PAULO ABEL DO NASCIMENTO – 60 ANOS

No último dia 13 de janeiro, Paulo Abel do Nascimento teria completado 60 anos. Sopranista e contraltista cearense nascido em Fortaleza, o músico teve uma breve e errática carreira, interrompida pela ação nefasta da AIDS. Deixou dois discos, algumas gravações inéditas e influenciou toda uma geração de artistas cearenses, preconizando a prática coletiva como meio de aprendizagem musical. Este artigo é parte de um projeto, denominado Paulo Abel (Ombra mai Fu), que consiste num documentário em longa-metragem e numa biografia, ambos em avançado estágio de produção, tocado na maneira do possível, há alguns anos, por este autor, e soma-se aos esforços de finalização do mesmo

Paulo Abel do Nascimento, cantor e educador cearense, teria completado 60 anos no último dia 13. Foto: arquivos Elvis Matos

Paulo Abel do Nascimento, cantor e educador cearense, teria completado 60 anos no último dia 13. Foto: arquivos Elvis Matos

Se estivesse fisicamente entre nós, Paulo Abel do Nascimento teria completado, no último dia 13 de janeiro, 60 anos. É possível que estivesse mais gordo e que os cabelos, já escassos nas têmporas, tivessem dado lugar a uma lustrosa careca. A voz, possivelmente, teria envelhecido com o seu dono, tornando-se mais grave, como a de tantos castratti sopranos, ao longo da carreira. Provavelmente seria renomado entre críticos especializados do mundo inteiro e talvez reconhecido pelo grande público. Ou então, como tantos outros artistas brasileiros no exterior, poderia ter consolidado uma audiência modesta, porém fiel. Tudo, no final, são apenas especulações.

Algo que fascina nas tragédias é justamente a possibilidade de se tecer questões e hipóteses, sem risco absoluto de acerto e nem de erro. Se Freddie Mercury tivesse sobrevivido, o jurássico Queen existiria até hoje? Se Cazuza tivesse sobrevivido, estaria desiludido com os governos do partido no qual depositou tantas esperanças? E se Renato Russo, Lauro Corona e tantos outros tivessem sobrevivido, o que seria das suas vidas hoje?

As alusões a estes personagens não são gratuitas. Todos foram vítimas do “mal do final do século XX”: a AIDS, doença que matou e ainda mata milhões de pessoas ao redor do mundo, entre as quais algumas daquelas que, por sua visibilidade, influenciaram a abordagem que a doença ganharia nos anos subsequentes ao início da epidemia, no alvorecer da década de 1980. O ator Rock Hudson (1925-1985) foi o primeiro entre os primeiros famosos a assumir a doença – e comprovadamente o primeiro a morrer em decorrência da mesma. No Brasil, este triste papel caberia à Cazuza (1958-1990), cuja agonia foi angustiosamente exposta em público. Mas talvez eu tenha me antecipado em demasia. Voltemos ao princípio.

Paulo Abel do Nascimento nasceu às 10h30 do dia 13 de janeiro de 1957. 15º filho de João Batista do Nascimento, um mestre de obras nascido em Quixeramobim, e de Raimunda Rodrigues do Nascimento, dona de casa alencarina – e um dos seis que sobreviveram às dificuldades da miséria econômica, morava na rua Caio Carlos, 165, no Benfica, ao sul do centro de Fortaleza. Este bairro abriga parte da Universidade Federal do Ceará, além do atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), a antiga Escola Técnica Federal do Ceará (ETFCE). A vizinhança com estas importantes instituições, que oferecem educação pública e gratuita, teria um peso decisivo para a formação do futuro músico.

O caçula dos Nascimento desde cedo se ligou em música. Gostava de cantar Babalu (composição da afro-cubana Margarita Lecuona, cuja versão, da lavra do compositor baiano Humberto Porto, foi gravada com sucesso pela cantora brasileira Ângela Maria) no chuveiro, segundo ele declarou  numa entrevista publicada no jornal O Povo, em 1991, e por vezes construía flautas com pedaços de bambu, como contou Antônio, o único dos seus irmãos ainda morando na capital cearense. Mecânico de aviões aposentado, Antônio também relatou um episódio que poderia explicar, ainda que parcialmente (junto a outros fatores, como a desnutrição), a hipoprodução de testosterona que  conservaria as características infantis da voz do menino do Benfica: durante a infância, brincando com os amigos, Abel levou um tombo desastrado, machucando os testículos. Com o saco inchado e chorando muito, foi levado a um posto de saúde. Porém, tudo o que o médico prescreveu, a título de “tratamento”, foram algumas compressas de gelo.

Com voz bela e afinada – falamos de um instrumento não temperado, Paulo foi estimulado a cantar desde cedo. Durante a infância, quando estudou no Grupo Rodolfo Teófilo, uma professora, chamada Joelinda, sempre o punha na programação das comemorações cívicas da escola. Sem saber, esta educadora teve papel determinante na construção da identidade do futuro artista. O repertório, segundo o próprio Paulo reportou numa entrevista à TV Ceará, na década de 1980, consistia em peças do cancioneiro popular. A ligação com este acervo sonoro seria indelével. É importante salientar, porém, que Paulo não tinha, nem poderia ter, de forma alguma, consciência da raridade da própria voz, o que lhe seria revelado a posteriori. Aliás, isto seria impossível, mesmo na Fortaleza dos dias atuais. Na década de 1960, quando Paulo começou a se interessar mais diretamente em estudar música, a única instituição de formação de músicos existentes na cidade era particular, em outras palavras, inacessível a quem provinha de uma família sem recursos.

Abel, porém, dava seus “pulos”. Uma vez que não podia frequentar o conservatório, estudou música a sua maneira: procurando as pessoas que poderiam ajuda-lo, de alguma forma, a matar sua vontade de aprender.  Foi assim que ele iniciou seus estudos com o violonista e professor João Lima (1923-1997), que costumava levar o garoto de 12 anos para encontros de violonistas, nos domingos pela manhã. Numa dessas reuniões, Abel conheceu o ex-coletor de impostos e agitador cultural Raimundo Nonato Ferreira (1913-1983). Apaixonado por música, mas sem muito talento, Ferreirinha, como era conhecido, dedicava os anos de aposentadoria aos estudos musicais no conservatório, ao mesmo tempo em que frequentava uma licenciatura em Pedagogia. Dono de um belo piano Essenfelder de parede (hoje localizado na Escola de Música Luiz Assunção, no centro de Fortaleza, caindo aos pedaços), Ferreirinha morava na rua Justiniano de Serpa (a casa ainda existe, mas não pertence mais à família Ferreira), nas cercanias de Paulo Abel. Paulo e Raimundo passavam horas escutando os discos de música erudita colecionados pelo aposentado, ao mesmo tempo em que buscavam aprender, dentro dos seus limites, a domar o difícil e fascinante instrumento.

Raimundo Nonato Ferreira, um dos principais apoiadores de Paulo Abel do Nascimento. Foto: arquivo familiar.

Raimundo Nonato Ferreira, um dos principais apoiadores de Paulo Abel do Nascimento. Foto: arquivo familiar.

A dedicação que Ferreirinha devotava à música por vezes exasperava Araniza Ferreira (morta em 2013, pouco tempo depois de me conceder uma entrevista), sua esposa. Um dia, enraivado com a impertinência da pobre dona de casa, enlouquecida pela insistência do marido naqueles estudos sobre as teclas do piano, deu o troco, do seu jeito, ao mesmo tempo rude e engraçado:

“Sai daí, Bruaca”!

Paulo compreendeu a palavra como “buarca”, e por “buarquinha” dona Araniza ficou. Paulo e Araniza manteriam uma ambígua  ligação entre si – Araniza, ao mesmo tempo em que lamentava sua ausência, parecia, às vezes, ter algum ressentimento em relação à Abel – até a morte do músico, que estava justamente na residência da Justiniano de Serpa quando foi-se embora do Brasil pela última vez.

Ferreirinha sempre procurou integrar grupos artísticos, como o Canto do Aboio, criado em 1968, e que trazia como novidade a introdução de elementos cênicos no coro. Desafinado que só ele, porém, não chegou a fazer parte da formação, segundo me esclareceu Luciano Hortêncio, ex-integrante do grupo.  Lembrou, entretanto, do pequeno vizinho, de voz bonita e interessado em música. Resolveu levá-lo a um dos ensaios. O garoto, porém, nem abriu a boca.

“Ferreirinha, de onde foi que você tirou essa ‘mulherzinha'”?

A frase (presumivelmente) proferida por uma integrante (não identificada) do Canto do Aboio, era enfatizada por Araniza, quando ela rememorava o lamentável episódio. Ferreirinha, evidentemente, ficou indignado e levou Paulo Abel de volta consigo. Comovido com o choro do pequeno amigo, prometeu ajuda-lo, da forma que pudesse, a realizar seu sonho de estudar música – fora dos estreitos limites da Fortaleza de então, de preferência.

Dona Araniza Ferreira, esposa de Ferreirinha. Fotografia: Eduardo Pereira.

Dona Araniza Ferreira, esposa de Ferreirinha. Fotografia: Eduardo Pereira.

A homossexualidade foi um fato perturbador e um tabu na vida de Paulo e dos seus familiares. O garoto delicado e de voz fina sempre foi dado às meninas da vizinhança, como disse Teresa Dantas, amiga de infância. Sua maior companheira desses tempos de inocência foi Lourdes de Almeida, já falecida. Num país patriarcal e sexista como o Brasil, obviamente isto inspirava comentários  e insultos maldosos. Mesmo em sua casa, Abel não era uma unanimidade. Enquanto os irmãos mais velhos tendiam a se envergonhar da “mulherzinha”, Maria Conceição, conhecida como Marta (1949-1993), penúltima filha do casal Nascimento e a única mulher sobrevivente, tomava para si aquele irmão de alma feminina. Infelizmente, esta generosa relação seria rompida de forma brusca, mais tarde.

Por outro lado, a família Nascimento era muito católica, e Paulo Abel frequentava assiduamente a igreja, na qual participava, inclusive, de grupos de jovens, como o JUCICA (Juventude Cívica Católica). É escusado dizer que a Igreja Católica, mesmo em tempos de Papa Francisco, ainda condena a homossexualidade. E a “culpa”, o melhor e mais eficiente dos instrumentos de dominação da consciência, pesaria sobre o futuro artista de maneira atroz. Paulo Abel viveria plenamente sua sexualidade apenas em solo europeu, porém de modo insensato e com pesados dramas de consciência. O fato é que, até hoje, a homossexualidade de Abel é um assunto desconfortável para a maior parte dos seus familiares. Quando o assunto é AIDS, então, a conversa logo toma outro rumo. No máximo, a doença simplesmente é negada.

Gay, mestiço e pobre, Paulo Abel dificilmente se adaptaria ao mundo tal como ele é. E, mais uma vez, fê-lo a partir da astúcia. Se não encontrava aprovação entre a parentela em casa, apoiava-se em familiares de mente mais aberta, como as primas Maria Lúcia Rodrigues, ainda hoje residindo em Fortaleza, e “Mundinha”, hoje residente em Brasília. E se a instituição oficial (e privada) de ensino de música na capital cearense lhe fechava a porta na cara, ele aprendia música (quase) sozinho, como me contou uma das mais importantes mulheres da vida de Paulo Abel do Nascimento: Izaíra Silvino Moraes.

Em 1968, Izaíra era uma jovem estudante de direito e bolsista do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. Estava na Casa de Cultura Hispânica, na UFC, esperando um ensaio do Grupo de Tradições Cearenses, quando se deparou com um moleque meio alto e gordinho. Ele trazia um caderno de música consigo. Foi logo perguntando, sem muita cerimônia:

“Tu é (sic) Izaíra, né? Sabe música”?

A moça confirmou sua identidade e respondeu, modestamente, que sabia sim um pouco de teoria musical.

“Então, solfeja aí”.

Ele se referia a um exercício de oito compassos, em tempo quaternário, na tonalidade de dó maior. A musicista riu consigo e, claro, ajudou o pré-adolescente. A amizade (amor) entre os dois só encontraria termo com a morte do futuro cantor.

Izaíra Silvino, amiga e uma das mulheres mais importantes da vida de Paulo Abel. Foto: arquivo pessoal.

Izaíra Silvino, amiga e uma das mulheres mais importantes da vida de Paulo Abel. Foto: arquivo pessoal.

Da mesma forma em que ia aprendendo música “na marra”, esclarecendo com os outros aquilo que não entendia completamente, Paulo Abel também absorvia o que julgava necessário a sua formação cultural. Foi Izaíra também quem relatou que Paulo costumava circular entre as portas e janelas das casas de cultura estrangeira da UFC, onde até hoje se oferecem, a preços módicos (que Abel, cujo primeiro emprego foi auxiliar de pedreiro, não podia pagar), cursos de idiomas estrangeiros, a fim de “brechar” as aulas e aprender o que pudesse. Às vezes era descoberto e “corrido” de lá. Mas sempre voltava. Morreria falando cinco línguas.

Em 1974, aos 17 anos, e após vencer uma tuberculose, Paulo Abel ingressou no curso de Turismo, na então ETFCE. Embora a carreira de turismólogo não povoasse os seus sonhos, o garoto conseguiu, junto àquela instituição, dar vazão ao seu desejo de fazer música. Com ajuda de Laysce Bonfim Maciel (1917-1979), orientadora pedagógica da ETFCE, em 1976 ele conseguiu reativar o coral da instituição, parado desde a saída do maestro Orlando Leite (1926-2011) da escola técnica. Suprema ousadia para quem não detinha qualquer diploma de música. Mas este “atrevimento” se revelará fundamental na vida de Paulo. Numa das viagens do coral do ETFCE para participar das comemorações referentes ao dia de Santa Cecília, no Rio de Janeiro, o então regente conheceu o músico e professor da UERJ Michel Phillipot (1925-1996). Encantado com o jovem regente, mas consciente das suas limitações, o francês convidou-o a frequentar um pequeno curso que ele ministraria no início de 1977, em Curitiba. Em dezembro de 1976, durante o III ENCORET (Encontro de Corais das Escolas Técnicas Federais), em João Pessoa, Paulo encontrou outra figura importante para estimular-lhe o desejo de ampliar os horizontes musicais: Cleofe Person de Matos (1913-2002), maestrina e musicóloga responsável pela recuperação da obra musical do padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830). Cleofe não só elogiou a performance do rapaz e do seu grupo, como ainda lhe estimulou a aceitar o convite para o curso em Curitiba.

Durante o III ENCORET, em 1976. O jovem regente está à frente do Coral da ETFCE. Foto: arquivos Elvis Matos.

Durante o III ENCORET, em 1976. O jovem regente está à frente do Coral da ETFCE. Foto: arquivos Elvis Matos.

De volta à Fortaleza, Paulo conseguiu, através da ajuda de Laysce Bonfim Maciel e da empresária Beatriz Philomeno Gomes, a passagem de avião para o Paraná. Rica e bem relacionada, militante junto à Associação São Vicente de Paulo e ao JUCICA, Beatriz acionou o então Secretário de Cultura do governo biônico de José Adauto Bezerra, Ernando Uchoa. Uma vez na capital paranaense. Phillipot, talvez de forma equivocada (ou talvez Paulo não tenha entendido), fez uma vaga promessa de bolsa para Paulo Abel estudar na então recém-criada Universidade Estadual Paulista (UNESP), em São Bernardo do Campo. O músico, claro, ficou maravilhado. Mas não tinha um tostão para a viagem.

Albaniza Gondim, Beatriz Philomeno Gomes e Laysce Bonfim. Senhoras de caridade que ajudaram o jovem Paulo Abel. Fonte: arquivo pessoal.

Albaniza Gondim, Beatriz Philomeno Gomes e Laysce Bonfim. Senhoras de caridade que ajudaram o jovem Paulo Abel. Fonte: arquivo pessoal.

Dessa vez com o socorro do velho Ferreirinha, Paulo Abel chegou à cidade do automóvel,  entre julho e agosto de 1977, segundo o maestro Samuel Kerr. Trajava camiseta branca e calça cáqui, apesar do frio de rachar. Sem conseguir a tal bolsa e nem prestar vestibular, Paulo foi acolhido pelos amigos de Phillipot, que se encontrava fora de São Paulo, à época. Enquanto Samuel Kerr solicitou seus serviços de copista junto ao coral Cantum Nobile, dando alguma renda para o cearense se virar no Sudeste, Paulo foi morar com o musicólogo francês Roger Cotte (1921-1999) e sua esposa, François, na Vila Mariana, em São Paulo. Roger foi um dos poucos a atestar a raridade do registro vocal de Paulo Abel do Nascimento, e daria novo rumo à vida do jovem. Ele estudou, em regime livre, na UNESP, composição, direção de orquestra, musicologia e canto gregoriano. De volta à Fortaleza, para a conclusão do curso de Turismo na ETFCE, Paulo organizou uma apresentação de música antiga – o repertório certamente era influência de Roger Cotte, especialista no assunto. Mas o que ressaltou foi um fato “escandaloso”: segundo o professor aposentado da ETFCE, Myrson Lima, durante a colação de grau da sua turma, Paulo apareceu de vestido(!). O ato, irreverente mesmo hoje em dia, lhe valeu uma censura dentro da conservadora instituição.

Formado, Paulo voltaria a São Bernardo do Campo, onde passou a integrar um grupo de música antiga organizado por Roger Cotte. O grupo se apresentaria no IX Festival de Inverno de Campos do Jordão, mas uma confusão, até hoje mal explicada, envolvendo Abel e o diretor do evento, o cearense Eleazar de Carvalho (1912-1996), inviabilizou o concerto. A partir deste evento, Paulo passou a procurar novas possibilidades, fora do seu país. Com a ajuda de Roger Cotte, ele conseguiu uma bolsa do governo italiano para o Istituto Nazionale di Studi sul Rinascimento, em Florença. A bolsa, no entanto, financiava apenas os estudos e não o traslado e as despesas pessoais do estudante. Uma vez mais Paulo foi apoiado, dessa vez pela artista Giselda Leirner, que a pedido da pianista Ana Stella Chic (1925-2009), esposa de Roger Cotte, promoveu um concerto em seu apartamento, a fim de angariar recursos para a manutenção do jovem cantor cearense em terras europeias. Além disso, Giselda conseguiu, junto a um amigo, uma passagem aérea e comprou um guarda-roupa completo para o cantor.

Em solo italiano, Abel teve dificuldades em se manter. Procurou ajuda junto ao Centro Giorgio la Pira, financiado pela Cáritas, onde aprendeu melhor  sobre a cultura italiana e recebeu uma pequena ajuda financeira, por determinado tempo, até que, com a ajuda de Élisabeth de Miribel (1915-2005), Consulesa geral da França em Florença e ex-secretária do poderoso Charles De Gaulle, conseguiu trabalho junto à Villa Gucci, como uma espécie de preceptor.  Inicialmente, Abel estudou com a soprano Nella Anfuso. Porém, a convivência entre aluno e mestra foi difícil, ao ponto de Nella “desistir” de orientar o pupilo brasileiro, três anos depois, alegando indisciplina por parte do mesmo. Abel, por seu turno, queixou-se que a musicista tratava-o como um serviçal, impondo-lhe exercícios vocais sobre-humanos. Antes disso, porém, Nella submeteu Paulo Abel a uma série de exames junto ao hospital florentino de Careggi,  onde se constatou o hipogonadismo responsável pela ausência de mudança na voz de Paulo Abel, durante o período da puberdade.

O jovem rapaz, de fato, não tinha pomo-de-Adão e nem barba e sua voz se localizava na região da oitava natural feminina. Isso indicava que ela não passara pela fase de mudança, durante a puberdade, permanecendo infantil. Seria errado, contudo, dizer que Paulo Abel foi um castratto ou que tinha uma voz de castratto. Em primeiro lugar porque, ao contrário de castratti autênticos, como Farinelli (1705-1782), Paulo não foi emasculado. Em segundo, porque não há um registro específico de castratto. Os castratti não obtinham, por efeito cirúrgico, uma voz bela e educada. Aliás, o que lhes distinguia não era o seu registro, mas seu virtuosismo, demonstrado no domínio da técnica de ornamentação barroca, no contexto do Barroco Musical. Paulo Abel do Nascimento poderia ser chamado, de forma um tanto inadequada, de castratto endocrinológico, uma vez que a sua voz permaneceu infantil em decorrência do hipogonadismo, como se constatou (finalmente) na Itália, na década de 1970. Todavia, mesmo sem ser um castratto autêntico, Abel, fisiologicamente, tinha o mesmo potencial desses jovens cuja virilidade foi sacrificada, na maioria das vezes por determinação ou ingenuidade dos seus pais, em função de ambições sociais e econômicas. Aliás, a questão acerca da autenticidade do status de castratto ou não de Paulo Abel do Nascimento não passa de falsa polêmica. No máximo, uma questão banal, que não ofusca o brilho da sua voz e do seu gênio musical.

Nestes anos italianos, Abel também daria vazão aos seus apetites sexuais. Desde a rebelião de Stonewall, em 1969, o movimento LGBT se empoderou, e os espaços voltados a este público se multiplicaram mundo afora. Florença, cidade relativamente tranquila no difícil contexto italiano das décadas de 1960/1970 viu nascer, em 1974, a primeira boate gay da terra de Mussolini: Il Tabasco, localizada no interior da Piazza della Signoria. Frequentada por homossexuais do mundo inteiro, esta boate era famosa por sua dark room. Terra de fricchettone, adaptação italiana do vocábulo inglês freak, i.e., “esquisito”, Florença tinha uma vida sexual exuberante. Tudo o que um jovem homossexual nos seus vinte e poucos anos poderia desejar. Segundo Giuseppe Nuccio Iaccono, florentino que teve uma breve amizade com o cantor brasileiro, Paulo Abel tinha um comportamento sexual promíscuo, sempre acompanhado de diferentes parceiros. Um enorme risco, ainda ignorado pela comunidade LGBT, uma vez que, já em 1979, foram descritos os primeiros casos de AIDS, então uma doença sem cara nem nome, em Nova York.

Na Europa: solidão e estudos intensos. Foto: arquivo pessoal.

Na Europa: solidão e estudos intensos. Foto: arquivo pessoal.

Embora afetasse alegria e força para os mais próximos, Paulo Abel guardava grandes sofrimentos em si. Solitário, emocionalmente instável, mergulhado em diferentes e tênues relações amorosas, Paulo superestimava o próprio sucesso. Morava numa singela água-furtada, no subúrbio parisiense. Porém, diria aos familiares que ocupava um belo apartamento, um dos dois que possuía – o outro se localizava em Florença, onde Abel tinha que revezar meio ano de permanência, uma vez que não possuía cidadania francesa. Ao sobrinho, Gleison Nascimento, o cantor chegou a “confessar” que estava juntando dinheiro para comprar um jatinho, a fim de poupá-lo dos inconvenientes dos voos comerciais.

Este aspecto megalomaníaco, além de uma certa falta de orientação especializada e indisciplina, levou Paulo a seguir uma carreira errática. Em 1981, o músico fez sua estreia profissional, uma apresentação transmitida ao vivo pela Rádio e Televisão Belgo-Francesa (RTBF), por intermédio de Michel Phillipot. A partir de então, ele seguiu uma agenda de pequenos, porém constantes recitais, que lhe deram a oportunidade de viver de música, mas não de alcançar o grande público. A década de 1980 será a dos grandes “fenômenos” pop, como Michael Jackson e Madonna e Paulo não será infenso, de forma alguma, ao fascínio que a mitologia em torno daqueles artistas despertava na maior parte das pessoas. A “estranheza” da sua voz era um atrativo em si. Bastava encontrar a parceria certa. Foi imbuído desse espírito que Paulo realizou duas gravações, até hoje mantidas inéditas: a Bachiana Brasileira n. 5, com o arranjo eletrônico do músico francês José-michel, e Lebanon, composição do empresário francês Antoine Bonnel.

Com o músico francês José-Michel, em meados da década de 1980: Bachiana Brasileira n. 5, com arranjo eletrônico. Fonte: arquivos José-Michel.

Com o músico francês José-Michel, em meados da década de 1980: Bachiana Brasileira n. 5, com arranjo eletrônico. Fonte: arquivos José-Michel.

O ano de 1984 marcou uma “virada” na carreira de Paulo Abel. O músico suíço Paul-André Demierre deveria realizar a montagem da Ópera Xerxes, em homenagem ao tricentenário do compositor Georg Friedrich Haendel (1685-1759). Desde a montagem empreendida por Caffarelli, entre 1737-1738, em Londres, esta seria a segunda vez em que o personagem-título seria interpretado por um homem, no caso, o contratenor italiano Ruggiero Spallone. Uma vez que o divo era uma pessoa “intratável”, Demierre deu-lhe o bilhete azul, mas ficou de mãos atadas, já que restavam poucas semanas para a estreia. Foi então que o diretor de palco da ópera, Alessandro Balducci, soube da existência de um jovem brasileiro de voz extraordinária. Paulo foi chamado para o teste e encantou a todos. Foi nesta montagem que ele tomou contato com a ária que o consagraria internacionalmente: Ombra mai Fu. Quando Paulo precisou cantá-la no teste para a cena que fez em Ligações Perigosas, não deu para os outros 72 candidatos.

Em 1985, quase sete anos após deixar o Brasil, Paulo Abel do Nascimento voltou ao seu país de origem. Veio como convidado do Festival Aquarius, organizado pelo jornalista Péricles de Barros, ligado à Rede Globo, e pelo  maestro Isaac Karabtchevsky. Paulo se apresentou no dia 18 de agosto, nos jardins do Palácio do Catete. O “fenômeno” foi objeto de uma pequena matéria para o Fantástico, à época, o noticiário mais prestigiado da noite de domingo. No dia 22, o cantor esteve no então decadente Teatro José de Alencar, num concerto beneficente organizado pelas senhoras de caridade. A ligação de Paulo Abel com estas damas da alta sociedade seria constante. Além de Beatriz Philomeno, Maria Macedo, esposa de um rico empresário cearense, teria uma forte relação com o músico, responsabilizando-se, inclusive, pelo traslado das suas cinzas.

Este retorno marcou também o reencontro de Paulo com a sua família, à qual ele podia apenas mandar cartas e fazer escassos (e caríssimos) telefonemas internacionais, e também com seus amigos, como Izaíra Silvino, neste período coordenadora da Casa de Cultura Artística da Universidade Federal do Ceará. É provável que, já neste período, Paulo Abel do Nascimento estivesse contaminado com o vírus HIV e tivesse ciência de que era soropositivo. Isto explicaria o sentido de urgência com que o cantor chegou para Izaíra, quase de supetão, propondo-lhe a realização de uma ópera cearense. Lúcida, a musicista ponderou que esta seria uma empresa deveras difícil no contexto de um Estado no qual sequer havia uma escola de formação de músicos. Propôs-lhe então uma espécie de escola, com a realização de oficinas de formação em diferentes funções artísticas, cujo resultado seria a montagem de óperas como aquela que propunha Paulo. Para isso, Izaíra e Abel arregimentaram talentos locais, como o professor, poeta e pesquisador Oswald Barroso, o compositor Eugênio Leandro, a pianista Nara Vasconcelos, o artista plástico e músico Descartes Gadelha e o compositor Tarcísio José de Lima, entre tantos outros que se uniram num esforço colaborativo para levar adiante o sonho de fazer música, coletivamente, apesar de todos os pesares de um país que começava a sair das amarras da ditadura civil-militar.

É aí que surge uma das maiores contribuições de Paulo Abel do Nascimento para a educação musical no Ceará: muitos daqueles que fizeram parte do projeto ópera, como o então bolsista da Casa de Cultura Artística, Elvis de Azevedo Matos, levaram adiante sua concepção coletiva de aprendizagem musical, sendo diretamente responsáveis pelo surgimento do curso de licenciatura em música da UFC, o único do Brasil a não exigir o Teste de Habilidade Específica. A Ópera com a qual Paulo Abel sonhou, Moacir das Sete Mortes: ou a vida desinfeliz de um cabra da peste, tem libreto assinado por Oswald Barroso e Eugênio Leandro e música composta por Tarcísio José de Lima. A obra jamais foi encenada integralmente, mas não foi esquecida. É possível que um dia seja enfim apresentada ao público. Resta, no entanto, a dúvida: quem cantaria as partes escritas para a poderosa voz de Paulo Abel?

A partir de 1985, as vindas de Paulo Abel ao Brasil passam a ser constantes. Em geral, ele aportava no Rio de Janeiro, onde mantinha amigos importantes, como Joãozinho Trinta (1933-2011) e passava o Carnaval, seguindo para Brasília, onde ficava na casa de Mundinha, sua prima, e costumava dar recitais e oficinas, e terminava em Fortaleza, onde matava as saudades dos parentes e amigos e continuava a coordenar os trabalhos do Projeto Ópera. E foi justamente na sua terra que Abel encontrou seu último amor, Claudio Belisario. Claudio acompanharia Abel na derradeira viagem do músico para a Europa, mas problemas com seu passaporte impediram-no de embarcar.

Em 1986, Paulo lançaria seu primeiro CD: Alessandro et Domenico Scarlatti: cantates et sonates, pela pequena Lyrinx. Hoje uma raridade, este disco guarda a rica sonoridade da voz de Paulo Abel do Nascimento, antes que a AIDS se manifestasse. Além disso, trata-se de um trabalho de resgate de uma obra perdida no tempo, uma vez que fora feita para ser cantada por castratti.

1988 seria um ano auspicioso para o artista em ascensão: Paulo participou do filme  Ligações Perigosas, numa pequena cena na qual um castratto entretém a nobreza francesa. A ponta foi significativa, uma vez que lhe abriu as portas para novas oportunidades artísticas. E, suprema das ironias, justamente no mesmo Festival de Inverno de Campos do Jordão, 10 anos após o incidente com Eleazar de Carvalho, Paulo marcaria a consolidação do seu reconhecimento em terras brasílicas. O evento teve ótima repercussão e lhe granjeou ainda mais prestígio (e inveja) no meio cearense. Com apoio de Violeta Arraes (1926-2008), secretária de cultura do governo Tasso Jereissati e sua amiga desde a época em que a socióloga residia na França, Paulo participaria de eventos significativos, como a reinauguração do Teatro José de Alencar.

No XIX Festival de Inverno de Campos do Jordão, com a cravista Helena Jank. Foto: arquivos Helena Jank.

No XIX Festival de Inverno de Campos do Jordão, com a cravista Helena Jank. Foto: arquivos Helena Jank.

Todavia, é também neste período que os sintomas da terrível doença que daria termo a sua vida se manifestam com mais contundência. A morte da sua mãe, em 19 de setembro de 1990, em decorrência de problemas cardíacos, na opinião de quase todos os seus amigos, precipitou a sua morte. É possível. Não obstante, o organismo de Paulo Abel já estava deveras debilitado. Claude Fondraz, seu pianista por vários anos, relatou que, certa vez, numa apresentação na França, o músico teve um ataque de diarreia, entre uma ária e outra, sendo obrigado a deixar uma plateia e músicos atônitos.

Apesar de tudo, Paulo desejava trabalhar. Tanto que, no final de 1990, ele grava  seu último disco: Melodies Populaires Brésiliennes, também pelo selo Lyrinx. O repertório consiste numa amostra significativa do cancioneiro popular brasileiro, além de peças de compositores como o pernambucano Marlus Nobre, que, na condição de diretor do MIDEM, em 1985, promoveu um bem-sucedido concerto de Paulo Abel, em companhia da esposa do compositor, a pianista Maria Luíza Nobre. É notório que sua voz está um pouco mais débil, em comparação ao disco anterior, porém, sua beleza e a técnica de Paulo ainda estão irretocáveis.

O desejo de deixar um legado levou o músico a tentar acessar o doutorado em Musicologia na Sorbonne. Para isso, ele procurou a prestigiada Georgie Durosier. Em entrevista por e-mail, a professora e escritora, especialista em música barroca e da I Guerra Mundial, argumentou que foi procurada pelo cantor, porém seu trabalho não se enquadraria naquilo que seria necessário para se empreender os estudos do doutorado. Segundo Claude Fondraz, Paulo Abel do Nascimento conquistara um DEA – o que, no antigo sistema educacional francês, equivalia a um mestrado. Porém, Durosier me garantiu que Abel não possuía mestrado e que seu projeto não caminhou adiante. Não por incompetência, mas pela morte.

No início da década de 1990, visivelmente mais abatido. Foto: arquivos Claude Fondraz.

No início da década de 1990, visivelmente mais abatido. Foto: arquivos Claude Fondraz.

Paulo Abel do Nascimento morreu no dia 13 de maio de 1992, aos 35 anos, na França. A notícia pegou a família e os amigos de surpresa, salvo aqueles que, de uma forma ou de outra, já suspeitavam da doença. Ainda em 1992, poucos meses antes de fim, Paulo fez sua última visita à cidade que o viu nascer. Vinha do Rio de Janeiro, onde passou seu último Carnaval. Todavia, as coisas não iam bem. A aparência do músico, magérrimo e com cabelos ralos, despertou a mórbida curiosidade de amigos, vizinhos e desafetos. No campo doméstico, as coisas estavam piores. Casada pela segunda vez, Marta, a irmã que fora o principal esteio de Paulo entre seus irmãos, rompeu com o músico, acusada de se apropriar de recursos que o irmão bem-sucedido enviava ao seu pai. Abel se refugiou na residência de dona Araniza, evitando contato com os familiares. Foi de lá que o músico, intempestivamente, decidiu ir embora. Rumou para a França, sendo recebido por Claude Fondraz. Nem teve tempo de ir para casa. Foi obrigado a se internar no Hospital Universitário de Paris, de onde nunca mais sairia.

Eu não conheci Paulo Abel do Nascimento. Este personagem fabuloso chegou até mim em 2009, por ocasião de um pequeno curso de canto e fisiologia da voz, no âmbito da VII Semana de Humanidades UECE/UFC. Desde então, o fascínio por esta pessoa, cuja vida foi marcada simultaneamente pela superação e pela tragédia, só cresceu. Esta é uma breve síntese biográfica, um extrato de um trabalho enorme, que realizo com a paciência e o empenho de um artesão: a reconstituição, fragmento por fragmento, da vida de uma pessoa que, até poucos anos atrás, só podia ser acessada através de notas perdidas na internet ou da pioneira biografia do professor Elvis Matos, lançada em 2006 pela Fundação Demócrito Rocha.

O projeto, intitulado Paulo Abel (Ombra mai Fu) consiste numa ampla biografia e num documentário, ambos em avançado estágio de produção, que caminham ao ritmo de um trabalho sem recursos, feito na base da colaboração e de muito amor. Este esforço, junto a de outras pessoas, gerou frutos.  Em 2012, dentro do Ano Paulo Abel do Nascimento, promovido pela Secretaria de Cultura Artística da UFC, na figura de Elvis Matos, titular da secretaria, foi lançado o livro Paulo Abel: eu me lembro. Ainda neste ano, foi lançado o sítio http://www.pauloabelcom e exibida uma primeira montagem do documentário Paulo Abel (Ombra mai Fu), num belo evento realizado no auditório da Reitoria da UFC. Oxalá a finalização desse ambicioso projeto possa levar ao público a história desse homem fascinante, de voz angelical e ao mesmo tempo tão humano, que escalou os cumes da glória para, como numa tragédia grega, sofrer a sanção invejosa dos deuses.

RELICÁRIO DO CINEMA #3 – APOCALYPSE NOW (1979)

Um dos maiores filmes de guerra já produzidos, Apocalypse Now figura no Panteão da Sétima Arte como poderoso e ambicioso registro ficcional da Guerra do Vietnã, sob o componente da insanidade que perpassa todo conflito armado

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O pôster de Apocalypse Now (1983): Como sempre, Brando em destaque.

A guerra está no espírito dos EUA. A política externa ianque, desde o início do século XX, é baseada no pressuposto de que são os “zeladores” do mundo. E a cultura pop não fica alheia à isso. Capitão América, Superman – e as suas nada sugestivas cores -, e até mesmo o Zé Carioca, criado por Walt Disney no auge da II Guerra, fruto da chamada “política da boa vizinhança”, são apenas alguns dos exemplos das tentativas estadunidense de impor a sua influência pelos mais variados métodos – seja pela cultura ou pela força das armas. Indo contra essa tendência, alguns dos melhores produtos da cultura do país advém do caráter antibelicista nela inseridos, e Apocalipse Now, o filme de Francis Ford Coppola ora abordado nesse texto, atende a esse último requisito.

Baseado livremente no romance O Coração das Trevas (1902), de Joseph Conrad (1857-1924), Apocalypse Now (1979) não é um simples filme de guerra. É uma história sobre pessoas que perdem a sanidade em decorrência de um conflito absolutamente sem sentido.É o horror do conflito, tirando a humanidade dos seus participantes. O protagonista, Capitão Willard, interpretado por um competente Martin Sheen, é um homem amargo, que não vê muitos motivos para estar naquela guerra, mas de algum modo acha aquilo melhor do que a sua casa. Como parte da Inteligência do Exército Americano, é mandado para confrontar um Coronel que se isolou na fronteira do Vietnã com o Camboja,e luta a guerra de sua própria maneira, esse oficial, Walter Kurtz, é interpretado pelo magistral Marlon Brando (1924-2004).

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APOCALIPSE NOW (1979): O horror e insanidade da guerra transposto para a tela.

Além dos dois, o elenco conta com Robert Duvall, aqui vivendo o insano Tenente Coronel Kilgore, e o estreante Laurence Fishburne, no papel do soldado Clean. Todos os membros do elenco entregam uma performance exemplar, mas como sempre, Brando esgota todos os adjetivos que podem ser dados a um ator, mesmo atuando quase sempre na penumbra (por questões de má forma física), e com pouco tempo de tela (infelizmente, mas necessário para a trama), Brando é simplesmente magnético, declamando o texto com uma sobriedade que consegue transmitir toda a grandeza do personagem, que é ao mesmo tempo, carismático e aterrador. Pode até se traçar um paralelo entre o ator e o personagem, que por muitos anos depois desse filme se tornou um recluso, cercado apenas pela próprio mito.

A trilha sonora é um show à parte, contando com criações dos Rolling Stones, Credence Clearwater, The Doors e a hipnótica “The End” (que casa perfeitamente com a trama), além claro, de Richard Wagner e sua Cavalgada das Valquírias (1856), acompanhamento de uma das mais famosas cenas de bombardeio do Cinema, aliás, as cenas de batalha primam pelo realismo e elaboração, não é à toa que Coppola teve enormes dificuldades ao gravar o filme, com direito a furacão destruindo o set de filmagens, enfarte do ator principal, e ataque de estrelismos de Brando. O que levaria apenas 6 semanas, arrastou-se por 16 meses (como revela o excelente documentário O Apocalipse de um Cineasta (1991), de Eleanor Coppola, esposa do cineasta), mas o resultado é tecnicamente impecável, sendo sido indicado a 7 Oscars, incluindo Melhor Coadjuvante (Duvall) e Melhor Filme – mas levou apenas dois (Fotografia e Som). Em compensação, foi vencedor da Palma de Ouro de Cannes-1979.

Por se tratar de um libelo antiguerra poderoso, ter atuações magníficas, uma direção de excelência, além de algumas das cenas de guerra mais chocantes já filmadas, Apocalypse Now merece figurar na sua lista de filmes a assistir antes de morrer. É Cinema para apreciar, e, sobretudo, refletir. Afinal, o que é preciso acontecer para um homem deixar de ser humano e são?

7 CURIOSIDADES SOBRE APOCALYPSE NOW

1- Francis Ford Coppola propôs realizá-lo dez anos antes do livro realmente ter sido transposto para o cinema. Na época o estúdio procurado não aceitou a proposta, pois achava que Coppola não tinha condições de comandar uma grande produção. Porém, após os lançamentos dos dois primeiros episódios da saga O Poderoso Chefão, em 1972 e 1974, finalmente conseguiu levar às telas a obra de Joseph Conrad;

2 – As negociações para ter Marlon Brando foram bastante complicadas. Tendo recebido antecipadamente US$ 1 milhão, Brando ameaçou abandonar o projeto ainda antes das filmagens começarem. Coppola, por sua vez, respondeu que não se importava com a ausência de Brando e que se ele realmente abandonasse o papel iria convidar Jack Nicholson, Robert Redford ou Al Pacino para o papel. Brando naquele momento estava gordo, andava frequentemente bêbado e admitiu que não havia lido nem o roteiro e nem o livro em que o filme se baseava. Mesmo depois de ler o roteiro, ainda se recusou. Após dias de conversas, concordou em atuar com uma condição: de que ele aparecesse sempre nas sombras, para que o público não notasse que ele estava 40 quilos acima do seu peso normal;

3 – O nome do personagem de Martin Sheen foi criado a partir de uma combinação dos nomes dos dois filhos mais velhos de Harrison Ford, Benjamin e Willard;

4 – Originalmente seria de Harvey Keitel o papel do Capitão Benjamin Willard. Faltando apenas duas semanas para o início das filmagens, Coppola resolveu optar por Martin Sheen;

5 – Para conseguir o papel, o ator Laurence Fishburne mentiu sobre sua idade quando a produção de teve início, em 1976. Na época ele tinha 14 anos;

6 – Jim Morrison (1943-71), vocalista do The Doors, estudou com Coppola na faculdade de cinema da UCLA. Coppola prestou-lhe uma homenagem inserindo a música ‘The End’, na trilha sonora. Além de encaixar-se no contexto do filme, a música fez a banda ser conhecida por uma nova geração de fãs;

7 – Por fim, Coppola ameaçou por diversas vezes se suicidar durante as filmagens.

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APOCALYPSE NOW
EUA, 1979
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola, John Milius
Elenco: Martin Sheen, Marlon Brando, Robert Duvall, Laurence Fishburne, Federic Forrest, Dennis Hopper
Produção: Francis Ford Coppola
Fotografia: Vitorio Storaro
Montagem: Gerald B. Greenberg e Walter Murch
Trilha Sonora: Francis Ford Coppola
153 minutos
16 anos
Zoetrope Studios

Confira o trailer de Apocalypse Now com The End:

 

 

SEMANA 05 – AS ESTREIAS DESTA QUINTA-FEIRA EM FORTALEZA

Semana apetitosa de estreias neste início de fevereiro. Há ótimas opções, como o drama de horror Clarisse ou Alguma Coisa sobre Nós Dois (2015), de Petrus Cariry; o thriller Animais Noturnos (2016), de Tom Ford; os dramas A Qualquer Custo (2016), de David Mackenzie, A Espera (2015), de Piero Messina (2015), Jackie (2016), de Pablo Larraín, e Estrelas Além do Tempo (2016), de Theodore Melfi; o documentário The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years (2016), de Ron Howard; o horror O Chamado 3 (2017), de F. Javier Gutiérrez; e a comédia TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva (2017), de Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic. Em pré-estreia, o drama Cinquenta Tons Mais Escuros (2017), de James Foley

Sabrina Greve em CLARISSE OU ALGUMA COISA SOBRE NÓS DOIS (2015), de Petrus Cariry

Sabrina Greve em CLARISSE OU ALGUMA COISA SOBRE NÓS DOIS (2015), de Petrus Cariry

Terceiro longa-metragem de Petrus Cariry, Clarisse ou Alguma Coisa sobre Nós Dois representa uma evolução lógica do caminho percorrido por O Grão (2007) e Mãe e Filha (2011), este último que já tangenciava o gênero horror. Trata-se do terceiro filme da chamada “trilogia da morte” de um diretor que prima pelo rigor estético. Premiado em diversos festivais, Clarisse… finalmente entra em cartaz em circuito brasileiro. Na trama, a personagem-título (Sabrina Greve) mora em Fortaleza, longe do pai, mas decide ir até sua casa para visitá-lo. Na casa do pai moribundo, ela descobre segredos da sua infância que envolve um irmão que morreu. Neste ambiente perturbador, ela mergulha em um turbilhão emocional. Em cartaz no Cinema do Dragão, no Centerplex Via Sul e no Cine Benfica.

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CLARISSE OU ALGUMA COISA SOBRE NÓS DOIS (Brasil, 2015), de Petrus Cariry. Com Sabrina Greve, Everaldo Pontes, David Wendefilm, Débora Ingrid, Veronica Cavalcanti, Tabata Nery. 84 min. Sereia. 16 anos.

Amy Adams em ANIMAIS NOTURNOS (2016), de Tom Ford

Amy Adams em ANIMAIS NOTURNOS (2016), de Tom Ford

Lançado nacionalmente na última semana de 2016, Animais Noturnos foi muito pedido pelo público fortalezense, que sentiu falta do filme entre as estreias da cidade. Depois de pouco mais de um mês de atraso, o filme chega a Fortaleza, agora com uma indicação a Oscar de ator coadjuvante para Michael Shannon. Na trama, Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. A narrativa do manuscrito acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa e filha para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho de uma gangue. Em cartaz no Cinema de Arte (Cinépolis RioMar).

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ANIMAIS NOTURNOS (Nocturnal Animals, EUA, 2016), de Tom Ford. Com Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher, Ellie Bamber. 116 min. Universal. 16 anos.

Cena de A QUALQUER CUSTO (2016), de John Mackenzie

Cena de A QUALQUER CUSTO (2016), de David Mackenzie

Mais dois filmes indicados à categoria principal do Oscar entram em cartaz esta semana na cidade e A Qualquer Custo é provavelmente o melhor dos dois. Espécie de faroeste moderno, o filme acompanha a jornada de dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, que perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se restabelecerem financeiramente. No caminho, porém, a dupla enfrenta um delegado que fará de tudo para capturá-los. Dirigido por David Mackenzie, de Sentidos do Amor (2011), o filme está indicado ao Oscar nas categorias de filme, ator (Jeff Bridges), roteiro e montagem. Em cartaz no UCI Iguatemi.

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A QUALQUER CUSTO (Hell or High Water, EUA, 2016), de David Mackenzie. Com Jeff Bridges, Dale Dickey, Ben Foster, Chris Pine, William Sterchi, Buck Taylor. 102 min. California. 14 anos.

Cena de A ESPERA (2015), de Piero Messina

Cena de A ESPERA (2015), de Piero Messina

Exibido na Mostra Expectativa 2017, A Espera agradou bastante quem teve oportunidade de vê-lo. Agora, esta produção franco-italiana estrelada por uma das maiores atrizes do cinema francês contemporâneo entra em circuito com mais tempo para o público apreciar. Na trama, Juliette Binoche é Anna, uma mulher que num momento de profunda dor e luto é surpreendida pela visita da namorada francesa do filho, Jeanne (Lou de Laâge), por ele convidada para os festejos de Páscoa. Isoladas num casarão na Sicília, Itália, elas escondem segredos enquanto aguardam o reaparecimento do rapaz. Com uma história mórbida e tocante, A Espera também conta com uma interpretação excelente da jovem Lou de Laâge (de Respire). Em cartaz no Cinema do Dragão.

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A ESPERA (L’Attesa, Itália/França, 2015), de Piero Messina. Com Juliette Binoche, Lou de Laâge, Giorgio Colangeli, Domenico Diele, Antonio Folletto, Corinna Locastro. 110 min. Imovision. 14 anos.

Natalie Portman em JACKIE (2016), de Pablo Larraín

Natalie Portman em JACKIE (2016), de Pablo Larraín

Interessante um cineasta como o chileno Pablo Larraín, do recente Neruda (2016), ficar incumbido de dirigir um filme sobre Jackie Kennedy, cobrindo o assassinato do presidente em Dallas, seguido pelo luto e reconquista da fé durante os quatro dias seguintes à tragédia que abateu os Estados Unidos. Pelo que dizem, Jackie não é uma cinebiografia tradicional, como também não é Neruda. Para o bem e para o mal. Espera-se que a entrada de Larraín no cinema em língua inglesa seja uma boa experiência para o espectador também. Um dos possíveis méritos do filme é poder contar com uma atriz tão boa quanto Natalie Portman, vivendo o papel-título. Trata-se também da oportunidade de darmos adeus a John Hurt, falecido esta semana. Em cartaz no UCI Iguatemi.

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JACKIE (Chile/França/EUA, 2016), de Pablo Larraín. Ceom Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Greta Gerwig, Billy Crudup, John Hurt, Richard E. Grant. 100 min. Diamond. 14 anos.

Cena de ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (2016), de Theodore Melfi

Cena de ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (2016), de Theodore Melfi

A temporada do Oscar traz Estrelas Além do Tempo, filme que conta uma história que se passa em um momento particularmente delicado para os negros americanos, a década de 1960. Na trama, um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA. Mesmo que não seja um grande filme do ponto de vista formal, é um filme importante que seja visto para o fortalecimento do respeito ao negro e também às mulheres. Em cartaz em grande circuito.

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ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (Hidden Figures, EUA, 2016), de Theodore Melfi. Com Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons. 127 min. Fox. Livre.

Cena de THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK - THE TOURING YEARS (2016), de Ron Howard

Cena de THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK – THE TOURING YEARS (2016), de Ron Howard

Ter a oportunidade de ver um documentário sobre parte da história de uma das bandas mais importantes do mundo é sempre algo que deve ser valorizado. The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years já traz em seu subtítulo do que se trata. O documentário de Ron Howard foca nos anos em que os Beatles fizeram turnês pelo mundo, de 1963 a 1966. O filme é uma compilação de imagens de arquivo, entrevistas e histórias das 250 apresentações que os quatro rapazes de Liverpool fizeram. Trata-se do segundo documentário sobre música dirigido por Ron Howard – o primeiro foi Made in America (2013), sobre o rapper Jay-Z. O doc dos Beatles entra em cartaz no UCI Iguatemi.

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THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK – THE TOURING YEARS (EUA, 2016), de Ron Howard. Documentário. 137 min. Flix Media. Livre.

Cena de O CHAMADO 3 (2017), de F. Javier Gutiérrez

Cena de O CHAMADO 3 (2017), de F. Javier Gutiérrez

Terem mudado o título do filme no Brasil para O Chamado 3 certamente pode passar uma ideia de que se trata de uma obra tão boa quanto os dois primeiros filmes, de 2002 e 2005, dirigidos por Gore Verbinski e Hideo Nakata. Filmes que pegaram carona no sucesso do horror japonês e foram bem sucedidos. O novo O Chamado 3 já tem um trailer que cheira à picaretagem. Mas tudo é possível e pode vir uma boa surpresa deste novo filme, que parece não trazer nada de realmente novo. Na trama, moça fica preocupada quando seu namorado começa a explorar a lenda urbana sobre um vídeo misterioso, uma lenda que diz que quem assiste morre depois de sete dias. Há uma novidade na sinopse: detalhes envolvendo o filme dentro do filme. Em cartaz em grande circuito.

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O CHAMADO 3 (Rings, EUA, 2017), de F. Javier Gutiérrez. Com Vincent D’Onofrio, Laura Wiggins, Aimee Teegarden, Bonnie Morgan, Johnny Galecki, Lizzie Brocheré. 102 min. Paramount. 14 anos.

Cena de TOC - TRANSTORNADA, OBSESSIVA, COMPULSIVA (2017), de Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic

Cena de TOC – TRANSTORNADA, OBSESSIVA, COMPULSIVA (2017), de Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic

Mais uma comédia brasileira chega para aquecer o circuito de filmes brasileiros nos cinemas de shopping. Desta vez, a aposta é em Tatá Werneck, embora Ingrid Guimarães apareça em alguns momentos. Na trama de TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva , Kika K (Werneck) é uma atriz que está em novelas, campanhas publicitárias e é idolatrada por milhões de fãs. Mas, por trás das aparências, ela está em crise com sua vida pessoal e profissional, enquanto precisa lidar com seu Transtorno Obsessivo Compulsivo. Ela se depara com um fã obsessivo (Luis Lobianco), um namorado galã sem noção (Bruno Gagliasso) e os compromissos profissionais marcados pela exigente empresária (Vera Holtz). Em cartaz em grande circuito.

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TOC – TRANSTORNADA, OBSESSIVA, COMPULSIVA (Brasil, 2017), de Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic. Com Tatá Werneck, Bruno Gagliasso, Vera Holtz, Laura Neiva, Luciana Paes, Daniel Furlan. 105 min. Downtown/Paris. 14 anos.

Pré-estreia

Cena de CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS (2017), de James Foley

Cena de CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS (2017), de James Foley

Como era de se esperar, Cinquenta Tons de Cinza (2015) foi um sucesso de público, devido ao burburinho do erotismo sadomasoquista light causado pela trinca de livros de E.L. James. A sequência, Cinquenta Tons Mais Escuros, apresenta agora a jovem Anastasia (Dakota Johnson), logo depois de ter encerrado o relacionamento com Christian Grey (Jamie Dornan), por causa de seus hábitos e atitudes. Mas ela não resiste à tentação e volta aos braços do empresário. Agora ela tem a intenção de mudar um pouco as regras, mas enfrentará algumas aventuras pela frente, com o aparecimento de pessoas do passado de Christian. Em pré-estreia em grande circuito, na madrugada de quarta para quinta-feira, dia 8.

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CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS (Fifty Shades Darker, EUA, 2017), de James Foley. Com Jamie Dornan, Dakota Jonhson, Tyler Hoechlin, Bella Heathcote, Kim Basinger, Luke Grimes. 115 min. Universal. 16 anos.

Saem de cartaz

Axé – Canto do Povo de um Lugar
O Vendedor de Sonhos
Paraíso
Passageiros
Sete Minutos Depois da Meia-Noite

As estreias nacionais desta quinta-feira, 2, que não entram em cartaz em Fortaleza

Armas na Mesa
Más Notícias para o Sr. Mars
Minha Vida de Abobrinha

Veja o trailer de Minha Vida de Abobrinha

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SEMANA 04 – AS ESTREIAS DESTA QUINTA-FEIRA EM FORTALEZA

Semana de estreias variadas e algumas bem-vindas. Destaque para o drama A Morte de Luís XIV (2016), de Albert Serra, e o drama de guerra Até o Último Homem (2016), de Mel Gibson, além, da ficção científica O Homem Que Caiu na Terra (1976), de Nicolas Roeg. A maior estreia, comercialmente falando, é a aventura Resident Evil 6 – O Capítulo Final (2016), de Paul W.S. Anderson. Interessantes também o drama Paraíso (2016), de Andrei Konchalovsky, e o documentário Axé – Canto do Povo de um Lugar (2017), de Chico Kertész. Há ainda os dramas Beleza Oculta (2016), de David Frankel, e Quatro Vidas de um Cachorro (2017), de Lasse Hallström; a animação A Bailarina (2016), de Eric Summer e Éric Warin; e a aventura Max Steel (2016), de Stewart Handler. O drama Eu, Daniel Blake (2016), de Ken Loach, volta em cartaz no Cinema do Dragão, depois das duas semanas de maratona cinéfila da Mostra Retrospectiva 2016/Expectativa 2017. No Cinema do Dragão, também haverá exibições especiais do documentário Chico Science – Uma Caranguejo Elétrico, além de uma Mostra Estudantil de Audiovisual, junto com a exibição de obras do Cinema Novo, como Cinema Novo, O Desafio, Os Fuzis, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Praia do Flamengo e Cinco Vezes Favela

Cena de A MORTE DE LUÍS XIV (2016), de Albert Serra

Cena de A MORTE DE LUÍS XIV (2016), de Albert Serra

Um filme que cheira à morte. Assim pode ser descrito o novo filme de Albert Serra, A Morte de Luís XIV (2016), que apesar de ser ou parecer um desafio para um público mais amplo, é tão fascinantemente mórbido que nos faz ficar até o doloroso fim, que já sabemos se tratar da morte do rei, que desde o começo da narrativa já aparece extremamente debilitado, reclamando de uma dor na perna. Jean-Pierre Léaud, que será eternamente lembrado por seu papel como o inquieto e enérgico Antoine Doinel dos filmes de Truffaut, interpreta agora um homem velho em estado de lenta agonia. Trata-se de um filme que se constrói com muitos silêncios e muitos sussurros. Um dos melhores filmes do ano até o momento. Em cartaz no Cinema do Dragão.

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A MORTE DE LUÍS XIV (La Mort de Louis XIV, Portugal/França/Espanha, 2016), de Albert Serra. Com Jean-Pierre Léaud, Patrick d’Assumçao, Marc Susini, Bernard Belin, Irène Silvagni, Vincenç Altaió, Jacques Henric. 115 min. Zeta. Classificação a definir.

Cena de ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (2016), de Mel Gibson

Cena de ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (2016), de Mel Gibson

Sempre é bom lembrar que Mel Gibson é um dos melhores diretores de cenas de batalha. Nunca se viu algo tão visceral e brutal quanto as cenas de Coração Valente (1995). Depois de um tempo longe da tarefa de diretor, “Mad Mel” retorna com um drama de guerra passado durante a Segunda Guerra Mundial. Na trama de Até o Último Homem, o médico do exército Desmond T. Doss (Abdrew Garfield) se recusa a pegar em uma arma e matar pessoas, porém, durante a Batalha de Okinawa, ele trabalha na ala médica e salva mais de 75 homens, sendo condecorado, o que faz de Doss o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso. Indicado a seis Oscar, inclusive melhor filme, direção e ator. Em cartaz no UCI Iguatemi e no Cinépolis RioMar Kennedy.

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ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Hawksaw Ridge, Austrália/EUA, 2016), de Mel Gibson. Com Andrew Garfield, Sam Worthington, Luke Bracey, Teresa Palmer, Hugo Weaving, Rachel Griffiths. 139 min. Diamond. 16 anos.

Cena de O HOMEM QUE CAIU NA TERRA (1976), de Nicolas Roeg

Cena de O HOMEM QUE CAIU NA TERRA (1976), de Nicolas Roeg

Estreia como ator de David Bowie, O Homem Que Caiu na Terra é uma ficção científica um tanto perturbadora e que ainda possui muitas das características daquela geração de novos cineastas modernos que ganharam força na década de 1970. Nicolas Roeg, que havia trabalhado com Mick Jagger em Performance (1970), já tinha uma boa experiência de como trabalhar com um grande astro da música no cinema. E Roeg fez um filme enigmático, com uma edição cheia de idas e vindas no tempo e imagens que só completariam o quebra-cabeças ao longo da metragem. Por isso é preciso um pouco de paciência para que o grau de envolvimento do filme alcance o espectador em cheio, lá perto da metade do filme. Em cartaz no Cinema do Dragão.

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O HOMEM QUE CAIU NA TERRA (The Man Who Fell to Earth, Reino Unido, 1976), de Nicolas Roeg. Com David Bowie, Rip Torn, Candy Clark, Bucky Henry, Bernie Casey, Jackson D. Kane, Rick Riccardo. 139 min. Zeta. Classificação a definir.

Foto promocional de RESIDENT EVIL 6 - O CAPÍTULO FINAL (2016), de Paul W.S. Anderson

Foto promocional de RESIDENT EVIL 6 – O CAPÍTULO FINAL (2016), de Paul W.S. Anderson

O quarto Resident Evil se destacou pela excelência nos efeitos em 3D digitais, para muitos, lembrado como uma das melhores experiências nessa tecnologia. O novo filme, o sexto da franquia, é anunciado como o capítulo que encerra tudo. E traz de volta tanto Milla Jovovich (claro!) quanto Ali Larter, que esteve no 3 e no 4. Na trama, Alice (Milla Jovovich), sobrevivente do massacre zumbi, retorna para onde o pesadelo começou, Raccoon City, onde a Umbrella Corporation reúne suas forças para um ataque final contra os remanescentes do apocalipse. Para vencer a dura batalha final e salvar a raça humana, a heroína recruta velhos e novos amigos. Em cartaz em grande circuito, inclusive na sala IMAX.

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RESIDENT EVIL 6 – O CAPÍTULO FINAL (Resident Evil – The Final Chapter, França/Alemanha/Canadá/Austrália, 2016), de Paul W.S. Anderson. Com Milla Jovovich, Ruby Rose, Ali Larter, Iain Glen, Shawn Roberts, Wlliam Lavy, Rola. 106 min. Sony. 14 anos.

Cena de PARAÍSO (2016), de Andrei Konchalovsky

Cena de PARAÍSO (2016), de Andrei Konchalovsky

O cineasta russo Andrei Konchalovsky tem uma carreira bem extensa e diversificada, trafegando tanto em filmes do circuito alternativo, como Os Amantes de Maria (1984) quanto em cinemão hollywoodiano, caso de Tango e Cash – Os Vingadores (1989). Atualmente anda um pouco sumido de nosso circuito, mas retorna com o drama Paraíso. Na trama, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, as vidas de três pessoas acabam se cruzando: Olga (Yuliya Vysotskaya), uma aristocrata russa e membro da resistência francesa, Jules (Philippe Duquesne), um francês, e Helmut (Christian Clauss), um oficial de alta patente dentro das tropas nazistas. Em cartaz no Pátio Dom Luís.

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PARAÍSO (Ray, Rússia/Alemanha, 2016), de Andrei Konchalovsky. Com Yuliya Vysotskaya, Viktor Sukhorukov, Philippe Kurth, Ramona Kunze-Librow, Christian Clauss, Kean Denis Römer. 130 min. Mares. Classificação a definir.

Cena de BELEZA OCULTA (2016), de David Frankel

Cena de BELEZA OCULTA (2016), de David Frankel

O que mais se destaca ao vermos o cartaz ou o trailer de Beleza Oculta é o elenco de peso, encabeçado por Will Smith. Na trama, Howard (Will Smith), após uma tragédia pessoal, entra em depressão e passa a escrever cartas para a Morte, o Tempo e o Amor – algo que preocupa seus amigos. Mas o que parece impossível se torna realidade quando essas três partes do universo decidem responder. Morte (Helen Mirren), Tempo (Jacob Latimore) e Amor (Keira Knightley) vão tentar ensinar o valor da vida para o protagonista. O trailer já é um tanto constrangedor e é uma pena ver tanta gente boa envolvida, mas não deixa de ser curioso mesmo assim. Em cartaz em grande circuito.

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BELEZA OCULTA (Collateral Beauty, EUA, 2016), de David Frankel. Com Will Smith, Edward Norton, Kate Winslet, Michael Peña, Helen Mirren, Naomie Harris, Keira Knightley. 97 min. Warner. 10 anos.

Cena de AXÉ - CANTO DO POVO DE UM LUGAR (2017), de Chico Kertész

Cena de AXÉ – CANTO DO POVO DE UM LUGAR (2017), de Chico Kertész

Talvez o documentário Axé – Canto do Povo de um Lugar não seja destinado apenas a pessoas que apreciam o ritmo musical originário da Bahia. Há toda uma rica história a se contar, que se confunde com a da Bahia dos últimos 30/40 anos, e o filme também conta com um elenco de entrevistados que fazem com que o projeto seja no mínimo interessante. Axé também conta com imagens de arquivo que ajudam a compor a história de uma música que marcou gerações e que continua ainda viva, embora já tenha passado de seu auge. O Axé é um ritmo musical que carrega em sua essência boa parte de todo o sincretismo musical e cultural baiano. Em cartaz no UCI Iguatemi, em sessões apenas no sábado e no domingo, às 13 hs.

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AXÉ – CANTO DO POVO DE UM LUGAR (Brasil, 2017), de Chico Kertész. Documentário. 107 min. Zahir Company. 12 anos.

Cena de QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO (2017), de Lasse Hallström

Cena de QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO (2017), de Lasse Hallström

Curiosamente, o sueco Lasse Hallström ficou mundialmente conhecido pelo filme Minha Vida de Cachorro. E agora é lembrado também por filmes com cachorros, como o emocionante melodrama Sempre ao Seu Lado (2009) e agora este Quatro Vidas de um Cachorro, baseado em um best-seller (ficou 49 semanas na lista dos mais lidos do New York Times) sobre um cão que reencarna diversas vezes e encontra novas pessoas e se pergunta qual será sua verdadeira missão na Terra. Embora encontre novas pessoas e viva muitas aventuras, ele mantém o sonho de reencontrar o seu primeiro dono, que sempre foi seu maior amigo. O filme conta com um elenco bem simpático. Em cartaz em grande circuito.

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QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO (A Dog’s Purpose, EUA, 2017), de Lasse Hallström. Com Britt Robertson, Josh Gad, Dennis Quaid, Logan Miller, Luke Kirby, Juliet Rylance, Bryce Gheisar. 120 min. Universal. Livre.

Cena de A BAILARINA (2016), de Eric Summer e Éric Warin

Cena de A BAILARINA (2016), de Eric Summer e Éric Warin

Animação franco-canadense, A Bailarina nos leva à Paris de 1869. Na trama, uma sonhadora menina órfã toma uma atitude arriscada para conseguir o que deseja: foge para Paris para realizar o sonho de ser uma grande bailarina. Lá ela tem a ideia de se passar por outra pessoa, e assim consegue uma vaga na Grand Opera, onde vai aprontar muitas aventuras. Um dos diretores do filme trabalhou na cultuada animação francesa As Bicicletas de Belleville. No Brasil, a protagonista será dublada por Mel Maia, atriz-mirim de várias telenovelas da Globo e do filme Através da Sombra, de Walter Lima Jr. Em cartaz em grande circuito.

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A BAILARINA (Ballerina, França/Canadá, 2016), de Eric Summer e Éric Warin. Com as vozes originais de Elle Fanning, Dane DeHaan, Maddie Ziegler, Carly Rae Jepsen, Elana Dunkelman, Kaycie Chase. 89 min. Paris. Livre.

Cena de MAX STEEL (2016), de Stewart Hendler

Cena de MAX STEEL (2016), de Stewart Hendler

Max Steel é uma franquia de bonecos produzidos pela Mattei, e que acabou virando uma franquia de filmes destinados ao público adolescente. Nos anos 2000, além de vários filmes produzidos, o personagem ainda rendeu séries para a televisão. No novo filme, somos apresentados a Max (Ben Winchell), um adolescente de 16 anos que, como todas as pessoas da sua idade, está passando por um período de descobertas. Entretanto, as transformações na vida do jovem estão relacionadas aos incríveis poderes que ele descobre ter quando entra em contato com uma força extraterrestre. Trata-se de uma produção modesta que pretende aproveitar o sucesso de filmes de super-herói para faturar. Em cartaz em grande circuito.

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MAX STEEL (Reino Unido/EUA, 2016), de Stewart Hendler. Com Ben Winchell, Josh Brener, Maria Bello, Andy Garcia, Ana Villafañe, Mike Doyle, Phillip DeVona. 92 min. Imagem. 10 anos.

Saem de cartaz

Eu Fico Loko
Rogue One – Uma História Star Wars

As estreias nacionais desta quinta-feira, 26, que não entram em cartaz em Fortaleza

A Espera
Nojoom, 10 Anos, Divorciada
O Ídolo
Si J’Étais un Homme

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RANKING INTERNACIONAL – XXX: REATIVADO estreia na liderança

O novo filme de D. J. Caruso entrou em cartaz no mercado internacional na semana passada e conseguiu disparar na liderança do ranking. Passageiros despencou na renda e terminou o fim de semana na terceira colocação, atrás da La La Land: Cantando Estações, que manteve-se próximo da renda anterior. The King entrou em cartaz na Coréia do Sul e conseguiu alcançar a quinta colocação, enquanto que Moana: Um Mar de Aventuras ficou em quarto lugar, após uma pequena queda.

Vin Diesel em cena de XXX: REATIVADO.

Vin Diesel em cena de XXX: REATIVADO.

xXx: Reativado foi bem em seu primeiro fim de semana em cartaz no mercado internacional ao arrecadar cerca de US$ 50,5 milhões no período e garantir a liderança sem dificuldades. A ação estreou em pouco mais de 50 localidades, mais da metade de seu calendário de estreias, e teve seus melhores desempenhos na Rússia (US$ 5,5 milhões), França (US$ 3,1 milhões), Alemanha (US$ 2,8 milhões), México (US$ 2,8 milhões) e Austrália (US$ 2,3 milhões).

Ryan Gosling e Emma Stone em cena de LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES.

Ryan Gosling e Emma Stone em cena de LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES.

Aproveitando a queda de Passageiros, La La Land: Cantando Estações conseguiu manter a arrecadação do fim de semana próxima da obtida anteriormente e subiu para a segunda posição do ranking. O aclamado romance acumulou cerca de US$ 16,6 milhões em seu quarto fim de semana em cartaz no mercado internacional. Ao término do período, o valor estimado do total acumulado pelo filme nas bilheterias internacionais era de US$ 83,7 milhões.

Chris Pratt e Jennifer Lawrence em cena de PASSAGEIROS.

Chris Pratt e Jennifer Lawrence em cena de PASSAGEIROS.

Mesmo com o bom começo na China nas semanas anteriores, Passageiros não conseguiu conter a queda de cerca de 60% na arrecadação e terminou o período na terceira colocação. Há cinco semanas em cartaz, a aventura acumulou US$ 13,4 milhões no período, estando em cartaz em mais de 60 localidades. Ao término do fim de semana, o filme acumulava US$ 33,5 milhões na China, US$ 16,9 milhões na Rússia, US$ 15,4 milhões no Reino Unido, US$ 10,4 milhões na Alemanha e US$ 9 milhões na França, dentre as localidades em que obteve os melhores desempenhos, somando um total de US$ 175 milhões nas bilheterias internacionais.

Cena de MOANA: UM MAR DE AVENTURAS.

Cena de MOANA: UM MAR DE AVENTURAS.

Em sua nona semana em cartaz no mercado internacional, Moana: Um Mar de Aventuras continua segura entre os cinco primeiros, tendo acumulado US$ 12,9 milhões no último fim de semana, valor que representa uma queda pequena de cerca de 20%. Com o resultado, a animação conseguiu ainda subir uma colocação em relação o ranking do fim de semana anterior, ficando com o quarto lugar. A receita total obtida no mercado internacional era estimada de US$ 272 milhões ao término do último fim de semana.

Cena de THE KING.

Cena de THE KING.

The King é outro film do oriente a entrar em cartaz em apenas uma localidade e conseguir um grande desempenho no ranking internacional. O filme acumulou cerca de US$ 10,5 milhões ao entrar em cartaz na Coréia do Sul e conseguiu ficar com a quinta posição do ranking. O drama do diretor Jae-rim Han, de A Batalha dos Ciborgues (2003), não possui estreias em seu calendário, apenas uma limitada, nos Estados Unidos, prevista para este fim de semana.

Confira abaixo a tabela do ranking internacional com os dez melhores.

RINT

Veja o trailer de xXx: Reativado.

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RELICÁRIO DO CINEMA #2 – Scarface (1983)

Subvertendo a lógica comum, de onde se extrai que todo remake é potencialmente um filme ruim, Scarface, de Brian DePalma, é um intrigante e complexo estudo de personagens mais perversos do gangsterismo e tem de Al Pacino uma das maiores performances masculinas da história do Cinema

kinopoisk.ru

Al Pacino em SCARFACE (1983): no âmago do verdadeiro tour de force entre ator e personagem

Scarface pode ser tratado como um conto de fadas, daqueles que a Disney gosta de contar. Mas esqueça as princesinhas de tez clara, pois o protagonista é um imigrante cubano. Esqueça também as músicas melosas, a única melodia que ressoa aqui é uma infinidade de “fuck’s” nas mais diversas modalidades. E o pó que sai das asinhas das fadas? Tony Montana cheira tudo. Podemos extrair até uma lição moral no fim da película, mas não cabe a mim soltar esse spoiler, certo?

Com direção de Brian de Palma, e o robusto roteiro de Oliver Stone, Scarface é uma daquelas raríssimas exceções no mundo cinematográfico, no qual geralmente remakes são sinônimo de bomba em formato de filme, mas esse com certeza não é o caso. Para quem não sabe, o original é um filme de 1932, que no Brasil recebeu o título de Scarface – a Vergonha de uma Nação , com direção de Howard Hawks, com Paul Muni (observe a mania das distribuidoras brasileiras subtítular desde então), e conta a história de Tony Camonte, um bandido pé-rapado que ascende meteoricamente no submundo criminoso de Chicago. Cinquenta anos depois, a história é recontada, mas dessa vez o cenário é a ensolarada Miami, e o protagonista já não é mais ítalo-americano, e sim um bandido cubano deportado, em uma manobra (fictícia) de Fidel Castro para limpar as prisões da ilha.

Muito do realismo e da crueza da história se deve ao roteiro de Stone, que na época que escrevia o texto, passava por problemas com o seu vício em cocaína e, como r4esultado, o que podemos notar é um verdadeiro exorcismo do vício em forma de script. A trama começa com um ritmo lento, mas a captura do espectador é quase imediata, segue em um crescendo até o clímax, onde nos deparamos com a cena onde Montana solta uma das mais icônicas frases do Cinema. Sim, ela mesma: “Say hello to my little friend!!“. A amiguinha de Tony é uma metralhadora M-16 com lançador de granada, um mimo, digna dos sonhos de ambição do imigrante cubano. O único ponto que me desagrada um pouco em tudo isso é a trilha sonora, que não é uma das mais inspiradas de Giorgio Moroder, mas mesmo assim casa com a cafonice que os anos 80 exalam (destaque para o carro do personagem principal e o seu estofado de oncinha).

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“I’am Tony Montana! You Fuck With Me! Fuckin With The Best! “: Scarface se apresenta dando uma aula de sintaxe

Al Pacino merece uma análise à parte no filme. É impressionante a construção e a verossimilhança de seu Tony é algo incrível e extremamente satisfatório para quem é fã de Cinema, todos os seus maneirismos e palavrões, casam bem com aquilo que se imagina de um bandido latino, cheio de bravatas e temperamental até os ossos, além da cena final bad-ass, destaca-se a cena do restaurante, onde o seu inflamado discurso aos presentes, mostra o quanto Pacino desempenhou bem a complexidade do personagem. Outra que demonstra um grande trabalho é Michelle Pfeiffer, sua Elvira Hancock não se configura apenas como mero objeto de desejo, e sim como uma pessoa atraída pelo turbilhão que a egotrip de seu marido acaba se tornando, e atriz é competente em estabelecer essa relação explosiva com o personagem de Pacino.

Por conter uma das melhores atuações da carreira de um monstro do cinema, por fornecer para a posteridade uma das “catchphrases” mais homenageadas de sempre, e por estar dentre os melhores filmes de Máfia já realizados, Scarface é um clássico indiscutível, e só não digo obrigatório porque tudo feito por obrigação acaba se tornando uma chatice. Certeza que Tony Montana concordaria comigo.

7 curiosidades sobre Scarface:

1- A história inicialmente, deveria ser mais fiel ao original, mas os custos de produção, obrigaram as mudanças nas filmagens, que passou de Chicago para Miami e uma parte foi feita em Los Angeles; enquanto a comunidade cubana via com maus olhos a história de um cubano delinquente;

2 – Oliver Stone se aproveitou de sua experiência de viciado para escrever o roteiro, chegou a conviver com barões do tráfico na Flórida e foi ameaçado de morte ao falar de sua amizade com um jornalista desafeto dos traficantes;

3 – Al Pacino considera Tony Montana o melhor papel de sua carreira. Após as filmagens o ator parabenizou Stone por conseguir criar um personagem tão complexo e humano;

4- Robert de Niro e Bruce Willis foram cogitados para o papel- título, enquanto John Travolta deveria ter sido o melhor amigo de Montana, Manny;

5 – O papel de Elvira Hancock foi um dos mais disputados de que se tem notícia na história da Sétima Arte. As seguintes atrizes foram cogitadas, ou fizeram teste para ser o interesse amoroso do traficante: Rosana Arquette, Jodie Foster, Kim Basinger, Melanie Griffith, Brooke Shields, Jennifer Jason Leigh, Bridget Fonda, Geena Davis, Kathleen Turner, Sygourney Weaver, Carrie Fisher, Nancy Ellen, Sharon Stone, Glen Close e Kelly McGillis;

6- Ao todo, são desferidos 226 “fuck’s” durante os seus 170 minutos, cerca de 1,36 por minuto – só o protagonista fala 182 vezes (A banda Blink 182 tirou seu nome desse fato);

7 – Saddam Hussein era tão fã do filme, que sua firma de importações foi batizada como Montana Inc.

FICHA TÉCNICA

 

SCARFACESCARFACE
EUA, 1983
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Oliver Stone
Elenco: Al Pacino, Michele Pfeiffer, Steven Bauer, Mary Elizabeth Mastrantonio, Robert Loggia, Mirian Colon, F. Murray Abraham e Paul Shenar
Produção: Martin Bregman
Fotografia: John A. Alonzo
Montagem: Gerald B. Greenberg e David Ra
Trilha Sonora: Giorgio Moroder
170 minutos
18 anos
Universal

Confira o trailer de Scarface.

 

 

RANKING INTERNACIONAL – PASSAGEIROS assume liderança

Em seu seu quarto fim de semana no mercado internacional, Passageiros assumiu a liderança do ranking ao estrear na China, colocando Rogue One: Uma História Star Wars para a terceira posição. Assassin’s Creed ficou em segundo lugar com uma boa arrecadação. O aclamado La La Land: Cantando Estações e a animação Moana: Um Mar de Aventuras ficaram em quarto e quinto lugar, respectivamente.

Jennifer Lawrence e Chris Spratt em cena de PASSAGEIROS.

Jennifer Lawrence e Chris Spratt em cena de PASSAGEIROS.

Passageiros entrou em cartaz na China e conseguiu arrecadar cerca de US$ 17,5 milhões em seu primeiro fim de semana no país, somando US$ 32,5 milhões em renda no período. Com o resultado, o filme garantiu a primeira colocação do ranking internacional e a receita total acumulada no mercado internacional era de US$ 147 milhões ao término do domingo.

Michael Fassbender em cena de ASSASSIN'S CREED.

Michael Fassbender em cena de ASSASSIN’S CREED.

Assassin’s Creed aproveitou o embalo de Passageiros pra garantir a segunda posição do ranking com uma renda razoável e colocar Rogue One pra baixo na tabela, subindo duas colocações em duas semanas. Em cartaz em 72 localidades, a aventura arrecadou cerca de US$ 23,1 milhões em seu quinto fim de semana em cartaz. Ao término do período, o filme tinha uma receita total estimada em US$ 132 milhões.

Felicity Jones em cena de ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS.

Felicity Jones em cena de ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS.

Mesmo com um ótimo desempenho na China, Rogue One: Uma História Star Wars não se sustentou e diminui em cerca de 60% o valor da arrecadação. O filme arrecadou US$ 9,8 milhões no país, somando US$ 21,9 milhões no mercado internacional no último fim de semana, e ficou com a terceira posição do ranking. O desempenho foi semelhante ao de Star Wars: O Despertar da Força no começo do ano passado, no entanto o sétimo episódio da franquia Star Wars não perdeu a liderança com a queda. Após cerca de cinco semanas em cartaz no mercado, Rogue One terminou o último fim e semana com uma receita total de aproximadamente US$ 481 milhões.

Ryan Gosling e Emma Stone em cena de LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES.

Ryan Gosling e Emma Stone em cena de LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES.

La La Land: Cantando Estações foi bem em seu terceiro fim de semana em cartaz, garantindo a quarta posição do ranking ao arrecadar US$ 17,8 milhões no período. Dentre os melhores desempenhos do período, Reino Unido estava na frente com uma renda de US$ 7,3 milhões para o romance e a primeira colocação no ranking local. O filme está em cartaz em mais de 50 localidades, tendo ainda Brasil, França, Itália e China dentre as principais estreias pela frente. A arrecadação total ao término do domingo era de US$ 54,8 milhões.

Cena de MOANA: UM MAR DE AVENTURAS.

Cena de MOANA: UM MAR DE AVENTURAS.

Fechando o top cinco, Moana: Um Mar de Aventuras voltou novamente a ficar entre os melhores após quase dez semanas em cartaz no mercado. A animação entrou em cartaz na Coréia do Sul e conseguiu melhorar seu desempenho ao arrecadar cerca de US$ 4,7 milhões no país para um total de US$ 16,9 milhões obtido obtido no fim de semana. China é a localidade com melhor arrecadação acumulada; cerca de 32,5 milhões já foi obtido no país com a animação, de um total de US$ 251 milhões no mercado internacional.

Confira abaixo a tabela com os dez melhores do ranking internacional.

RINT

Veja abaixo o trailer de La La Land: Cantando Estações.

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SEMANA 03 – AS ESTREIAS DESTA QUINTA-FEIRA EM FORTALEZA

O mês de janeiro continua não sendo, para o circuitão, um mês bom, pelo menos não para o que chega em Fortaleza. Tirando o musical La La Land – Cantando Estações (2016), de Damien Chazelle, há pouca coisa interessante, mas há sempre a possibilidade de surpresas. Entre as opções, temos a comédia musical Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood (2017), de João Daniel Tikhomiroff; a comédia Os Penetras 2 – Quem Dá Mais? (2017), de Andrucha Waddington; e a aventura xXx – Reativado (2017), de D.J. Caruso. Em pré-estreia: a animação A Bailarina (2016), de Eric Summer e Éric Warin;  a aventura Max Steel (2016), de Stewart Hendler; e o drama Quatro Vidas de um Cachorro (2017), de Lasse Hallström. Mas o mais importante é que continua, pela segunda semana, a excelente Mostra Retrospectiva 2016/Expectativa 2017, no Cinema do Dragão. Quem está comparecendo está curtindo muito. Veja a programação AQUI

Cena de LA LA LAND - CANTANDO ESTAÇÕES (2016), de Damien Chazelle

Cena de LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (2016), de Damien Chazelle

Quem viu o Globo de Ouro (e até quem não viu) sabe que La La Land – Cantando Estações foi recordista de premiações no prêmio dos jornalistas estrangeiros em Hollywood. Dirigido pelo mesmo Damien Chazelle do ótimo Whiplash – Em Busca da Perfeição (2014), La La Land é um musical que tem encantado o público por onde tem passado. O filme conta a história do pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) que conhece a atriz iniciante Mia (Emma Stone) em Los Angeles e os dois se apaixonam perdidamente. Na competitiva cidade, os dois tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem o sucesso em suas carreiras profissionais. Em cartaz em grande circuito.

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LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (La La Land, EUA, 2016), de Damien Chazelle. Com Ryan Gosling, Emma Stone, Rosemarie DeWitt, Terry Walters, Callie Hernandez, Jessica Rothe, J.K. Simmons, Sonoya Mizuno. 129 min. Paris. Livre.

Cena de OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES (2017), de João Daniel Tikhomiroff

Cena de OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES (2017), de João Daniel Tikhomiroff

Os Trapalhões foram um caso especial de triunfo de público durante muitos anos no Brasil. Tanto pela programa televisivo, que agradava adultos e crianças, quanto pelos filmes lançados no cinema todos os anos e que rendiam muito bem nas bilheterias. O último filme com o nome “Os Trapalhões” no título foi Os Trapalhões e a Árvore da Juventude (1991) e  isso já faz um bom tempo. Desde então, Renato Aragão vem fazendo alguns filmes pouco expressivos como Didi, os mais recentes para a televisão. Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é um retorno a um momento muito especial do grupo, o filme que talvez seja recordado como o mais querido, Os Saltimbancos Trapalhões (1981), com bela trilha de Chico Buarque. É esperar que os veteranos honrem este momento. Em cartaz em grande circuito.

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OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – RUMO A HOLLYWOOD (Brasil, 2017), de João Daniel Tikhomiroff. Com Renato Aragão, Dedé Santana, Alinne Moraes, Livian Aragão, Letícia Colin, Marcos Frota, Roberto Guilherme.  99 min. Downtown Paris. Livre.

Cena de OS PENETRAS 2 - QUEM DÁ MAIS? (2017), de Andrucha Waddington

Cena de OS PENETRAS 2 – QUEM DÁ MAIS? (2017), de Andrucha Waddington

O mundo mudou bastante do primeiro Os Penetras (2012) para esta sequência, Os Penetras 2 – Quem Dá Mais?, dirigido pelo mesmo Andrucha Waddington. Agora Marcelo Adnet é um sucesso na televisão e mostrou o quanto é talentoso. No novo filme, no entanto, ele está completamente sem graça. Aliás, incrível como Waddington não consegue arrancar gargalhada, não consegue fazer algo efetivamente engraçado. Mas pelo menos ele tem uma mão boa para dar ao filme um ar de comédia antiga, como as americanas dos anos 30 ou as chanchadas brasileiras dos anos 50. O mesmo quarteto de picaretas está de volta (Adnet, Sterblitch, Nercessian e Mariana Ximenes) e há a adição de Danton Mello ao time, o que é bom, dado o carisma do ator. No fim, até que é uma diversão escapista ok. Em cartaz em grande circuito.

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OS PENETRAS – QUEM DÁ MAIS? (Brasil, 2017), de Andrucha Waddington. Com Eduardo Sterblitch, Stepan Nercessian, Mariana Ximenes, Danton Mello, Marcelo Adnet, Mikhail Bronnikov, Elena Sopova. xxx min. H2O/Universal. 12 anos.

Cena de xXx - REATIVADO (2017), de D.J. Caruso

Cena de xXx – REATIVADO (2017), de D.J. Caruso

Triplo X (2002) foi um filme que fez bastante sucesso no início dos anos 2000 estrelado por Vin Diesel, que havia acabado de sair do sucesso de Velozes e Furiosos. Mas se a franquia dos carros rendeu muitas sequências, a de Triplo X foi prejudicada pela saída de Diesel no segundo filme, e que só agora retorna numa trama em que o personagem, Xander Cage, retorna dos mortos para uma missão com um grupo especial. A turma que é fã dos filmes de ação orientais vai querer ver Donnie Yen (O Grande Mestre) e Tony Jaa (Ong Bak – O Guerreiro Sagrado) em ação junto com um elenco internacional. A direção é de D.J. Caruso, que recentemente assinou um filme horrível de terror, O Quarto dos Esquecidos (2016). xXx – Reativado entra em cartaz em grande circuito, inclusive na sala IMAX.

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XXX – REATIVADO (xXx – Return of Xander Cage, EUA, 2017), de D.J. Caruso. Com Vin Diesel, Donnie Yen, Deepika Padukone, Kris Wu, Ruby Rose, Tony Jaa, Nina Dobrev. 107 min. Paramount. 14 anos.

Pré-estreias

Cena de A BAILARINA (2016), de Eric Summer e Éric Warin

Cena de A BAILARINA (2016), de Eric Summer e Éric Warin

Animação franco-canadense, A Bailarina nos leva à Paris de 1869. Na trama, uma sonhadora menina órfã toma uma atitude arriscada para conseguir o que deseja: foge para Paris para realizar o sonho de ser uma grande bailarina. Lá ela tem a ideia de se passar por outra pessoa, e assim consegue uma vaga na Grand Opera, onde vai aprontar muitas aventuras. Um dos diretores do filme trabalhou na cultuada animação francesa As Bicicletas de Belleville. No Brasil, a protagonista será dublada por Mel Maia, atriz-mirim de várias telenovelas da Globo e do filme Através da Sombra, de Walter Lima Jr. Em pré-estreia no Centerplex Via Sul, no Centerplex Messejana e no UCI Iguatemi.

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A BAILARINA (Ballerina, França/Canadá, 2016), de Eric Summer e Éric Warin. Com as vozes originais de Elle Fanning, Dane DeHaan, Maddie Ziegler, Carly Rae Jepsen, Elana Dunkelman, Kaycie Chase. 89 min. Paris. Livre.

Cena de MAX STEEL (2016), de Stewart Hendler

Cena de MAX STEEL (2016), de Stewart Hendler

Max Steel é uma franquia de bonecos produzidos pela Mattei, e que acabou virando uma franquia de filmes destinados ao público adolescente. Nos anos 2000, além de vários filmes produzidos, o personagem ainda rendeu séries para a televisão. No novo filme, somos apresentados a Max (Ben Winchell), um adolescente de 16 anos que, como todas as pessoas da sua idade, está passando por um período de descobertas. Entretanto, as transformações na vida do jovem estão relacionadas aos incríveis poderes que ele descobre ter quando entra em contato com uma força extraterrestre. Trata-se de uma produção modesta que pretende aproveitar o sucesso de filmes de super-herói para faturar. Em pré-estreia no UCI Iguatemi e no UCI Parangaba.

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MAX STEEL (Reino Unido/EUA, 2016), de Stewart Hendler. Com Ben Winchell, Josh Brener, Maria Bello, Andy Garcia, Ana Villafañe, Mike Doyle, Phillip DeVona. 92 min. Imagem. 10 anos.

Cena de QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO (2017), de Lasse Hallström

Cena de QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO (2017), de Lasse Hallström

Curiosamente, o sueco Lasse Hallström ficou mundialmente conhecido pelo filme Minha Vida de Cachorro. E agora é lembrado também por filmes com cachorros, como o emocionante melodrama Sempre ao Seu Lado (2009) e agora este Quatro Vidas de um Cachorro, baseado em um best-seller (ficou 49 semanas na lista dos mais lidos do New York Times) sobre um cão que reencarna diversas vezes e encontra novas pessoas e se pergunta qual será sua verdadeira missão na Terra. Embora encontre novas pessoas e viva muitas aventuras, ele mantém o sonho de reencontrar o seu primeiro dono, que sempre foi seu maior amigo. O filme conta com um elenco bem simpático. Em pré-estreia no UCI Iguatemi e no UCI Parangaba.

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QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO (A Dog’s Purpose, EUA, 2017), de Lasse Hallström. Com Britt Robertson, Josh Gad, Dennis Quaid, Logan Miller, Luke Kirby, Juliet Rylance, Bryce Gheisar. 120 min. Universal. Livre.

Sai de cartaz

Nenhum filme

As estreias nacionais desta quinta-feira, 19, que não entram em cartaz em Fortaleza

Axé – O Canto do Povo
Manchester à Beira-Mar
Mistério na Costa Chanel
O Grande Dia

Veja o trailer de Manchester à Beira-Mar

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PRÊMIO ABRACCINE – ELLE E AQUARIUS, OS MELHORES DE 2016

Os 100 críticos que compõem a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, após duas rodadas de votações, elegem Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, o francês Elle, do holandês Paul Verhoeven, como o melhor filme estrangeiro, e o curta Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares, como os melhores filmes exibidos em 2016

Sônia Braga em AQUARIUS (2016); Isabele Huppert (2016) e ESTADO ITINERANTE (2006): os melhores de 2016

Sônia Braga em AQUARIUS (2016); Isabele Huppert em ELLE (2016), e Lira Ribas em ESTADO ITINERANTE (2006): os melhores de 2016

Pela sexta vez consecutiva a Associação Brasileira de Críticos de Cinema-ABRACCINE, elege os melhores filmes do ano, no caso, 2016. Nas duas principais categorias, filme nacional e filme estrangeiro, concorrem os 400 títulos que estrearam nas salas comerciais dos diversos circuitos no período entre 17 de dezembro de 2015 e 29 de dezembro de 2016, enquanto que o curta nacional teve escolha entre as dezenas de produções da categoria exibidos nos festivais e nas mostras de cinema espalhadas pelo País.

Elle (2016), produção francesa do holandês Paul Verhoeven, que em Fortaleza e em outras 8 capitais foi lançada pelo Cinema de Arte, projeto cearense que, adotado pela operadora Cinépolis, está em processo de inclusão em seu circuito nacional para abrigar os filmes de arte, foi o escolhido, derrotando A Chegada (Arrival, 2016), de Dennis Villeneuve.

A obra de Verhoeven é um marco na História do Cinema por trafegar livremente na amoralidade e expor uma sociedade humana tomada pelo consumismo, os interesses pessoais, o uso do sexo como um instrumento de manipulação e a uma total ausência de espiritualidade. Sua personagem central, Michelle Leblanc (Isabelle Huppert), CEO de uma empresa de videogame, trafega no prazer de quebrar o que é “politicamente correto”, não tendo o escrúpulo que ser amante de maridos de companheiras de trabalho e nem em usar a sua inteligência para manipular quem quer que seja, incluindo o homem que a estupra, extraindo e instituindo com ele um jogo de prazer com uma frieza que expressa a ausência de sentimentos. O desfecho, no qual a mulher traída, sua melhor amiga e também sua colega de trabalho, indo morar com ela, escancara todos os propósitos de amoralidade que é o cerne do filme em sua concepção e indo de encontro ao contexto atual de que cada pessoas têm direito às escolhas quanto a assumir à sexualidade – e que ninguém tem nada nada a ver com isso.

Veja o trailer de Elle.

Aquarius, de Kleber Mendonça Fiho, estigmatizado como “um filme de esquerda” por ter seu diretor e elenco subido ao palco do Festival de Cannes, em maio passado, para denunciar “um golpe” com a cassação da então presidenta Dilma Roussef, não é nada disso. Ao contrário: Aquarius faz uma exposição simétrica e pontuada de como um governo corrupto e aliado a empreiteiras corruptoras instalou um cupinzeiro no País, ou seja, no Edifício que dá nome ao filme. Basta ver a situação econômica e social da nação para ser constatar como Aquarius não poderia ter sido mais preciso com a realidade brasileira. Portanto, jogue-se fora esse estigma da produção pernambucana ser “um filme de esquerda”. É um retrato de um pedaço de um momento crucial do Brasil

Veja o trailer de Aquarius.

Por sua vez, o curta Estado Itinerante conta, ao longo de 20 minutos, a história de uma mulher solitária e que tem medo de entrar na sua casa. Sem dar pistas do “por que?” e apenas insinuar o motivo em alguns rápidos momentos, sua realizadora, a mineira Ana Carolina Soares, fez uma obra de grande reflexão sobre a condição da mulher,  e o seu foco central e a violência doméstica e a consequente coragem pela libertação. E, ainda, flutua em várias outras temáticas. Aplausos.

Prêmio Abraccine-2016

MELHOR LONGA METRAGEM BRASILEIRO:
Aquarius (PE, 2016), de Kleber Mendonça Filho.

MELHOR LONGA METRAGEM ESTRANGEIRO:
Elle (França, 2016), de Paul Verhoeven.

MELHOR CURTA METRAGEM:
Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares.

Fundada em julho de 2011 e hoje contando com exatos 100 críticos de cinema de quase todos os estados brasileiros, a Abraccine tem a missão é promover as formas de pensamento crítico, a reflexão e o debate sobre o Cinema.

 

 

 

RELICÁRIO DO CINEMA #1 – O SILÊNCIO DOS INOCENTES, 26 ANOS

   Um dos maiores suspenses de todos os tempos,  O Silêncio dos Inocentes completa 26 anos no próximo mês, com o mesmo vigor e qualidade da sua estreia. E merece ser revisitado na estréia da nova coluna do Cinema e Artes. Peguei emprestado esse espaço do Otávio, mas na semana que vem já estou com a minha própria assinatura! Até lá! 

the-silence-of-the-lambsTexto por: Robson Nascimento

Alguns personagens se tornam maiores do que os filmes no qual estão inseridos, Don Vito Corleone em O Poderoso Chefão, Darth Vader em Star Wars e o Coringa de O Cavaleiro das Trevas são bons exemplos daquelas figuras que marcam tanto uma obra, que mesmo até quem não vê esses filmes, já se deparou com as suas imagens pelo menos um par de vezes. O Doutor Hannibal Lecter, criação do escritor Thomas Harris, transposto para as telas no filme de Jonathan Demme, e interpretado de maneira impressionante por Anthony Hopkins, é um desses personagens icônicos, sem a menor dúvida. E embora o personagem tenha sido interpretado por Brian Cox no ótimo Caçador de Assassinos de 1986, e posteriormente na série Hannibal, por Mads Mikkelsen, é a imagem de Hopkins a mais associada com o famigerado vilão.

Baseado no romance de mesmo nome, lançado três anos antes, o filme de 1991 talvez seja o suspense mais aclamado de todos os tempos, A trama acompanha um serial killer que captura e mata as suas vítimas, retirando-lhe partes das peles, com o intuito de entender os mecanismos de uma mente tão doentia, o chefe do FBI Jack Crawford (Scott Glen), ordena que a recruta Clarice Starling(Jodie Foster) sonde um infame psicopata canibal preso em uma instituição psiquiátrica, o supracitado Doutor Lecter. Dessa maneira, Clarice conversa com Hannibal, de modo a traçar um perfil de Buffalo Bill, o tal escalpelador de mulheres.

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A  atuação de Hopkins é icônica de tal modo que os duelos psicológicos travados com a personagem de Jodie Foster são os pontos altos da trama. Hannibal é persuasivo, charmoso, culto, em suma, perigoso demais, e mesmo encarcerado, exala uma influência malévola aos seus interlocutores. O ator consegue transparecer tudo isso, com um olhar magnético (É raro ele piscar em cena),  e uma voz mansa (Hopkins diz ter se baseado no robô HAL 9000 de 2001: Uma Odisseia no Espaço), em suma, o perfeito verniz de cavalheiro sofisticado que na verdade esconde um monstro sanguinário.

A estatueta dourada de Melhor Ator foi mais do que merecida para Anthony, mesmo que ele permaneça por apenas incríveis quinze minutos em cena. Jodie se mostra competente no papel da policial novata, e as suas sequências de ação, incluindo aqui o final de tirar o fôlego, é que dão o dinamismo do filme em termos de narrativa. Ambos formam o par perfeito a policial e o assassino; Clarice serve de contraponto à figura vilanesca e ardilosa de Hannibal, de modo que não é exagero afirmar que as ovelhas mencionadas no titulo original, sejam a própria Clarice.

Para medir o impacto do filme, “O Silêncio…” é um dos três filmes da história a ganhar as cinco principais categorias do Oscar aos quais concorria (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado), um feito e tanto, já que o estilo da película não é o dos mais premiados historicamente na trajetória do Oscar. Vale também ressaltar que o filme estreou em fevereiro de 1991, longe da temporada de premiações.

Por ser um dos maiores suspenses já filmados desde sempre, contar com um brilhante Anthony Hopkins no auge da forma, e declamando diálogos impagáveis de tão bons, além de te manter preso à tela nas suas quase duas horas de duração, e de quebra, ser uma das obras mais aclamadas no que diz respeito a maior premiação do Cinema, “O Silêncio dos Inocentes” é um filme atemporal, que mostra que o medo, quando bem explorado no Cinema, torna as histórias à prova do tempo.

CINCO CURIOSIDADES SOBRE O SILÊNCIO DOS INOCENTES
1. Consagrado como um dos mais importantes filmes do cinema da década de 1990, O silêncio dos inocentes foi a terceira obra a vencer as cinco principais categorias do Oscar. Os outros dois filmes que conseguiram esse feito foram Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra (1934) e Um Estranho no Ninho, de Milos Forman (1975).
2. Os atores John Hurt, Louis Gossett Jr., Robert Duvall, Jack Nicholson e Robert De Niro foram considerados para o papel de “Hannibal Lecter”.
3. O papel de “Clarice Starling” foi primeiramente oferecido para Michelle Pfeiffer e depois para Meg Ryan.
4. Anthony Hopkins descreveu sua voz no papel de “Hannibal Lecter”, como uma combinação de Truman Capote e Katharine Hepburn.
5. Na borboleta que esconde a boca de Jodie Foster no pôster podemos ver uma caveira. Se olharmos com atenção podemos constatar que se trata de uma caveira com mulheres nuas. Essa imagem, datada de 1939, é da autoria do pintor surrealista Salvador Dalí.
 
FICHA TÉCNICA

Direção:Jonathan Demme
Elenco:Jodie Foster , Anthony Hopkins , Ted Levine , Scott Glenn.
Roteiro:Ted Tally
Produção:Kenneth Utt
Fotografia:Tak Fujimoto
Música:Howard Shore