWorking My Way Back to You, de Sandy Linzer e Denny Randell , fala sobre um homem que traiu sua namorada e abusou dela emocionalmente. Quando ela vai embora, percebe que a amava e está muito arrependido de suas ações passadas. Então, ele promete conquistar o amor dela de volta.

Single Who Loves You do The Four Seasons

Single Who Loves You do The Four Seasons

Rag Doll, de Bob Crewe e Bob Gaudio, foi gravada pelo The Four Seasons e lançada em 1964. A gravação foi inspirada por uma menina de cara suja que limpou o para-brisa do automóvel de Gaudio. Quando ele pegou a carteira , tudo que tinha eram notas altas, então, deu à menina uma nota de US$ 20,00. A canção foi hit número um no Canadá, e chegou a número dois no Reino Unido e número quatro na Irlanda.

Who Loves You, de Bob Gaudio e Judy Parker, onde o falsete de Valli, marca registrada do The Four Seasons está presente. Big Man in Town é outra canção popular do grupo.

No entanto, o maior sucesso de Valli e do grupo veio com Can’t Take My Eyes Off You, que vendeu milhões de cópias, foi disco de ouro e até hoje é cantada através dos anos, tendo um grande impacto cultural, com centenas de versões covers em diferentes países. A canção é um marco da televisão e do cinema trilhas sonoras, fazendo parte do enredo de alguns filmes, e até mesmo sendo interpretada por alguns personagens principais. Em O Franco Atirador (The Deer Hunter, 1978), de Michael Cimino, alguns personagens da trama começam a cantar junto com a jukebox em um bar e durante a recepção de um casamento, inclusive quando o filme recebeu uma premiação no Oscar, ​​parte da música foi tocada. No filme Teoria da Conspiração (Conspiracy Theory, 1997), de Richard Donner, Julia Roberts canta trecho da música, enquanto está sendo observada pelos binóculos de Mel Gibson, que também está entoando a canção. Posteriormente eles cantam a música novamente… Heath Ledger também cantou em 10 Coisas que Eu Odeio em Você (10 Things I Hate About You, 1999), de Gil Junger, sendo considerada a Melhor Sequência Musical no MTV 2000 Movie Awards. A canção é ouvida em O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones’s Diary, 2001), de Sharon Maguire. Em 2002, foi destaque em uma cena deletada de Scooby Doo (Scooby Doo, 2002) de Raja Gosnell, cantada por Linda Cardellini, que viveu a personagem Velma. Na série da HBO Entourage, Vincent Chase (interpretado por Adrian Grenier) e seu irmão Johnny Drama (Kevin Dillon), a cantam no episódio Sweet Sixteen, da 5ª temporada. A versão Valli também foi usado pela NASA como uma canção de despertar para uma missão de um ônibus espacial, no aniversário do astronauta Christopher Ferguson, além de estar presente no jogo Just Dance 4.

Curtam  Can’t Take My Eyes Off You:

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Você pode adquirir pelo iTunes clicando aqui, ou pela Amazon clicando aqui.

FICHA TÉCNICA

Jersey Boys – Em Busca da Música
Jersey Boys
EUA, 2014
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Marshall Brickman e Rick Elice
Elenco: John Lloyd Young (Frankie Valli), Vincent Piazza (Tommy DeVito), Christopher Walken (Angelo “Gyp” DeCarlo), Erich Bergen (Bob Gaudio) e Michael Lomenda (Nick Massi)
Biografia Musical
134 minutos
Warner Bros

 Veja o trailer de Jersey Boys – em Busca da Música.

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FROZEN – AGORA PRODUTO DE MARCHANDSING

Lançada no final de 2013, a animação da Walt Disney Animation Studios bateu recordes de bilheteria ao alcançar a marca de 1,2 milhão de dólares nos cinemas de todo mundo – renda superior a US$ 400 nos EUA e mais US$ 873,4 milhões no mercado internacional. Descubra como o conhecido estúdio de Hollywood multiplicou esse sucesso em muitos outros milhões de dólares

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Uma história sobre duas irmãs, levemente baseada em um conto de Hans Christian Andersen, que envolve aventura, magia e músicas-chiclete. Essa é a fórmula perfeita de um clássico Disney, essencial para que o estúdio recuperasse o seu sucesso,tendo conquistando dois prêmios Oscar em 2014 (Melhor Canção Original Melhor Animação, sendo esse segundo o seu primeiro), além do título de animação de maior bilheteria mundial e uma homenagem na entrada do teatro da Walt Disney Animation Studios. Todo o sucesso envolvendo Frozen – uma Aventura Congelante possibilitou campanhas de merchandising massivas, com fins de manter o filme em pauta na mídia anos após seu lançamento, além de gerar grande lucro como brinquedo temáticos, mochilas, bonecos de pelúcia, série de animação de TV, jogos de computador e livro de contos infantis, entre outros. Até o poster e a trilha sonora do longa-metragem se tornaramu instrumento de vendas e, por 13 dólares, você leva os personagens como instrumentos de decoração para o lar ou o escritório. Bacana, não?

Fachada do Teatro da Walt Disney Animation Studios costuma homenagear grandes longas produzidos pelo estúdio

Ainda no início deste ano, por exemplo, uma versão sing along (cante junto) do filme foi lançada nos Estados Unidos, o que o fez manter-o em cartaz por meses além da programação comum. Filas para conhecer Anna e Elsa nos parques Disney duravam horas, o que possibilitou aos imagineers (engenheiros dos complexos da empresa) incluí-las em paradas e estabelecer uma programação especial durante o verão estadunidense no Hollywood Studios. Com o filme quase todo ambientado na neve, o presidente da Walt Disney Parks & Resorts, Tom Staggs, divulgou que, a partir deste mês de novembro, durante a chegada do inverno na região, o tradicional Castelo da Cinderela, no Magic Kingdom, se transformará em um imenso palácio de gelo. Em setembro, também foi anunciada uma atração inspirada na animação para o parque Epcot, do complexo Walt Disney World, na Flórida. Em desenvolvimento, o passeio levará o público ao reino fictício de Arendelle, e ocupará o local onde atualmente se encontra a atração Maelstrom.

Princesa Anna e Rainha Elsa preparam-se para receber o público no Walt Disney World, enquanto apresentam produtos baseados em seus personagens à venda nos parques

O sucesso da canção-hino Let It Go tomou conta de rádios ao redor do mundo. Com a versão pop da música, gravada pela cantora Demi Lovato, e usada na divulgação prévia do filme, o hit ganhou espaço para reprodução nas mais diversas mídias. Uma versão remixada da música foi lançada no álbum Deconstructed, junto a outras canções de sucesso da Disney, e covers dos mais variados ritmos tomaram conta do Youtube. No seriado Glee, a música já faz parte da setlist para a sexta temporada, a ser interpretada pela atriz e cantora Lea Michele. Na versão mais recente do jogo de dança desenvolvido pela Ubisoft, Just Dance 2015, também é possível encontrar a composição ganhadora do Oscar, comprovando a presença de Frozen no conjunto mais variado de plataformas.

Também no setor de games, o universo de Uma Aventura Congelante pode ser explorado no jogo Disney Infinity, lançado pelo estúdio em 2013 e disponível para Xbox 360, PlayStation 3, Wii, Wii U e Nintendo 3Ds, além de dispositivos móveis (iOS e Android). Vários aplicativos envolvendo o filme foram lançados, como os jogos Frozen Free Fall e  Hidden Worlds, além de um karaokê interativo que segue os moldes da versão sing along lançada nos cinemas.

Em Home Vídeo, o filme foi lançado em Bluray, DVD, Bluray 3D e formato digital no início de abril. Entretanto, a versão em 3D não foi lançada em mídia física nos Estados Unidos, levantando entre colecionadores a suspeita de um possível relançamento em edição especial no futuro. Em 18 de novembro, uma edição em DVD da versão “cante junto” do filme será lançada em terras estrangeiras, e ainda sem previsão para o Brasil.

O campo de merchandising envolvendo Frozen permanece imenso. Ainda em 2013, antes do lançamento do filme, o estúdio do Mickey anunciou que as duas protagonistas do filme seriam inseridas na franquia de princesas, composta atualmente por outras 11 figuras femininas de animações anteriores que, além de estamparem produtos, promovem eventos de coroação nos parques, atraindo fãs de todo o mundo. Entretanto, devido ao grande sucesso do filme, Anna e Elsa ganharam sua própria franquia, mantendo a data em que seriam “oficialmente” introduzidas à realeza Disney sem previsão.

Na TV, o sucesso da animação vem sendo explorado por meio do seriado Once Upon a Time, do canal americano ABC (no Brasil, exibida pelo canal SONY). Criado por Edward Kitsis e Adam Horowitz (ambos conhecidos pela série Lost), o drama de fantasia televisivo se encontra em sua quarta temporada, e aborda a representação de contos de fada no mundo real. Vale lembrar que a ABC pertence ao grupo Disney, que facilmente cedeu os direitos sobre os personagens de Frozen ao estúdio do seriado. O canal também apresentou, no início de setembro, o documentário The Story of Frozen: Making a Disney Animated Classic (A História de Frozen: Construindo um Clássico de Animação Disney), que aborda o making of da produção, incluindo declarações dos dubladores e diretores do filme. Anote aí: na televisão brasileira, a animação será exibida pelos canais fechados da rede Telecine a partir deste sábado, 08 de novembro.

A Disney Infinito está lançando um pacote FROZEN de jogos para 3DS, PC, PS3, Wii, Wii U e Xbox 360

A Disney Infinito está lançando um pacote FROZEN de jogos para 3DS, PC, PS3, Wii, Wii U e Xbox 360

Com todo esse sucesso, é possível que as aventuras no reino de Arendelle ganhem uma continuação? De acordo com o presidente dos estúdios Disney, Alan Horn, uma sequência não está planejada para produção. Entretanto, os fãs não devem ficar chateados: um curta intitulado Frozen Fever (febre Frozen) foi anunciado para a primavera de 2015, e contará com o retorno de todos os envolvidos no primeiro filme, incluindo os diretores Jennifer Lee e Chris Buck, além de uma nova canção composta pelo casal Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez. Uma série de livros escrita por Erica David também está planejada para ser lançada em janeiro de 2015 nos Estados Unidos, e um musical da Broadway baseado no filme está em desenvolvimento, ainda sem previsão de estreia.

Frozen: uma Aventura Congelante está nas locadoras em versões dubladas e legendadas. Confira um dos traillers.

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Para conhecer Mister Spielberg

Steven Spielberg todo cinéfilo conhece de nome. Mas você já viu toda a filmografia ou pelo menos alguns dos seus filmes mais importantes? Não precisa responder, pois a Universal acaba de anunciar uma caixa intitulada Coleção Steven Spielberg, com 8 dos melhores trabalhos do cineasta. Spielberg marcou experiências em milhões de espectadores. E eu fui um deles

Steven Spielberg: oito de seus melhores filmes em Bluray

Steven Spielberg: oito de seus melhores filmes em Bluray

GABRIEL PETTER

Uma das minhas primeiras experiências no cinema – com direito a duas sessões contínuas – foi com um filme do então já consagradíssimo Steven Spielberg: o extraordinário e assustador – pelo menos para o menino que eu era – Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, EUA, 1993). O porquê de iniciar uma resenha sobre um box em homenagem ao diretor, produtor, roteirista e (bem-sucedido) empresário estadunidense começa com uma reminiscência afetiva é simples: Spielberg faz parte da vida de várias gerações de cinéfilos de todo o mundo, os quais vibraram com os seus arrasa-quarteirões, choraram com seus dramas, deixaram os queixos desabarem com suas ficções científicas e roeram as unhas com seus thrillers.

Daí, o previsível (provável) sofrimento no processo seleção de alguns (apenas 8) trabalhos dentro da longa filmografia de Steven, para prestar-lhe uma justa homenagem. No caso a Coleção do Diretor Steven Spielberg, a ser lançado em 17 de novembro, se compõe dos filmes Encurralado (Duel, 1971), Louca Escapada (The Sugarland Express, 1974), 1941 – Uma Guerra Muito Louca (1941, 1979), Tubarão (Jaws, 1975), E.T. O Extraterrestre (E.T.: the Extra-Terrestrial, 1982), Além da Eternidade (Always, 1989), Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, 1993) e O Mundo Perdido: Jurassic Park (The Lost World: Jurassic Park, 1997).

Para expressar quem é e a importância de Steven Spielberg, a solução que encontrei foi delimitar essa sua trajetória de um desconhecido a um dos grandes criadores da História do Cinema à sua atuação na Universal Pictures, estúdio no qual o então jovem realizador chegou às escondidas – usou um crachá falsificado, redecorou uma sala abandonada que usou para adentrar a todos os departamentos e pode assistir a produção de dezenas de filmes – e ao ser descoberto, surpreendeu os executivos do estúdio com a sua visão de Cinema, e estes, para testá-lo, lhe deram um roteiro que ninguém queria e que ele transformou um clássico do suspense, quase um filme de terror. Qual era esse filme?

Caso você tenha falado Encurralado (1971), acertou na mosca. Esse suspense rodado em apenas 13 dias – e que trazia uma das suas marcas como autor, o personagem comum no centro da trama -, obteve tamanho sucesso na televisão e que logo ganhou as telas dos cinemas. Obviamente, abriram-se as portas da Universal – e de Hollywood por extensão – para o filho de judeus que não dava muita bola aos estudos formais.

Dali em diante, moldaria uma longa galeria de obras que seria marcada por uma sucessão de blockbusters como o citado Tubarão – megassucesso que modificou o calendário de lançamentos de filmes em todo o mundo –, e por películas mais sérias como A Cor Púrpura (The Color Purple, EUA, 1985), um dos maiores azarões da história do Oscar. Boa parte dessas obras estão com um lugar assegurado em qualquer antologia cinematográfica digna do respeito – condição que o artista buscou entre os seus colegas e que encontrou, prioritariamente, uma calorosa receptividade junto ao público.

E isso apenas quando falamos em direção, porque Spielberg, com o peculiar tino que poucos têm de identificar (e reconhecer) o talento alheio, produziu alguns dos maiores clássicos da cinematografia estadunidense de todos os tempos, como os impagáveis Os Goonies (The Goonies, EUA, 1985) e Gremlins (Idem, EUA, 1984), além da inesquecível série De Volta Para o Futuro (Back to the Future, EUA, 1990).

Pelos exemplos citados, fica fácil entender a importância de Spielberg para a cultura pop nas últimas décadas. Assim como James Cameron e outros colegas de profissão, ele é o tipo de artista que tem grande poder de influência sobre a indústria cinematográfica (leia-se Hollywood) – logo, sobre boa parcela de quem prestigia a cinematografia estadunidense, ainda dominante. Muitas das suas iniciativas trouxeram mudanças e novidades para o mundo da sétima arte, seja no desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias – como o emprego de efeitos digitais em Parque dos Dinossauros, na aposta em novos realizadores ou na estrutura de produção.
Co-fundador de um dos mais recentes grandes estúdios hollywoodianos, o Dreamworks SKG (vendido em 2006 para a Paramount), Spielberg é um dos raros talentos a saber unir arte, tecnologia e tino comercial, com constante êxito. E isso, definitivamente, não é pra qualquer um.

A CAIXA

B2Compõe-se de 9 Blurays. Os filmes abrangem parte da produção do cineasta na Universal – algumas nunca lançadas no formato Blu-Ray – restauradas digitalmente, além de um disco extra com muitas horas de extras, incluindo making-of, entrevistas com Spielberg e atores, gravações de bastidores, cenas deletadas e outros mimos que fazem a festa de cinéfilos e admiradores da obra de um dos mais influentes cineastas do século XX. Como bônus, a coleção traz um livreto de 34 páginas abrangendo a carreira do artista, ilustrado com materiais de arquivo.

SERVIÇO

Coleção do Diretor Steven Spielberg
País: EUA
Ano de produção: 2014
Duração: 9 discos – 961 minutos, aproximadamente
Preço sugerido: R$ 599,99
Data de lançamento: 17/11/2014

OS FILMES DA COLEÇÃO

ENCURRALADO
P1Duel, EUA, 1971
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Richard Matheson
Elenco: Dennis Weaver, Jacqueline Scott, Eddie Firestone, Lou Frizzell e Gene Dynarski
Produção: George Eckstein
Gênero: Ação/Suspense/Terror
Duração:  89 minutos
Formato de Tela: 1,33:1 Full Screen
Classificação Indicativa: 12 anos

SINOPSE
David Mann (Weaver) está dirigindo seu carro pelas estradas da Califórnia, quando começa a ser perseguido por um caminhão gigantesco, que parece querer brincar com ele perigosamente na estrada. No decorrer do trajeto, David começará a perceber que a perseguição não trata-se, apenas, de uma mera brincadeira.

O FILME
Primeiro sucesso comercial de Steven Spielberg, marca a sua estreia na Universal e foi rodado em apenas 13 dias. Destinando à televisão, devido ao seu sucesso público, foi lançado sucessivamente nos cinemas.

 

LOUCA ESCAPADA
P2The Sugarland Express, EUA, 1974
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Hal Barwood, Matthew Robbins
Elenco: Goldie Hawn, Ben Johnson, Michael Sacks, William Atherton, Gregory Walcott, Steve Kanaly, Louise Latham, Harrison Zanuck
Produção: David Brown, Richard D. Zanuck
Gênero: Aventura
Duração: 110 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

SINOPSE
Durante a visita ao marido que estava na prisão, mulher o convence a fugir para resgatar o filho de ambos, que fora adotado por outro casal. Na fuga eles levam um policial como refém, e são perseguidos pela polícia e pela imprensa.

O FILME
Primeiro longa-metragem de Spielberg feito exclusivamente para o cinema, teve orçamento modesto (apenas U$$ 3 milhões), mas foi bem-recebido pela crítica, tanto que foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes e levou o prêmio de melhor roteiro no mesmo festival. Introduziu o uso das câmeras Panaflex, que permitiram ao diretor rodar cenas complexas dentro do carro dos patrulheiros.

 

1941 – UMA GUERRA MUITO LOUCA
P31941, EUA, 1979
Direção: Steve Spielberg
Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale
Elenco: Dan Aykroyd, Ned Beatty, John Belushi, Lorraine Gary, Murray Hamilton, Christopher Lee, Tim Matherson
Produção: Buzz Feitshans
Gênero: Comédia
Duração: 119 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

SINOPSE
7 de dezembro de 1941. Em um ataque de surpresa o braço naval aéreo da frota imperial japonesa bombardeou a base naval de Pearl Harbor, nos Estados Unidos, e colocou o país na 2ª Guerra Mundial. Os americanos ficaram abalados, chocados e ultrajados com este ataque traiçoeiro. Na costa oeste a população entrou em paranoia. O pânico se espalhou e todos se convenceram de que a Califórnia era o próximo alvo. O general do estado-maior Joseph W. Stilwell (Robert Stack), comandante do 3º batalhão do exército, recebeu ordens de defender o sul da Califórnia. Unidades da marinha e do exército se mobilizaram para o local. Baterias de defesa antiaérea foram colocadas de prontidão. Operações de defesa civil entraram em ação. Pela 1ª vez desde a Guerra Civil cidadãos americanos se preparavam para defender sua pátria contra um inimigo, que poderia atacar em qualquer lugar e a qualquer hora, com uma força desconhecida. Em 13 de dezembro de 1941, na costa da Califórnia, um submarino japonês quer atacar algo que desencoraje a população. O alvo escolhido é Hollywood, o que gera uma enorme confusão.

O FILME
Considerado por alguns como o mais fraco da carreira de Spielberg, traz no elenco nomes como o do astro japonês Toshiro Mifume. Tornou-se, no entanto, obra cult à época, atualmente anda meio esquecida.

 

TUBARÃO
P4Jaws, EUA, 1975
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Peter Benchley e Carl Gottlieb
Produção: David Brown e Richard D. Zanuck
Elenco: Roy Scheider, Robert Shaw, Richard Dreyfuss, Carl Gottlieb, Jeffrey Kramer, Susan Backline
Gênero: Aventura
Duração: 124 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos

SINOPSE
Quando a comunidade litorânea de Amity é atacada por um enorme e perigoso tubarão branco, o chefe de polícia (Roy Scheider), um jovem biólogo marinho (Richard Dreyfuss) e um grisalho caçador de tubarões (Robert Shaw) embarcam na desesperada missão de destruir o monstro, antes que ele ataque novamente

O FILME
De longe um dos maiores êxitos comerciais de Spielberg, chegou a transformar a estratégia de lançamentos de filmes no mundo inteiro, consagrando os chamados blockbusters. À época, obteve a maior arrecadação da história do cinema.

 

E.T. O EXTRATERRESTRE
P5E.T.: the Extra-Terrestrial, EUA, 1982
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Melissa Mathison
Produção: Kathleen Kennedy/Steven Spielberg
Elenco: Dee Wallace, Henry Thomas, Peter Coyote, Robert MacNaughton, Drew Barrymore
Montagem: Carol Littleton
Direção de Fotografia: Allen Daviau
Desenho de Produção: James D. Bissell
Música: John Williams
Gênero: Drama
Duração: 114 minutos
Classificação Indicativa: Livre

SINOPSE
Um alienígena perdido na Terra faz amizade com um garoto chamado Elliott de dez anos, que o protege de todas as formas para evitar que ele seja capturado e transformado em cobaia pelo serviço secreto americano. O menino ajuda o ET a regressar ao seu planeta.

O FILME
Um dos maiores sucessos de bilheterias da história do cinema – o primeiro a ultrapassar a marca dos U$$ 700 milhões de arrecadação. Seu personagem principal tornou-se um ícone da cultura popular de massas.

 

ALÉM DA ETERNIDADE
P6Always, EUA, 1989
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Jerry Belson, Dalton Trumbo
Elenco: Richard Dreyfuss, Holly Hunter, Brad Johnson, John Goodman, Audrey Hepburn, Roberts Blossom, Keith David
Produção: Kathleen Kennedy
Gênero: Drama
Duração: 122 min

SINOPSE
Após se sacrificar para salvar um amigo (John Goodman), um valente piloto de combate (Richard Dreyfuss) retorna à Terra para fazer sua namorada (Holly Hunter) seguir em frente.

O FILME
Refilmagem de Dois no Céu (A Guy Named Joe, EUA, 1943), o filme foi um fracasso de crítica e público. Foi o último trabalho da lendária Audrey Hepburn (1929-1993).

 

PARQUE DOS DINOSSAUROS
P7Jurassic Park, EUA, 1993
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp, Michael Crichton
Produção: Kathleen Kennedy, Gerald R. Molen
Elenco: Sam Neill, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough, Ariana Richards, Joseph Mazzello, Wayne Knight, Samuel L. Jackson
Gênero: Aventura
Duração: 127 min
Classificação Indicativa: Livre

SINOPSE
Um parque construído por um milionário (Attenborough) tem como habitantes dinossauros diversos, extintos a sessenta e cinco milhões de anos. Isto é possível por ter sido encontrado um inseto fossilizado, que tinha sugado sangue destes dinossauros, de onde pôde-se isolar o DNA, o código químico da vida, e, a partir deste ponto, recriá-los em laboratório. Mas, o que parecia ser um sonho se torna um pesadelo, quando a experiência sai do controle de seus criadores.

O FILME
Marco no emprego de efeitos visuais elaborados digitalmente, superou a marca de U$$ 900 milhões em arrecadação e recebeu vários Oscar. Relançado em 2013, teve duas sequências e tem uma outra anunciada para o próximo ano.

 

O MUNDO PERDIDO: JURASSIC PARK
P8The Lost World: Jurassic Park, EUA, 1997
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp
Produção: Gerald R. Molen, Colin Wilson
Elenco: Jeff Goldblum, Julianne Moore, Pete Postlethwaite, Arliss Howard,
Gênero: Aventura
Duração: 129 min
Classificação Indicativa: Livre

SINOPSE
Quatro anos após os acontecimentos de Jurassic Park, os dinossauros têm vivido secretamente em uma ilha deserta, sem interferência humana. John Hammond perdeu o controle de sua companhia, InGen, para seu sobrinho, Peter Ludlow, que monta uma equipe para trazer os animais ao continente, a fim de gerar receita para a empresa. Hammond vê a chance de se redimir de seus erros passados, enviando uma expedição liderada pelo Dr. Ian Malcolm à ilha, antes que o grupo de Ludlow chegue lá. Os dois grupos se enfrentam frente à um grande perigo e devem juntar-se para sua própria sobrevivência.

O FILME
Fraca sequência do filme lançado em 1993. Chegou a receber três indicações ao Framboesa de Ouro. Totalmente esquecível.

Veja o trailer de Além da Eternidade.

Produção: George Eckstein

Versão estendida de X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO mostrará as cenas com Vampira

Cortada da edição de cinema de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, a heroína interpretada por Anna Paquin será o destaque da vindoura versão estendida do novo filme dos mutantes

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Banner de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Alguém aí reparou na presença da Vampira???

Uma boa e uma má notícia para os fãs da heroína Vampira que ficaram decepcionados com o fato da mutante ter sido cortada da versão cinema do bem-sucedido X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

Primeiro, vamos à boa notícia.

Durante um evento realizado na última quinta-feira (21), o produtor e roteirista Simon Kinberg confirmou à revista Variety o que muitos já esperavam: a Fox irá lançar em homevideo uma versão estendida de Dias de um Futuro Esquecido contendo todas as cenas com a personagem Vampira que foram deixadas no chão da sala de edição do filme! \o/

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Anna Paquin como a heroína Vampira em um arte promocional de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Referida por Kinberg como “Rogue’s Cut” (ou “Versão com a Vampira”, em tradução livre), a edição especial contará com mais de 10 minutos de cenas adicionais, cenas estas que não só envolverão a subtrama com Vampira, mas também sequências com outros personagens que tiveram que ficar de fora da versão de cinema de Dias de um Futuro Esquecido.

É uma grande sequência, uma parte substancial do filme, disse Kinberg à Variety sobre as cenas com a Vampira. Em todo filme há cenas que são excluídas, mas nem todo filme há cenas excluídas com um personagem tão amado, completou.

[Cuidado: Possíveis Spoilers de Dias de um Futuro Esquecido à frente]

Para quem ainda não sabe, Vampira teria uma participação bem maior na trama do novo X-Men. Originalmente, quando Wolverine deixa por acidente Kitty Pride gravemente feriada, Magneto e o Prof. Xavier decidem ir, juntamente como o Homem de Gelo, até a Mansão X (agora transformada em uma prisão de mutantes) para resgatar Vampira, de modo que ela possa então absorver os poderes de Kitty e garantir que a consciência de Wolverine continue no passado até ele completar a sua missão.

Em maio, Kinberg afirmou ao Collider que a cena do resgate da Vampira teve que ficar de fora da versão cinematográfica de Dias de um Futuro Esquecido por ela ser um desvio da trama principal, que tinha já tinha que acomodar dois períodos de tempo e vários outros personagens.

Agora a má notícia: segundo Kinberg a “Versão com a Vampira” só será lançada em 2015, mais provavelmente no verão norte-americano (entre os meses de maio e agosto). Ou seja, os fãs ainda terão que esperar muuuito para poderem ver as cenas com a sua heroína favorita. Mas como já diz o ditado, antes tarde do que nunca…

E aproveitando a deixa, vale de mencionar que o DVD e o Blu-ray com a versão cinematográfica de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido já encontram-se nas prateleiras desde 08 de outubro, disponível por aqui em quatro edições, DVD, Bluray, Bluray 3D e Combo, com os respectivos preços de R$ 39,90, R$ 69,90, R$ 89,90 e R$ 99,90. Confira abaixo as capas das edições nacionais.

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Com direção de Bryan Singer, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido estreou em maio e se tornou um dos mais sucessos do ano, tendo arrecado US$ 745,98 milhões em bilheteria ao redor do planeta. O elenco do filme conta com James McAvoy (Charles Xavier jovem), Michael Fassbender (Magneto jovem), Patrick Stewart (Charles Xavier), Ian McKellen (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Halle Berry (Tempestade), Ellen Page (Kitty Pride), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Evan Peters (Mercúrio), Omar Sy (Bishop), Daniel Cudmore (Colossus), Fan Bingbing (Blink) e Peter Dinklage (Bolivar Trask).

O LENHADOR: Uma polêmica obra que transcende a metaética

Kevin Bacon em O LENHADOR (2004), de Nicole Kassel: um pedófilo em estudo

Kevin Bacon em O LENHADOR (2004), de Nicole Kassel: um pedófilo em estudo

O Lenhador, dirigido por Nicole Kassell, estrelando Kevin Bacon e Kyra Sedgwick, e lançado em 2004, indaga os espectadores ao propor uma análise da moral presente na sociedade em uma situação de contraponto com nossos desejos íntimos. Afinal, somos todos completamente bons e maus ou é tudo uma percepção errônea de nossa realidade social?

GUSTAVO NERY

Crítico de Cinema

Desenrolando-se em torno de Walter (Kevin Bacon), o longa-metragem de Nicole Kassell (diretora de seriados como Cold Case e The Closer) apresenta um lenhador que no passado foi preso por abuso sexual de menores. Ainda tentando adaptar-se à sua realidade pós-cadeia, o personagem luta contra seus ímpetos, evitando situações que o levem de volta ao passado e envolvendo-se com a colega de trabalho Vicki (Kyra Sedgwick).

O roteiro de Steven Fechter, com adesões da própria diretora, traz à tona o conflito psicológico interno de pessoas que lutam contra determinados impulsos para adequar-se à “normalidade” padrão do comportamento humano. O personagem construído por Bacon quer entender aquilo que sente; quer sentir-se comum, encontrar identificação no próximo. As situações representadas no longa-metragem deixam isso claro ao propor um personagem que indaga a si mesmo em seus pensamentos e pessoas próximas a seu convívio, como o cunhado Carlos (Benjamin Bratt) e o agente de condicional Lucas (Mos Def).

O trunfo de O Lenhador está em seu aspecto polêmico de retratar os sentimentos conflituosos de um ex-presidiário em um mundo permeado de segredos e hipocrisia. Os personagens que ali representam o correto realizam ações torpes, demonstrando um senso particular de ética. Quem obtém atitude louvável? Aquele que realizou atos de aspecto repúdio perante a moral ou aqueles que o criticam, indo contra o ideal de respeito que prezam os bons costumes sociais?

É importante considerarmos determinados aspectos quanto à produção do longa-metragem: o título em Portugal, O Condenado, certamente propõe uma carga de pré-julgamento perante o protagonista por parte do público. Entretanto, as revelações ao longo da trama mantêm subtendido o caráter de que “todos nós possuímos uma história”; ou seja, um plano de fundo para nosso comportamento e maneira de pensar.

O título original, somado a alguns diálogos centrais e requisitos estéticos (como figurino e locações) constroem no filme de Kassell uma situação de intertextualidade com um dos mais famosos contos dos Irmãos Grimm: nessa adaptação, assim como a história em seu aspecto original, Chapeuzinho Vermelho perde seu ar inocente ao abordar o abuso sexual infantil.

Walter, como um ser que um dia já correspondeu a seus instintos, encaixa-se perfeitamente no arquétipo de “lobo”. Seu ar misterioso, pensamento agressivo e necessidade de encontrar alguém que o compreenda (para constituir uma “alcateia”), refletem na projeção de um ser grosseiro e “selvagem”. Porém, durante as sequências finais, vemos o protagonista libertar-se de sua posição para constituir outro arquétipo: o de “lenhador”.

A discussão final em torno da obra é: todos nós guardamos aspectos “bons” e “ruins”, que são demonstrados no decorrer de circunstâncias. A noção de metaética é construída em toda a narrativa, enaltecendo um viés filosófico a ser explorado no espectador.

Em seu artigo Sobre santos e demônios, o professor acadêmico da Universidade de Harvard, Steven Pinker, afirma que A moral, portanto, ainda é algo maior do que nosso senso moral herdado, e a nova ciência do senso moral não torna obsoletos o raciocínio e a convicção morais. Ao mesmo tempo, suas implicações para nosso universo moral são profundas. Os preceitos constituintes do ser humano são relativos, pois o caráter de expansão apresentado virá na determinação individual de suas escolhas. Citando o escritor russo Anton Tchékhov: O homem se tornará melhor quando você lhe mostrar como ele é.

Distante de ser uma obra de cunho popular, O Lenhador é um filme recomendável por analisar a organização da estrutura moral humana. Vencedor do Prêmio Júri no Festival de Sundance (2004, EUA), além de outras conquistas, a obra ganha pontos por possibilitar releituras de cunho psicossocial, além de quebrar paradigmas e permanecer com a essência clássica, ousadia que leva à discussão elevada. Descubra-o nas locadoras.

FICHAO Lenhador poster TÉCNICA

THE WOODSMAN

EUA, 2003.

Diretor: Nicole Kassell.

Elenco: Kevin Bacon, Kyra Sedgwick, Yasiin Bey, Michael Shannon e Benjamin Bratt

Duração – 87 minutos

Imagem Filmes

 

 

 

 

Confira o trailer >