FESTIVAL DE HAVANA-2016 – BRASILEIROS EM COMPETIÇÃO

Começa no próximo dia 8 e se estende até 18 de dezembro o 38º Festival de Cinema de Cuba. O Brasil tem representantes nas duas competições de longas e também entre os curtas. Os já aqui lançados Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e Mãe só há Uma, de Ana Muylaert, e o inédito A Cidade do Futuro, de Marilia Hughes e Cláudio Marques, estão entre competidores de vários países sul-americanos ao Prêmio Coral de longa-metragem

REDEMOINHO e A CIDADE DO FUTURO

REDEMOINHO, de José Luís Villamarin; e A CIDADE DO FUTURO, de Marília Hughes e Cláudio Marques

 

O Brasil tem ainda mais 2 representantes na mostra competitiva intitulada Óperas Primas, Redemoinho (2016), de José Luiz Villamarim; e A Cidade Onde Envelheço, coprodução com Portugal, dirigida por Marília Rocha. Neruda, do chileno Pablo Larrain, em exibição no Brasil, compete na mostra principal.

Confira os filmes em competição ao Prêmio Coral da Longa-Metragem e também da Mostra Óperas Primas.

PRÊMIO CORAL DE LONGAS-METRAGENS
Argentina
La helada negra, de Maximiliano Schonfeld

Argentina/Espanha
El ciudadano ilustre, de Gastón Duprat e Mariano Cohn

Argentina/EUA
Hermia & Helena, de Matías Piñeiro

Brasil
A cidade do futuro, de Marília Hughes e Cláudio Marques
Mãe só há uma, de Anna Muylaert

Brasil/Françaa
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

Chile/Argentina/França/Espanha
Neruda, de Pablo Larraín

Veja o trailer de Neruda.

Chile/França
El Cristo ciego, de Christopher Murray

Chile/França/Alemania/Grécia/Colombia
Jesús, de Fernando Guzzoni

Chile/França/EUA
Aquí no ha pasado nada, de Alejandro Fernández Almendras

Colombia
La mujer del animal, de Víctor Gaviria

Colombia/Canadá
Mañana a esta hora, de Lina Rodríguez

Cuba
Últimos días en La Habana, de Fernando Pérez Valdés

Cuba/Canadá
Ya no es antes, de Lester Hamlet

Cuba/Colombia
Sharing Stella, de Enrique Álvarez Martínez

México/Dinamarca/Françaa/Alemanha/Noruega/Suiça
La región salvaje, de Amat Escalante

México/França
Desierto, de Jonás Cuarón

Trinidad e Tobago/Bahamas/EUA
Play the Devil, de Maria Govan

Conheça o trailer de Redemoinho.

COMPETIÇÃO – PRÊMIO ÓPERAS PRIMAS
Argentina
Fin de semana, de Moroco Colman
La larga noche de Francisco Sanctis, de Francisco Márquez e Andrea Testa

Argentina/França
El invierno, de Emiliano Torres

Bolivia/Catar
Viejo calavera, de Kiro Russo

Brasil
Redemoinho, de José Luiz Villamarim

Brasil/Portugal
A cidade onde envelheço, de Marília Rocha

Veja o trailer de A Cidade Onde Envelheço.

Imagem de Amostra do You Tube

Chile
Las plantas, de Roberto Doveris
Nunca vas a estar solo, de Alex Anwandter

Chile/Argentina
Rara, de Pepa San Martín

Colombia
Los nadie, de Juan Sebastián Mesa
Pariente, de Iván D. Gaona

Colombia/Argentina/Holanda/Alemanha/Grecia
Oscuro animal, de Felipe Guerrero

Cuba/Espanha
Esteban, de Jonal Cosculluela Sánchez

Cuba/Nicaragua
El techo, de Patricia Ramos Hernández

Equador/México/Grécia
Alba, de Ana Cristina Barragán

México
Lupe bajo el sol, de Rodrigo Reyes

Paraguai/Holanda/Chile/Catar
La última tierra, de Pablo Lamar

Venezuela/Colombia
El Amparo, de Rober Calzadilla

DATAS DE ESTREIA

Redemoinho – 29 de dezembro
A Cidade do Futuro – em 2017, sem data
A Cidade onde Envelheço – em 2017, sem data

Confira o trailer de A Cidade do Futuro, de Marília Hughes e Cláudio Marques

BRASIL NO OSCAR-2017 – PEQUENO SEGREDO E AQUARIUS, HISTÓRIA DE PERDEDORES

O Pequeno Segredo, de David Schurmann, é o representante brasileiro na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood, em fevereiro do próximo ano.  Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, perdeu a disputa interna, mas pode ganhar um lugar na competição por fora.  Para isso, basta ser indicado pela própria Academia em outras categorias, como já aconteceu com Central do Brasil e Cidade de Deus. Mas, na disputa interna, ambos fracassaram perante o interesse do público. Fica o registro histórico de uma disputa sem vencedor

Julia Lemmertz e Mariana Goulart em PEQUENO SEGREDO (2016), de David Schurmann: representante do Brasil no Oscar-2017

Julia Lemmertz e Mariana Goulart em PEQUENO SEGREDO (2016), de David Schurmann: representante do Brasil no Oscar-2017

Acabou a polemica sobre Aquarius representar o Brasil no Oscar? Sim e não. Sim, porque o representante oficial do cinema brasileiro é O Pequeno Segredo, de David Schurmann. Não, porque nas áreas de comentários da imprensa e nas redes sociais os militantes e admiradores do filme de Kleber Mendonça Filho tratam a decisão como “um novo golpe”. Na verdade, houve uma disputa inócua entre dois perdedores porque nenhum deles vai ganhar prêmio nenhum.

Mesmo com toda a polêmica polêmica, Aquarius, que já saiu de cartaz, foi visto por merrecos 451 mil e 489 espectadores. Quem apostava em mais de 500 mil vai ficar devendo à banca. Boicotado pela crítica de esquerda e com um tema que trata de tristeza e morte, apesar da beleza plástica e da sensibilidade com a Schurmann conduziu a sua obra, só interessou a apenas 36 mil pessoas. Já está se esmiliquindo do circuito exibidor. Byby queridos.

Mas, os acontecimentos envolvendo os 2 filmes viraram história. E ela está aqui, disponível para pesquisa. Bruno Barreto, presidente da Comissão de eleição, anunciou que a escolha se deu por “um filme que dialogasse mais com os critérios da Academia”. Pode ter sido.

Obrigado a todos os que acreditam nesse filme”, agradeceu David Schurmann, via facebook. “Meu profundo respeito a todos os maravilhosos filmes inscritos. Tenham certeza que faremos de tudo e não economizaremos energias para representar nosso país na premiação do Oscar 2017. Obrigado, Obrigado, obrigado!“. Schurmann é formado em Cinema, mas não no Brasil, e sim, na Nova Zelândia, onde dirigiu diversos programas de televisão.

Para registro da história ou pesquisa por parte de quem precisar, eis os acontecimentos que enolveram os 2 perdedores.

Para saber mais sobre David Schurmann, acesse aqui.

A COMISSÃO

• Adriana Scorzelli Rattes, ex-secretária de estado de cultura do Rio de Janeiro;

• Luiz Alberto Rodrigues, sócio-diretor da Panda Filmes;

• George Torquato Firmeza, Diretor do Departamento Cultural do Itamaraty;

• Marcos Petrucelli, paulista e comentarista de cinema da rádio CBN;

• Paulo de Tarso Basto Menelau, da Moviemax Rosa e Silva e Cine Royal, salas exibidoras de filmes de arte em Recife;

• Silvia Maria Sachs Rabello, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Infra-Estrutura de Indústria Cinematográfica e Audiovisual-ABEICA;

• Sylvia Regina Bahiense Naves, assessora técnica em Acessibilidade do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura;

• Carla Camurati, diretora de Carlota Joaquina, Princesa do Brasil;

• Bruno Barreto, diretor de O que É Isso, Companheiro?, representante brasileiro ao Oscar em 1997.

O anuncio da indicação de Pequeno Segredo partiu de Luiz Alberto Rodrigues. “A gente considerou essa hipótese: que filme teria maior potencial para seduzir o júri da Academia a escolher como concorrente a filme de língua estrangeira?“. Por sua vez, questionada porque a Comissão não selecionou o filme de Kleber Mendonça, Silvia Maria Sachs Rabello revelou não ter sido uma decisão unânime: “Não foi uma decisão fácil. Não foi uma decisão unânime. Foi uma decisão pelo consenso“.

Vencedor da refrega com Kleber, o crítico Marcos Petrucelli disse que “Aquarius ganha essa repercussão nos Estados Unidos porque já foi visto, passou no festival de Cannes”. E, expondo o outro lado, complementou afirmando que, “coincidentemente o nosso filme que foi escolhido não foi visto ainda. Mas isso não significa nada (para a Academia). Tem filme que ganhou Oscar e não ganhou Cannes – e vice-versa“. E desviando-se do centro das atenções por sua posição anti-Kleber, definiu que Pequeno Segredo foi escolhido por conta do “perfil” do júri que seleciona os filmes para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro: “são pessoas geralmente mais velhas, então um pouquinho mais conservadoras. A gente tentou encontrar um filme que tem essas características do cinema ‘da cartilha”.

PEQUENO SEGREDO

Adaptação do livro do livro Pequeno Segredo, escrito por Heloise Schurmann, editado pela Harper Collins em 2012, desenvolve uma história que passa por 3 famílias e, interligadas, conta como a família, durante uma de suas viagens, adotou uma criança neozelandesa de 3 anos, Katherine, que, diagnosticada com Aids, teria apenas poucos meses de vida, viveu mais dez anos, tendo falecido em 2006, mas que durante esse tempo modificou por completo a vida de todos.

As filmagens, que duraram 8 semanas, ocorreram em Santa Catarina, Belém e Nova Zelândia. O elenco é composto por Julia Lemmertz, Marcelo Anthony, Maria Flor, a estreante Mariana Goulart (que vive Kat) e o ator neozelandês Errol Shand. A direção é de David Schurmann, que se formou em Cinema na Nova Zelândia, onde trabalhou na direção de programas de televisão e estreou no longa com o documentário O Mundo em Duas Voltas (2006), que conta as aventuras da família pelos mares, e realizou Desaparecidos (2011), obra menor que passou quase despercebida.

Quando essa história aconteceu, já imaginava algo incrível”, disse David em uma entrevista. “Um neozelandês é enviado para a Amazônia para prospectar gás numa vilazinha, e em um mês se apaixona por uma cabocla. Leva-a para conhecer o mundo, vão até a Nova Zelândia. Nossa família chega nessa comunidade da Nova Zelândia, o primeiro veleiro brasileiro a chegar lá. Forma-se uma amizade, um elo tão forte, que, três anos depois, ele pede para que meus pais adotassem sua filha. Foi uma história tão forte quando aconteceu e meus pais decidiram adotar a Kat; era tão incrível que parecia coisa de filme. Na época, comentei com meus pais que queria fazer um filme a respeito. Só que tinha uma questão – e por isso o título do filme –, a Kat, pequena, tinha HIV e nós não queríamos que as pessoas soubessem para que não houvesse preconceito contra ela. Naquela época, começo dos anos 1990, ainda havia bastante preconceito. Respeitei esse segredo da família, tanto que, em O Mundo em Duas Voltas tem toda a história da Kat, mas não tem o HIV”, finaliza.

AQUARIUS: OSCAR E POSSIBILIDADES

O fato de não ser o representante brasileiro ao Oscar não tira as possibilidades de Aquarius concorrer à estatueta da Academia de Hollywood. Elogiado em Cannes, com presença confirmada em vários festivais ainda neste ano, será lançado nos EUA no próximo dia 9 de outubro, o que o habilita a receber indicações pela Academia de Hollywood, que exige, para essa honraria, que estreie comercialmente até 31 de dezembro do ano corrente em Los Angeles e permaneça em cartaz, com o mínimo de 3 sessões diárias, pelo mínimo de uma semana. Agora, para ser indicado, terá de ser trabalhado pela distribuidora estadunidense junto à Academia. Será que o filme tem cacife para isso? Será que interessará à Academia indicar uma película cujos realizadores e integrantes se insurgem contra uma decisão política de um País democrático acompanhada pelo seu Supremo Tribal Federal? Lembrando que o vice presidente dos EUA, Joe Biden, já declarou que considera o processo de afastamento da senhora Dilma Roussef e seu partido político do poder perfeitamente dentro das leis e do sistema legal. O tempo dirá.

Mas, caso isso ocorra, ou seja, o filme ganhe indicações, não será a primeira produção brasileira a recebê-las. Em 2003, Cidade de Deus, de Fernando Meireles representante oficial do País e eliminado antes da festa, no ano seguinte obteve indicações em categorias de primeira linha, como Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem. Aquele foi o ano de Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis. O mesmo aconteceu com Central do Brasil, de Walter Salles.

Anote: em 24 de janeiro a Academia anuncia todos os filmes em competição nas 24 categorias. O Oscar será entregue em 26 de fevereiro de 2017, no Dolby Teather, em Los Angeles.

HISTÓRIA: O BRASIL NO OSCAR

O Brasil ainda não conquistou nenhum Oscar. Não oficialmente. Em 1960, a França indicou e Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, uma coprodução com o Brasil e a Itália, e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi para a França. As 4 indicações ao Oscar da categoria ocorreram como O Pagador de Promessas (960), de Anselmo Duarte ganhador da Palma de Ouro em Cannes (perdeu para Sempre aos Domingos, de Serge Bouguignon); O Quatrilho (1996), de Fábio Barreto (perdeu para o holandês A Excêntrica Família de Antônia, de Marleen Gorris); O Que é Isso, Companheiro? (1998), de Bruno Barreto (perdeu Caráter, de Mike Van Diem, coprodução Bélgica-Holanda), e Central do Brasil (1999), de Walter Salles, perdeu para o horroroso A Vida é Bela, do italiano Roberto Benigni, e Fernanda Montenegro, indicada pela Academia, perdeu para Gwyneth Paltrow.

A História guarda outros registros: em 1945, a canção Rio de Janeiro, de Ary Barroso, concorreu ao Oscar pelo filme Brazil, de Joseph Santley (perdeu para Swinging on a Star, de James Van Heusen e Johnny Burke, do filme O Bom Pastor); Em 1986, por O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, coprodução Brasil-EUA,  concorrendo por indicação da Academia à Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Ator, William Hurt ganhou o Oscar de Melhor Ator; em 2001, o curta Histórias de Futebol, de Paulo Machline, indicado à categoria em live action, perdeu para Quiero ser, de Florian Gallenberg, coprodução de México e Alemanha; em 2004, duas surpresas: Cidade de Deus, desconhecido como representante brasileiro no ano anterior, recebeu 4 indicações da Academia: Melhor Diretor, Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Fotografia (César Charlone) e Montagem/Edição (Daniel Rezende); e A Aventura Perdida de Scrat, de Carlos Saldanha, concorreu a categoria curta, mas apenas como produção estadunidense; em 2011, o documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelo brasileiro João Jardim e a inglesa Lucy Walker, foi registrado pela Academia como produção inglesa; em 2012, a canção Real in Rio, de Sérgio Mendes e Carlos Brown, ganhou indicação pela animação Rio, de Carlos Saldanha, mas perdeu para Man or Muppet, tema de Os Muppets; ano passado, O Sal da Terra (2015), de Wim Wenders e Juliano Salgado, concorreu ao Oscar de Melhor Documentário de longa-metragem; e neste ano, O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, à de Melhor Animação na mesma categoria.

ÚLTIMOS REPRESENTANTES

Os mais recentes eleitos para representar o Brasil no Oscar estão abaixo. Entre eles está o constrangedor e oportunista Lula, Filho do Brasil, de Fábio Barreto.

Cinema, Aspirinas e Urubus (2007), de Marcelo Gomes (2007);
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2008), de Cao Hamburger, que chegou a pré-final;
Última Parada 174 (2008), de Bruno Barreto;
Salve Geral (2010), de Sérgio Rezende;
Lula, o Filho do Brasil (2011), de Fábio Barreto;
Tropa de Elite 2 (2012), de José Padilha;
O Palhaço (2013), de Selton Mello;
O Som ao Redor (2014), de Kléber Mendonça Filho;
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2015), de Daniel Ribeiro;
Que Horas Ela Volta (2016), de Anna Muylaert.

MAIS RECENTES GANHADORES

Confira os mais recentes ganhadores estrangeiros do Oscar da categoria.

A GRANDE BELEZA (Itália, 2014), de Paolo Sorrentino;
IDA (Polônia, 2015), de Pawel Pawlikowski;
O FILHO DE SAUL (Hungria, 2016), de Laszló Nemes.

Posters de 4 filmes estrangeioros que irao competir com PEQUENO SEGREDO

Posters de 4 filmes estrangeioros que irao competir com PEQUENO SEGREDO

CONCORRENTES-2017 JÁ DEFINIDOS

Até o dia 3 de outubro a Academia de Hollywood estará recebendo inscrições de filmes estrangeiros à categoria do Oscar. Cerca de 30 países já indicaram os seus representantes. Conheça alguns.

Alemanha – TONI ERDMANN, de Maren Ade (aplausos em Cannes);
Austrália – TANNA, de (Ganhador do Prêmio do Público em Veneza);
Bélgica – LES ARDENNES, de Robin Pront;
Bósnia Herzegovina – DEATH IN SARAJEVO, de Danis Tanovic (Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Berlim);
Coreia do Sul – THE AGE OF SHADOWS, de Kin Jee Won;
Egito – CLASH, de Mohamad Diab;
Espanha – JULIETA, de Pedro Almodóvar;
Finlândia – THE HAPPIEST DAY IN LIFE OF OLLI MÄKI, de Juho Kuosmanen (ganhador da Mostra Um Certo Olhar, Cannes);
Holanda – TONIO, de Paula Van Dr Oest
Hungria – KILLS ON WHEELS, de
Líbano – VERY BIG SHOT, de
Luxemburgo – VOICES FROM CHERNOBYL, de Pol Cruchten;
Nepal – KALO POTHI, de Bahadur Bham;
República Dominicana – FLOR DE AZUCAR, de Fernando Baez;
Romênia – SIERANEVADA, de Christi Pulu (muito elogiado em Cannes);
Sérvia – TRAIN DRIVER’S DAY, de Milos Radovic;
Venezuela – DE LONGE TE OBSERVO (Desde Alla), de Lorenzo Vigas Castes;

Veja o trailer de Clash, do egípcio Mohamad Diab.

Imagem de Amostra do You Tube

 

FESTIVAL DE VENEZA-2016 – OS VENCEDORES

Concluído no sábado, 10 de setembro, o 73º Festival Internacional de Cinema de Veneza entregou o seu prêmio máximo,  o Leão de Ouro, à produção filipina Ang Babaeng Humayo (The Woman Who Left, título internacional), de Lav Diaz, baseado em conto de Liev Tolstói. Em preto e branco e com quase 4 horas de duração, já está confirmado que será uma das atrações da Mostra Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, de 6 a 16 do outubro

Lav Diaz e o Leão de Outo por THE WOMAN WHO LEFT, com Charro Santos

Lav Diaz e o Leão de Outo por THE WOMAN WHO LEFT, com Charro Santos

O Júri presidido pelo cineasta inglês Sam Mendes, 51, premiou ainda o estadunidense Nocturnal Animals, de Tom Ford; o espanhol Amat Escalante e o russo Andrei Konchalovsky dividiram o Leão de Prata por La Region Salvage e Ray (Paradise, título internacional), respectivamente. Outra produção estadunidense, The Bad Batch, de Ana Lily Amirpour, um “terror romântico” ficou com o Prêmio Especial do Júri; e Jackie, do chileno Pablo Larrain, ficou com o troféu de Melhor Roteiro.

Os prêmios de interpretação ficaram com Emma Stone, Melhor Atriz, por La La Land – Cantando Estações, de Damian Chazelle, e o argentino Oscar Martinez, Melhor Ator, por El Cuidadano Ilustre, de Mariano Cohn e Gastón Duprat.

Nem acredito que ganhei esse prêmio”, afirmou Diaz ao receber o Leão de Ouro no Palácio dos Festivais. “É muito bonito. Eu o dedico ao povo filipino, à nossa luta, à luta da humanidade“, concluiu. O enredo acompanha a vingança de uma professora que é condenada a 30 anos de prisão por um crime que não cometeu. O cineasta já tinha sido premiado no Festival de Berlim deste ano por outro filme, Hele Sa Hiwagang Hapis,que ficou com o Prêmio Alfred Bauer.

Veneza, neste ano, foi uma festa da diversidade. Pela primeira vez, 2 filmes de ficção-científica estavam em competição, A Chegada (Arrival), de Dennis Villeneuve, e Viagem do Tempo, de Terence Malick, além de ter dado espaço para obras comerciais, como Até o Último Homem (The Hacksaw Ridge), de Mel Gibson, e Sete Homens e um Destino, de Antoine Fucqua.

OS VENCEDORES

Leão de Ouro de melhor filme
ANG BABAENG HUMAYO (Filipinas), do filipino Lav Diaz

Leão de Prata Grande Prêmio do Júri
NOCTURNAL ANIMALS (EUA), de Tom Ford

Leão de Prata para melhor direção
Amat Escalante, por LA REGION SALVAGE (México)
Andrei Konchalovski, por RAY (PARADISE)

Prêmio de melhor roteiro
Noah Oppenheim, por JACKIE (Chile), de chileno Pablo Larraín

Prêmio especial do júri
THE BAD BATCH (EUA), de Ana Lily Amirpour

Copa Volpi para melhor atriz
Emma Stone, em LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (EUA), de Damien Chazelle

Copa Volpi para melhor ator
Óscar Martínez, em EL CUIDADANO ILUSTRE (Argentina), de Mariano Cohn e Gastón Duprat

Prêmio Marcello Mastroianni de melhor revelação
Paula Beer, por FRANTZ (França), de François Ozon

Prêmio de melhor filme da seção “Orizzonti”
LIBERAMI (Itália), de Federica De Giacomo

Confira o trailer de La La Land – Cantando Estações.

Imagem de Amostra do You Tube

CONFIRMADOS NO FESTIVAL DO RIO -2016

Além do drama filipino, outros quatro premiados em Veneza estarão no Festival do Rio 2016: La Region Salvaje, do mexicano Amat Escalante, e Ray (Paradise), do russo Andreï Kontchalovski, vencedores do prêmio de direção; e El Ciudadano Ilustre, dos argentinos Gastón Duprat e Mariano Cohn, que deu premiação para Oscar Martínez.

Confira o trailer de The Woman Who Left.

Imagem de Amostra do You Tube

BRASIL NO OSCAR-2017 – DECISÃO SAI NA SEGUNDA-FEIRA

Neste ano, uma questão política estrou no cinema nacional e promove uma guerra inesperada pela indicação do filme que vai representar o País na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na Academia de Hollywood. Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, é o olho do furacão de uma disputa cinematográfica que se transformou em questão política

Sonia Braga em AQUARIUS (2016), de Kleber Mendonça Filho: sem garantia de representar o Brasil no Oscar-2017

Sonia Braga em AQUARIUS (2016), de Kleber Mendonça Filho: sem garantia de representar o Brasil no Oscar-2017

Ao subir ao palco do Festival de Cannes na Riviera Francesa, em maio passado, Kleber, a atriz Sônia Braga, e outros membros da equipe de Aquarius, levaram cartazes intitulando de “golpe” o impeachment da então presidenta afastada Dilma Roussef. O efeito foi imediato: o filme ganhou a adesão dos militantes e partidários do petismo, que querem vê-lo como representante do cinema brasileiro na Academia. Afinal, se Kleber se manifestou politicamente em Cannes, por que não o fará novamente nos EUA em transmissão para quase duas centenas de países e territórios?

O problema é que, por ter competido a Palma de Ouro no Festival, Aquarius foi colocado como o natural representante brasileiro na festa da Academia. Mas, cerca de 20 outros filmes eram tidos como disputantes à indicação. E de repente, quando a Secretaria do Audiovisual anunciou os integrantes da Comissão Especial de Seleção do Ministério da Cultura/MINC e entre eles fazia constar o crítico paulista Marcus Petrucelli, que criticara duramente a atitude da equipe de Aquárius, em Cannes, taxando-a de “vergonha”, se iniciou uma polêmica para a indicação de Aquárius e a retirada de Petrucelli da Comissão. O ministro da Cultura, Marcelo Callero, que também criticara o ato político em Cannes, não se vergou à pressão e manteve o crítico.

O nome de Petrucelli passou a rejeição pela esquerda do País, pois o crítico mantém uma antiga desavença com o cineasta por questões políticas. Alfredo Bertini, secretário do Audiovisual e que tambem pernambucano como Kleber, também não acatou as pressões. O crítico, por sua vez, defendeu-se em artigo publicado pelo jornal Folha de São Paulo.

Para saber mais sobre a posição de Marcus Petrucelli, acesse aqui

O cineasta Kleber Mendonça Filho postou uma carta no facebook de Aquárius, acusando o crítico de ter um “comportamento constrangedor”, o que gerou outras reações de Petrucelli e dois outros fatos que atingiram em cheio a Comissão de Seleção.

Para saber mais sobre a carta de Kleber Mendonça Filho, acesse aqui

Os dois outros fatos que colocaram mais lenha na figueira tiveram a participação de cineastas cujos filmes iriam ser inscritos para a competição e a saída dois integrantes da Comissão. Primeiro, Ana Muylaert , Gabriel Mascaro e Aly Muritiba, não inscreveram na Comissão, respectivamente, os seus filmes, Mãe Só Há Uma, Boi Neon e Para a Minha Amada Morta, em protesto contra a manutenção de Petrucelli.

Em segundo, a atriz gaúcha Ingra Liberato e o cineasta Guilherme Fiúza Azenha saíram da Comissão, tendo sido imediatamente substituídos pelos cineastas Carla Camurati e Bruno Barreto. Os demais integrantes são Adriana Scorzelli Rattes; Luiz Alberto Rodrigues; George Torquato Firmeza; Paulo de Tarso Basto Menelau; Silvia Maria Sachs Rabello e Sylvia Regina Bahiense Naves.

Quanto aos filmes em disputa pela indicação não há favoritos para a escolha, mas há sinais de que Pequeno Segredo, de David Schurmann, e Mais Forte que o Mundo – a História de José Aldo, de Afonso Poyart, são seríssimos candidatos à vaga. A novidade é que o filme sobre a família Schurman, que tem um trailer belíssimo e um elenco de primeira grandeza, essa sendo tratado pela produtora e distribuidora Diamond Filmes como o representante do Brasil no Oscar. Os integrantes da Comissão já o assistiram e é o único nacional inédito nos cinemas – a estreia está programada para 10 de novembro. Jose Aldo surpreende pela ótima envergadura técnica e dramática e teve excelente aceitação pela crítica.

Sinceramente, não aposto em Aquarius como o escolhido pela Comissão.  Minha dica: Pequeno Segredo.

16 LONGAS EM DISPUTA

Além de Aquarius, que está em exibição em 93 salas e obteve na primeira semana um público superior a 55 mil pagantes, outros 15 longas-metragens disputam a vaga para representar o Brasil na maior festa do Cinema.

Confira a lista dos inscritos:

A Bruta Flor do Querer, de Andradina Azevedo e Dida Andrade
A Despedida, de Marcelo Galvão
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
Até que a Casa Caia, de Mauro Giuntini
Campo Grande, de Sandra Kogut
Chatô – o Rei do Brasil, de Guilherme Fontes
Mais Forte que o Mundo – a História de José Aldo, de Afonso Poyart
Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil, de José Belisario Cabo
Nise – o Coração da Loucura, de Roberto Berliner
O Começo da Vida, de Estela Renner
O Outro Lado do Paraíso, de André Ristum
O Roubo da Taça, de Caito Ortiz
Pequeno Segredo, de David Schurmann
Uma Loucura de Mulher, de Marcus Ligocki Júnior
Tudo que Aprendemos Juntos, de Sérgio Machado
Vidas Partidas, de Marcos Schetchman

Há ainda o caso de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra, recusado por ter estreado nos cinemas brasileiros em 24 de setembro de 2015, fora do período estabelecido pela Academia de Hollywood, que é de 1° de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016.

A decisão nesta segunda-feira. E você? Qual é a sua aposta? Aquarius será o representante brasileiro no Oscar-2017?

Confira o trailer de O Pequeno Segredo.

Imagem de Amostra do You Tube

 

VIII Mostra Outros Cinemas – Conheça os curtas-metragens selecionados

A VIII Mostra Outros Cinemas, realizada pela Sereia Filmes, divulgou a lista dos 22 curtas-metragens selecionados para a edição que acontece de 4 a 8 de maio, na CAIXA Cultural Fortaleza. Em menos de um mês de inscrições, o evento recebeu cerca de 300 filmes. Foram selecionadas produções de 13 estados brasileiros, sendo cinco do Ceará

Banner Divulgação da VIII Mostra Outros Cinemas

Banner Divulgação da VIII Mostra Outros Cinemas

De acordo com Bárbara Cariry, curadora e produtora da Mostra Outros Cinemas, esse ano o público pode esperar uma programação diversificada. Os filmes selecionados representam um recorte interessante da atual produção nacional. São diferentes abordagens e linguagens dos realizadores, mostrando o talento dos cineastas brasileiros, afirma.

Cena de Homens com Cheiro de Flor (CE), de Joe Pimentel

Cena de HOMENS COM CHEIRO DE FLOR (CE), de Joe Pimentel

Além dos curtas, dois longas-metragens também integram a programação não competitiva. O documentário Mais do que Eu Possa me Reconhecer (RJ), de Allan Ribeiro, será o filme de abertura, enquanto o longa cearense Homens com Cheiro de Flor, de Joe Pimentel, será exibido na Sessão Especial para alunos de escolas públicas. Toda a programação é gratuita.

Cena de Eu Queria Ser Arrebatada, Amordaçada e, nas minhas Costas, Tatuada (RJ), de Andy Malafaia

Cena de EU QUERIA SER ARREBATADA, AMORDAÇADA E, NAS MINHAS COSTAS, TATUADA (RJ), de Andy Malafaia

SELEÇÃO DE CURTAS – VIII MOSTRA OUTROS CINEMAS

A Casa sem Separação (PR, 2015, 26’, Ficção, Livre), de Nathália Tereza

À Parte do Inferno (SP, 2015, 23’, Ficção, 14 anos), de Raul Arthuso

A Vez de Matar, a Vez de Morrer (MS, 2016, 25’, Ficção, 16 anos), de Giovani Barros

Antes da Encanteria (CE, 2016, 21’, Documentário, 14 anos), de Elena Meirelles, Gabriela Pessoa, Jorge Polo, Lívia de Paiva e Paulo Victor Soares

Cinemão (CE, 2015, 15’, Ficção, 18 anos), de Mozart Freire

Com Todo Amor de que Disponho (PR, 2015, 23’, Ficção, 16 anos), de Aristeu Araujo

Enquanto a Família Dorme (GO, 2015, 20’, Ficção, 12 anos), de Getúlio Ribeiro

Esperando Gordão (SP, 2015, 9’, Documentário, Livre), de Thiago B. Mendonça

Eu Queria Ser Arrebatada, Amordaçada e, nas Minhas Costas, Tatuada (RJ, 2015, 16’, Ficção, 16 anos), de Andy Malafaia

Ingrid (MG, 2016, 7’, Documentário, Livre), de Maick Hannder

Macapá (MA, 2015, 7’, Documentário, Livre), de Marcos Ponts

Mãe e Filho (PE, 2015, 15’, Documentário, Livre), de Paolo Gregori

Micro-Macro (CE, 2015, 1’, Animação/Experimental, Livre), de Diego Akel

Mitã Odjau Ramo – Quando a Criança Nasce (ES, 2015, 18’, Documentário, Livre), de Ricardo Sá

Neandertais (BA, 2016, 20’, Ficção, Livre), de Marcus Curvelo

O Homem que Virou Armário (CE, 2016, 22’, Ficção, Livre), de Marcelo Ikeda

O Mundo Sem Nós (CE, 2016, 16’, Ficção/Experimental, 12 anos), de Robson Levy

Objetos (RS, 2015, 16’, Ficção, 12 anos), de Germano de Oliveira

Outono Celeste (RS, 2015, 11’, Ficção, Livre), de Iuri Minfroy

Sexta-feira (PB, 2015, 11’, Documentário, Livre), de Gian Orsini

Sopro, Uivo e Assobio (RJ, 2015, 23’, Ficção, 12 anos), de Bernard Lessa

Trem (SP, 2015, 3’, Experimental, Livre), de Renato Coelho

Cena de O Homem que Virou Armário (CE), de Marcelo Ikeda

Cena de O HOMEM QUE VIROU ARMÁRIO (CE), de Marcelo Ikeda

Sobre a Mostra Outros Cinemas

A Mostra Outros Cinemas tem como proposta difundir obras audiovisuais de arte, experimentais e contemporâneas. Uma mostra feita para aqueles que estudam cinema, trabalham com cinema ou querem fazer cinema, possibilitando o conhecimento da produção realizada por jovens de todo o Brasil. São outros olhares, discursos, sentimentos e estéticas, bem diferentes dos estabelecidos pelo grande mercado de entretenimento.

Serviço:

Cinema: VIII Mostra Outros Cinemas

Local: CAIXA Cultural Fortaleza

Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema

Data: 4 a 8 de maio de 2016

Horário e Classificação indicativa: Consultar programação

Entrada gratuita (sujeita à lotação do teatro)

Acesso para pessoas com deficiência e assentos especiais
Mais informações:
www.mostraoutroscinemas.com | facebook.com/Mostra.OutrosCinemas

Bilheteria CAIXA Cultural Fortaleza:
(85) 3453-2770

OS PREMIADOS DO 14º NOIA – FESTIVAL BRASILEIRO DE CINEMA UNIVERSITÁRIO

Curta carioca Fio-terra, de Ian Capillé, foi o grande vencedor da 14ª edição do Festival NOIA, conquistando os troféus nas categorias Melhor Filme, Roteiro e Prêmio da Crítica

Laura Collor e Ian Capillé em FIO-TERRA (2015), de ian Capillé

Laura Collor e Ian Capillé em FIO-TERRA (2015), de ian Capillé

Na noite desta sexta-feira (06) foram anunciados em cerimônia oficial os filmes vencedores da 14ª edição do NOIA – Festival Brasileiro de Cinema Universitário, que durante a mostra competitiva nacional lotou a sala da Casa Amarela Eusélio Oliveira. No último dia também houve homenagem ao cineasta cearense Petrus Cariry (o homenageado do primeiro dia foi Guto Parente, de A Misteriosa Morte de Pérola). O grande vencedor da noite, Fio-terra (UFF-RJ), de Ian Capillé, recebeu os troféus de melhor filme, roteiro e crítica.

Outros premiados de destaque foram Biquini Paraíso (UFC-CE), de Samuel Brasileiro, que conquistou os prêmios de direção e fotografia; Muriel (UFC-CE), de Vanessa Cavalcante, que levou o prêmio de melhor ator para Jamenes Prata e melhor intérprete coadjuvante para Tatiane Albuquerque. Pelo voto popular, o grande vencedor foi o divertido Quando Você Crescer (UFC-CE), de Paulo Matheus. Outro filme que teve bom apelo popular foi Borboleta Pulmão (UFC-CE), de Clébson Oscar.

Tatiane Albuquerque e Jamenes Prata em MURIEL (2015), de Vanessa Cavalcante

Tatiane Albuquerque e Jamenes Prata em MURIEL (2015), de Vanessa Cavalcante

A edição deste ano contou com 162 filmes inscritos, recorde do festival, dos quais 18 foram selecionados para compor a mostra nacional e 10 para a Mostra Ceará. A curadoria ficou a cargo do jornalista André Bloc, do produtor audiovisual Doug de Paula e da cineasta Michelline Helena. Um trabalho, aliás, muito bem escolhido, levando em consideração a qualidade dos trabalhos apresentados.

O júri oficial foi formado pelo cineasta Allan Deberton e pelas professoras de Audiovisual Ana Quezado e Daniela Dumaresq. Já o júri da crítica contou com o crítico Ailton Monteiro (Cinema e Artes, Diário de um Cinéfilo) e os jornalistas Adriana Martins (Diário do Nordeste) e Paulo Renato Abreu (O Povo).

Cena de BORBOLETA PULMÃO (2015), de Clébson Oscar

Cena de BORBOLETA PULMÃO (2015), de Clébson Oscar

Veja a lista completa dos premiados:

MOSTRA NACIONAL

Melhor Filme – Júri Oficial: Fio-terra, de Ian Capillé (UFF)
Melhor Filme – Júri Popular: Quando Você Crescer, de Paulo Matheus (UFC)
Melhor Filme – Júri da Crítica: Fio-terra, de Ian Capillé (UFF)
Melhor Direção: Samuel Brasileiro, por Biquíni Paraíso (UFC)
Melhor Roteiro: Ian Capillé, por Fio-terra (UFF)
Melhor Atriz: Iná de Carvalho, por O Silêncio Não Está Morto, Querida Vó Helena (USP)
Melhor Ator: Jamenes Prata, por Muriel (UFC)
Melhor Intérprete Coadjuvante: Tatiane Albuquerque, por Muriel (UFC)
Melhor Montagem: Raquel Fernandes e Roberta Bonoldi, por Verde Chorume (FAAP)
Melhor Fotografia: Juliane Peixoto e Leonardo Mouramateus, por Biquíni Paraíso (UFC)
Melhor Trilha Sonora:  William Costa Lima, por O Silêncio Não Está Morto, Querida Vó Helena (USP)
Melhor Edição de Som: Andrew Kantos, por Vlado (AFI)
Melhor Direção de Arte: Taíla Soliman, por QUIM:ERA (UFPel)
Melhor Figurino: Madrepérola, de Deise Hauenstein (Unisinos)
Melhor Maquiagem: Madrepérola, de Deise Hauenstein (Unisinos)

MOSTRA CEARÁ

Melhor Filme – Júri Popular: Borboleta Pulmão, de Clébson Oscar (UFC)

Veja o trailer de Muriel

CHRONIC – Desfecho moralista

Dentro da Perspectiva Internacional da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem Chronic, do mexicano Michel Franco, acompanha a complexa rotina de um enfermeiro que cuida de pacientes terminais

Michael Cristofer e Tim Roth em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Michael Cristofer e Tim Roth em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

A narrativa de Chronic (2015) parece bastante sedutora ao espectador: o filme procura desvelar aos poucos a rotina de David (Tim Roth), um enfermeiro que cuida de pacientes terminais. Sem jogar informações claras e imediatas acerca das intenções do protagonista, a estrutura do filme se serve de elipses, de silêncios, de diálogos que nem tudo explicam. A primeira impressão é de que o longa-metragem do mexicano Michel Franco (o mesmo de Depois de Lucia, 2012) foi construído de modo a fazer com o que o espectador complete por si só a história (tal estratégia inclusive levou o júri do 68º Festival de Cannes a premiar o filme na categoria de melhor roteiro).

Até certo ponto, o procedimento converge para um olhar generoso para o ofício do enfermeiro – não me recordo agora de nenhum outro filme que se dedicou de forma tão profunda a explicitar o quanto é complexa (física e emocionalmente) a profissão de alguém que cuida diariamente de pacientes à beira da morte. Entram em questão não só o cuidado do enfermeiro, mas também a ausência de afeto dos familiares, a solidão de quem não tem mais esperança em viver, a decisão sobre a vida ou a morte (a eutanásia é um dos pontos centrais).

Tim Roth e Rachel Pickup em cena de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Tim Roth e Rachel Pickup em cena de CHRONIC

Ao ter uma convivência intensa com os pacientes, David parece anular sua própria personalidade pelo seu caráter dúbio e frágil que, em muitos momentos, se confunde com as trajetórias de vida das pessoas que cuida: ele mente, seja para se aproximar daquilo que parece distante, seja por ser mais conveniente para a situação. De um modo ou de outro, há uma opacidade psicológica do protagonista, aliada à estrutura lacunar da narrativa.

No entanto, o desfecho do filme abdica de tudo aquilo que era incerto, duvidoso em torno do universo do personagem. Afeito à saída fácil, Michel Franco decide aplicar um deux ex machina – expressão conhecida na tragédia grega para designar uma solução inesperada para o final –, que faz com que seu próprio filme desmorone. Ou seja, se até então o diretor não tinha tomado uma posição clara sobre seu personagem, ao final ele se torna um tremendo moralista.

Pôster de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Pôster de CHRONIC (2015), de Michel Franco

Título: Chronic

Gênero: Drama

Direção: Michel Franco

Elenco: Tim Roth, Sarah Sutherland, Robin Bartlett, Rachel Pickup, Michael Cristofer

Duração: 92 min.

Origem: México, França

Ano: 2015

Classificação: Livre.

 

 

 

Veja o trailer de Chronic:

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O ABRAÇO DA SERPENTE – De índios e brancos

Representante da Colômbia para disputar uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro, O Abraço da Serpente é inspirado nas expedições de dois pesquisadores brancos na selva amazônica. O filme está na Perspectiva Internacional da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Antonio Bolívar em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Antonio Bolívar em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Inspirada nos cadernos de viagem do etnólogo alemão Theodor Koch-Grunberg (1872-1924) e do botânico norte-americano Richard Evans Schultes (1915-2001), a produção colombiana O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra, não se limita a ser mais um filme antropológico. Ao intercalar a expedição dos dois pesquisadores em tempos distintos, o longa-metragem busca não só uma reflexão sobre as diferenças culturais entre brancos e índios, como também se posicionar acerca das consequências do cruzamento entre as duas culturas.

O Abraço da Serpente inicia na Amazônia de 1909, quando o alemão Theodor Von Martius (Jan Bijvoet) – nome no filme dado ao personagem que representa Koch-Grunberg – e seu amigo índio Manduka (Yauenkü Miguee) procuram o xamã Karamakate (Nilbio Torres). O etnólogo pesquisador dos costumes dos nativos amazônicos chega doente e pede ao xamã para acompanhá-lo em uma viagem pela selva em busca de uma planta rara, a Yakruna, que tem poderes medicinais sagrados de cura.

Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE

Décadas depois, o norte-americano Evans (Brionne Davis) – nome no filme dado ao personagem de Richard Evans Schultes – também chega à mesma região amazônica à procura do xamã Karamakate já mais velho (Antonio Bolívar), guiado pelo livro de Theodor sobre a expedição. Evans também deseja encontrar a Yakruna, para outros fins: não para sua própria cura, mas para servir de objeto de pesquisas farmacêuticas no mundo ocidental.

Ao narrar com habilidade e de forma paralela as duas expedições, O Abraço da Serpente pontua as distinções entre os pontos de vista de Karamakate e os dois pesquisadores. Para o xamã indígena, o conhecimento pertence a todos os homens e não deveria ser usado para criar distinções. Ao passo que os pesquisadores, tanto insistem de forma equivocada em deixar intocada a cultura indígena – como é o caso de Theodor, que se incomoda com o sumiço de seu compasso – quanto a exploram de maneira indiscriminada com fins lucrativos – como é o caso de Evans, que até oferece dinheiro para o xamã.

Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet e Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet e Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE

O detalhe mais impressionante da interferência entre as culturas diz respeito à missão jesuítica. Na época de Theodor, os brancos ali chegaram em meio à selva para catequizar crianças indígenas, com o argumento de livrá-las do poder do demônio, do canibalismo e da ignorância – é notável a crítica ao presidente da Colômbia, Rafael Reyes, citado em uma placa na missão, datada de 1907, em que ele declara seu esforço de trazer os índios de “volta à civilização”. Na época de Evans, a mesma missão havia evoluído para o “pior dos dois mundos”, segundo as palavras de Karamakate. Um homem branco, que se advoga de Messias, lidera a tribo de índios, cegos pelo fanatismo e pela autoflagelação – talvez a sequência que deixa isto de forma mais clara seja a da missa.

Por todos estes detalhes, O Abraço da Serpente já pode ser considerado um dos grandes filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme foi destaque no 68º Festival de Cinema de Cannes, conquistando o prêmio da CICAE (Confédération Internationale des Cinémas d’Art et d’Essai) na Quinzena dos Realizadores.

Pôster de O ABRAÇO DA SERPENTE (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra

Pôster de O ABRAÇO DA SERPENTE (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra

Título: O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente)

Gênero: Aventura/Drama

Direção: Ciro Guerra

Elenco: Nilbio Torres, Antonio Bolívar, Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet, Brionne Davis

Duração: 125 min.

Origem: Colômbia

Ano: 2015

Classificação: 16 anos

 

 

 

 

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SON OF SAUL – Estetização do intolerável

Destaque da competitiva da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem húngaro Son of Saul amplifica a claustrofobia de uma experiência individual em um campo de concentração

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Son of Saul (Saul Fia, 2015) é um filme em torno de uma vontade individual dentro de uma experiência coletiva. Imerso na experiência do holocausto como prisioneiro judeu húngaro e forçado a trabalhar a favor dos nazistas nos crematórios do campo de extermínio de Aushwitz-Birkenau, o protagonista Saul (Géza Röhrig) deseja apenas dar um enterro digno ao seu filho, em um contexto de absoluta degradação da vida. Saul não tem como mudar o curso da história, mas está ali para reivindicar o mínimo de dignidade, que já não é possível em um estado de exceção.

Para enfatizar o gesto individual de Saul, a estratégia da direção de Lázsló Nemes faz uso de um dispositivo: buscar restringir o enquadramento do filme ao rosto ou às costas do protagonista, compondo uma espécie de portrait. Em alguns momentos, ele abandona o dispositivo para auxiliar no andamento da narrativa – e talvez isto enfraqueça o procedimento principal do filme. No entanto, o dispositivo parece estar lá não só com o objetivo de sublinhar a experiência individual de Saul, como também para tornar claustrofóbica a sensação de estar naquele lugar. Mais do que narrar a história, o filme quer o espectador se engaje nesta posição.

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL

Neste sentido, Son of Saul usa a técnica a serviço de uma moral. Quando falamos da representação do horror de uma situação limite, não há como deixar de lado o velho debate em torno da célebre frase “a moral é uma questão de travelling”, que tanto preocupou críticos do cinema, como Luc Moullet, Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, acerca da representação de imagens dos campos de extermínio. A qualquer realizador, não deveria ser fácil tratar de tal tema (o holocausto), sem minimamente refletir sobre as implicações do uso da forma como se aproxima da questão em jogo.

No caso de Son of Saul, deixar fora de campo os indícios da abjeção não garante em nada que o filme não esteja colaborando para uma estetização do intolerável. A sofisticação da forma do filme é tão espetacular e voyeurística quanto se decidisse expor tudo. Quero dizer que não ameniza o problema apenas optar pelo desfoque dos corpos dos judeus empilhados nos crematórios e arrastados de um canto a outro ou pelo extracampo que amplifica barulho de tiros e de gritos de prisioneiros rumo a uma vala. A atitude em relação ao que se filma é meramente desprezível, seja pela preguiça de insistir no realismo mais ultrajante, seja pela retórica da claustrofobia, sendo fatalmente exibicionista mesmo sem querer mostrar. É uma pena os festivais internacionais – e toda uma articulação de júris, críticos e público – ainda se deixarem seduzir por filmes assim.

Pôster de SON OF SAUL (Saul Fia, 2015), de Lázsló Nemes

Pôster de SON OF SAUL (Saul Fia, 2015), de Lázsló Nemes

Título: Son of Saul (Saul Fia)

Gênero: Drama

Direção: Lázsló Nemes

Elenco: Géza Röhrig, Levente Molnar, Urs Rechn, Todd Charmont, Marcin Czarnik

Duração: 107 min.

Origem: Hungria

Ano: 2015

Classificação: 16 anos

 

 

 

Veja o trailer de Son of Saul:
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DESDE ALLÁ – Nada óbvio

Na competição da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme venezuelano Desde Allá traz narrativa sofisticada sobre dois personagens que são frutos de uma relação traumática com os pais

Luis Silva e Alfredo Castro em cena de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Luis Silva e Alfredo Castro em cena de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Dirigido pelo estreante em longas-metragens Lorenzo Vigas, com o aval de produção assinada por renomados cineastas mexicanos, como Guillermo Arriaga, Gabriel Ripstein e Michel Franco, o longa-metragem venezuelano Desde Allá (2015) é sobretudo um filme sobre pais e filhos. Todo o desenvolvimento narrativo orbita em torno do abismo afetivo que pode haver caso a relação familiar permaneça fraturada. Mas diferente de uma gama de outros filmes que tratam do mesmo tema, nada em Desde Allá parece ser óbvio.

De acordo com o plot do filme, Armando (Alfredo Castro) é um profissional que fabrica próteses dentárias. Apesar de levar uma vida simples, ele tem dinheiro suficiente para pagar rapazes, não com o intuito de ter relações sexuais com eles, mas apenas em sentir prazer ao observá-los de longe. Entre os vários garotos que Armando conhece casualmente está Elder (Luis Silva), que mora no subúrbio de Caracas, trabalha como mecânico, é violento e envolvido com uma gangue de rua.

Alfredo Castro e Luis Silva em cena de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Alfredo Castro e Luis Silva em cena de DESDE ALLÁ

De início, a relação entre Armando e Elder só é possível pelo distanciamento: o primeiro insiste em uma aproximação, mas o segundo apela para a agressão misturada à indiferença. Aos poucos, eles começam a ficar próximos e, desta confiança mútua, começam a revelar detalhes sobre o passado: Armando parece ter tido uma infância marcada pelos abusos do pai – o senhor que ele persegue de longe, em vários momentos do filme –; Elder também sofreu com a violência do pai, que o batia e foi preso por matar um de seus amigos.

Com históricos de fragilidades traumáticas em relação à figura paternal, Armando e Elder passam a se ajudar e a nutrir uma intimidade incerta. O filme poderia ser explícito nos momentos mais trágicos: expor quais tipos de abusos Armando sofreu, recorrer ao flashback para representar os atos violentos do pai de Elder ou mesmo mostrar a cena em que Elder assassina o pai de Armando. No entanto, há mais ambiguidades para o espectador, que é convidado a completar a história do jeito que desejar.

Pôster de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Pôster de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Título: Desde Allá

Gênero: Drama

Direção: Lorenzo Vigas

Elenco: Alfredo Castro, Luis Silva, Jericó Montilla, Catherina Cardozo

Duração: 93 min.

País: Venezuela, México

Ano: 2015

Classificação: 14 anos

 

 

 

 

Veja o trailer de Desde Allá:
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