Kiss me Like a Stranger: Gene Wilder na Vila das Artes

A partir da próxima sexta, dia 7 de outubro, o genial Gene Wilder (1933-2016) ganha justa homenagem do cineclube 24 Quadros, na Vila das Artes. A entrada é gratuita.

Gênio do humor, Gene Wilder, morto no último dia 9 de agosto, é homenageado este mês pelo cineclube 24 Quadros. Foto: reprodução.

Gênio do humor, Gene Wilder, morto no último dia 9 de agosto, é homenageado este mês pelo cineclube 24 Quadros. Foto: reprodução.

Desaparecido há pouco mais de um mês, Gene Wilder (1933-2016), cuja última aparição na mídia foi em 2003, é um nome desconhecido para as novas gerações. Vítima do Mal de Alzheimer, o astro das comédias impagáveis da década de 80, ao lado do saudoso Richard Pryor (1940-2005), e eterno Willy Wonka da Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka and the Chocolat Factory, EUA, 1971) pode ser tranquilamente incluído no rol dos maiores comediantes de todos os tempos.

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O SHOW DE TRUMAN – NO CCBN

Investida dramática do comediante Jim Carrey, O Show de Tuman dá continuidade à mostra Da Condição Humana – Para Onde Iremos? promovida e realizada pelo Cineclube do Centro Cultural Banco do Nordeste. O longa será exibido nessa terça, no CCBN

Jim Carrey em O SHOW DE TRUMAN (EUA, 1998, de Peter Weir): drama da vida "real"

Jim Carrey em O SHOW DE TRUMAN (EUA, 1998, de Peter Weir): drama da vida “real”

Na sequência da mostra Da Condição Humana – Para Onde Caminhamos? o cineclube do Centro Cultural Banco do Nordeste exibe, nessa terça-feira, O Show de Truman (The Truman Show, EUA, 1998), filme que antecipou as discussões acerca dos reality shows e deu a Jim Carrey a oportunidade de viver um personagem dramático, desvinculando-se um pouco das personas cômicas que ele encarnara na maior parte da sua carreira.  Leia Mais

ROBERT RODRIGUEZ ABRE O ANO NO CINECLUBE 24 QUADROS

Roteirista, produtor, montador, compositor, empresário do show business. Com tantos qualificativos, seria difícil que o estadunidense de ascendência mexicana Robert Rodriguez, 46 anos, não estourasse no mainstream audiovisual. Mas Rodriguez não é apenas um competente aluno do beabá do sucesso em Hollywood. Seus filmes revelam um artista que não tem medo de usar como matéria-prima aquilo que outros (que se levam a sério demais) julgam material de quinta. Daí sua profícua parceria com Quentin Tarantino e a legião de fãs que suas películas arrebanharam mundo afora. Robert Rodriguez será homenageado com mostra retrospectiva em janeiro, na Vila das Artes

Diretor estadunidense de origem mexicana é homenageado em mostra na Vila das Artes

Diretor estadunidense de origem mexicana é homenageado em mostra na Vila das Artes. Imagem: reprodução

Imaginem um Sam Peckenpah trash: a imagem pode parecer estapafúrdia, mas dá uma noção da obra do multi-artista  Robert Rodriguez. A violência presente nos seus mais memoráveis longas é estilizada, mas não é levada tão a sério como na obra do gênio desaparecido há três décadas. Os tiros, sangue e tripas voando lembram mais uma sequência de Fome Animal (Braindead, NZL, 1992), uma das obras-primas do Peter Jackson da fase trash, do que Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Bring me the Head of Alfredo Garcia, EUA/MEX, 1974), outro dos filmes perfeitos do chamado poeta da violência.

Rodriguez não está mesmo muito preocupado em se adequar às regras do mainstream hollywoodiano. Quando da gravação de Sin City (idem, EUA, 2005), ele simplesmente decidiu deixar a prestigiada Directors Guild of America (DGA) por não concordar com as (burro) cráticas regras desse tipo de sindicato nos Estados Unidos, as quais obrigam artistas que têm diferentes habilidades a se esconder sob pseudônimos, caso estes decidam assumir mais de uma função em suas produções.

Nascido na problemática fronteira entre os EUA e o México, o Texas que um dia pertenceu ao país latino “tão longe de Deus, mas tão perto dos Estados Unidos”, o chicano conseguiu fazer o improvável, apesar do arraigado racismo estadunidense: criar uma lucrativa sequência com um mexicano feio e idoso, mas com tanto carisma quanto o Warren Oates latinizado de Tragam-me a Cabeça de Alfredo García. O país geograficamente situado na América do Norte – mas socioeconomicamente latino-americano até a raiz dos cabelos – está presente na filmografia de Rodriguez desde o início, como o demonstra seu primeiro longa-metragem oficial El Mariachi (O Mariachi, MEX/EUA, 1992).

Com graves problemas socioeconômicos, dentre os quais, a violência, o México sempre pareceu representar para os mexicanos do lado de lá da fronteira, com padrão de vida absurdamente superior, o lugar que seus pais abandonaram com um misto de alívio e nostalgia, povoado por uma violência que parece inerente ao espírito nacional. Ao mesmo tempo, um país que faz parte da própria identidade, a qual jamais pode ser completamente diluída na assimilação cultural sempre problemática por partes dos WASP estadunidenses. Mas tudo isso passa muito ao largo para Rodriguez. Seu cinema é, antes de tudo, diversão.

Esse imaginário, alimentado ao mesmo tempo pela sempre rica e variada cultura de massas estadunidense, evasiva em sua essência, são os elementos fundamentais da obra de Rodriguez, que ganha mostra a partir do dia 9 de janeiro, na Vila das Artes. Promovida e realizada pelo cineclube 24 Quadros, O Cinema Pop de Robert Rodriguez traz parte significativa da produção mais recente do artista, mostrando ao público as diversas faces desse realizador que confessou não ter chances no Oscar, mas que não liga para isso.  Faz bem. É sempre salutar perceber, como dizia o poeta, que a consagração vem do povo, não da “inteligência”.

A mostra ocorre durante todo o mês de janeiro. Segue abaixo a programação

UM DRINQUE NO INFERNO (09.01.2015)

TÍTULO ORIGINAL: From Dusk till Dawn
PAÍS DE ORIGEM: EUA
ANO: 1996
DURAÇÃO: 108 min
DIREÇÃO: Robert Rodriguez
ELENCO: George Clooney, Salma Hayek, Quentin Tarantino, Harvey Keitel e Juliette Lewis
DISTRIBUIDOR (BRASIL): Imagem Filmes

SINOPSE: Os irmãos Seth (George Clooney) e Richard Gecko (Quentin Tarantino) são procurados pela polícia por 16 mortes. Eles sequestram um ex-pastor e seu casal de filhos para poderem atravessar a fronteira com o México e lá se dirigem à uma casa noturna frequentada por caminhoneiros e motoqueiros, que é uma mistura de cabaré e prostíbulo. Porém, ao chegar lá a dupla se depara com algo totalmente inacreditável

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PEQUENOS ESPIÕES (16.01.2015)

TÍTULO ORIGINAL: Spy Kids
PAÍS DE ORIGEM: EUA
ANO: 2001
DURAÇÃO: 88 min
DIREÇÃO: Robert Rodriguez
ELENCO: Alexa Vega, Daryl Sabara, Antonio Banderas, Carla Gugino e Danny Trejo
PRODUTORES: Dimension Films/Troublemaker Studios
DISTRIBUIDOR (BRASIL): Imagem Filmes

SINOPSE: Quando o famoso casal de espiões Gregorio (Antonio Banderas) e Ingrid Cortez (Carla Gugino) são sequestrados pelo maligno Fegan Floop (Alan Cumming), os dois filhos do casal Cortez, Carmen (Alexa Vega) e Juni (Daryl Sabara), são os únicos que têm conhecimento suficiente para resgatá-los. Deste modo, eles partem em sua primeira missão como espiões, justamente para resgatar seus próprios pais

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PLANETA TERROR (23.01.2015)

TÍTULO ORIGINAL: Planet Terror
PAÍS DE ORIGEM: EUA
ANO: 2007
DURAÇÃO: 106 min
DIREÇÃO: Robert Rodriguez
ELENCO: Quentin Tarantino, Rose McGrow, Bruce Willis, Freddy Rodriguez, Marley Shaelton
PRODUTORES: Dimension Films/Troublemaker Studios
DISTRIBUIDOR (BRASIL): Europa Filmes

SINOPSE: O casal de médicos William (Josh Brolin) e Dakota Block (Marley Shelton) é surpreendido no hospital por uma multidão de homens e mulheres cheios de feridas e mutilações, que vagam com um suspeito olhar perdido. Entre eles está Cherry (Rose McGowan), uma dançarina de boate cuja perna foi arrancada num ataque noturno. Com uma metralhadora no lugar da perna decepada, ela vai liderar, acompanhada por El Wray (Freddy Rodríguez), um exército de inválidos assassinos

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MACHETE 

TÍTULO ORIGINAL: Idem
PAÍS DE ORIGEM: EUA
ANO: 2010
DURAÇÃO: 106 min
DIREÇÃO: Robert Rodriguez
ELENCO: Danny Trejo, Robert de Niro, Lindsay Lohan, Jéssica Alba e Michelle Rodriguez
PRODUTORES: Troublemaker Studios/Overnight Films
DISTRIBUIDOR (BRASIL): Sony Pictures

SINOPSE: Machete (Danny Trejo) é um ex-agente federal mexicano e foi contratado por um homem misterioso (Jeff Fahey) para assassinar um importante político americano. Mas ele também se tornou alvo de outro matador e agora o que parecia ser uma simples e rentável missão, transformou-se num sanguinária trama de conspiração contra o povo mexicano. Machete não vai deixar por menos, quer vingança e para isso conta com seu velho amigo “O Padre” (Cheech Marin)

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SERVIÇO

Mostra O Cinema Pop de Robert Rodriguez

QUANDO

Dias 9, 16, 23 e 30 de janeiro de 2015

ONDE 

Vila das Artes – Rua 24 de Maio, 1121, Centro, a partir das 18h30min. Haverá apresentação prévia dos filmes

ELA ABRE O ANO NO CINE CLUBE DO CCBN

Sucesso de público e crítica, Ela abre o ano no Cineclube do Centro Cultural Banco do Nordeste em 2015. Estrelado por Joaquín Phoenix, o longa tematiza a relação entre os homens e as máquinas, que podem, às vezes, resultar em situações bizarras, além do próprio controle humano

HER (EUA, 2013, de Spike Jonze) abre o ano de 2015 no CCBN

HER (EUA, 2013, de Spike Jonze) abre o ano de 2015 no cineclube do CCBN

Desde que o lendário general Ned Ludd comandou operários ingleses na destruição das máquinas de tear na aurora da Revolução Industrial, a relação entre o homem e a máquina foi marcada por certa desconfiança, que, no universo da ficção científica, tornou-se recíproca, talvez porque as máquinas, em certo sentido, foram feitas à imagem e semelhança dos seus criadores.

Quem não lembra do supercomputador HAL 9000, o vilão de 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odissey)? Claro, citamos aqui um exemplo extremo de problema sentimentais com as máquinas. Mas há o reverso da situação. E não necessariamente no universo da ficção científica.

É o que vemos em Ela (Her, EUA, 2013), o filme que abre o ano de 2015 no Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil, além da mostra Da Condição Humana – Pra onde Caminhamos?, sob curadoria do filósofo e produtor cultural Pedro Paulo Sobral Freire. Aqui a situação muda completamente de figura: o ódio e a desconfiança cedem ao… amor.

Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário – porque escritores são sempre vistos como ermitões, hein? – que resolve comprar um novo sistema operacional, com o sugestivo nome de Samantha (voz de Scarlett Johansson). Até aí, nada de mais. Ocorre que o sujeito simplesmente se apaixona pelo software, ou pelo que ele enxerga como a “personalidade” do programa.

Apesar da estória meio bizarra e da má-reputação das comédias dramáticas entre a crítica e o público, Ela foi extremamente bem recepcionado, rendendo várias indicações a diversos prêmios, incluindo cinco indicações ao Oscar, conquistando a estatueta de melhor roteiro. Sem dúvida um filme que nos instiga a perceber novas relações entre o homem e as tecnologias. Isto é, que estas não precisam ser nem oito, nem oitenta.

Confira o trailer:

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FICHA TÉCNICA

TÍTULO ORIGINAL: Her
PAÍS DE ORIGEM: EUA
DURAÇÃO: 126 min
DIREÇÃO: Spike Jonze
ELENCO: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wide e Scarlett Johansson
PRODUTORA: Annapurma Pictures
DISTRIBUIDORA : Sony

SERVIÇO

Mostra Da Condição Humana: Para Onde Caminhamos?

ONDE

Novo Centro Cultural Banco do Nordeste: Rua Conde D’Eu, 560, Centro

QUANDO 

Terça-feira, dia 6 de janeiro, a partir das 16h. Haverá debate após a sessão

MUITO ALÉM DO JARDIM – Na Vila das Artes

Menina dos olhos do genial Peter Sellers, Muito Além do Jardim encerra a última mostra de 2014 do Grupo 24 Quadros, dedicada aos gênios da comédia. O filme será exibido nessa sexta, dia 19 de dezembro, na Vila das Artes

Sequência de BEING THERE (EUA, 1979, de Hal Ashby), o qual será exibido nessa sexta

Peter Sellers em MUITO ALÉM DO JARDIM (1979), de Hal Ashby): na Vila das Artes

Não obstante tenha feito tanta gente rir às gargalhadas, Peter Sellers (1925-1980) sempre foi um infeliz. Para quem já teve a oportunidade de assistir ao maravilhoso A Vida e a Morte de Peter Sellers (The Life and the Death of Peter Sellers, EUA, 2004, de Stephen Hopkins), ou teve a curiosidade de saber um pouco mais sobre a história desse monstro da sétima arte, fica evidente que o eterno inspetor Closeau era um homem amaríssimo – chegou a questionar porque o público gostava tanto dos seus filmes, já que ele odiava tudo o que fazia -, e que, no fundo, vislumbrava na arte da atuação seu único esteio com a realidade.

Talvez tenha sido isso o que o ligou ao humilde jardineiro Chance, um homem que tinha na televisão sua exclusiva ligação com o mundo exterior. Ambos foram apresentados quando Sellers leu o livro Muito Além do Jardim, escrito por Jerzy Kozinski no início dos anos 1970. Foi amor à primeira vista. O ator britânico viu no homem medíocre que não sabia nada além de jardinagem e programas de TV a oportunidade de ser reconhecido como um grande ator “dramático” – como se ele precisasse disso. Em 1979, Peter estava a apenas um ano de nos deixar, aos precoces 54 anos, devastado por problemas cardíacos e domésticos. Muito desse desespero transparece na comédia dramática que garantiria a Peter seu primeiro Globo de Ouro (na sua quarta indicação) e sua segunda indicação ao Oscar, perdida para Dustin Hoffman, por Kramer vs. Kramer (Idem, EUA, 1979, de Robert Benton), na edição de 1980 do prêmio.

Muito Além do Jardim (Being There, EUA, 1979), pode ser considerado o último grande filme estrelado por Sellers, que ainda teria dois longas acrescentados ao currículo – um deles póstumo. Na estória que será apresentada ao público nessa sexta, na Vila das Artes, Chance (Peter Sellers) é um jardineiro que se parece com tantos outros homens e mulheres humildes que povoam nosso dia-a-dia de indiferença calcada na divisão social do trabalho. Introvertido, analfabeto e solitário, o pobre serviçal tem como único lazer na vida os TV Shows e as flores que ele cultiva para prazer de sua senhoria. Ocorre que um dia seu patrão morre e Chance é forçado a deixar o lugar onde gastara sua juventude, partindo rumo a um mundo muito diferente daquele que lhe era apresentado na telinha.

Por outro desses acasos da vida, porém, o humilde proletário é atropelado pelo carro do poderoso magnata Ben Rand (Melvyn Douglas, arrasando), que o acolhe e o introduz no seu círculo íntimo de amizades, incluindo ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos. Numa sociedade de aparências e sentenças lacônicas desprovidas de qualquer sentido, Chance, que só consegue responder à qualquer questão com base em seus parcos conhecimentos sobre plantas, é reputado como um gênio pelos poderosos novos amigos, tornando-se uma espécie de celebridade instantânea. Isso parece familiar? Na era das frases de efeito (vazio) em perfis de redes sociais, a diluição do conhecimento e do pensamento crítico são reflexos do domínio dos meios de comunicação de massa sobre as nossas vidas. É provável que o grande drama dessa comédia toda seja, por um lado, o desespero dos homens brilhantes face a uma realidade dia-a-dia dominada por frases de efeito e, por outro, o desejo de homens como Chance, o jardineiro, de manter-se em sua feliz e tranquila obscuridade.

FICHA TÉCNICA

Título original: Being There
País de origem: EUA
Direção: Hal Ashby
Elenco: Peter Sellers, Melvin Douglas, Shirley McLaine, Jack Warden, Richard A. Dysart, Richard Basehart, Ruth Attaway, David Clennon, Fran Brill, Denise duBarry, Oteil Burbridge e Revenell Keller III
130 minutos
Distribuidora: Columbia Pictures do Brasil

ONDE

Vila das Artes – Rua 24 de Maio, 1121, Centro. Sexta, dia 19 de dezembro, a partir das 18h30min. Haverá comentário prévio do filme

QUANDO

Confira o trailer original do filme:

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CINECLUBE 24 QUADROS – A ARTE DE FAZER RIR

Mostra dedicada aos gênios do humor fecha o calendário de 2014 do grupo 24 quadros. Intitulada Gênios da Comédia, a mostra reúne os mestres Charles Chaplin, Jerry Lewis e Peter Sellers em seus trabalhos menos populares. 2 filmes finalizam o mês de dezembro, na Vila das artes

Charles Chaplin como MONSIEUR VERDOUX (EUA, 1947), filme que abriu a mostra Gênios da Comédia, em cartaz durante o mês de dezembro na Vila das Artes

Charles Chaplin como MONSIEUR VERDOUX (EUA, 1947), filme que abriu a mostra Gênios da Comédia, em cartaz durante o mês de dezembro na Vila das Artes

A arte de fazer rir não é métier para qualquer um. Dentro desse universo ora divertido, ora melancólico, é possível distinguir o palhaço, o humorista e o ator que encara bem personagens non sense. Isso não costuma ser tão claro para o público, mas fica fácil de entender quando assistimos a atuações de mestres como Charles Spencer Chaplin (1889-1977), artista que conseguia reunir características de todos esses profissionais. Como ator, era capaz de provocar o riso mesmo encarando personagens à beira da desgraça; como palhaço, era o trapalhão Carlitos, um vagabundo meio pícaro que estava sempre às voltas com a necessidade de sobrevivência; como humorista, era a síntese dos dois últimos, fazendo rir sem recorrer à apelações e se valendo de todos os truque aprendidos nos tempos de teatro de Vaudeville.

Jerry Lewis, com seu antológico O Professor Aloprado (The Nutty Professor, EUA, 1963) é o próximo gênio da mostra, que continua nessa sexta, dia 12 do correnteNessa comédia mais fiel a essência do gênero, Lewis, além de dirigir, encarna um genial professor universitário e (estereótipo de) cientista que cria uma fórmula mágica que o converte de pobre nerd sem vida social num galante conquistador que, claro, acabará se dando mal. Você já ouviu essa história antes? Qualquer semelhança não representa qualquer coincidência.

Veja o trailer de O Professor Aloprado:

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Sim, esta é uma mostra de gênios do humor, e estes, assim como nos fazem rir, também têm a capacidade – quando são atores de verdade, óbvio – de gerar bolos na garganta. Que o diga o monstruoso Peter Sellers, que com o sensível Muito Além do Jardim (Being There, EUA, 1979), de Hal Ashby, cumpre esse papel. A comédia dramática que era a menina dos olhos do ator – incompreensivelmente ressentido por não conseguir papeis mais “sérios” – nos confronta com um homem de vida absolutamente medíocre que tem seu destino transformado a partir de uma tragédia.

FICHA TÉCNICA

O PROFESSOR ALOPRADO
The Nutty Professor
EUA, 1963
Direção: Jerry Lewis
Roteiro: Lewis e Bill Richmond
Elenco: Jerry Lewis, Stella Stevens, Del Moore, Kathleen Freeman, Norman Alden, Howard Morris, Elvia Eliman e Milton Frome
107 minutos
Paramount
Livre

Dias 12 de dezembro a partir das 18h30min, no auditório da Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes. Haverá apresentação prévia do filme.

MUITO ALÉM DO JARDIM
Being There
EUA, 1979
Direção: Hal Ashby
Roteiro: Jerry Kosinsky, baseado em romance de sua autoria
Elenco: Peter Sellers, Shirley MacLaine, Melvyn Douglas, Jack Warden, Richard Dysart, Richard Basehart, Ruth Attway e David Clennon
130 minutos
Lorimar Pictures
14 anos

Dia 19 de dezembro a partir das 18h30min, no auditório da Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes. Haverá apresentação prévia do filme.

SERVIÇO

Mostra Gênios da Comédia

ONDE
Vila das Artes – Rua 24 de Maio, 1121, Centro

Confira o trailer de Muito além do Jardim:

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VILA DAS ARTES – o racismo em CONDUZINDO MISS DAISY

O último filme da mostra de novembro do Grupo 24 Quadros, dedicada aos filmes adaptados de obras teatrais, Conduzindo Miss Daisy é algo mais do que a história da amizade improvável entre uma velha senhora  judia e um humilde chofer negro, revelando as sutilezas da discriminação racial para além de atitudes explícitas. A exibição ocorre nesta sexta-feira, 28 de novembro, na Vila das Artes

CONDUZINDO MISS DAISY (1989), de Bruce Beresford: insight sobre as sutilezas do racismo nos EUA

Jessica Tandy e Morgan Freeman em CONDUZINDO MISS DAISY (1989), de Bruce Beresford: o racismo nos EUA

“Uma velha judia e um negro velho pela estrada. Que cena lastimável”!

Esta é a fala de um dos dois policiais que abordam Daisy Werthan (Jessica Tandy), professora aposentada e viúva de rico industrial, e  Hoke Colburn (Morgan Freeman), um simples chofer, à beira de uma estrada no Alabama, sul dos Estados Unidos. Toda a carga de tensão da cena se esvai nessa frase – essa sim, lastimável! -, de modo natural, como se fosse comum odiar a priori qualquer tipo de pessoa.

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy) é uma obra à parte na filmografia dedicada (às vezes engajada) à problemática do racismo nos Estados Unidos. É também um filme de texto e atuações, sutis e eficientes. Bruce Beresford, diretor do longa, não é um artista que explore enquadramentos ou movimentos de câmera muito ousados e nem narrativas feitas a partir da montagem – o que às vezes torna a película enfadonha. Tudo parece se adequar perfeitamente ao script, sem ousadias formais. Antes de dirigir seu trabalho mais conhecido, ele já fora indicado ao Oscar duas vezes: em 1980, pelo roteiro adaptado de Breaker Morant (Idem, AUT, 1980), e em 1983, pela direção de A Força do Carinho (Tender Mercies , EUA, 1983). Tinha, portanto, credenciais para assumir o comando de uma obra adaptada de uma peça de teatro.

Em Conduzindo Miss Daisy a discriminação racial se apresenta de forma muito sutil, quase natural. Não há conflitos graves à vista. Tudo parece se encaixar direito na ordem social extremamente injusta dos EUA da segunda metade do século XX, quando, a despeito do governo americano ter ido à guerra em nome da democracia, ainda existiam lugares onde pessoas “de cor” não podiam botar os pés. Parece familiar? Pois é, as relações de dominação e reprodução social vistas no filme lembram muito aquelas estabelecidas ao longo da história brasileira. E não à toa. O Sul dos EUA, local onde se passa a estória da improvável amizade entre uma judia rica e um negro pobre, tem uma formação social semelhante a de tantos outros países escravocratas e latifundiaristas, nos quais as relações entre “desiguais” são mediadas pela ternura hipócrita e pela submissão conformada. Jéssica Tandy e Morgan Freeman traduzem à perfeição esse “jeitinho estadunidense” de manter as coisas como ela são. Tandy não deixa que sua personagem avara e mesquinha se torne exatamente antipática, e Freeman, com seu sorriso largo e risadinha alegre, muitas vezes lembra aqueles pobres caboclos de enxada nas costas ou tantos daqueles outros homens humildes para os quais acenamos cortesmente todos os dias, embora nem saibamos os seus nomes.

Adaptado da peça homônima escrita pelo dramaturgo Alfred Uhry, Conduzindo Miss Daisy por vezes se arrisca a cair na fórmula da “superação de barreiras inter-raciais” e outras bobagens demagógicas que informam mais acerca da decisão de perder alguns anéis em prol dos dedos do que sobre algum laivo de progressismo. Porém, graças às ótimas atuações – as quais renderam indicações ao Oscar tanto à Jéssica Tandy (laureada aos 81 anos) quanto à Morgan Freeman – até os momentos mais comoventes, como a arrepiante sequência final (o único momento de ternura espontânea entre os amigos), não incorrem no dramalhão barato. Nesse aspecto, esse que foi um dos últimos filmes de Jéssica Tandy – diagnosticada com câncer pouco tempo depois e falecida em 1994 – é uma obra de rara lucidez, coisa rara quando as paixões ideológicas estão em jogo. Ainda bem que existem mentes arejadas no mundo das artes.

Conduzindo Miss Daisy encerra a mostra O teatro vai ao Cinema, realizada pelo cineclube 24 Quadros. A exibição ocorre no auditório da Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes.

FICHA TÉCNICA

MISSConduzindo Miss Daisy
Título original: Driving Miss Daisy
País de origem: EUA
Ano de produção: 1989
Produção: Richard D. Zanuck/Lili Fini Zanuck
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: Alfred Uhry, baseado em peça de sua autoria
Elenco: Jessica Tandy, Dan Aykroyd, Morgan Freeman, Patti LuPone, Esther Rolle, Joann Havrilla, William Hall Jr., Alvin M. Sugarman, Clarice F. Geigerman, Muriel Moore e Sylvia Kaler
Fotografia: Peter James
Montagem: Mark Warner
Trilha Sonora: Hans Zimmer
Duração: 99 minutos
Distribuidora: Warner Bros.

Onde

Vila das Artes: Rua 24 de Maio, 1121, Centro.

Quando

Sexta-feira, dia 28 de novembro de 2014. Haverá apresentação prévia do filme.

Confira o trailer:

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NO – GOLPE NO CHILE FECHA MOSTRA NO CCBNB

Filmaço de Pablo Larraín fecha a mostra de novembro do cineclube do Centro Cultural BNB, dedicada ao diálogo entre arte, política e cidadania. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2012, o último longa do diretor chileno expõe a agonia da ditadura de Augusto Pinochet sob o ponto de vista das campanhas publicitárias remetidas ao último referendo convocado pelo tirano para tentar garantir sua sobrevivência no poder. Será exibido nessa terça, 25, a partir das 14 horas

Gael García Bernal em NO, de Pablo Larraín: a agonia de um regime sob o ponto de vista da publicidade. Foto (reprodução)

Gael García Bernal em NO (2012), de Pablo Larraín: a agonia de um regime militar sob o ponto de vista da publicidade

Falar sobre a qualidade de NO é chover no molhado. Se parecia difícil superar o inenarrável Tony Manero (Idem, Brasil/Chile, 2008), essa é, de fato, a obra-prima da pequena, mas expressiva filmografia do chileno Pablo Larraín. E não pela temática em si: há diversos filmes sobre ditaduras militares que são um porre – o cinema brasileiro que o diga! O que ressalta no representante chileno ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2012 é o que falta nas películas tupiniquins dedicadas aos anos de chumbo: boa direção, excelente roteiro, elenco arrasador – destaque para os soberbos Gael García Bernal e Alfredo Castro – e a leveza para abordar um episódio da história do vizinho sul/latino-americano sem transformá-la numa telenovela da vida real. É possível rir muito mais do que chorar assistindo a essa pequena joia da cinematografia latino-americana recente.

Pablo Larrain

Pablo Larrain

O longa que fecha a trilogia dedicada ao regime militar no Chile, ironicamente empreendida pelo filho de um ex-senador fiel aos militares, não é um filme diferente apenas do ponto de vista temático: se a ideia de abordar a decadência do ex-todo poderoso Augusto Pinochet  a partir das campanhas publicitárias em torno do último referendo por ele convocado – mérito de Antonio Skármeta, em cuja peça inédita, El Plebiscito, se baseia o roteiro do filme – já é, por si só, extraordinária, Pablo, com o talento que lhe é peculiar, e a feliz parceria com artistas como o ator e roteirista Alfredo Castro (o antológico psicopata de Tony Manero) e o fotógrafo Sergio Armstrong, consegue imprimir tamanha verdade a sua visão do Chile sombrio de então que às vezes fica difícil distinguir entre a verdade histórica e sua versão em tela. Um dos fatores que contribuem para o reforço dessa “impressão de realidade” é a captação das imagens com uma velha câmera U-Matic, comum nas estações de televisão na década de 1980. Não bastasse a textura de imagem irresistível, há um minucioso trabalho de reconstituição histórica, que inclui a inserção de trechos originais das campanhas em confronto.

É notória a qualidade extraordinária do último filme de Larraín – e que venham outros ainda melhores – e quando se leva em consideração tanto o orçamento modesto (em torno de U$$ 4 milhões) como as dificuldades de toda ordem que existem para se filmar no Chile, isso fica ainda mais evidente. Há uma velha lição no cinema: nem dinheiro traz qualidade, nem talento se mede por orçamento. No é um filme forte porque não carece de efeitos especiais ou de novas parafernálias tecnológicas para impressionar o espectador. Obra poderosa como poucas, esta é uma película que não só delicia os olhos, mas a mente e o coração.

NO fecha a mostra Diálogos entre cinema, cidadania e política, realizada durante o mês de novembro no cineclube do Centro Cultural Banco o Nordeste. A exibição ocorrerá nessa terça, dia 25 de novembro, a partir das 14h.

FICHA TÉCNICA

NOTítulo original: No
Produção: Daniel Marc Dreifuss/Juan de Dios Larraín/Pablo Larraín
País de origem: Chile/França/EUA
Ano de produção: 2012
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Pedro Periano, baseado em romnance de Antonio Skármeta
Elenco: Alfredo Castro, Gael García Bernal, Antonia Zegers, Luis Gnecco, Marcial Tagle, Néstor Cantillana, Jaime Vadell e Pascal Montero
Fotografia: Sergio Armstrong
Edição/Montagem: Andrea Chignoli
Duração: 118 minutos
Distribuidora: Imovision

 

Onde

Cineclube do Centro Cultural BNB
Rua Conde D’Eu, 560, Centro

Quando

Terça-feira, dia 25 de novembro de 2014. Haverá debate após a sessão

Confira o trailer:

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MACBETH – NO CINECLUBE 24 QUADROS

Dando sequência à mostra O teatro vai ao Cinema, o Cineclube 24 Quadros exibe nessa sexta-feira, dia 21 de novembro, MacBeth: Reinado de Sangue, outro dos grandes filmes do gênio Orson Welles, que completará seu centenário no próximo ano. A mostra segue durante todo o mês, às sextas, na Vila das Artes

MC BETH (1948), de Orson Welles, será exibido nessa sexta, dia 16 de novembro, no cineclube do  Grupo 24 Quadros

Jeanette Nolan em MACBETH REINADO DE SANGUE (1948), de Orson Welles

Em 1948, Orson Welles já era um nome consagrado quando resolveu levar às telas uma adaptação de Otelo, de William Shakespeare. Como soía ocorrer nos projetos desse maldito da sétima arte, não foi exatamente essa a peça que ele conseguiu adaptar para o cinema. Pouco importava. Quem é o artista – sobretudo um homem de teatro – que não ambiciona se apropriar (no bom sentido do termo) de uma obra do bardo inglês? O resultado da adaptação de MacBeth, que Welles visualizava como “uma mistura perfeita de O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, EUA, 1939), adaptação da obra homônima de Emily Brontë e A Noiva de Frankenstein (The Bride of Frankenstein, EUA, 1935), horror movie estrelado por Boris Karloff, poderá ser conferida pelo público nessa sexta, dia 21 de novembro, no Cine clube do Grupo 24 Quadros, dentro da mostra O Teatro vai ao Cinema, realizada durante todo o mês de novembro do corrente.

Macbeth: Reinado de Sangue (Mc Beth, EUA, 1948) foi um filme difícil desde o começo. Welles conseguiu convencer o produtor Herbert Yates, da Republic Pictures – produtora que teve grande lucro com películas estreladas por Roy Rogers – a financiar o projeto, mas o orçamento foi apertado e liberado apenas depois que o próprio Welles se comprometeu a colocar o seu próprio dinheiro em caso de estouro do orçamento. O jeito foi improvisar: muitos dos figurinos que se veem na película vieram de uma loja de aluguel de roupas chamada Western Costume, que fornecia figurinos para filmes de bang bang. Em entrevista ao cineasta e escritor Peter Bogdanovich, Welles expressou bem o constrangimento de envergar tal indumentária, quando declarou que seu personagem ficou parecido com a Estátua da LIberdade (!). Por outro lado, a crítica implicou com o sotaque escocês que Welles impôs aos atores para se aproximar mais do texto original, o qual foi por ele adaptado, o que incluiu a introdução de personagens inexistentes na peça.

O interessante é que Welles fora convidado para dirigir, em 1936, uma montagem chamada Voodoo Macbethestrelada – vejam só! – por um elenco exclusivamente afro-americano e seria dessa experiência que ele colheria os elementos para sua ideia de levar Shakespeare, à sua maneira, para o écran. Welles era mesmo um homem à frente do seu tempo. E isso não é força de expressão.

Ficha Técnica

MACB1Macbeth: Reinado de Sangue
Título original: 
MacBeth
País de origem: EUA
Ano de produção: 1948
Direção: Orson Welles
Elenco: Orson Welles, Jeanette Nolan, Dan O’Herlihy, Peggy Webber, Christopher Welles, Erskine Sanford, Roddy McDowall, Edgar Barrier, Alan Napier, John Dierkes, Keene Curtis, Peggy Webber e Lionel Braham
Orçamento: 75 mil dólares
Tempo de duração no Cinema: 98 minutos
Tempo de duração original: 107 minutos (Restaurado para o vídeo)
Produtora: Republic Pictures
Distribuidora: Versátil

Onde

Cineclube 24 Quadros > Rua 24 de maio, 1221, Centro

Quando

Sexta-feira/21 de novembro, 14h. Haverá apresentação prévia do filme.

Confira o trailer:

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NO CCBNB – O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS

Obra semibiográfica sobre o período ditatorial no Brasil, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é o terceiro da mostra Diálogos Entre Cinema, Cidadania e Política, realizada pelo cineclube do Centro Cultural Banco do Nordeste no mês de novembro. Indicado para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007, o filme de Cao Hamburguer se soma a diversas outras películas nacionais que têm o regime militar (1964-1985) como mote para apresentar os dramas de quem não se conformava em viver sob o peso da opressão política. Será exibido nessa terça-feira, com entrada franca

O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006), de Cao Hamburguer: drama em escala humana.

O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006), de Cao Hamburguer: drama em escala humana

O ponto de vista de uma criança sobre o regime militar brasileiro é o tema principal de O Ano em que meus pais saíram de férias (idem, BRA, 2006), longa com o qual o lendário diretor paulistano Cao Hamburguer tenta abordar o período do regime militar brasileiro sob o ponto de vista de um pré-adolescente cujos pais são forçados a fugir em função da sua militância em movimentos de resistência à ditadura militar no Brasil. O filme será exibido nessa terça-feira, no Cine Clube do CCBNB, dentro da mostra Diálogos entre cinema, cidadania e política, que ocorre durante todo o mês de novembro sob a curadoria de Pedro Paulo Freire.

Mauro (Michel Joelsas) é um menino classe média de 10 anos que adora futebol e não tem maiores preocupações na vida, até que, no emblemático ano de 1970, seus pais “saem de férias”, inexplicavelmente. O menino então tem que ir a São Paulo viver com o avô, que morre tão logo o neto chega à capital bandeirante. Por conta desse incidente, ele acaba na casa de um velho judeu, Shlomo (Germano Haiut) que é seu vizinho, à espera de um telefonema dos pais e acompanhando atentamente a histórica Copa do Mundo de 1970, na qual a seleção brasileira conquistaria o tricampeonato.

Com roteiro escrito a várias mãos, o longa é baseado na própria história do diretor, cujos pais, professores da USP, foram detidos por alguns dias, em 1970, devido a suposto apoio à atividades “subversivas”. Não obstante a bilheteria modesta, o filme teve boas críticas e foi escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007, contrariando as expectativas que giravam em torno do arrasa-quarteirão Tropa de Elite. Nesses tempos de democracia sob ataque cerrado, nada maia pertinente do que assistir aos dramas do regime militar em escala humana. São estes, afinal, os que mais importam.

FICHA TÉCNICA

BR 1O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
País: Brasil
Ano de produção: 2006
Direção: Cao Hamburguer
Roteiro: Cao Hamburger, Claudio Galperin, Bráulio Mantovani e Anna Muylaert
Elenco: Michel Joelsas, Caio Blat, Paulo Autran, Germano Haiut, Daniela Pipszyc, Simone Spoladore, Eduardo Moreira, Liliana Castro, Felipe Braun e Haim Fridman
Produção: Cao Hamburguer/Globo Filmes/Lereby Produções/Gullane Filmes
Tempo de duração: 110 minutos
Distribuidora: Buena Vista

ONDE

Cineclube do Centro Cultural Banco do Nordeste – Rua Conde D’Eu, 560 – Centro/Fortaleza. Haverá debate após a sessão

 Confira o trailer.

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