O Imortal Bolaños

Aos 85 anos e com graves problemas de saúde, Roberto Gomez Bolanõs faleceu na última sexta-feira, deixando um legado que já o imortalizou em vida. O gênio mexicano foi o responsável por programas e personagens famosos ao redor do mundo e que traziam a marca de um tipo de humor ingênuo, o qual cativou e continua cativando gerações de fãs. Um dos raros artistas a aliar talento artístico e comercial, Bolaños entra na galeria de personalidades indeléveis da história da cultura de massas em todos os tempos. E não poderia ser diferente

Um gênio vestindo a persona de outro gênio: Bolaños como Chaplin

Um gênio vestindo a persona de outro gênio: Bolaños como Carlitos, o personagem que imortalizou Charles Chaplin, a maior influência do ídolo mexicano. Foto: reprodução

Saber do desaparecimento físico de Roberto Gómez Bolaños provoca inevitavelmente tristeza em milhões de pessoas ao redor do mundo. Gerações se dobraram (e ainda dobram) de rir com a galeria de personagens nascidos do gênio mexicano que nos deixou na última sexta. Considerando a idade avançada e os sucessivos problemas de saúde, a sua morte não chega a surpreender, ponderação que não diminui a perda. Porém, recordando as inúmeras vezes em que Chaves ou Chapolin – só para citar suas criações mais famosas – nos fizeram rir, dá para ficar exatamente triste?

Bolaños foi o raro tipo de artista que soube aliar o talento à verve comercial. Embora não fosse unanimidade entre a crítica especializada (há quem torça o nariz para tudo!), o filho de uma secretária e de um artista visual, que conheceu o sucesso de público já na casa dos 40 – mas que gozaria do mesmo pelo resto da vida -,  demonstrou desde cedo talento para as letras. Isso fica muito evidente quando analisamos os principais elementos que concorreram para o estouro de um seriado como Chaves. Não obstante a precariedade dos recursos, o que chama mesmo a atenção para esse autêntico fenômeno da cultura de massas é o excelente roteiro, além, claro, do elenco matador.

Isso nos leva a dimensionar a genialidade de Roberto: ele não só escrevia muito bem, como ainda tinha grande sensibilidade para identificar o talento alheio. Só um artista e profissional tarimbado como ele poderia ter convencido a então petulante e jovem atriz dramática Maria Antonieta de las Nieves a encarar o papel de filha de um trambiqueiro num seriado televisivo de humor. Só ele poderia ter imortalizado Ramón Valdez, ator que tinha dezenas de filmes nas costas, mas quase todos com participações irrelevantes. Isso só para ficar nos campos do roteiro e da direção. É preciso dizer que o mestre mexicano era um homem de múltiplos talentos: compunha, atuava e administrava sua obra, tudo com inegável brilho. Como resistir ao olhar de fome ou medo do chavinho quando o quarentão Roberto lhe dava aquela expressão tão característica das crianças?

Reunido com o elenco de Chaves, sua criação mais popular: fenômeno cultural

Reunido com o elenco de Chaves, sua criação mais popular: fenômeno cultural. Foto: reprodução

Roberto é tributário de mestres do humor simples e ingênuo visto em Chaves. Sem dúvida, Charles Chaplin foi uma das suas mais fortes influências. Há muito Chaplin nas gags do seriado mexicano, nos temas universais e na promoção de valores humanitários. Embora fosse marcadamente conservador – fez duras críticas à esquerda mexicana e tinha ligações com a igreja católica -, Bolaños sempre se mostrou preocupado com as chagas sociais que estigmatizavam o seu país, tão longe de Deus, mas tão próximo dos Estados Unidos. Chaves é um retrato sociológico de uma América Latina marcada pelas contradições sociais e pelos seus efeitos em nível micro: a promiscuidade entre a classe média e a pobreza (ambas dividindo o mesmo espaço), a vida de improviso de quem não se adequa ao sistema (leia-se seu Madruga e seus trambiques), a arrogância daqueles que detêm o saber, enfim: taxar a série de alienada é tão leviano quanto entender a politização da arte como panfletarismo barato. Mas ainda há quem persista no equívoco de levar tudo a sério demais.

Roberto Gómez Bolaños foi um dos raros artistas a ser imortalizado ainda em vida. Sabia que era amado, sobretudo nos lugares onde sua obra foi mais consagrada, como no Brasil. Sua última mensagem no Twitter foi dedicada ao país onde Chaves aportou em 1984, para nunca mais deixar de ser exibido, chegando a ameaçar a liderança de standards da TV brasileira, como o Jornal Nacional, em determinados períodos. Nesse aspecto, ele deve ter ido em paz. E merecidamente.

A verdadeira idolatria em torno de Chaves gerou homenagens como o trailer de um falso filme de ação envolvendo os personagens do seriado mexicano. E é com esse material que encerramos nossa homenagem:

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EDUARDO PEREIRA

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EDUARDO PEREIRA

Nascido na cidade de Aracati, tem formação em cinema pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura e pela Vila das Artes, tanto no curso de Realização em Audiovisual, como no curso Pontes de Corte, destinado a cineclubistas. Participou de inúmeras produções audiovisuais, especialmente no campo da produção e é bacharel em Biblioteconomia pela UFC. É um dos membros fundadores do Grupo 24 Quadros e colabora frequentemente com eventos ligados ao universo dos quadrinhos.

PAUL WALKER – UM ANO…

Escolho muito bem as pessoas as quais devo admirar. Admiro especialmente as pessoas que se despojam da arrogância e do poder financeiro que possuem e investem nos trabalhos de caridade, ajudando a pessoas que igualmente não conhecem e possivelmente, nunca conhecerão. Paul Walker foi uma dessas pessoas. Mesmo sem nunca tê-lo conhecido pessoalmente, reconheço o seu grande trabalho em vida. Por isso, vai aqui a minha homenagem no dia em que se completa um ano de sua partida – e isso não quer dizer que seja para sempre, pois espíritos são imortais

Neste domingo, milhares de fãs colocam flores no local do acidente fatal de Paul Walker

Neste domingo, milhares de fãs colocam flores no local do acidente fatal de Paul Walker

O site E! postou no sábado, 29 de novembro, uma entrevista das repórteres Corinne Hellier e Claudia Rosembaum, gravada às vésperas do feriado de Ação de Graças, com Paul Walker III, o pai do ator. Logo no primeiro parágrafo, as jornalistas descrevem que ele ainda sente a presença do filho e recordam o dia da tragédia: A estrela de Velozes e Furiosos, que tinha os olhos azuis de seu pai, morreu aos 40 anos em acidente de carro perto de Los Angeles, em 30 de novembro de 2013, deixando uma filha adolescente, Meadow, 15.

Inconformado até hoje, Paul revela ter ido diversas vezes ao local do acidente para tentar entender como se deu a morte do filho, e ficar ali, meditando, pensando. Eu só olhava para a estrada larga, e ainda penso: como isso aconteceu?

Paul Walker III Foto: E!online

Paul Walker III Foto: E!online

Eu sinto a presença dele todos os dias. Eu sinto muito a falta de conversar com ele, que tinha um coração imenso, afirma Walker III. Havia sempre um monte de pessoas nesta casa. E um monte de piadas. E lembra-se de como ele se sentava na varanda para conversar com os vizinhos entre os intervalos em que estava com os irmãos em jogos de disparo de arco e flecha. Em uma pausa, acrescentou: Mas raramente discutia a sua própria carreira ou os filmes. Ele não gostava da ribalta. E, uma vez, me revelou: eu realmente não gosto desse negócio, mas eu posso fazer muita coisa boa com o dinheiro que eu ganho, acrescentou.

O dinheiro ganho por Paul Walker foi investido em uma ONG, a Reach Out Worldwide, sem fins lucrativos e que se tornou reconhecida mundialmente ao prestar trabalho humanitário em países e cidades afetados por desastres naturais. A entidade tem, entre seus integrantes, profissionais de várias áreas, desde engenheiros, bombeiros, médicos, entre outros.

Paul irradiava amor e você não pode esquecer isso, disse o pai. Paul tinha um coração muito bom. Eu pensei: ‘Como é que eu mereço um filho tão maravilhoso?. E lembra que a ação, aventura, os carros e o oceano eram o seu reino mágico.

As jornalistas descrevem que Paul, o pai, pretendia, neste domingo, passar o dia sozinho porque não queria estar perto de pessoas tristes. Mas, desde ontem os telefones não param de tocar. Isso foi o que me ajudou a mudar de ideia, a ação dos amigos, mas o choque ainda é muito grande. A esta hora, Paul e a família devem estar ao lado da sepultura do filho. Um alento para segurá-lo até janeiro, quando vai se tornar bisavô.

Os irmãos de Paul Walker filmaram, a pedido da Universal, algumas tomadas para as várias cenas incompletas em que Brian O’Connor, o personagem de Walker, aparece em Velozes e Furiosos 7. Foi uma coisa difícil de fazer, mas foi intervir em favor de seu irmão, disse ele.

E Cody Walker, 26, o filho mais novo, que tinha em Paul o segundo pai, em janeiro passado, postou uma foto dele com os demais irmãos no Instagram e, como homenagem a Paul, assumiu a função de CEO na Reach Out Worldwide.

Cody se juntou Reach Out Worldwide e, em janeiro passado, postou no Instagram a foto ao lado dos irmãos Paul e Caleb Walker

Cody (ao centro) se juntou Reach Out Worldwide e postou no Instagram a foto ao lado dos irmãos Paul e Caleb

No domingo, 30, a estrada que leva a cidadezinha de Santa Clarita, na Califórnia, esteve apinhada de gente, pois, revelou Walker pai, os fãs continuam a deixar flores e poesias no local do acidente.

Eles escrevem coisas agradáveis sobre o meu filho, finalizou.

Sim senhor Paul Walker III, seu filho ainda é amado. Vai daqui, também, a minha homenagem a ele.

DATA DE ESTREIA

BRASIL – 26 de março > lançamento mundial
EUA e demais países > 3 de abril

Veja o trailer de Velozes & Furiosos 7.

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LIVROS INTRÍNSECOS – QUERIA VER VOCÊ FELIZ

Não tenho sexo. Não tenho corpo. Não sou mortal ou imortal, visto que morro mas renasço, e volto a morrer e renascer até o infinito. Sou um teimoso. Há quem tente me prender, há quem tente me entender, há quem tente me explicar, nada disso é muito fácil. Quem faz esta revelação é o amor. E quem revela o amor assim, dessa forma, falando por ele, é Adriana Falcão em seu romance Queria Ver Você Feliz, lançamento da Editora Intrínseca, no qual, de posse das fotos e cartas trocadas entre os seus pais ao longo de 30 anos, recria a história de amor que os uniu – e separou em forma de tragédia. Mas, não se preocupe: trata-se de um livro notável, escrito de forma tão leve e equilibrado que não deixa você se livrar em pensar na vida, na morte, e nele… o amor

Capa do livro QUERIA VER VOCÊ FELIZ (2014), de Adriana Falcão; e foto de seus pais, Caio e Maria Augusta

Capa do livro QUERIA VER VOCÊ FELIZ (2014), de Adriana Falcão; e foto de seus pais, Caio Franco Abreu e Maria Augusta

Adriana Falcão nasceu no Rio de Janeiro em 1960. Hoje, tem 54 anos. Arquiteta sem nunca a ter exercido, ficou conhecida pelos quase 20 livros que escreveu, entre eles, A Máquina (Objetiva, 1999), levado ao cinema em 2005 por João Falcão (pai da Clarice, a humorista, além de cantora e compositora, da Porta dos Fundos), e os roteiros de O Auto da Compadecida (2000), de Guel Arrais, Se eu Fosse Você 1 (2006) e 2 (2009), de Daniel Filho, A Mulher Invisível (2008), de Cláudio Torres, além da série de TV A Grande Família (ao longo de 12 anos). Atualmente é cronista do O Estado de São Paulo.

A FAMÍLIA

Adriana Falcão

Adriana Falcão

Caio Franco de Abreu, seu pai, e Maria Augusta, a mãe, se conheceram em maio de 1947. Ele tinha 15 anos, e ela, um a menos. A Fonte da Saudade, na Zona Sul do Rio, próximo a casa dela, poderia ter sido o cenário. Digamos que foi, assim como Adriana, desculpe, o amor, diz que ao se olharem começou a chover. Pouco depois passaram a trocar cartas. Entre idas e vindas, ela o forçou a se definir pelo casamento quando, ulguns dias antes de 14 de novembro de 1953, data em que se casaram, ela ameaçou engolir a aliança ao sabor de Coca-Cola. Não é bom contar o que se passou a partir daí, entre eles. Tira as surpresas e revelações, angústias e tristezas. Alegrias e felicidade vividas por eles ao longo de 25 anos e registradas através da troca de cartas.

Não se importe com o tom trágico da carta escrita por ele em 7 de agosto de 1978, o desfecho de tudo. Ao longo das páginas, antes e depois daí, você será envolvido pelo tom da poesia e bom humor com as quais Adriana, desculpe, o amor, apresenta esses dois personagens envolvidos em dramas psicólogos que os levam ao tormento, fantasmas e demônios.

Enfim, entre o romantismo e a tragédia, a realidade e a ficção, Adriana, ou o amor, tece uma história sobre a natureza humana. Afetivo e recuperando a memória como instrumento de narração de uma história de amor, Queria Ver Você Feliz provoca uma baita reflexão. Sobre nós, humanos, e aquele personagem que mora em nós, para o bem e para o mal, chamado amor.

Leia mais sobre o livro no site da Intrínseca, aqui
Para ler entrevista da escritora, acesse aqui

http://www.universodosleitores.com/2014/10/queria-ver-voce-feliz-de-adriana-falcao.html

FICHA TÉCNICA

QUERIA VER VOCÊ FELIZ
Brasil, 2014
Autora: Adriana Falcão
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
Preço: R$ 19,90 (E-book)
Preço: R$ 29,90 (Impresso)

 

SEMANA 48 – JOGOS VORAZES LIDERA

Jogos Vorazes: a Esperança – Parte 1 confirmou todas as previsões feitas em torno de seu lançamento. E foi além: nos 4 primeiros dias em cartaz, a penúltima aventura de Katniss Everdeen bateu o recorde nacional com 1,9 milhão de ingressos vendidos. E teve, também, um número recorde de salas, fazendo com que os filmes já em cartaz despencassem em mais de 30%

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA - PARTE 1 (2014), de Francis Lawrence: líder do Ranking Brasil

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – PARTE 1 (2014), de Francis Lawrence: líder do Ranking Brasil

A expectativa era grande e foi cumprida à risca. Em exibição em 1.339 cinemas do território brasileiro, Jogos Vorazes: a Esperança – Parte 1, simplesmente arrebentou a boca do bolão, como se diz na gíria. Mais de 1,9 milhão de ingressos vendidos em apenas 4 dias – de quinta, 20, a domingo, 23 -, contabilizando as sessões lotadíssimas de meia-noite e 1 minuto de quarta para 5ª feira, estabeleceu um faturamento prévio de R$ 23.665,323, assumindo a liderança das estreias na presente temporada. Essa arrecadação só não supera a de Homem Aranha – a Vingança de Eletro (Sony), que faturou R$ 24.612,737 em apenas 3 dias (sexta a domingo). O número de cópias também estabelece outro recorde, o número de salas, e essa presença avassaladora do filme ocupando quase 50% das salas de cinema do País provocou a reação da Ancine-Agência Nacional de Cinema, que convocou reunião com exibidores e distribuidoras para discutir o assunto, já que há uma reclamação generalizada por parte do público e das médias e pequenas distribuidoras, que consideram esse modelo danoso ao sistema exibidor.

débi & lóide 2 (2014), dos irmãos Farrelly; e INTERESTELAR (2014), de Christopher Nolan

débi & lóide 2 (2014), dos irmãos Farrelly; e INTERESTELAR (2014), de Christopher Nolan

Com a presença maciça em todos os complexos de todos os estados do País, os demais filmes em cartaz, incluindo os fortões de público, despencaram. Débi & Lóide 2 (Imagem Filmes), que tinha ocupara a liderança na estreia, teve uma arrecadação de R$ 6,4 milhões, mas a queda de 32% na frequência do público deve ser mantida nas próximas semanas. Já na terceira semana, a ficção científica Interestelar (Warner), apesar de sua intrincada história envolvendo buracos de minhoca, viagens no tempo, astrologia, física quântica e paradoxo temporal, continua fazendo a cabeça do público mais exigente. A queda de 37% e a arrecadação de R$ 2,4 milhões não se deu tanto em relação a Jogos Vorazes, mas sim devido a complexidade de seu enredo – brilhante, diga-se -, que não tem sido bem entendido pelo grande público. Em rota contrária, o argentino Relatos Selvagens (2014) ganhou um aliado no boca-a-boca de quem o vê e recomenda aos amigos. Daí, ter tido um aumento de 20% em termos de frequência do público, justamente por ser mais aberto e atraente.

Richard Madden e Rebecca Hall em A PROMESSA (2014), de Patrice Leconte: destaque entre as estreias

Richard Madden e Rebecca Hall em UMA PROMESSA (2014), de Patrice Leconte: destaque entre as estreias

Já a comédia nacional Made in China,(2014) com Regina Casé, não emplacou mesmo, tendo uma queda de 58%, ocupando o sétimo lugar. Duas outras estreias, situadas na área dos filmes de arte, se deram bem: Uma Promessa (2014, Europa), de Patrice Leconte, com lançamento em 15 salas, ficou em 16º lugar, com 5.881 espectadores; e Ciúme (2014, Tucuman), com 5.687 ingressos vendidos, em 18º.

Confira o Ranking de Bilheteria Brasil da semana 48 – 20 a 23 de novembro.

01Veja o trailer de Uma Promessa.

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SEMANA 48 – NOVOS FILMES EM CARTAZ NESTA QUINTA-FEIRA

Depois do efeito bombástico da estreia de Jogos Vorazes: a Esperança – Parte 1, que ocupou cerca de 50% das salas de todo o país na semana passada, o circuito começa a respirar um pouco mais. Embora essa não seja uma boa safra, é sempre possível que boas surpresas surjam de onde menos se espera. A semana é marcada pela presença curiosa de filmes gays ou com personagens gays, já que de 28.11 a 04.12 o Cinema do Dragão sedia o 8º For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, com a exibição de longas e curtas metragens abordando o tema por diferentes perspectivas. Veja a programação no site oficial. Quanto ao circuito, três filmes trazem personagens homossexuais: os brasileiros Trinta (2014), de Paulo Machiline, e O Casamento de Gorete (2013), de Paulo Vespúcio, e, em pré-estreia, Saint Laurent (2014), de Bertrand Bonello. A semana também é marcada por histórias de amor, como as contadas em Boa Sorte (2014), de Carolina Jabor, Elsa & Fred (2014), de Michael Radford, e Uma Nova Chance para Amar (2013), de Arie Posin. Correndo por fora, o thriller de ação De Volta ao Jogo (2014), de Chad Stahelski e David Leitch, e a comédia Quero Matar Meu Chefe 2 (2014), de Sean Anders, este em sessões de pré-estreia. Como se vê, não faltam filmes nos cinemas para os cinéfilos em Fortaleza

Matheus Nachtergaele em TRINTA, de Paulo Machline

Matheus Nachtergaele em TRINTA (2014), de Paulo Machline

Já estamos perdendo a conta da quantidade de cinebiografias que foram produzidas nos últimos anos só no Brasil. Só este ano tivemos filmes sobre Getúlio Vargas, Paulo Coelho, Tim Maia e Irmã Dulce. Junta-se ao coro esta história do mestre do carnaval carioca Joãozinho Trinta, chamada apenas Trinta. Matheus Nachtergaele incorpora o carnavalesco numa performance bastante elogiada pela crítica. O enredo acompanha a trajetória de Joãozinho desde a partida de sua cidade natal (São Luís-MA) em busca de sucesso no Rio de Janeiro, onde começou como bailarino. Depois ele seria convidado para produzir o seu primeiro desfile carnavalesco, na Acadêmicos do Salgueiro, há 40 anos. O elenco de apoio do filme é também digno de nota.

TRINTA (Brasil, 2014), de Paulo Machile. Com Matheus Nachtergaele, Paulo Tiefenthaler, Paolla Oliveira, Milhem Cortaz, Fabrício Boliveira, Mariana Nunes, Ernani Moraes, Vinicius de Oliveira, Marco Ricca. 96 min. Fox. 12 anos.

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Keanu Reeves em DE VOLTA AO JOGO (2014), de Chad Stahelski e David Leitch

Keanu Reeves em DE VOLTA AO JOGO (2014), de Chad Stahelski e David Leitch

Um estranho no ninho entre as estreias, mas ao mesmo tempo o mais atraente dos filmes, De Volta ao Jogo é mais uma história de um assassino de aluguel aposentado que tem que voltar ao trabalho por causa de algo que perturba sua paz. Já vimos algo parecido em O Protetor, com Denzel Washington, mas ao que parece existe apenas este ponto em comum. A intenção dos diretores do filme é emular tanto animes e filmes de ação de Hong Kong, quanto westerns spaghetti. Com tanta homenagem boa e um sempre simpático Keanu Reeves à frente do elenco, De Volta ao Jogo parece animador.

DE VOLTA AO JOGO (John Wick, EUA/Canadá/China, 2014), de Chad Stahelski e David Leitch. Com Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe, Dean Winters, Adrianne Palicki. 101 min. Imagem Filmes. 18 anos.

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João Pedro Zappa e Deborah Secco em BOA SORTE (2014), de Carolina Jabor

João Pedro Zappa e Deborah Secco em BOA SORTE (2014), de Carolina Jabor

Depois de uma semana de pré-estreia com poucas sessões, Boa Sorte promete alcançar um público maior agora que entra em cartaz pra valer. Deborah Secco emagreceu 11 quilos para viver uma jovem soropositiva em estado grave em uma clínica psiquiátrica. Judite, sua personagem, foi internada por causa dos delírios e alucinações. O que ela não esperava é que, dentro da instituição psiquiátrica, encontraria um grande amor, na figura do jovem João (João Pedro Zappa). Adaptação de um conto de Jorge Furtado, Boa Sorte é a estreia na direção de Carolina Jabor, filha do cineasta, cronista e comentarista político Arnaldo Jabor. Na trama, como ela não tem muito tempo de vida, o máximo que eles podem fazer é aproveitar a oportunidade de ficarem juntos, nem que seja entre os muros da clínica.

BOA SORTE (Brasil, 2014), de Carolina Jabor. Com Deborah Secco, João Carlos Zappa, Gisele Froés, Felipe Camargo, Cássia Kis Magro, Edmilson Barros, Pablo Sanábio, Fernanda Montenegro. 89 min. Imagem Filmes. 16 anos.

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Shirley MacLaine e Christopher Plummer em ELSA & FRED (2014), de Michael Radford

Shirley MacLaine e Christopher Plummer em ELSA & FRED (2014), de Michael Radford

Refilmagem do argentino Elsa e Fred (2005), de Marcos Carnevale, a versão americana traz um casal que já fez muito pelo cinema hollywoodiano no papel do casal de idosos que descobrem que ainda não é tarde para se apaixonar e voltar a estar de bem com a vida. Na história, os dois passam a ficar amigos e a partir da amizade surge o amor. É um tipo de enredo que depende muito de diálogos bem construídos e de boas interpretações, além de bom pulso do diretor. Aqui, temos Michael Radford, que conta com alguns ótimos e bem distintos filmes no currículo, como 1984 (1984) e O Carteiro e o Poeta (1994).

ELSA & FRED (EUA, 2014), de Michael Radford. Com Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Marcia Gay Harden, Scott Bakula, Chris Noth, George Segal, James Brolin. 94 min. Diamond. 14 anos.

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Annette Bening e Ed Harris em UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (2013), de Arie Posin

Annette Bening e Ed Harris em UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (2013), de Arie Posin

Um outro filme sobre uma outra história de amor entre pessoas mais maduras é o cartaz do Cinema de Arte, Uma Nova Chance para Amar, cujo enredo é bem interessante. Na trama, Annette Bening é uma viúva que sofre durante muitos anos com a perda do marido, que morreu afogado no mar. Sua vida vira de pernas para o ar quando ela descobre um homem idêntico a ele (Ed Harris) e passa a persegui-lo, a fim de iniciar um novo romance. O filme equilibra bem o lado romântico com o clima misterioso, com passagens que remetem ao clássico do suspense de Alfred Hitchcock Um Corpo Que Cai.

UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (The Face of Love, EUA, 2013), de Arie Posin. Com Annette Bening, Ed Harris, Robin Williams, Jess Weixler, Linda Park, Jeffrey Vincent Parise, Amy Brenneman. 92 min. California. 12 anos.

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Leticia Spiller em O CASAMENTO DE GORETE (2012), de Paulo Vespúcio

Leticia Spiller em O CASAMENTO DE GORETE (2012), de Paulo Vespúcio

Ao que parece, pelo jeito que se vende no trailer, O Casamento de Gorete é uma dessas produções que remetem muito ao humor televisivo decadente estilo Zorra Total, com exageros no trato com os personagens homossexuais, em geral mostrados de maneira estereotipada e histriônica. Há críticos que já viram o filme em festival que dizem que se trata de uma obra até mesmo preconceituosa com o público gay, mas é preciso ver para confirmar se isso não é uma acusação infundada. Na trama, pai rejeita o filho por ele ser homossexual. Passados vários anos, quando o pai está à beira da morte e o filho já é uma mulher chamada Gorete (Rodrigo Sant’Anna), ela descobre que para receber a herança é preciso casar. Começa a corrida para encontrar um marido para Gorete. Letícia Spiller aparece no papel de uma drag queen.

O CASAMENTO DE GORETE (Brasil, 2013), de Paulo Vespúcio. Com Rodrigo Sant’Anna, Tadeu Mello, Ataíde Arcoverde, Antônio Firmino,  Carlos Bonow, José Victor Amorim, Leila Viany, Letícia Spiller, Maria Cristina Gatti, Nando Rodrigues, Pedro Novaes, Ricardo Blat, Tonico Pereira, Virginia Rodrigues. 93 min. Europa. 12 anos.

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Pré-estreias

Gaspard Ulliel em SAINT LAURENT (2014), de Bertrand Bonello

Gaspard Ulliel em SAINT LAURENT (2014), de Bertrand Bonello

Ao que parece, a onda das cinebiografias não está acontecendo só no Brasil, já que, no mesmo ano, o estilista Yves Saint Laurent ganhou dois filmes sobre sua vida. O primeiro, Yves Saint Laurent, de Jalil Lespert, foi lançado no Brasil em outubro. O segundo, Saint Laurent, do celebrado cineasta Bertrand Bonello, de filmes como O Pornógrafo (2001), Tirésia (2003) e L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância (2011), parece ter tudo para ser bem melhor, tendo em vista o respeitável histórico do diretor. O filme acompanha a vida do estilista de 1967 a 1976, quando estava no auge da carreira.

SAINT LAURENT (França/Bélgica, 2014), de Bertrand Bonello. Com Gaspar Ulliel, Jérémie Renier, Louis Garrel, Léa Seydoux, Amira Casar, Aymeline Valade, Helmut Berger, Valeria Bruni Tedeschi. 150 min. Imovision. 12 anos.

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Jason Sudeikis, Jason Bateman, Charlie Day e Jennifer Aniston em QUERO MATAR MEU CHEFE 2 (2014), de Sean Anders

Jason Sudeikis, Jason Bateman, Charlie Day e Jennifer Aniston em QUERO MATAR MEU CHEFE 2 (2014), de Sean Anders

Depois do divertido Quero Matar Meu Chefe (2011), de Seth Gordon, a gangue do elenco principal novamente se reúne para novas presepadas. Mudou o diretor. Se Seth Gordon tinha um bom currículo de comédias, Sean Anders não fica atrás, tendo como trabalhos de destaque a direção de Sex Drive – Rumo ao Sexo (2008) e o roteiro de Família do Bagulho (2013). É esperar que em Quero Matar Meu Chefe 2 as piadas não estejam requentadas e que a criatividade impere. Tudo em prol da arte de fazer rir. Jennifer Aniston, pelo que dizem, volta tão tarada quanto no primeiro filme. Bom para o espectador.

QUERO MATAR MEU CHEFE 2 (Horrible Bosses 2, EUA, 2014), de Sean Anders. Com Jason Sudeikis, Jason Bateman, Charlie Day, Jennifer Aniston, Kevin Spacey, Jamie Foxx, Chris Pine, Christoph Waltz, Jonathan Banks. 108 min. Warner. 14 anos.

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Saem de cartaz

O Melhor de Mim
Questão de Escolha

Estreias nacionais desta quinta-feira, 27, que não entram em cartaz em Fortaleza

Os Amigos, de Lina Chamie
Sétimo, de Patxi Amezcua

Veja o trailer de Os Amigos

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OSCAR-2015 – 83 ESTRANGEIROS EM DISPUTA

As nações descobriram no Oscar um grande veículo de propaganda. É a chance do país ter a sua cultura  pesquisada, obter a observação de sua cinematografia, mostrar os seus filmes aos mercados internacionais, consagrar os seus realizadores, enfim, alcançar a glória. Por isso, desde 2010 os pedidos de inscrições para a disputa da categoria estão na ascendente: 63 em 2010, 65 em 2011, 71 em 2013, 76 em 2014 e agora 83 em 2015. 2012 foi a exceção, com 63 filmes. Em dezembro próximo, a Academia começa a depurar o número de candidatos e somente 5 chegarão às portas do paraíso

Fábio Audi, Guilherme Lobo e Tess Amorim em HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO (2014), de Daniel Ribeiro

Fábio Audi, Guilherme Lobo e Tess Amorim em HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO (2014), de Daniel Ribeiro

Desde 1947, quando a categoria foi criada, a Itália é o maior papão de Oscar estrangeiro, com 14 estatuetas. O Brasil está perdendo de 2 x 0 para a vizinha Argentina, que está bombando mundo afora, e aqui, com o seu intrigante Relatos Selvagens, um dos favoritos. O Brasil, neste ano, compete com uma obra diferente depois de indicar produções constrangedoras, como Lula – o Filho do Brasil (2009), de Fábio Barreto e Marcelo Santiago, e fracassar com O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho.

Hoje eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, pela extrema sensibilidade com a qual trata o homossexualismo, um tema tabu para os conservadores votantes da Academia, pode ser considerado um azarao. No ano passado, o Comitê do Ministério da Cultura brasileiro acreditou que as boas críticas concedidas a O Som ao Redor seriam suficientes para chegar as portas do paraíso. Não foi. E saiba que teve crítico estadunidense que o categorizou como uma obra-prima.

O problema é que, no ano passado, assim como neste, não produzimos filmes com o porte, punch e qualidade suficientes para competir em pé de igualdade com as produções internacionais. Não, não temos uma produção de qualidade internacional. Temos, sim, alguns bons filmes, talvez ótimos, mas não excelentes.

Mas, analisando bem, Hoje eu Quero Voltar Sozinho é o melhor que temos pelo menos em termos de premiação estrangeira. Com o título internacional de The Way He Looks (na tradução literal, O Jeito que Ele Olha), já conquistou 15 prêmios em festivais estrangeiros, entre eles o Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, além da ótima receptividade popular.

Não custa lembrar que em apenas 5 vezes o Brasil competiu ao Oscar de Melhor Filme, sendo quatro na categoria de Produção Estrangeira e uma em documentário; ganhou uma indicação a Melhor Direção, uma para melhor canção e outra para Roteiro Adaptado.

ORFEU NEGRO (1959), de Marcel Camus: Oscar para a França

ORFEU NEGRO (1959), de Marcel Camus: Oscar para a França

No primeiro grupo estão O Pagador de Promessas (1963), de Anselmo Duarte, O Beijo da Mulher-Aranha (1985), de Hector Babenco, coproduçao com os EUA, também indicado a melhor direção; O Quatrilho (1994), de Fábio Barreto, O Que é Isso, Companheiro? (1998), de Bruno Barreto; e Central do Brasil (1999), de Walter Salles, com Fernanda Montenegro concorrendo a Melhor Atriz. Não vale contabilizar o Oscar de Filme Estrangeiro recebido pelo ítalo-franco-brasileiro Orfeu Negro (1959), de Marcel Camus, porque na época a Academia não aceitava coproduções, e, por isso, a estatueta ficou somente com a França. O documentário é Lixo Extraordinário (2010), de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley.

Estivemos perto com Cidade de Deus (2004), de Fernando Meireles, que competiu a Melhor Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem; Rio (2012), a animação de Carlos Saldanha que concorreu a Melhor Canção Oiginal; e Diário de Motocicleta (2005), novamente com Walter Salles, indicado a Melhor Roteiro Adaptado -, mas foi o uruguaio Jorge Drexler, autor de Al Outro lado del Rio, que recebeu o Oscar de Melhor Canção.

De Cidade de Deus para cá não obtivemos nenhuma indicação de maior importância. Teve ainda o caso do britânico Brazil – o Filme (1985), de Terry Gilliam, indicado pela canção de título homônimo de autoria de Ar Barroso.

Nos bastidores do Oscar, o Brasil pode ganhar uma inesperada indicação a Melhor Documentário. Elena (2013), de Petra Costa, que conta a história de sua irmã suicida, está sendo promovido em cabines privadas para membros da Academia pelo ator Tim Robbins, de Um Sonho de Liberdade (1994), que é o produtor executivo do trabalho da brasileira. Bem conceituado e quisto pelos colegas da indústria, é provável que consiga o seu intento.

Kettly Noël e Abel Jafri em TIMBUKTU (2014), de Abderrahmane Sissako

Kettly Noël e Abel Jafri em TIMBUKTU (2014), de Abderrahmane Sissako

ESTREANTES E DESTAQUES

Entre os 83 países que enviaram os seus representantes para a Academia de Hollywood, Kosovo, Malta, Mauritânia e Panamá são os novatos. São sete países a mais em relação ao ano passado.

E vem justamente da Mauritânia um dos filmes mais aclamados do ano, Timbuktu, de Abderrahmane Sissako, que reconstitui, em tom de romance a tensão da cidade desde que ocupada, em 2012, por fundamentalistas jihardistas, os quais proíbem a música e o esporte – entre outras atividades -, e impõem as suas leis alienantes. A obra está valorizada porque faz uma antevisão das consequências do surgimento de grupos terroristas como o Estado Islâmico e o Boko Haram. Aos 52 anos, Sissako, que nasceu na Mauritânia, passou a infância no Mali, obteve a educação em Moscou e atualmente mora na França. A sua obra obteve 2 prêmios em Cannes-2015.

Também premiado em Cannes, o sueco Força Maior (Force Majeure), de Ruben Östlund, já vinha angariando elogios desde a sua exibição em Toronto ao mostrar uma família em férias nos Alpes franceses que presencia uma avalanche e, apavorado, o marido abandona a mulher e as duas filhas para ficar em segurança. O ato gera uma crise familiar. O ganhador da Palma de Ouro no Festival, o turco Winter Sleep (Turquia), de Nuri Bilge Ceylan, é outro destaque. A longa duração (196 minutos) não deve ser problema para que os membros da Academia o selecione entre os grandes da temporada.

LEVIATÃ (2014), de Andrey Zvyagintsev

LEVIATÃ (2014), de Andrey Zvyagintsev

Outra obra polêmica é o russo Leviatã, de Andrey Zvyagintsev, que expõe a decadência e a corrupção do país sob o governo de Vladimir Puttin através do drama de um morador de uma pequena cidade costeira que luta contra a prefeitura, a qual determinou a demolição de sua casa. Recebeu o prêmio de Melhor Roteiro em Cannes. O comitê de seleção russo, formado por cineastas, ignorou os pedidos do governo e o indicou na marra.

A imprensa estrangeira tem dado destaque, também, a outras criações, algumas deles igualmente premiadas em festivais e pelos críticos de seus países, como Ida (Polônia), de Pawel Pawlikowski, recordista de indicações ao Grande Prêmio do Cinema Europeu (leia matéria no Cinema e Artes, aqui), Mommy (Canadá), de Xavier Dolan, ganhador de 2 prêmios em Cannes, do público e do Júri; Dois Dias, uma Noite (Deux Jours, Une Nuit, Bélgica), dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, também 2 prêmios; o citado Relatos Selvagens (Relatos Salvages, Argentina), de Damián Szifron, que está em cartaz no Brasil; Duas Irmãs, uma Paixão (Die Geliebten Schwestern, Alemanha), de Dominik Graf, ambientado em 1788 e que conta a paixão de duas irmãs, uma delas casada, por famoso poeta; O País de Charlie (Charlie’s Country, Austrália), de Rolf De Heer, que narra a história de um aborígena australiano sem perspectivas que se rebela contra a lei dos homens brancos adotando o antigo estilo de vida de seus ancestrais, angariando, de um lado a admiração de seu povo, e a perseguição das autoridades;  além do documentário E Agora? Lembra-me (Portugal), de Joaquim Pinto, ganhador de 16 prêmios internacionais, entre eles o Leopardo de Ouro em Locarno 2013, uma obra corajosa, pois é nela que Pinto, também técnico de som e produtor, mostra-o convivendo há 20 anos com a AIDS e a Hepatite C, até que sua saúde piora e ele decide tomar parte de um experimento médico com drogas não aprovadas pelo governo ao longo de um ano.

Nos recentes Festival do Rio e Mostra Internacional de SP várias produções concorrentes estrangeiras ao Oscar foram exibidas: o já exibido Relatos Selvagens, a ainda Força Maior, Duas Irmãs, uma Paixão, Mommy e Leviatã, afora Viver é Fácil com os Olhos Fechados (Espanha), Filha (Paquistão), Tristeza e Alegria (Dinamarca), O Vale das Sombras (Áustria), Mateo (Colombia), Noite Decisiva (Finlândia), A Ilha dos Milharais (Geórgia) e O Círculo (Suiça), todas com lançamentos assegurados nos cinemas brasileiros no próximo ano.

Os 5 filmes que estarão ultrapassando as portas do paraíso serão anunciados em 15 de janeiro e o que será celebrado como o melhor estrangeiro do ano em 22 de fevereiro, no palco do Dolby Theatre.

DUAS IRMÃS, UMA PAIXÃO (Alemanha, 2014), de Dominik Graf; e O PAÍS DE CHARLIE (Austrália, 2014), de Rolf de Heer

DUAS IRMÃS, UMA PAIXÃO (Alemanha, 2014), de Dominik Graf; e O PAÍS DE CHARLIE (Austrália, 2014), de Rolf de Heer

Conheça os 83 concorrentes.

Afeganistão – A Few Cubic Meters of Love, de Jamshid Mahmoudi
África do Sul – Elelwani, de Ntshavheni wa Luruli
Alemanha – Duas Irmãs, uma Paixão (Die Geliebten Schwestern), de Dominik Graf
Argentina – Relatos Selvagens (Relatos Salvages), de Damián Szifrón
Austrália – O País de Charlie (Charlie’s Country), de Rolf de Heer
Áustria – O Vale das Sombras (Das Finastere Tal) de Andreas Prochaska
Azerbaijão – Nabat, de Elchin Musaoglu
Bangladesh – Glow of the Firefly, de Khalid Mahmud Mithu
Bélgica – Dois Dias, uma Noite (Deux Jours, Une Nuit), de Jean-Pierre e Luc Dardenne
Bolívia – Olvidados, de Carlos Bolado
Bósnia e Herzegovina – With Mom, de Faruk Lončarević
Brasil – Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro
Bulgária – Bulgarian Rhapsody, de Ivan Nitchev
Canadá – Mommy, de Xavier Dolan
Chile – Matar a un Hombre, de Alejandro Fernández Almendras
China – The Nightingale, de Philippe Muyl
Colômbia – Mateo, de Maria Gamboa
Coreia do Sul –  Sea Fog, de Shim Sung-bo
Costa Rica – Princesas Rojas, de Laura Astorga
Croácia – Kauboji, de Tomislav Mrsic
Cuba – Conducta, de Ernesto Daranas
Dinamarca – Tristeza e Alegria, de Nils Malmros
Egipto – The Factory Girl, de Mohamed Khan
Equador – Silencio en la Tierra de los Sueños, de Tito Molina
Eslováquia – A Step Into the Dark, de Mislolav Luther
Eslovénia – Seduce Me, de Marko Šantić
Espanha – Vive é Fácil com os Olhos Fechados, de David Trueba
Estónia – Mandariinid, de Zaza Urushadze
Etiópia – Difret, Zeresenay Berhane Mehari
Filipinas – Norte, the End of History; de Lav Díaz
Finlândia – Noite Decisiva, de Pirjo Honkasalo
França – Saint Laurent, de Bertrand Bonello
Geórgia – A Ilha dos Milharais, de Giorgi Ovashvili
Grécia – Little England, de Pantelis Voulgaris
Holanda – Lucia de B., de Paula van der Oest
Hong Kong – The Golden Era, de Ann Hui
Hungria – White God, de Kornel Mundruczo
Índia – Liar’s Dice, de Geethu Mohandas
Indonésia – Soekarno, de Hanung Bramantyo
Irã – Today, de Reza Mirkarimi
Iraque – Mardan, de Batin Ghobadi
Irlanda – The Gift, de Tommy Collins
Islândia – Life in a Fishbowl, de Baldvin Zophoníasson
Israel – Gett: The Trial of Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz
Itália – Il Capitale Umano, de Paolo Virzì
Japão – Soko Nomi nite nikari Kagayaku, de Mipo Oh
Kosovo – Three Windows and a Hanging, de Isa Qosja
Letónia – Rocks in my Pockets, de Signe Baumane
Líbano – Blind Intersections, de Lara Saba
Lituânia – The Gambler, de Ignas Jonynas
Luxemburgo – Never Die Young, de Pol Cruchten
Macedónia – To the Hilt, de Stole Popov
Malta – Simshar, de Rebecca Cremona
Marrocos – La lune Rouge, de Hassan Benjelloun
Mauritânia – Timbuktu, de Abderrahmane Sissako
México – Cantinflas, de Sebastian del Amo
Moldávia – The Unsaved, de Igor Cobileanski
Montenegro – The Boys from Marx and Engels Street, de Nikola Vukčević
Nepal – Johla, de Yadav Kumar Battarai
Noruega – 1001 Grams, de Bent Hamer
Nova Zelândia – The Dead Lands, de Toa Fraser
Palestina – Eyes of a Thief, de Najwa Najjar
Panamá – Invasión, Abner Benaim
Paquistão – Filha (Dukhtar), de Afia Nathaniel
Peru – El Evangelio de la Carne, de Eduardo Mendoza de Echave
Polónia – Ida, de Pawel Pawlikowski
Portugal – E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto
Quirguistão – Queen of the Mountains, de Sadyk Sher-Niyaz
República Checa – Fair Play, de Andrea Sedláčková
Reino Unido – Little Happiness, de Nihat Seven
República Dominicana – Cristo Rey, de Leticia Tonos
Roménia – Câinele Japonez, de Tudor Cristian Jurgiu
Sérvia – Montevideo, videmo se!, de Dragan Bjelogrlic
Rússia – Leviatã, de Andrey Zvyagintsev
Singapura – My Beloved Dearest, de Sanif Olek
Suécia – Força Maior (Force Meujeure/Turist), de Ruben Östlund
Suíça – O Círculo (Der Kreis), de Stefan Haupt
Tailândia – Teacher’s Diary, de Nithiwat Tharathorn
Taiwan – Ice Poison, de Midi Z
Turquia – Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan
Ucrânia – Povodyr (The Guide),  de Oles Sanin
Uruguai – Mr. Kaplan, de Álvaro Brechner
Venezuela – Libertador, de Alberto Arvelo

Veja o trailer surpreendente do uruguai Mr. Kaplan.

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VILA DAS ARTES – o racismo em CONDUZINDO MISS DAISY

O último filme da mostra de novembro do Grupo 24 Quadros, dedicada aos filmes adaptados de obras teatrais, Conduzindo Miss Daisy é algo mais do que a história da amizade improvável entre uma velha senhora  judia e um humilde chofer negro, revelando as sutilezas da discriminação racial para além de atitudes explícitas. A exibição ocorre nesta sexta-feira, 28 de novembro, na Vila das Artes

CONDUZINDO MISS DAISY (1989), de Bruce Beresford: insight sobre as sutilezas do racismo nos EUA

Jessica Tandy e Morgan Freeman em CONDUZINDO MISS DAISY (1989), de Bruce Beresford: o racismo nos EUA

“Uma velha judia e um negro velho pela estrada. Que cena lastimável”!

Esta é a fala de um dos dois policiais que abordam Daisy Werthan (Jessica Tandy), professora aposentada e viúva de rico industrial, e  Hoke Colburn (Morgan Freeman), um simples chofer, à beira de uma estrada no Alabama, sul dos Estados Unidos. Toda a carga de tensão da cena se esvai nessa frase – essa sim, lastimável! -, de modo natural, como se fosse comum odiar a priori qualquer tipo de pessoa.

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy) é uma obra à parte na filmografia dedicada (às vezes engajada) à problemática do racismo nos Estados Unidos. É também um filme de texto e atuações, sutis e eficientes. Bruce Beresford, diretor do longa, não é um artista que explore enquadramentos ou movimentos de câmera muito ousados e nem narrativas feitas a partir da montagem – o que às vezes torna a película enfadonha. Tudo parece se adequar perfeitamente ao script, sem ousadias formais. Antes de dirigir seu trabalho mais conhecido, ele já fora indicado ao Oscar duas vezes: em 1980, pelo roteiro adaptado de Breaker Morant (Idem, AUT, 1980), e em 1983, pela direção de A Força do Carinho (Tender Mercies , EUA, 1983). Tinha, portanto, credenciais para assumir o comando de uma obra adaptada de uma peça de teatro.

Em Conduzindo Miss Daisy a discriminação racial se apresenta de forma muito sutil, quase natural. Não há conflitos graves à vista. Tudo parece se encaixar direito na ordem social extremamente injusta dos EUA da segunda metade do século XX, quando, a despeito do governo americano ter ido à guerra em nome da democracia, ainda existiam lugares onde pessoas “de cor” não podiam botar os pés. Parece familiar? Pois é, as relações de dominação e reprodução social vistas no filme lembram muito aquelas estabelecidas ao longo da história brasileira. E não à toa. O Sul dos EUA, local onde se passa a estória da improvável amizade entre uma judia rica e um negro pobre, tem uma formação social semelhante a de tantos outros países escravocratas e latifundiaristas, nos quais as relações entre “desiguais” são mediadas pela ternura hipócrita e pela submissão conformada. Jéssica Tandy e Morgan Freeman traduzem à perfeição esse “jeitinho estadunidense” de manter as coisas como ela são. Tandy não deixa que sua personagem avara e mesquinha se torne exatamente antipática, e Freeman, com seu sorriso largo e risadinha alegre, muitas vezes lembra aqueles pobres caboclos de enxada nas costas ou tantos daqueles outros homens humildes para os quais acenamos cortesmente todos os dias, embora nem saibamos os seus nomes.

Adaptado da peça homônima escrita pelo dramaturgo Alfred Uhry, Conduzindo Miss Daisy por vezes se arrisca a cair na fórmula da “superação de barreiras inter-raciais” e outras bobagens demagógicas que informam mais acerca da decisão de perder alguns anéis em prol dos dedos do que sobre algum laivo de progressismo. Porém, graças às ótimas atuações – as quais renderam indicações ao Oscar tanto à Jéssica Tandy (laureada aos 81 anos) quanto à Morgan Freeman – até os momentos mais comoventes, como a arrepiante sequência final (o único momento de ternura espontânea entre os amigos), não incorrem no dramalhão barato. Nesse aspecto, esse que foi um dos últimos filmes de Jéssica Tandy – diagnosticada com câncer pouco tempo depois e falecida em 1994 – é uma obra de rara lucidez, coisa rara quando as paixões ideológicas estão em jogo. Ainda bem que existem mentes arejadas no mundo das artes.

Conduzindo Miss Daisy encerra a mostra O teatro vai ao Cinema, realizada pelo cineclube 24 Quadros. A exibição ocorre no auditório da Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes.

FICHA TÉCNICA

MISSConduzindo Miss Daisy
Título original: Driving Miss Daisy
País de origem: EUA
Ano de produção: 1989
Produção: Richard D. Zanuck/Lili Fini Zanuck
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: Alfred Uhry, baseado em peça de sua autoria
Elenco: Jessica Tandy, Dan Aykroyd, Morgan Freeman, Patti LuPone, Esther Rolle, Joann Havrilla, William Hall Jr., Alvin M. Sugarman, Clarice F. Geigerman, Muriel Moore e Sylvia Kaler
Fotografia: Peter James
Montagem: Mark Warner
Trilha Sonora: Hans Zimmer
Duração: 99 minutos
Distribuidora: Warner Bros.

Onde

Vila das Artes: Rua 24 de Maio, 1121, Centro.

Quando

Sexta-feira, dia 28 de novembro de 2014. Haverá apresentação prévia do filme.

Confira o trailer:

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NO – GOLPE NO CHILE FECHA MOSTRA NO CCBNB

Filmaço de Pablo Larraín fecha a mostra de novembro do cineclube do Centro Cultural BNB, dedicada ao diálogo entre arte, política e cidadania. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2012, o último longa do diretor chileno expõe a agonia da ditadura de Augusto Pinochet sob o ponto de vista das campanhas publicitárias remetidas ao último referendo convocado pelo tirano para tentar garantir sua sobrevivência no poder. Será exibido nessa terça, 25, a partir das 14 horas

Gael García Bernal em NO, de Pablo Larraín: a agonia de um regime sob o ponto de vista da publicidade. Foto (reprodução)

Gael García Bernal em NO (2012), de Pablo Larraín: a agonia de um regime militar sob o ponto de vista da publicidade

Falar sobre a qualidade de NO é chover no molhado. Se parecia difícil superar o inenarrável Tony Manero (Idem, Brasil/Chile, 2008), essa é, de fato, a obra-prima da pequena, mas expressiva filmografia do chileno Pablo Larraín. E não pela temática em si: há diversos filmes sobre ditaduras militares que são um porre – o cinema brasileiro que o diga! O que ressalta no representante chileno ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2012 é o que falta nas películas tupiniquins dedicadas aos anos de chumbo: boa direção, excelente roteiro, elenco arrasador – destaque para os soberbos Gael García Bernal e Alfredo Castro – e a leveza para abordar um episódio da história do vizinho sul/latino-americano sem transformá-la numa telenovela da vida real. É possível rir muito mais do que chorar assistindo a essa pequena joia da cinematografia latino-americana recente.

Pablo Larrain

Pablo Larrain

O longa que fecha a trilogia dedicada ao regime militar no Chile, ironicamente empreendida pelo filho de um ex-senador fiel aos militares, não é um filme diferente apenas do ponto de vista temático: se a ideia de abordar a decadência do ex-todo poderoso Augusto Pinochet  a partir das campanhas publicitárias em torno do último referendo por ele convocado – mérito de Antonio Skármeta, em cuja peça inédita, El Plebiscito, se baseia o roteiro do filme – já é, por si só, extraordinária, Pablo, com o talento que lhe é peculiar, e a feliz parceria com artistas como o ator e roteirista Alfredo Castro (o antológico psicopata de Tony Manero) e o fotógrafo Sergio Armstrong, consegue imprimir tamanha verdade a sua visão do Chile sombrio de então que às vezes fica difícil distinguir entre a verdade histórica e sua versão em tela. Um dos fatores que contribuem para o reforço dessa “impressão de realidade” é a captação das imagens com uma velha câmera U-Matic, comum nas estações de televisão na década de 1980. Não bastasse a textura de imagem irresistível, há um minucioso trabalho de reconstituição histórica, que inclui a inserção de trechos originais das campanhas em confronto.

É notória a qualidade extraordinária do último filme de Larraín – e que venham outros ainda melhores – e quando se leva em consideração tanto o orçamento modesto (em torno de U$$ 4 milhões) como as dificuldades de toda ordem que existem para se filmar no Chile, isso fica ainda mais evidente. Há uma velha lição no cinema: nem dinheiro traz qualidade, nem talento se mede por orçamento. No é um filme forte porque não carece de efeitos especiais ou de novas parafernálias tecnológicas para impressionar o espectador. Obra poderosa como poucas, esta é uma película que não só delicia os olhos, mas a mente e o coração.

NO fecha a mostra Diálogos entre cinema, cidadania e política, realizada durante o mês de novembro no cineclube do Centro Cultural Banco o Nordeste. A exibição ocorrerá nessa terça, dia 25 de novembro, a partir das 14h.

FICHA TÉCNICA

NOTítulo original: No
Produção: Daniel Marc Dreifuss/Juan de Dios Larraín/Pablo Larraín
País de origem: Chile/França/EUA
Ano de produção: 2012
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Pedro Periano, baseado em romnance de Antonio Skármeta
Elenco: Alfredo Castro, Gael García Bernal, Antonia Zegers, Luis Gnecco, Marcial Tagle, Néstor Cantillana, Jaime Vadell e Pascal Montero
Fotografia: Sergio Armstrong
Edição/Montagem: Andrea Chignoli
Duração: 118 minutos
Distribuidora: Imovision

 

Onde

Cineclube do Centro Cultural BNB
Rua Conde D’Eu, 560, Centro

Quando

Terça-feira, dia 25 de novembro de 2014. Haverá debate após a sessão

Confira o trailer:

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Ranking EUA – A Esperança: Parte 1 lidera

Penúltimo capítulo de uma das franquias de maior sucesso do cinema atual, A Esperança: parte 1 estreou dominando as bilheterias da América do Norte e quebrando recordes. Ainda assim, a performance do filme deixou um pouquinho a desejar…

Banner de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

Banner de JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA PARTE 1 (2014), de Francis Lawrence

Considerado por muitos como o “filme-evento do ano”, a aventura Jogos Vorazes: a Esperança – Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay – Part 1) chegou aos cinemas norte-americanos faturando alto nas bilheterias e, é claro, fazendo jus ao título que tem recebido.

Lançado pela Lionsgate em 4.151 telonas dos Estados Unidos e Canadá, A Esperança: Parte 1 arrecadou nos seus três primeiros dias em cartaz nada menos que US$ 123,00 milhões, quantia inegavelmente elogiável que transformou a produção na campeã disparada do fim de semana e, de quebra, ainda lhe garantiu os postos de maior abertura de 2014 (superando os US$ 100,03 milhões de Transformers: A Era da Extinção) e de 15ª maior estreia de todos os tempos na América do Norte.

Contudo, apesar dos recordes, não há como negar que os números de A Esperança: Parte 1 foram um tantinho desanimadores, uma vez que eles ficaram abaixo das expectativas tanto dos executivos da Lionsgate (que esperavam uma renda de US$ 130 milhões) quanto dos analistas de mercado (que acreditavam em um faturamento de US$ 150 milhões), sem falar que esta representa a menor abertura da franquia até o momento (Jogos Vorazes estreou com US$ 152,53 milhões e Em Chamas com US$ 158,07 milhões). Sobre as prováveis razões para o declínio na curva ascendente da série, alguns especialistas citam a relativa falta de ação do novo filme (a esperada batalha final só será vista em A Esperança: Parte 2) e o fato deste ser o primeiro capítulo da franquia a não contar com um lançamento em IMAX.

Mas se na América do Norte a série começou a perder um pouco do fôlego, no mercado internacional a situação é totalmente oposta. Lançado também nas telonas de 85 países esta semana, A Esperança: Parte 1 fez bonito mundo afora e alcançou uma abertura internacional de US$152,00 milhões, a maior registrada na franquia, superando os US$ 146,60 milhões de Em Chamas. Diante disso, podemos chegar à conclusão que mesmo com uma pequena queda na renda norte-americana, o pessoal da Lionsgate não tem realmente motivos para se preocupar, pois a sua franquia altamente milionária continua sendo uma franquia altamente milionária.

Assista ao trailer de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1.

Imagem de Amostra do You Tube

Na trama do filme, após sobreviver a dois Jogos Vorazes, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se transforma no símbolo de uma revolução contra a Capital e, sob a liderança da Comandante Coin (Julianne Moore), dá início a luta para salvar Peeta (Josh Hutcherson) e toda sua nação. Liam Hemsworth (Os Mercenários 2), Woody Harrelson (Zumbilânida), Elizabeth Banks (À Beira do Abismo), Stanley Tucci (O Diabo Veste Prada), Jena Malone (Sucker Punch), Philip Seymour Hoffman (O Mestre) e Donald Sutherlan (O Melhor Lance) também estão no elenco de A Esperança – Parte 1, que já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Na esquerda, cena de Operação Big Hero e na direita cena de Interestelar

Na esquerda, cena de OPERAÇÃO BIG HERO e na direita cena de INTERESTELAR (2014)

Abaixo de A Esperança – Parte 1, completando o pódio deste final de semana com rendas consideravelmente menores que a do primeiro colocado, estão a animação Operação Big Hero e a sci-fi Interestelar, que apresentaram uma queda na casa o 40% e conseguiram manter-se respectivamente na segunda e terceira posições do ranking, com US$ 20,08 milhões e US$ 15,10 milhões. Ao todo, Operação Big Hero contabiliza em três semanas uma arrecadação de US$ 135,70 milhões, enquanto Interestelar soma no mesmo período US$ 120,69 milhões.

Cena de Debi e Lóide 2

Jeff Daniels e Jim, Carery em DEBI & LÓIDE 2 (2014), dos irmãos Farrelly

Na sequência do ranking vem a comédia Debi e Lóide 2, que após obter uma abertura forte na semana passada, registrou uma queda igualmente robusta de 62% e escorregou da primeira para a quarta colocação, tendo faturado de sexta a domingo US$ 13,82 milhões. Em dez dias, o novo filme da atrapalhada dupla interpretada por Jim Carrey e Jeff Daniels acumula uma bilheteria de US$ 57,47 milhões.

Cena de Garota Exemplar

Rosamundo Pike e Ben Affleck en GAROTA EEMPLAR (2014), de David Fincher

Em cartaz nas telonas norte-americanas há oito semanas, o suspense Garota Exemplar parece simplesmente se recusar a sair da lista dos cinco mais rentáveis e pela terceira vez consecutiva encerrou o TOP 5, agora com US$ 2,81 milhões. No total, o longa dirigido por David Fincher (Clube da Luta) detém uma bilheteria de US$ 156,82 milhões.

Cena de A Teoria de Tudo

Eddie Redmayne em  A TEORIA DE TUDO (2014), de James Marsh

Para encerrar, vale mencionar o desempenho do drama A Teoria de Tudo, que após se destacar em circuito restrito há poucas semanas, passou a ser exibido em 140 salas e teve como resultado um crescimento excelente de 104% em sua renda, que pulou para US$ 1,50 milhão e garantiu ao filme a décima posição do ranking. Ao todo, a bilheteria da cinebiografia de Stephen Hawking acumula um faturamento de US$ 2,79 milhões.

Confira abaixo o ranking completo com as dez maiores bilheterias deste final de semana na América do Norte:

Ranking