EM PASSAGEM – CARRIE FISHER (1956-2016)

A princesa Leia Organa ficará eterna no Cinema. Carrie Fisher, que a viveu na saga Guerra nas Estrelas, está em passagem, rumando para um outro universo. Ela faleceu nesta 3ª feira, após sofrer um derrame cerebral na última sexta-feira, 23, enquanto fazia um voo de Londres para Los Angeles. A Princesa tinha 60 anos

Carrie Fischer: a princesa Lea Organa da franquia Guerra nas Estrelas

Carrie Fisher: a Princesa Lea Organa da franquia Guerra nas Estrelas

É com grande pesar que Billie Lourd confirma que sua amada mãe, Carrie Fisher, faleceu às 8h55 desta manhã. Ela era amada pelo mundo e sua ausência será sentida profundamente. Nossa família agradece pelos pensamentos e orações”, foi o texto do comunicado à imprensa através de Simon Halls, o porta-voz da família.

Filha do cantor pop Eddie Fisher e da atriz Debbie Reynolds, Carrie Fisher nasceu em Beverly Hills, Califórnia, em 21 de outubro de 1956. Criança reservada, levada pela mãe, iniciou a carreira ainda criança em Shampoo (1975), de Hal Ashby, com Warren Beatty, Goldie Hawn e Julie Christie; e em seguida chegou ao estrelato logo no segundo filme, ao ser escolhida por George Lucas para viver a princesa Leia Organa na icônica série Guerra nas Estrelas, produzidas em 1977 (Star Wars), 1980, O Império Contra-Ataca, e 1983, O Retorno de Jedi, além de Star Wars – o Desertar da Força (2015), quando apareceu como uma líder da Resistência. A seu lado estavam Mark Hamill e Harrison Ford. Já tinha finalizado as sua participação no episódio 8, a ser lançado em 2017, e já estava escalada para a sequência, o episódio 9, a ser filmada em 2017.

Empunhando uma pistola, dirigindo nave espacial e esbanjando um estranho penteado, ela conquistou uma dimensão de idolatria internacional numa época em que as mulheres exigiam ser as donas de seus corpos. No entanto, não conseguiu conquistar uma carreira sólida em Hollywood, fazendo poucos filmes expressivos, mas se tornou uma escritora ácida e irônica para com a realidade da meca do cinema e seus personagens de várias matizes em busca de sucesso.

Entre os poucos trabalhos em produções de qualidade destacam-se Hannah e Suas Irmãs (1986), de Woody Allen, Harry e Sally: Feitos um Para o Outro (89), de Rob Reiner, Escritor Fantasma (2007), de Roman Polanski, e Mapa Para as Estrelas (2014), de David Cronenberg – e assim mesmo em papéis menores.

Um de seus livros, Postcards from the Edge, de 1987virou filme, Lembranças de Hollywood (1990), dirigido por Mike Nichols (1931-2014), com Meryl Streep, Shirley McLaine e Denis Quaid. Escreveu ainda textos para documentários e premiações da televisão, além de episódios para s série O Jovem Indiana Jones (1993).

Confira os principais livros escritos por Carrie Fisher, aqui.

Carrie Fisher brigou também contra a depressão, as drogas (e até que partilhou com Harrison Ford, disse recentemente) e o transtorno bipolar e fez um resumo de sua vida sob o fantasma da princesa Leia e as depreciações lhe imputadas em Memórias da Princesa: os Diários de Carrie Fisher (The Princess Diarist), lançado no início deste ano e com o qual fazia turnê de lançamento por vários países. Também vítima de comentários ridículos de humanos perfeitos e que nunca chegarão a idosos, os quais a consideram velha demais ao ser vista em O Despertar da Força, ela respondeu como sempre fez: altiva e repleta de ironias.

Veja Carrie Fisher no trailer original de Star Wars (1977).

 

DOMINGOS MONTAGNER: a tragédia da morte no auge

Na última quinta-feira, dia 15 de setembro, o ator Domingos Montagner morreu, aos 54 anos, vítima de afogamento no rio São Francisco, no município de Canindé de São Francisco, em Sergipe. De formação circense, o artista foi “revelado” tardiamente pela televisão, mas demarcou seu lugar na história do audiovisual brasileiro. Tragado pelas mesmas águas que lhe consagraram nacionalmente, ficará marcado pela tragédia, mas também pelo ator sensível e o ser humano doce que conquistou o coração de tantos brasileiros

Domingos Montagner (1962-1954). Foto: divulgação.

Domingos Montagner (1962-2016). Foto: divulgação.

O São Francisco é um dos poucos rios perenes a atravessar o Nordeste brasileiro. Mesmo no sertão semiárido, com grande índice de evaporação, suas águas resistem, levando vida para o sofrido interior nordestino. O velho Chico, Opará ou Pirapitinga traz, em seu curso, esperança ou, pelo menos, algum alento para as milhões de pessoas que povoam este rincão ao mesmo tempo mágico e trágico deste grande, contraditório, rico e triste país.

Assim, é estranho que esta autêntica “dádiva” da natureza tenha sido o cenário de uma tragédia absolutamente estúpida, que pôs fim a uma carreira em ascensão. Na última quinta-feira, dia 15 de setembro, o ator Domingos Montagner, 54 anos, foi levado pelas mesmas águas que lhe consagraram nacionalmente.

“Revelado” tardiamente na televisão em 2011, aos 49 anos, quando ganhou papel de destaque numa telenovela exibida pela Rede Globo, Domingos não tinha começado ontem. Com formação circense, o ator fundou, juntamente com Fernando Sampaio, a companhia teatral e circense La Mínima, em 1997. A dupla, que levou alegria para ruas, praças, escolas e outros espaços públicos, foi contemplada, em 2008, com o Prêmio Shell de São Paulo, na categoria Melhor Ator, pela montagem Palhaços Mudos, algo inédito na história do prêmio.

Espécie de galã maduro – um artigo cada dia mais escasso numa televisão brasileira obcecada por juventude, Montagner colhia os frutos de uma vida inteira dedicada à arte. Estava no auge. Protagonista de Velho Chico, bem-sucedido folhetim global dirigido por Luiz Fernando Carvalho, tinha muitos convites a sua espera. Seu tipo ao mesmo tempo suave e rude lhe emprestava grande versatilidade, explorada em papeis que iam de um cangaceiro a um líder sertanejo. Sua carreira no cinema, também breve e tardia, começou em 2012, numa participação no filme Dois Filhos de Francisco (BRA, 2012).

É difícil especular até onde iria a trajetória de um ator “coroa” no meio audiovisual brasileiro, mas certamente os próximos anos seriam de muita visibilidade para o homem de aparência simples, alto e de pele curtida, pai de família sem escândalos ou fatos extraordinários para rechear revistas de fofoca. Na verdade, a televisão e o cinema eram apenas extensões da vida artística “pé no chão” de um homem habituado à picadeiros, praças públicas e até escolas municipais. E talvez seja essa simplicidade que tenham levado o Brasil a se identificar com este artista e a lamentar profundamente o seu desaparecimento precoce.

Mortes em gravações não são novidade na história da televisão e do cinema. Na própria Velho Chico, o ator Umberto Magnani, que encarnava o padre Romão, faleceu, em abril deste ano, vítima de um AVC. Neste caso, porém, falamos de um senhor de 75 anos, cuja carreira era estável, mas sem maiores possibilidades – pelo menos na televisão. Melancólico é que a morte sobrevenha no auge, quando há muito reconhecimento, mas ainda mais promessas e expectativas.

Reza a sabedoria popular que a morte quer apenas uma desculpa para levar um dos seus eleitos do dia. Inadvertidamente, Domingos Montagner e a atriz Camila Pitanga foram mergulhar num perigoso trecho do São Francisco, no município de Canindé de São Francisco, Sergipe, após uma das últimas gravações da telenovela que recuperou a audiência decrescente do horário nobre da televisão brasileira. Teria o ator mergulhado para a eternidade, seduzido pelas águas que lhe deram o coração do Brasil? Claro, isto é apenas uma elucubração. Na verdade, é muito triste que Domingos tenha morrido dessa forma, e tão jovem. A morte jamais será perdoada.

DE PASSAGEM – MICHAEL CIMINO, AOS 77

Michael Cimino, o cineasta que teve uma das carreiras mais meteóricas de Hollywood, indo do céu ao inferno em apenas 2 anos, faleceu neste sábado, anunciou Theirry Fremaux, diretor do Festival de Cinema de Cannes, via twitter. Talentoso e crítico, ficou marcado por 2 filmes: O Franco Atirador, uma obra-prima, e O Portal do Paraíso, um dos mais injustiçados da História do Cinema

Michael Cimino: sai da cena da vida o cineasta talentoso e de crítica visão da sociedade humana

Michael Cimino: sai da cena da vida o cineasta talentoso e de crítica visão da história do homem

Michael Cimino era visto como talentoso e esbanjador de orçamentos. Sua carreira começou com roteiros consistes e inteligentes como Corrida Silenciosa (1972), brilhante e antecipatória ficção-científica de Douglas Trumbull, e o polêmico Magnum 44 (1973), de Ted Post, com Clint Eastwood. Estreou na direção com O Último Golpe (1974), também com Eastwood, e se tornou um fenômeno com O Franco-Atirador (1978), impactante e devastadora exposição das consequências humanas da Guerra do Vietnã.

A obra, consagradora também para Robert De Niro, Christopher Walken, Meryl Streep e John Cazale (que faleceria naquele ano), custou US$ 19 milhões, faturou US$ 49 milhões e recebeu 17 prêmios, entre eles 7 Oscar e 3 Globo de Ouro, além da consagração pela crítica, a qual o elegeu como um dos mais inovadores da Nova Geração, ou Nova Hollywood, já que desde a década anterior uma leva de novos realizadores renovava a linguagem cinematográfica – Stanley Kubrick, Robert Altman, Francis Ford Coppola, Roman Polanski, Woody Allen, Steven Spielberg, Martin Ritt e Martin Scorsese, entre outros.

O FRANCO ATIRADOR (1975): exposição dilacerante da Guerra do Vietnã e consagração de Michael Cimino

O FRANCO ATIRADOR (1978): exposição dilacerante da Guerra do Vietnã e consagração de Michael Cimino

Mas, em 1980, ao gastar US$ 40 milhões (hoje equivalente a US$ 200 milhões) na produção do western épico O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate) e nas bilheterias arrecadar somente US$ 3,5 milhões, levou a United Artists (que tinha lhe dado carta-branca), estúdio criado em 5 de fevereiro de 1919 por Charles Chaplin, Mary Pickford, Douglas Fairbanks e David Ward Griffith, à falência. Comprado pela Metro Goldwyn Mayer, nunca se reergueria – e a própria MGM também faliu e ressuscitou, mas sem a grandeza de outrora.

Cimino, que se mostrou obsessivo e agressivo nos sets, recusou a dar aceso aos produtores à sala de montagem e os levou ao desespero ao entregar-lhes uma versão com 5 horas de duração. A muito custo, a reduziu para 3h40 – uma metragem terrível para os exibidores, gerando outro conflito.

O fracasso de O Portal do Paraíso teve consequências: visto como um exemplo dos excessos dessa New Hollywood e da excessiva liberdade dada aos diretores, os estúdios estabeleceram regras mais rígidas e fiscalização constante sobre os orçamentos. De lambuja, o faroeste passou a ser contabilizado como um gênero sem atrativos e a sua produção praticamente sumiu a partir da segunda metade da década.

O PORTAL DO PARAÍSO (1980): corajosa expressão do massacre de imigrantes nos EUA de 1980 e declínio de Cimino

O PORTAL DO PARAÍSO (1980): corajosa expressão do massacre de imigrantes nos EUA de 1980 e declínio de Cimino

O cineasta não levou em conta que o tema abordado era um dos mais inconvenientes para a sociedade estadunidense – a Guerra do Condado Johnson, em 1890, no estado de Wyoming, entre os barões do gado e os imigrantes – os quais foram massacrados. É um dos acontecimentos mais cruéis da história do País, cujos cidadãos preferem deixa-lo no esquecimento.

Eleito o pior diretor do ano, deram-lhe um troféu Framboesa de Ouro, e, defenestrado de Hollywood, foi trabalhar na Europa sob a guarda do produtor italiano Dino de Laurentiis (1919-2010), para quem dirigiu O Ano do Dragão (1985, filmado na Tailândia) e Horas de Desespero (1990). Entre estes, fez outra produção independente, O Siciliano (1987), e, em 1996, o último longa, Na Trilha do Sol, com Woody Harrelson, Jon Seda e Anne Bancroft, lançado aqui no Brasil diretamente no mercado de vídeo, 3 anos depois.

Michael Cimino deixa o legado de um cineasta talentoso e preocupado com a exposição da sociedade humana e os fatos de sua história. Neste momento, para realmente termos uma posição de sua importância, torna-se obrigatória a revisão de seus apenas 8 filmes. Seriam 9. Segundo noticiou o The New York Times, ele trabalhava na filmagem do livro A Condição Humana, de André Malraux (1901-76), já em processo de pré-produção, e o elenco contava com Daniel Day-Lewis, Johnny Depp, Alain Delon e John Malkovich.

Confira o trailer de O Portal do Paraíso.

EM TRANSITO – JOSÉ CARLOS AVELLAR

A imprensa brasileira, com especialidade a crítica de cinema, está de luto. Faleceu, na manhã desta sexta-feira, 18, o crítico de cinema carioca José Carlos Avellar. Ele foi um dos meus professores em 1971, época em que estudei Cinema na Cinemateca do MAM, do Rio, onde era, também vice diretor. O Instituto Moreira Salles, onde ele trabalha na curadoria de Mostras, Festivais e na seleção de filmes para lançamentos em DVD, divulga nota lamentando o seu falecimento

O crítica José Carlos Avellar e sua obra maior na literatura:

O crítica José Carlos Avellar e sua obra maior na literatura:

“O IMS lamenta informar o falecimento de José Carlos Avellar, figura de extrema importância no cinema nacional. Nascido em 1936 no Rio de Janeiro, Avellar construiu uma carreira de crítico reconhecida internacionalmente, pontuada pelos vários livros que escreveu e organizou, por uma quantidade imensa de artigos (muitos deles publicados no Blog do IMS), e por uma atuação marcante como gestor público. Até a data de sua morte, Avellar desempenhou o cargo de Coordenador de Cinema do IMS.

Formado como jornalista, Avellar consolidou sua trajetória de crítico cinematográfico no Jornal do Brasil, onde atuou por vinte anos. Seus textos foram publicados em diversos veículos no exterior, incluindo catálogos de festivais importantes, como o de Locarno. Sua relevância para a crítica internacional também pode ser percebida na sua participação em júris oficiais e de crítica de festivais de grande porte como o de Veneza e Cannes, além de ter sido, por muitos anos, o representante brasileiro do prestigioso Festival de Berlim, decidindo que obras do cinema nacional serão exportadas para o Berlinale. Em dezembro de 2006, foi condecorado pelo governo francês com a láurea de Chevalier des Arts et Lettres. Uma parte considerável de seus escritos está reunida no site pessoal Escrever Cinema.

Seu trabalho crítico pode ser visto de forma mais concentrada nos seis livros que publicou, dos quais se destaca O Chão da Palavra: cinema e literatura no Brasil (2007), no qual analisa clássicos como Vidas Secas, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Memórias do Cárcere, entre outros. Apesar da idade avançada, Avellar nunca deixou de acompanhar de perto os lançamentos cinematográficos, frequentando anualmente o Festival de Cannes.

Como gestor público, trabalhou em cargos importantes, como vice-diretor e diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e como vice-presidente da Associação Internacional dos Críticos de Cinema (Fripesci), além de curador do Festival de Gramado (de 2006 a 2011). É necessário destacar, ainda, seu papel de diretor, de 1995 a 2000, da Riofilme, lendária distribuidora que teve um papel fulcral na chamada “retomada” do cinema nacional, lançando 94 longas entre os anos de 1992 e 2000, como Amarelo Manga e Lavoura Arcaica, e produzindo obras de sucesso comercial e crítico como Central do Brasil. O filme recebeu o prêmio máximo no Berlinale, o Urso de Ouro, além do Urso de Prata pela atuação de Fernanda Montenegro. Na época, Avellar comentou à Folha de S. Paulo: “É a primeira vez em Berlim que um filme ganha dois prêmios do júri oficial. É duplamente significativo“.

Desde 2008, Avellar é responsável pela programação dos cinemas do Instituto Moreira Salles. No Instituto, criou a coleção de DVDs, na qual se lançou pela primeira vez no mercado brasileiro obras indispensáveis do cinema internacional e nacional, como Shoah, o extenso documentário de Claude Lanzmann sobre o holocausto, e Cabra Marcada Para Morrer, obra-prima de Eduardo Coutinho. Pela sua curadoria na área de cinema do IMS, Avellar recebeu o prêmio Faz Diferença do jornal O Globo em 2014.

Uma faceta pouco lembrada de Avellar foi a sua incursão como cineasta nos anos 1960 e 1970: dirigiu um curta-metragem, Treiler, e codirigiu outros dois. Além disso, trabalhou em outras áreas mais específicas, tendo exercido o papel de diretor de fotografia, produtor e editor em outras obras. Deste modo, pôde conhecer o outro lado da mesa, saindo do papel oficial de crítico e explorando em primeira mão o fazer cinematográfico.

Seus amigos e admiradores ressaltam uma característica fundamental do crítico: sua memória. Avellar era capaz de rememorar cenas específicas, descrevendo em detalhes um singelo plano, de um filme assistido décadas atrás. Seus artigos e ensaios exibiam um vasto conhecimento da produção mundial e da história do cinema, e articulavam a difícil relação entre a sétima arte e outros campos de conhecimento, como a psicanálise”.

 

EM TRANSITO – WES CRAVEN, 1939-2015

Um cineasta quase lendário. Assim era Wes Craven, um dos mais criativos do cinema independentes dos EUA e criador de, Freddy Kuerger, o personagem mais emblemático do gênero, representante da violência que cotidianamente ameaça todos os seres vivos do planeta. Craven perdeu a luta que mantinha, há alguns anos, contra um tumor no cérebro

Wes Craven - 1939-2015

Wes Craven – 1939-2015

Não estranhe, mas esse homem que ficou famoso ao criar mundos e ambientes de pânico, personagens de pesadelos e renovar o gênero terror ao colocar a violência como um mal da sociedade moderna era um amante da natureza, membros de entidades de proteção do meio-ambiente e dos animais, além de comprometido conservacionista de pássaros. Sua terra natal, Cleveland, Ohio. E foi para esse ambiente bucólico e fascinante da natureza que ele retornou há aos 3 anos, com o intuito de trabalhar menos e cuidar da saúde.

Ao lado de George Romero, Tobe Hooper, John Carpenter e Sam Raimi, Wes Craven integrou a galeria dos grandes diretores que renovaram o gênero terror a partir dos anos 70. Craven, com Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972), sua obra de estreia, a qual dirigiu, produziu e editou, e Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes, 77), tirou o gênero da mesmice e trouxe os adolescentes para dentro de histórias inovadoras. Tobe Hooper apareceria com O Massacre da Serra Elétrica (The Texas CHainshaw Massacre, 74); e John Carpenter com Halloween: Noite de Terror (1978), com o seu serial killer Michael Myers. A influência dessa trinca apareceria em George A. Romero com os 77 episódios da antológica série de TV Tales from the Darkside (1984-88), e mais tarde, em Sam Raimi, com Uma Noite Alucinante: a Morte do Demônio (Evil Dead, 1981). Ao longo das décadas seguintes, eles deram as cartas do gênero tratando do homem no horror da civilização.

Ghostface e Freddy Krueger: filhos de Wes Craven

Ghostface e Freddy Krueger: filhos de Wes Craven

Um criador por excelência. Desde o seu primeiro filme, o já citado Aniversário Macabro,  procurou diversificar os temas dentro do gênero. Em 1984 lançou A Hora do Pesadelo (Nightmare on Elm Street), que se transformaria em uma série assustadora e que deu fama a Robert Englund na pele de Freddy Kruger, e nos anos 90 fez uma nova chacoalhada do gênero com a série Pânico (1996/97/2000 e 2011). Além de ter sido, também, um raro descobridor, concedendo as primeiras oportunidades para Johnny Dee, Sharon Stone e outros que se perderam ou desistiram da profissão de ator ao longo do caminho. Os mais recentes são Emma Roberts e Hayden Pennetierre.

Em 2005, no documentário Por Dentro da Garganta Profunda (Inside Deep Throat, 2005), de Fenton Bailey e Randy Barbatto, revelou ter participado de roteiros de filmes pornográficos, entre eles o célebre Garganta Profunda (Deep Throut, 1974). E, em 1999, fez uma obra especial, A Música do Coração (The Music of the Heart), que deu uma indicação ao Oscasr a Meryl Streep.

O cineasta sai de cena aos 74 anos deixando 23 longas inéditos, Home, de Dennis Iliadis, sobre um rapaz que herda uma casa assombrada; e The Girl in the Photographs, de Nick Simon, ambos em pós-produção, e a série de TV Pânico (Scream), cujo episódio piloto foi assistido por apenas 1.026.000 telespectadores – prenúncio de fracasso – e está disponibilizado no youtube pela MTV, a sua produtora.

Confira o piloto da série, sem legendas.

EM TRÂNSITO – Joseph Sargent, 1925-2014

Não era apenas um artesão, mas um realizador competente, capaz de dar credibilidade a enredos toscos, habilidoso condutor de histórias nos mais variados gêneros. Joseph Sargent, o notável humanista, realizou criações importantes como Colossos 1980 (1980), a primeira versão de O Sequestro do Metrô (1974), McArthur, o General Rebelde (1977), entre produções feitas diretamente para a televisão e o Cinema, se despediu nesta segunda-feira, 21

Joseph Sargent -  1925-2014

Joseph Sargent – 1925-2014

Hollywood enfrenta 4 significativas perdas de profissionais amados e estimados. No dia 11, o jornalista Dominic Di-Natale, aos 43 anos, que na área jornalísticas da Fox Television fez contundentes reportagens políticas, arqueológicas e sociais no Oriente Médio, rejeitou a própria vida; no dia 14, Phil Stern, 95, renomado fotógrafo das celebridades de Hollywood, que clicou Marilyn Monroe, Marlon Brando, Sophia Loren, Audrey Hepburn, Orson Welles, James Dean, Spencer Tracy, Humphrey Bogart, Sammy Davis Jr., entre muitos; ontem, 21, Brandon Stoddart, 77, perdeu a luta que travava contra um câncer. Ex-presidente da ABC Entertainment, ele levou a cabo séries como Raízes (1977), The Winds of War (1983) e Twin Peaks (1992), entre outras, daí ser considerado “o pai das minisséries”. Mas, ele se notabilizou, também, por filmes feitos para a TV, como O Dia Seguinte (1983), de Nicholas Meyer, que de tão bom foi parar nos cinemas.

Joseph Sargent, um dos cineastas considerados “menores” em Hollywood, sempre me chamou a atenção para os seus trabalhos, desde a época em que dirigia episódios de seriados como Lassie (1963), Gunsmoke (1965), O Fugitivo (1965-66), O Agente da UNCLE (1964-66), Os Invasores (1967) e Space (1985), passando por longas como O Soldado que Declarou a Paz (1970), Um Dia de Sol e Os Assassinatos de Marcus Nelson (1973), O Sequestro do Metrô (1974), Os Senhores do Holocausto (1985), Amarga Sinfonia de Auschwitz (1980, não creditado), A Justiça Fala Mais Alto (1990), Mandela e DeKlerk (1997), No Corredor da Morte (1999), Quase Deuses (2004) e Warm Springs (2005).

Diretor prolífico, chegava a fazer de 3 a 4 filmes em um ano e em 1973 fez nada menos de 5 (1 episódio de TV, 1 para o cinema e 3 para a televisão). É o ganhador recordista do Emmy por trabalhos de direção na televisão – 4 prêmios em 9 indicações, feito repetido com a premiação do Directors Guild of America-DGA – 4  em 9 indicações. Foi a própria DGA que lembrou a importância de Sargent.

“Quando se trata de dirigir filmes para a televisão, o domínio artesanal de Joe era lendária – nos últimos 50 anos”, disse o presidente do DGA, Paris Barclay, à imprensa. “Joe encarna a excelência como diretor na telinha. Ele não tinha medo de correr riscos, acreditar em seu coração que as audiências de televisão exigiam histórias da mais alta qualidade – seja narrando acontecimentos históricos desconfortáveis, como o infame estudo da sífilis em Tuskegee em Miss Evers’ Boys, ou histórias pessoais convincentes sobre os pesquisadores pioneiros, como Alfred Blalock e Vivien Thomas, da cirurgia cardíaca, em Quase Deuses, as  suas biografias tiveram uma exatidão do  período histórico, infundindo simultaneamente figuras históricas com espírito e paixão na realidade da vida. Joe disse uma vez que ele foi atirado a projetos que possuem uma ‘borda’ – material do qual se pode retirar contribuições para a condição do homem –, e é esta borda o seu duradouro legado como diretor”.

Os filmes referidos por Barclay são baseados em fatos reais, sendo Miss Evers’ Boys (1997), o mais chocante na história de todos. Em 1932, o governo norte-mericano escolheu a pequena cidade de maioria negra Tunkegee, no Alabama, para efetuar pesquisas para a cura da sífilis. Em 1972, denúncia fizeram o Senado efetuar uma investigação, descobrindo que 399 africanos com a doença tinham sido estudados ao lado de 201 indivíduos saudáveis, os quais foram contaminados para estabelecer se os negros reagiam diferentemente aos brancos. O caso virou um escândalo nacional e foi a partir dele que foram criadas várias instituições para vigiar o exercício da medicina, as suas  pesquisas e a exigência de um Código de Ética.

Sargent faleceu aos 89 anos devido a problemas pulmonares crônicos. Era casado há 44 anos com Carolyn Nelson, e deixa duas filhas, Lia Sargent e Athena Sargent Sergneri, ambas de seu casamento anterior com com a atriz Mary Carver.

Veja o trailer de Colossus 1980, ficção científica sobre um supercomputador que domina a humanidade (disponível nas locadoras).

Imagem de Amostra do You Tube

 

O Imortal Bolaños

Aos 85 anos e com graves problemas de saúde, Roberto Gomez Bolanõs faleceu na última sexta-feira, deixando um legado que já o imortalizou em vida. O gênio mexicano foi o responsável por programas e personagens famosos ao redor do mundo e que traziam a marca de um tipo de humor ingênuo, o qual cativou e continua cativando gerações de fãs. Um dos raros artistas a aliar talento artístico e comercial, Bolaños entra na galeria de personalidades indeléveis da história da cultura de massas em todos os tempos. E não poderia ser diferente

Um gênio vestindo a persona de outro gênio: Bolaños como Chaplin

Um gênio vestindo a persona de outro gênio: Bolaños como Carlitos, o personagem que imortalizou Charles Chaplin, a maior influência do ídolo mexicano. Foto: reprodução

Saber do desaparecimento físico de Roberto Gómez Bolaños provoca inevitavelmente tristeza em milhões de pessoas ao redor do mundo. Gerações se dobraram (e ainda dobram) de rir com a galeria de personagens nascidos do gênio mexicano que nos deixou na última sexta. Considerando a idade avançada e os sucessivos problemas de saúde, a sua morte não chega a surpreender, ponderação que não diminui a perda. Porém, recordando as inúmeras vezes em que Chaves ou Chapolin – só para citar suas criações mais famosas – nos fizeram rir, dá para ficar exatamente triste?

Bolaños foi o raro tipo de artista que soube aliar o talento à verve comercial. Embora não fosse unanimidade entre a crítica especializada (há quem torça o nariz para tudo!), o filho de uma secretária e de um artista visual, que conheceu o sucesso de público já na casa dos 40 – mas que gozaria do mesmo pelo resto da vida -,  demonstrou desde cedo talento para as letras. Isso fica muito evidente quando analisamos os principais elementos que concorreram para o estouro de um seriado como Chaves. Não obstante a precariedade dos recursos, o que chama mesmo a atenção para esse autêntico fenômeno da cultura de massas é o excelente roteiro, além, claro, do elenco matador.

Isso nos leva a dimensionar a genialidade de Roberto: ele não só escrevia muito bem, como ainda tinha grande sensibilidade para identificar o talento alheio. Só um artista e profissional tarimbado como ele poderia ter convencido a então petulante e jovem atriz dramática Maria Antonieta de las Nieves a encarar o papel de filha de um trambiqueiro num seriado televisivo de humor. Só ele poderia ter imortalizado Ramón Valdez, ator que tinha dezenas de filmes nas costas, mas quase todos com participações irrelevantes. Isso só para ficar nos campos do roteiro e da direção. É preciso dizer que o mestre mexicano era um homem de múltiplos talentos: compunha, atuava e administrava sua obra, tudo com inegável brilho. Como resistir ao olhar de fome ou medo do chavinho quando o quarentão Roberto lhe dava aquela expressão tão característica das crianças?

Reunido com o elenco de Chaves, sua criação mais popular: fenômeno cultural

Reunido com o elenco de Chaves, sua criação mais popular: fenômeno cultural. Foto: reprodução

Roberto é tributário de mestres do humor simples e ingênuo visto em Chaves. Sem dúvida, Charles Chaplin foi uma das suas mais fortes influências. Há muito Chaplin nas gags do seriado mexicano, nos temas universais e na promoção de valores humanitários. Embora fosse marcadamente conservador – fez duras críticas à esquerda mexicana e tinha ligações com a igreja católica -, Bolaños sempre se mostrou preocupado com as chagas sociais que estigmatizavam o seu país, tão longe de Deus, mas tão próximo dos Estados Unidos. Chaves é um retrato sociológico de uma América Latina marcada pelas contradições sociais e pelos seus efeitos em nível micro: a promiscuidade entre a classe média e a pobreza (ambas dividindo o mesmo espaço), a vida de improviso de quem não se adequa ao sistema (leia-se seu Madruga e seus trambiques), a arrogância daqueles que detêm o saber, enfim: taxar a série de alienada é tão leviano quanto entender a politização da arte como panfletarismo barato. Mas ainda há quem persista no equívoco de levar tudo a sério demais.

Roberto Gómez Bolaños foi um dos raros artistas a ser imortalizado ainda em vida. Sabia que era amado, sobretudo nos lugares onde sua obra foi mais consagrada, como no Brasil. Sua última mensagem no Twitter foi dedicada ao país onde Chaves aportou em 1984, para nunca mais deixar de ser exibido, chegando a ameaçar a liderança de standards da TV brasileira, como o Jornal Nacional, em determinados períodos. Nesse aspecto, ele deve ter ido em paz. E merecidamente.

A verdadeira idolatria em torno de Chaves gerou homenagens como o trailer de um falso filme de ação envolvendo os personagens do seriado mexicano. E é com esse material que encerramos nossa homenagem:

Imagem de Amostra do You Tube

PAUL WALKER – UM ANO…

Escolho muito bem as pessoas as quais devo admirar. Admiro especialmente as pessoas que se despojam da arrogância e do poder financeiro que possuem e investem nos trabalhos de caridade, ajudando a pessoas que igualmente não conhecem e possivelmente, nunca conhecerão. Paul Walker foi uma dessas pessoas. Mesmo sem nunca tê-lo conhecido pessoalmente, reconheço o seu grande trabalho em vida. Por isso, vai aqui a minha homenagem no dia em que se completa um ano de sua partida – e isso não quer dizer que seja para sempre, pois espíritos são imortais

Neste domingo, milhares de fãs colocam flores no local do acidente fatal de Paul Walker

Neste domingo, milhares de fãs colocam flores no local do acidente fatal de Paul Walker

O site E! postou no sábado, 29 de novembro, uma entrevista das repórteres Corinne Hellier e Claudia Rosembaum, gravada às vésperas do feriado de Ação de Graças, com Paul Walker III, o pai do ator. Logo no primeiro parágrafo, as jornalistas descrevem que ele ainda sente a presença do filho e recordam o dia da tragédia: A estrela de Velozes e Furiosos, que tinha os olhos azuis de seu pai, morreu aos 40 anos em acidente de carro perto de Los Angeles, em 30 de novembro de 2013, deixando uma filha adolescente, Meadow, 15.

Inconformado até hoje, Paul revela ter ido diversas vezes ao local do acidente para tentar entender como se deu a morte do filho, e ficar ali, meditando, pensando. Eu só olhava para a estrada larga, e ainda penso: como isso aconteceu?

Paul Walker III Foto: E!online

Paul Walker III Foto: E!online

Eu sinto a presença dele todos os dias. Eu sinto muito a falta de conversar com ele, que tinha um coração imenso, afirma Walker III. Havia sempre um monte de pessoas nesta casa. E um monte de piadas. E lembra-se de como ele se sentava na varanda para conversar com os vizinhos entre os intervalos em que estava com os irmãos em jogos de disparo de arco e flecha. Em uma pausa, acrescentou: Mas raramente discutia a sua própria carreira ou os filmes. Ele não gostava da ribalta. E, uma vez, me revelou: eu realmente não gosto desse negócio, mas eu posso fazer muita coisa boa com o dinheiro que eu ganho, acrescentou.

O dinheiro ganho por Paul Walker foi investido em uma ONG, a Reach Out Worldwide, sem fins lucrativos e que se tornou reconhecida mundialmente ao prestar trabalho humanitário em países e cidades afetados por desastres naturais. A entidade tem, entre seus integrantes, profissionais de várias áreas, desde engenheiros, bombeiros, médicos, entre outros.

Paul irradiava amor e você não pode esquecer isso, disse o pai. Paul tinha um coração muito bom. Eu pensei: ‘Como é que eu mereço um filho tão maravilhoso?. E lembra que a ação, aventura, os carros e o oceano eram o seu reino mágico.

As jornalistas descrevem que Paul, o pai, pretendia, neste domingo, passar o dia sozinho porque não queria estar perto de pessoas tristes. Mas, desde ontem os telefones não param de tocar. Isso foi o que me ajudou a mudar de ideia, a ação dos amigos, mas o choque ainda é muito grande. A esta hora, Paul e a família devem estar ao lado da sepultura do filho. Um alento para segurá-lo até janeiro, quando vai se tornar bisavô.

Os irmãos de Paul Walker filmaram, a pedido da Universal, algumas tomadas para as várias cenas incompletas em que Brian O’Connor, o personagem de Walker, aparece em Velozes e Furiosos 7. Foi uma coisa difícil de fazer, mas foi intervir em favor de seu irmão, disse ele.

E Cody Walker, 26, o filho mais novo, que tinha em Paul o segundo pai, em janeiro passado, postou uma foto dele com os demais irmãos no Instagram e, como homenagem a Paul, assumiu a função de CEO na Reach Out Worldwide.

Cody se juntou Reach Out Worldwide e, em janeiro passado, postou no Instagram a foto ao lado dos irmãos Paul e Caleb Walker

Cody (ao centro) se juntou Reach Out Worldwide e postou no Instagram a foto ao lado dos irmãos Paul e Caleb

No domingo, 30, a estrada que leva a cidadezinha de Santa Clarita, na Califórnia, esteve apinhada de gente, pois, revelou Walker pai, os fãs continuam a deixar flores e poesias no local do acidente.

Eles escrevem coisas agradáveis sobre o meu filho, finalizou.

Sim senhor Paul Walker III, seu filho ainda é amado. Vai daqui, também, a minha homenagem a ele.

DATA DE ESTREIA

BRASIL – 26 de março > lançamento mundial
EUA e demais países > 3 de abril

Veja o trailer de Velozes & Furiosos 7.

Imagem de Amostra do You Tube

 

EM TRANSLAÇÃO – Mike Nichols, aos 83 anos

Dois dos mais importantes sites de cinema dos EUA, o Hollywood Reporter e o Indiewire, acabam de noticiar o falecimento do cineasta, produtor e diretor de teatro e televisão Mike Nichols, uma das mais ilustres personalidades de Hollywood, tendo conquistado ao longo de 48 anos de carreira, prêmios como o Oscar, o Tony, o Emmy e o Grammy. Ele fez, entre outros filmes memoráveis, A Primeira Noite de um Homem e Ânsia de Amar

Mike Nichols (1931-2014)

Mike Nichols (1931-2014)

A morte de Mike Nichols, de parada cardíaca, foi anunciada por James Goldston, presidente da ABC News, uma das principais redes dos EUA. “Ele era um verdadeiro visionário, vencedor das mais altas honras nas artes por seu trabalho como diretor, escritor, produtor e comediante, e foi um dos poucos a ganhar menção no EGOT – a seleta lista (Barbra Streisand, Rita Moreno, Liza Minelli, John Gielgud, Audrey Hepburn, Whoopi Goldberg e Mel Brooks, entre outos) dos que ganharam um Emmy, um Grammy, um Oscar e um Tony”, disse Goldston. “Mike tinha uma inteligência e uma mente brilhantes. Amado por muitos no cinema, televisão e Broadway, não havia maior alegria em sua vida do que a família, e, claro, a nossa própria Diane Sawyer Diane, com quem teve uma verdadeira e bela história de amor – Mike e Diane foram casados ao longo de 26 anos. Ele deixa três filhos – Daisy, Max e Jenny – e quatro netos maravilhosos”, concluiu.

Michael Igor Peschkowsky ganhou o nome de Mike Nicols ao chegar aos 7 anos aos EUA com os pais fugitivos da Alemanha nazista. Estudou em Nova York e se formou na Universidade de Chicago, como médico, mas acabou mudando de rumo ao integrar-se ao  grupo Comprass Players, que incluía Elaine May, Paul Sills, Byrne Piven, Joyce Hiller Piven e Edward Asner. Eles alavancaram a sua carreira para Hollywood.

Nichols estreou no Cinema em 1966 dirigindo a adaptação da peça Quem Tem Medo de Virginia Wolf? (Who’s Afraid of Virginia thWoolf?), de Edward Albee, com Richard Burton e Elizabeth Taylor , tendo feito em seguida o icônico A Primeira Noite de um Homem (The Graduete, 1967), com Dustin Hoffman e Anne Bancroft, Ardil 22 (Catch 22, 1970), com Alan Arkin e Richard Benjamin, e Ânsia de Amar (Carnal Knowledge, 1971), com Jack Nicholson, Candice Bergen e Ann-Margrett, obra que descortinaria a sexualidade da nova década.

Diane Sawyer e Mike Nichols em foto de 2012 Foto Dave Allocca/Starpix

Diane Sawyer e Mike Nichols em foto de 2012 Foto Dave Allocca/Starpix

Nichols manteria a sua notoriedade em filmes como O Dia do Golfinho (The Day of the Dolphin, 1973), Silkwood – Retrato de uma Coragem (Silkwood, 1983), Uma Secretária de Futuro (Working Girl, 1988), até iniciar uma fase de decadência de filmes apenas medianos como Lembranças de Hollywood (Postcards fromm the Edge, 1990), Uma Segunda Chance (Regarding Henry, 1991), Lobo (Wolf, 1994), A Gaiola das Loucas (The Birdcage, 1996), Segredos do Poder (Primary Collors, 1998) e De que Planeta Você Veio? (What Planeta are you From?, 2000, um fracasso que ficou inédito no Brasil). Em 2001, fez um comovente drama para a TV, Uma Lição de Vida (Wit), com Emma Thompson e Christopher Lloyd, e, em seguida, dirigiu os 2 primeiros episódios da série Angels in America (2003), tendo retornado ao cinema com Closer – Perto Demais (Closer, 2004) e encerrado a carreira com Jogos de Poder (Charlie Wilson’s War, 2008), com Tom Hanks, Julia Roberts e Phillip Seymour Hoffman.

Nada menos de 17 atores, sob a sua direção, foram indicados ao Oscar: Elizabeth Taylor, Richard Burton, Sandy Dennis, George Segal, Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katharine Ross, Ann-Margret, Meryl Streep, Cher, Melanie Griffith, Sigourney Weaver, Joan Cusack, Kathy Bates, Natalie Portman, Clive Owen e Philip Seymour Hoffman. Taylor e Dennis ganharam Oscars por suas performances em Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

Casado desde abril de 1988 com a apresentadora de jornalísticos da ABC News, Diane Sawyer, deixa 3 filhos (todos de seus 3 casamentos anteriores) e quatro netos.