A COLINA ESCARLATE – Decepcionante, apesar de elegante

Em A Colina Escarlate (Crimson Peak, 2015), Guillermo del Toro retoma seu universo sombrio, no entanto, sem o mesmo primor do excelente O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, 2006), se tornando longo, cansativo e decepcionante, apesar de elegante

Mia Wasikowska em A COLINA ESCARLATE (2015), de Guillermo Del Toro

Mia Wasikowska em A COLINA ESCARLATE (2015), de Guillermo Del Toro

O filme se passa na virada do século 19, quando uma casa muito antiga e sombria ganha vida com os fantasmas que abriga. Todos que entram na propriedade sentem-se sufocados e precisam enfrentar as assombrações para sair dela, inclusive Edith Cushing (Mia Wasikowska), uma jovem que sonhava em ser escritora e vivia com o pai (Jim Beaver) em Londres.

Edith decide largar tudo para trás e se mudar para mansão localizada numa região conhecida como Colina Escarlate, ao se casar com Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um homem misterioso e sedutor que se tornou seu marido, quando foi em busca de investimento para a construção de uma máquina de extração de argila. Edith descobre evidências perturbadoras sobre Thomas, afinal ele não é quem parece ser, especialmente quando está com sua irmã mais velha Lucille (Jessica Chastain).

Apesar do elenco de peso, de uma trilha sonora correta e da direção de arte caprichada do diretor mexicano, o filme não me cativou, talvez pelo fato do roteiro ser um tanto quanto lento e tentar o tempo todo esconder o mistério, que vai se revelando aos poucos sem impacto nenhum na plateia, que está ali apenas para admirar o figurino dos personagens.

Poster de A COLINA ESCARLATE (Crimson Peak, 2015) de Guillermo del Toro

Pôster de A COLINA ESCARLATE (Crimson Peak, 2015), de Guillermo del Toro

Título: A Colina Escarlate (Crimson Peak)

Estreia: 15/10/2015

Gênero: Suspense, Terror

Duração: 119 min.

Origem: Estados Unidos

Direção: Guillermo del Toro

Roteiro: Guillermo del Toro, Lucinda Coxon, Matthew Robbins

Distribuidor: Universal Pictures do Brasil

Classificação: 12 anos

Ano: 2015

 

 

Segue o trailer de A Colina Escarlate:

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RANKING INTERNACIONAL – PERDIDO EM MARTE continua na liderança

Perdido em Marte terminou o domingo na liderança do ranking, bem próximo da animação Hotel Transilvânia 2, que ficou com a segunda posição. Homem-Formiga continua no Top 5 graças ao desempenho obtido na China, tendo terminado o fim de semana em terceiro lugar. Os estreantes Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma e O Último Caçador de Bruxas ficaram na quarta e quinta colocação, respectivamente

Matt Damon em cena de PERDIDO EM MARTE.

Matt Damon em cena de PERDIDO EM MARTE.

Ao término do fim de semana passado, Perdido em Marte acumulou cerca de US$ 30,0 milhões nas bilheterias internacionais, garantindo mais uma vez a liderança da lista dos mais rentáveis. Com o resultado, a ficção passou a ficar com uma receita de aproximadamente US$ 219 milhões, com destaque para os números da Coréia do Sul, onde o filme se tornou o quarto filme da Fox com melhor receita (US$ 28,62 milhões).

Cena de HOTEL TRANSILVÂNIA 2.

Cena de HOTEL TRANSILVÂNIA 2.

Hotel Transilvânia 2 terminou o fim de semana passado na segunda posição do ranking após arrecadar cerca de US$ 28,7 milhões no período. A animação ultrapassou a receita obtida pelo primeiro filme, Hotel Transilvânia, em cerca de 5%. Em cartaz em quase 80 países no mercado internacional, Hotel Transilvânia 2 acumula cerca de US$ 167 milhões, estando em sua quinta semana em cartaz.

Cena de HOMEM-FORMIGA.

Cena de HOMEM-FORMIGA

Homem-Formiga continua com bons resultados na China, em sua segunda semana no país, tendo obtido quase 100% de toda a renda do fim de semana apenas no país. Com o resultado, a aventura terminou o domingo na terceira posição do ranking. Em sua 15ª semana em cartaz, Homem-Formiga está em exibição em dois países e acumula uma receita próxima de US$ 315 milhões, tendo arrecadado aproximadamente US$ 22 milhões no último fim de semana.

ATIVIDADE PARNORMAL 5: DIMENSÃO FANTASMA

Cena de ATIVIDADE PARNORMAL: DIMENSÃO FANTASMA

O terror estreante Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma foi lançado em pouco mais de 30 países e obteve um bom resultado no fim de semana, cerca de US$ 18,0 milhões em arrecadação, terminando o período na quarta posição do ranking. Em 12 países, o terror quebrou o recorde de estreia de toda a franquia, mostrando o aumento na expectativa do público pela sequencia.

Vin Diesel em cena de O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS.

Vin Diesel em cena de O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS.

O Último Caçados de Bruxas estreou em pouco mais de 50 países, 20 a mais que Atividade Paranormal, mas terminou o fim de semana atrás do terror, tendo acumulado uma renda próxima de US$ 13,4 milhões. A aventura ficou na quinta colocação do ranking com o resultado do fim de semana, mas conseguiu a primeira colocação nos rankings locais de mais de 20 países onde estreou no período.

Confira a tabela com os dez melhores do ranking do último fim de semana.

RINT-43-2015

Veja o trailer de Atividade Paranormal 5: Dimensão Fantasma.

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O ABRAÇO DA SERPENTE – De índios e brancos

Representante da Colômbia para disputar uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro, O Abraço da Serpente é inspirado nas expedições de dois pesquisadores brancos na selva amazônica. O filme está na Perspectiva Internacional da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Antonio Bolívar em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Antonio Bolívar em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Inspirada nos cadernos de viagem do etnólogo alemão Theodor Koch-Grunberg (1872-1924) e do botânico norte-americano Richard Evans Schultes (1915-2001), a produção colombiana O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra, não se limita a ser mais um filme antropológico. Ao intercalar a expedição dos dois pesquisadores em tempos distintos, o longa-metragem busca não só uma reflexão sobre as diferenças culturais entre brancos e índios, como também se posicionar acerca das consequências do cruzamento entre as duas culturas.

O Abraço da Serpente inicia na Amazônia de 1909, quando o alemão Theodor Von Martius (Jan Bijvoet) – nome no filme dado ao personagem que representa Koch-Grunberg – e seu amigo índio Manduka (Yauenkü Miguee) procuram o xamã Karamakate (Nilbio Torres). O etnólogo pesquisador dos costumes dos nativos amazônicos chega doente e pede ao xamã para acompanhá-lo em uma viagem pela selva em busca de uma planta rara, a Yakruna, que tem poderes medicinais sagrados de cura.

Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE

Décadas depois, o norte-americano Evans (Brionne Davis) – nome no filme dado ao personagem de Richard Evans Schultes – também chega à mesma região amazônica à procura do xamã Karamakate já mais velho (Antonio Bolívar), guiado pelo livro de Theodor sobre a expedição. Evans também deseja encontrar a Yakruna, para outros fins: não para sua própria cura, mas para servir de objeto de pesquisas farmacêuticas no mundo ocidental.

Ao narrar com habilidade e de forma paralela as duas expedições, O Abraço da Serpente pontua as distinções entre os pontos de vista de Karamakate e os dois pesquisadores. Para o xamã indígena, o conhecimento pertence a todos os homens e não deveria ser usado para criar distinções. Ao passo que os pesquisadores, tanto insistem de forma equivocada em deixar intocada a cultura indígena – como é o caso de Theodor, que se incomoda com o sumiço de seu compasso – quanto a exploram de maneira indiscriminada com fins lucrativos – como é o caso de Evans, que até oferece dinheiro para o xamã.

Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet e Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE (2015), de Ciro Guerra

Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet e Nilbio Torres em cena de O ABRAÇO DA SERPENTE

O detalhe mais impressionante da interferência entre as culturas diz respeito à missão jesuítica. Na época de Theodor, os brancos ali chegaram em meio à selva para catequizar crianças indígenas, com o argumento de livrá-las do poder do demônio, do canibalismo e da ignorância – é notável a crítica ao presidente da Colômbia, Rafael Reyes, citado em uma placa na missão, datada de 1907, em que ele declara seu esforço de trazer os índios de “volta à civilização”. Na época de Evans, a mesma missão havia evoluído para o “pior dos dois mundos”, segundo as palavras de Karamakate. Um homem branco, que se advoga de Messias, lidera a tribo de índios, cegos pelo fanatismo e pela autoflagelação – talvez a sequência que deixa isto de forma mais clara seja a da missa.

Por todos estes detalhes, O Abraço da Serpente já pode ser considerado um dos grandes filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme foi destaque no 68º Festival de Cinema de Cannes, conquistando o prêmio da CICAE (Confédération Internationale des Cinémas d’Art et d’Essai) na Quinzena dos Realizadores.

Pôster de O ABRAÇO DA SERPENTE (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra

Pôster de O ABRAÇO DA SERPENTE (El Abrazo de la Serpiente, 2015), de Ciro Guerra

Título: O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente)

Gênero: Aventura/Drama

Direção: Ciro Guerra

Elenco: Nilbio Torres, Antonio Bolívar, Yauenkü Miguee, Jan Bijvoet, Brionne Davis

Duração: 125 min.

Origem: Colômbia

Ano: 2015

Classificação: 16 anos

 

 

 

 

Veja o trailer de O Abraço da Serpente:

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SEMANA 44 – AS ESTREIAS DESTA QUINTA-FEIRA EM FORTALEZA

A vida real dá o tom nesta semana de estreias animadoras. Há quatro filmes feitos a partir de histórias reais: o drama Straight Outta Compton – A História do N.W.A. (2015), de F. Gary Gray; o documentário Amy (2015), de Asif Kapadia; o drama Os 33 (2015), de Patricia Riggen; e o drama Grace de Mônaco (2014), de Olivier Dahan. No terreno da ficção pura, temos a comédia dramática Meu Verão na Provença (2014), de Rose Bosch, e a aventura de terror O Último Caçador de Bruxas (2015), de Breck Eisner. Há ainda pré-estreia do thriller de espionagem 007 contra Spectre (2015), de Sam Mendes, e exibição especial do horror Garota Sombria Caminha pela Noite (2014), de Ana Lily Amirpour. Além disso, acontece durante a semana o 14º Noia – Festival Brasileiro de Cinema Universitário. Dá pra notar que será uma semana bem movimentada, hein

Cena de STRAIGHT OUTTA COMPTON - A HISTÓRIA DO N.W.A. (2015), de F. Gary Gray

O elenco principal de STRAIGHT OUTTA COMPTON – A HISTÓRIA DO N.W.A. (2015), de F. Gary Gray

Lembram quando um cineasta afro-americano chamado F. Gary Gray era um nome quente em Hollywood e fez obras notáveis como Até as Últimas Consequências (1996), A Negociação (1998) e Uma Saída de Mestre (2003)? Pois bem, ele agora é um nome quente novamente. Além de ter sido escalado para ser o diretor de Velozes e Furiosos 8, este ano ele ganhou ótimas críticas com o seu Straight Outta Compton – A História do N.W.A., uma cinebiografia de um grupo de rapazes que revolucionou a cultura hip hop em meados dos anos 1980. Os nomes mais famosos são Ice Cube, Dr. Dre e Eazy-E, mas quem está a par da música dos caras pode conhecer os demais. O filme mostra o quanto a música e a atitude desses artistas revolucionários incomodou boa parte da sociedade americana. Em cartaz no Cinépolis Rio-Mar.

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STRAIGHT OUTTA COMPTON – A HISTÓRIA DO N.W.A. (Straight Outta Compton, EUA, 2015), de F. Gary Gray. Com O’Shea Jackson Jr., Corey Hawkins, Jason Mitchell, Neil Brown Jr., Aldis Hodge, Marlon Yates Jr., R. Marcos Taylor, Carra Patterson, Alexandra Shipp, Paul Giamatti.  147 min. Universal. 16 anos.

Amy Winehouse em AMY (2015), de Asif Kapadia

Amy Winehouse em AMY (2015), de Asif Kapadia

Coincidência ou não, outro artista importante ganhará espaço nos cinemas da cidade. Amy Winehouse, considerada a maior cantora do século XXI até o momento, e que infelizmente partiu cedo demais, aos 27 anos, tornou-se lenda em pouco tempo que passou por nosso mundo. Amy, o documentário, foi dirigido pelo mesmo Asif Kapadia que dirigiu Senna (2010) e cobre a história da cantora e compositora desde sua infância e adolescência até os momentos de glória artística e decadência física devido ao uso excessivo de drogas. Além de imagens de arquivo inéditas, inclusive de momentos de quando ela ainda não era famosa, há depoimentos de pessoas importantes que passaram pela vida de Amy e que, de alguma maneira, ajudam a contar a história dessa impressionante intérprete. Em cartaz no Cinema do Dragão.

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AMY (Reino Unido/EUA, 2015), de Asif Kapadia. Com Amy Winehouse, Yasiin Bey, Tony Bennett, Mark Ronson, Pete Doherty, Mitch Winehouse, Tyler James, Salaam Remi, Monte Lipman, Blake Wood. 128 min. Universal Music. 14 anos.

Antonio Banderas em OS 33 (2015), de Patricia Riggen

Antonio Banderas em OS 33 (2015), de Patricia Riggen

Mais um da série “a vida é tão impressionante que daria um filme”. Os 33 conta a história de uma situação desesperadora que aconteceu em 2010, quando 33 mineiros ficaram soterrados durante várias semanas em uma região do Chile. Foi um caso que chamou a atenção de todo o mundo na época, principalmente, levando em consideração o número de dias que eles permaneceram tentando sobreviver naquele ambiente, com a impossibilidade de se comunicar com amigos, familiares ou quem quer que fosse e tendo que racionar a comida se quisessem sobreviver. O elenco é excepcional, trazendo nomes latinos como Banderas e Santoro, junto a outros nomes famosos do cinema de Hollywood e da Europa. O roteiro é de José Rivera (de Diários de Motocicleta) e o filme tem cara de que deve emocionar as plateias. Em cartaz no UCI Iguatemi e no Cinépolis RioMar.

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OS 33 (The 33/Los 33, EUA/Chile, 2015), de Patricia Riggen. Com Antonio Banderas, Rodrigo Santoro, Juliette Binoche, James Brolin, Lou Diamon Philips, Mario Casas, Adriana Barazza, Kate del Castillo, Cote de Pablo, Gabriel Byrne. 120 min. Fox. 12 anos.

Nicole Kidman em GRACE DE MÔNACO (2014), de Olivier Dahan

Nicole Kidman em GRACE DE MÔNACO (2014), de Olivier Dahan

Interessante como Hollywood (e o cinema europeu também, no caso), por mais que queira contar a história de suas celebridades míticas, não consegue nem mesmo conseguir uma atriz tão bela quanto àquela homenageada. Foi assim com Michelle Williams representando Marilyn Monroe em Sete Dias com Marilyn, de Simon Curtis, e novamente isso se repete em Grace de Mônaco, em que Nicole Kidman tem a ingrata missão de personificar uma das mais belas mulheres dos anos dourados do cinema americano. Grace Kelly saiu de cena no auge, principalmente graças aos seus três trabalhos memoráveis com Alfred Hitchcock. Saiu para se tornar uma princesa. O filme, dirigido pelo mesmo Olivier Dahan de Piaf – Um Hino ao Amor (2007), acompanha um momento particularmente perturbador da vida da atriz/princesa: o de quando ela cogitava voltar a fazer filmes, mas encontrava obstáculos. Em cartaz em grande circuito.

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GRACE DE MÔNACO (Grace of Monaco, França/EUA, Bélgica, Itália, Suíça, 2014), de Olivier Dahan. Com Nicole Kidman, Tim Roth, André Penvern, Frank Langella, Paz Vega, Parker Posey, Milo Ventimiglia, Geraldine Somerville, Nicholas Farrell, Robert Lindsay. 103 min. PlayArte. 12 anos.

Jean Reno e Lukas Pelissier em MEU VERÃO NA PROVENÇA (2014), de Rose Bosch

Jean Reno e Lukas Pelissier em MEU VERÃO NA PROVENÇA (2014), de Rose Bosch

Depois de quatro filmes baseados na vida real, vamos a uma história de ficção: a da viagem de dois irmãos adolescentes, Adrien e Léa, e seu irmãozinho pequeno Théo, que têm as suas férias estragadas (pelo menos inicialmente) quando descobrem que o pai pretende abandonar a família e que estão indo para a casa do avô ranzinza que eles nunca conheceram antes, interpretado por Jean Reno. O velho inicialmente não recebe muito bem a criançada e a surpresa indesejada, mas aos poucos vai se apegando a eles e o que era chato vai se tornando muito especial, tanto para os jovens quanto para aquele homem recluso. O filme valoriza os espaços grandes do belo lugar (a Provença) e aposta na construção dos relacionamentos dos personagens. Em cartaz no Cinema de Arte (Cinépolis RioMar).

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MEU VERÃO NA PROVENÇA (Avis de Mistral, França, 2014), de Rose Bosch. Com Jean Reno, Ana Galiena, Chloé Jouannet, Hugo Dessioux, Aure Atika, Lukas Pelissier, Tom Leeb, Jean-Michel Noirey, Hugues Aufray, Charlotte de Turckheim. 105 min. Pandora. 16 anos.

Vin Diesel em O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS (2015), de Breck Eisner

Vin Diesel em O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS (2015), de Breck Eisner

Mais conhecido como o diretor do bom A Epidemia (2010), remake de Exército do Extermínio, de George Romero, Breck Eisner retorna aos holofotes com um filme que tem cara de ser uma baita de uma bomba. No mal sentido do termo. Pelo menos é essa a impressão que fica quando vemos o trailer de O Último Caçador de Bruxas. A presença de Vin Dielsel como herói de filme de ação e terror faz lembrar algumas produções vagabundas estreladas por Nicolas Cage. Esperemos, então, que eu esteja errado. Na trama, Vin Diesel é o último caçador de bruxas a ficar de pé contra as forças das mais terríveis bruxas da história. Curioso como a própria ideia do filme parece velha, datada, em tempos em que ser caçador de bruxas não é mais sinônimo de ser o mocinho da história. Em cartaz em grande circuito.

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O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS (The Last Witch Hunter, EUA, 2015), de Breck Eisner. Com Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood, Ólafur Darri Ólafsson, Rena Owen, Julie Engelbrecht, Michael Caine, Joseph Gilgun, Isaach De Bankolé, Michael Halsey. 106 min. Paris. 12 anos.

Pré-estreia

Daniel Craig em 007 CONTRA SPECTRE (2015), de Sam Mendes

Daniel Craig em 007 CONTRA SPECTRE (2015), de Sam Mendes

Pelo visto, Missão: Impossível – Nação Secreta e O Agente da U.N.C.L.E., apesar de serem bons exemplares do cinema de espionagem, só serviram mesmo de aperitivo para o tão aguardado 007 contra Spectre, novamente dirigido por Sam Mendes, o homem responsável pelo excelente 007 – Operação Skyfall (2012). O que tem se notado nesses novos filmes de James Bond estrelados por Daniel Craig é uma preocupação maior na dramaticidade, o que tem trazido uma revitalização para a mais antiga franquia do cinema. Assim, ao mesmo tempo em que a série olha para o passado (Spectre é uma organização que aparece em vários filmes da cinessérie), há algo novo sendo criado para o agente, algo geralmente doloroso. As poucas críticas que têm surgido até o momento de 007 contra Spectre são animadoras. Portanto, é aproveitar quando o filme estrear, principalmente na gloriosa sala IMAX. Para os apressadinhos, a sessão de pré-estreia acontecerá na meia-noite de quarta para quinta-feira, 5, nos cinemas UCI Parangaba e Cinépolis RioMar.

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007 CONTRA SPECTRE (Spectre, Reino Unido/EUA, 2015), de Sam Mendes. Com Daniel Craig, Christoph Waltz, Ralph Fiennes, Monica Bellucci, Léa Seydoux, Dave Bautista, Andrew Scott, Naomie Harris, Ben Wishaw, Stephanie Sigman. 148 min. Sony. 14 anos.

Especiais

Cena de GAROTA SOMBRIA CAMINHA PELA NOITE (2014), de Ana Lily Amirpour

Cena de GAROTA SOMBRIA CAMINHA PELA NOITE (2014), de Ana Lily Amirpour

De vez em quando a programação de cinema nos prega belas surpresas. Afinal, quem diria que um dia poderíamos ver no circuito comercial um filme de vampiro falado em persa, dirigido por uma mulher iraniana e composto por um elenco quase todo iraniano? Tudo bem que o dinheiro para a produção é dos Estados Unidos, mas uma produção como essa num país tão conservador como o Irã seria impossível. Na trama, numa cidade chamada Bad City, os moradores não sabem que estão sendo seguidos por uma vampira solitária. O filme é fotografado em belíssimo preto e branco e há uma beleza toda própria que já pode ser percebida apenas olhando o trailer. Garota Sombria Caminha pela Noite será exibido no Cinema do Dragão no próximo domingo, às 17 hs, seguido de festa Halloween.

Veja o trailer

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GAROTA SOMBRIA CAMINHA PELA NOITE (A Girl Walks Home Alone at Night, EUA, 2014), de Ana Lily Amirpour. Com Sheila Vand, Arash Marandi, Marshall Manesh, Mozhan Marnò, Dominic Rains, Rome Shandanloo, Milad Eghbali, Reza Sixo Safai, Ray Haratian, Ana Lily Amirpour. 101 min. Imovision. Classificação a definir.

Cartaz do 14º Noia - Festival Brasileiro de Cinema Universitário

Cartaz do 14º Noia – Festival Brasileiro de Cinema Universitário

Acontece entre os dias 2 a 6 de novembro o 14º Noia – Festival Brasileiro de Cinema Universitário, que mais uma vez será sediado na Casa Amarela Eusélio Oliveira. No primeiro dia, haverá uma homenagem ao cineasta Guto Parente, seguido de exibição de seu belo filme de horror A Misteriosa Morte de Pérola. Entre os dias 3 e 5 acontecem as mostras competitivas de curtas-metragens. A Mostra Nacional poderá ser vista a partir das 19 hs na Casa Amarela e a Mostra Cearense às 13 hs do dia 4 na Vila das Artes. No último dia, o festival homenageará o cineasta Petrus Cariry e poderemos conferir três de seus curtas-metragens, A Montanha Mágica (2009), Dos Restos e das Solidões (2006) e O Som do Tempo (2010), além da entrega da premiação e de coquetel de encerramento. Mais detalhes na página oficial do evento.

Veja o trailer de A Misteriosa Morte de Pérola

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Saem de cartaz

Entrando numa Roubada
La Sapienza
Música, Amigos e Festa
O Clube
O Lugar das Perdas
Um Amor em Cada Esquina

As estreias nacionais desta quinta-feira, 29, que não entram em cartaz em Fortaleza

45 Anos
Betinho – A Esperança Equilibrista
Dheepan – O Refúgio
Espírito de Lobo
Sem Filhos
O Último Poema

Veja o trailer de 45 Anos

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SON OF SAUL – Estetização do intolerável

Destaque da competitiva da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem húngaro Son of Saul amplifica a claustrofobia de uma experiência individual em um campo de concentração

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Son of Saul (Saul Fia, 2015) é um filme em torno de uma vontade individual dentro de uma experiência coletiva. Imerso na experiência do holocausto como prisioneiro judeu húngaro e forçado a trabalhar a favor dos nazistas nos crematórios do campo de extermínio de Aushwitz-Birkenau, o protagonista Saul (Géza Röhrig) deseja apenas dar um enterro digno ao seu filho, em um contexto de absoluta degradação da vida. Saul não tem como mudar o curso da história, mas está ali para reivindicar o mínimo de dignidade, que já não é possível em um estado de exceção.

Para enfatizar o gesto individual de Saul, a estratégia da direção de Lázsló Nemes faz uso de um dispositivo: buscar restringir o enquadramento do filme ao rosto ou às costas do protagonista, compondo uma espécie de portrait. Em alguns momentos, ele abandona o dispositivo para auxiliar no andamento da narrativa – e talvez isto enfraqueça o procedimento principal do filme. No entanto, o dispositivo parece estar lá não só com o objetivo de sublinhar a experiência individual de Saul, como também para tornar claustrofóbica a sensação de estar naquele lugar. Mais do que narrar a história, o filme quer o espectador se engaje nesta posição.

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL (2015), de Lázsló Nemes

Géza Röhrig em cena de SON OF SAUL

Neste sentido, Son of Saul usa a técnica a serviço de uma moral. Quando falamos da representação do horror de uma situação limite, não há como deixar de lado o velho debate em torno da célebre frase “a moral é uma questão de travelling”, que tanto preocupou críticos do cinema, como Luc Moullet, Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, acerca da representação de imagens dos campos de extermínio. A qualquer realizador, não deveria ser fácil tratar de tal tema (o holocausto), sem minimamente refletir sobre as implicações do uso da forma como se aproxima da questão em jogo.

No caso de Son of Saul, deixar fora de campo os indícios da abjeção não garante em nada que o filme não esteja colaborando para uma estetização do intolerável. A sofisticação da forma do filme é tão espetacular e voyeurística quanto se decidisse expor tudo. Quero dizer que não ameniza o problema apenas optar pelo desfoque dos corpos dos judeus empilhados nos crematórios e arrastados de um canto a outro ou pelo extracampo que amplifica barulho de tiros e de gritos de prisioneiros rumo a uma vala. A atitude em relação ao que se filma é meramente desprezível, seja pela preguiça de insistir no realismo mais ultrajante, seja pela retórica da claustrofobia, sendo fatalmente exibicionista mesmo sem querer mostrar. É uma pena os festivais internacionais – e toda uma articulação de júris, críticos e público – ainda se deixarem seduzir por filmes assim.

Pôster de SON OF SAUL (Saul Fia, 2015), de Lázsló Nemes

Pôster de SON OF SAUL (Saul Fia, 2015), de Lázsló Nemes

Título: Son of Saul (Saul Fia)

Gênero: Drama

Direção: Lázsló Nemes

Elenco: Géza Röhrig, Levente Molnar, Urs Rechn, Todd Charmont, Marcin Czarnik

Duração: 107 min.

Origem: Hungria

Ano: 2015

Classificação: 16 anos

 

 

 

Veja o trailer de Son of Saul:
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DESDE ALLÁ – Nada óbvio

Na competição da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme venezuelano Desde Allá traz narrativa sofisticada sobre dois personagens que são frutos de uma relação traumática com os pais

Luis Silva e Alfredo Castro em cena de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Luis Silva e Alfredo Castro em cena de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Dirigido pelo estreante em longas-metragens Lorenzo Vigas, com o aval de produção assinada por renomados cineastas mexicanos, como Guillermo Arriaga, Gabriel Ripstein e Michel Franco, o longa-metragem venezuelano Desde Allá (2015) é sobretudo um filme sobre pais e filhos. Todo o desenvolvimento narrativo orbita em torno do abismo afetivo que pode haver caso a relação familiar permaneça fraturada. Mas diferente de uma gama de outros filmes que tratam do mesmo tema, nada em Desde Allá parece ser óbvio.

De acordo com o plot do filme, Armando (Alfredo Castro) é um profissional que fabrica próteses dentárias. Apesar de levar uma vida simples, ele tem dinheiro suficiente para pagar rapazes, não com o intuito de ter relações sexuais com eles, mas apenas em sentir prazer ao observá-los de longe. Entre os vários garotos que Armando conhece casualmente está Elder (Luis Silva), que mora no subúrbio de Caracas, trabalha como mecânico, é violento e envolvido com uma gangue de rua.

Alfredo Castro e Luis Silva em cena de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Alfredo Castro e Luis Silva em cena de DESDE ALLÁ

De início, a relação entre Armando e Elder só é possível pelo distanciamento: o primeiro insiste em uma aproximação, mas o segundo apela para a agressão misturada à indiferença. Aos poucos, eles começam a ficar próximos e, desta confiança mútua, começam a revelar detalhes sobre o passado: Armando parece ter tido uma infância marcada pelos abusos do pai – o senhor que ele persegue de longe, em vários momentos do filme –; Elder também sofreu com a violência do pai, que o batia e foi preso por matar um de seus amigos.

Com históricos de fragilidades traumáticas em relação à figura paternal, Armando e Elder passam a se ajudar e a nutrir uma intimidade incerta. O filme poderia ser explícito nos momentos mais trágicos: expor quais tipos de abusos Armando sofreu, recorrer ao flashback para representar os atos violentos do pai de Elder ou mesmo mostrar a cena em que Elder assassina o pai de Armando. No entanto, há mais ambiguidades para o espectador, que é convidado a completar a história do jeito que desejar.

Pôster de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Pôster de DESDE ALLÁ (2015), de Lorenzo Vigas

Título: Desde Allá

Gênero: Drama

Direção: Lorenzo Vigas

Elenco: Alfredo Castro, Luis Silva, Jericó Montilla, Catherina Cardozo

Duração: 93 min.

País: Venezuela, México

Ano: 2015

Classificação: 14 anos

 

 

 

 

Veja o trailer de Desde Allá:
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PARA O OUTRO LADO – Mortos e vivos

Em cartaz a partir de quinta, 10, no Cinema de Arte (Cinépolis RioMar), o longa-metragem Para o Outro Lado borra as fronteiras entre mortos e vivos, a partir dos procedimentos cinematográficos criados pelo cineasta japonês Kiyoshi Kurosawa, que ganhou o prêmio de direção no Festival de Cannes

Tadanobu Asano e Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Tadanobu Asano e Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Entre os cineastas contemporâneos, o japonês Kiyoshi Kurosawa demonstra talento inquestionável como orquestrador de encenações. Seu mais recente longa-metragem, Para o Outro Lado (Kishibe No Tabi) – exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – inclusive ganhou o prêmio de direção da mostra Um Certo Olhar do 68º Festival de Cinema de Cannes. O belo esforço de operação das formas cinematográficas já se sedimentava em outros longas do diretor, que inventam mundos onde o sobrenatural e os fantasmas são elementos-chave, como Pulse (2001), Bright Future (2003), Retribution (2006) e Sonata de Tóquio (2008), para citar alguns exemplos mais emblemáticos.

Em Para o Outro Lado, a protagonista Mizuki (Eri Fukatsu) elabora o luto da perda do marido Yusuke (Tadanobu Asano), que morreu afogado no mar há três anos. Depois deste intervalo de ausência, ele faz uma aparição a ela, convidando-a para uma jornada inesperada: visitar amigos importantes na vida dele que também foram atravessados pela dor da morte.

Eri Fukatsu e Tadanobu Asano em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Eri Fukatsu e Tadanobu Asano em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Com as breves visitas às famílias, Mizuki passa a compreender melhor o passado do marido e suas relações afetivas com os outros. Atenta às experiências de cada pessoa, ela também partilha sua própria dor. Como uma história de fantasmas, Para o Outro Lado poderia ser um simples filme de terror ou romance sobrenatural. Mas ele produz uma sofisticação: borrar as fronteiras entre o mundo dos mortos e dos vivos. Os fantasmas são figuras concretas na cena. Tal estratégia fílmica já está anunciada em uma das falas de Yusuke: “Não estou me referindo a outros mundos, mas a lugares reais”.

Apesar dos mortos serem presenças fantasmagóricas tão concretas quanto os vivos, o filme é constituído de uma proliferação de figuras do invisível, que compõem uma atmosfera sobrenatural: as janelas abertas, com vidros foscos ou cortinas balançando ao vento; o barulho das árvores agitadas por ventanias; nuvens que pairam em alguns espaços; a iluminação – há inclusive uma reflexão sofisticada sobre a luz – que oscila entre o claro e o escuro.

Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Eri Fukatsu em cena de PARA O OUTRO LADO (2015), de Kiyoshi Kurosawa

Dispondo da força cinematográfica de tais figuras, há cenas notáveis: o mural de flores iluminado onde repousa o fantasma do sr. Shimakage (Masao Komatsu), seguido da longa sequência de planos da casa em ruínas; o aparecimento do fantasma do pai de Mizuki, em meio a uma ventania em uma floresta; o espírito atormentado que ainda não abandonou a mulher e aparece em meio a misteriosas nuvens.

Além do notável rigor de encenação, Para o Outro Lado trata de despedidas, de arrependimentos e perdões, de memória, de aceitação da perda, das responsabilidades que assumimos na relação afetiva com os outros. Um belo filme em torno da morte e da vida.

Pôster de PARA O OUTRO LADO (Kishibe No Tabi, 2015), de Kiyoshi Kurosawa

Pôster de PARA O OUTRO LADO (Kishibe No Tabi, 2015), de Kiyoshi Kurosawa

Título: Para o Outro Lado (Kishibe No Tabi)

Gênero: Drama

Direção: Kiyoshi Kurosawa

Elenco: Eri Fukatsu, Tadanobu Asano, Masao Komatsu, Yu Aoi, Akira Emoto

Duração: 128 min.

França: Japão, França

Ano: 2015

Classificação: 18 anos

 

 

 

 

Veja o trailer de Para o Outro Lado:

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VIRGEM JURAMENTADA – Sexualidade em questão

Na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem Virgem Juramentada apresenta belo drama de uma personagem transgênera, interpretada pela italiana Alba Rohrwacher

Alba Rohrwacher em cena de VIRGEM JURAMENTADA (2015), de Laura Bispuri

Alba Rohrwacher em cena de VIRGEM JURAMENTADA (2015), de Laura Bispuri

Com roteiro adaptado de uma estreante em longas – a italiana Laura Bispuri – em parceria com Francesca Manieri a partir do romance de Elvira Dones, Virgem Juramentada (Vergine Giurata, 2015) propõe um debate interessante em torno da função social da mulher, a partir de uma trama aparentemente inusitada: uma jovem que aprendeu a ser um homem durante 14 anos e que, após sair de seu vilarejo, procura compreender e reposicionar a construção de sua sexualidade. Apresentado na Mostra de Cinema de São Paulo, o longa-metragem foi exibido na competição do 65º Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Nas gélidas montanhas da Albânia onde a história do filme se situa, as mulheres não tem direito ao protagonismo: suas atividades são restritas e condicionadas ao poder dos homens, que ditam as regras de convivência. Ao futuro das jovens, só existem duas opções: casar e se tornar fiel servente do marido ou apelar para o tradicional código de leis Kanun, que permite às mulheres viverem livres como homens após juramento de virgindade eterna.

Flonja Kodheli e Alba Rohrwacher em cena de VIRGEM JURAMENTADA (2015), de Laura Bispuri

Flonja Kodheli e Alba Rohrwacher em cena de VIRGEM JURAMENTADA (2015), de Laura Bispuri

Hana (Alba Rohrwacher) cresce sob tais códigos rígidos de sua comunidade patriarcal, ao lado da irmã Lila (Flonja Kodheli). Enquanto Hana só vislumbra sua própria liberdade no vilarejo a partir de sua transformação em uma virgem juramentada assumindo o nome Mark, Lila foge para a Itália e se adequa a um casamento convencional burguês. Ao deixar sua comunidade e viajar até a casa da irmã, Hana/Mark entra em contato com outro modo de vida e começa a ter dúvidas sobre a construção de sua sexualidade.

Nesta transição para um mundo “mais livre”, há boas soluções dadas por Laura Bispuri na direção do filme. Em particular, as cenas de observação da piscina dão especial atenção à diversidade dos corpos, deixando evidente a possibilidade democrática de convivência entre pessoas bem diferentes. Outro ponto alto é a tensão de pontos de vista entre Hana/Mark e a filha de Lila, Jonida (Emily Ferratello), uma adolescente que cresceu livre de regras rígidas: a garota parece se sentir à vontade para expressar o que sente e até mesmo confrontar a mãe e o pai, sem ser submetida a punições severas.

Alba Rohrwacher em cena de VIRGEM JURAMENTADA (2015), de Laura Bispuri

Alba Rohrwacher em cena de VIRGEM JURAMENTADA (2015), de Laura Bispuri

O momento presente da relação de Hana/Mark, Lila e Jonida é intercalado por flashbacks que explicam detalhes sobre a vida pregressa da protagonista, sem adiantar tudo subitamente, mas desvelando aos poucos e fazendo com que a personagem ganhe profundidade. Tal estratégia pode parecer desinteressante a uma parcela do público, acostumado com a apresentação imediata das intenções dos personagens, mas a narrativa do filme propõe outro tipo de articulação com o espectador: conquistá-lo entre distâncias e aproximações com aquele universo criado, sem aderir pela identificação com a personagem, tampouco se afastar totalmente de sua sensibilidade. Talvez por isso a estreia de Laura Bispuri parece indicar que ela é uma cineasta promissora.

Pôster de VIRGEM JURAMENTADA (Vergine Giurata, 2015), de Laura Bispuri

Pôster de VIRGEM JURAMENTADA (Vergine Giurata, 2015), de Laura Bispuri

 

 

Título: Virgem Juramentada (Vergine Giurata)
Gênero: Drama
Direção: Laura Bispuri
Elenco: Alba Rohrwacher, Flonja Kodheli, Lars Eidinger, Luan Jaha, Bruno Shllaku
Duração: 90 min.
País: Itália, Suíça, Alemanha, Albânia, Kosovo
Ano: 2015
Classificação: 16 anos

Veja o trailer de Virgem Juramentada:

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O CÍRCULO – Convenção de bruxas

Entre os longas-metragens da competição da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme sueco O Círculo mistura cultura pop e argumento sobre jovens bruxas para atrair público infanto-juvenil.

Leona Axelsen, Miranda Frydman, Helena Engström, Josefan Aspland, Irma Von Platen e Hanna Asp são as atrizes que interpretam as protagonistas de O CÍRCULO (2015), de Levan Akin

Leona Axelsen, Miranda Frydman, Helena Engström, Josefan Aspland, Irma Von Platen e Hanna Asp são as atrizes que interpretam as protagonistas de O CÍRCULO (2015), de Levan Akin

Não se engane pelas aparências: apesar de ser uma produção da Suécia, O Círculo (Cirkeln, 2015) não se alia à tradição de filmes nórdicos, que costumam ter longos diálogos rebuscados sobre a existência humana. O longa-metragem está vinculado a outro estilo: o filme de adolescente, de colegial, que abusa da cultura pop e almeja o público infanto-juvenil, com uma trama sobre jovens bruxas. O filme é uma adaptação do primeiro livro da trilogia Engelsfors, dos autores suecos Mats Strandberg e Sara Bergmark Elfgren. A obra é considerada best-seller na Suécia e já foi traduzida para mais de 30 idiomas.

Após a morte misteriosa de um jovem no banheiro de um colégio da cidade de Engelsfors, seis adolescentes com perfis bem diferentes terão seus destinos cruzados: a inteligente Minoo (Irma Von Platen), a ruiva bulímica Rebecka (Josefan Aspland), a loira popular Vanessa (Miranda Frydman), a caçula insegura Anna-Karin (Helena Engström), a gótica Linnea (Leona Axelsen) e a patricinha Ida (Hanna Asp). Elas serão tomadas por forças místicas e atraídas a um parque abandonado, onde descobrem que são bruxas. Segundo uma profecia, elas foram “escolhidas” para a missão de proteger o mundo dos demônios, criaturas que viajam entre os mundos e desejam destruir a humanidade.

Leona Axelsen em cena de O CÍRCULO (2015), de Levan Akin

Leona Axelsen em cena de O CÍRCULO (2015), de Levan Akin

Carregado de referências, que vão desde o óbvio Jovens Bruxas (The Craft, 1996) até o clássico Carrie, A Estranha (Carrie, 1976), O Círculo procura apresentar o conflito central das personagens a partir do desconforto com os pais, geralmente intolerantes com os filhos. A dicotomia ressalta o olhar estranho para a família, compreendida sempre na sua condição disfuncional. Se o lar não é capaz de consolar as adolescentes nos momentos de incerteza, os laços forçados entre as seis garantem o refúgio possível para que elas encontrem seu lugar. Mas o melhor do filme é a trilha musical, repleta de canções de Kate Bush e Laurie Anderson.

Pôster de O CÍRCULO (Cirkeln, 2015), de Levan Akin

Pôster de O CÍRCULO (Cirkeln, 2015), de Levan Akin

 

Título: O Círculo (Cirkeln)
Gênero: Terror/Fantasia
Direção: Levan Akin
Elenco: Josefin Asplund, Helena Engström, Miranda Frydman, Irma Von Platen, Hanna Asp
Duração: 144 min.
Origem: Suécia
Ano: 2015
Classificação: 18 anos

 

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SEMANA 43 – AS ESTREIAS DESTA QUINTA-FEIRA EM FORTALEZA

Depois da avalanche de estreias da semana passada, desta vez temos uma euforia menor, mas não sem pelo menos três ótimos filmes: o romance Eu Estava Justamente Pensando em Você (2014), de Sam Esmail; o thriller policial Sicario – Terra de Ninguém (2015), de Denis Villeneuve; e o drama Ponte dos Espiões (2015), de Steven Spielberg. Para divertir e quem sabe também surpreender positivamente, temos a aventura Goosebumps – Monstros e Arrepios (2015), de Rob Letterman, e o horror Atividade Paranormal – Dimensão Fantasma (2015), de Gregory Plotkin. Para quem tem boa vontade, há a comédia S.O.S. – Mulheres ao Mar (2015), de Cris D’Amato. Além disso, há também duas exibições bem especiais que podem ser conferidas em texto destacado abaixo, no Cinema do Dragão

Emmy Rossum e Justin Long em EU ESTAVA JUSTAMENTE PENSANDO EM VOCÊ (2014), de Sam Esmail

Emmy Rossum e Justin Long em EU ESTAVA JUSTAMENTE PENSANDO EM VOCÊ (2014), de Sam Esmail

Uma das séries de televisão mais sensacionais do ano foi Mr. Robot, criada por um sujeito até então pouco conhecido chamado Sam Esmail. Pois bem. Eis que Esmail já havia realizado um longa-metragem no ano passado que acabou se tornando famoso depois de seu sucesso na série. E não é que Eu Estava Justamente Pensando em Você é tão lindo e tão inventivo quanto a série? Deixando claro que são duas coisas totalmente diferentes. O filme é uma história de amor que se passa em seis momentos distintos do relacionamento entre um casal de namorados, vivido por Justin Long e a encantadora Emmy Rossum. O filme é mágico, tem um visual fantástico, não deixa o coração do espectador ficar calmo em nenhum momento e em certo instante a realidade é questionada quando o sonho passa também a ser um elemento dominante. Em cartaz no Cinema do Dragão.

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EU ESTAVA JUSTAMENTE PENSANDO EM VOCÊ (Comet, EUA, 2014), de Sam Esmail. Com Justin Long, Emmy Rossum, Kayla Servi, Eric Winter, Ben Scott, Lou Beatty Jr., Ben Pace, Nicole Lucas, Connie Jackson, Geoffrey Gould. 91 min. Imovision. Classificação a definir.

Emily Blunt em SICARIO - TERRA SEM LEI (2015), de Denis Villeneuve

Emily Blunt em SICARIO – TERRA SEM LEI (2015), de Denis Villeneuve

O cineasta canadense Denis Villeneuve não chega a ser uma unanimidade entre os cinéfilos, mas este que vos escreve é fã das obras do diretor. Incêndios (2010), Os Suspeitos (2013) e O Homem Duplicado (2013) são belos exemplos de como criar atmosferas perturbadoras. No caso de Sicario – Terra de Ninguém, Villeneuve tem o dever de nos colocar nos sapatos da personagem de Emily Blunt, uma agente idealista do FBI que é escalada para fazer parte de uma força-tarefa no combate às drogas na fronteira entre Estados Unidos e México, a fim de capturar um chefão do crime mexicano. Benicio Del Toro, com quem a protagonista acaba tendo que se aliar, é um “sicario”, termo que quer dizer “matador de aluguel”, e está certamente em um dos melhores papéis de sua vida.  Em cartaz em grande circuito.

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SICARIO – TERRA DE NINGUÉM (Sicario, EUA, 2015), de Denis Villeneuve. Com Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro, Victor Garber, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya, Jeffrey Donovan, Raoul Trujillo, Julio Cedillo, Hank Rogerson. 121 min. Paris. 16 anos.

Tom Hanks em PONTE DOS ESPIÕES (2015), de Steven Spielberg

Tom Hanks em PONTE DOS ESPIÕES (2015), de Steven Spielberg

Há cineastas em que cada novo filme é um acontecimento. É o caso de Steven Spielberg, que além de ser o mais popular cineasta dos últimos 30 anos, ainda traz marcas autorais, além de temas bastante significativos. No caso de Ponte dos Espiões, ele aborda a questão do direito à defesa, nos apresentando ao caso de um advogado (Tom Hanks) que resolve defender um espião soviético capturado pelos americanos no auge da Guerra Fria. O advogado se torna peça fundamental nas negociações entre Estados Unidos e União Soviética, a fim de trocar o espião soviético por um espião americano também capturado. Lembrando que o filme anterior de Spielberg foi Lincoln (2012), trata-se, portanto, de um hiato bastante considerável para um cineasta que costuma lançar um novo trabalho quase todo ano. Em cartaz em grande circuito.

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PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies, EUA, 2015), de Steven Spielberg. Com Tom Hanks, Amy Ryan, Mark Rylance, Alan Alda, Domenick Lombardozzi, Victor Verhaeghe, Joshua Harto, John Rue, Jillian Lebling, Noah Schnapp. 141 min. Fox. 12 anos.

Cena de GOOSEBUMPS - MONSTROS E ARREPIOS (2015), de Rob Letterman

Cena de GOOSEBUMPS – MONSTROS E ARREPIOS (2015), de Rob Letterman

Nesta comédia aventuresca com toques fantásticos, dois adolescentes (Dylan Minnette, Odeya Rush) e um adulto (Jack Black) se juntam depois que, acidentalmente, o rapaz abre um dos livros mágicos do personagem de Black, um autor de histórias de horror. Assim, ele acaba por trazer ao mundo real monstros da imaginação do autor, causando muita confusão e provavelmente também muita diversão. O filme obteve mais de 80% de aprovação entre os críticos vinculados ao site Rotten Tomatoes, o que não deixa de ser animador. Felizmente, diferente das sessões de pré-estreia, na semana passada, há sim opções de ver o filme em cópias legendadas. Em cartaz em grande circuito.

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GOOSEBUMPS – MONSTROS E ARREPIOS (Goosebumps, EUA/Austrália, 2015), de Rob Letterman. Com Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush, Ryan Lee, Amy Ryan, Jillian Bell, Ken Marino, Halston Sage, Steven Krueger, Keith Arthur Bolden. 103 min. Sony. 10 anos.

Cena de ATIVIDADE PARANORMAL - DIMENSÃO FANTASMA (2015), de Gregory Plotkin

Cena de ATIVIDADE PARANORMAL – DIMENSÃO FANTASMA (2015), de Gregory Plotkin

Desde dezembro de 2009 que acompanhamos a saga das irmãs Katie e Kristie e uma entidade do mal que tem causado morte e terror desde antes dos eventos do primeiro filme, como pudemos ver nas fitas “encontradas” e mostradas no terceiro e ótimo título da franquia. O problema é que, passado tanto tempo e tantos filmes, fica fácil esquecer o enredo e estava mais do que na hora de os produtores resolverem dar um final à franquia, que teve até dois spin-offs. Atividade Paranormal – Dimensão Fantasma dessa vez traz efeitos 3D para assustar mais o público. Na trama, jovem rapaz se muda com a família para uma nova casa e encontra uma caixa contendo várias fitas que têm a capacidade de se comunicar com quem as está assistindo. Procurando mais, ele encontra também uma misteriosa câmera, capaz de registrar atividades paranormais. Em cartaz em grande circuito.

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ATIVIDADE PARANORMAL – DIMENSÃO FANTASMA (Paranormal Activity – The Ghost Dimension, EUA, 2015), de Gregory Plotkin. Com Chris J. Murray, Brit Shaw, Ivy George, Dan Gill, Olivia Taylor Dudley, Chloe Csengery, Jessica Tyler Brown, Don McManus, Michael Krawic, Hallie Foot. 88 min. Paramount. 14 anos.

Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini em S.O.S. - MULHERES AO MAR (2015), de Cris D'Amato

Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini em S.O.S. – MULHERES AO MAR (2015), de Cris D’Amato

Há limites para o constrangimento. Depois do horrível Linda de Morrer, a incansável diretora Cris D’Amato está de volta para aterrorizar a vida dos espectadores com S.O.S. – Mulheres ao Mar 2, continuação da comédia do ano passado, que teve uma boa recepção comercial, e por isso está aí de volta. É a tal coisa: foram dar cabimento… No novo filme, Giovanna Antonelli é a escritora bem-sucedida que, ao saber que o marido vai estar com sua bela ex-noiva em uma festa em um cruzeiro no Caribe, convoca duas amigas para uma nova aventura nos mares, desta vez, a caminho de Orlando, nos Estados Unidos. As outras duas amigas também têm outros interesses e há subtramas envolvendo essas personagens. Em cartaz em grande circuito.

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S.O.S. – MULHERES AO MAR 2 (Brasil, 2015), de Cris D’Amato. Com Giovanna Antonelli, Fabíula Nascimento, Reynaldo Gianecchini, Thalita Carauta, Alex Zuko, Robert J. Fox, Krystle McMullan, Felipe Roque, Gil Coelho, Rhaísa Batista. 102 min. Europa. 10 anos.

Especiais

Toni Servillo em A GRANDE BELEZA (2013), de Paolo Sorrentino

Toni Servillo em A GRANDE BELEZA (2013), de Paolo Sorrentino

Vale destacar dois eventos que acontecem no Cinema do Dragão. O primeiro deles é a exibição em cópia 35 mm de A Grande Beleza (2013), de Paolo Sorrentino, no Cine Freud, no sábado. Lembremos que quando o filme foi exibido na cidade, em uma única sala, no Pátio Dom Luis, ele foi exibido em um digital Auwe horrível, que ainda fazia o favor de mutilar a janela, cortando as partes laterais da imagem. A outra exibição, também em 35 mm, é de Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, com a presença de Caldas no debate após a sessão em um novo projeto do Cinema do Dragão chamado “Anatomia do Filme”, em que o trabalho é dissecado pelo realizador. A sessão especial ocorrerá na terça-feira. Fiquem ligados nos horários da programação na página do Facebook do Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco.

Veja trailer de Baile Perfumado

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Saem de cartaz

A Travessia
Bata Antes de Entrar
Carrossel – O Filme
Evereste
Horas de Desespero
O Pequeno Príncipe
Que Horas Ela Volta?
Respire

A estreia nacional desta quinta-feira, 22, que não entra em cartaz em Fortaleza

Palavras Diabólicas

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