UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA – EM ADAPTAÇÃO PARA O SYFY

Uma das boas notícias da semana vem da televisão dos EUA. Um dos celebrados romances da ficção-científica, Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert Heinlein, está sendo adaptado como série para o canal fechado Syfy

O rom,ance UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA e o seu autor, Robert A. Heinlein

O romance UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA e o seu autor, Robert A. Heinlein

Um Estranho Numa Terra Estranha (Strange in a Strange Land, 1961), um dos mais notáveis romances de ficção-científica, será adaptado para a televisão por dois estúdios dos EUA, a Paramount Television e a Universal Cable Productions, para exibição no canal Syfy, especializado em obras do gênero. A presidente da Paramount TV, Amy Powell, não anunciou os autores da adaptação, o elenco, sequer o diretor e nem tampouco a data de lançamento, mas destacou os nomes dos produtores executivos – Brad Fischer, James Vanderbilt e William Sherak, da Mythology Entertainment; Scott Rudin, Garrett Basch e Eli Bush, da Scott Rudin Productions; e Joe Vecchio, da Vecchio Entertainment. Julia Gunn, da Mithology, será o coprodutor executivo.

A Paramount TV está animada em ter a oportunidade de adaptar o trabalho de Robert Heinlein. Este romance é importante para mim desde a faculdade e há uma razão pela qual ele continuou a encontrar novos fãs por mais de 40 anos. A programação imaginativa e futurista do Syfy é incomparável, tornando a emissora uma parceira ideal para esta série”, disse à imprensa.

O romance conta a história de Valentine Michael Smith, um humano nascido em Marte e criado por marcianos que chega à Terra no início da idade adulta e encontra enormes dificuldades em se adaptar ao modo de vida terrestre. O livro calhou dentro do movimento da contracultura e por prever temas que se tornaram essenciais nos anos 60, como o amor livre, as comunidades alternativas e a vida libertária – como os hippies -, as primeiras manifestações por uma paz mundial, mas não poupa governos e religiões.

Robert Anson Heinlein (1907-1988) tem uma obra extensa entre contos curtos e médios, artigos e romances. Entre as suas criações mais célebres encontram-se, além de Um Estranho Numa Terra Estranha, O Dia Depois de Amanhã (Sixth Column, ou The Day After Tomorrow, 1941), A Escala do Tempo (The Door Into Summer, 1957), Viajantes do Tempo (Have Spaceuit – Will Travel, 1958), as únicas editadas no Brasil. No entanto, outras 22 traduções para o português são encontradas na extinta Coleção Argonauta, da editora portuguesa Livros do Brasil, que não trouxe para cá todas as 563 obras publicadas. É para qualquer fã de ficção científica ficar com água na boca.

Clique aqui para conhecer a Coleção Argonauta, da qual alguns exemplares podem ser encontrados em sebos, via internet.

Foi na Argonauta que encontrei o maior e melhor romance do gênero, Cidade (City, 1952), de Clifford D. Simak (1904-88), editado com o título desnecessário de Cidades Mortas. Eu o leio a cada 5 anos. Ao lado de Heinlein, Isaac Asimon e Arthur C. Clarke compõe o quarteto de ouro da ficção-científica.

No Cinema, Heinlein teve adaptadas poucas obras, entre elas, Destino à Lua (Destination Moon, 1950), de Irving Pichel, Project MoonBase (1953), de Richard Talmadge (ambos escritos diretamente para a tela grande), The Brain Eaters (1958, adaptação de The Puppet Masters), de Bruno VeSota; Sob o Domínio dos Aliens (The Puppet Masters, 1994), de Stuart Orme; Tropas Estelares (Starship Troopers, 1997), de Paul Verhoeven; e O Predestinado (Predestination, 2014), de Michael e Peter Spierig, adaptação de All you Zombies. Este, apesar de ser uma produção australiana com 11 prêmios, fracassou nas bilheterias e ficou inédito nos cinemas. Outros romances, como Red Planet, ganharam adaptações para a TV e igualmente estão inéditas no Brasil.

Para saber mais sobre Robert A. Heinlein, clique aqui.

Em 2007 surgiu uma série de TV intitulada Strange in a Strange Land, dirigida por Paris Barclay, com Naveen Andrews e Emilie de Ravin, mas nada tem a ver com o romance de Heinlein.

Estranho Numa Terra Estranha foi editado no Brasil em 1973, pela Editora Artenova; e em 1991 pela Record. Ambas as edições encontram-se indisponíveis, mas uma boa caçada para compra nas livrarias de sebos na internet pode ser proveitosa.

Saiba mais sobre Um Estranho Numa Terra Estranha, clicando aqui.

UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHAUM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA
STRANGE IN A STRANGE LAND
Autor: Robert A. Heinlein
EUA, 1961
Putnam Puiblishing Group
(publicação original)
Premiação: Hugo (1962)
Brasil, 1973
Editora Artenova
(1ª edição)
Brasil, 1992
Editora: Record
(2ª tradução)
Número de Páginas: 527
Romance de ficção-científica

Eis uma boa sugestão para os apreciadores e fãs da ficção científica: a leitura de Tropas Estelares, que trata de uma das possibilidades que o homem pode encontrar na sua trajetória para a conquista do espaço, que é confronto com civilizações mais avançadas. Na impossibilidade da aquisição do romance, não publicado aqui, fica a sugestão de conferir ou reavaliar o filme, uma época considerado fascista.

Veja o trailer de Tropas Estelares.

 

LIVROS INTRINSECOS – UM DIÁRIO PARA REGISTRAR A MEMÓRIA

Um livro, que não é bem um livro, mas um diário pessoal, enviado pela Editora Intrínseca, me tem dado a oportunidade de registrar o cotidiano. Intitulado Uma Pergunta Por Dia, esse livrinho diário é aparentemente estranho, mas na verdade, é sensacional. E vale a pena você tê-lo à cabeceira da cama ou da rede e, ao final do dia de trabalho e antes de exercer o sono dos guerreiros, responder a perguntinha do dia…

UMA PERGUNTA POR DIA, da Editora Intrínseca: registro de nossa metamorfose ambulante

UMA PERGUNTA POR DIA, da Editora Intrínseca: registro de nossa metamorfose ambulante

Uma Pergunta Por Dia é um diário elaborado para ser preenchido ao longo de 5 anos. São 365 perguntas que resultam em 1.825 respostas. São perguntas aparentemente bobas, mas que na verdade referem-se ao nosso cotidiano de forma filosófica, levando-nos a pensar antes de responde-las. Assim, formulamos o registro dos fatos cotidianos de nossa existência hoje e como as responderemos, novamente, nos próximos 4 anos. Esse livrinho já está mexendo com as minhas ideias e registrando as minhas opiniões e impressões das coisas, pessoais ou não, da sociedade ou do mundo. Tudo é muito, mas muito pessoal.

O livrinho tem um formato parecido com o livro de bolso, mas as suas capas e contracapa são duras. Ou seja, é para você ler a pergunta do dia, responde-la e pô-lo de volta à cabeceira. Amanhã, será outro dia e outra pergunta o fará refletir sobre o seu dia que está findando.

A primeira pergunta é Qual é a sua missão? A segunda: as pessoas podem mudar? A partir daí, surgem perguntas inusitadas como “o que você está lendo atualmente?”, “qual o último restaurante ao qual você foi?”, “qual foi o ponto alto de hoje?”, “qual a invenção que você não consegue viver sem?”, “o que inspirou você hoje?”, “para quem você precisa telefonar?, “se pudesse voltar no tempo e mudar alguma coisa, o que seria?”, “o que você gostaria de dizer ao seu pai?”, “qual a coisa mais sincera que você disse hoje?”, entre outras. E há, ainda, simples colocações para você complementar como “hoje o dia foi engraçado porque…”, “a primeira coisa que você comeu hoje foi…”, “hoje você se livrou de…”.

Uma Pergunta Por Dia é a versão traduzida da famosa série Q&A a Day, fenômeno editorial que vendeu 123 milhões de exemplares nos EUA. A ideia do livro é fazer você perceber como somos uma “metamorfose ambulante”, expressão com a qual o saudoso Raul Seixas nos faz refletir como podemos mudar ao longo de opinião, de comportamento e de visão das coisas e do mundo ao longo de nossas vidas.

Esse livrinho permite, ainda, que você possa fazer esse registro cotidiano a dois, em dupla, no mesmo livro (há quatro linhas de espaço para cada uma das respostas), ou cada um com o seu. É uma cápsula do tempo que permita uma profunda reflexão sobre si mesmo, nós mesmos. Um livrinho amigo capaz de nos fazer descobertas e redescobertas.

Você quer dar um bom presente a si mesmo ou a uma pessoa amiga? Uma Pergunta Por Dia é livro… quer dizer, o presente perfeito.

UMA PERGUNTA POR DIA
Q & A a day: 5 year journal
Autor: Potter Style
EUA, 2011
Tradução: Lourdes Sette
Editora Intrínseca
Ano: 2015
368 páginas
Preço: R$ 39,90

LIVROS INTRÍNSECOS – JOJO MOYES, POPULARIDADE E FENÔMENO

Jojo Moyes. Esse nome aparentemente latino identifica uma das escritoras mais bem sucedidas da atualidade, com mais 9 milhões de livros vendidos em todo o mundo. Com 13 livros publicados e um deles, Como Eu Era Antes de Você, adaptado por Hollywood, a inglesa Jogo Moyes é a bola da vez no mundo literário

Jojo Moyes, autora de COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ

Jojo Moyes, autora de COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ

No início do ano 2000 Jojo MoYes era conhecida apenas como uma jovem que, após concluir a London University, em 1992, recebeu do jornal The Independent uma bolsa para fazer pós graduação em jornalismo na City University e trabalhar na empresa, ao longo de dez anos, tendo sido Assistente do Editor e Artes e também Correspondente. Ganhou experiência com fatos, os quais cobria, e pessoas, as quais entrevistava, observando a realidade sob vários ângulos, o existencial e o humano.

Quando se decidiu a ser escritora, porque trabalhava como jornalista a noite e o dia lhe sobrava, em 2003 já escrevera 3 livros – Sheltering Rain, Foreigh Fruit e The Peacock Emporium – e todos tinham sido rejeitados. Em entrevista a um jornal inglês, revelou que, na época, “eu estava casada e em uma situação: tinha um bebê e estava grávida de novo. Eu pensei, ‘isso está ficando meio ridículo”. Mas, no natal daquele ano, o seu agente lhe trouxe a boa notícia da aceitação de Sheltering Rain,(que no Brasil recebeu o título de Em Busca de Abrigo) abrindo-lhe as portas das editoras. “Escrever era um vício. Quando vendia pouco, minha preocupação encontrar modos de continuar“, revelou.

A partir daí, o processo de publicação foi natural, chegando ao ápice com Como Eu Era Antes de Você, editado em 2012, adaptado para o cinema em 2015 e lançado neste ano. Casada com o jornalista Charles Arthur, 46, hoje, Jojo Moyes, também com 46 anos, já conta com 13 livros publicados, 8 deles no Brasil pela Editora Intrínseca.

JOJO MOYES INTRÍNSECA

Para saber mais sobre as obras de Jojo Moyes, clique aqui

Jojo Moyes não tem, na verdade, nenhum romance polêmico ao ponto de criar celeuma internacional. Mas bem que Como Eu Era Antes de Você poderia ter sido esse livro. Provocou algum barulho, mais específica sobre envolvendo a relação das pessoas com deficiência e a busca pela morte assistida. As entidades médicas, terapeutas e associações não gostaram da colocação da autora que deu preferência ao personagem central, o ricaço Will Traynor, preferir a morte a continuar tetraplégico.

Estranhamente, as entidades religiosas também não provocaram discussão sobre o tema da morte assistida, que é, na verdade, uma forma de suicídio. Para os espíritas, a morte assistida é apenas uma forma aparentemente menos impactante e romântica de se tirar a própria vida, mas, já que somos todos espíritos e continuamos vivos após a morte física, as consequências da escolha são as mesmas para a espiritualidade.

A morte assistida é uma forma polêmica de morrer, mais diretamente, de suicídio. Alguns a encaram como um tabu. Mas, além das consequências espirituais, as há, também na forma da Lei. Em uma das histórias do seriado Justiça, em exibição na Rede Globo, o personagem de Cauã Reymond é condenado pela prática da eutanásia com a namorada, a qual ficou paralisada do pescoço para baixo após ser atropelada. No Brasil, o ato está contido como crime pelo Código Penal e no Código de Ética Médica, com pena de 2 a 6 anos.

Fiquei impressionada com o modo como os leitores deixaram de lado suas crenças religiosas e preconceitos para aceitar [o livro] como a história de um casal em uma situação muito humana, que suscita o debate sobre o que eles fariam se estivessem na mesma situação, disse Moyes em resposta a um jornalista. Um depoimento, sem dúvida, demonstrativa da superioridade do materialismo sobre a espiritualidade.

Com contrato assinado com a Metro Goldwyn Mayer para a adaptação de outros de seus romances, Jojo Moyes aguarda a escolha de seus romances que, a partir de 2017, poderão chegar aos cinemas. Uma coisa é certa: Depois de Você, seu mais recente romance, lançado neste ano pela Editora Intrínseca, deve ser um deles.

Para conferir as obras de Jojo Moyes no Brasil, acesse aqui

COMO SURGIU COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ

Ouvi esta notícia em 2008 ou 2009, sobre uma jovem atleta na Inglaterra, que havia ficado tetraplégica após um acidente e, alguns anos mais tarde, convenceu os seus pais a levá-la para um centro de suicídio assistido. Na época, eu só não podia acreditar que estava ouvindo. Eu não entendi em qualquer nível. Então, eu comecei a ler mais sobre isso e percebi que não era tão preto e branco, como eu queria que fosse. Você pensa que se você sofre algum acidente físico catastrófico – como foi o de Christopher Reeve – e que continuaria se sentindo uma pessoa incrível, graciosa, que encontrou um caminho através disso. Não sei se eu seria aquela pessoa. Acho que ficaria muito zangado por um longo tempo. Falei com uma enfermeira que lida com esse tipo de lesão na coluna vertebral e ela me disse que por apenas duas vezes em sua carreira conheceu homens que apenas se recusou a aceitar a condição, e se recusaram a aceitação. Isso me fascinou porque pensei que seria como a mãe daquele homem, o que seria se tivesse uma pessoa apaixonada por ele e como ele reagiria. Sabia que era uma história que eu tinha que contar.
JOJO MOYES, escritora

LIVROS PUBLICADOS

EM BUSCA DE ABRIGO (Sheltering Rain, EUA/2002; BRASIL 2004)
A CASA DAS MARÉS (Foreign Fruit, 2003/2007
THE PEACOCK EMPORIUM (2004)
THE SHIP OF BRIDES (2005)
BAÍA DA ESPERANÇA (Silver Bay/2010)
NIGHT MUSIC (2008)
THE HORSE DANCER (2009)
A ÚLTIMA CARTA DE AMOR (The Last Letter From Your Lover, 2010/2012)
COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ (Me Before You, 2012/2013)
HONEYMOON IN PARIS (2012)
A GAROTA QUE VOCÊ DEIXOU PARA TRÁS (The Girl You Left Behind, 2012/2014)
UM MAIS UM (The One plus One, 2014/2015)
DEPOIS DE VOCÊ (After You, 2015/2016)

Confira o trailer de Como Eu Era Antes de Você.

Imagem de Amostra do You Tube

 

LIVROS INTRÍNSECOS – OS GUINLE: A HISTÓRIA DE UMA DINASTIA

Assim como na Itália renascentista os Medici, os Sforza e até Papas investiram na cultura e nas artes como forma de obter o reconhecimento e o prestígio da sociedade, no Brasil do século XX uma família deixou inestimável legado ao País ao investir nos mais diversos campos da sociedade – economia, imobiliário, esportivo, arquitetônico, siderúrgico, petrolífero, carnavalesco e cultural. A família? Os Guinle. Essa história fascinante e quase esquecida nos tempos atuais está resgatada em Os Guinle – a História de uma Dinastia, do historiador Clóvis Girão, em lançamento pela Intrínseca

OS GUINE - A HISTÓRIA DE UMA DINASTIA, de Clóvis Bulcão: obra reveladora

OS GUINLE – A HISTÓRIA DE UMA DINASTIA, de Clóvis Bulcão: obra reveladora

Os Guinle foram muito mais além do que Mecenas, o termo italiano criado a partir dos atos de Caius Mecenas (6-8 a.C), o conselheiro do imperador Augusto que sustentou um círculo de intelectuais e poetas à sua época, e que mais tarde, no Renascimento (séculos XV e XVI), ganharia força e “status” com os investimentos promovidos pelas famílias Médici na Florença, sob a visão de Cosme (1389-1464) e Lourenço (1449-92); a família Sforza (Galeazo Maria Sforza, 1444-76; Ludovico, 1452-1508, e outros descendentes); o imperador da França, Francisco I (1494-1547), além dos papas Sisto IV (1414-1484), Júlio II 1 (1443-1513) e Leão X (1475-1521), filho de Lourenço de Médici, entre outros.

Para saber mais sobre o mecenato na Renascença, acesse:

O Renascimento italiano

Os Papas Mecenas

A ação dos Guinle no Brasil é imensurável. Ao longo do século XX, usaram a sua riqueza não apenas na convivência e a obtenção do poder político, mas especialmente na cultura e artes e naquilo que hoje é uma referência do fazer: o empreendedorismo.

Eduardo Palassim e Guilhermina Coutinho da Silva: os Guinle

Eduardo Palassim e Guilhermina Coutinho da Silva: os Guinle

Os Guinle espalharam o seu nome em vários outros campos de atividades do País, desde a construção de hospitais (Gaffre e Guinle), hotéis (Copacabana Palace), siderúrgicas (Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN), portos (o Porto de Santos), acervos de museus (Museu Imperial e Histórico Nacional), arquitetônico e imobiliário (Palácio das Laranjeiras, a Granja Comary), financeiro (Banco Boavista), tendo ainda eletricado o Elevador Lacerda (Salvador), patrocinado pesquisas de petróleo à época de Getúlio Vargas e até investido nas carreiras de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), o grupo de Pixinguinha Os 8 Batutas e a Orquestra Sinfônica Brasileira.

Clóvis Bulcão, 55, historiador formado pela Pontifícia Universidade Católica-PUC e professor do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, autor de Padre Antonio Vieira: um esboço biográfico (José Olympio, 2008), passou 5 anos pesquisando 30 anos da família Guinle, que até o final do século passado era relacionado ao luxo, glamour e opulência, além de associado ao hotel Copacabana Palace, hoje ainda meio esquecido.

Cândido Grafrée: amigo e sócio dos Guinle

Cândido Gaffrée: amigo e sócio dos Guinle

A extravagância de alguns dos últimos descendentes do gaúcho Eduardo Palassim Guinle (1846-1912, filho de imigrantes franceses que trocaram o Uruguai pelo Brasil) e sua mulher Guilhermina Coutinho da Silva (1854-1925), que começaram uma dinastia a partir de um modesto armarinho na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, em sociedade com o comerciante Cândido Gafrée levou a família à decadência. E essa história de grandeza, excessos e ocaso é contada através das realizações dos 7 filhos de Eduardo e Guilhermina, geração após geração que conduziu a um inexorável processo de decadência. Palacetes cariocas, taças de champanhe, apostas no no antigo circuito da Gávea e seus automóveis ou no Jockey Club, o jetset internacional, abraços e relações amorosas com famosas atrizes de Hollywood. Tudo isso faz parte de uma história familiar.

Para saber mais:

Os Guinle nasceu na PUC

A Sociedade Gaffrée/Guinle

Sobre Cândido Gaffrée

Clóvis Bulcão

Clóvis Bulcão

Bulcão faz minuciosa e precisa pesquisa histórica que lhe custou 5 anos. A história de ascensão socioeconomica e cultural dos Guinle, que tem o seu grande impulso com o monopólio, a operação e a modernização do Porto de Santos, revela também, de forma surpreendente, certa intimidade do âmbito familiar. Clóvis extrai, em histórias particulares – muitas delas bem humoradas -, uma trajetória fascinante de ascensão e queda através de dezenas de entrevistas realizadas com integrantes, amigos e parceiros profissionais dos Guinle. A grande particularidade, no entanto, reside no destaque da ação de vida de cada um dos 7 filhos de Eduardo e Guilhermina. Há histórias de proximidade e convivência com o poder, lealdade aos parceiros e sócios, extravagâncias de filhos, mas nunca, em momento algum, qualquer referência a corrupção. Daí porque a história dos Guinle é extraordinária e merece ser conhecida – e, especialmente, reconhecida como digna e honrada. Com ela, quem ganhou foi o País, o único herdeiro.

SE VOCÊ DESEJA, NÃO LHE FARÁ MAL

Sob o lema se você deseja, não lhe fara mal, os Guinle construíram um registro único, o qual, hoje, é parte da História do Brasil com as suas ações audaciosas de empreendedorismo e de mecenato à cultura, as artes e aos artistas, cujo conjunto de atividades não se comparam e não tem paralelo ou relação as demais famílias brasileiras. Os Guinle, com a sua história, resistem ao tempo com uma história limpa, relevante e exemplar.

A FAMÍLIA GUINLE

Luiz Guinle (político carioca), não se casou;

Eduardo Guinle (casado com a prima Branca Coutinho Ribeiro);
Guilherme Guinle (político e diplomata na Itália);

Carlos Guinle (marido de Gilda Rocha, pai de Jorginho Guinle e mecenas de Heitor Villa-Lobos);

Arnaldo Guinle (empresário, solteiro e sem filhos, patrono do Fluminense Futebol Clube);

Celina Guinle (mulher do aristocrata imperial Linneo de Paula Machado);

Octávio Guinle (fundador do Copacabana Palace, do Fluminense Futebol Clube, avô da atriz Guilhermina Guinle);

Heloísa Guinle (casada com seu primo Samuel Ribeiro, sem descendentes).

FICHA TÉCNICA

OS GUINLEOS GUINLE – A HISTÓRIA DE UMA DINASTIA
Brasil, 2015
Autor: Clóvis Bulcão
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Preços:
Impresso: R$ 39,90
E-book: R$ 19,90

LIVROS INTRÍNSECOS – A SAUDÁVEL LITERATURA INFANTO-JUVENIL

Aprendi a escrever lendo os livros que caiam nas minhas mãos ainda na infância. Fui estimulado a apreciar e amar os livros desde quando me eram presentados e as suas páginas continham apenas quadrinhos, sem legendas. Foi a porta de entrada para a adoração às revistas-em-quadrinhos e, em seguida, à literatura. Na adolescência, então, aconteceu a descoberta da sociedade humana, a filosofia e a história, o planeta Terra e o universo cósmico – tudo através dos livros. E agora, encontrei uma boa oportunidade para retribuir essa generosa oferta que a literatura me ofereceu.  Será uma nova abertura de publicações neste Cinema e Artes. E começamos com a apresentação de obras direcionadas para o público infanto-juvenil. A série de do menino-gênio Frank Einstein, de Jon Sieszka, e Senhor Fedor e Vovó Vigarista, de david Williams, reforçam a importância da leitura na idade infanto-juvenil

Jon Scieszka e David Walliams: autores notáveis da literatura infanto-juvenil

Jon Scieszka e David Walliams: autores notáveis da literatura infanto-juvenil

Não existe melhor presente do que um livro. Então, fiz um apanhado dos livros dessa categoria lançados pela Editora Intrínseca e que poderão servir de porta de entrada, também, para muitas crianças descobrirem a riqueza dos livros. E isso, depende de nós, adultos… Essa pequena seleção destaca alguns livros essenciais no estímulo para crianças e adolescentes façam as suas descobertas de vida e até as despertem para certas profissões… via literatura.

ESTÍMULO Á CIÊNCIA

FRANK EINSTEIN – Série infantil escrita pelo estadunidense Jon Scieszka, 67, com 2 livros, Frank Einstein e o Motor Antimatéria e Frank Einstein e o Eletrodedo, já lançados no Brasil, obviamente, pela Editora Intrínseca, são exemplos de obras que podem dar caminhos às crianças e adolescentes. Seu autor, Jon Scieszka, é mestre em literatura e especialista em literatura para as crianças e foi primeiro norte-americano nomeado pela Biblioteca do Congresso a se tornar Embaixador da Literatura Nacional Para Jovens, no período 2008-2009. Seu lema: ajudar as crianças a serem automotivadas e leitores ao longo da vida. É autor de mais de 50 livros, todos com ilustrações de seus colaboradores, como Lane Smith (em 6 edições) e Brian Biggs. A série abre, motivada pela paixão do autor pela ciência abre caminho para que as crianças apreciem e entendam as coisas ciência moderna. Saiba mais sobre os 2 livros.

Os personagens da série Frank Einstein, de Jon Scieszka

Os personagens da série Frank Einstein, de Jon Scieszka

FRANK EINSTEIN E O MOTOR ANTIMATÉRIA – Livro de abertura da série, apresenta o menino-gênio Frank Einstein, um menino de 10 anos que, cheio de ideias mirabolantes, utiliza a garagem do avô como laboratório e quase sempre me mete em enrascadas. O sobrenome Einstein, lógico, é uma homenagem ao físico Albert (1879-1955), o descobridor da existência das ondas gravitacionais, confirmada recentemente. O Motor Antimatéria é o primeiro livro de uma série com o pequeno cientista, o qual inventa o RobôGente, uma máquina capaz de pensar e, por um descuido, leva dois pequenos robôs, o esperto Klink e o desajeitado Klank, a se construírem. Eles passam a ser auxiliares de Frank, que trabalha para ganhar um prêmio de ciências, e o ajudam a enfrentar o malvado T. Edison (citação a Thomas Edison, 1847-1931, o polêmico inventor da lâmpada elétrica e outras invenções que muitos dizem indevidamente apropriadas), que quer roubar a sua criação.

FRANK EINSTEIN E O ELETRODEDO – A busca de Scieszka em ensinar conceitos científicos às crianças se mostra aqui mais evidente e segue nesta continuação do romance anterior. Agora, Frank está trabalhando para melhorar uma invenção de Nikola Tesla (1856-1943), o “eletrodedo”, um dispositivo que tem a capacidade de fornecer energia de graça para cidade de Midville. Ele conta com a ajuda de seu melhor amigo, o garoto Watson (referência ao parceiro de Sherlock Holmes, o detetive criado por Sir Conan Doyle, 1859-1930), e a participação dos robôs Klink e Klank, para finalizar o projeto e assim ganhar um grande concurso de ciências. Novamente o seu inimigo-mor, T. Edison, outro menino-gênio, que tem um astuto chimpanzé, o Sr. Chimp, como ajudante.

O Senhor Fedor e a Vovó Vigarista: ilustrações dos livros

O Senhor Fedor e a Vovó Vigarista: ilustrações dos livros

VOVÓS E FEDOR, de David Walliams – Ator, roteirista e autor premiado, Walliams, 45, é considerado o fenômeno da literatura infanto-juvenil na Inglaterra, tendo suas criações sido traduzidas para mais de 25 idiomas. Como ator, apareceu em 3 episódios da série Dr. Who, em 1999, e hoje é um dos juízes do programa Britain’s Got Talent, que tem descoberto talentos em diversas áreas, sendo a mais famosa delas a cantora Susan Boyle.

VOVÓ VIGARISTA – Imaginem uma vovó assim: até se parece com aquelas dos livros infantis… tem a cabeleira toda branca… e usar dentadura não é opcional.. mas de baixo da manga uma joia ela arranca… vovó é uma ladra internacional… Bem, o personagem central é um garoto chamado Bem, que todas as sextas é deixado na casa da avó pelos pais, a fim de terem a sua “noite de namoro”. E, um dia, ma casa da chata avó, ele descobre que ela é uma famosa e habilidosa ladra internacional de jóias…

Para saber mais sobre Vovó Vigarista, leia a crítica… aqui.

SENHOR FEDOR – Chloe, menininha de 12 anos, tem tudo para ganhar o título de “menina mais solitária do mundo”. O Senhor Fedor, um mendigo que chega um dia ao seu bairro, tem o ingrediente perfeito para ser considerado o homem mais fedorento, ou fedegoso, do mundo. O encontro dessas duas pessoas proporciona uma das mais deliciosas e irreverentes leituras do ano. Um primor de história.

Para saber mais da história, leia a análise de Ryanne Braga, aqui.

OS LIVROS

FRANK EINSTEIN E O MOTOR ANTIMATERIAFRANK EINSTEIN E O MOTOR ANTIMATÉRIA
Frank Einstein and the Antimater Motor
País: EUA, 2014
Autor: Jon Scieszka
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
Páginas: 192
Impresso: R$ 34,90
E-book: R$ 19,90

 

 

FRANK EINSTEIN E O ELETRODEDOFRANK EINSTEIN E O ELETRODEDO
Frank Einstein and the Eletro-Finger
EUA, 2015
Autor: Jon Scieszka
Editora: Intrínseca
Tradução: Regiane Winarski
Páginas: 176
Impresso: R$ 34,90
E-book: R$ 19,90

 

 

VOVÓ VIGARISTAVOVÓ VIGARISTA
Gangsta Granna
Inglaterra, 2015
Autor: David Williams
Editora: Intrínseca
Tradução: Edmundo Barreiros
Página: 340
Impresso: R$ 24,90
E-book: R$ 14,90

 

 

SENHOR FEDORSENHOR FEDOR
Mr. Stink
Inglaterra, 2009
Autor: David Walliams
Editora: Intrínseca
Tradução: Edmundo Barreiros
Páginas: 224
Preço: R$ 34,90
E-book: R$ 19,90

 

LIVROS INTRÍNSECOS – A ALIANÇA DO CRIME E O SENHOR SHERLOCK HOLMES

A Editora Intrínseca efetua o lançamento de mais duas obras literárias que ganharam adaptações para o Cinema: Aliança do Crime, de Dick Lehr e Gerard O’Neill; e Sr. Holmes, de Mitch Cullin. O primeiro, revela uma estarrecedora história real sobre aliança criminosa entre um agente do FBI e um gangster, por 10 anos refutada pelo governo norte-americano; e o segundo, traz de volta um icônico personagem da literatura inglesa, o detetive Sherlock Holmes, em uma história comovente.  Para ler antes ou depois de vê-los na tela grande

Ian McKellen em SENHOR HOLMES (2015), filme de Bill Condon; e Johnny Deep em ALIANÇA DO CRIME (2015), de Scott Cooper: livros de sucesso

Ian McKellen em SENHOR HOLMES (2015), filme de Bill Condon; e Johnny Deep em ALIANÇA DO CRIME (2015), de Scott Cooper: livros de sucesso

A Intrínseca tem se destacado, pelo lançamento de obras, entre outras primorosas criações literárias, que ganharam adaptações pelos estúdios de Hollywood. E duas dessas transposições conquistaram elogios da crítica especializada e a atenção do grande público. No caso, Aliança do Crime, dos jornalistas investigativos Dick Lehr e Gerard O’Neill, e Sr. Holmes, de Mitch Cullin. O primeiro enfoca um caso de corrupção denunciado  pelos jornalistas. O segundo se apropria do personagem de Sir Arthur Conan Doyle para compor a vida de Sherlock Holmes aos 93 anos e em sua última aventura.

Como faço sempre, vou apenas “acender” a curiosidade dos caros leitores e internautas, para os 2 livros em destaque. Ambos, aliás, são lançados em momento extremamente oportuno. Aliança do Crime nos serve como reflexão sobre a estreita linha que separa o direito do ilegal, como às escondidas os conchavos levam décadas para serem descobertas. Mas, a reverência maior à obra literária, está no trabalho primoroso executado pelos jornalistas, o que nos leva a colocar em pauta uma velha questão: a liberdade de imprensa. A imprensa tem sido o grande instrumento de conhecimento da sociedade sobre o que nela acontece. E é com esse dever de levar ao conhecimento da sociedade os acontecimentos que transgridem essa linha imaginária que torna a imprensa fundamental nos estados democráticos. Esse atual governo petista tentou nos tirar isso, como fizeram seus parceiros ideológicos Kirchner e Maduro. Daí, defender a imprensa e manter-lhe a liberdade de investigação  deve ser mantida a qualquer custo. Já Sr. Holmes trata da velhice de um personagem fictício, um dos mais famosos do mundo, cuja existência e ação sempre estiveram ao lado da Lei. E, finalmente,  esses 2 livros chegam às livrarias quando as suas respectivas transposições para a tela grande, simultaneamente, chegam aos cinemas.

James "Whitey" Bulger em fotos de 1953 e 2011; e John Connolly, em foto de 2002, em Boston

James “Whitey” Bulger em fotos de 1953 e 2011; e John Connolly, em foto de 2002, em Boston

Aliança do Crime

Aliança do Crime é uma impressionante história real de corrupção que não fica devendo a nada aos enredos dos mais mirabolantes roteiristas de Hollywood. A realidade mais poderosa do que a ficção. E lógico, a própria Hollywood tratou de leva-la para a tela em uma elogiada produção dirigida por Scott Cooper e estrelada por um Johnny Deep praticamente irreconhecível, e que traz ainda Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon e Dakota Johnson no elenco. O filme já passou pelas salas comerciais do País.

John Dillinger (1903-34, ladrão de bancos, idolatrado por roubá-los com exclusividade), Alphonse Gabrirl “Al” Capone (1889-47, contrabandista e vendedor de bebidas, considerado o maior gangster da história policial dos EUA), Francis Georges Barnes Jr (1895-54), o Machine Gun Kelly, vendedor de bebidas, o que era proibido na época da Lei Seca); John Gotti (1940-2002), mafioso da família Gambini, executor de sequestros, agiotagem, jogos de azar, extorsão, entre outras atividades). O que esses famosos gangsteres estadunidenses têm a ver com James “Whitey” Bulger? Tudo, além do fato de ter sido o criminoso mais procurado pelo FBI – só perdendo o posto para Osama Bin Laden, que era um procurado no exterior.

Essa história impressionante começa na década de 1970 e só se desfecha em 2011 e não é particular a apenas a Bulger, mas a outro personagem inusitado. Ambos formaram uma aliança do crime, cada um de um ocupando lados opostos da sociedade: a criminalidade e a polícia. Esse outro personagem é John Connolly, um agente do FBI, renomado e admirado por perseguir implacavelmente e destroçar nada menos do que a Máfia Italiana.

Dick Lehr e Gerard O'Neill: investigadores do escandaloso caso de corrupção

Dick Lehr e Gerard O’Neill: investigadores do escandaloso caso de corrupção

Em 1988, uma reportagem dos jornalistas investigativos Dick Lehr e Grard O’Neill, do jornal Boston Globe, desnudou a relação entre Bulger e Connolly, revelando a “aliança” que os unia. Durante dez anos a reportagem foi contestada e desmentida pelo FBI e o governo estadunidense. Fizeram de tudo para desacreditá-la. Afinal, como acusar um homem da lei que desmontara a Máfia italiana e era visto como um herói pela sociedade? Desacreditar a imprensa ficaria mais fácil, desmentir e deixar o tempo passar e a reportagem cair no esquecimento foi a ação governamental.Mas, como a sempre prevalece, 10 anos depois, tudo veio à tona. E com a dimensão de um escândalo inacreditável.

Eis um resumo breve: Bulger, irmão de William, o presidente do Senador Estadual de Massachusetts, aterrorizou a cidade de Boston praticamente sem ser importunado. E quando todos pensavam que ele agia à sombra do irmão, na verdade, seu protetor era outro, John Connolly, o homem da lei. Por qual razão? Bulger era informante de Connolly. Mas, o extraordinário e estarrecedor da história é que, na verdade, fora Bulger que tirara a Cosa Nostra da sociedade para ocupar o seu lugar. Apenas fornecera as informações privilegiadas para que Connolly, através da lei, a eliminasse totalmente em um processo de décadas. Assim, com a Máfia fora de circulação, Bulger assumiu o posto de “Rei do Crime” por quase 3 décadas. Durante esse tempo, cometeu 19 assassinatos, estupros, roubos, extorsões e tráfico de drogas…  Tudo com a conivência do FBI. Esse monumental escândalo, repercute até hoje na imprensa dos EUA.

A Opinião da Crítica

Uma das melhores leituras do ano. Dick Lehr e Gerard O’Neil escrevem como romancistas experientes, emendando uma cena chocante em outra numa tapeçaria com o pior da corrupção nos EUA
The New York Post

ALIANÇA DO CRIME livro

ALIANÇA DO CRIME
Black Mass: Whitey Bulher, the FBI and the Devil’s Deal, 2000
Autor: Dick Lehr e Gerard O’Neill
Editora: Intrínseca, 2015
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Revisão: Milena Vargas
Arte de Capa: Márcia Quintella
Páginas: 424
Preços:
Edição Impressa: R$ 39,90
E-book: R$ 24,90

Para Saber Mais

Para aumentar a sua curiosidade em obter mais informações que reforcem a aquisição do livro, leia:

Artigo de Kathleen Gomes – clique aqui

Para saber sobre Dick e O’Neil – clique aqui

Entrevista com Dick Lehr e Gerard O’Neil – clique aqui

Bem, com todas essas informações, você já pode adquirir Aliança do Crime sem dúvidas ou sustos.  A leitura, prazerosa, surpreende com essa espetacular história real cujo desfecho só ocorreu recentemente, em 2011.

 SENHOR HOLMES

Mitch Cuillin e o seu romance que virou filme: SR. HOLMES (2015)

Mitch Cuillin e o seu romance que virou filme: SR. HOLMES (2015)

Lançado nas livrarias estadunidenses em 2005, Senhor Holmes imediatamente conquistou a crítica e o público. Seu autor, Mitch Cullin, estadunidense, 48, é um dos mais prolíficos do país.  Tideland, uma das de suas criações mais conhecidas, ganhou adaptação para o Cinema em 2005 em uma fracassada produção canadense dirigida por Terry Gilliam. Tomando para si o icônico personagem criado pelo inglês Sir Conan Doyle (1859-1930), Cullin o atualiza em um enredo sagaz e que prende o leitor em uma leitura fascinante, marcada, principalmente pelo detalhismo e a minúcia com as quais enfoca determinadas coisas – documentos antigos, a apicultura, entre outros.

O ano é 1947. Holmes, com 93 anos, mora em uma fazenda em Sussex, condado histórico da Inglaterra, onde passa o tempo como criador de abelhas. Roger, o filho da empregada, ajuda-o. E, para exercitar a memória, passa o tempo relembrando alguns de seus casos mais famosos, entre eles casos de amor, traição, crimes misteriosos, os quais registra em um diário que perpassa um tempo ao longo de 50 anos. E, de repente, depara-se com um manuscrito inacabado, o único o qual não conseguiu solucionar. Incomodado pelo insucesso do caso, decide investigá-lo novamente, tendo como ingredientes uma mulher bonita, um marido raivoso, um jardim misterioso e um crime (assassinato? Suicídio? Sequestro?). Em todo o desenrolar da Holmes está sempre brigando com a sua memória.

Ian McKellen em SR. HOLMES (2005), filme de Bill Condon baseado no romance de Mitch Cullin

Ian McKellen em SR. HOLMES (2005), filme de Bill Condon baseado no romance de Mitch Cullin

O livro oferece uma visão humanística desse grande personagem da literatura universal e foi exatamente essa exposição de um Sherlock Holmes velho, mas ainda sagaz e astuto, brigando com o corpo frágil e uma mente que não lhe repassa todas as memórias que exige, que interessou ao cineasta Bill Condon (de Deuses e Monstros e A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 e Parte 2) para leva-lo ao cinema. O filme, igualmente intitulado Senhor Holmes, recebeu altos elogios da crítica. Esteve para ser lançado no Brasil em outubro passado, mas a Sony o cancelou, não tendo informado se ainda o colocará em cartaz. Provavelmente, não. Então, desfrute do livro.

Opinião da Crítica

Um belo livro sobre Sherlock Holmes. Exatamente como um romance deve ser
THE WASHINGTON POST

Maravilhosamente escrito e comovente
SAN FRANCISCO CHRONICLE

Extraordinário. O eterno herói nunca foi tão heroico. Ou tão humano.breno barreto
THE VILAGE VOICE

Para saber mais sobre Sherlock Holmes, clique aqui

Para saber mais sobre Sir Arthur Conan Doyle, clique aqui

SENHOR HOLMES livro

SR. HOLMES
A Slight Trick of the Mind
, 2005
Autor: Mitch Cullin
Editora: Intrínseca, 2015
Tradução: Alexandre Raposo
Revisão: Breno Barreto
Capa: Júlia Moreira
Páginas: 240
Preço:
Edição Impressa: R$ 39,90
E-book: R$ 24,90

 

 

Confira o trailer de Sr. Holmes.

Imagem de Amostra do You Tube

 

DAS PAGINAS PARA AS TELAS – CAROL, O ROMANCE LÉSBICO DE PATRÍCIA HIGSMITH

O lançamento de The Price of Salt, Carol na tradução brasileira, deve ser saudada como um evento. É um desses livros precursores e fadados a servirem de referência ao longo dos tempos. Quando se falar em sexualidade na literatura, obrigatoriamente se falará de Carol e Lolita. Carol, publicado originalmente em 1952, e agora chegando ao Brasil pela L&PM Editores, conta uma história de amor entre duas mulheres; a obra-prima de Vladimir Nabokov, a paixão de um homem maduro por uma adolescente, 3 anos depois. Carol obrigou Patricia Higsmith (1921-95) a se resguardar como autora e para isso usou o pseudônimo de Claire Morgan. Alem do romance, a adaptação cinematográfica, dirigida por Todd Haynes, considerado a melhor produção de 2015 feita por Hollywood, estreia em 14 de janeiro

Cate Blanchett e Rooney Mara em CAROL; a capa do Livro; e Patrícia Higsmith aos 30 anos

Cate Blanchett e Rooney Mara em CAROL; a capa do Livro; e Patrícia Higsmith aos 30 anos

O homossexualismo, àquela época, era considerado doença, obrigava a suicídios, “tratamentos” atrozes, humilhações, entre outros fatores. Reza a lenda que, temerosa com as consequências do conteúdo de seu romance, pediu ao seu professor favorito no Barnard College que o lesse e ele a orientou a se resguardar. Ele tinha razão, pois a editora o rejeitou prontamente e só foi publicado por uma editora menor. Em um artigo, Patricia descreveu que “aquela era a época em que os bares gays eram uma porta escura em algum lugar de Manhattan, e as pessoas que os frequentavam saltavam do metrô uma estação antes, ou uma depois, da estação certa, com medo de desconfiarem que eram homossexuais”.

Therese Belivet trabalha como vendedora na seção de bonecas de uma loja de departamentos. O emprego é,para ela, um “bico”, a fim de ter dinheiro investir na carreira de cenógrafa de teatro. É natal em Nova York. A loja está lotada. E entre de repente, uma sincronizada troca de olhares uma mulher a deixa hipnotizada. Ela faz-lhe uma compra: uma boneca para a filha. O nome dela é Carol Aird. Assim começa o romance entre a jovem Therese e Carol – recém-separada e mãe de uma filha. Contar mais é irrelevante.

Carol tem um fundo de verdade. Jim Dawson, em artigo no inglês The Guardian, descreve que Patrícia Higsmith recorreu à realidade e a inspiração em pessoas com as quais ela conviveu para dar vida a Therese Belivet e Carol Aird. Therese era “a mulher loira e elegante em um casaco de peles” que, na Macy’s de Nova York, lhe comprara uma boneca para a filha. Em um dia de folga, ela pegou um ônibus para Nova Jersey e, com o endereço contido no recibo de compra, foi parar na casa da mulher que desejara ao conhece-la.

Cate Blanchet e Rooney Mara em CAROL (2015), de Todd Hayes

Cate Blanchet e Rooney Mara em CAROL (2015), de Todd Hayes

Houve outra inspiração para o personagem de Carol: Virginia Kent Catherwood, a ex-amante de Highsmith, uma socialite elegante e endinheirada da Filadélfia, cujo divórcio na década de 1940 tinha mantido colunistas de fofocas em Nova York em um estado de delírio escandalizado com a sua intriga lésbica”, revela Jim Dawson, jornalista do inglês The Guardian. E continua: “Ginnie” e Highsmith eram amantes em meados dos anos 1940 e essa plena vazão é dada no diário de Highsmith ao seu poderoso desejo de sua amante e também, às vezes, os sentimentos de vingança assassina que são expressas em todos os escritos de Highsmith. Catherwood tinha perdido a custódia de seu filho depois de uma gravação feita dela em um quarto do hotel com outra mulher e usada no processo contra ela, um detalhe extraído para a trama de The Price of Salt de uma maneira que deu uma pausa para Highsmith. No final, o detalhe ficou um motor essencial para a narrativa, tornando o caso de amor entre Carol e (…) Therese (que seria a própria Highsmith) ainda mais perigoso e pungente”, descreve. Carol Baird, seguindo ele, é a própria Patrícia.

A Opinião da Crítica

UMA HISTÓRIA DE AMOR, OBSESSÃO E ROAD-TRIP… por Laura França

O PRECONCEITO E A LIBERAÇÃO SEXUAL ESTÃO LÁ… por Manu Monjardim

Para ler o artigo de Jim Wilson (sem tradução), no The Guardian, clique aqui.

Livros adaptados para o Cinema

São 18 filmes que promoveram adaptações das obras de Patricia Higsmith. As obras, no entanto, produzidas por  diversas nacionalidades, têm o predomínio de Alemanha e França.

Pacto Sinistro (Strangers in a Train, EUA, 1951), de Alfred Hitchcock
O Sol por Testemunha (Plein Soleil, França, 1960), de René Clement
Le Meurtrier (França, 1963), de Claude Autant-Lara
O Amigo Americano (Der amerikanische Freund, Alemanha, 1977), de Jim Wenders
Nunca Beijes um Estranho (Once You Kiss a Stranger…, EUA, 1969), de Robert Sparr
Amor Impossível (Dites-lui que je l’aime, França, 1977), de Claude Miller
Die gläserne Zelle (Alemanha, 1978), de Hans W. Geissendörfer
Vítima por Testemunha (Eaux Profondes, França, 1981), de Michel Deville
Ediths Tagebuch (Alemanha, 1983), de Hans W. Geissendörfer
Die zwei Gesichter des Januar (Alemanha, 1986), de Wolfgang Storch, Gabriela Zerhau
O Ulular do Mocho (Le Cri du Hibou, França, 1987), de Claude Chabrol
Der Geschichtenerzähler (1989), de Rainer Boldt
Trip nach Tunis (Alemanha, 1993), de Peter Goedel
O Talentoso Ripley (The Talent Mr. Ripley, Inglaterra, 1999) de Anthony Minghella
O Retorno do Talentoso Ripley (Ripley’s Games, Itália-Reino Unido-EUA, 2002), de Liliana Cavani
Ripley no Limite (Ripley Under Ground, EUA, 2005), de Roger Spottiswoode
O Vôo da Coruja (The Cry of the Owl, Inglaterra-Alemanha-França-
As Duas Faces de Janeiro (The Two Faces of January, Reino Unido-França-EUA, 2014), de Hossein Amini

Em Filmagem
A Kind of Murder (2015), de Andy Godard, com Jessica Biel e Patrick Wilson

CAROL livroCAROL
The Price of Salt, 1952
Autora: Patrícia Higsmith
L&PM Editores
Tradução: Roberto Grey
Revisão: Lia Cremonese
Capa: poster cortesia da HanWay Films
Páginas: 307
Preço:
Livro: R$ 25,90

 

Confira o trailer de Carol.

 

LIVROS INTRÍNSECOS – Rafael e seu cão chamado Jimmy

Quantas pessoas fazem você se sentir especial? Quantas fazem você se sentir extraordinário? Um cachorro não liga para o carro que você tem, para a marca de roupa que você usa, se é rico ou pobre, inteligente ou burro. Dê a ele o seu coração e ele lhe dará o dele. Sobre quantas pessoas você pode dizer o mesmo?

Rafael Matoso e Jimmy Choo: UM CÃO CHAMADO JIMMY, da Editora Intrínseca

Rafael Matoso e Jimmy Choo: UM CÃO CHAMADO JIMMY, da Editora Intrínseca

Este texto, acima, é o de abertura, vamos dizer assim, de Um Cão Chamado Jimmy, livro de estreia do publicitário mineiro Rafael Matoso, 35. Durante 6 anos ele editou um blog, Marketing na Cozinha, e em companhia do chef Alex Atala é cofundador do Instituto ATÁ, que promove a cozinha, as especiarias brasileiras e o meio ambiente.

Um Cão Chamado Jimmy é uma obra tão simples quanto desconcertante. São 168 páginas preseirosas da exposição de una relação de amizade e amor entre um homem e seu melhor amigo, um cão chamado Jimmy Choo. Diferentemente de outros textos longos de livros marcantes da Intrínseca que tenho analisado ou comentado aqui, neste serei bem rápido, sucinto, preferindo, assim, que você mesmo tenha a mesma sensação de alegria e de impacto que tive ao folhear e ler esse livro notável em cerca de duas horas de puro encantamento.

Entre as dezenas de fotos e ilustrações, uma referência ao filme TUBARÃO (1975), de Steven Spielberg

Entre as dezenas de fotos e ilustrações, uma referência ao filme TUBARÃO (1975), de Steven Spielberg

À guisa de informação, Rafael seguiu um conselho do pai ao decidir adotar um cão: pegou o primeiro da ninhada que se dirigiu a ele. Segundo o pai, é o passo para a fidelidade à vida toda. A mulher dele, cujo nome não é citado, deu-lhe o nome (homenagem a uma grande grife de acessórios). E quando o casamento acabou, lhe disse apenas: “Leve o que quiser. O Jimmy fica”.

Cachorros escolhem os donos e, com o passar dos meses, ficou claro que o Jimmy tinha me escolhido. Às vezes fazíamos um teste: cada um ficava num canto do apartamento e o chamava pelo nome. Ele sempre vinha para mim”, destaca Rafael, em um dos poucos textos do livro, cujo grande sacada são as fotos, inventivas e irreverentes. No instagram, Jimmy conta com 350 mil seguidores, é notícias nas mídias internacionais e até obteve matéria de capa no conceituado The Times, de Londres. E sabem quem é um dos fãs de Jimmy? O ator Ashton Kutcher. Dificilmente você deixará de ser, também, um fã de Jimmy, após ler o livro do amigo dele, o Rafael.

UM CÃO CHAMADO JIMMY
BRASIL, 2015
Autor: Rafael Matoso
Editora Intrínseca
Páginas: 168
Preços:
Edição impressa – R$ 34,90
E-Book – R4 14,90

LIVROS INTRÍNSECOS – A TERRA Á CAMINHO DO CÁOS

Estou totalmente “amarrado” por um livro que recebi da assessoria de imprensa da Editora Intrínseca: A Sexta Extinção – uma História não Natural, da jornalista estadunidense Elizabeth Kolbert. A paixão pelo livro começou ao tê-lo nas mãos, depois em folheá-lo e finalmente a começar a lê-lo. A obra de Kolbert me bate como a oferta do conhecimento do que está se passando agora, neste momento, em nossa casa no espaço. Nós a estamos condenando-a um planeta morto

A rã-dourada-do-Panamá, Elizabeth Kolbert e o Arau Gigante: relato intrínseco do homem provocando a Sexta Grande Extinção

A rã-dourada-do-Panamá, Elizabeth Kolbert e o Arau Gigante: relato intrínseco do homem provocando a Sexta Grande Extinção

Já consumi pelo menos a metade das 335 páginas de A Sexta Extinção – uma História não Natural (The Sixth Extintcion – na Unnatural History, 2015). E decidi, movido pela paixão e da responsabilidade de ter um livro extraordinário e essencial em mãos, não esperar para devorá-lo inteiramente e assim recomendá-lo o mais urgente possível. E aqui vai a recomendação. É uma leitura obrigatória para a formulação de uma consciência global sobre os males que estamos praticando contra o nosso próprio mundo.

Obviamente, por não ter lido a obra de Kolbert integralmente, não farei uma análise crítica. Isto ficará para mais tarde, ao concluí-lo, neste mesmo texto. E antes de abordar o livro, tratarei da autora, após pesquisa na internet. Sim, reconheço que nunca tinha ouvido falar de Elizabeth Kolbert.

Jornalista (escreveu artigos ao longo de 15 anos para o jornal The New York Times, a partir de 1999 na revista New Yorker, além de outras publicações, como a National Geographic), professora (da Williams College), geóloga, paleontóloga e escritora de 6 livros. Ficou famoso com o segundo deles, Field Notes from a Catastroph (2006) e neste ano, por A Sexta Extinção, recebeu o seu oitavo e mais importante prêmio, o Pulitzer de Não Ficção.

O trabalho de Kolbert não tem por base a teoria, mas a pesquisa e a observação in loco. Ela visitou diversos locais, florestais e marítimas, em companhias de cientistas e pesquisadores os quais lhe repassaram os problemas das respectivas áreas. Das primeiras extinções por fenômenos naturais e espaciais e iniciando a sua narrativa através da rã-dourada-do-Panamá (um anfíbio cujo veneno é capaz de matar 110 pessoas e que está quase sumido de seu habitat), passando por ecossistemas ameaçados de devastação como os recifes de corais, a acidificação dos oceanos até o processo de aquecimento global que está derretendo as geleiras e modificando o clima, a descrição contida em A Sexta Extinção é simplesmente alarmante.

Dois processos em evolução na Terra: a desertificação e a acidificação dos mares: caminhos mpara a sexta extinção

Dois processos em evolução na Terra: a desertificação e a acidificação dos mares: caminhos mpara a sexta extinção Fotos: Nova Escola

Em sua obra, Kolbert expõe o desconhecimento do homem quanto ao planeta Terra e da ocorrência de extinções em massa em épocas diversas. Essa “ignorância” do homem só começou a se transformar em conhecimento ao fim da Idade Média, com os cientistas pioneiros, e a ganhar inclusão no pensamento da sociedade quando, em junho de 1980, o físico espanhol Luis Walter Ávila (1911-88) e seu filho, o geólogo Walter Alvarez, 75, afirmaram que há 65 milhões de anos um asteroide de 10 quilômetros de largura caiu na Terra e extinguiu os dinossauros e outras formas de vida. Inicialmente não aceita, a teoria ganhou reforço 10 anos depois quando a cratera de Chicxulub, com 160 km de diâmetro no golfo do México, na planície de Yucatan, foi anunciada como o local de impacto do asteroide.

Mas isso só aparece no terceiro dos 13 capítulos do livro. A autora inicia a sua exposição dos estágios de extinção da vida na Terra com a rã-dourada-do-Panamá,. De forma surpreendente, o livro vai revelar a você qual o motivo desse animal estar em extinção. Ao longo dos capítulos, nomes de cientistas que erraram e acertaram em suas pesquisas e teses se misturam a animais pré-históricos, anfíbios, animais pequeníssimos da terra e dos mares, mamíferos, etc.

O que encanta no trabalho de Kolbert é o seu embasamento, o conhecimento de causa transmitido para o livro sem chegar ao didatismo, mas numa linguagem despojada e altamente comunicativa, capaz de nos prender página a página.

Por favor, leiam este livro: A Sexta Extinção – uma História não Natural, de Elizabeth Kolbert. Um livro altamente intrínseco.

Confira a opinião de famosos que o recomendam:

Poderoso. Uma contribuição inestimável ao nosso conhecimento
Al Gore

Cientistas mostram que houve cinco grandes extinções ao longo da História da Terra (pense nos asteroides que dizimaram os dinossauros), e Elizabeth Kolbert revela, de maneira bastante convincente, que a atividade humana está levando o planeta para a sexta-feira
Bill Gates

Ficha Técnica

A SEXTA EXTINÇÃO – Uma História não Natural
The Sixth Extinction: an unannatural History,
EUA, 2014
Autora: Elizabeth Kolbert
Editora: Intrínseca
Tradução: Mauro Pinheiro
Páginas: 336
Preço Impresso: R$ 39,90
Preço E-book: R$ 24,90

LIVROS INTRÍNSECOS – NO CINEMA, OS AUTORES QUE CONCEDEM NOVOS CAMINHOS – II

Nesta segunda da matéria os livros lançados no Brasil pela Editora Intrínseca e que foram adaptados para o Cinema, os destaque são O Homem que Mudou o Jogo, de Michael Lewis, e Lugares Escuros, de Gyllian Flynn. Recordistas de vendas e ocupando posições expressivas nos Rankings literários, as adaptações tiveram destinos opostos nas telas. Confira, também, outras 3 adaptações de livros bem bem sucedidos

Brad Pitt em O HOMEM QUE MUDOU O JOGO (2011), de Derek Jones, adaptação do livro de Michael Lewis

Brad Pitt em O HOMEM QUE MUDOU O JOGO (2011), de Bennett Miller, adaptação do livro de Michael Lewis

O Homem que Mudou o Jogo chegou às livrarias norte-americanas, em 2004, e logo se tornou um grande sucesso. Não há nenhuma surpresa no fato, pois o baisebol é um dos esportes favoritos do país. A sua chegada no mercado editorial brasileiro, no início deste ano, pela Editora Intrínseca, foi alvissareira porque pode apresentar ao leitor a história, no Cinema, foi bastante modificada, não apenas em relação a personagens, mas a questões contidas no romance que tinha ficado soltas na adaptação, que por sua vez levou o livro a ser procurado nas livrarias. A surpresa, também, é o livro se tornou um sucesso, igualmente, no mercado internacional. O mesmo não se deu com Lugares Fechados, cuja atração de vendas se deu por conta da própria autora, Gillian Flynn – que ficou famosa por Garota Exemplar, adaptação passou nos cinemas de forma bem sucedida -, pois o filme, por sua  vez, teve passagem quase invisível e meteórica em algumas cidades do País.

Vamos conhecer as obras literárias?

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO, de Michael Lewis

Articulista do The New York Times e da revista Vanity Fair, ele é considerado um dos grandes jornalistas da imprensa dos EUA. Michael Moore Lewis, 55, filho de advogado e de ativista política, formado em História da Arte e em Economia, começou na imprensa como analista econômico e assumiu um lugar entre os mais importantes da jornalistas estadunidenses e logo alcançou o mesmo patamar como escritor. Suas obras são de um jornalista investigativo. Pesquisa os seus objetivos e extrai deles a realidade possível. São livros reveladores, como A Nova Novidade – uma História do Vale do Silício (The New Thing: a Silicion Valley, Companhia das Letras), sobre as empresas que são criadas para a Internet e jpgadas no mercado de ações.

Michael Lewis

Michael Lewis

O Homem que Mudou o Jogo muda também o lugar e o foco temático. A área, é a do esporte e tem base uma história real. Da forma como foi elaborado, é um livro emocionante e dele não é fácil se desgrudar. E essa história real Lewis trouxe à tona, pois se desenvolveu nos bastidores de um esporte, o beisebol. Esse livro é tão gigantesco, que deveria ser lido por presidentes, coordenadores e treinadores dos clubes ou times do futebol brasileiro para entenderem um pouco sobre gestão esportiva. Mas isso, obviamente, é exigir demais. Deveria ser lido, também, pelos treinadores das categorias de base – sejam de futebol, volei, basquete, futebol de salão…

No enredo, a história de um homem cuja trajetória se tornou brilhante. Seu nome: Billy Beane. Ele começou a carreira como jogador de baisebol e após se consagrar como uma grande promessa, surpreendeu a todos ao trocar os campos pelos bastidores do esporte. Como promessa, sentiu que nunca vingaria. E com a sua ideia visionária de um jogador inteligente que não colou nos campos, assumiu uma atividade administrativa, a de gerente de clube. No caso, o pequeno Oakland Athletics, um eterno fona do campeonato que, mesmo com um orçamento insignificante e jogadores amadores, chegou aàs finais do campeonato dos EUA.

O que ocorreu? O seu trabalho, meticulosamente  moldado no planejamento estratégico e na lei do menor custo e maior aproveitamento, logrou êxito. Ao apostar nas promessas e nos veteranos dados como incapazes e deixando de lado um modelo dominado pelos favorecimentos, vícios e desperdícios, o Oakland Athletics virou modelo de gestão. O resultado? Por favor, leia as críticas.

No futuro, quando narrarem as histórias de nossas épocas, nenhum documento será mais primordial do que os livros de Michael Lewis
The Guardian, Inglaterra

O que é capaz de transformar um assunto como as estatísticas do beisebol num thriller que nem mesmo quem não curte livros ou beisebol quereria parar de ler? Resposta: pesquisa bem elaborada, raciocínio fora do comum, um bom senso de humor e talento. Ou seja, Michael Lewis
Tom Wolfe, escritor

Um dos melhores livros sobre beisbol – e sobre negócios – já escrito. Merece um lugar no Hall da Fama
Revista Forbes, EUA

Melhor livro do ano, Moneyball já se insinua como a obra sobre esportes mais influente já escrita
Revista People, EUA

Leia crítica do livro, por Ubiratan Leal

Bem, agora, recomendamos que leia o livro.

166

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO
Moneyball: the art of winning na Unfar Game, 2004
Autor: Michael Lewis
Tradução: Denise Bottmann, com a consultoria técnica de Victor Luis Simões Camargo
Editora Intrínseca
Ano: 2015
Impresso: R$ 39,90
E-book: R$ 24,90

 

O FILME

Vale a pena, também informar sobre a adaptado para o cinema, feita em 2011, por Steven Zaillian e Aaron Sorkin, tendo a direção de Bennet Miller e Brad Pitt, Jonah Hill e Phillip Seymour Hoffman no elenco. Fez grande sucesso nas bilheterias dos EUA arrecadando US$ 75,6 milhões, e mais US$ 34,6 milhões no mercado internacional.

LUGARES ESCUROS, de Gillian Flynn

Charlize Theron em LUGARES ESCUROS (2014), de Derek Jones, baseado em livro de Gillian Flynn

Charlize Theron em LUGARES ESCUROS (2014), de Gilles-Paquet Brenner, baseado em livro de Gillian Flynn

Kansas, EUA. Em 2 de janeiro de 1985, a garotinha Libby Day, de 7 anos, viu a mãe e a as duas irmãs serem assassinadas e, para escapar, fugiu pela neve congelante, até ser encontrada. O triplo homicídio ganhou um título pela imprensa, O Sacrifício Satânico de Kinnakee, e seu irmão, Ben, de 15 anos, acusado por ela de ser sido o autor dos crimes, foi condenado a prisão perpétua.

26 anos se passam e Libby está sem estudos, amigos, dinheiro e perspectivas, até ser contatada por uma sinistra sociedade secreta chamada Kill Club, cujos misteriosos integrantes não acreditam ter sido Ben o autor da chacina e a pedem para investigar o que realmente aconteceu. Começa para Libby, um reencontro com o passado. Decadentes boates de strip-tease, cidades turísticas abandonadas, um culto de satanistas e mutiladores de animais e os lugares escuros de sua mente são revisitados inesperada e obrigatoriamente. Aos poucos, ela se dá conta de precisa mergulhar cada vez mais nesses lugares obscuros e de lá tirar realmente a verdade. Esta é uma síntese do enredo. Há mais, muito mais, por dentro dessa história.

Lugares Escuros é, cronologicamente, o segundo romance da carreira de escritora da jornalista Gillian Flynn, a autora de Garota Exemplar e deu-lhe fama como a autora das mulheres más. O também escritor Stephen King, que diz que os livros dela são repletos de personagens assustadoras, e a crítica literária Janet Maslin, do The New York Times, que destaca os romances dela como “povoados por personagens tão bem imaginados que é difícil se separar deles”, são conhecidos admiradores da autora. O que faz o diferencial para Gillian Flynn é que as personagens femininas nada têm de boazinhas ou cativantes. São más mesmo.

Estamos acostumados em pensar nas mulheres como naturalmente boas, como pessoas que só fazem o certo. Tento desmistificar essa visão um tanto simplista”, disse Flynn, em entrevista à revista Época. “Eu sempre me interessei pelo lado sombrio da natureza humana e no que leva as pessoas a fazerem coisas más. Normalmente os crimes têm motivos, até mesmo banais”. E conclui: “Atualmente há espaço para todos os tipos de mulheres, e não apenas para os modelos tradicionais”, define. “Os autores não precisam mais se preocupar em escrever um livro que o protagonista seja alguém amável. O importante é criar um personagem que seja interessante”.

A imprensa estadunidense gosta também dessa afirmação. Basta conferir o que dizem de Lugares Escuros.

 Ame ou odeie Libby Day, mas você não vai conseguir esquecê-la
The New York Times, EUA

Perturbador e original, Flynn criou uma protagonista mordaz, desagradável e sem amor-próprio, mas que vai fazer você torcer por ela
New York Magazine, EUA

Uma história de terror arrebatadora
Chicago Tribune, EUA

CRÍTICA

Leia a crítica de Lugares Escuros, por Bruno Capelas

LUGARES ESCUROS
Dark Places, 1971
Autora: Gillian Flynn
Tradução: Alexandre Martins
Editora Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 352
Impresso: R$ 39,90
E-book: R$ 24,90

O FILME

Dirigida pelo francês Gilles Paquet-Brenner, com Charlize Theron, Nicholas Hoult e Christina Hendricks, e lançada em junho passado, a versão cinematográfica , uma coprodução envolvendo o Reino Unido, França e EUA, foi recebido com reservas pela crítica entre o bom e o razoável, mas se constituiu em um tremendo fracasso de público. Nos EUA, sequer chegou a ser lançado nos cinemas, tendo sido lançado diretamente nos “streamings” da Internet. Já está disponível em DVD, no Brasil.

OUTRAS ADAPTAÇÕES

A HUMILHAÇÃO/O ÚLTIMO ATO, de Philip Roth

Al Pacino em O ÚLTIMO ATO (2014), de Barry Levinson, do livro de Philip Roth

Al Pacino em O ÚLTIMO ATO (2014), de Barry Levinson, do livro de Philip Roth

A HUMILHAÇÃO (The Humbling, 2009), de Philip Roth.Acompanha o drama de um ator veterano, Simon Axler, que de repente passa a vivenciar o maior temor da profissão: a perda da memória. Seus personagens marcantes que lhe deram aplausos e prêmios de interpretação, como Tio Vânia, Falstaff e Peter Gynt, não mais residem em sua cabeça. Sumiram. E com eles, também a mulher, o público, os amigos, o teatro.

Leia a crítica de Alvino Leite Neto

A HUMILHAÇÃO
The Humbling
EUA, 2009
Philip Roth
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Paulo Henrique Britto
Páginas: 104
Preço:

O homem perante e sua finitude é o tema desse livro notável, o qual obteve uma bela adaptação cinematográfica, no Brasil intitulada O Último Ato (EUA, 2014), com direção de Barry Levinson (de Rain Man e Assédio Sexual) e o grande Al Pacino vivendo Simon.

SAMBA, de Delphine Coulin

Omar Sy e Charlotte Gainsbourg em SAMBA (2015), de Olivier Nacache e Eriuc Toledano, do livro de Delphine Coulin

Omar Sy e Charlotte Gainsbourg em SAMBA (2015), de Olivier Nacache e Eriuc Toledano, do livro de Delphine Coulin

SAMBA (França, 2011), de Delphine Coulin. Neste tempo em que a Europa vive um dramátco processo de imigrantes em busca da vida, ler um livro como este serve para melhor entender os africanos (no caso do romance) empreendem essa árdua jornada. Samba Cissé, nascido no Mali, está há 10 anos na Franaça e agora quer se legalizar como cidadaão e ter um emprego decente. Prestes a ser deportado, recebe a ajuda de Alice, uma franbcesa que trtabalha numa ONG que ajuda a legalizar os imigrantes. Entre ambos, nasce algo diferente…

Leia a crítica de Marcella de Carvalho

SAMBA
FRANÇA, 2011
Delphine Coulin
Editora Paralela
Tradução: Júlia da Rosa Simões
Páginas: 230

 

Levado ao Cinema pela dupla de Intocáveis, Olivier Nachache e Eric Toledano, Samba se tornou um sucesso internacional. No Brasil, não alcançou a mesma repercussão e público de Intocáveis. Mas, isso em nada importa perante a qualidade da obra.

DÍVIDA DE HONRA, de Glendpn Swarthout

Hilary Swank em DÍVIDA DE HONRA (2014), de Tommy Lee Jones, do livro de Gledon Swarthout

Hilary Swank em DÍVIDA DE HONRA (2014), de Tommy Lee Jones, do livro de Gledon Swarthout

DÍVIDA DE HONRA (EUA, 1988), de Glenndon Swarthout. 1850. Nos confins de uma região praticamente isolada do Nebraska, uma mulher solteira que não consegue homem por ter a fama de durona e autoritária, aceita levar quatro mulheres dadas como loucas até uma cidade de Iowa, onde serão acolhidas em uma paróquiia. Só que esse é um trabalho que nenhum homem aceitou porque a jornada será árdua, atravessando um deserto com má fama, possivelmente enfrentando índios, mercadores, bandidos e até os maus humores da natureza, como tempestades de areia. Durante a jornada ela salva um homem da força, o velho pistoleiro George Biggs, em troca de que irá ajudá-la em sua missão. É com esse fora-da-lei que ela passa a conviver em um conflito moral e religioso e a mostrar porque os homens fogem dela.

 

DÍVIDA DE HONRA
Homesman
EUA, 1988
Gleon Swarthout
Editora Planeta
Ivan Hegen
Páginas: 320
Preço: R$ 39,90

O livro promove o resgate do papel da mulher na época da colonização do Oeste a como ela se manifesta na tual sociedade estadunidense. A adaptação cinematográfica levada a efeito pelo ator Tommy Lee Jones (de O Fugitivo), assim como o livro, é uma obra-prima, e tem na interpretação de Hilary Swank o seu grande trunfo.

Confira o trailer de DÍVIDA DE HONRA.